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0275/2026 - Análise Econômica Comparativa das Resinas Compostas Bulk Fill e Convencional para Utilização no Sistema Único de Saúde
Comparative Economic Evaluation of Bulk-Fill Versus Conventional Resins in Brazil’s Unified Health System (SUS)

Autor:

• Augusto Cesar Sousa Raimundo - Raimundo, ACS - <augustocesarsr@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0001-7736-9189

Coautor(es):

• Livia Fernandes Probst - Probst, LF - <probstlivia@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-4696-0862

• Ana Clara Simões - Simões, AC - <anaclara13simoes@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-6171-5267

• Antonio Carlos Pereira - Pereira, AC - <apereira111@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-1703-8171



Resumo:

A cárie dentária é um problema prevalente no Brasil, com acesso ainda limitado ao tratamento restaurador no Sistema Único de Saúde (SUS). Até onde se sabe, não há outros estudos de avaliação econômica no SUS que comparem resinas bulk-fill (RB) e convencionais (RC) para restaurações posteriores sob a perspectiva do gestor municipal. Este estudo avaliou a custo-efetividade das RB frente às RC, assumindo equivalência clínica entre os materiais e adotando o tempo clínico como desfecho operacional. As RB permitem inserções mais espessas, reduzindo o tempo clínico em 34% (de 39,06 para 25,7 minutos). Apesar do maior custo unitário da RB, o custo total por restauração foi menor (R$ 24,19 versus R$ 31,88), resultando em razão de custo-efetividade incremental de R$ ?0,15 por minuto economizado. A extrapolação para a produção nacional estimou economia potencial anual de R$ 4,25 milhões, passível de reinvestimento na ampliação do acesso e no fortalecimento das equipes de saúde bucal. Análises de sensibilidade determinísticas reforçaram a robustez dos resultados. Trata-se de uma análise de eficiência operacional, útil para o planejamento local, embora a economia de tempo não garanta, por si só, melhorias em desfechos clínicos ou centrados no paciente.

Palavras-chave:

Cárie Dentária; Resinas Compostas; Restauração Dentária; Sistema Único de Saúde; Custo-Efetividade.

Abstract:

Dental caries is a prevalent problem in Brazil, with access to restorative treatment still limited in the Unified Health System (Sistema Único de Saúde – SUS). To the best of our knowledge, there are no other economic evaluation studies within the SUS comparing bulk-fill (RB) and conventional (RC) composite resins for posterior restorations from the municipal manager’s perspective. This study assessed the cost-effectiveness of RB versus RC, assuming clinical equivalence between the materials and using chairside time as an outcome of operational effectiveness. RB allows for thicker increments, reducing clinical time by 34% (from 39.06 to 25.7 minutes). Despite the higher unit cost of RB, the total cost per restoration was lower (R$ 24.19 versus R$ 31.88), resulting in an incremental cost-effectiveness ratio of R$ −0.15 per minute saved. Extrapolation to national production estimated a potential annual saving of R$ 4.25 million, which could be reinvested in expanding access and strengthening oral health teams. Deterministic sensitivity analyses reinforced the robustness of the results. This is an operational efficiency analysis that is useful for local planning, although time savings do not, by themselves, guarantee improvements in clinical or patient-centered outcomes.

Keywords:

Dental Caries; Composite Resins; Dental Restoration; Unified Health System; Cost-Effectiveness.

Conteúdo:

INTRODUÇÃO
A cárie dentária é a doença não transmissível mais prevalente no mundo, com impacto epidemiológico significativo. Em países de baixa e média renda, o acesso ao tratamento restaurador é limitado, ampliando as desigualdades em saúde bucal e dificultando a cobertura universal1-3.
Em 2019, os custos globais com doenças bucais somaram cerca de US$?710 bilhões, sendo US$?387 bilhões em despesas diretas e US$?323 bilhões em perdas de produtividade. Países de alta renda investiram até 500 vezes mais que os de baixa renda, evidenciando o alto ônus econômico e a desigualdade no enfrentamento dessas condições4.
No Brasil, apesar dos avanços nas políticas públicas de saúde bucal, a cárie em dentes posteriores ainda é altamente prevalente, afetando a qualidade de vida e gerando impactos sociais e econômicos. No Sistema Único de Saúde (SUS), seu tratamento representa parte expressiva da rotina dos cirurgiões-dentistas, exigindo decisões baseadas em evidências. Nesse cenário, a escolha de materiais restauradores eficazes e eficientes no uso do tempo clínico é fundamental. Nesse contexto, torna-se essencial a utilização de materiais restauradores que aliem bom desempenho clínico à eficiência no uso do tempo clínico e dos recursos disponíveis5;6.
As resinas compostas convencionais (RC), embora amplamente utilizadas por suas boas propriedades estéticas e mecânicas, requerem aplicação em camadas incrementais, o que aumenta o tempo clínico. As resinas bulk-fill (RB), por sua vez, permitem inserções mais espessas em menor tempo, mantendo o desempenho adequado. Essa característica pode representar uma vantagem estratégica para o SUS, ao otimizar o atendimento em contextos de alta demanda e recursos limitados6.
Revisões sistemáticas indicam que as resinas RB têm desempenho clínico comparável às convencionais em dentes posteriores, com bons resultados em adaptação marginal, integridade e ausência de sensibilidade. No entanto, há escassez de estudos sobre o custo-efetividade desses materiais, o que limita decisões informadas por parte dos gestores, especialmente em contextos municipais marcados por restrições orçamentárias e alta demanda7;8;9.
Este estudo se propõe a realizar uma avaliação econômica comparativa entre restaurações com RC e RB no SUS, sob a perspectiva da gestão municipal, considerando os custos diretos e o desempenho clínico em um horizonte de um ano. Até onde se sabe, não há análises prévias, na Saúde Bucal da Atenção Primária do SUS, que comparem o uso de resinas bulk-fill e convencionais em restaurações posteriores tomando o tempo clínico como desfecho operacional de efetividade. Ao quantificar o potencial de ganho em produtividade associado a materiais que demandam menor tempo de execução, o estudo procura oferecer subsídios para a reorganização dos serviços odontológicos, com vistas à ampliação do acesso, ao uso mais eficiente dos recursos disponíveis e ao embasamento das decisões de incorporação de tecnologias em saúde bucal.
METODOLOGIA
A avaliação econômica seguiu as Diretrizes de Avaliação Econômica da Rede Brasileira de Avaliação de Tecnologias em Saúde (REBRATS)10. Ademais, o presente estudo está descrito de acordo com a última versão das diretrizes de relato Consolidated Health Economic Evaluation Reporting Standards 2022 (CHEERS)11.
População do estudo
A população-alvo compreendeu pacientes usuários do SUS com indicação de tratamento restaurador em dente posterior.
Contexto e local
No SUS, as desigualdades socioeconômicas ainda limitam o acesso e a continuidade do cuidado em saúde bucal, especialmente em áreas vulneráveis. Nesse contexto, a Atenção Primária à Saúde (APS) desempenha papel central na oferta de atendimentos odontológicos6.
O Programa da Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ-AB) evidenciou a importância das Equipes de Saúde Bucal (ESB) na atenção odontológica do SUS, com destaque para as restaurações com resina composta, segundo procedimento mais realizado. Contudo, persistem desigualdades regionais na oferta, especialmente nas regiões Norte e Centro-Oeste, comprometendo a equidade e a efetividade dos serviços. Esse dado evidencia a centralidade das ações restauradoras na prática cotidiana da APS12.
Essas desigualdades regionais refletem desequilíbrios estruturais persistentes que comprometem a equidade no acesso e a resolutividade dos serviços odontológicos no SUS.
Atualmente o Brasil possui mais de 35 mil Equipes de Saúde Bucal na APS, fundamentais para ampliar o acesso e melhorar os desfechos em saúde bucal. No entanto, sua distribuição desigual exige reorganização dos serviços. A adoção de materiais e estratégias baseadas em evidências econômicas pode fortalecer a APS e reduzir iniquidades.
Comparadores
Compararam-se resinas compostas fotopolimerizáveis do tipo bulk fill de baixa viscosidade (técnica de inserção em massa, até 5mm) e convencionais (técnica de inserção incremental, até 2mm) para restauração de dentes posteriores.
Perspectiva
Adotou-se a perspectiva do gestor municipal de saúde do SUS, responsável pela ordenação da despesa dos custos diretos do procedimento restaurador. Embora a perspectiva principal adotada seja a do gestor municipal, a medida de efetividade utilizada na avaliação, representada pelo tempo clínico necessário para a realização do procedimento, permite interpretações mais amplas. A mensuração do tempo clínico oferece subsídios para avaliar a eficiência no uso dos recursos públicos, além de possibilitar estimativas de impactos organizacionais, como o aumento da capacidade de atendimento e a ampliação do acesso aos cuidados odontológicos. Por esse motivo, os resultados do estudo também podem ser analisados sob uma perspectiva societal mais abrangente, especialmente no que se refere à alocação eficiente da infraestrutura disponível e à ampliação do alcance dos serviços de saúde bucal15.
Horizonte temporal e taxa de desconto
O horizonte temporal do estudo foi definido em um ano. Não se aplicou taxa de desconto aos custos ou à efetividade, dado que o período analisado foi inferior a três anos16.
Seleção, mensuração e valoração dos desfechos
A efetividade das restaurações com resina composta, convencional ou bulk fill, foi avaliada com base em critérios clínicos adaptados do United States Public Health Service (USPHS), considerando cárie secundária, fraturas, sensibilidade pós-operatória, adaptação e descoloração marginal, entre outros8;16. Detalhes do processo de avaliação encontram-se no Material Suplementar 2.
Identificação, mensuração e valoração dos recursos e custos
Adotou-se a metodologia de microcusteio bottom-up para estimar o custo de uma restauração em dente posterior, considerando a perspectiva do gestor municipal. O levantamento de custos envolveu a identificação das categorias de recursos, a quantificação em unidades físicas e a valoração monetária17. Os recursos foram identificados e quantificados conforme sua aplicação no tratamento, com atribuição de valores monetários a cada um. Os custos dos materiais foram estimados sob a perspectiva do gestor municipal, com base no Painel de Preços do Ministério da Economia18. Para itens ausentes nesse painel, utilizaram-se cotações médias de três fornecedores especializados. Detalhes do processo encontram-se no Material Suplementar 2.
O custo de cada restauração considerou a fração média (em gramas) de resina utilizada (57mm³ equivalentes a 0,11g)19. A análise de custo considerou as despesas com recursos humanos (cirurgião-dentista (CD) + auxiliar de saúde bucal (ASB)), ajustados para 60 minutos (1 hora) e, posteriormente, para um minuto. O custo com recursos humanos foi de R$ 0,72 por minuto trabalhado, considerando-se uma média de 21 dias por mês e oito horas diárias20-24.
Moeda, preço, data e conversão
Os valores monetários foram apresentados em reais (R$). Os preços foram coletados em outubro de 2024.
Análises e pressupostos
Calculou-se a razão de custo-efetividade incremental (RCEI) pela diferença entre os custos das tecnologias, dividida pela diferença de efetividade, conforme a expressão abaixo:

RCEI=?(custo?_alternativa-?custo?_tradicional )??efetividade?_alternativa -?efetividade?_tradicional

Para estimar a eficiência alocativa e o investimento total necessário à difusão da nova tecnologia, adotou-se um cenário em que os profissionais estivessem dedicados exclusivamente à realização de restaurações em resina. Para extrapolação dos resultados para o Brasil, utilizou-se a demanda aferida10, com dados da produção ambulatorial do SUS pelas Equipes de Saúde Bucal (ESB) em 202325.
Esses procedimentos mostram que existe capacidade instalada para a realização das restaurações, conforme descrito na Tabela 1. A produção brasileira do ano de 2023, foi tabulada no Sistema de Informação da Atenção Básica (SISAB)25, entretanto, mesmo com a grande quantidade de procedimentos, ainda parece pouco para as mais de 35 mil ESB credenciadas no país13. Por fim, são os dados disponíveis nos sistemas oficiais do Ministério da Saúde. Foram 548.908 restaurações em dentes permanentes posteriores.
Considerou-se um cenário em que o tempo destinado ao atendimento clínico fosse totalmente ocupado por procedimentos restauradores, primeiro com resina convencional (RC) e, posteriormente, com resina bulk fill (RB). Para demonstrar o impacto da incorporação da RB na rotina profissional, considerando o tempo como elemento significativo na técnica, calculou-se o impacto financeiro incremental (IFI) que o aumento no número de tratamentos poderia gerar. Utilizou-se a seguinte fórmula, na qual "num" representa o número total de dentes tratados:

IFI=(?num?_tradicional×?custo?_tradicional )-(?num?_alternativo×?custo?_alternativo)

