EN PT

Artigos

0186/2026 - COVID-19 na população indígena: revisão de escopo
COVID-19 in the indigenous population: scoping review

Autor:

• Priscila Carminati Siqueira - Siqueira, PC - <priscilacarminate@yahoo.com.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-3346-3509

Coautor(es):

• Carolina Maia Martins Sales - Sales, CMM - <carolina.sales@outlook.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-2879-5621

• Jonathan Grassi - Grassi, J - <jonathangrassi17@hotmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5477-5109

• Izabella Dossi Banhos - Banhos, ID - <izabella.banhos@edu.ufes.br>
ORCID: https://orcid.org/0009-0007-7473-3222

• Leticia Baltar Sobreira - Sobreira, LB - <leticiasobreira23@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/ 0000-0002-3206-3554

• Ethel Leonor Noia Maciel - Maciel, ELN - <ethel.maciel@gmail.com>
ORCID: http://orcid.org/0000-0003-4826-3355



Resumo:

Objetivo: mapear as evidências disponíveis acerca da COVID-19 na população indígena. Método: revisão de escopo conforme Scoping reviews e Preferred Reporting Items for Systematic reviews and Meta-Analyses extension for Scoping Reviews (PRISMA-ScR), orientada pelo Joanna Briggs Institute. As fontes de dados foram: MEDLINE/PubMed, Cochrane Library, Embase, Web of Science, SCOPUS, LILACS, ClinicalTrials.gov, WHO ICTRP, além de British Library, Google Scholar e Preprints, sem restrições de data ou idioma. Dois pesquisadores independentes realizaram a seleção, mapeamento e síntese dos dados, com auxílio do EndNote e Rayyan. Resultados: inicialmente foram identificados 2.224 estudos, resultando em uma amostra final de 47. Os países com mais publicações foram EUA, Brasil e México, com concentração em 2021 (42,6%). Observou-se maior número de óbitos entre indígenas do sexo masculino com mais de 60 anos. As comorbidades mais prevalentes foram doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão arterial e obesidade. Taxas de incidência e mortalidade foram maiores entre indígenas comparados a outras raças. Conclusão: a COVID-19 segue sendo uma ameaça à saúde indígena, sendo necessário intensificar a vacinação e adotar outras medidas preventivas para evitar surtos e mitigar os efeitos da doença, dada a maior vulnerabilidade dessa população.

Palavras-chave:

Revisão de Escopo; COVID-19; Indígenas.

Abstract:

Objective: map the available evidence about COVID-19 in the indigenous population. Methods: scoping review according to Scoping reviews and Preferred Reporting Items for Systematic reviews and Meta-Analyses extension for PRISMA-ScR, guided by the Joanna Briggs Institute. Data sources were MEDLINE/PubMed, Cochrane Library, Embase, Web of Science, SCOPUS, LILACS, ClinicalTrials.gov, WHO ICTRP, British Library, Google Scholar and Preprints, without date or language restrictions. Two independent researchers performed data selection, mapping and synthesis, with the help of EndNote and Rayyan. Results: initially, 2,224 studies were identified, resulting in a final sample of 47. The countries with the most publications were the USA, Brazil and Mexico, with a concentration in 2021 (42.6%). A higher number of deaths was observed among indigenous men over 60 years of age. The prevalent comorbidities were cardiovascular diseases, diabetes, hypertension and obesity. Incidence and mortality rates were higher among indigenous people compared to other races. Conclusion: COVID-19 continues to be a threat to indigenous health, and it is necessary to intensify vaccination and adopt other preventive measures to avoid outbreaks and mitigate the effects of the disease, given the greater vulnerability of this population.

Keywords:

Scoping Review; COVID-19; Indigenous Peoples.

Conteúdo:

