Este trabalho teve como objetivo descrever prevalências dos indicadores da atenção pré-natal preconizados pela Rede Cegonha segundo o grau de risco gestacional e características individuais de gestantes. Estudo transversal a partir de um inquérito com amostra probabilística de gestantes atendidas no Sistema Único de Saúde de Santa Catarina realizado em 2019. Foram calculadas as prevalências e Intervalos de Confiança de 95% dos indicadores e diferenças entre os grupos foram determinadas por meio de teste de Qui-quadrado de Pearson. Foram entrevistadas 3.538 mulheres. A realização de 7 consultas ou mais no pré-natal (78,4 e 85,1%) e o parto vaginal (60,7% e 44,0%) foram diferentes entre as gestações de baixo e alto risco, respectivamente. As gestantes de baixo risco com menor renda e escolaridade tiveram prevalências menores de início precoce do pré-natal e número de consultas. Somente 13,0% das gestantes realizaram todos os exames preconizados pela Rede Cegonha. Foram identificadas diferenças importantes nos indicadores analisados entre as gestações de baixo e alto risco.
Palavras-chave:
Gravidez de Alto Risco; Cuidado Pré-natal; Serviços de Saúde Materno-Infantil; Parto Obstétrico; Estudos Transversais.
Abstract:
This study aimed to describe the prevalence of prenatal care indicators recommended by the "Rede Cegonha" program according to gestational risk level and individual characteristics of pregnant women. A cross-sectional study based on a sample survey of pregnant women attended in the Brazilian Unified Health System (SUS) in Santa Catarina, conducted in 2019. Prevalences and 95% confidence intervals (CI) of the indicators were calculated, and differences between groups were determined using Pearson’s chi-square test. A total of 3,538 women were interviewed. The completion of 7 or more prenatal consultations (78.4% and 85.1%) and vaginal delivery (60.7% and 44.0%) were different between low-risk and high-risk pregnancies, respectively. Low-risk pregnant women with lower income and education had lower prevalences of early initiation of prenatal care and the number of consultations. Only 13% of pregnant women completed all exams recommended by the "Rede Cegonha" program. Significant differences in the indicators analyzed were identified between low-risk and high-risk pregnancies.
A gestação é uma condição fisiológica que na grande maioria das mulheres evolui de forma saudável e natural. No entanto, algumas condições indicam maior risco de desenvolvimento de complicações com potencial de óbito materno-fetal e, nesses casos, a gestação é classificada como de alto risco. Entre as condições que podem predispor aos riscos durante a gestação estão características individuais e sociodemográficas, história reprodutiva anterior, condições clínicas prévias à gestação e intercorrências clínicas e obstétricas na gestação atual1.
A razão de mortalidade materna (RMM) é um importante indicador de saúde pública e reflete o número de mortes relacionadas ao pré-natal, gestação, parto e puerpério a cada 100 mil nascidos vivos. No Brasil, a RMM apresenta valores elevados, tendo aumentado de 59 para 107 mortes maternas entre os anos de 2008 e 2021 em decorrência da pandemia de COVID-19²?³. Uma elevada proporção desses óbitos foi registrada em mulheres acima de 40 anos (48,5%), de cor de pele parda (45,9%), com escolaridade entre 8 e 11 anos de estudo (28,4%)?, que realizaram até seis consultas de pré-natal (50,6%) e tiveram assistência ao parto incorreta ou inconclusiva (50,6%)?. Na região Sul do país, entre os anos de 2008 e 2018, observaram-se maiores valores de RMM entre mulheres com idade entre 40 e 49 anos, cor de pele preta, maior escolaridade, solteiras e com predominância de causas obstétricas diretas?.
O Ministério da Saúde tem adotado estratégias para promover a melhoria no atendimento materno-infantil, incluindo a Rede Cegonha que foi instituída em 2011 com quatro grupos de indicadores que compõem uma matriz de diagnóstico de funcionamento da Rede: indicadores de morbidade e mortalidade; indicadores de atenção; situação da capacidade hospitalar instalada e indicadores de gestão7. Vale destacar que em 2024 a Rede Cegonha foi ampliada pela Rede Alyne, que mantém o compromisso de enfrentamento às desigualdades na saúde, com melhores condições de cuidado para as gestantes, as puérperas e bebês 8.
Revisão sobre a assistência pré-natal em diferentes regiões do Brasil entre os anos de 2005 e 2015 identificou que, apesar da ampliação da cobertura no período, ainda persistem inadequações relacionadas ao conteúdo quantitativo e qualitativo das consultas, além da baixa realização de exames e procedimentos técnicos?.
Estudo realizado em quatro metrópoles brasileiras (São Paulo, Campinas, Fortaleza e Porto Alegre) apontou que a adequação do pré-natal de alto risco, aferida por pelo menos seis consultas realizadas com início no primeiro trimestre, variou entre 55,6 e 77,7% no ano de 201610. Além disso, verificam-se lacunas na assistência pré-natal das gestantes de alto risco, como a não informação sobre doenças gestacionais (77,4%), resultados de exames realizados (69,3%)11 e inacessibilidade às ações de educação em saúde (91,4%)12.
Estudos que compararam indicadores relacionados à assistência pré-natal segundo o risco gestacional apresentam resultados controversos. Estudo realizado em Florianópolis, Santa Catarina, com mulheres atendidas em ambiente hospitalar entre outubro e dezembro de 2020, observou maior percentual de adequação da assistência pré-natal entre gestantes classificadas como de alto risco gestacional (51% versus 31% nas gestações de baixo risco)¹³. Outro estudo de abrangência nacional identificou menor adequação do pré-natal entre gestações sem intercorrências, variando entre 14,5% e 60,1% conforme os indicadores analisados¹4. Por outro lado, estudo realizado em Pelotas, Rio Grande do Sul, em 1993, apontou melhor adequação da assistência entre gestantes de baixo risco (25%) em comparação às de alto risco (10%)¹5. Ressalta-se que as definições de adequação diferiram entre os estudos, dificultando comparações diretas, além de que, no estudo de Pelotas, a Rede Cegonha ainda não havia sido instituída.
Segundo o Ministério da Saúde o objetivo do acompanhamento pré-natal é assegurar o desenvolvimento da gestação, permitindo o parto de um recém-nascido saudável, sem impacto para a saúde materna e é um dos principais indicadores do prognóstico ao nascimento seja o acesso à assistência pré-natal16. A classificação do risco gestacional é utilizada para otimizar os recursos em busca de equidade no cuidado e a atenção básica não deve deixar de assistir à gestante, pois é no território que as relações sociais e demandas ocorrem17.
Desse modo, considerando os poucos estudos até o presente momento que fizeram comparações de indicadores do pré-natal com o risco gestacional, e que apresentaram dados sobre o atendimento no SUS em grupos de gestantes de baixo e alto risco, este estudo objetivou descrever as características maternas e estimar as prevalências de indicadores da Rede Cegonha segundo o risco gestacional em gestantes usuárias do Sistema Único de Saúde em Santa Catarina.
Métodos
Desenho do estudo
Estudo transversal descritivo realizado com amostra probabilística e representativa de puérperas que realizaram pré-natal e parto pelo Sistema Único de Saúde no estado de Santa Catarina em 2019.
