0390/2025 - Prevenção do suicídio no Brasil: análise contemporânea para avanços necessários Suicide prevention in Brazil: Challenges and Perspectives for Necessary Advances
O suicídio é um importante problema de saúde pública no Brasil, configurando-se como fenômeno complexo e multifatorial. Apesar dos avanços normativos, persistem desafios na implementação de políticas públicas eficazes para prevenção. Este ensaio teórico tem como objetivo discutir a prevenção do suicídio no Brasil, identificando desafios, limites e caminhos para o fortalecimento das políticas públicas na área. O texto apresenta panorama do cenário atual, examina estratégias adotadas e dificuldades enfrentadas na prevenção, além de apontar caminhos para avanços nessa área, com foco na saúde pública. Defende-se que o fortalecimento das políticas preventivas requer a criação de plano nacional, enfrentamento do estigma, ampliação das ações de promoção da saúde mental e compromisso coletivo de diferentes setores da sociedade na valorização da vida.
Palavras-chave:
Suicídio; Prevenção do Suicídio; Políticas de Saúde.
Abstract:
Suicide is a serious public health problem in Brazil, characterized as a complex and multifactorial phenomenon. Despite regulatory advances, challenges persist in the implementation of effective public policies for its prevention. This theoretical essay aims to discuss suicide prevention in Brazil, identifying challenges, limitations, and pathways to strengthen public policies in this area. The text presents an overview of the current scenario, examines the strategies adopted and the difficulties encountered in prevention, and suggests pathways for progress in this area. It argues that strengthening preventive policies requires addressing stigma, expanding mental health promotion actions, and fostering a collective commitment from various sectors of society to the promotion of life.
Keywords:
Suicide; Suicide Prevention; Health Policy.
Conteúdo:
Introdução
O suicídio, presente desde os primórdios da humanidade, é vivenciado de maneira singular, em cada período histórico e nas diferentes culturas. Esse fenômeno envolve múltiplos fatores, tanto no nível conjuntural quanto no individual, abrangendo aspectos sociais, biológicos, psicológicos, culturais, políticos e filosóficos. No entanto, não se limita a essas dimensões, uma vez que a compreensão deste exige a consideração de contextos específicos, das relações interpessoais e das condições estruturais que atravessam a vida dos indivíduos1.
Atualmente, é considerado grave e complexo problema de saúde pública. Cerca de 727.000 morrem por suicídio, anualmente, no mundo, representando taxa global média de 8,9 óbitos por 100.000 habitantes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que 73% dessas mortes ocorrem em países de baixa e média renda, em que a carga desse agravo é mais significativa2.
Enquanto o mundo registrou redução global de 35% no número de suicídios entre 2000 e 2021, a região das Américas seguiu trajetória oposta, com aumento de 17%, no mesmo período2. No Brasil, esse cenário foi ainda mais preocupante: entre 2010 e 2021, as taxas de mortalidade por suicídio cresceram 42%, passando de 5,2 para 7,5 óbitos por 100.000 habitantes. Em 2021, foram 15.000 vidas perdidas no país, destacando a importância do problema e a necessidade de ações efetivas para a prevenção3.
Além da mortalidade, a amplitude desse problema é ainda mais expressiva, quando se considera o comportamento suicida como um todo, que inclui, também, a ideação e as tentativas de suicídio. Estima-se que, para cada suicídio, ocorram mais de 20 tentativas, muitas das quais resultam em lesões graves, traumas psicológicos importantes e altas demandas para os serviços de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS). A ideação suicida, por sua vez, atinge número ainda maior de pessoas, constituindo importante sinal de alerta que pode preceder o ato suicida4.
Embora os estudos sobre o tema tenham crescido nos últimos anos, ainda persiste a carência de análises que, para além da descrição de dados e ações fragmentadas, problematizem criticamente a ausência de um plano nacional e discutam as implicações políticas, institucionais e sociais no Brasil. Este ensaio teórico busca preencher essa lacuna, a partir da perspectiva da saúde pública, analisando como o Estado têm enfrentado, ou não, a complexidade do suicídio no Brasil.
Assim, objetivou-se discutir a prevenção do suicídio no Brasil, identificando desafios, limites e caminhos para o fortalecimento das políticas públicas na área. Trata-se de ensaio teórico, fundamentado em revisão crítica da literatura nacional e internacional, bem como na análise de documentos oficiais de organismos públicos e multilaterais sobre a temática. Este tipo de abordagem busca elaborar reflexão analítica, não empírica, que integre evidências, políticas e aspectos estruturais, inspirada em referenciais críticos da saúde coletiva e das políticas públicas5,6, os quais problematizam a relação entre Estado, políticas sociais e desigualdades no campo da saúde.
Esse debate também tem sido enriquecido por contribuições que problematizam as desigualdades a partir de marcadores sociais da diferença e interseccionalidade, evidenciando como gênero, raça e classe conformam condições desiguais de vida e saúde7,8. A interseccionalidade, neste sentido, consolida-se como ferramenta analítica fundamental para saúde pública, permitindo compreender como múltiplas opressões se articulam na produção do sofrimento psíquico e do risco de suicídio9,10,11.
O texto organiza-se em três momentos, articulados de modo a construir reflexão crítica sobre os limites e as potencialidades da prevenção do suicídio no Brasil. Inicialmente, apresenta-se contextualização sobre o panorama nacional, situando o problema no campo da saúde pública. Em seguida, discute-se a trajetória das iniciativas voltadas à prevenção no país, com destaque para a fragmentação institucional e a ausência de uma estratégia nacional coordenada. Por fim, propõem-se caminhos para o fortalecimento dessas políticas, enfatizando a necessidade de abordagens intersetoriais e sustentáveis.
O panorama do suicídio no contexto brasileiro
A compreensão do suicídio no Brasil foi historicamente moldada pela emergência e consolidação da psiquiatria como campo disciplinar e dispositivo de regulação social. Desde o século XX, a psiquiatrização do sofrimento psíquico conduziu a uma leitura predominantemente patologizante do comportamento suicida, reduzindo-o a manifestações individuais de transtornos mentais e negligenciando as conexões com processos sociais estruturantes, como a desigualdade social, o racismo estrutural, a colonialidade e a precarização do trabalho12.
Esse legado se mantém no modo como o suicídio é abordado nas políticas públicas e nos serviços de saúde, em que ainda predomina a associação automática entre comportamento suicida e transtornos mentais. Essa perspectiva reforça práticas medicalizantes e fragmentadas, contribuindo para manutenção de políticas insuficientes e desarticuladas13.
Como demonstrado no início deste artigo, as taxas de suicídio no Brasil estão em ascensão nas últimas décadas. Todavia, é fundamental desvelar as múltiplas camadas dessa problemática, evidenciando como ela se articula com desigualdades estruturais e dinâmicas territoriais específicas.