Introdução
A população indígena no mundo equivale aproximadamente a 476 milhões de pessoas, representando menos de 6% da população mundial, distribuídos em 90 países, compreendendo em torno de 5.000 etnias1-2. Na América Latina concentram-se 58 milhões de indígenas, o que equivale a 10% da população total da região. O México destaca-se com o maior número de indígenas, com cerca de 27 milhões de pessoas3.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) foram notificados mais de 777 milhões de casos confirmados de COVID-19, e mais de 7 milhões de mortes em todo o mundo4. Em 2020, a América do Sul tornou-se o epicentro da pandemia, com cerca de 70 mil indígenas contaminados e, pelo menos, 2 mil mortes atribuídas à COVID-195. No mesmo ano, em julho de 2020, os Estados Unidos registraram 22.539 casos da doença entre indígenas, desde o primeiro caso confirmado nesse grupo populacional6.
A pandemia da COVID-19 representou um grave risco à saúde dos povos indígenas, tanto daqueles que vivem em aldeias isoladas, quanto dos que habitam áreas urbanas6. Os estudos indicam que os índices de incidência e letalidades são mais elevados entre indígenas quando comparados à população não indígenas7-9.
Diversos fatores contribuem para essa vulnerabilidade. Os povos indígenas apresentam dificuldades de acesso a saúde, barreiras linguísticas, baixo nível educacional e econômico. Além disso, estão frequentemente expostos a conflitos armados em determinadas regiões. No Brasil e em outros países da América Latina, esses conflitos são frequentemente relacionados ao garimpo ilegal, à extração predatória de madeira e a expansão do agronegócio em suas terras. Tais fatores contribuem aumentam a exposição a doenças infecciosas, que coexistem com o crescimento de doenças crônicas e casos de desnutrição3,10-12, tornando os indígenas ainda mais suscetíveis à infecção e às formas mais graves da doença6,13-14.
Historicamente, os povos indígenas foram desproporcionalmente impactados por pandemias. A gripe espanhola (1918 e 1919), e a pandemia de H1N1 (2009) foram os responsáveis pela maior mortalidade da população indígena no mundo. O surgimento de um novo patógeno em 2019, o SARS-CoV-2, com alto risco de transmissão, novamente colocou em risco a saúde da população indígena e a sua sobrevivência15-17.
Os aspectos como as práticas culturais, a disposição geográfica, as condições precárias de saneamento e de acesso à água potável, o modo de vida coletivo, as moradias multigeracionais, o compartilhamento de utensílios, favorecem o contágio intradomiciliar e ampliam a propagação de doenças infecciosas na comunidade, tornando-os mais suscetíveis a adoecer e morrer por COVID-193,12,14-15,18.
Apesar da gravidade do cenário, ainda existem lacunas significativas na literatura científica referente a contaminação por SARS-CoV-2 nos povos indígenas e a sua distribuição geográfica. A escassez de dados demográficos e epidemiológicos, associados às questões de vulnerabilidade em que os povos indígenas estão expostos, sejam elas econômicas, sociais, culturais e demográficas, contribui para aumentar a invisibilidade desses povos. Diante desse contexto, o objetivo deste estudo é mapear as evidências disponíveis acerca da COVID-19 na população indígena, contribuindo para a compreensão dos impactos da pandemia e subsidiando ações direcionadas para a proteção e promoção da saúde desses povos.

Metodologia
Desenho do estudo
Revisão de escopo (ScR) elaborado de acordo com a Scoping reviews e Preferred Reporting Items for Systematic reviews and Meta-Analyses extension for Scoping Reviews (PRISMA-ScR)19 de acordo com as orientações e metodologia do Manual para Síntese de Evidências do Joanna Briggs Institute (JBI)19-20.
A Scoping Reviews é utilizada para mapear os principais conceitos de uma determinada área de pesquisa e identificar as possíveis lacunas existentes na literatura referente a temática a ser desenvolvida20-21.
A ScR é constituída por nove etapas que incluem: (1) definir e alinhar o objetivo e a questão de pesquisa; (2) desenvolver e alinhar os critérios de elegibilidade; (3) descrição do método para a busca de informações, agrupamento dos dados, síntese e apresentação das análises; (4) realizar a busca dos dados na literatura; (5) selecionar os estudos; (6) extração dos dados; (7) análise dos dados; (8) relatar os resultados selecionados e (9) concluir a revisão de acordo com o objetivo proposto19-20.
Questão de pesquisa
Utilizou-se o acrônimo PCC (Population, Concept and Context) para formular a questão norteadora da pesquisa e identificar os conceitos-chave19 (Quadro 1).
Desta forma, a questão norteadora da pesquisa elaborada foi: “De que forma a COVID-19 se manifestou na população indígena?”
Quadro 1. Acrônimo para formulação da questão de pesquisa

Quadro 1

Estratégia de busca
Realizou-se a busca em seis bases de dados: Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE) via PubMed, Cochrane Library, base de dados Excerpta Medica (Embase), Web of Science, SCOPUS e, Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da saúde (LILACS), além de sites de registros como ClinicalTrials.gov e a Plataforma Internacional de Registro de Ensaios Clínicos da OMS (WHO ICTRP). Fontes adicionais foram pesquisadas, tais como British Library (Reino Unido), Google Scholar e Preprints for Health Sciences (medRXiv), sem restrições de data ou idioma.
A estratégia de busca foi desenvolvida de forma conjunta por dois pesquisadores, a fim de assegurar consenso na definição dos descritores controlados, palavras-chave e operadores booleanos utilizados. A construção colaborativa da estratégia garantiu consistência e reprodutibilidade, além de ampla cobertura das evidências. Essa abordagem minimizou o risco de inconsistências entre os pesquisadores e otimizou a recuperação dos estudos relevantes para a temática desta revisão. Foi incluída uma combinação de descritores controlados (indexadores nas respectivas bases de dados) sinônimos e palavras-chave livres. Assim, para busca dos artigos na MEDLINE via PubMed, foi utilizado os descritores controlados do Medical Subject Headings (MeSH); os Entree terms para a Embase e os Descritores em Ciências da saúde (DeCS) para LILACS. Os descritores foram combinados utilizando os operadores booleanos “AND” e “OR”26-28.
Realizou-se a leitura da lista de referências dos estudos primários selecionados para detectar estudos adicionais a revisão.
Dois pesquisadores independentes formularam a estratégia de buscas e executaram as etapas de extração dos dados. Seguindo a sigla PCC, uma estratégia de busca preliminar foi desenvolvida para MEDLINE/PubMed (Quadro 2), e ajustado para cada banco de dados do estudo.
Quadro 2 - Estratégia de busca no MEDLINE/PubMed.

