EN PT

Artigos

0228/2026 - Análise temporal das taxas de internação hospitalar e mortalidade por demência no estado de São Paulo, 2012–2023
Temporal analysis of hospital admission and mortality rates due to dementia in the state of São Paulo, 2012–2023.

Autor:

• Karen Murakami Yano - Yano, KM - <yano@unifesp.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3057-9159

Coautor(es):

• Karina Cardoso Meira - Meira, KC - <karina.meira@unifesp.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-1722-5703

• Renata Guzzo Souza Belinelo - Belinelo, RGS - <renata.guzzo@unifesp.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-1031-5351

• Paola Zucchi - Zucchi, P - <pzucchi@unifesp.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-7749-8033

• Maykon Anderson Pires de Novais - Novais, MAP - <maykon.andersom@unifesp.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0001-8069-4927



Resumo:

Introdução: São Paulo concentra a maior proporção de idosos no Brasil, e a idade é determinante da demência, com impacto relevante na qualidade de vida. Objetivo: Analisar a tendência temporal das taxas de internação hospitalar por demência, da mortalidade específica por demência e da mortalidade específica por demência com ocorrência em hospital, segundo sexo e faixa etária, no estado de São Paulo, entre 2012 e 2023.Calcularam-se taxas específicas por idade e padronizadas (método direto). As tendências foram estimadas por regressão de Prais–Winsten (p0,05). As taxas de mortalidade por demência aumentaram apenas em mulheres (APC=2,17%), com aumento em todas as faixas etárias entre mulheres; em homens, manteve-se estacionária. A taxa de mortalidade específica por demência com ocorrência em hospital permaneceu estável em ambos os sexos. Conclusão: Entre 2012 e 2023, reduziram-se as internações e manteve-se estável a mortalidade hospitalar por demência. A mortalidade específica cresceu apenas entre mulheres, sugerindo possíveis desigualdades de sexo na evolução e no manejo da doença.

Palavras-chave:

Psiquiatria; Demência; mortalidade, hospitalização

Abstract:

Introduction: São Paulo has the largest proportion of older adults in Brazil, and age is a key determinant of dementia, with substantial effects on quality of life. Objective: To analyze temporal trends in dementia-related hospitalization rates, dementia-specific mortality, and dementia-specific mortality occurring in hospital, according to sex and age group, in the state of São Paulo, Brazil, from 2012 to 2023. Age-specific and age-standardized rates were calculated using the direct method. Trends were estimated using Prais–Winsten regression, adopting a significance level of p0.05). Dementia-specific mortality increased only among women (APC=2.17%), with increases observed across all female age groups; among men, rates remained stationary. Dementia-specific mortality occurring in hospital remained stable in both sexes. Conclusion: Between 2012 and 2023, dementia-related hospitalizations declined, while in-hospital dementia mortality remained stable. Dementia-specific mortality increased only among women, suggesting potential sex-related inequalities in disease progression and management.

Keywords:

Psychiatry; Dementia; mortality, hospitalization

Conteúdo:

Introdução
A demência é um transtorno mental crônico e/ou progressivo, resultante de doenças e lesões cerebrais que culminam em disfuncionalidade das funções corticais superiores (memória, orientação, raciocínio, compreensão, cálculo, capacidade de aprendizado, linguagem e julgamento), sintomas neuropsiquiátricos, comprometimento dos mecanismos de regulação emocional, comportamental, social e motivacional, distúrbios do sono, manifestações psicóticas, agitação psicomotora, alteração na marcha, disfagia, incontinência, mioclonia e convulsões1,2.
Esta condição ocasiona sobrecargas e disfunções nos sistemas familiares, sociais e econômicos, perda de autonomia, de qualidade de vida - uma das principais responsáveis pela perda de anos de vida - e geração de incapacidades1. É a sétima maior causa de mortalidade mundial3. O Brasil está na terceira posição quanto ao total de indivíduos afetados pela demência na região das Américas, com 12,5% e 17,5% de sua população idosa diagnosticada com a doença4
O principal fator associado ao desencadeamento é o envelhecimento (a probabilidade duplica a cada quinquênio a partir dos 65 anos de idade)1. No entanto, além da idade, fatores como menor escolaridade, perda auditiva, hipertensão, obesidade, tabagismo, depressão, isolamento social, sedentarismo, diabetes, ingestão excessiva de álcool, poluição do ar e traumatismo cranioencefálico também são importante fatores de risco 1,4,5-7. Estima-se que 54% dos casos de demência na América Latina seriam atribuíveis a esses fatores de risco modificáveis, sendo a média 40%6.
O estado de São Paulo apresenta, segundo o Censo 2022, a maior proporção de população idosa do país, o que eleva a exposição aos desfechos por demência. Na cidade de São Paulo, inquéritos Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) documentaram aumento da prevalência de inatividade física, diabetes, hipertensão, obesidade e consumo de álcool entre 2006 e 20218–10.
Diante deste cenário, este estudo teve como objetivo analisar a tendência temporal das taxas de internação hospitalar por demência, das taxas de mortalidade específica por demência e das taxas de mortalidade específica por demência com ocorrência em hospital, segundo sexo e faixa etária, no estado de São Paulo, entre 2012 e 2023.