Santa Catarina é um dos estados da região Sul do Brasil, com Índice de Desenvolvimento Humano de 0,792, população residente de 7.610.361 pessoas e um total de 295 municípios18.
Participantes
A população do estudo foi composta por puérperas que tiveram acompanhamento de pré-natal e parto realizados em hospitais públicos do estado e com registro de mais de 500 partos financiados pelo SUS no ano de 2016. Ao total foram incluídos 31 hospitais distribuídos em 30 municípios. Esse conjunto de instituições realizou 86,2% de todos os nascimentos no estado financiados pelo SUS em 2016.
A amostra foi estimada em 3.665 puérperas a serem entrevistadas. O cálculo do tamanho amostral considerou intervalo de confiança de 95%, margem de erro de 1,6 ponto percentual, tamanho da população de 50 mil e prevalência esperada do fenômeno de 50%. Foi adicionado 5% ao total da amostra para contemplar perdas e recusas.
Para a seleção da amostra consideraram-se os seguintes critérios de inclusão: puérperas que residiam em Santa Catarina durante toda a gestação; realizaram todas as consultas do pré-natal na rede pública de saúde (seja de risco habitual ou gravidez de alto risco); realizaram o parto em maternidades de Santa Catarina; tiveram filho nascido vivo, natimorto ou morto até 48 horas pós-parto, e que nasceram com mais de 500g e pelo menos 22 semanas de gestação. O número de entrevistas realizadas em cada hospital seguiu a distribuição proporcional de nascimentos observada em 2016, sendo que cada entrevistador cobria os nascimentos do hospital que estava responsável, no intuito de cobrir o universo de mulheres que atendiam aos critérios de inclusão. Para a análise dos exames preconizados nas gestações de alto risco, foram consideradas apenas as gestantes com registro disponível na caderneta(N=302).
Fonte dos dados
A coleta de dados foi realizada durante o ano de 2019 por 35 entrevistadores. Foram utilizados questionários fechados aplicados face-a-face nos hospitais até 48 horas pós-parto por meio de tablets e com registro na plataforma REDCap ou diretamente dos prontuários e caderneta de gestante. A versão final do questionário foi composta de 365 questões, algumas oriundas de instrumentos fechados e validados trazidos de outras pesquisas com objetivos semelhantes e outras desenhadas pelos pesquisadores conforme os objetivos do projeto. Esse instrumento estava dividido em doze blocos, incluindo questões sociodemográficas, comportamentais, satisfação/discriminação no pré-natal e parto e também informações que foram coletadas diretamente da caderneta da gestante.
Medidas adotadas para evitar vieses
Todos os entrevistadores foram treinados e possuíam nível superior completo ou incompleto e experiência de trabalho e/ou pesquisa na área da saúde. Além disso, foi realizado controle de qualidade em amostra aleatória de 10% das entrevistadas por meio de contato telefônico. Para maiores detalhes metodológicos, incluindo a distribuição geográfica dos hospitais que fizeram parte do estudo, o artigo de Boing et al. (2021)19 pode ser consultado.
Detalhamento das variáveis
O risco gestacional foi a variável dependente do estudo, coletado de maneira autorreferida pela puérpera em resposta ao seguinte questionamento: “Durante a gravidez, algum médico ou profissional de saúde disse que você tinha gravidez de alto risco?” com opções de resposta “sim ou não”, e de maneira objetiva, considerando o registro médico obtido da caderneta da gestante20. No presente estudo as gestações de risco habitual estão sendo referidas como “baixo risco”.
As variáveis explanatórias incluíram os seguintes exames realizados durante o pré-natal por pelo menos uma vez durante a gestação, coletados de maneira objetiva conforme o registro na caderneta da gestante, e categorizados em sim (com informação) ou não (sem informação): tipagem sanguínea, glicemia, VDRL, HIV, sorologia para hepatite B, sorologia para toxoplasmose, hematócrito/hemoglobina, urina, Coombs indireto e ultrassonografia obstétrica.
Para as gestantes com gestação de alto risco também foram coletados objetivamente conforme o registro da caderneta da gestante a realização (sim ou não) dos nove exames recomendados pela Rede Cegonha para as gestações nessa classificação: teste de tolerância à glicose, ultrassonografia com doppler, contagem de plaquetas, creatinina, eletrocardiograma, ácido úrico, dosagem de proteinúria, ureia e tococardiografia fetal. Para análise desses exames específicos das gestações de alto risco, foram consideradas apenas as cadernetas com informações disponíveis, totalizando N=302.
As demais variáveis do estudo foram autorreferidas pelas puérperas considerando-se as condições do pré-natal/parto: início do pré-natal (em semanas: até 12; 13 ou mais), número de consultas de pré-natal realizadas (até 6 (inadequado); 7 ou mais (adequado)) e tipo de parto (vaginal; cesáreo). Destaca-se que esses indicadores analisados faziam parte do grupo de indicadores de atenção da Rede Cegonha.
Todas as variáveis explanatórias foram analisadas de acordo com características das mulheres, incluindo a faixa etária (em anos completos: 13-19; 20-35; 36 ou mais); raça/cor da pele (branca; preta; parda); estado civil (casada/união estável; solteira; divorciada/viúva); escolaridade (em anos de estudo: até 9; 10-12; 13 ou mais); renda per capita (dividida em tercis), índice de massa corporal (IMC) pré-gestacional (adequado: 18,5-24,9 kg/m2; inadequado; <18,5 e ?25,0 g/m2) e primiparidade (sim; não).
Análise estatística
Os dados referentes às condições do pré-natal, parto e exames realizados durante o pré-natal foram apresentados com as suas prevalências e respectivos intervalos de confiança de 95% (IC95%), estratificados segundo o risco gestacional e as variáveis maternas. Compararam-se as características das gestações de baixo e alto risco, de acordo com os dados apresentados na Tabela 1. As comparações entre as prevalências foram realizadas por meio de teste de Qui-quadrado de Pearson, sendo considerados com significância estatística quando o valor de p<0,05. Todas as análises foram realizadas no software Stata 15.1.
Aspectos éticos
A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos (CEP) da Universidade Federal de Santa Catarina sob o parecer número 1.599.464 e seguiu integralmente os preceitos éticos preconizados pela Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde.
Resultados
A amostra estimada para o estudo foi de 3.665 puérperas e a taxa de recusa foi de 2,3% (n = 85) da amostra inicialmente planejada, totalizando 3.580 entrevistas realizadas. O presente estudo incluiu 3.538 mulheres que responderam à pergunta referente ao risco gestacional. Desse total, 21,9% (IC95% 20,5;23,2; n=773) das puérperas referiram gestação de alto risco durante o pré-natal.
Observou-se associação estatisticamente significativa entre o risco gestacional e as variáveis faixa etária, estado civil, escolaridade, primiparidade e IMC pré-gestacional. As proporções para gestações de baixo risco foram 9,1% de mulheres com 36 anos ou mais; 65,8% que já tinham filhos; 23,8% com IMC inadequado; 53,9% com 10-12 anos de estudo e 80,9% casadas e/ou em união estável. Gestantes de alto risco apresentaram maior proporção de idade igual ou superior a 36 anos (19,6% vs. 9,1%), multiparidade (78,9% vs. 65,8%) e IMC inadequado (39,7% vs. 23,8%) em comparação às de baixo risco, com 10 a 12 anos de estudo (47,6%) e maior prevalência de casadas e/ou união estável (84,1%) (Tabela 1).