As maiores taxas de suicídio do Brasil encontram-se nas Regiões Sul e Centro-Oeste, registrando 11,0 e 8,9 mortes por 100.000 habitantes, em 2021, respectivamente. As Regiões Norte, Nordeste e Sudeste apresentam taxas de 6,97, 6,80 e 6,34 por 100.000, respectivamente3. Essas variações estão relacionadas, entre outros fatores, a aspectos culturais, estilos de vida, acesso a meios letais de suicídio, acesso a serviços de saúde, qualidade da informação em saúde, dentre outros.
A Região Sul é fortemente influenciada pela colonização europeia, apresenta características culturais que podem estar associadas a essas altas taxas de suicídio. A ênfase em ideais individualistas, a pressão por produtividade e o isolamento social nas comunidades rurais podem contribuir para vulnerabilidades que predispõem ao suicídio. Além disso, a migração de trabalhadores do Sul para o Centro-Oeste, particularmente, durante a década de 1970, gerou semelhanças culturais entre essas regiões, em que dinâmicas de deslocamento, adaptação e vulnerabilidade econômica podem representar fatores de risco adicionais14.
O agronegócio, predominante nessas regiões, impõe desafios particulares aos trabalhadores do campo. A instabilidade laboral, a dependência das condições climáticas e as exigências do mercado internacional configuram fontes constantes de estresse. Somado a isso, o fácil acesso a agrotóxicos e pesticidas nessas localidades eleva o risco de suicídio, ao articular fatores psicossociais adversos com a disponibilidade de meios letais15. Esses cenários evidenciam que o suicídio, longe de constituir uma escolha individual e isolada, expressa processos históricos e econômicos que contribuem para a precarização da existência e comprometem a saúde mental das pessoas.
Nas Regiões Norte e Centro-Oeste, a composição demográfica e a localização geográfica desempenham papéis cruciais. Essas regiões têm alta concentração de populações indígenas e incluem municípios fronteiriços ao longo dos Arcos Norte e Central, áreas marcadas pela violência, pela instabilidade e pelo tráfico internacional de drogas, bens e pessoas. Essas condições tornam as populações vulneráveis - como indígenas, mulheres e crianças - particularmente suscetíveis a riscos elevados de suicídio16.
A população indígena brasileira possui elevadas taxas de suicídio, aproximadamente, três vezes maior que a da população não indígena17,18. Esses índices não podem ser compreendidos a partir de análises individualistas, mas devem ser interpretados como expressão da violação sistemática de direitos territoriais, das dificuldades na manutenção de práticas culturais e da exposição a violências múltiplas — elementos enraizados na lógica da colonialidade e no racismo estrutural que informam a política indigenista brasileira19,20.
De modo semelhante, as Regiões Norte e Nordeste enfrentam desafios estruturais marcados por profundas desigualdades socioeconômicas, fragilidade das políticas públicas e desigual distribuição de recursos e infraestrutura. Em muitas localidades, o crescimento urbano ocorre sem planejamento adequado, o que agrava problemas como a violência, a precarização das condições de vida e a exclusão de grupos populacionais historicamente vulnerabilizados. Além disso, essas regiões apresentam os piores indicadores sociais do país, com elevados índices de pobreza e desigualdade de renda, o que enfraquece as redes de suporte comunitário e dificulta o acesso a serviços de saúde e proteção social21,22.
As taxas de suicídio no Brasil destacam dois grupos etários particularmente vulneráveis: os jovens entre 15 e 29 anos e os idosos acima de 60 anos, cada um apresentando especificidades no padrão de risco. Entre os jovens, o suicídio figura como uma das principais causas de morte, sendo frequentemente associado a fatores como pressões educacionais e profissionais, discriminação, rupturas familiares e exposição ao bullying, sobretudo, em ambientes escolares e digitais. Já entre os idosos, a elevada incidência está atrelada ao isolamento social, ao impacto de doenças crônicas e incapacitantes e à perda de entes queridos ou autonomia, elementos que frequentemente intensificam sentimentos de desesperança e desamparo23,24.
No quesito gênero, há paradoxo marcante no comportamento suicida, no Brasil, assim como no resto do mundo, os homens apresentam taxas de suicídio significativamente mais altas do que as mulheres, enquanto estas têm maiores índices de ideação e tentativas de suicídio, fenômeno, muitas vezes, relacionado às formas de expressão do sofrimento25. A masculinidade hegemônica, com normas que reprimem a vulnerabilidade e reforçam o isolamento emocional, pode explicar, em parte, a maior letalidade entre os homens. Por outro lado, as mulheres enfrentam múltiplas camadas de opressão, como a violência de gênero e a sobrecarga do cuidado, que as tornam mais vulneráveis a episódios de sofrimento psíquico intenso.
Essas distinções revelam como normas sociais e culturais moldam as formas de sofrimento e as estratégias de busca por ajuda, inseridas em contextos marcados por desigualdades de gênero, raça e classe26. A leitura interseccional evidencia que, especialmente nas periferias, mulheres negras enfrentam violências e microagressões derivadas do racismo e do patriarcado11, expressas em processos de exclusão e silenciamento. Tais atravessamentos produzem trajetórias de vida mais vulneráveis ao sofrimento psíquico e ao comportamento suicida, reforçando a urgência de políticas públicas que reconheçam essas múltiplas determinações10,27.
O contexto recente da pandemia da Covid-19 agravou esses processos estruturantes. Inicialmente, a pandemia provocou queda abrupta nas taxas mensais de suicídio, especialmente entre os homens. No entanto, essa redução foi seguida pelo aumento gradual, à medida que a crise se prolongava. A pandemia exacerbou fatores de risco para o suicídio, como o isolamento social, a insegurança econômica, o luto e a sobrecarga dos serviços de saúde28.
Adicionalmente, a pressão emocional sobre trabalhadores da saúde, o aumento da violência doméstica e os impactos desproporcionais em populações vulneráveis ressaltam como crises sanitárias e emergências globais podem acentuar desigualdades preexistentes. Embora estudos indiquem que as taxas de suicídio não aumentaram de forma uniforme, durante a pandemia, é crucial reconhecer que o sofrimento psíquico se manifestou de maneira complexa, e os efeitos de longo prazo ainda precisam ser avaliados29.
Em síntese, o panorama do suicídio no Brasil evidencia que o fenômeno está profundamente enraizado em processos históricos e estruturais, como a psiquiatrização do sofrimento, a desigualdade social, o racismo estrutural, a colonialidade e a precarização da vida que conformam vulnerabilidades específicas. No entanto, a resposta estatal a essa complexidade tem se mostrado insuficiente. Essa limitação evidencia a necessidade de analisar criticamente como a prevenção do suicídio tem sido tratada no Brasil, no campo das políticas públicas.
Políticas Públicas de prevenção do suicídio no Brasil: fragmentação e limites
Discutir políticas públicas envolve compreender a atuação do Estado, os pactos sociais estabelecidos, os interesses em jogo e as relações de poder que permeiam essas ações. Trata-se de analisar como essas funções são operacionalizadas por meio da formulação e implementação de medidas governamentais voltadas a setores específicos, considerando a mobilização de recursos, a participação de diferentes atores e os conflitos que caracterizam o campo das disputas estatais5,6,30.