Método
Desenho de estudo e fonte de dados
Trata-se de um estudo ecológico de tendência temporal das taxas de internação hospitalar por demência, das taxas de mortalidade específica por demência e das taxas de mortalidade específica por demência com ocorrência em hospital, em adultos e idosos, por demência no estado de São Paulo, no período de 2012 a 2023, que seguiu as recomendações dos Guidelines for Accurate and Transparent Health Estimates Reporting: the GATHER statement11. Devido a natureza dos dados, não foi necessário a submissão do estudo a um Comitê de Ética em Pesquisa, conforme o Artigo 1º da Resolução nº 510 do CNS, de 7 de abril de 201612.
As internações por demência foram extraídas do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS), disponibilizado pelo Departamento de Informática do SUS (DATASUS). O SIH/SUS é alimentado pelas Autorizações de Internação Hospitalar (AIH), instrumento administrativo utilizado para registrar, autorizar e remunerar internações financiadas pelo SUS. As internações foram analisadas segundo local de internação, pois esse recorte permite caracterizar a utilização da rede hospitalar localizada no estado de São Paulo, expressando a demanda assistencial absorvida pelos serviços hospitalares do território. Para o cálculo das taxas de internação hospitalar por demência , o numerador correspondeu ao número de internações por demência cujo local de internação foi o estado de São Paulo; o denominador correspondeu à população residente no estado de São Paulo, estratificada por sexo, faixa etária (? 20 anos) e ano; e as taxas foram expressas por 100.000 habitantes. Assim, esse indicador deve ser interpretado como uma medida da utilização da rede hospitalar paulista em relação ao porte populacional do estado, e não como estimativa estrita do risco de internação entre residentes.
Os registros de óbito por demência foram obtidos no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/DATASUS), considerando-se os óbitos de residentes no estado de São Paulo, no período de 2012 a 2023. Para o cálculo da taxa de mortalidade específica por demência, foram incluídos todos os óbitos cuja causa básica foi demência, independentemente do local de ocorrência. Para o cálculo da taxa de mortalidade específica por demência com ocorrência em hospital, foram selecionados, entre esses óbitos de residentes no estado, aqueles cujo campo “local de ocorrência” estava registrado como hospital. Em ambos os casos, o denominador correspondeu à população residente no estado de São Paulo, estratificada por sexo, faixa etária (? 20 anos) e ano, e as taxas foram expressas por 100.000 habitantes.
Em ambos os sistemas de informação foram considerados os registros referentes as seguintes codificações da Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10): F00 - Demência na doença de Alzheimer; F01 - Demência vascular; F02 - Demência em outras doenças classificadas em outra parte; F03 - Demência não especificada.
Os dados populacionais foram obtidos junto ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes à Projeção da população do Brasil e Unidades da Federação por sexo e idade para o período de 2000 a 2070 (edição 2024).
As taxas foram expressas por 100.000 habitantes e calculadas conforme as seguintes expressões:
Taxa de internação hospitalar por demência por 100 mil habitantes
(número de internações por demência cujo local de internação foi o estado de São Paulo (2012 a 2023))/(População residente no estado de Sâo Paulo 2012 a 2023 )*100 mil
Taxa de mortalidade específica por demência por 100 mil habitantes
(número de óbitos por demência entre residentes no estado de São Paulo ( 2012 a 2023))/(População residente no estado de Sâo Paulo 2012 a 2023 )*100 mil
Taxa de mortalidade específica por demência com ocorrência em hospital por 100 mil habitantes
(número de óbitos por demência entre residentes no estado de Sao Paulo ocorridos no hospital (2012 a 2023))/(População residente no estado de Sâo Paulo 2012 a 2023 )*100 mil