Para estimar as diferenças nos custos e na efetividade das duas estratégias e calcular as razões de custo-efetividade incrementais (RCEIs), foram assumidos os seguintes pressupostos:
Diante da não diferença na efetividade clínica, o tempo de procedimento foi utilizado como desfecho substituto, dado seu impacto direto na produtividade e na alocação dos recursos humanos. Essa escolha se baseia em evidências que apontam equivalência nos desfechos clínicos entre as duas tecnologias7,8,16.
O tempo de realização das restaurações seguiu o protocolo de Tardem et al.23, considerando-se o tempo decorrido entre a preparação da cavidade e o ajuste oclusal. Também foi incluído o tempo para preparação, execução e desmobilização de cada atendimento. Utilizou-se o tempo médio de consulta de 39,06 minutos20,22,24 para RC, com redução de 34% estimada para a RB, resultando em um tempo total de 25,7 minutos para esta última.
O tempo clínico como, por exemplo, tempo de consulta, espera ou atendimento, é um parâmetro operacional que informa sobre a eficiência organizacional dos serviços de saúde. Embora possa indicar melhorias na gestão (como aumento do acesso ou maior produtividade), ele não se qualifica como um desfecho em saúde propriamente dito, pois não mede impacto direto na saúde do paciente (como qualidade de vida, mortalidade ou funcionalidade). Na análise da razão de custo-efetividade incremental (RCEI), o tempo clínico pode ser incluído como desfecho substituto ou intermediário. No entanto, sua validade como desfecho para efetividade clínica é limitada, especialmente quando não há garantia de que a economia de tempo gerará benefício concreto à população. Isso se alinha às críticas descritas na literatura de avaliação econômica, como nas obras de Drummond et al. (2015)26 e Briggs et al. (2006)27, que destacam a importância de escolher desfechos centrados no paciente.
Em síntese, o uso de tempo clínico deve ser interpretado como uma análise de eficiência operacional, útil para gestão e planejamento, mas que não substitui métricas tradicionais de efetividade clínica. Isso reforça a necessidade de análises cuidadosas em estudos tipo RCEI que envolvam esse tipo de desfecho, evitando inferências inadequadas sobre valor clínico.
Avaliação dos Estudos Incluídos
A avaliação da qualidade metodológica e da heterogeneidade dos achados foi uma etapa determinante para reforçar a robustez da revisão guarda-chuva7. Os autores conduziram uma avaliação crítica detalhada das revisões sistemáticas incluídas, utilizando ferramentas para analisar tanto a qualidade das evidências quanto a sobreposição dos estudos, além do risco de viés. Foram utilizadas as ferramentas Amstar 2, Cochrane Risk of Bias Tool (RoB) e Corrected Covered Area (CCA). Os resultados dessas análises estão no material suplementar 1.
Análise de Sensibilidade
Foi realizada uma análise de sensibilidade univariada determinística, com o objetivo de testar a robustez dos resultados da RCEI e do impacto financeiro incremental (IFI) diante da variação de parâmetros-chave. Os parâmetros variados foram:
Custo com recursos humanos (RH) por minuto;
Custo da resina composta (RC) para 0,10g;
Custo médio da RC por restauração;
Custo da resina bulk-fill (RB) para 0,10g;
Custo médio da RB por restauração;
Custo médio com RH para RB (por minuto);
Custo médio com RH para RC (por minuto);
RH são os Recursos Humanos, RB, Resina Bulk, RC, Resina Convencional. Os intervalos de variação foram definidos com base na incerteza observada nas fontes secundárias utilizadas (Intervalos de Confiança) e em variações esperadas no contexto do SUS.
As conclusões principais do estudo mantiveram-se consistentes, indicando que o uso da resina bulk fill permanece mais custo-efetivo na maioria dos cenários simulados.
Não foi realizada análise de sensibilidade probabilística (PSA), em virtude da indisponibilidade de distribuições de probabilidade consistentes para os principais parâmetros do modelo (tempo clínico e custos unitários) e da simplicidade estrutural da árvore de decisão. Essa opção configura uma limitação do estudo e reforça a necessidade de futuras avaliações que incorporem incerteza de forma probabilística.

RESULTADOS
A Tabela 1 sumariza os parâmetros de custos.

O custo médio de cada restauração foi calculado com base na seguinte equação:
(Custo do recurso humano × tempo clínico) + custo do material por restauração. Com base nesse cálculo, o custo médio de uma restauração com resina composta convencional (RC) foi de R$ 31,88, enquanto a restauração com resina bulk-fill (RB) teve um custo médio de R$ 24,19. Quando se considera apenas o custo do material, desconsiderando o tempo de atendimento, os valores foram de R$ 3,75 para a RC e R$ 5,69 para a RB.
Ao utilizar o tempo médio do procedimento como medida de efetividade, observa-se que, apesar de a RB apresentar um custo unitário de material mais elevado, ela permite a realização da restauração em um tempo cerca de 13,6 minutos menor. Esse ganho de tempo impacta diretamente a Razão de Custo-Efetividade Incremental (RCEI), estimada em R$ -0,15 por minuto economizado. Esse resultado indica que, para cada minuto de tempo clínico poupado com a utilização da RB, há um acréscimo de apenas R$ 0,15 no custo total. Em outras palavras, a RB acelera o procedimento com um custo marginal de R$ 0,15 por minuto de cadeira reduzido, o que pode ser considerado aceitável do ponto de vista da gestão de recursos.
O valor negativo da RCEI, conforme observa-se na tabela 2, sugere que, embora o custo do material da RB seja mais alto, a economia de tempo pode compensar esse acréscimo, resultando em ganhos de eficiência operacional. Sob a ótica da alocação eficiente da capacidade instalada, essa estratégia pode contribuir para a ampliação do acesso e maior produtividade dos serviços odontológicos.