Quadro 2

Critério de elegibilidade
Para os critérios de inclusão, considerou-se todos os estudos primários, bem como a literatura cinzenta relacionada às evidências disponíveis acerca da COVID-19 na população indígena. Foram excluídos estudos qualitativos. Nenhuma restrição de idioma e data foram utilizados na estratégia de busca. Optou-se pela exclusão de estudos qualitativos, pois os objetivos da revisão exigem dados quantitativos e estatisticamente analisáveis, como taxas de morbidade e mortalidade, prevalência de sintomas, comorbidades e fatores de risco. Embora relevantes para compreender aspectos socioculturais, os estudos qualitativos não atendem diretamente à proposta da análise, podendo comprometer a uniformidade dos resultados devido à sua natureza metodológica distinta.
Extração dos dados
Na primeira etapa, todos os registros identificados nas seis bases de dados foram importados para o EndNote, onde os artigos duplicados foram inicialmente excluídos. Em seguida, as referências foram exportadas para o aplicativo Rayyan, ferramenta que auxilia na triagem e seleção de estudos e confere maior transparência do método nesta etapa. Posteriormente, dois pesquisadores independentes prosseguiram com a triagem por títulos e resumos, verificando se os estudos atendiam aos critérios de elegibilidade.
Na segunda etapa os mesmo dois pesquisadores independentes, realizaram a leitura completa dos textos selecionados, utilizando os critérios de inclusão/exclusão dos estudos. Um terceiro pesquisador foi o responsável por decidir sobre a inclusão ou exclusão dos estudos nos casos de discrepância entre os dois avaliadores iniciais. Os estudos selecionados para compor a amostra final foram lidos na íntegra e analisados pelos pesquisadores, que realizaram de forma independentemente o mapeamento dos dados de cada estudo incluído.
Considerações éticas
Este protocolo ScR analisa as evidências existentes e, portanto, não envolve pacientes. Não é necessário a aprovação ética para este desenho de estudo.
O protocolo desta revisão de escopo foi registrado no Open Science Framework (OSF) com o número de registo 74p58 (acessível em https://osf.io/74p58/).
Resultados
Através das estratégias de busca identificou-se 2.224 estudos, destes 433 foram excluídos por duplicidade. Ocorreu a leitura dos títulos e resumos de 1792 estudos restantes, 1728 foram excluídos por não atenderem aos critérios de elegibilidade. Realizou-se a leitura na integra de 63 estudos, 17 foram excluídos por não responderem à questão de pesquisa. Após verificação das referências dos estudos selecionados foi acrescentado 01 estudo, totalizando a amostra final com 47 estudos nesta revisão (Figura 1).
Considerando que as buscas nas bases de dados foram realizadas em julho de 2024, a maioria dos estudos foi publicado no ano de 2021 equivalente a 21 publicações (44,6%), 2022 com 11 estudos (23,4%). Os anos de 2020 e 2023 apresentaram 06 publicações cada (12,8%), e no ano de 2024 ocorreram 3 estudos (6,4%) (Quadro 3).
O país que apresentou o maior número de estudos foram os Estados Unidos (36,1%), seguido pelo Brasil (29,8%) e México (12,8%). Somente 13 estudos (27,6%) informaram as etnias das populações indígenas, os estudos mais prevalentes se referem a população indígena de forma generalista, com destaque para os Índios Americanos/ Nativos do Alasca (IA/NA) citados em 9 publicações (19,1%) (Quadro 03). De acordo com a classificação dos níveis de evidências científicas 72,4 % (34) das publicações desta revisão encontram-se no nível 06; 10,6 % (05) no nível 04; 12,8 % (06) no nível 07 e 4,2 % (2) no nível 0529.
A idade média dos indígenas contaminados pelo SARS-CoV-2 variou de 23, 9 a 61,8 anos, com predomínio da idade média na faixa etária que compreende dos 50 a 59 anos (47,6%).
Somente 04 estudos (8,5%) informaram a incidência da COVID-19, que variou de 594 a 18.530,56 casos por 100.000 habitantes, e 06 estudos (12,7%) informaram a prevalência da doença, que ficou entre 0,3 a 81,65% dos casos. Houve predomínio da incidência no sexo feminino, e o maior número de óbitos na população do sexo masculino com idade maior de 60 anos (Quadro 4).
Os indígenas apresentaram diversos sintomas, com destaque para febre, tosse e cefaleia; assim como relataram diversas comorbidades, principalmente diabetes, obesidade, doenças cardiovasculares e hipertensão (Quadro 4).
Entre os resultados encontradas destacam-se que 36,1% (17) dos estudos publicados comparavam a população indígena com outras raças/etnias; 29, 8 % (14) eram referentes aos indígenas hospitalizados; 4,25% (02) o público-alvo eram indígenas urbanos; e 2,1% (1) sobre gestantes indígenas (Quadro 4).

Figura 1. Fluxograma dos estudos incluídos na revisão de escopo de acordo com as diretrizes do PRISMA.

Fig.1

Quadro 3. Características dos estudos incluídos na revisão de escopo relacionados
COVID-19 na população indígena.

Quadro 4. Principais resultados na população indígena encontrados nos estudos selecionados.