No Brasil, a prevenção do suicídio foi sendo construída por meio de iniciativas setoriais importantes, mas marcadas pela fragmentação e dificuldade de articulação em estratégia nacional robusta e sustentável. Embora existam marcos normativos relevantes, o país ainda carece de coordenação sistêmica que integre as diversas ações de promoção, prevenção, cuidado e vigilância em saúde31.
No cenário internacional, o marco fundamental foi a publicação, pela ONU, com apoio técnico da OMS, do documento Prevention of Suicide: Guidelines for the Formulation and Implementation of National Strategies (1990), que indicava a necessidade de abordagens intersetoriais, multidisciplinares e ancoradas em avaliações contínuas. Posteriormente, a OMS reforçou essas recomendações com o relatório Preventing Suicide: A Global Imperative (2014), reiterando que as políticas deveriam ser coordenadas nacionalmente, adaptadas às realidades locais e sustentadas por órgãos gestores e sistemas de monitoramento32,33.
No Brasil, a primeira iniciativa governamental específica foi a publicação das Diretrizes Nacionais para Prevenção do Suicídio, instituídas pela Portaria n°1.876/2006 do Ministério da Saúde34. Essas diretrizes propunham linha de cuidado integral, considerando promoção, prevenção, tratamento e recuperação, buscavam identificar os determinantes do suicídio, fortalecer ações intersetoriais, implementar projetos baseados em evidências e aprimorar a coleta e análise de dados, além de promover a capacitação contínua de profissionais de saúde.
Após 11 anos, o Ministério da Saúde publicou a Agenda de Ações Estratégicas para Vigilância e Prevenção do Suicídio e Promoção da Saúde 2017-2020, com objetivo de ampliar e fortalecer ações voltadas à redução de tentativas e mortes, considerando os determinantes sociais e as populações vulneráveis, além de priorizar municípios com alta incidência de suicídio35. Ainda assim, o caráter programático da agenda não superou a dificuldade histórica do país em estabelecer uma política articulada e coordenada, com planejamento de longo prazo e integração efetiva entre os diversos setores envolvidos.
Em 2019, foi promulgada a Lei 13.81936, que instituiu a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio. Essa legislação propôs um sistema integrado de apoio e prevenção, reforçando a necessidade de campanhas educativas, suporte psicológico e promoção da saúde mental, em diferentes níveis de governo. Embora relevante, a efetividade dessa legislação permanece comprometida pela ausência de regulamentação e fragilidade na articulação federativa, resultando em dificuldades para implementação plena.
Além dessas normativas, o Brasil adotou medidas complementares importantes, como a inclusão das tentativas e mortes por suicídio como agravos de notificação compulsória desde 201437 e a publicação sistemática de boletins epidemiológicos desde 2017, com a edição mais recente em 2024. Essas iniciativas contribuíram para o aprimoramento da vigilância e produção de dados sobre o fenômeno, mas não foram suficientes para garantir a formulação de respostas integradas, capazes de atuar simultaneamente sobre prevenção, cuidado e promoção da saúde.
A criação da campanha Setembro Amarelo, em 2015, representou um marco simbólico ao conferir maior visibilidade pública ao tema. Idealizada pelo Centro de Valorização da Vida (CVV) e entidades médicas, a iniciativa buscou mobilizar a sociedade por meio de ações educativas e de sensibilização. Em 2025, a Lei Federal nº 15.199 institui oficialmente essa campanha no calendário oficial da União. Apesar dos avanços em termos de visibilidade e mobilização social, sua efetividade ainda é incerta, uma vez que não há evidências de que tenha contribuído para a redução das taxas de suicídio ou para a diminuição do estigma associado ao tema32. Além disso, a concentração de esforços em um único mês, dissociada de ações permanentes e estruturantes, expõe as limitações de um modelo de prevenção ainda marcado pela pontualidade e descontinuidade das iniciativas.
A ausência de coordenação nacional impede a consolidação de esforços e recursos em ações preventivas eficazes. Diferentemente de países com políticas robustas, a fragmentação das ações de saúde mental no Brasil dificulta a implementação de estratégias intersetoriais que articulem saúde, assistência social, educação e justiça, atuando de forma integrada sobre os múltiplos fatores sociais, econômicos e culturais que atravessam o comportamento suicida38,39,40.
Esse cenário de fragmentação se agravou com a desarticulação da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Entre 2016 e 2022, a RAPS sofreu desmonte significativo e sem precedentes, com a priorização de investimentos em serviços manicomiais, em detrimento dos Centros de Atenção Psicossocial e de outros serviços de base comunitária41,42.
Desde 2023, com a eleição de um governo alinhado aos princípios democráticos, observa-se cenário político mais favorável à reconstrução das políticas de saúde mental, à revalorização de princípios, como a atenção comunitária e a intersetorialidade, essenciais para prevenção do suicídio. A retomada do fortalecimento da RAPS e a priorização de ações integradas indicam avanços importantes. Contudo, a efetivação dessas iniciativas depende de processos de consolidação que exigem tempo, recursos e compromisso de diferentes níveis de governo.
A trajetória da prevenção do suicídio como política pública no Brasil evidencia avanços normativos, mas é marcada por fragmentação institucional, descontinuidade das ações e insuficiente incorporação dos determinantes sociais que configuram o fenômeno. Nesse contexto, a criação de um plano nacional de prevenção do suicídio constitui medida essencial para superar a atual fragmentação, conferindo maior coerência e efetividade às ações e ampliando a capacidade do Estado de abordar, com responsabilidade, a complexidade desse fenômeno no país.
Da fragmentação à construção de políticas integradas: avanços necessários na prevenção do suicídio no Brasil
A prevenção do suicídio exige mais do que o acúmulo de recomendações técnicas, demanda a construção de políticas públicas integradas, intersetoriais e sustentáveis, capazes de transformar orientações gerais em ações efetivas, sensíveis às desigualdades e às diversidades que marcam o contexto brasileiro43.
A OMS recomenda um conjunto de estratégias para prevenção do suicídio, amplamente reconhecidas pela efetividade: melhorar a vigilância e a pesquisa; identificar grupos vulneráveis; melhorar a avaliação e o gerenciamento do comportamento suicida; promover fatores ambientais e de proteção individual; conscientizar, por meio da educação pública; reduzir o acesso aos meios de suicídio; incentivar a mídia a adotar as melhores políticas e práticas para anunciar o suicídio; e apoiar indivíduos enlutados pelo suicídio33.
Política abrangente deve combinar intervenções universais, seletivas e indicadas. As intervenções universais visam à população em geral, promovendo conscientização e reduzindo estigmas, mas a efetividade depende de campanhas contínuas e integradas a políticas públicas estruturantes. As intervenções seletivas devem concentrar-se em grupos sob maior risco, como jovens, idosos e populações socialmente vulnerabilizadas, sempre considerando os determinantes psicossociais, econômicos e culturais. Já as intervenções indicadas, dirigidas a pessoas que manifestaram comportamento suicida, devem priorizar o acompanhamento individualizado e o suporte contínuo, garantindo o cuidado em todos os níveis de complexidade do SUS32,44.