Considerando a capacidade produtiva máxima dos profissionais para cada tipo de resina e o preenchimento total das horas com os procedimentos restauradores, o impacto financeiro incremental (IFI) anual foi de R$ 706,48 por equipe, como mostra a Tabela 3:

Tomando-se a efetividade como o tempo clínico poupado (13,36 minutos por restauração), a resina bulk fill (RB) situa-se no quadrante nordeste do plano de custo-efetividade, o de maior efetividade a um custo de material superior, com um acréscimo de apenas R$ 0,15 no custo de material por minuto clínico poupado, o que configura uma razão de custo-efetividade incremental muito favorável. Ademais, quando se considera o custo total por restauração (no qual o tempo clínico é valorado), a RB mostra-se simultaneamente menos custosa (R$ 24,19 versus R$ 31,88) e mais eficiente, posicionando-se na região de dominância (quadrante sudeste) e reforçando seu potencial de ganho de produtividade sem aumento proporcional dos custos.
Com base nos tempos médios, estima-se que o uso da RB possibilitaria 704 procedimentos adicionais ao ano, por equipe, com acréscimo marginal de apenas R$?706,48 nos custos totais (cerca de R$ 1,00 por restauração extra nesse cenário). Essa diferença é aceitável diante do potencial de ampliação do acesso, da liberação de tempo clínico e da otimização da infraestrutura existente no SUS.
A simulação com base nos dados nacionais de 2023 estimou que a substituição da resina convencional pela bulk fill poderia reduzir os gastos totais com restaurações posteriores de R$?17,5 milhões para R$?13,2 milhões, gerando uma economia de R$?4,25 milhões,valor equivalente a cerca de 0,25% do orçamento anual da saúde bucal no Brasil. Além da redução de custos diretos, a adoção da RB pode diminuir despesas indiretas, como desgaste de equipamentos e número de consultas, além de aumentar o conforto do paciente.
Adicionalmente, a substituição da RC pela RB poderia reduzir custos indiretos associados ao desgaste de equipamentos, consumo de insumos auxiliares e melhorar a experiência do paciente ao reduzir o tempo de permanência na cadeira odontológica e o número de consultas para se alcançar o tratamento completado.
O impacto dessa economia torna-se ainda mais expressivo quando se traduz em possibilidades redistributivas. Esses achados reforçam a importância de considerar a eficiência operacional nas avaliações econômicas em saúde.
Análise de Sensibilidade
A análise de sensibilidade foi conduzida por meio de cenários extremos, nos quais todos os parâmetros foram ajustados simultaneamente para seus valores inferior e superior com base nos intervalos de confiança estimados. Os parâmetros utilizados estão listados na Tabela 4.
Dentre os parâmetros analisados, o custo médio com recursos humanos na restauração com RC por minuto apresentou a maior variação absoluta e o maior impacto sobre o custo total da restauração, evidenciando que esse componente é altamente sensível.
No caso da RB, o custo médio com pessoal por minuto é ligeiramente menor, mas ainda representa um dos principais determinantes do custo total, mesmo com a redução do tempo de atendimento. Esses dados estão representados de forma visual no Figura 1, por meio de um gráfico de tornado, que permite observar a influência relativa de cada parâmetro sobre os custos.
A análise evidenciou que tanto a RC quanto a RB são sensíveis às variações no custo de pessoal, destacando a importância da redução do tempo clínico como fator determinante para o impacto financeiro. Embora os custos das resinas também influenciem os resultados, seu efeito isolado é menor como mostra a Figura 1. No cenário mais favorável à RB (menores custos e tempo para RB e maiores para RC), a RCEI foi de R$?+0,02/min, sugerindo quase neutralidade no custo incremental e alta atratividade operacional. Já no cenário mais desfavorável à RB (custos e tempo máximos para RB e mínimos para RC), a RCEI foi de R$?–0,73/min. Mesmo com custo mais elevado, a RB manteve vantagem em tempo clínico, e sua adoção dependerá do peso atribuído à eficiência frente ao controle de gastos.