Discussão
Os povos indígenas apresentam uma grande heterogeneidade étnica, cultural e linguística, assim como uma ampla distribuição geográfica pelo mundo. Representam cerca de 19% dos extremamente pobres, possuem expectativa de vida 20 anos menor do que outros grupos populacionais2,5.
Apesar da grande diversidade de etnias, cerca de 5 mil distribuídas no mundo, com aproximadamente mais de 4 mil línguas diferentes faladas1,2,5, somente 27,6 % dos estudos analisados relataram as etnias específicas dos povos indígenas incluídos. A maioria das publicações utilizam termos genéricos como indígenas, populações indígenas ou povos indígenas, como se fossem uma população homogênea, descaracterizando as grandes diversidades culturais desses povos.
Os três países com o maior número de publicações referentes a COVID-19 em populações indígenas estão localizados nas Américas: Estados Unidos (América do Norte), Brasil e México (América Latina). De acordo com o censo norte-americano, existem cerca de 3.7 milhões de indígenas nos Estados Unidos, representando cerca de 1,1% da sua população, distribuídos em 574 tribos77. Na América Latina, estima-se que existam 58 milhões de indígenas, sendo o México o país com o maior número de indígenas no seu território, equivalente a 27 milhões de pessoas, configurando 21, 5% da sua população3. No Brasil, em 2022, foram contabilizados 1,69 milhões de indígenas, o que equivale a 0,83% da população brasileira, com a maioria (51,25%) vivendo na Amazônia Legal, região formada pelos estados do Norte, Mato Grosso e parte do Maranhão78-79.
No segundo semestre de 2020, as Américas tornaram-se o epicentro da pandemia, entre julho e dezembro o maior número de casos se concentrava nos Estados Unidos. A partir de março de 2021, o epicentro da pandemia mudou para a América Latina, apresentando cerca de 2,2 mil mortes a cada milhão de habitantes80,81,82. O aumento do número de casos e óbitos por COVID-19 no Brasil em 2021 estão associados ao surgimento da variante GAMA em Manaus, na região Amazônica, que atravessou as fronteiras, contaminando os países vizinhos83. Esse contexto pode explicar o aumento do número de publicações sobre COVID-19 em indígenas no ano de 2021 (44,6%), com o epicentro da doença na américa Latina, principalmente no Brasil, e o fato do surgimento de uma nova variante na região da Amazônia, onde concentra-se a maior parte dos indígenas do país79, pode ter despertado o interesse da comunidade científica para avaliar o impacto da doença nessa população que apresenta grandes vulnerabilidades e modos de vida coletivo que facilitam a disseminação do vírus nas aldeias.
Os estudos incluídos nesta revisão evidenciaram que os indígenas analisados apresentavam diversas comorbidades, principalmente cardiovasculares, diabetes, hipertensão arterial e obesidade30,32, 37-38,40-41, 51-54,73-76, entre outras. A existência dessas doenças crônicas na população aumenta a vulnerabilidade desses povos em desenvolver a forma grave da doença, contribuindo para aumento dos óbitos36-37,51,61,61-63,73,75. Cunha, et al relatou que indígenas com comorbidades cardiovasculares apresentavam chance de quatro vezes maior de óbito por COVID-19 quando comparados aos indígenas sem comorbidades62.
É importante destacar que a incidência da COVID-19, bem como as taxas de letalidade e mortalidade, pode ser subestimada nos estudos, devido a subnotificação dos casos, e a existência de diversas comunidades remotas, que apresentam dificuldade de acesso aos serviços de saúde 3,84.
As maiores taxas de mortalidade foram observadas entre indígenas do sexo masculino, com mais de 60 anos43-44,51,56,61,63,66,73. Esse dado é particularmente preocupante, considerando que, em muitas comunidades, os saberes, e as tradições culturais são transmitidas aos mais jovens pelos mais velhos, principalmente pelos homens, através da oralidade, da observação dos costumes e da convivência85.
Entre os estudos que compararam a população indígena com outros grupos étnicos (32,8%), observou-se que a incidência da COVID-19 foi maior entre os indígenas do que em outras raças30-31,33,56,71. Um estudo americano, de 2020, relatou uma incidência 3,5 vezes maior nos nativos americanos do que em brancos35. Outro estudo indicou que os povos do pacífico apresentaram 3,06 vezes maiores chances de hospitalização do que outras etnias40. Assim como apresentavam as maiores taxas de mortalidade quando comparados com outras raças37,44,53,56,60-61,65,68,76. Mussafen e colaboradores relataram que os índios americanos/nativos do Alasca (IA/NA) apresentaram taxas de mortalidade hospitalar duas a três vezes maiores que todas as outras raças59.
As principais limitações dessa revisão referem-se à subnotificação de casos de COVID-19 nos povos indígenas, a dificuldade de acesso dessa população aos sistemas de saúde e a ausência de um sistema de informação unificado com os dados de saúde/doença dessas comunidades.
Conclusão
As sínteses das evidências apresentadas nesta revisão podem subsidiar o direcionamento de políticas públicas voltadas para a população indígena. A COVID-19 continua sendo uma ameaça a saúde dos povos indígenas, sendo necessário intensificar a vacinação nessa população, e adotar outras medidas de prevenção para evitar futuros surtos e mitigar os efeitos da COVID-19 nas comunidades, uma vez que os indígenas têm maior probabilidade de adoecer e morrer por essa doença. Políticas públicas direcionadas para essa população devem ser intensificadas, principalmente com foco nas subpopulações que apresentam outras comorbidades associadas.