As variáveis estudadas para os três desfechos foram: ano de ocorrência (2012 a 2023); triênio de ocorrência (2012-2014;2015-2017;2018-2020 e 2021-2023), sexo (homens e mulheres), faixa etária (20-39, 40-59 anos, 60 a 79 e 80 ou mais anos).
Análise estatística
Análise descritiva
Foram calculadas as taxas de internação por demência, da mortalidade específica por demência e da mortalidade específica por demência com ocorrência em hospital por 100 mil, específicas por faixa etária e padronizadas. As taxas foram padronizadas pelo método direto, utilizando a população brasileira do censo demográfico de 2010 como padrão. Estimaram-se taxas médias totais e trianuais compreendendo o período de 2012-2015 a 2021-2023.
As taxas trienais foram utilizadas na análise descritiva, com o objetivo de reduzir a influência de flutuações aleatórias anuais, sobretudo em estratos etários específicos e em desfechos de menor frequência relativa. Além disso, a variação percentual entre o primeiro triênio (2012–2014) e o último triênio (2021–2023) foi estimada de forma estritamente descritiva, com a finalidade de ilustrar a mudança relativa no período estudado. A variação percentual foi calculada segundo a expressão:
?%=(Taxas do período 2021-2023)/(Taxas do período de 2012-2014)*100
Em seguida, calcularam-se taxas médias segundo grupo etário e sexo e seus respectivos desvio-padrão, para as taxas de internação hospitalar por demência, das taxas de mortalidade específica por demência e das taxas de mortalidade específica por demência com ocorrência em hospital. Ainda, avaliou-se a presença de diferença estatisticamente significativa por meio do teste ANOVA (análise de variância). Esse teste estatístico foi considerado apropriado com base nos resultados dos testes de Shapiro–Wilk e Kolmogorov–Smirnov, que confirmaram uma distribuição normal. Na presença de diferenças estatisticamente significativas (p<0,05) , realizou-se o teste pos-hoc de Tukey.
O Teste de Tukey (HSD) constitui um procedimento post hoc de comparações múltiplas em as categorias da variável, sendo aplicado subsequentemente à ANOVA, destinado a controlar a taxa de erro família de tipo I.
Esse método estima pontualmente as diferenças entre médias de grupos e fornece intervalos de confiança simultâneos ajustados ao número de comparações.
Para uma análise descritiva da tendência temporal das taxas de internação hospitalar por demência, das taxas de mortalidade específica por demência e das taxas de mortalidade específica por demência com ocorrência em hospital, foram calculadas taxas suavizadas por médias móveis trienais. A suavização teve o objetivo de corrigir a flutuação aleatória presente nas taxas anuais de mortalidade, seguido pela construção de gráficos de linhas.
Análise de tendência temporal
O modelo de regressão Prais-Winsten foi utilizado nas análises de série temporal das taxas de internação hospitalar por demência, das taxas de mortalidade específica por demência e das taxas de mortalidade específica por demência com ocorrência em hospital segundo sexo e estratificadas por faixa etária para o período de 2013 a 2023. Esse método de regressão de mínimos quadrados generalizados foi projetado para lidar com a autocorrelação serial de primeira ordem em dados ordenados no tempo. As taxas de mortalidade, transformadas em log na base 10, foram empregadas como variável dependente, enquanto o ano do óbito correspondeu a variável independente. Essa abordagem se faz adequada, pois corrigi a autocorrelação serial presente em dados ao longo do tempo, aumentando assim a robustez e a confiabilidade das estimativas de tendência. As análises serão baseadas nas seguintes equações13-14:
log10(mortality ratet)=?0+?1(Yeart)+?t (1)
Onde:
?t=p??t?1+ut
Em que log10 representa o logaritmo de base-10 da taxa de mortalidade no ano t, ?0 denota o intercepto, ?1 captura a variação percentual anual na escala logarítmica, e ?t indica o resíduo (ou erro) no tempo t.
O modelo de Prais-Winstein assume que os resíduos (?t) seguem um processo ?t= p ??t?1+ut, com p representando a correlação entre os erros consecutivos e ut denotando ruído aleatório não correlacionado.
O coeficiente de regressão ?? derivado do modelo log-transformado foi utilizado para calcular a Annual Percent Change (APC), uma medida da variação anual nas taxas de mortalidade. A APC será calculada utilizando a seguinte equação:
APC=(?1+10?1) ?100 (2)
Para determinar os intervalos de confiança (IC) de 95% para a APC, os limites inferior e superior de confiança de ?? (??_inferior e ??_superior) foram calculados da seguinte maneira:
?1inferior= ?1?tn?2?SE(?1) (3)
?1superior=?1+tn?2?SE(?1) (4)

Em que t (n?2) refere-se ao valor crítico da distribuição t com (n?2) graus de liberdade para ? =0,05, e SE(??) representa o erro padrão do coeficiente. Esses limites foram transformados para a escala da APC utilizando a mesma transformação base-10.
APC inferior= (?1+10?1 inferior)?100 (5)
APC superior= (?1+10?1 superior)?100 (6)

Todas as análises foram realizadas no software estatístico R versão 4.4.1, por meio dos pacotes lmtest, Epi, tsModel, gls, splines, vcd, ggplot2 e tidyverse. Foram considerados estatisticamente significativos, valores de p <0,05.