Ao analisar as informações da caderneta de gestante verificou-se que, dentre as mulheres que relataram gestações de alto risco (n=773), apenas 32,3% (IC95% 29,1;35,7) tinham essa informação descrita na caderneta de gestante. Entre as mulheres participantes do estudo, vale ressaltar que 68,8% (IC95% 67,3;70,3) não tinham informação sobre o grau de risco preenchido na caderneta de gestante (dados não apresentados em Tabelas).
Na Tabela 2 são apresentados indicadores de atenção preconizados pela Rede Cegonha de acordo com o risco gestacional. Observou-se maior prevalência de realização de sete ou mais consultas de pré-natal entre gestantes de alto risco em comparação às de baixo risco (85,1% vs. 78,4%; p<0,001). Da mesma forma, a proporção de início precoce do pré-natal foi maior entre gestantes de alto risco (81,0% vs. 77,0%; p=0,018) em relação às de baixo risco.
Em relação ao tipo de parto, verificou-se menor prevalência de parto vaginal entre gestantes de alto risco (44,0%) quando comparadas às de baixo risco (60,7%; p<0,001). Em relação aos exames preconizados durante a gestação pela Rede Cegonha, não foram observadas diferenças significativas, independente do risco gestacional, sendo que 13,0% das gestantes de alto vs. 12,6% de baixo risco (p=0,818) realizaram todos os exames (tipagem sanguínea, hemograma, ultrassom, Coombs, urina, toxoplasmose, hepatite B, glicemia de jejum, HIV e sífilis).
A Tabela 3 apresenta a distribuição de frequência dos indicadores de qualidade da atenção pré-natal preconizada pela Rede Cegonha (primeira consulta até 12 semanas de gestação e realização de pelo menos 7 consultas, todos os exames preconizados realizados, tipo de parto), de acordo com características maternas, entre as gestantes de baixo e de alto risco gestacional.
Entre as gestantes de baixo risco, somente 8,8% daquelas de menor renda e 11,4% daquelas com menor escolaridade realizaram todos os exames preconizados. O início do pré-natal em até 12 semanas e o número adequado de consultas realizadas também tiveram prevalências estatisticamente diferentes em relação às demais variáveis maternas analisadas (com exceção da variável faixa etária que não teve associação com o número de consultas). A prevalência do indicador de número de consultas e início do pré-natal foi menor entre as solteiras (70,9 e 68,5%, respectivamente) e entre as mais jovens (70,0 e 73,9%, respectivamente). A realização de parto vaginal foi menor no grupo de maior faixa etária (50,8%; p-valor < 0,001), raça/cor da pele branca (58,9%; p-valor = 0,028) e entre as divorciadas e viúvas (45,8%; p-valor = 0,011).
Os dados de indicadores de atenção da Rede Cegonha entre as gestantes com alto risco gestacional segundo as características maternas também são apresentados na Tabela 3. Houve diferença significativa no acesso precoce ao pré-natal, com início em até 12 semanas, quanto à renda e aos anos de estudo das mulheres, com prevalências menores naquelas que tinham menor renda (74,5%; p-valor=0,002) e anos de estudo (74,3%; p-valor=0,002). A proporção de gestantes que realizaram sete consultas durante o pré-natal foi significativamente menor entre as que tinham menor renda (80,6%; p-valor=0,007) e até 9 anos de estudo (80,2%; p-valor=0,020). Quanto ao tipo de parto, a menor parte da amostra realizou parto vaginal (44,0%), sendo que a menor prevalência de parto vaginal foi encontrada entre as mulheres de maior idade (36 anos ou mais) (41,6%; p-valor=0,004) e entre aquelas com maior escolaridade (13 anos ou mais de estudo) (36,4%; p-valor=0,045).
A Figura 1 apresenta as prevalências dos exames preconizados pela Rede Cegonha para as gestantes de alto risco. O exame mais frequentemente registrado foi a ultrassonografia com doppler (26,5%), seguido pela contagem de plaquetas (17,1%) e pela dosagem de creatinina (14,7%). Em menores proporções, observaram-se o eletrocardiograma (13,5%), dosagem de proteinúria (12,3%), ureia (11,9%), ácido úrico (11,0%) e tococardiografia fetal (8,2%). A maioria das mulheres com gestação de alto risco (73,5%) não tinha informações sobre a realização dos nove exames preconizados pela Rede Cegonha registrados na caderneta (dado não apresentado na Figura).
Discussão
Os principais resultados observados no presente estudo demonstraram que: i) o número de consultas realizadas no pré-natal e o tipo de parto diferiram conforme o risco gestacional; ii) as gestações de baixo risco apresentaram maiores diferenças nos indicadores relacionados a assistência pré-natal e parto quando associados às características maternas como faixa etária, cor da pele, renda, escolaridade, estado civil e paridade; iii) observou-se baixo percentual de gestantes que realizaram todos os exames preconizados pela Rede Cegonha, independente do risco gestacional; iv) os exames preconizados nas gestações de alto risco tiveram baixo percentual de realização e/ou não foram descritos na caderneta de gestante.
No presente estudo, mais de 20% de gestações no estado de Santa Catarina foram de alto risco, com maiores proporções entre as com idade superior a 36 anos, prévia paridade, mais de 12 anos de escolaridade e IMC inadequado. No Brasil estima-se que 10 a 20% das gestações caracterizadas como alto risco gestacional1, observando-se variações na prevalência de acordo com a região geográfica, fatores socioeconômicos, idade materna e acesso aos cuidados pré-natais21-23.
Estudos brasileiros apontam que fatores como a idade materna avançada, baixa escolaridade, renda insuficiente e pertencimento a grupos étnicos vulneráveis estão associados a uma maior probabilidade de gestações de alto risco21. Resultados semelhantes foram descritos em Canoas, Rio Grande do Sul, entre 2018 e 2019, onde a gravidez de risco foi mais prevalente nas gestantes com baixa escolaridade e que não planejaram a gravidez22. Na região metropolitana de Vitória, Espírito Santo, entre os anos de 2010 e 2013, foi encontrada associação entre o risco gestacional com o local de moradia, baixa escolaridade e o recebimento do benefício social Bolsa Família23. Esses achados convergem com evidências internacionais, que identificaram padrões semelhantes, destacando a influência dos fatores socioeconômicos, clínicos e psicossociais sobre a ocorrência de gestações de alto risco24-26. De fato, a gestação de risco é multifatorial, envolvendo aspectos obstétricos, socioeconômicos, ambientais e psicossociais, e a identificação precoce aliada ao acompanhamento adequado são essenciais para reduzir complicações e melhorar os desfechos maternos e neonatais.
O Ministério da Saúde indica que algumas características individuais sociodemográficas e condições clínicas aumentam o risco de desenvolvimento de patologias com potencial de óbito materno-fetal, mas que elas por si não indicam a classificação da gestação como de alto risco17. Entre essas condições estão a idade elevada e o baixo peso ou obesidade maternas, as quais, neste estudo, tiveram maiores prevalências nas mulheres com gestação de alto risco1.