Nesse sentido, ratifica-se a necessidade da criação de um plano nacional de prevenção do suicídio. Esse plano deve incluir estratégias específicas de vigilância em saúde, imprescindíveis para aprimorar a compreensão do fenômeno e orientar intervenções mais eficazes. A qualificação dos sistemas de informação, como o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), é fundamental para superar a subnotificação, especialmente nas regiões mais pobres. Além disso, a criação de centros regionais de pesquisa focados na prevenção pode fortalecer a produção de dados locais e subsidiar políticas mais sensíveis às especificidades territoriais45.
Entre as estratégias mais eficazes para reduzir as taxas de suicídio está a restrição ao acesso aos meios de perpetração mais comuns. No Brasil, embora existam variações regionais, etárias e de gênero, os métodos mais comuns incluem enforcamento, armas de fogo e autointoxicação46. O enforcamento, por sua natureza, é de difícil restrição em larga escala, mas medidas de controle devem ser implementadas em ambientes monitorados, como hospitais, instituições prisionais e escolas. Já as armas de fogo podem ser mais efetivamente regulamentadas, especialmente por meio da restrição de acesso à população civil. A autointoxicação, por sua vez, ocorre predominantemente pelo uso de agrotóxicos, pesticidas, medicamentos e outras substâncias, exigindo regulamentação mais rigorosa para mitigar os impactos no comportamento suicida33.
O fortalecimento das campanhas de conscientização pública é igualmente indispensável. Contudo, a forma como o Setembro Amarelo tem sido organizada revela limites importantes. Longe de constituir estratégia estruturada de promoção da saúde, o modelo atual concentra, em único mês, excesso de mensagens na mídia, muitas vezes desencontradas, difundidas por diferentes atores, sem coordenação técnica e sem ancoragem clara em diretrizes de saúde pública. Essa configuração fragiliza o alcance pedagógico da campanha e pode também gerar efeitos adversos, como o aumento do sofrimento entre sobreviventes enlutados pelo suicídio, frequentemente expostos a conteúdos sensíveis, sem o devido cuidado ético.
Superar essas limitações exige repensar o lugar das campanhas na política de prevenção do suicídio, garantindo que sejam baseadas em evidências, culturalmente adaptadas e articuladas às políticas permanentes de saúde mental. Em vez de concentrarem esforços em ações dispersas ao longo de um único mês, devem ser concebidas como parte de estratégia ampliada de promoção da saúde, voltada para construção de ambientes sociais mais saudáveis, solidários e acolhedores, incluindo populações historicamente negligenciadas47.
No campo da comunicação, a qualificação da atuação da mídia é essencial para evitar o chamado efeito Werther (fenômeno de imitação) e promover informações responsáveis. É essencial que veículos de comunicação priorizem a divulgação de serviços de suporte e acolhimento. As redes sociais também podem desempenhar papel estratégico na prevenção do suicídio, pois as plataformas digitais têm a capacidade de identificar comportamentos de risco, por meio de inteligência artificial, monitorar palavras-chave relacionadas ao comportamento suicida e direcionar para serviços de apoio, como chats de acolhimento e linhas telefônicas especializadas48,49.
Quando se reflete sobre as abordagens de prevenção do suicídio do tipo seletivas, a identificação de grupos vulneráveis em cada território é uma prioridade fundamental. Mapear populações em maior risco, como indígenas, jovens LGBTQIA+, idosos, mulheres em situação de violência e pessoas vivendo em áreas de alta pobreza, é essencial para o desenvolvimento de programas específicos que considerem as particularidades socioculturais50. Paralelamente, é crucial melhorar a avaliação e o manejo do comportamento suicida, capacitando os profissionais de saúde, com abordagens empáticas e não estigmatizantes, garantindo a implementação de atendimento em todos os níveis do SUS, com ênfase na continuidade do cuidado.
Ainda, no âmbito das ações seletivas, deve-se considerar a crescente exposição de populações a situações de vulnerabilidade aguda, como desastres naturais, deslocamentos forçados e crises sanitárias ou econômicas. Essas condições ampliam o risco de comportamento suicida e exigem políticas de acolhimento, integrando ações de suporte psicossocial e de recuperação socioeconômica, capazes de fortalecer a resiliência e o bem-estar das comunidades afetadas51.
Do ponto de vista das estratégias de prevenção indicadas, ou seja, aquelas que devem ser direcionadas aos indivíduos com risco suicida estabelecido, algumas ações são prioritárias. O acesso a serviços de saúde mental deve ser garantido para esses indivíduos. Para isso, é essencial ampliar e fortalecer a RAPS, de modo a garantir que os serviços sejam devidamente equipados com equipes multidisciplinares preparadas para acolher essa demanda. Além disso, a integração dos diferentes serviços, como os CAPS, unidades básicas de saúde e hospitais gerais, pode facilitar o atendimento a indivíduos em crise, reduzindo barreiras geográficas e estruturais ao cuidado.
A implementação de sistemas de acompanhamento ativo para indivíduos que realizaram tentativa de suicídio é outra medida fundamental, uma vez que esses são os que apresentam maior risco para novas tentativas e óbitos. Intervenções como contatos telefônicos regulares, visitas domiciliares ou encaminhamentos para acompanhamento psicossocial têm demonstrado impacto positivo na prevenção de recorrências50,51,52.
O fortalecimento de linhas de apoio telefônico e plataformas digitais pode fornecer suporte imediato a indivíduos em crise. No Brasil, o CVV desempenha papel essencial nesse contexto, oferecendo atendimento sigiloso e gratuito pelo telefone 188. O desenvolvimento de chatbots com inteligência artificial para triagem inicial e encaminhamento a profissionais especializados pode complementar essas ações. Capacitar atendentes de emergências médicas e policiais para lidar com crises suicidas é outra estratégia importante para melhorar as respostas em momentos críticos53.
Em qualquer nível de prevenção, é imprescindível reconhecer o papel estratégico da Estratégia Saúde da Família (ESF). A capilaridade territorial e a vinculação longitudinal das equipes de Saúde da Família com os territórios permitem a identificação precoce de situações de risco, o desenvolvimento de ações intersetoriais e o fortalecimento das redes comunitárias de apoio. A atuação articulada da ESF com os demais componentes da RAPS é importante para reduzir a fragmentação dos serviços e promover atenção mais integral e resolutiva às pessoas em situação psicossocial desfavorável.
A integração de ações de saúde mental na Atenção Primária em Saúde (APS) apresenta potencialidades e limites. O registro das necessidades de saúde mental na APS e o apoio matricial têm mostrado ganhos em articulação do cuidado, mas também revelam fragilidades relacionadas à sobrecarga das equipes e lacunas na continuidade do cuidado54. Reconhecer essas ambivalências é essencial para fortalecer a APS como eixo estruturante da prevenção do suicídio no Brasil.