Declaração de Disponibilidade de Dados
As fontes dos dados utilizados na pesquisa estão indicadas no corpo do artigo.
Referências
1. Indigenous peoples: resilience in the face of adversity [editorial]. The Lancet Diabetes & Endocrinology 2020; 8 (9): 731.
2. World Bank Group. Povos indígenas. Whashington: Worldbank; 2025. Available from: https://www.worldbank.org/en/topic/indigenouspeoples
3. Pan American Health Organization (PAHO). The Sociodemographic Situation of Indigenous Peoples in Latin America and the Caribbean. Analysis in the Context of Aging and COVID-19. Whashington: PAHO;2023. Available from: https://www.paho.org/en/documents/sociodemographic-situation-indigenous-peoples-latin-america-and-caribbean-analysis
4. World Health Organization (WHO). COVID-19 Epidemiological Update: Special Edition 174. Genebra: WHO; 2024. Available from: https://www.who.int/publications/m/item/covid-19-epidemiological-update---24-december-2024
5. United Nations. OMS preocupada com aumento de casos de Covid-19 em indígenas nas Américas. Nova York: United Nations, 2020. Available from: https://news.un.org/pt/story/2020/07/1720601
6. Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Alerta Epidemiológico: COVID-19 entre os povos indígenas nas Américas. 15 de julho de 2020, Brasília: OPAS/OMS;2021. Available from: https://iris.paho.org/bitstream/handle/10665.2/53270/EpiUpdate15July2020_por.pdf?sequence=1&isAllowed=y
7. Baqui P, Bica I, Marra V, Ercole A, van der Schaar M. Ethnic and regional variations in hospital mortality from COVID-19 in Brazil: a cross-sectional observational study. Lancet Glob Health 2020; 8(8):e1018-e1026. https://doi.org/10.1016/s2214-109x(20)30285-0
8. Cunha AAD, Corona RA, Castilho-Martins EA. COVID-19 and race/color disparity: a brief analysis of the indigenous population in a state in the Brazilian Amazon. Einstein (Sao Paulo) 2021; 19:eCE6734. https://doi.org/10.31744/einstein_journal/2021CE6734
9. Ibarra-Nava I, Flores-Rodriguez KG, Ruiz-Herrera V, Ochoa-Bayona HC, Salinas-Zertuche A, Padilla-Orozco M, Salazar-Montalvo RG. Ethnic disparities in COVID-19 mortality in Mexico: A cross-sectional study based on national data. PLoS One 2021;16(3):e0239168. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0239168
10. Campos MB de, Borges GM, Queiroz BL, Santos RV. Diferenciais de mortalidade entre indígenas e não indígenas no Brasil com base no Censo Demográfico de 2010. Cadernos de Saúde Pública 2017; 33 (5): e00015017. https://doi.org/10.1590/10.1590/0102-311X00015017
11. Ferreira MEV, Matsuo T, Souza RKTS. Aspectos demográficos e mortalidade de populações indígenas do Estado do Mato Grosso do Sul, Brasil. Cadernos de Saúde Pública 2011; 27(12):2327-2339. https://doi.org/10.1590/S0102-311X2011001200005
12. Francisco PMSB, Assumpção D de, Bacurau AG de M, Leitão VBG, Malta DC. Doenças crônicas na população indígena não aldeada: dados da Pesquisa Nacional de Saúde, 2019. Saúde debate 2024; 48(1420):e8889. https://doi.org/10.1590/2358-289820241428889P
13. Santos RV, Pontes AL, Coimbra Júnior CEA. Um “fato social total”: COVID-19 e povos indígenas no Brasil. Cad. Saúde Pública 2020; 36(10):e00268220. https://doi.org/10.1590/0102-311X00268220
14. Sardinha DM, Lima KVB, Ferreira AL, Garcez JC, Ueno TM, Rodrigues YC, Dos Santos ALS, De Loiola RDSP, Guimarães RJDP, Lima LNGCL. Clinical and Spatial Characteristics of Severe Acute Respiratory Syndrome by COVID-19 in Indigenous of Brazil. Advances in Infectious Diseases 2021;11(4):441-454. https://doi.org/10.4236/aid.2021.114039
15. Cupertino GA, Cupertino MDC, Gomes AP, Braga LM, Siqueira-Batista R. COVID-19 and Brazilian Indigenous Populations. Am J Trop Med Hyg 2020;103(2):609-612. https://doi.org/10.4269/ajtmh.20-0563
16. Cardoso AM, Resende PC, Paixao ES, Tavares FG, Farias YN, Barreto CTG, Pantoja LN, Ferreira FL, Martins AL, Lima AB, Fernandes DA, Sanches PM, Almeida WAF, Rodrigues LC, Siqueira MM. Investigation of an outbreak of acute respiratory disease in an indigenous village in Brazil: Contribution of Influenza A(H1N1) pdm09 and human respiratory syncytial viruses. PLoS One 2019;14(7):e0218925. https://doi.org/10.1371%2Fjournal.pone.0218925
17. Silva LMVG, Lima BCS, Junqueira TLS. População indígena em tempos de pandemia: reflexões sobre saúde a partir da perspectiva decolonial. Saúde e Sociedade 2023; 32(2):e220092pt. https://doi.org/10.1590/S0104-12902023220092pt
18. Cohen JH, Mata-Sánchez ND. Challenges, inequalities and COVID-19: Examples from indigenous Oaxaca, Mexico. Glob Public Health 2021;16(4):639-649. https://doi.org/10.1080/17441692.2020.1868548
19. Peters MDJ, Marnie C, Tricco AC, Pollock D, Munn Z, Alexander L, Mclnerney P, Godfrey CM, Khalil H. Updated methodological guidance for the conduct of scoping reviews. JBI Evid Synth 2020;18(10):2119–26. http://doi.org/10.11124/JBIES-20-00167