No presente estudo observou-se que as gestantes de alto risco gestacional tiveram maior prevalência de adequação no número de consultas em comparação àquelas com gestações de baixo risco. Em estudo realizado com gestantes do sul do Brasil, em 2017, observou-se que o acompanhamento pré-natal, entre as gestantes de alto risco usuárias de rede pública, 92,4% realizaram seis ou mais consultas11.
A realização de maior número de consultas também foi observada em gestantes residentes em Porto Alegre que tiveram alguma intercorrência na gestação, entre 2018 e 201927. No presente estudo a adequação do pré-natal foi definida como a realização de pelo menos sete consultas, sendo que esse maior número de consultas entre as mulheres com gestações de alto risco poderia estar relacionado ao fato de que elas requerem cuidados de equipe de saúde especializada e multiprofissional, ampliando, assim, o número de consultas pré-natais realizadas23.
O tipo de parto foi estatisticamente associado ao risco gestacional, observando-se maior prevalência de parto cesáreo (66%) entre as gestantes de alto risco. Vale destacar que o manual técnico de manejo da gestação de alto risco não prevê a indicação de parto cesáreo como medida absoluta17. No entanto, a literatura aponta que entre as gestações de alto risco, 71,7% dos profissionais de saúde indicam e aconselham essa via de parto27. E, em outro estudo, realizado entre 2018 e 2019 no município de São Paulo, verificou-se que embora 43,1% das gestantes de alto risco tenham relatado preferência pelo parto vaginal, 82,5% realizaram parto cesáreo26. Esses dados sugerem que o parto cesáreo esteja sendo a escolha prioritária entre as gestações de alto risco entre os profissionais de saúde, merecendo uma análise das reais indicações dessa via de parto, o que pode contribuir com o estabelecimento de estratégias para a redução das suas taxas.
Ao se analisar as variáveis tipo de parto e idade materna, verificou-se que a prevalência de parto cesáreo foi mais elevada entre as mulheres de idade mais elevada independente do risco gestacional. Estes achados estão de acordo com uma revisão sistemática que incluiu dez estudos de diferentes países e aponta que a chance de parto cesáreo foi quase duas vezes maior no grupo de mulheres com idade entre 35 e 40 anos em comparação às mais jovens30. Essa maior chance de cesárea entre mulheres de maior idade pode ser explicada pela combinação de alterações fisiológicas e preferências médicas e maternas expressas no grupo de maior idade30.
Em relação à adequação do pré-natal, no presente estudo as gestantes com menor renda e menor escolaridade apresentaram menor prevalência de início precoce do pré-natal e número adequado de consultas, independente do risco gestacional, com diferença estatística entre os grupos. No Brasil, outros estudos verificaram piores resultados em relação aos indicadores relacionados à assistência pré-natal em mulheres de menor renda, incluindo menor número de consultas realizadas, realização de todos os exames e atenção pré-natal com qualidade adequada 31-32. Na medida em que menor escolaridade e renda são associados com maior risco de óbito materno e infantil no país, ressalta-se que a iniquidade do pré-natal relacionada a essas variáveis ainda deve ser foco de políticas públicas4.
Também se observou que a raça/cor da pele, estado civil e paridade foram diferentes nas gestações de baixo risco, com menor adequação especialmente em relação ao início do pré-natal e ao número de consultas realizadas, sendo estatisticamente significante.
Esses achados corroboram com outro estudo brasileiro, o qual mostra que mulheres de menor idade, raça/cor da pele preta e nulíparas iniciam o pré-natal mais tarde e realizam menor número de consultas, e esse fato poderia ser explicado pela menor busca dos serviços e maior dificuldade de acesso desses grupos2,33,34. Ao se analisar em conjunto as variáveis cor da pele e paridade, entre as mulheres com menos filhos predominam as que se autodeclaram brancas e em contrapartida, entre as que referem ter parido mais de duas vezes, há predomínio de negras. Além disso, as mulheres de cor de pele preta e parda têm piores indicadores de adequabilidade da assistência e possuem experiências discriminatórias no acesso ao pré-natal, o que fortalece a discussão sobre o processo histórico de desigualdades entre os grupos sociais no Brasil33.
Na amostra estudada verificou-se que os exames preconizados durante o pré-natal não foram realizados em sua totalidade pela maioria das gestantes (87%). Nas gestações de baixo risco, as mulheres nulíparas, com baixa renda, e escolaridade, tiveram percentual ainda menor na realização de todos os exames preconizados. A realização dos exames é um dos indicadores com menor adequação em estudos que avaliaram o pré-natal em diferentes localidades no Brasil entre os anos de 2005 e 20157, sendo que somente um estudo encontrado de abrangência nacional verificou elevada prevalência, com 81,4% de realização de todos os exames no pré-natal, independentemente do risco gestacional35. Vale ressaltar que a não realização de exames preconizados pode ser considerada uma perda de oportunidade de diagnóstico e tratamento de condições/agravos durante a gestação.
Ainda em relação aos exames, observou-se alto percentual de inadequação nas gestações de alto risco, em que a maioria das mulheres não realizou todos os exames preconizados ou não teve essa informação descrita na caderneta de gestante. Estudo realizado com 319 gestantes de alto risco residentes em Londrina, Paraná, também identificou baixa realização dos exames preconizados, com prevalências variando entre 43,8% e 69,9%11.
Outro problema identificado no atendimento pré-natal foi a ausência de registro das informações acerca dos riscos gestacionais na caderneta da gestante, onde somente 32,3% das gestantes analisadas tinham as informações devidamente registradas. A ausência de informações nas cadernetas parece estar relacionada predominantemente à baixa completude dos registros, embora não seja possível descartar completamente a ausência do documento ou a não coleta dessas informações. Outro estudo, realizado em Londrina, Paraná, encontrou melhor preenchimento dessa informação, no qual 71,5% das mulheres tinham o risco gestacional anotado na caderneta de gestante11. Vale destacar que a baixa qualidade no preenchimento de dados pelos profissionais de saúde pode levar a prejuízos na intercomunicação na assistência ao pré-natal, ao parto e ao puerpério, por desconhecimento do real acompanhamento do cuidado prestado36.
Como principal limitação do presente estudo está o possível viés recordatório da amostra em relação às questões sobre o pré-natal, as quais foram realizadas no pós-parto imediato e, sendo assim, alguns questionamentos se referem a acontecimentos com até nove meses anteriores à data da entrevista. Outra limitação refere-se à baixa completude das informações contidas na caderneta da gestante, o que impediu a utilização exclusiva dos registros objetivos para classificação do risco gestacional. Além disso, não foi possível distinguir completamente ausência de registro, indisponibilidade da caderneta ou não realização de alguns exames, aspecto também descrito em estudos nacionais sobre o tema36. Vale destacar que houve treinamento de todos os envolvidos na coleta de dados da pesquisa para que os dados fossem coletados de forma minuciosa e a validade da medida autorreferida37.
Como pontos fortes destacam-se a amostra representativa dos nascimentos realizados no SUS do estado de Santa Catarina, visto que não foram encontrados estudos semelhantes realizados no estado, a análise de informações registradas na caderneta da gestante (classificação de risco, exames das gestações de alto risco), além de ser um estudo descritivo importante, com uma das maiores amostras com esse objetivo no Brasil, visando auxiliar na gestão do pré-natal e avaliação da Rede Cegonha.
