0067/2026 - A Terapia Comunitária Integrativa à luz da Estratégia Global de Medicina Tradicional da OMS 2025–2034
Integrative Community Therapy in the Context of the WHO Global Traditional Medicine Strategy 2025–2034
Autor:
• Nelson Filice de Barros - de Barros, NF - <filice@unicamp.br>ORCID: https://orcid.org/0000-0002-2389-0056
Coautor(es):
• Flávia Liparini - Liparini, F - <flaliparini@yahoo.com.br>ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3779-7669
Resumo:
Esta carta discute a Terapia Comunitária Integrativa no cuidado ao diabetes mellitus tipo 2 sob a perspectiva da nova Estratégia Global de Medicina Tradicional da OMS (2025–2034). Argumenta-se que a prática fortalece o apoio psicossocial e o pluralismo epistêmico, alinhando a experiência brasileira das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) às diretrizes internacionais de integração e cuidado centrado nas comunidades.Palavras-chave:
Terapia Comunitária Integrativa; Diabetes Mellitus; Participação da Comunidade.Abstract:
This letter discusses Integrative Community Therapy in the care of type 2 diabetes mellitus from the perspective of the new WHO Global Traditional Medicine Strategy (2025-2034). It is argued that this practice strengthens psychosocial support and epistemic pluralism, aligning the Brazilian experience of Integrative and Complementary Health Practices (PICS) with international guidelines for integration and community-centered care.Keywords:
Integrative Community Therapy; Diabetes Mellitus; Community Participation.Conteúdo:
Esse debate adquire ainda mais relevância diante da recente publicação da “Global Traditional Medicine Strategy 2025–2034” pela Organização Mundial da Saúde (OMS)2. Enquanto no contexto brasileiro se utiliza frequentemente o termo PICS, a Estratégia da OMS adota a terminologia Medicina Tradicional, Complementar e Integrativa (MTCI), a fim de reconhecer a evolução do panorama global, a diversidade de suas práticas e os avanços e desafios enfrentados pelos Estados Membros na busca de apoio técnico para integrá-las de modo seguro e qualificado em seus sistemas de saúde.
O documento tem como objetivo promover a contribuição da MTCI para o mais alto padrão de saúde e bem-estar, fundamentando-se em nove princípios norteadores: base em evidências; holismo; sustentabilidade e biodiversidade; direito à saúde e autonomia; direitos dos povos indígenas; cultura; cuidado centrado nas pessoas e engajamento comunitário; serviços de saúde integrados; e equidade em saúde. A Estratégia operacionaliza-se por meio de quatro objetivos estratégicos: fortalecer a base de evidências; apoiar a oferta segura e eficaz por meio de mecanismos regulatórios adequados; integrar práticas seguras e eficazes aos sistemas de saúde; e otimizar seu valor intersetorial, reforçando o protagonismo das comunidades.
A Estratégia foi elaborada reconhecendo a diversidade, os desafios, as singularidades e as oportunidades da MTCI, com o propósito de apoiar os Estados Membros na elaboração de políticas e ações nacionais, em conformidade com suas capacidades, prioridades, legislações, culturas e contextos específicos. O documento também responde às demandas de detentores de conhecimentos tradicionais, assegurando proteção, acesso e reconhecimento a esses saberes.
No contexto nacional, o artigo publicado nesta Revista se insere em um movimento de valorização das PICS no Sistema Único de Saúde (SUS), impulsionado pela Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC). Em 2006, esta Revista já destacava a relevância da PNPIC como uma ação contra o epistemicídio e em defesa da inclusão de uma lógica integrativa capaz de articular o núcleo duro de diferentes práticas com qualidade, segurança e efetividade3. Essa iniciativa é central para a construção de um modelo de atenção à saúde que incorpore uma abordagem mais integral, em sintonia com os princípios defendidos pela OMS.
Portanto, o artigo recente não apenas dialoga com o cenário internacional e nacional, mas também reafirma a importância do pluralismo epistêmico no campo da saúde4. Ao evidenciar o impacto positivo da Terapia Comunitária Integrativa no cuidado de pessoas com diabetes, esta Revista reitera sua contribuição no fortalecimento da pesquisa, formação e gestão voltadas à ampliação do cuidado integral no SUS.
Declaração de Disponibilidade de Dados
Não se aplica.
1- Karez AF, Moreira AD, Reis JS, Beinner MA, Maia MA, Oliveira SR. Contribuições da Terapia Comunitária Integrativa na abordagem terapêutica de pessoas com diabetes mellitus tipo 2. Cien Saude Colet 2025; 30(9):1-10.
2- World Health Organization (WHO). Global traditional medicine strategy 2025-2034. Geneva: WHO; 2025.
3- Barros NF. Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS: uma ação de inclusão. Cien Saude Colet 2006; 11(3):542.
4- Papalini V. Problemas do pluralismo médico: contribuições para uma perspectiva multiepistêmica no Sul global. Soc Cult 2024; 27:e78315.