Adicionalmente, realizou-se a simulação de dois cenários para o Investimento Financeiro Incremental (IFI), com variações assimétricas nos custos das resinas, mantendo-se constante a produção anual: 2.816 restaurações com RB e 2.112 com RC.
Cenário pessimista para a RB: aumento de 10% no custo da RB e redução de 10% na RC.
Investimento com RB: R$ 74.933,76
Investimento com RC: R$ 60.593,28
IFI: R$ 14.340,48 (RB mais onerosa)
Nesse caso, a adoção da RB pode ser dificultada se o ganho de produtividade não for plenamente aproveitado ou se o orçamento da unidade for inflexível.
Cenário otimista para a RB: redução de 10% no custo da RB e aumento de 10% na RC.
Investimento com RB: R$ 61.304,32
Investimento com RC: R$ 74.067,84
IFI: R$ -12.763,52 (economia com a RB)
A análise de sensibilidade reforçou a atratividade da resina bulk fill (RB) como alternativa custo-efetiva mesmo diante de variações nos preços dos insumos. Embora pequenas flutuações de mercado possam impactar o planejamento orçamentário, a RB manteve-se vantajosa em termos de tempo clínico, com custo incremental gerenciável a depender da realidade da equipe de saúde bucal. Os achados demonstram a robustez da estratégia, sugerindo que decisões de incorporação tecnológica no SUS devem considerar não apenas custos unitários, mas também os efeitos sistêmicos e a redistribuição potencial dos recursos economizados.
DISCUSSÃO
Este estudo demonstrou que a utilização de resinas bulk fill para restaurações posteriores no SUS é mais custo-efetiva do que a convencional, sob a perspectiva do gestor municipal. Apesar do maior custo unitário do material, a redução de 34% no tempo clínico resultou em menor custo total por procedimento. A simulação nacional apontou economia potencial de R$?4,2 milhões ao ano. A análise de sensibilidade confirmou a robustez da estratégia, reforçando seu potencial para otimizar recursos e ampliar o acesso na APS. Diante da equivalência clínica entre os materiais, o tempo clínico foi adotado como desfecho substituto, justificando-se pelo foco na eficiência operacional.
É importante destacar que os resultados aqui apresentados derivam de parâmetros médios nacionais e de um cenário de organização do trabalho que pode não refletir integralmente a realidade de todos os municípios brasileiros. Diferenças na capacidade instalada, na composição das equipes, na disponibilidade de insumos, na pactuação de metas e na gestão da agenda clínica podem alterar tanto o tempo efetivamente economizado quanto a possibilidade de convertê-lo em produção adicional. Em contextos com maior escassez de profissionais ou com grande demanda reprimida por restaurações, a adoção da RB tende a ter impacto mais expressivo na equidade do acesso; já em cenários com oferta mais estruturada, o benefício pode se manifestar principalmente na redução de filas e no manejo de casos mais complexos. Assim, recomenda-se que gestores reproduzam as estimativas com dados locais de produção e custos, de modo a refinar a validade externa e apoiar decisões contextualizadas.
As principais causas de insucesso em restaurações com resina composta incluem degradação marginal, selamento inadequado, fratura, descoloração, cárie secundária, sensibilidade pós-operatória e retenção insatisfatória28-30. No presente estudo, com base nas evidências disponíveis, não se observaram diferenças clinicamente relevantes entre a resina convencional (RC) e a bulk fill (RB) em relação a esses critérios, o que corrobora dados da literatura sobre sua equivalência clínica7-8. Diante dessa equivalência, adotou-se o tempo clínico como desfecho substituto na avaliação econômica, uma escolha metodologicamente justificada quando se considera a lógica de eficiência operacional, especialmente no contexto da Atenção Primária à Saúde (APS), onde os recursos humanos representam parcela significativa dos custos assistenciais.
Estudos prévios indicam que os recursos humanos podem representar até 78,4% do custo de procedimentos odontológicos31. Tecnologias que reduzem o tempo clínico, como a RB, apresentam potencial para ganhos expressivos de produtividade e otimização do uso da capacidade instalada9,31-34. A literatura relata reduções de tempo de 20% a 66% com o uso da RB, com uma média de 38% em estudos in vitro32,33. No presente estudo, a diferença adotada foi de 34%, com base em um ensaio clínico randomizado23. Esse estudo foi utilizado tendo por base sua metodologia específica que vai de encontro ao objetivo do presente artigo, outros estudos levam em conta apenas o tempo total da consulta, não deixando explícito o procedimento em si. Além da maior eficiência técnica, essa redução pode favorecer, ainda, a aceitabilidade da intervenção por parte dos pacientes35. Contudo, é importante ressaltar que a economia de tempo só resultará em ganhos reais se for efetivamente convertida em ampliação de cobertura ou em reordenamento da agenda de atendimentos, como, por exemplo, a realização dos tratamentos de mais dentes em uma mesma sessão, situação que otimiza ainda mais a utilização de insumos e recursos. Caso contrário, o benefício permanece apenas potencial. Esse é um aspecto crítico para a gestão dos serviços e deve ser considerado em estratégias de reorganização do processo de trabalho.
No modelo proposto, a RB apresentou custo total 24% menor por procedimento em comparação à RC, com RCEI de R$?–0,15 por minuto economizado. A extrapolação para os dados do SUS em 2023 indicou economia potencial de R$?4,25 milhões, com possibilidade de reinvestimento em ampliação do acesso ou fortalecimento das equipes. No entanto, esses ganhos projetados dependem da reorganização dos fluxos de trabalho e da superação de desafios operacionais, como limitações estruturais e instabilidade no fornecimento de insumos. Portanto, os resultados devem ser interpretados com cautela e contextualizados a cada realidade local6.
Adicionalmente, aspectos técnicos, como o controle de umidade durante o procedimento, também merecem atenção. A maior parte dos estudos clínicos considerados utilizou isolamento relativo, condizente com a realidade da APS. Revisões sistemáticas, como a de Miao et al.36, sugerem que os benefícios do isolamento absoluto são incertos e pouco significativos em termos de efetividade, o que reforça a viabilidade da técnica adotada na prática pública brasileira.
A Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) vem se consolidando no Brasil como instrumento central para decisões de incorporação no SUS, mas a produção aplicada à odontologia ainda é incipiente e concentrada em temas estratégicos. Em saúde bucal coletiva, destacam-se estudos que confirmam a relação custo-efetiva de intervenções populacionais, como a fluoretação das águas, economicamente vantajosa sobretudo em municípios com ?6.000 habitantes e com importantes custos evitados em crianças37, em contraste com o verniz fluoretado, cuja alta razão de custo-efetividade incremental levanta dúvidas sobre o “valor pelo dinheiro” no contexto do SUS38. No campo das abordagens conservadoras e minimamente invasivas, a remoção seletiva de cárie mostrou-se mais custo-efetiva que a escavação em etapas por reduzir falhas e necessidade de endodontia em longo prazo 38, enquanto a Técnica de Hall se revelou superior ao ART com cimento de ionômero de vidro de alta viscosidade em determinadas situações clínicas, confirmando o potencial dessas estratégias em programas escolares39;40 . Na reabilitação e nos cuidados especializados, análises econômicas comparando endodontia e implantes sugerem que a combinação endodontia + retentor + coroa pode ser custo-efetiva, ao passo que implantes ganham relevância dependendo da disposição a pagar e da maior longevidade esperada42; em edentulismo mandibular, a overdenture suportada por dois implantes mostrou-se custo-efetiva em relação à prótese total convencional, especialmente diante da alta taxa de abandono desta última31;43. Metodologicamente, muitos desses trabalhos adotam microcusteio bottom-up para estimar custos reais e confrontar os valores da tabela SIGTAP, evidenciando tanto a utilidade da ATS para avaliar a suficiência dos repasses federais quanto as limitações de se basear exclusivamente em valores tabelados31;43. Mais recentemente, a agenda tem incorporado temas como o manejo de hipomineralização molar-incisivo, com o cimento de ionômero encapsulado figurando como opção mais custo-efetiva no SUS44, e a avaliação da teleodontologia por meio de modelos de Markov para enfrentar a demanda reprimida pós-pandemia45. Em conjunto, essas contribuições apontam para uma ATS em saúde bucal ainda em consolidação, mas capaz de subsidiar uma gestão baseada em valor, favorecendo a adoção de intervenções preventivas de grande escala, técnicas conservadoras e tecnologias que ampliem a efetividade e a longevidade dos tratamentos no contexto do SUS;31;43;46. Nosso trabalho se propõe a trabalhar justamente com a parte intermediária, a restauração da saúde dental por meio dos procedimentos em resina em dentes posteriores, que tem escala e acontecem diariamente em cada município brasileiro.
Reforçando, o presente trabalho amplia essa agenda ao focalizar um procedimento de alta frequência na APS, as restaurações posteriores com resina composta, e ao incorporar explicitamente a perspectiva do gestor municipal, utilizando o tempo clínico como desfecho operacional. Dessa forma, agrega evidências para decisões rotineiras de incorporação e padronização de materiais, em um ponto do cuidado onde pequenas diferenças de tempo se traduzem em grande impacto agregado para o sistema.
A análise de sensibilidade destacou o tempo clínico como principal fator no custo-efetividade da RB, confirmando sua superioridade mesmo em cenários adversos. O impacto financeiro incremental (IFI) manteve-se estável, com custos adicionais anuais gerenciáveis diante do orçamento da saúde bucal. A liberação de tempo clínico favorece a ampliação do acesso, otimiza recursos e fortalece a resolubilidade da APS. Embora o tempo tenha sido adotado como desfecho substituto, o estudo segue diretrizes internacionais e fornece evidências relevantes para gestores. Recomenda-se que pesquisas futuras incorporem desfechos clínicos e centrados no paciente, ampliando a aplicabilidade dos achados no contexto do SUS.
Limitações do Estudo
Este estudo apresenta algumas limitações que devem ser consideradas na interpretação dos resultados. Em primeiro lugar, adotou-se o tempo clínico como desfecho substituto de efetividade, em um contexto de equivalência clínica entre RB e RC. Embora essa abordagem seja útil para análises de eficiência operacional, ela não captura diretamente desfechos de saúde, como falhas restauradoras ao longo do tempo, necessidade de retratamentos, dor, qualidade de vida ou QALYs. Em segundo lugar, a estimativa de custos baseou-se em preços médios de compras públicas e em parâmetros de tempo obtidos em ensaios clínicos específicos, o que pode não refletir integralmente a variação regional de custos, produtividade e organização do trabalho nos diferentes municípios. Em terceiro lugar, o horizonte temporal de um ano e a estrutura simplificada do modelo não permitem avaliar o impacto de longo prazo sobre a durabilidade das restaurações, eventos de falha e custos acumulados em ciclos sucessivos de tratamento. Por fim, não foi realizada análise de sensibilidade probabilística, o que limita a caracterização completa da incerteza conjunta dos parâmetros. Tais limitações reforçam a necessidade de estudos longitudinais e modelos mais complexos que incorporem desfechos clínicos, centrados no paciente e distribuições probabilísticas para os parâmetros.