Resultados
Durante todo o período do estudo foram identificadas 48.231 internações por demência. Destas, 11.595 (24,0%) ocorreram em adultos jovens, 18.763 (39,9%) em adultos, 12.931 (28,8%) em idosos e 4.942 (10,2%) em idosos longevos. Houve 15.003 óbitos cuja causa básica foi demência, dos quais 77,0% ocorreram em ambiente hospitalar (n = 11.554). Entre esses óbitos, 148 (1,0%) ocorreram em adultos, 2.644 (18,0%) em idosos e 12.211 (81,0%) em idosos longevos.
No período analisado observou-se aumento progressivo das taxas de internação pode demência, das taxas de mortalidade específica por demência e das taxas de mortalidade específica por demência com ocorrência em hospital com o avançar da idade. As diferenças entre as faixas etárias foram estatisticamente significativas ao nível de 5% e confirmadas pelo teste pós-hoc de Tukey (Tabela 1). As taxas de internação hospitalar, das taxas de mortalidade específicas por demência e das taxas de mortalidade específica por demência com ocorrência em hospital por 100 mil habitantes, segundo sexo e faixa etária e agrupadas em triênios, também evidenciaram elevação da magnitude das taxas com o aumento da idade, com maiores taxas padronizadas entre as mulheres em todos os triênios (Tabela 2).
As taxas trienais de internação hospitalar por 100 mil habitantes, segundo sexo e faixa etária, apresentaram redução progressiva das taxas padronizadas ao longo dos triênios (2012–2014 a 2021–2023) para praticamente todos os grupos etários e para ambos os sexos, exceto entre os adultos (40 a 59 anos), faixa na qual se verificou aumento das internações ao longo dos períodos. Ainda assim, o perfil geral foi de redução das taxas padronizadas por triênio. Entre os homens foi descrita redução percentual de ?31,07% ao comparar o primeiro e o último triênio (de 12,91 para 8,90 internações por 100 mil homens) e, entre as mulheres, redução de ?35,21% (de 16,87 para 10,93 internações por 100 mil mulheres) (Tabela 2).
As taxas de mortalidade específica por demência apresentaram discreto aumento entre os homens (de 5,38 para 5,80 por 100 mil; +7,8%) e crescimento mais expressivo entre as mulheres (de 7,57 para 9,34 por 100 mil; +23,4%) entre o primeiro e o último triênio do período estudado. Em ambos os sexos, as maiores magnitudes concentraram-se nos indivíduos com 80 anos ou mais, indicando que o incremento recente da mortalidade foi impulsionado principalmente pelas faixas etárias mais idosas, enquanto os grupos etários mais jovens permaneceram estáveis (Tabela 2).
Entre as taxas de mortalidade específica por demência com ocorrência em hospital, observou-se pequena redução das taxas masculinas ao longo dos triênios (de 4,42 para 4,34 por 100 mil; ?1,7%) e aumento moderado entre as mulheres (de 6,03 para 6,53 por 100 mil; +8,3%). Em ambos os sexos, as maiores taxas concentraram-se na faixa de 80 anos ou mais, com discreta diminuição entre os homens e leve elevação entre as mulheres, sugerindo tendência geral de estabilidade com incremento feminino no período (Tabela 2).
A análise exploratória indicou redução das taxas de internação hospitalar em ambos os sexos e em todas as faixas etárias, exceto entre 40-59 anos, grupo que apresentou aumento a partir de 2018 (Figura 1). Nas taxas de mortalidade específica por demência, as médias móveis trienais apontaram tendência crescente entre as mulheres, mais evidente após 2021, e estabilidade entre os homens, com pequenas oscilações e leve incremento ao final da série. As taxas de mortalidade específica por demência com ocorrência em hospital sugeriram redução discreta entre os homens e variação moderada entre as mulheres, sem evidência de aumento sustentado (Figura 2).
As taxas de mortalidade específica por demência mantiveram-se estáveis nas faixas de 40-59 e 60-79 anos e apresentaram discreto aumento a partir de 2020 entre os indivíduos com 80 anos ou mais, sobretudo entre mulheres. Na análise restrita às taxas de mortalidade específica por demência com ocorrência em hospital, observou-se crescimento após 2020 no grupo de 40-59 anos (predominantemente em homens), leve declínio até 2020 seguido de aumento discreto em 60-79 anos e pequena elevação entre os longevos, concentrada no sexo feminino (Material Suplementar 1).
A análise de tendência pelo método de Prais–Winsten evidenciou tendência decrescente das taxas de internação hospitalar por demência na maioria das faixas etárias, em ambos os sexos, excetuando-se o grupo de 40-59 anos, que apresentou tendência estacionária (Tabela 3). Ainda que os valores pontuais do APC indiquem reduções em quase todos os estratos etários, não se observaram diferenças estatisticamente significativas na magnitude da diminuição entre as faixas etárias dentro de cada sexo, uma vez que os intervalos de confiança de 95% (IC95%) apresentaram sobreposição, impedindo a inferência de diferença entre os grupos (Tabela 3).
Identificou-se perfil inverso nas tendências das taxas de mortalidade específica por demência entre as mulheres, com aumento das taxas ao longo do período de estudo em todas as faixas etárias, exceto entre 60 e 79 anos, cuja tendência foi estacionária (APC=-1,066; p=0,148). O maior incremento foi observado no grupo etário de 40 a 59 anos (APC = 13,905; p = 0,033). Entre os homens, as taxas de mortalidade específica por demência apresentaram tendência estacionária em todas as faixas etárias. Resultado semelhante foi observado para as taxas de mortalidade específica por demência com ocorrência em hospital em ambos os sexos, com exceção das mulheres de 60 a 79 anos, que exibiram tendência decrescente (APC = ?2,488; p = 0,004) (Tabela 3).
Discussão
Os resultados dessa pesquisa revelaram comportamentos distintos entre as taxas de internação hospitalar internações e as taxas de mortalidade específicas por demência ao longo do período estudado. As taxas de internação hospitalar apresentaram tendência decrescente na maioria das faixas etárias e em ambos os sexos, com exceção do grupo de 40 a 59 anos, que manteve tendência estacionária, indicando estabilidade das hospitalizações nessa faixa de adultos de meia-idade. Enquanto as taxas de mortalidade específica por demência exibiram incremento significativo entre as mulheres, especialmente no grupo de 40 a 59 anos, e tendência estacionária entre os homens em todas as idades.
Globalmente, a incidência da demência é crescente4,15. No Brasil, em 2003, estimava-se que aproximadamente 8,5% (equivalente a 2,71 milhões) da população com 60 anos tinham demência e, em 2050 seriam 5,6 milhões de indivíduos diagnosticados no país16. Entre 2013 e 2022, a região Sudeste concentrou 55% das internações originadas por demência17, 18. Em São Paulo, a taxa de internação seria maior, com 12,9% de indivíduos acima de 60 anos com demência e 16,2% entre indivíduos com mais de 65 anos atingiria 16,2%16, reforçando a ideia de que o envelhecimento é um fator de risco significativo e corroborando com a taxa de internações por demência entre indivíduos idosos.