Em conclusão, houve diferenças significativas quanto ao número de consultas realizadas no pré-natal e ao tipo de parto de acordo com o risco gestacional das mulheres amostradas. Além disso, destaca-se o baixo percentual de mulheres que realizaram todos os exames preconizados pela Rede Cegonha durante a gestação, assim como a ausência de registros adequados desses exames na caderneta de gestante. Os resultados podem contribuir com uma reflexão sobre os aspectos envolvidos na atenção pré-natal realizada no SUS do estado de Santa Catarina, ao passo que identificam lacunas assistenciais que podem ser aprimoradas com o intuito de ofertar assistência pré-natal de maior qualidade.
Declaração de Disponibilidade de Dados
Os dados de pesquisa estão disponíveis mediante solicitação ao autor de correspondência.
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Assessment of prenatal care indicators in the
Resumo (abstract):
This study aimed to describe the prevalence of prenatal care indicators recommended by the "Rede Cegonha" program according to gestational risk level and individual characteristics of pregnant women. A cross-sectional study based on a sample survey of pregnant women attended in the Brazilian Unified Health System (SUS) in Santa Catarina, conducted in 2019. Prevalences and 95% confidence intervals (CI) of the indicators were calculated, and differences between groups were determined using Pearson’s chi-square test. A total of 3,538 women were interviewed. The completion of 7 or more prenatal consultations (78.4% and 85.1%) and vaginal delivery (60.7% and 44.0%) were different between low-risk and high-risk pregnancies, respectively. Low-risk pregnant women with lower income and education had lower prevalences of early initiation of prenatal care and the number of consultations. Only 13% of pregnant women completed all exams recommended by the "Rede Cegonha" program. Significant differences in the indicators analyzed were identified between low-risk and high-risk pregnancies.
Avaliação dos indicadores de atenção pré-natal da Rede Cegonha conforme o risco gestacional
Assessment of prenatal care indicators recommended by Brazil’s Stork Network program according to gestational risk
Evaluación de los indicadores de atención prenatal en la Red Cegonha según el riesgo gestacional
AUTORES
Eloisa Pavesi1 - Universidade Federal de Santa Catarina, Departamento de Ciências Morfológicas, Florianópolis, SC, Brasil, e.pavesi@ufsc.br, orcid.org/0000-0003-0428-6694
Ana Lucia Danielewicz2 - Universidade Federal de Santa Catarina, Departamento de Ciências da Saúde, Araranguá, SC, Brasil, ana.lucia.d@ufsc.br, orcid.org/0000-0003-1563-0470
Antonio Fernando Boing3 - Universidade Federal de Santa Catarina, Departamento de Saúde Pública, Florianópolis, SC, Brasil, antonio.boing@ufsc.br, orcid.org/0000-0001-9331-1550
Katia Jakovljevic Pudla Wagner4 - Universidade Federal de Santa Catarina, Departamento de Biociências e Saúde Única, Curitibanos, SC, Brasil katia.wagner@ufsc.br, orcid.org/0000-0002-3649-3121
Correspondência
Eloisa Pavesi: e.pavesi@ufsc.br
Resumo
Este trabalho teve como objetivo descrever prevalências dos indicadores da atenção pré-natal preconizados pela Rede Cegonha segundo o grau de risco gestacional e características individuais de gestantes. Estudo transversal a partir de um inquérito com amostra probabilística de gestantes atendidas no Sistema Único de Saúde de Santa Catarina realizado em 2019. Foram calculadas as prevalências e Intervalos de Confiança de 95% dos indicadores e diferenças entre os grupos foram determinadas por meio de teste de Qui-quadrado de Pearson. Foram entrevistadas 3.538 mulheres. A realização de 7 consultas ou mais no pré-natal (78,4 e 85,1%) e o parto vaginal (60,7% e 44,0%) foram diferentes entre as gestações de baixo e alto risco, respectivamente. As gestantes de baixo risco com menor renda e escolaridade tiveram prevalências menores de início precoce do pré-natal e número de consultas. Somente 13,0% das gestantes realizaram todos os exames preconizados pela Rede Cegonha. Foram identificadas diferenças importantes nos indicadores analisados entre as gestações de baixo e alto risco.
Palavras-chaves: Gravidez de Alto Risco; Cuidado Pré-natal; Serviços de Saúde Materno-Infantil; Parto Obstétrico; Estudos Transversais.
Abstract
This study aimed to describe the prevalence of prenatal care indicators recommended by the Stork Network (Rede Cegonha) program according to gestational risk and individual characteristics of pregnant women. A cross-sectional study based on a sample survey of pregnant women attended by the Brazilian public health system in Santa Catarina, conducted in 2019. Prevalences and 95% confidence intervals of the indicators were calculated, and differences between groups were determined using Pearson’s chi-square test. A total of 3,538 women were interviewed. The completion of seven or more prenatal consultations (78.4% and 85.1%) and vaginal delivery (60.7% and 44.0%) were different between low-risk and high-risk pregnancies, respectively. Low-risk pregnant women with lower income and lower education had lower prevalences of early initiation of prenatal care and the number of prenatal consultations. Only 13% of the women had all the exams recommended by the Stork Network. Significant differences in the indicators analyzed were identified between low-risk and high-risk pregnancies.
Keywords: High-Risk Pregnancy; Prenatal Care; Maternal and Infant Health Services; Obstetric Delivery; Cross-Sectional Studies.
Resumen
Este trabajo tuvo como objetivo describir las prevalencias de los indicadores de atención prenatal recomendados por la Red Cegonha según el grado de riesgo gestacional y las características individuales de las gestantes. Estudio transversal basado en una encuesta muestral con gestantes atendidas en el Sistema Único de Salud de Santa Catarina, realizada en 2019. Se calcularon prevalencias e intervalos de confianza del 95% (IC95%) de los indicadores y las diferencias entre los grupos se determinaron mediante la prueba de chi-cuadrado de Pearson. Se entrevistó a 3.538 mujeres. La realización de 7 o más consultas prenatales (78,4% y 85,1%) y el parto vaginal (60,7% y 44,0%) fueron diferentes entre los embarazos de bajo y alto riesgo, respectivamente. Las gestantes de bajo riesgo con menor ingreso y escolaridad presentaron prevalencias más bajas de inicio temprano del prenatal y número de consultas. Solo el 13% de las gestantes realizaron todos los exámenes recomendados por la Red Cegonha. Se identificaron diferencias importantes en los indicadores analizados entre los embarazos de bajo y alto riesgo.
Palabras clave: Embarazo de Alto Riesgo; Atención Prenatal; Servicios de Salud Materno-Infantil; Parto Obstétrico; Estudios Transversales.
Introduction
Pregnancy is a physiological condition that progresses healthily and naturally for the vast majority of women. However, certain conditions indicate a higher risk of gestational complications with the potential to lead to maternal or fetal death, and in such cases the pregnancy is classified as high-risk. These conditions include individual and sociodemographic characteristics, previous reproductive history, medical conditions prior to pregnancy, and clinical and obstetric complications in the current pregnancy1.