CONCLUSÃO
A adoção da resina bulk fill (RB) demonstra vantagens clínicas e organizacionais relevantes no contexto da atenção odontológica no SUS. A principal contribuição refere-se à economia de tempo clínico por procedimento o que permite não apenas o aumento do número de atendimentos diários, mas também a realização de múltiplas restaurações em uma única sessão. Essa possibilidade tem impacto direto na redução do número de visitas necessárias para completar o tratamento, favorecendo a adesão dos usuários e diminuindo o risco de absenteísmo. Além disso, a menor necessidade de retornos contribui para um uso mais eficiente da estrutura e da força de trabalho disponível, ampliando o acesso e a resolutividade dos serviços de saúde bucal, especialmente em contextos de alta demanda e recursos limitados. Além disso, a simplificação da técnica permite sua utilização em momentos mais desfavoráveis, como atendimento hospitalar, atendimento de crianças e pacientes com alguma deficiência que dificulte o atendimento ambulatorial. Importante destacar como estudos de avaliação econômica na odontologia podem auxiliar na gestão do SUS. Ao permitir a identificação de tecnologias que otimizem os procedimentos e ampliem o acesso aos atendimentos, essas análises contribuem para decisões mais racionais e eficientes. A incorporação de novas tecnologias, embasada em evidências de custo e efetividade, representa uma abordagem promissora para fortalecer a viabilidade econômica e ampliar o alcance dos serviços de saúde bucal pública no Brasil.