De acordo com dados do IBGE, a expectativa de vida da população brasileira cresceu em 11,3 meses em 2023 (em comparação a 2022), alcançando 76,4 anos e ultrapassando o nível anterior à pandemia, que era de 76,2 anos em 2019. No Estado de São Paulo, o estado com a maior número absoluto de idosos do Brasil, a previsão de longevidade para os homens era de 73,1 anos, enquanto a das mulheres era de 79,7 anos9.
No entanto, apesar do envelhecimento populacional e aumento nas taxas de incidência de demência, as taxas de internações por demências apresentaram uma tendência decrescente. Um dos possíveis motivos associados a este resultado, poderia ser atribuído à redução de taxas de internações psiquiátricas nos últimos anos, assim como ocorrido em outros transtornos mentais19-21. Estes estudos associaram a redução das taxas de internações psiquiátricas às orientações das Políticas Públicas de Saúde Mental, orientadas pela Lei 10.216, de 6 de abril de 200121 na qual estabelece-se que indivíduos com transtornos mentais deveriam receber tratamento preferencialmente no âmbito extra-hospitalar e comunitário, em detrimento da abordagem hospitalar, delegando ao hospital apenas os casos em que o atendimento extra-hospitalar se mostre insuficiente para a assistência adequada21.
Além disso, haveria reforços da Política Nacional de Cuidado Integral às Pessoas com Doença de Alzheimer e outras demências22as Políticas de Saúde Pública direcionadas à população idosa e o aprimoramento da assistência gerontológica. No entanto, estas políticas públicas, devido a sua especificidade, poderiam não cobrir demandas de uma população não idosa com demência.
A redução das taxas de internação hospitalar por demência, também poderiam estar associadas pelos tipos de demandas assistenciais geradas pela demência (perfil de morbimortalidade). A demência aumentaria a predisposição dos indivíduos à comportamentos prejudiciais à saúde, doenças cardiovasculares, quedas, distúrbios do sono, aumento dos níveis de estresse, agitação psicomotora e incontinências1,3,23. E, as principais causas de morte entre indivíduos com demências são: a pneumonia, neoplasias e infarto agudo do miocárdio1,3,24. São perfis que não estão correlacionados à causa psiquiátricas. Logo, os indivíduos com demência poderiam ser admitidos em instituições hospitalares devido as suas comorbidades, e não pela demência.
Além disso, em São Paulo, observou-se uma elevada taxa de internação hospitalar entre adultos, especialmente do sexo masculino. Embora a demência seja mais prevalente entre idosos ,sendo a doença de Alzheimer responsável por cerca de 70% dos casos, a segunda principal etiologia é a demência vascular²5, geralmente decorrente de acidente vascular cerebral (AVC), condição predominante entre adultos do sexo masculino²6. Ressalta-se que os principais fatores de risco associados à demência também estão relacionados ao AVC. A demência vascular caracteriza-se pelo início precoce e pela maior severidade dos sintomas em comparação às demais demências, culminando em internações hospitalares¹?,²7,28.
Os fatores de risco para demência são elevados em São Paulo. Em 2023, a Região Sudeste concentrou a maior parcela absoluta de óbitos por AVC, representando aproximadamente 40% do total29, e o estado de São Paulo registrou, entre janeiro e junho de 2023, um aumento de 20,2% nos atendimentos por AVC em comparação ao mesmo período de 202230.
Além disso, a experiência da pandemia de COVID-19 sugere que ganhos prévios em saúde foram parcial ou temporariamente desestabilizados em muitas localidades, por meio de interrupções no acesso a serviços de saúde, atrasos diagnósticos e suspensão de programas de reabilitação , fenômenos que afetam tanto pacientes com AVC quanto pessoas com demência. Esses efeitos podem ter contribuído para a estagnação ou retrocesso em indicadores que vinham melhorando, expondo indivíduos a maior vulnerabilidade assistencial e a fatores de risco persistentes31-33.
As taxas de internação hospitalar durante o triênio de 2021-2023 apresentaram menor magnitude comparadas aos triênios anteriores, mantendo tendência decrescente ao longo da série histórica. Em contrapartida, a evolução temporal das taxas de mortalidade específica por demência foi, em geral, estacionária, com exceção das taxas de mortalidade específica por demência entre as mulheres.
A redução das taxas de internação hospitalar identificada no presente estudo é coerente com achados de outras pesquisas, que apontam queda nas hospitalizações em razão das medidas sanitárias implementadas para conter os efeitos da pandemia de COVID-19. Em São Paulo, por exemplo, houve restrição no funcionamento de diversos serviços de saúde como estratégia de controle da disseminação do SARS-CoV-230. Leitos originalmente destinados a outras especialidades foram redirecionados para o atendimento de pacientes com COVID-19, reduzindo, entre outros, a oferta de leitos psiquiátricos31. Em consequência, critérios mais rigorosos passaram a ser adotados para autorizar internações psiquiátricas, restringindo o acesso de pacientes com demência. Soma-se a isso a maior vulnerabilidade desses indivíduos ao desenvolvimento de formas graves da COVID-19, o que pode ter contribuído para a hesitação em encaminhá-los a ambientes hospitalares³.
Esse padrão de redução também foi observado em outros contextos: na Coreia do Sul, por exemplo, verificou-se uma queda de 45,89% nos atendimentos a pacientes com demência³¹. Ainda assim, é fundamental ressaltar que a metodologia empregada neste estudo não permite estimar com precisão o impacto direto da pandemia sobre as internações por demência. Para esse fim, recomenda-se a aplicação de métodos analíticos mais robustos, como a análise de séries temporais interrompidas (ITS) ou regressão segmentada, que são mais apropriadas para captar choques abruptos em pontos discretos do tempo, preservando a tendência prévia da série e permitindo a quantificação de mudanças em nível e inclinação34-35.
Dessa forma, impõe-se a necessidade de monitoramento contínuo das taxas de incidência de demência no Brasil, especialmente no cenário pós-pandêmico. Evidências recentes sugerem que formas graves de COVID-19 podem duplicar a probabilidade de desenvolvimento de condições neuropsiquiátricas, incluindo ansiedade, insônia e demência36-39. Além de contribuir para a vigilância epidemiológica, estudos dessa natureza permitem avaliar a resposta dos sistemas de saúde às novas demandas e planejar ações mais efetivas para o cuidado dessas populações vulneráveis.
No entanto, compreende-se que este estudo apresente limitações, como por exemplo, a estratificação de grupos etários em intervalos amplos, o que pode ter culminado em distorções na análise das categorias etárias e a análise das demências de forma global, sem considerar causas etiológicas. Neste estudo, consideraram-se apenas internações cujo a causa principal foi declarado como demência. No entanto, devido ao perfil de morbidade da doença, estima-se que os indivíduos com demência sejam submetidos a internações, declarando-se outras condições como causa principal da internação.