Esse potencial pode ser ainda mais amplificado com a implantação recente das Equipes Multiprofissionais na Atenção Primária à Saúde (eMulti)55, que sucedem à experiência dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF). Durante mais de uma década, os NASF representaram dispositivo central no cuidado em saúde e no apoio matricial às equipes da Estratégia Saúde da Família56, favorecendo práticas multiprofissionais no território, inclusive no campo da saúde mental.
O reconhecimento dessa trajetória é fundamental, pois os aprendizados acumulados reafirmam que o cuidado em saúde mental na APS depende de arranjos multiprofissionais, trabalho compartilhado e integração em rede. As e-Multi, neste sentido, não devem ser vistas apenas como inovação isolada, mas como continuidade e atualização de um processo histórico que buscou fortalecer o apoio matricial e ampliar a resolutividade das equipes de Saúde da Família. O desafio, agora, consiste em assegurar que essa experiência seja acompanhada de financiamento adequado, formação permanente e articulação efetiva com os demais dispositivos da RAPS e outros setores das políticas públicas.
Considerações Finais
Diante da complexidade do comportamento suicida, a implementação de políticas públicas abrangentes deve ser pautada na articulação entre ações universais, seletivas e indicadas, garantindo que cada nível de prevenção atue de forma integrada e efetiva. A superação de desafios estruturais, como a subnotificação de casos, a desarticulação da RAPS e o financiamento insuficiente de serviços psicossociais, deve ser prioridade para que o Brasil avance na construção de uma estratégia nacional de prevenção ao suicídio sólida e sustentável.
A prevenção do suicídio, portanto, não pode se restringir a ações pontuais ou fragmentadas. É fundamental que o Brasil avance na construção de políticas públicas estruturadas, intersetoriais e sustentáveis. A implementação de um plano nacional de prevenção ao suicídio, articulado com diretrizes locais e regionais, é uma necessidade urgente. A experiência internacional demonstra que países com estratégias coordenadas e embasadas em evidências têm obtido avanços significativos na redução das taxas de suicídio.
Este ensaio teórico buscou problematizar os limites e as potencialidades da prevenção do suicídio no país, mas não pretende esgotar a complexidade da temática. Ao contrário, intenta contribuir para o fortalecimento de uma agenda crítica e intersetorial, que reconheça o suicídio como expressão de determinantes históricos, sociais e culturais, para além de explicações individualizantes e biomédicas.
Declaração de Disponibilidade de Dados
As fontes dos dados utilizados na pesquisa estão indicadas no corpo do artigo.
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Suicide prevention in Brazil: Challenges and Perspectives for Necessary Advances
Resumo (abstract):
Suicide is a serious public health problem in Brazil, characterized as a complex and multifactorial phenomenon. Despite regulatory advances, challenges persist in the implementation of effective public policies for its prevention. This theoretical essay aims to discuss suicide prevention in Brazil, identifying challenges, limitations, and pathways to strengthen public policies in this area. The text presents an overview of the current scenario, examines the strategies adopted and the difficulties encountered in prevention, and suggests pathways for progress in this area. It argues that strengthening preventive policies requires addressing stigma, expanding mental health promotion actions, and fostering a collective commitment from various sectors of society to the promotion of life.
Prevenção do suicídio no Brasil: análise contemporânea para avanços necessários
Suicide prevention in Brazil: Challenges and Perspectives for Necessary Advances
Prevención del suicidio en Brasil: desafíos y perspectivas para avances necessários
Eder Samuel Oliveira Dantas1 (https://orcid.org/0000-0002-6595-6105)
E-mail:edersamuel_rn@hotmail.com
Karla Patrícia Cardoso Amorim1 (https://orcid.org/0000-0003-4047-6073)
E-mail: amorimkarla@yahoo.com.br
1Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva. Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Natal/RN, Brasil.
Resumo
O suicídio é um importante problema de saúde pública no Brasil, configurando-se como fenômeno complexo e multifatorial. Apesar dos avanços normativos, persistem desafios na implementação de políticas públicas eficazes para prevenção. Este ensaio teórico tem como objetivo discutir a prevenção do suicídio no Brasil, identificando desafios, limites e caminhos para o fortalecimento das políticas públicas na área. O texto apresenta panorama do cenário atual, examina estratégias adotadas e dificuldades enfrentadas na prevenção, além de apontar caminhos para avanços nessa área, com foco na saúde pública. Defende-se que o fortalecimento das políticas preventivas requer a criação de plano nacional, enfrentamento do estigma, ampliação das ações de promoção da saúde mental e compromisso coletivo de diferentes setores da sociedade na valorização da vida.
Palavras-chave: Suicídio; Prevenção do Suicídio; Políticas de Saúde.
Abstract
Suicide is a serious public health problem in Brazil, characterized as a complex and multifactorial phenomenon. Despite regulatory advances, challenges persist in the implementation of effective public policies for its prevention. This theoretical essay aims to discuss suicide prevention in Brazil, identifying challenges, limitations and pathways to strengthen public policies in this area. The text presents an overview of the current scenario, examines the strategies adopted and the difficulties encountered in prevention, and suggests pathways for progress in this area. It argues that strengthening preventive policies requires addressing stigma, expanding mental health promotion actions and fostering a collective commitment from various sectors of society to the promotion of life.
Keywords: Suicide; Suicide Prevention; Health Policy.
Resumen
El suicidio es un grave problema de salud pública en Brasil, caracterizado como un fenómeno complejo y multifactorial. A pesar de los avances normativos, persisten desafíos en la implementación de políticas públicas eficaces para su prevención. Este ensayo teórico tiene como objetivo discutir la prevención del suicidio en Brasil, identificando desafíos, limitaciones y caminos para el fortalecimiento de las políticas públicas en esta área. El texto presenta un panorama del escenario actual, examina las estrategias adoptadas y las dificultades encontradas en la prevención, además de señalar caminos para el avance en esta área. Se sostiene que el fortalecimiento de las políticas preventivas requiere enfrentar el estigma, ampliar las acciones de promoción de la salud mental y fomentar un compromiso colectivo de diversos sectores de la sociedad en la valorización de la vida.
Palabras-clave: Suicidio; Prevención del Suicidio; Políticas de Salud.
Introduction
Suicide, present since the dawn of humanity, is regarded in a unique way in each historical period and in different cultures. This phenomenon involves multiple factors, both at the societal and individual levels, encompassing social, biological, psychological, cultural, political and philosophical aspects. However, it is not limited to these dimensions, since its understanding requires consideration of specific contexts, interpersonal relationships and structural conditions that permeate the lives of individuals1.
Suicide is currently considered a serious and complex public health problem. Approximately 727,000 people die by suicide each year worldwide, representing a global average rate of 8.9 deaths per 100,000 inhabitants. The World Health Organization (WHO) points out that 73% of these deaths occur in low- and middle-income countries, where the burden of this problem is most significant2.
While the world saw a 35% global reduction in the number of suicides between 2000 and 2021, the Americas experienced the contrary, with a 17% increase during the same period2. In Brazil, this scenario was even more alarming: between 2010 and 2021, suicide mortality rates rose by 42%, from 5.2 to 7.5 deaths per 100,000 inhabitants. In 2021, 15,000 lives were lost in the country, highlighting the importance of the problem and the need for effective prevention measures3.