The maternal mortality ratio (MMR) is an important public health indicator that reflects the number of deaths related to prenatal care, and during pregnancy, childbirth, and postpartum per 100,000 live births. In Brazil, the MMR is high, having jumped from 59 to 107 maternal deaths between 2008 and 2021 as a result of the Covid-19 pandemic²,³. A high proportion of these deaths occurred among women over 40 years of age (48.5%), who self-reported their skin color as “brown,” or mixed-race (45.9%), with 8 to 11 years in formal education (28.4%)⁴, who had up to six prenatal consultations (50.6%), and who received inadequate care during delivery (50.6%)⁵. In the south of the country, between 2008 and 2018, the MMR was higher among women aged 40 to 49, whose self-reported skin color was black, who had higher levels of education, and were single, with direct obstetric causes prevailing⁶.
The Brazilian Ministry of Health has adopted a range of strategies to improve maternal and infant healthcare. One of these is Stork Network (Rede Cegonha), established in 2011, which uses four groups of indicators to diagnose the performance of the network, covering morbidity and mortality, healthcare, installed capacity in hospitals, and management7. It is worth noting that in 2024, the Stork Network was expanded by the Alyne Network, which reinforces the commitment to tackling health inequalities by providing better maternal and infant care and during and after pregnancy8.
A review of prenatal care in different regions of Brazil between 2005 and 2015 found that although the care coverage grew during this time, there were still shortcomings in the quantity and quality of this care, as well as low rates of testing and technical procedures⁹.
A study conducted in four Brazilian cities (São Paulo, Campinas, Fortaleza, and Porto Alegre) found that the adequacy of prenatal care for high-risk pregnancies—at least six appointments beginning in the first trimester—ranged from 55.6% to 77.7% in 201610. Gaps were also found in the prenatal care for women with high-risk pregnancies, such as a lack of information about pregnancy-related conditions (77.4%), lack of information about test results (69.3%)11, and lack of access to health education programs (91.4%)12.
In studies comparing indicators related to prenatal care according to gestational risk, some contradictory findings have been reported. A study in Florianópolis, southern Brazil, with women receiving care in a hospital setting between October and December 2020 observed a higher percentage of adequate prenatal care among the women with high-risk pregnancies (51%) than for those with low-risk pregnancies (31%)¹³. A nationwide study identified lower rates of adequate prenatal care among uncomplicated pregnancies, ranging from 14.5% to 60.1%, depending on the indicators analyzed¹4. In contrast, a study conducted in Pelotas, southern Brazil, in 1993, found a higher proportion of adequate care for women with low-risk pregnancies than for women with high-risk pregnancies (25% vs. 10%)15. Notably, each study defines adequate care in a different way, making direct comparisons difficult; furthermore, the Pelotas study was conducted before the Stork Network existed.
According to the Brazilian Ministry of Health, the goal of prenatal care is to ensure the healthy progression of pregnancy, enabling the birth of a healthy newborn without adverse impacts on the mother’s health. It also cites prenatal care as one of the main indicators of birth outcomes16. By classifying pregnancies into levels of risk, it aims to optimize resources in pursuit of equity in care. Primary care is envisaged as the cornerstone of care for pregnant women, as it is at the community level that social relationships are forged and needs are identified17.
In view of the limited number of studies that have compared prenatal care indicators with gestational risk and presented data on care provided by the Brazilian public health system, Sistema Único de Saúde (SUS), for women with low- and high-risk pregnancies, this study aimed to describe the maternal characteristics and estimate the prevalence of the Stork Network indicators according to gestational risk among women who used SUS services in the southern state of Santa Catarina.
Methods
Study Design
A descriptive cross-sectional study was conducted using a representative, probabilistic sample of women who received care during pregnancy and delivery from the Unified Health System in the state of Santa Catarina in 2019.
Santa Catarina is one of the states in southern Brazil. Its Human Development Index is 0.792; it has a population of 7,610,361 distributed among 295 municipalities18.
Participants
The study population consisted of women in the immediate postpartum period who had received prenatal care and given birth at public hospitals in the state responsible for more than 500 SUS-funded births in 2016. A total of 31 hospitals situated in 30 municipalities were included. These institutions accounted for 86.2% of all SUS-funded births in the state in 2016.
The sample was estimated at 3,665 women to be interviewed. The sample size was calculated with 95% confidence interval, with a margin of error of 1.6 percentage points, a population size of 50,000, and an expected prevalence of the phenomenon of 50%. An additional 5% was added to the total sample size to account for dropouts and refusals.
The inclusion criteria for selecting the sample were: women in the postpartum period who resided in Santa Catarina throughout their pregnancy; who received all their prenatal care from SUS (whether or not their pregnancy was high-risk); who gave birth in maternity wards in Santa Catarina; and whose child was born alive, stillborn, or died within 48 hours after birth, and was born at a gestational age of at least 22 weeks with a birth weight of more than 500 g. The number of interviews conducted at each hospital followed the proportional distribution of births observed in 2016, with each interviewer covering the births at the hospital to which they were allotted in order to ensure coverage of the entire population of women who met the inclusion criteria. For the analysis of tests recommended for high-risk pregnancies, only the women for whom the relevant medical records were available were considered (n = 302).
Data sources
Data was collected in 2019 by 35 interviewers. Closed-ended questionnaires were administered in person in hospitals within 48 hours after delivery using tablets, with data recorded on the REDCap platform or directly from the medical records or the women’s prenatal booklets—standard-issue booklets for women receiving prenatal care from SUS, containing a range of practical information and fields to be completed by health professionals throughout pregnancy and into the postpartum period. The final version of the questionnaire consisted of 365 questions, some derived from validated closed-ended instruments from other studies with similar objectives, and others designed by the researchers to meet the project’s objectives. The questionnaire was divided into twelve sections covering sociodemographic and behavioral data, satisfaction and discrimination during prenatal care and childbirth, and information collected directly from the prenatal booklets.
Measures taken to avoid bias
All the interviewers either had a degree or were undergraduates, had experience working and/or researching in the field of health, and received training in administering the questionnaire. A random sample of 10% of the interviewees were contacted by telephone after the interviews for quality control purposes. For further methodological details, including the geographic distribution of the hospitals included in the study, see Boing et al. (2021)19.
Details of variables
Pregnancy risk was the dependent variable of the study. This was reported by the women themselves in response to the question, “During your pregnancy, did any doctor or healthcare professional say that you had a high-risk pregnancy?” to which they could reply “yes” or “no.” The same information was also determined by checking the women’s prenatal booklets20. Pregnancies with standard risk were classified as “low risk.”
The explanatory variables included having the following tests at least once during pregnancy, which were ascertained from the prenatal booklets: blood type, blood glucose, VDRL, HIV, hepatitis B serology, toxoplasmosis serology, hematocrit/hemoglobin, urinalysis, indirect Coombs test, and obstetric ultrasound. The tests were classified as “yes” (record available) or “no” (no record available).
For the women with high-risk pregnancies, it was also checked whether the nine tests recommended by the Stork Network for such pregnancies were carried out, according to the women’s prenatal booklets: glucose tolerance, Doppler ultrasound, platelet count, creatinine, electrocardiogram, uric acid, proteinuria, urea, and fetal cardiotogocraphy. For the analysis of these specific tests for high-risk pregnancies, only the prenatal booklets with available information were considered, totaling n = 302.