Conclusão
O estudo possibilitou identificar uma tendência decrescente nas taxas de internação hospitalar por demência no Estado de São Paulo, com predominância de tendências estacionárias das taxas de mortalidade específicas por demência, com predominância de internações e mortalidade no sexo feminino, sobretudo entre os mais idosos. No entanto, é importante destacar que as taxas de internação hospitalar em indivíduos adultos, uma vez que se demonstraram estacionárias, enquanto as demais apresentaram tendências decrescentes.
Os achados reforçam a importância do envelhecimento populacional na carga da demência, mas também indicam que a redução das internações não foi acompanhada por redução equivalente da mortalidade específica. Esse padrão pode refletir mudanças no modelo assistencial, maior manejo extra-hospitalar, reorganização dos serviços durante a pandemia de COVID-19 e possível subestimação das internações relacionadas à demência quando outras comorbidades são registradas como causa principal. Entretanto, o desenho analítico utilizado não permite atribuir causalmente essas mudanças à pandemia, sendo necessários estudos com séries temporais interrompidas ou regressão segmentada para avaliar esse efeito com maior precisão.

Colaboradores
Yano KM, Meira KC, Belinelo RGS, Novais MAP participaram na obtenção, análise e interpretação dos dados e redação do manuscrito. Yano KM, Meira KC, Belinelo RGS, Novais MAP participaram na concepção e desenho da pesquisa e revisão crítica do manuscrito. Zucchi P realizou a revisão crítica do manuscrito. Novais MAP participou na obtenção do financiamento do manuscrito.
Financiamento
Esta pesquisa recebeu apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), sob a concessão 2022/10716-2.
Declaração de Disponibilidade de Dados
Os dados de pesquisa estão disponíveis mediante solicitação ao autor de correspondência.
As fontes dos dados utilizados na pesquisa estão indicadas no corpo do artigo.
Referências
World Health Organization (WHO). Global status report on the public health response to dementia [Internet]. 2021 [cited 2025 mai 15]. Available from: https://www.who.int/publications/i/item/9789240033245 2021
American Psychiatric Association. Manual Diagnostico e estatístico de transtornos mentais: texto revisado- DSM-5-TR. 5 ed. Porto Alegre: Artmed; 2023.
World Health Organization (WHO). World health statistics 2024: Monitoring health for the SDGs, sustainable development goals. [Internet]. 2024 [cited 2025 mai 15]. Available from: https://www.who.int/publications/i/item/9789240094703.
Brasil. Ministério da Saúde. Relatório Nacional sobre a Demência. [Internet]. 2024 [cited 2025 mai 15]. Available from: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/relatorio_nacional_demencia_brasil.pdf
Livingston G, Huntley J, Liu KY, Costafreda SG, Selbæk G, Alladi S, Ames D, Banerjee S, Burns A, Brayne C, Fox NC, Ferri CP, Gitlin LN, Howard R, Kales HC, Kivimäki M, Larson EB, Nakasujja N, Rockwood K, Samus Q, Shirai K, Singh-Manoux A, Schneider LS, Walsh S, Yao Y, Sommerlad A, Mukadam N. Dementia prevention, intervention, and care: 2024 report of the Lancet standing Commission. Lancet. 2024 Aug 10;404(10452):572-628. doi: 10.1016/S0140-6736(24)01296-0. Epub 2024 Jul 31. PMID: 39096926.
Anstey KJ, Ee N, Eramudugolla R, Jagger C, Peters R. A Systematic Review of Meta-Analyses that Evaluate Risk Factors for Dementia to Evaluate the Quantity, Quality, and Global Representativeness of Evidence. J Alzheimers Dis. 2019;70(s1):S165-S186. doi: 10.3233/JAD-190181. PMID: 31306123; PMCID: PMC6700718.
Qu Y, Hu HY, Ou YN, Shen XN, Xu W, Wang ZT, Dong Q, Tan L, Yu JT. Association of body mass index with risk of cognitive impairment and dementia: A systematic review and meta-analysis of prospective studies. Neurosci Biobehav Rev. 2020 Aug;115:189-198. doi: 10.1016/j.neubiorev.2020.05.012. Epub 2020 May 30. PMID: 32479774.
Paradela RS, Calandri I, Castro NP, Garat E, Delgado C, Crivelli L, Yaffe K, Ferri CP, Mukadam N, Livingston G, Suemoto CK. Population attributable fractions for risk factors for dementia in seven Latin American countries: an analysis using cross-sectional survey data. The Lancet Global Health 2024; 12(10), e1600-e1610.
São Paulo. Secretaria de Estado da Administração. Sead informa: demografia. [Internet]. 2025 [cited 2025 mai 15]. Available from: https://informa.seade.gov.br/integra/?analise=mudancas-na-idade-media-da-mulher
Brasil. Ministério da Saúde. Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico (Vigitel):Estimativas sobre frequência e distribuição sociodemográfica de fatores de risco e proteção para doenças crônicas nas capitais dos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal em 2023. [Internet]. 2022 [cited 2025 mai 15]. Available from: Brasília. Brazil. Retrieved from https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/vigitel_brasil_2023.pdf.