20. Peters MDJ, Godfrey C, McInerney P, Munn Z, Tricco AC, Khalil H. Chapter 11: Scoping Reviews (2020 version). In: Aromataris E, Munn Z, editors. JBI Manual for Evidence Synthesis [serial on the Internet]. 2020 [cited 2024 maio 10]. Adelaide: JBI; 2020. Available from: https://jbi-global-wiki.refined.site/space/MANUAL
21. Bradbury-Jones C, Aveyard H, Heber OR, Isham L, Taylor J, O’Malley L. Scoping reviews: the PAGER framework for improving the quality of reporting. Int J Soc Res Methodol 2022;25(4):457-470. https://doi.org/10.1080/13645579.2021.1899596
22. United Nations. World Population Ageing, 2020. New York: United Nations; 2020. Available from: https://www.un.org/development/desa/pd/sites/www.un.org.development.desa.pd/files/undesa_pd-2020_world_population_ageing_highlights.pdf
23. World Health Organization (WHO). Coronavirus [serial on the Internet]. Geneva: WHO; 2024 [cited 2024 mar 03]. Available from: https://www.who.int/es/health-topics/coronavirus/coronavirus#tab=tab_1
24. Nações Unidas. Declaração das nações Unidas sobre os direitos dos povos indígenas. Rio de Janeiro: Nações Unidas; 2023.
25. Brasil. Senado Federal. Manual de comunicação da Secom [Internet]. Brasília: Senado Federal. 2024 [acessado 2024 fev 05]. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/manualdecomunicacao
26. Nunes KZ, Grassi J, Lopes AB, Rezende LDA, Cavalcanti JA, Gomes KN, Da Silva JAD, Lopes-Júnior LC. Indicadores Clínicos de Risco Cardiovascular em Pacientes Adultos Submetidos à Quimioterapia: Um Protocolo para Revisão de Escopo. Farmacoepidemiologia 2023; 2:35–41. https://doi.org/10.3390/pharma2010004
27, Lopes-Júnior LC, Siqueira PC, Maciel ELN. School reopening and risks accelerating the COVID-19 pandemic: A systematic review and meta-analysis protocol. PLoS ONE 2021;16(11):e0260189. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0260189
28. Lopes-Júnior LC, Bomfim E, Silveira DSCD, Pessanha RM, Schuab SIPC, Lima RAG. Effectiveness of masstesting for control of COVID-19: a systematic review protocol. BMJ Open 2020;10(8):e040413. https://doi.org/10.1136/bmjopen-2020-040413
29. Galvão CM. Níveis de evidência. Acta paul enferm [Internet]. 2006 Apr [acessado 2025 fev 05] ;19(2):5. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0103-21002006000200001
30. Bratsch NA, Campbell N, McAuley J,Close RM. Characteristics and Epidemiology of a Native American Community with a High Prevalence of COVID-19. Open Forum Infectious Diseases 2020; 7 (Supl.1): S287. https://doi.org/10.1093/ofid/ofaa439.631
31. Hatcher SM, Agnew-Brune C, Anderson M, Zambrano LD, Rose CE, Jim MA, Baugher A, Liu GS, Patel SV, Evans ME, Pindyck T, Dubray CL, Rainey JJ, Chen J, Sadowski C, Winglee K, Penman-Aguilar A, Dixit A, Claw E, Parshall C, Provost E, Ayala A, Gonzalez G, Ritchey J, Davis J, Warren-Mears V, Joshi S, Weiser T, Echo-Hawk A, Dominguez A, Poel A, Duke C, Ransby I, Apostolou A, McCollum J. COVID-19 Among American Indian and Alaska Native Persons — 23 States, January 31–July 3, 2020. MMWR Morb Mortal Wkly Rep 2020; 69:1166–1169. http://dx.doi.org/10.15585/mmwr.mm6934e1
32. Nham A, Close RM. Clinical Characteristics of Hospitalized COVID-19 American Indian Patients in Rural Arizona. Open Forum Infectious Diseases 2020; 7 (Supl. 1):S253–S254. https://doi.org/10.1093/ofid/ofaa439.563
33. Rodriguez-Lonebear D, Barceló NE, Akee R, Carroll SR. American Indian Reservations and COVID-19: Correlates of Early Infection Rates in the Pandemic. Journal of Public Health Management and Practice 2020; 26(4): 371-377.
34. Shekhar R, Sheikh AB, Suriya SS, Zafar A. Neurological Complications Among Native Americans with COVID-19: Our Experience at a Tertiary Care Academic Hospital in the U.S.Journal of Stroke & Cerebrovascular Diseases 2020; 29 (12): 1050260.
35. Arrazola J, Masiello MM, Joshi S, Dominguez AE, Poel A, Wilkie CM, Bressler JM, McLaughlin J, Kraszewski J, Komatsu KK, Pompa XP, Jespersen M, Richardson G, Lehnertz N, LeMaster P, Rust B, Metobo AK, Doman B, Casey D, Kumar J, Rowell AL, Miller TK, Mannell M Naqvi O, Wendelboe AM, Leman R, Clayton JL, Barbeau B, Rice SK, Warren-Mears V, Echo-Hawk A, Apostolou A, Landen M. COVID-19 Mortality Among American Indian and Alaska Native Persons — 14 States, January–June 2020. MMWR Morb Mortal Wkly Rep 2020;69:1853–1856. http://dx.doi.org/10.15585/mmwr.mm6949a3
36. Jones TS, Stone M, Nham A, Bratsch NA, Thompson TN, Jentoft C, Close RM, Characteristics and Outcomes of COVID-19 in Hospitalized Native American Patients: A Single-Site Retrospective Analysis. Open Forum Infectious Diseases 2021; 8(Supl.1):S348. https://doi.org/10.1093/ofid/ofab466.693