The other study variables, relating to the women’s prenatal and delivery conditions, were reported by the women themselves: start of prenatal care (≤ 12 weeks vs. ≥ 13 weeks); number of prenatal visits (≤ 6 [inadequate] vs. ≥ 7 [adequate]); and type of delivery (vaginal vs. cesarean). Notably, these indicators also coincide with the Stork Network’s care indicators.
All the explanatory variables were analyzed according to the women’s characteristics, including their age group (in years: 13–19 vs. 20–35 vs. 36 or more); race or skin color (white vs. black vs. brown); partnership status (married or partnered vs. single vs. divorced/widowed); education (years in formal education: up to 9 vs. 10–12 vs. 13 or more); per capita income (divided into tertiles); prepregnancy body mass index (BMI) (adequate [18.5–24.9 kg/m2] vs. inadequate [<18.5 or ≥g/m2]); and primiparity (yes vs. no).
Statistical analysis
The data on prenatal care, delivery, and prenatal tests were reported with their prevalences and respective 95% confidence intervals (95% CI) and stratified according to gestational risk and maternal variables. The characteristics of the women with low- and high-risk pregnancies were compared (see Table 1). The prevalences were compared using Pearson’s chi-square test, with statistical significance set at p < 0.05. The data were analyzed using Stata 15.1.
Ethical considerations
The study was approved by the research ethics committee of the Federal University of Santa Catarina (approval no. 1,599,464) and fully complied with the ethical principles set forth in Resolution 466/12 issued by Conselho Nacional de Saúde (the National Health Council).
Results
The estimated sample size for the study was 3,665 and the refusal rate was 2.3% (n = 85) of the initially planned sample, resulting in a total of 3,580 completed interviews. This study included 3,538 women in the immediate postpartum period who answered the question regarding pregnancy risk. Of this total, 21.9% (95% CI 20.5–23.2, n = 773) of the women reported their pregnancy had been identified as high risk during prenatal care.
A statistically significant association was observed between pregnancy risk and the variables age group, partnership status, education, primiparity, and prepregnancy BMI. High-risk pregnancies were most prevalent amongst the women aged 36 years or more (19.6%), multiparity (78.9%), and an inadequate BMI (39.7%) vis-a-vis the women with low-risk pregnancies, who had 10 to 12 years of schooling (47.6%) and a higher prevalence of being married and/or in a stable relationship (84.1%) (Table 1).
Among the women who reported having high-risk pregnancies (n = 773), only 32.3% (95% CI 29.1–35.7) had this information in their prenatal booklets. Also, 68.8% (95% CI 67.3–70.3) had no information in these records on the degree of risk of their pregnancies (data not shown in tables).
Table 2 presents the results of the care indicators recommended by the Stork Network broken down by gestational risk. The table shows a higher prevalence of seven or more prenatal visits for the women with high-risk pregnancies vis-a-vis the women with low-risk pregnancies (85.1% vs. 78.4%, p < 0.001). Similarly, there was a higher proportion of early initiation of prenatal care for the high-risk (versus the low-risk) pregnancies (81.0% vs. 77.0%, p = 0.018).
Regarding type of delivery, the prevalence of vaginal delivery was lower for the high-risk than the low-risk pregnancies (44.0% vs. 60.7%, p < 0.001). As for the tests recommended during pregnancy by the Stork Network, no significant differences were found, regardless of pregnancy risk: 13.0% of the women with high-risk pregnancies did all the tests (blood typing, complete blood count, ultrasound, Coombs test, urinalysis, toxoplasmosis, hepatitis B, fasting blood glucose, HIV, and syphilis) versus 12.6% of the women with low-risk pregnancies (p = 0.818).
Table 3 shows the frequency distribution of the Stork Network’s prenatal care quality indicators (first visit by 12 weeks of gestation, at least seven visits, all recommended tests done, type of delivery), according to the maternal characteristics, divided into the low- and high-risk pregnancies.
Among the women with low-risk pregnancies, only 8.8% of those from lower-income households and 11.4% of those with the fewest years in education did all the tests. There were also statistically significant differences in the prevalence of initiation of prenatal care by 12 weeks and adequate number of prenatal against all the other maternal variables except for age group, which was not associated with the number of visits. Adequacy of the number of prenatal visits and the start of prenatal care was lower among the unmarried/unpartnered women (70.9% and 68.5%, respectively) and among the younger women (70.0% and 73.9%, respectively). Vaginal delivery was less prevalent in the older age group (50.8%, p < 0.001), among those of who self-identified as having white skin (58.9%, p = 0.028), and among the divorced and widowed women (45.8%, p = 0.011).
Table 3 also shows the data on the Stork Network’s indicators for the women with high-risk pregnancies. There was a significant difference in early initiation of prenatal care (within 12 weeks) according to the women’s household income and years in education, with lower prevalences among those with lower income (74.5%, p = 0.002) and fewer years in formal education (74.3%, p = 0.002). There was also a significantly lower proportion of seven prenatal visits among the women from lower-income households (80.6%, p = 0.007) and up to nine years in education (80.2%, p = 0.020). Regarding the type of delivery, there were fewer vaginal deliveries (44.0%) than cesarean deliveries, with the lowest prevalence of vaginal deliveries found among the older women (≥ 36 years) (41.6%, p = 0.004) and among those with highest levels of education (≥ 13 years) (36.4%, p = 0.045).
Figure 1 shows the prevalence of the tests recommended by the Stork Network for women with high-risk pregnancies. The most frequent test among the sample was Doppler ultrasound (26.5%), followed by platelet count (17.1%) and creatinine (14.7%). Lower percentages were found for electrocardiogram (13.5%), proteinuria (12.3%), urea test (11.9%), uric acid (11.0%), and fetal cardiotogocraphy (8.2%). Most of the women with high-risk pregnancies (73.5%) had no information in their prenatal booklets on the nine tests recommended by the Stork Network (data not shown).
Discussion
The main findings of this study demonstrated that: i) the number of prenatal visits and type of delivery differed according to gestational risk; ii) for low-risk pregnancies, prenatal care and delivery variables were more associated with maternal characteristics such as age group, skin color, income, education, marital/partnership status, and parity; iii) the proportion of women who did all the tests recommended by the Stork Network was low, irrespective of gestational risk; iv) the proportion of women with high-risk pregnancies who did all the tests recommended for this group was low and/or there was no information on them in the prenatal booklets.
Our study found that more than 20% of the pregnancies in the state of Santa Catarina were high-risk, with the percentages being higher among the women aged 36 years or more, with previous pregnancies, with more than 12 years in education, and with an inadequate BMI. In Brazil, 10% to 20% of all pregnancies are estimated to be high-risk1, with the figure varying across geographic regions and according to socioeconomic factors, maternal age, and access to prenatal care21–23.
Other Brazilian studies have found that factors such as advanced maternal age, low education, low income, and belonging to vulnerable ethnic groups are associated with a higher probability of high-risk pregnancy21. Similar results were reported in Canoas, southern Brazil, in 2018 and 2019, where high-risk pregnancies were more prevalent among the women with fewer years in education and who had not planned the pregnancy22. In the metropolitan region of Vitória, southeastern Brazil, a study conducted between 2010 and 2013 found an association between pregnancy risk and place of residence, low education, and receipt of a government benefit for low-income households23. These findings are consistent with international evidence, which underlines the influence of socioeconomic, clinical, and psychosocial factors on the occurrence of high-risk pregnancies24–26. In fact, pregnancy risk is multifactorial, involving obstetric, socioeconomic, environmental, and psychosocial aspects, with early identification combined with appropriate follow-up being essential for reducing complications and improving maternal and neonatal outcomes.