Stevens GA, Alkema L, Black RE, Boerma JT, Collins GS, Ezzati M, Grove JY, Hogan DR, Hogan MC, Horton R, Lawn JE, Marusic A, Mathers CD, Murray CJL, Rudan I, Salomon JA, Simpson PJ, Vos T, Welch V. Guidelines for Accurate and Transparent Health Estimates Reporting: the GATHER statement. Lancet 2016; 388: e19-23.
Brasil. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 510, de 07 de abril de 2016. Dispõe sobre as normas aplicáveis a pesquisas em Ciências Humanas e Sociais cujos procedimentos metodológicos envolvam a utilização de dados diretamente obtidos com os participantes ou de informações identificáveis ou que possam acarretar riscos maiores do que os existentes na vida cotidiana, na forma definida nesta Resolução. Diário Oficial da União; 2016.
Morettin PA, Toloi CMC. Análise de séries temporais. 3ª ed. São Paulo: Blücher; 2018.
Antunes JL, Cardoso MRA. Uso da análise de séries temporais em estudos epidemiológicos. Epidemiol Serv Saude. 2015; 24(3):565-576.
Bottino CM, Azevedo D, Tatsch M, Hototian SR, Moscoso MA, Folquitto J, Scalco AZ, Bazzarella MC, Lopes MA, Litvoc J. Estimate of dementia prevalence in a community sample from São Paulo, Brazil. Dementia and geriatric cognitive disorders 2008; 26(4), 291–299.
Feter N, Leite JS, Cardoso RK, Rombaldi AJ. Economic burden of physical inactivity in hospitalizations due to dementia: a Brazilian nationwide study. Cadernos de saúde pública 2021; 37(1): e00046520.
Araújo SRM, Cunha ER, Marques IL, Paixão SA, Dias ADFG, de Sousa PM, Soares NKP, Sousa MO, Lobato RM, Souza MTP. Doença de Alzheimer no Brasil: uma análise epidemiológica entre 2013 e 2022. Research, Society and Development 2023; 12(2), e29412240345.
Dias BM, Badagnan HF, Marchetti SP, Zanetti ACB. Gastos com internações psiquiátricas no estado de São Paulo: estudo ecológico descritivo, 2014 e 2019. Epidemiologia e Serviços de Saúde 2021; 30: e2020907.
Rocha HAD, Reis IA, Santos MADC, Melo APS, Cherchiglia ML. Internações psiquiátricas pelo Sistema Único de Saúde no Brasil ocorridas entre 2000 e 2014. Rev Saúde Pública 2021; 55:14.
World Health Organization (WHO). Mental Health Atlas 2020. [Internet]. 2021 [cited 2025 mai 15]. Available from: https://www.who.int/publications/i/item/9789240036703.
Brasil. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Lei n? 10.216, de 6 de abril de 2001. Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. Diário Oficial da União, 2001. Abr. 9, Seção 1: 2(col.1).
Brasil. Ministério da Saúde. Lei nº 14.878, de 04 de junho de 2024. Institui a Política Nacional de Cuidado Integral às Pessoas com Doença de Alzheimer e Outras Demências; e altera a Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993 (Lei Orgânica da Assistência Social). Diário Oficial da União, 2024.
Fania A, Monaco A, Amoroso N, Bellantuono L, Gatti R C, Firza N, Lacalamita A, Pantaleo E, Tangaro S, Velichevskaya A, Bellotti R. A Dementia mortality rates dataset in Italy (2012-2019). Scientific data 2023; 10(1): 564.
Afrashteh F, Almasi-Dooghaee M, Kamyari N, Rajabi R, Baradaran HR. A Avaliação Cognitiva de Montreal é um teste valioso para a diferenciação da doença de Alzheimer, demência frontotemporal, demência com corpos de Lewy e demência vascular?. Dement Neuropsychol. 2024; 18:e20230124.
Ferrer JME, Boch J, Aerts A, Anne M, Avezum A, Barboza J, Baxter Y, Bortolotto LA, Cobos D, Des Rosiers S,Dib KM, Drager LF, Jones O, Morgan L, Picou K, Rajkumar S, Reiker T, Silveira M, Venkitacham L, Steinmann P. Stroke Outcomes in a Population?Focused Urban Hypertension Program in Brazil and Senegal. Journal of the American Heart Association 2025; 14(9): e038816.
Souza RKMD, Barboza AF, Gasperin G, Garcia HDBP, Barcellos PM, Nisihara R. Prevalência de demência em pacientes atendidos em um hospital privado no sul do Brasil. Einstein 2019; 18:eAO4752.
Cations M. A devastating loss: driving cessation due to young onset dementia. Age and ageing 2023; 52(9): afad174.
Sociedade Brasileira de AVC (SBAVC). Número do AVC. [Internet]. 2025 [cited 2025 mai 15]. Available from: avc.org.br/numeros-do-avc/.
São Paulo. Secretaria da Saúde de São Paulo. Coordenadoria de controle de doenças. Secretaria da Saúde de SP registra aumento de 20% nos casos de AVC. [Internet]. 2023 [cited 2025 mai 15]. Available from: https://saude.sp.gov.br/coordenadoria-de-controle-de doencas/noticias/20082023-secretaria-da-saude-de-sp-registra-aumento-de-20-nos-casos-de avc.
Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME). Global Burden of Disease 2021: Findings from the GBD 2021 Study. [Internet]. 2024 [cited 2025 mai 15]. Available from: www.healthdata.org/sites/default/files/2024-05/GBD_2021_Booklet_FINAL_2024.05.16.pdf
São Paulo. Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Secretaria da Saúde. Decreto n?64.881 de 22 de março de 2020. Decreta quarentena no Estado de São Paulo, no contexto da pandemia do COVID-19 (Novo Coronavírus), e dá providências complementares. [Internet]. 2020 [cited 2025 mai 15]. Available from: https://www.al.sp.gov.br/norma/193361