ASPECTOS ÉTICOS
Este estudo baseia-se em modelagem econômica a partir de dados secundários obtidos de revisões sistemáticas publicadas e de bases de dados de domínio público, como o Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (SISAB), sem utilização de dados individualizados de pacientes. O ensaio clínico de referência utilizado para estimar o tempo clínico do procedimento já foi previamente aprovado por Comitê de Ética em Pesquisa e encontra-se publicado na literatura. À luz dessas características, não foi necessária a submissão de novo projeto a Comitê de Ética, em conformidade com a legislação brasileira aplicável a estudos de modelagem e uso de dados secundários. Entretanto antes de realizar o estudo prévio, foi enviado um projeto ao Comité de Ética em Pesquisa da FOP Unicamp que “por meio do OFÍCIO CEP/FOP N. º 16/2024, Piracicaba, 25 de novembro de 2024, informo que este projeto não necessita, em princípio e de acordo com as informações oferecidas no material encaminhado, ser submetido à apreciação, por meio da Plataforma Brasil, por um Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos no Brasil”.

FINANCIAMENTO
Este estudo não recebeu financiamento específico de agências de fomento do setor público, privado ou de organizações sem fins lucrativos.
CONFLITO DE INTERESSES
Os autores declaram não haver conflitos de interesse.
COLABORADORES
Augusto Cesar Sousa Raimundo: (a) concepção e delineamento do estudo, análise e interpretação dos dados; (b) redação do manuscrito e revisão crítica de seu conteúdo intelectual; (c) aprovação da versão final a ser publicada. Lívia Fernandes Probst: (a) análise e interpretação dos dados; (b) revisão crítica de seu conteúdo intelectual; (c) aprovação da versão final a ser publicada. Ana Clara Simões: (a) concepção e delineamento do estudo; (b) revisão crítica de seu conteúdo intelectual; (c) aprovação da versão final a ser publicada. Antonio Carlos Pereira: (a) análise e interpretação dos dados; (b) revisão crítica de seu conteúdo intelectual; (c) aprovação da versão final a ser publicada.
Declaração de Disponibilidade de Dados
Os bancos de dados utilizados no artigo, incluindo os códigos de extração, análises e resultados estão disponíveis em repositório: https://doi.org/10.48331/SCIELODATA.HXBMAU,SciELO Data, DRAFT VERSION
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