The Brazilian Ministry of Health has noted that certain individual sociodemographic characteristics and clinical conditions increase the risk of developing conditions associated with higher maternal and fetal mortality, but that these factors alone do not warrant classifying a pregnancy as high-risk17. Among these conditions are advanced maternal age and maternal underweight or obesity, both of which were more prevalent among the women with high-risk pregnancies in our study1.
Our study found that the women with high-risk pregnancies had a higher prevalence of adequate prenatal care visits compared to those with low-risk pregnancies. In a study conducted in 2017 in southern Brazil, 92.4% of the women with high-risk pregnancies who used the SUS services had six or more prenatal visits11.
A study in Porto Alegre, southern Brazil, between 2018 and 2019 found a higher number of prenatal visits among women who experienced some complication during pregnancy27. In our study, we defined adequacy of prenatal care as attending at least seven visits; this higher number of visits among women with high-risk pregnancies could be related to the fact that they require care from a specialized, multidisciplinary team, increasing the number of times they receive care during pregnancy23.
In our study there was a statistically significant association between type of delivery and gestational risk, with a higher prevalence of cesarean deliveries (66%) among the women with high-risk pregnancies. It is worth noting that the handbook for the management of high-risk pregnancies does not mandate cesarean delivery in such cases17. However, the literature indicates that 71.7% of healthcare professionals recommend and advise this mode of delivery for high-risk pregnancies27. In a study conducted in São Paulo, southeastern Brazil, between 2018 and 2019, it was found that although 43.1% of women with high-risk pregnancies reported a preference for vaginal delivery, 82.5% underwent cesarean delivery26. This suggests that cesarean delivery is the preferred choice for high-risk pregnancies among healthcare professionals, which would suggest that an analysis is needed of the actual indications for this mode of delivery, which in turn could help develop strategies to reduce cesarean rates.
The analysis of mode of delivery and maternal age found that cesarean delivery was more prevalent among older women, regardless of gestational risk. This is consistent with a systematic review of 10 studies from different countries that indicated the likelihood of cesarean delivery to be nearly twice as high among women aged 35 to 40 years vis-a-vis younger women30. This higher likelihood of cesarean section among older women can be explained by a combination of physiological changes and medical and maternal preferences30.
Irrespective of the adequacy of prenatal care or gestational risk, in our study the women with lower income and lower educational attainment were less likely to initiate prenatal care early or have an adequate number of consultations, with a statistically significant difference between the groups. In Brazil, other studies of indicators related to prenatal care, including number of visits, completion of all necessary tests, and access to prenatal care of adequate quality, have found women from lower-income households to be at a disadvantage vis-a-vis other groups31–32. Since lower educational attainment and income are associated with a higher risk of maternal and infant mortality in the country, inequities in prenatal care related to these variables should remain a public policy priority4.
Similarly, there were statistically significant differences according to skin color, marital/partnership status, and parity among the women with low-risk pregnancies, with lower levels of adequacy of commencement of prenatal care and number of prenatal visits.
These findings are consistent with another Brazilian study, which showed that women who were younger, who identified as being black, and were nulliparous, began prenatal care later and had fewer visits, which could be explained by a lower utilization of and access to services on the part of these groups2,33,34. The joint analysis of skin color and parity showed that more of the women with fewer children self-identified as white, and more of the women who had given birth more than twice self-identified as black. Generally speaking, women with black and brown skin color have worse indicators of adequacy of care and can experience discrimination when accessing prenatal care, which reflects the continued need to address historical inequalities among social groups in Brazil33.
In our sample, most of the women (87%) did not do all of the recommended prenatal tests. This figure was even lower amongst the women with low-risk pregnancies, no previous pregnancies, low income, and low educational attainment. Test completion is one of the least consistently met indicators in studies evaluating prenatal care in different locations across Brazil between 2005 and 20157. Only one nationwide study we encountered found a high prevalence (81.4%) of completion of all recommended prenatal tests, regardless of gestational risk35. It is worth noting that failure to do the recommended tests means potentially missing the diagnosis and treatment of conditions or complications during pregnancy.
Regarding these tests, we also found low rates of completion or a lack of information in the prenatal booklets, even among the women with high-risk pregnancies. A study conducted with 319 women with high-risk pregnancies in the southern city of Londrina also identified low rates of completion of recommended tests, with prevalences ranging from 43.8% to 69.9%11.
Another problem identified in the prenatal care of the women in our study was that their prenatal booklets did not identify whether they were at high risk: only 32.3% of the women had gestational risk adequately recorded. The absence of information in the booklets appears to be primarily related to inadequate record-keeping, although we cannot completely rule out the absence of the booklet itself or the failure to collect this information. Another study conducted in Londrina found better completion of this information, with 71.5% of women having their pregnancy risks noted in their prenatal booklets11. It is worth noting that the poor quality of record keeping by health professionals can cause communication mishaps during prenatal care, delivery, and postpartum care, due to missing information about the actual care provided36.
The main limitation of this study is the potential recall bias among the study participants regarding their prenatal care, as they were interviewed in the immediate postpartum period, so some of the questions referred to events occurring up to nine months previously. Another limitation relates to the information missing from their prenatal booklets, which prevented the exclusive use of objective records for classifying pregnancy risk. Furthermore, we were unable to completely distinguish between the absence of a record, the unavailability of the prenatal booklet, or the failure to undergo certain tests—an issue also described in other studies on the topic in Brazil36. It is worth noting that all the interviewers received training to ensure accurate data collection and the validity of the self-reported measure37.
Key strengths include the representative sample of births occurring within the Brazilian public health system, SUS, in the state of Santa Catarina, given that no similar studies have been conducted in the state, as well as the analysis of information recorded in prenatal booklets (risk classification, tests for high-risk pregnancies), and the fact that this is an important descriptive study, featuring one of the largest samples for this purpose in Brazil, aimed at assisting in the management of prenatal care and the evaluation of the Stork Network program.
In conclusion, there were significant differences in the number of prenatal visits and the type of delivery according to the gestational risk of the women in the sample. Additionally, a low percentage of the women underwent all the tests recommended by the Stork Network during pregnancy, and information on these tests was not recorded adequately in their prenatal booklets. The results may serve as inputs for future discussions surrounding prenatal care provided by SUS in the state of Santa Catarina, as well as helping identify gaps in care that could be addressed to provide higher-quality prenatal care for women in the future.
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Como
Citar
Pavesi, E, Danielewicz, AL, Boing, AF, Wagner, KJP. Avaliação dos indicadores de atenção pré-natal da Rede Cegonha conforme o risco gestacional. Cien Saude Colet [periódico na internet] (2026/jul). [Citado em 14/08/2026].
Está disponível em: http://cienciaesaudecoletiva.com.br/artigos/avaliacao-dos-indicadores-de-atencao-prenatal-da-rede-cegonha-conforme-o-risco-gestacional/20064