Carvalho CN, Fortes S, Castro APBD, Cortez-Escalante J, Rocha TAH. A pandemia de covid-19 e a morbidade hospitalar por transtorno mental e comportamental no Brasil: uma análise de série temporal interrompida, janeiro de 2008 a julho de 2021. Epidemiologia e Serviços de Saúde 2023; 32:e2022547.

Robles-García JJ, Martínez-López JÁ. Caring for people with dementia during the COVID-19 pandemic:a systematic review. Dement Neuropsychol. 2024 Oct 25;18:e20230123.
López Bernal J, Cummins S, Gasparrini A. Interrupted time series regression for the evaluation of public health interventions: a tutorial. Int J Epidemiol. 2017;46(1):348–55. Corrigendum 2020.
Wagner AK, Soumerai SB, Zhang F, Ross-Degnan D. Segmented regression analysis of interrupted time series studies in medication use research. J Clin Pharm Ther. 2002;27(4):299–309
Kwon HS, Sung W, Park KU, Kim SH, Koh SH, Lim JS, Choi H. Impact of the COVID-19 pandemic on mortality and loss to follow-up among patients with dementia receiving anti-dementia medications. Scientific reports 2024; 14(1): 7986.
Lopez-Leon S, Wegman-Ostrosky T, Perelman C, Sepulveda R, Rebolledo PA, Cuapio A, Villapol S. More than 50 Long-term effects of COVID-19: a systematic review and meta-analysis. medRxiv 2021; Preprint:1-22.
Han Q, Zheng B, Daines L, Sheikh A. Long-Term Sequelae of COVID-19: A Systematic Review and Meta-Analysis of One-Year Follow-Up Studies on Post-COVID Symptoms. Pathogens 2022; 11(2): 269.
Taquet M, Sillett R, Zhu L, Mendel J, Camplisson I, Dercon Q, Harrison PJ. Neurological and psychiatric risk trajectories after SARS-CoV-2 infection: an analysis of 2-year retrospective cohort studies including 1?284?437 patients. The lancet 2022; 9(10):815–827.

?


Outros idiomas:







Como

Citar

Yano, KM, Meira, KC, Belinelo, RGS, Zucchi, P, Novais, MAP. Análise temporal das taxas de internação hospitalar e mortalidade por demência no estado de São Paulo, 2012–2023. Cien Saude Colet [periódico na internet] (2026/set). [Citado em 12/09/2026]. Está disponível em: http://cienciaesaudecoletiva.com.br/artigos/analise-temporal-das-taxas-de-internacao-hospitalar-e-mortalidade-por-demencia-no-estado-de-sao-paulo-20122023/20126?id=20126

Últimos

Artigos



Realização



Patrocínio