In addition to the mortality rate, the magnitude of this problem is even more significant when considering suicidal behavior as a whole, which also includes suicidal ideation and attempts. It is estimated that for every suicide, there are more than 20 attempts, many of which result in serious injuries, significant psychological trauma, and high demands on the health services of the Unified Health System (SUS). Suicidal ideation, in turn, affects an even greater number of people, constituting an important warning sign that may precede the suicidal act4.
Although studies on the subject have increased in recent years, there is still a lack of analyses that, beyond describing fragmented data and actions, critically question the absence of a national plan and discuss the political, institutional and social implications in Brazil. This theoretical essay seeks to fill this gap from a public health perspective, analyzing how the State has, or has not, addressed the complexity of suicide in Brazil.
Thus, the objective was to discuss suicide prevention in Brazil, identifying challenges, limitations and ways to strengthen public policies in this area. This is a theoretical essay based on a critical review of national and international literature, as well as an analysis of official documents from public and multilateral organizations on the subject. This type of approach seeks to develop analytical, rather than empirical, reflection that integrates evidence, policies and structural aspects, drawing on critical references in collective health and public policies5,6, which discuss the relationship between State, social policies and inequalities in the field of health.
This debate has also been enriched by contributions that problematize inequalities based on social markers of difference and intersectionality, demonstrating how gender, race and class shape unequal conditions of life and health7,8. Intersectionality, in this respect, has become a fundamental analytical tool for public health, allowing us to understand how multiple oppressions are linked to the production of psychological distress and suicide risk9,10,11.
The text is organized into three sections, linked together to construct a critical reflection on the limits and potential of suicide prevention in Brazil. Initially, it presents a contextualization of the national panorama, situating the problem in the field of public health. Next, it discusses the trajectory of prevention initiatives in the country, highlighting institutional fragmentation and the absence of a coordinated national strategy. Finally, it proposes ways to strengthen these policies, emphasizing the need for intersectoral and sustainable approaches.
The panorama of suicide in the Brazilian context
The understanding of suicide in Brazil has historically been shaped by the emergence and consolidation of psychiatry as a disciplinary field and a device for social regulation. Since the 20th century, the psychiatrization of psychological suffering has led to a predominantly pathologizing interpretation of suicidal behavior, reducing it to individual manifestations of mental disorders and neglecting its connections with structural social processes, such as social inequality, structural racism, coloniality and job insecurity12.
This legacy persists in the way suicide is dealt with in public policies and health services, where the automatic association between suicidal behavior and mental disorders still prevails. This perspective reinforces medicalizing and fragmented practices, thereby contributing to the maintenance of inadequate and disjointed policies13.
As demonstrated at the beginning of this article, suicide rates in Brazil have been on the rise in recent decades. However, it is essential to uncover the multiple layers of this problem, showing how it is linked to structural inequalities and specific territorial dynamics.
The highest suicide rates in Brazil are found in the South and Midwest regions, with 11.0 and 8.9 deaths per 100,000 inhabitants in 2021, respectively. The North, Northeast, and Southeast regions have rates of 6.97, 6.80 and 6.34 per 100,000, respectively3. These variations are related, among other factors, to cultural aspects, lifestyles, access to lethal means of suicide, access to health services, quality of health information, among others.
The South is strongly influenced by European colonization and has cultural characteristics that may be associated with these high suicide rates. The emphasis on individualistic ideals, pressure for productivity and social isolation in rural communities may contribute to vulnerabilities that predispose people to suicide. In addition, the migration of workers from the South to the Midwest, particularly during the 1970s, created cultural similarities between these regions, where dynamics of displacement, adaptation and economic vulnerability may represent additional risk factors14.
Agribusiness, which is predominant in these regions, poses particular challenges for rural workers. Job instability, dependence on weather conditions and the demands of the international market are constant sources of stress. In addition, easy access to agrochemicals and pesticides in these locations increases the risk of suicide, by combining adverse psychosocial factors with the availability of lethal means15. These scenarios show that suicide, far from being an individual and isolated choice, reflects historical and economic processes that contribute to the precariousness of existence and compromise people\'s mental health.
In the North and Central-West regions, demographic composition and geographic location play crucial roles. These regions have a high concentration of indigenous populations and include border municipalities along the Northern and Central Arcs, areas marked by violence, instability and international trafficking in drugs, goods and people. These conditions make vulnerable populations - such as indigenous people, women and children - particularly susceptible to high risks of suicide16.
The Brazilian indigenous population has high suicide rates, approximately three times higher than the non-indigenous population17,18. These rates cannot be understood from individualistic analyses, but must be interpreted as an expression of the systematic violation of territorial rights, difficulties in maintaining cultural practices and exposure to multiple forms of violence — elements rooted in the logic of coloniality and structural racism that inform Brazilian indigenous policy19,20.
Similarly, the North and Northeast regions face structural challenges marked by profound socioeconomic inequalities, fragile public policies, and unequal distribution of resources and infrastructure. In many locations, urban growth occurs without adequate planning, which exacerbates problems such as violence, precarious living conditions and the exclusion of historically vulnerable population groups. In addition, these regions have the worst social indicators in the country, with high rates of poverty and income inequality, which weakens community support networks and hinders access to health and social protection services21,22.
Suicide rates in Brazil highlight two particularly vulnerable age groups: young people between 15 and 29 years old and the elderly over 60 years old, each with specific risk patterns. Among young people, suicide is one of the leading causes of death, often associated with factors such as educational and professional pressures, discrimination, family disruptions and exposure to bullying, especially in school and digital environments. Among the elderly, the high incidence is linked to social isolation, the impact of chronic and disabling diseases and the loss of loved ones or independence, factors that often intensify feelings of hopelessness and abandonment23,24.
In terms of gender, there is a striking paradox in suicidal behavior. In Brazil, as in the rest of the world, the suicide rate is significantly higher among men than among women, while women have higher rates of suicidal ideation and attempts, a phenomenon often related to forms of expression of suffering25. Hegemonic masculinity, with norms that repress vulnerability and reinforce emotional isolation, may partly explain the higher lethality among men. On the other hand, women face multiple layers of oppression, such as gender violence and caregiving overload, which make them more vulnerable to episodes of intense psychological distress.
These distinctions reveal how social and cultural norms shape forms of suffering and strategies for seeking help in contexts marked by inequalities of gender, race and class26. An intersectional reading shows that, especially in the peripheral areas, black women face violence and microaggressions derived from racism and patriarchy11, expressed in processes of exclusion and silencing. Such intersections produce life trajectories that are more vulnerable to psychological distress and suicidal behavior, reinforcing the urgency of public policies that recognize these multiple factors10,27.
The recent context of the COVID-19 pandemic has exacerbated these structural processes. Initially, the pandemic caused a sharp drop in monthly suicide rates, especially among men. However, this reduction was followed by a gradual increase as the crisis prolonged. The pandemic exacerbated risk factors for suicide, such as social isolation, economic insecurity, grief and the overload on health services28.