37. Musshafen LA, Summers RL, Lirette ST, et al. COVID-19 Inpatient Mortality Disparities Among American Indian Adults in Mississippi’s Safety Net Hospital. J. Racial and Ethnic Health Disparities 2022; 9:2139–2145. https://doi.org/10.1007/s40615-021-01152-y

38. Quiner T, Smiley SG, Magill-Collins M, Yoder K, Wu J, Garchar E, Blackstone J, Burkhardt G. Native American gravidas are more likely to develop severe COVID-19 illness than non-Native American women. American Journal of Obstetrics & Gynecology 2021; 224(2): S422-S423.

39. Smith CR, Enns C, Cutfeet D, Alfred S, James N, Lindbeck J, Russell S. COVID-19 in a remote First Nations community in British Columbia, Canada: an outbreak report. CMAJ Open. 2021; 9(4):E1073-E1079. https://doi.org/10.9778/cmajo.20210054
40. Steyn N, Binny RN, Hannah K, Hendy SC, James A, Lustig A, Ridings K, Plank MJ, Sporle A. M?ori and Pacific people in New Zealand have a higher risk of hospitalisation for COVID-19. N Z Med J. 2021; 134(1538):28-43.
41. Totomoch-Serra A, Domínguez-Cruz MG, Manterola C, Lourdes Muñoz M de L. Variants in AGTR2 gene in Maya people with COVID-19 [letter]. Gene 2021;795: 145794.
https://doi.org/10.1016/j.gene.2021.145794
42. Aboriginal and Torres Strait Islander Advisory Group on COVID-19; COVID-19 National Incident Room Surveillance Team. Indigenous and Remote COVID-19 Policy and Implementation Branch. Aboriginal and Torres Strait Islander COVID-19 Epidemiology Report 1: 28 February 2021. Commun Dis Intell 2021; 45: 1-17. https://doi.org/10.33321/cdi.2021.45.27
43. Alves JD, Abade AS, Peres WP, Borges JE, Santos SM, Scholze AR. Impacto da COVID-19 na população indígena do Brasil: um estudo geoepidemiológico. Epidemiologia e Infecção 2021;149:e185. https://doi.org/10.33321/cdi.2021.45.27
44. Argoty-Pantoja AD, Robles-Rivera K, Rivera-Paredez B, Salmerón J. COVID-19 fatality in Mexico's indigenous populations. Public Health 2021; 193:69-75. https://doi.org/10.1016/j.puhe.2021.01.023.
45. da Silva HP, Abreu IN, Lima CNC, et al. Migration in times of pandemic: SARS-CoV-2 infection among the Warao indigenous refugees in Belém, Pará, Amazonia, Brazil. BMC Public Health 2021; 21:1659. https://doi.org/10.1186/s12889-021-11696-7
46. Foo PK, Perez B, Gupta N, et al. High Rates of COVID-19 Infection Among Indigenous Maya at a US Safety-Net Health System in California. Public Health Reports® 2021;136(3):295-300. 10.1177/0033354921990370
47. Lima CNC, Abreu IN, Rodrigues EPS, et al. Anti-SARS-CoV-2 antibodies among indigenous populations of the Brazilian Amazon: a cross-sectional study. BMJ Open 2022;12:e054271. https://doi.org/10.1136/bmjopen-2021-054271
48. Medel-Ramírez C, Medel-López H, Mérida JL. (SARS-CoV-2) COVID 19: Genomic surveillance and evaluation of the impact on the population speaker of indigenous language in Mexico. medRxiv preprint 2021. https://doi.org/10.1101/2021.12.09.21267022
49. Pontes GS, de Melo Silva J, Pinheiro-Silva R, et al. Increased vulnerability to SARS-CoV-2 infection among indigenous people living in the urban area of Manaus. Sci Rep 2021; 11:17534. https://doi.org/10.1038/s41598-021-96843-1
50. Rodrigues EPS, Abreu IN, Lima CNC, et al. High prevalence of anti-SARS-CoV-2 IgG antibody in the Xikrin of Bacajá (Kayapó) indigenous population in the brazilian Amazon. Int J Equity Health 2021; 20(50). https://doi.org/10.1186/s12939-021-01392-8
51. Sardinha DM, Lima KVB, Ferreira ALS, Garcez JCD, Ueno TMRL, Rodrigues YC, dos Santos ALS, de Loiola RSP, Souza e Guimarães RJP, Lima LNGC. Clinical and spatial characteristics of Severe Acute Respiratory Syndrome by COVID-19 in Indigenous of Brazil. medRxiv preprint 2020. https://doi.org/10.1101/2020.10.24.20218701
52. Serrano-Coll H, Miller H, Rodríguez-Van Der Hamen C, Gastelbondo B, Novoa W, Oviedo M, Rivero R, Garay E, Mattar S. High Prevalence of SARS-CoV-2 in an Indigenous Community of the Colombian Amazon Region. Trop. Med. Infect. Dis. 2021; 6(4):191. https://doi.org/10.3390/tropicalmed6040191