Additionally, the emotional pressure on healthcare workers, the increase in domestic violence, and the disproportionate impacts on vulnerable populations highlight how health crises and global emergencies can exacerbate preexisting inequalities. Although studies indicate that suicide rates have not increased uniformly during the pandemic, it is crucial to recognize that psychological distress has manifested itself in complex ways, and the long-term effects have yet to be assessed29.
In summary, the panorama of suicide in Brazil shows that the phenomenon is deeply rooted in historical and structural processes, such as the psychiatrization of suffering, social inequality, structural racism, coloniality and the precariousness of life, which shape specific vulnerabilities. However, the State\'s response to this complexity has proven insufficient. This limitation underscores the need to analyze critically how suicide prevention has been addressed in Brazil in the field of public policy.
Public Policies for prevention of suicide in Brazil: fragmentation and limitations
Discussing public policy involves understanding the role of the State, established social pacts, the interests at stake and the power relations that permeate these actions. It involves analyzing how these functions are operationalized through the formulation and implementation of government measures aimed at specific sectors, considering the mobilization of resources, the participation of different actors and the conflicts that characterize the sphere of state disputes5,6,30.
In Brazil, suicide prevention has been developed through important sectoral initiatives, but these have been fragmented and difficult to coordinate into a robust and sustainable national strategy. Although there are relevant regulatory frameworks, the country still lacks systemic coordination that integrates the various actions for health promotion, prevention, care and surveillance31.
On the international scenario, the fundamental milestone was the publication by the UN, with technical support from the WHO, of the document Prevention of Suicide: Guidelines for the Formulation and Implementation of National Strategies (1990), which indicated the need for intersectoral, multidisciplinary approaches anchored in continuous assessments. Subsequently, the WHO reinforced these recommendations with the report Preventing Suicide: A Global Imperative (2014), reiterating that policies should be coordinated nationally, adapted to local realities, and supported by management bodies and monitoring systems32,33.
In Brazil, the first specific government initiative was the publication of the National Guidelines for Suicide Prevention, established by Ordinance no. 1.876/2006 of the Ministry of Health34. These guidelines proposed a comprehensive care approach, considering promotion, prevention, treatment and recovery, seeking to identify the causes of suicide, strengthen intersectoral actions, implement evidence-based projects and improve data collection and analysis, in addition to promoting the continuous training of health professionals.
After 11 years, the Ministry of Health published the Strategic Action Agenda for Surveillance and Prevention of Suicide and Health Promotion 2017-2020, with the aim of expanding and strengthening actions aimed at reducing attempts and deaths, considering social determinants and vulnerable populations, in addition to prioritizing municipalities with a high incidence of suicide35. Even so, the programmatic nature of the agenda did not overcome the country\'s historical difficulty in establishing an articulated and coordinated policy with long-term planning and effective integration among the various sectors involved.
In 2019, Law 13.81936 was enacted, establishing the National Policy for the Prevention of Self-Harm and Suicide. This legislation proposed an integrated support and prevention system, reinforcing the need for educational campaigns, psychological support and mental health promotion at different levels of government. Although relevant, the effectiveness of this legislation remains compromised by the absence of regulations and fragility in federal coordination, resulting in difficulties for full implementation.
In addition to these regulations, Brazil has adopted important complementary measures, such as the inclusion of suicide attempts and deaths as compulsory notifiable occurrences since 201437 and the systematic publication of epidemiological bulletins since 2017, with the most recent edition in 2024. These initiatives have contributed to improving surveillance and data production on the phenomenon, but they have not been sufficient to ensure the formulation of integrated responses capable of acting simultaneously on prevention, care and health promotion.
The creation of the Yellow September campaign in 2015 represented a symbolic milestone by ensuring greater public visibility for the issue. Conceived by the Center for the Promotion of Life (CVV) and medical entities, the initiative sought to mobilize society through educational and awareness campaigns. In 2025, Federal Law no. 15.199 officially established this campaign in the official calendar of the Union. Despite advances in terms of visibility and social mobilization, its effectiveness is still uncertain, as there is no evidence that it has contributed to reducing suicide rates or diminishing the stigma associated with the issue32. In addition, the concentration of efforts in a single month, dissociated from permanent and structural actions, exposes the limitations of a prevention model still marked by the one-off and discontinuous nature of initiatives.
The lack of national coordination prevents the consolidation of efforts and resources into effective preventive actions. Unlike countries with robust policies, the fragmentation of mental health actions in Brazil hinders the implementation of intersectoral strategies that articulate health, social assistance, education and justice, acting in an integrated manner on the multiple social, economic and cultural factors that influence suicidal behavior38,39,40.
This fragmentation scenario was exacerbated by the dismantling of the Psychosocial Care Network (RAPS). Between 2016 and 2022, the RAPS underwent significant and unprecedented dismantling, with priority given to investments in mental hospitals, to the detriment of the Psychosocial Care Centers and other community-based services41,42.
Since 2023, with the election of a government aligned with democratic principles, there has been a more favorable political scenario for rebuilding mental health policies and reevaluating principles such as community care and intersectorality, which are essential for suicide prevention. The resumption of the strengthening of the RAPS and the prioritization of integrated actions indicate important advances. However, the implementation of these initiatives depends on consolidation processes that require time, resources and commitment from different levels of government.
The trajectory of suicide prevention as public policy in Brazil shows regulatory advances, but is marred by institutional fragmentation, discontinuity of actions and insufficient incorporation of the social determinants that shape the phenomenon. In this context, the creation of a national suicide prevention plan is an essential measure to overcome the current fragmentation, ensuring greater coherence and effectiveness of actions and expanding the State\'s capacity to address with responsibility the complexity of this phenomenon in the country.
From fragmentation to the development of integrated policies: necessary advances in suicide prevention in Brazil
Suicide prevention requires more than just a collection of technical recommendations; it demands the development of integrated, intersectoral and sustainable public policies capable of transforming general guidelines into effective actions that are sensitive to the inequalities and diversities that characterize the Brazilian context43.
The WHO recommends a set of strategies for suicide prevention that are widely recognized as effective: improving surveillance and research; identifying vulnerable groups; improving the assessment and management of suicidal behavior; promoting environmental and individual protective factors; raising awareness through public education; reducing access to means of suicide; encouraging the media to adopt best policies and practices for reporting suicide; and supporting individuals bereaved by suicide33.
Comprehensive policy should combine universal, selective and targeted interventions. Universal interventions are aimed at the general population, promoting awareness and reducing stigmas, but their effectiveness depends on continuous campaigns integrated with structural public policies. Selective interventions should focus on groups at higher risk, such as young people, the elderly and socially vulnerable populations, always considering psychosocial, economic and cultural determinants. Targeted interventions, aimed at people who have exhibited suicidal behavior, should prioritize individualized monitoring and continuous support, ensuring care at all levels of the SUS32,44.
In this respect, the need to create a national suicide prevention plan is confirmed. This plan should include specific health surveillance strategies, which are essential for improving understanding of the phenomenon and guiding more effective interventions. The improvement of information systems, such as the Notifiable Diseases Information System (SINAN) and the Mortality Information System (SIM), is essential to overcome underreporting, especially in poorer regions. In addition, the creation of regional research centers focused on prevention can strengthen the production of local data and support policies that are more sensitive to territorial specificities45.
Among the most effective strategies for reducing suicide rates is restricting access to the most common means of perpetration. In Brazil, although there are regional, age and gender variations, the most common methods include hanging, firearms and autointoxication46. Hanging, by its nature, is difficult to restrict on a large scale, but control measures should be implemented in monitored environments such as hospitals, prisons and schools. Firearms, on the other hand, can be more effectively regulated, especially by restricting access to the civilian population. Autointoxication, in turn, occurs predominantly through the use of agrochemicals, pesticides, medications and other substances, requiring stricter regulation to mitigate the impacts on suicidal behavior33.
Strengthening public awareness campaigns is equally indispensable. However, the manner in which Yellow September has been organized reveals important limitations. Far from constituting a structured health promotion strategy, the current model concentrates, in a single month, an excess of messages in the media, often inconsistent, disseminated by different actors, without technical coordination and without clear anchorage in public health guidelines. This configuration weakens the educational scope of the campaign and can also generate adverse effects, such as increased suffering among bereaved survivors of the suicide, who are often exposed to sensitive content without due ethical care.
Overcoming these limitations requires rethinking the place of campaigns in suicide prevention policy, ensuring that they are evidence-based, culturally adapted and linked to ongoing mental health policies. Instead of concentrating efforts on actions dispersed over a single month, they should be designed as part of a broader health promotion strategy aimed at building healthier, more supportive and welcoming social environments, including historically neglected populations47.
In the field of communication, the media\'s role is essential in preventing the so-called Werther effect (imitation phenomenon) and promoting responsible information. It is essential that media outlets prioritize the dissemination of support and shelter services. Social media can also play a strategic role in suicide prevention, as digital platforms have the ability to identify risky behavior through artificial intelligence, monitor keywords related to suicidal behavior, and direct individuals to support services, such as welcoming chats and specialized telephone hotlines48,49.
When considering selective approaches to suicide prevention, identifying vulnerable groups in each territory is a fundamental priority. Mapping populations at greater risk, such as indigenous peoples, LGBTQIA+ adolescents, the elderly, women in situations of violence and people living in areas of severe poverty, is essential for the development of specific programs that take sociocultural particularities into account50. At the same time, it is crucial to improve the assessment and management of suicidal behavior by training health professionals in empathetic and non-stigmatizing approaches, ensuring the implementation of assistance at all levels of the SUS, with an emphasis on continuity of care.
Furthermore, in the context of selective actions, consideration should be given to the growing exposure of populations to situations of acute vulnerability, such as natural disasters, forced displacement and health or economic crises. These conditions increase the risk of suicidal behavior and require reception policies that integrate psychosocial support and socioeconomic recovery actions capable of strengthening the resilience and well-being of affected communities51.
From the perspective of the recommended prevention strategies, i.e. those that must be directed at individuals with established suicide risk, certain actions are a priority. Access to mental health services must be guaranteed for these individuals. To this end, it is essential to expand and strengthen the RAPS to ensure that the services are properly equipped with multidisciplinary teams prepared to meet this demand. In addition, the integration of different services, such as CAPS, basic health units and general hospitals, can facilitate assistance to individuals in crisis, reducing geographical and structural barriers to treatment.
The implementation of active monitoring systems for individuals who have attempted suicide is another fundamental measure, since these are the individuals who are at greatest risk of further attempts and death. Interventions such as regular telephone contact, home visits or referrals for psychosocial support have been shown to exert a positive impact on preventing recurrence50,51,52.
Strengthening telephone helplines and digital platforms can provide immediate support to individuals in crisis. In Brazil, CVV plays an essential role in this context, offering confidential and free assistance via telephone number 188. The development of artificial intelligence chatbots for initial screening and referral to specialized professionals can complement these actions. Training emergency medical and police personnel to deal with suicide crises is another important strategy for improving responses at critical moments53.
At any level of prevention, it is essential to recognize the strategic role of the Family Health Strategy (ESF). The territorial coverage and longitudinal linkage of Family Health teams with the territories allow for the early identification of risk situations, the development of intersectoral actions and the strengthening of community support networks. The coordinated action of the ESF with the other components of the RAPS is important to reduce the fragmentation of services and promote more comprehensive and decisive care for people in unfavorable psychosocial situations.
The integration of mental health actions into Primary Health Care (PHC) has both potential and limitations. The recording of mental health needs in PHC and matrix support have shown gains in care coordination, but also reveal weaknesses related to team overload and gaps in continuity of care54. Recognizing these differences is essential to strengthen PHC as a structuring axis for suicide prevention in Brazil.
This potential can be further amplified with the recent implementation of Multidisciplinary Teams in Primary Health Care (eMulti)55, which follow on from the experience of Family Health Support Centers (NASF). For more than a decade, NASF represented a central device in health care and matrix support for Family Health Strategy teams,56 favoring multiprofessional practices in the territory, including in the field of mental health.
Recognition of this trajectory is fundamental, as the lessons learned reaffirm that mental health care in PHC depends on multidisciplinary arrangements, collaborative work and network integration. In this respect, e-Multi should not be seen merely as an isolated innovation, but as the continuation and updating of a historical process that sought to strengthen matrix support and increase the effectiveness of the Family Health teams. The challenge now is to ensure that this experience is accompanied by adequate funding, ongoing training and effective coordination with the other devices of the RAPS and other sectors of public policy.
Final Considerations
Given the complexity of suicidal behavior, the implementation of comprehensive public policies must be based on the coordination of universal, selective and targeted actions, thereby ensuring that each level of prevention acts in an integrated and effective manner. Overcoming structural challenges, such as the under-reporting of cases, lack of coordination within the RAPS and insufficient funding for psychosocial services, must be a priority if Brazil is to move forward in building a solid and sustainable national suicide prevention strategy.
Suicide prevention, therefore, cannot be limited to isolated or fragmented actions. It is essential that Brazil move forward in developing structured, intersectoral and sustainable public policies. The implementation of a national suicide prevention plan, coordinated with local and regional directives, is an urgent necessity. International experience shows that countries with coordinated, evidence-based strategies have made significant progress in reducing suicide rates.
This theoretical essay has sought to problematize the limits and potentialities of suicide prevention in Brazil, but does not intend to exhaust the complexity of the subject. On the contrary, it aims to contribute to the strengthening of a critical and intersectoral agenda that recognizes suicide as an expression of historical, social and cultural determinants, beyond individualizing and biomedical explanations.
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Como
Citar
Dantas, E.S.O, Amorim, KPC. Prevenção do suicídio no Brasil: análise contemporânea para avanços necessários. Cien Saude Colet [periódico na internet] (2025/nov). [Citado em 08/04/2026].
Está disponível em: http://cienciaesaudecoletiva.com.br/artigos/prevencao-do-suicidio-no-brasil-analise-contemporanea-para-avancos-necessarios/19866?id=19866