53. Serván-Mori E, Seiglie JA, Gómez-Dantés O, et al. Hospitalisation and mortality from COVID-19 in Mexican indigenous people: a cross-sectional observational study. J Epidemiol Community Health 2022;76:16-23.
54. Stone MJ, Close RM, Jentoft CK, Pocock K, Lee-Gatewood G, Grow BI, Parker KH, Twarkins A, Nashio JT, McAuley JB. High-Risk Outreach for COVID-19 Mortality Reduction in an Indigenous Community. Am J Public Health 2021; 111(11):1939-1941. https://doi.org/10.2105/ajph.2021.306472
55. Hernández-Vásquez A, Chavez-Ecos F, Barrenechea-Pulache A, Comandé D , Bendezu-Quispe G. Seroprevalence and lethality by SARS-CoV-2 in indigenous populations of Latin America and the Caribbean: a systematic review. PeerJ 2021; 9:e12552. https://doi.org/10.7717/peerj.12552
56. Williamson LL, Harwell TS, Koch TM, Anderson SL, Scott MK, Murphy JS, Holzman GS, Tesfai HF. COVID-19 Incidence and Mortality Among American Indian/Alaska Native and White Persons — Montana, March 13–November 30, 2020. MMWR Morb Mortal Wkly Rep 2021;70:510–513. http://dx.doi.org/10.15585/mmwr.mm7014a2.
57. Hicks JT, Burnett E, Matanock A, Khalil G, English K, Doman B, Murphy T. Hospitalizations for COVID-19 Among American Indian and Alaska Native Adults (??18 Years Old) — New Mexico, March–September 2020. J. Racial and Ethnic Health Disparities 2023; 10:56–63. https://doi.org/10.1007/s40615-021-01196-0
58. Mahapatra A, Palo S, Bhattacharya D, Kanungo S, Kshatri JS, Mishra BK, Mansingh A, Parai D, Pattnaik M, Choudhary HR, Dash GC, Mohanta AR, Bishoyee A, Mohanty P, Mandal N, Dayal R, Mitra A, Pati S. Trend in seroprevalence of SARS-CoV-2 (IgG antibody) among tribal-dominated population: Findings from Jharkhand, India. Indian Journal of Medical Research 2022; 156(2):228-239.
59. Musshafen LA, El-Sadek L, Lirette ST, Summers RL, Compretta C, Dobbs TE. In-Hospital Mortality Disparities Among American Indian and Alaska Native, Black, and White Patients With COVID-19. JAMA Netw Open. 2022;5(3):e224822. http://dx.doi.org/10.1001/jamanetworkopen.2022.4822
60. Perkins DJ, Yingling AV, Cheng Q, Castillo A, Martinez J,Bradfute SB, Leng S, Edwards J, Guo Y, Mertz G, Harkins M, Unruh M, Worsham A, Lambert CG, Teixeira JP, Seidenberg P, Langsjoen P, SchneiderK, Hurwitz I. Elevated SARS-CoV-2 in peripheral blood and increased COVID-19 severity in American Indians/Alaska Natives. Experimental Biology and Medicine 2022; 247:1253–1263.
61. Croda MG, Barbosa MS, Marchioro SB, Nascimento DDG , Melo ECP , Cruz OG, Torres AJL, de Oliveira LA, Ganem F, Simionatto S. The first year of the COVID-19 pandemic in an indigenous population in Brazil: an epidemiological study. Rev Inst Med Trop São Paulo 2022;64:e69. https://doi.org/10.1590/S1678-9946202264069
62. Cunha AA da, Nazima MTST, Castilho-Martins EA. Covid-19 entre indígenas na Amazônia brasileira: fatores associados ao óbito. Saude soc [periódico na Internet]. 2022 [acessado 2024 jul 12];31(2):e210368pt. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0104-12902022210368pt
63. Ferreira ALS, Sardinha DM, El-Husny CO, de Sá CAF, Conceição EC, Lima KVB. Epidemiological Analysis of Hospitalized Cases of COVID-19 in Indigenous People in an Amazonian Region: Cross-Sectional Study with Data from the Surveillance of Acute and Severe Respiratory Syndromes in Brazil. Int.J.Curr.Microbiol.App.Sci. 2022;11(2): 397-408. https://doi.org/10.20546/ijcmas.2022.1102.045
64. da Silva MG, Pereira PMB, Portela WF, Daros GC, Barbosa CRA , Vanassi BM , Parma GOC, de Bitencourt RM, Iser BPM. Epidemiology of COVID-19 Among Indigenous Populations in Brazil. J. Racial and Ethnic Health Disparities 2022; 9:960–966. https://doi.org/10.1007/s40615-021-01035-2
65. Dahal S, Mamelund SE, Luo R, Sattenspiel L, Self-Brown S, Chowell G. Investigating COVID-19 transmission and mortality differences between indigenous and non-indigenous populations in Mexico. International Journal of Infectious Diseases 2022;122:910-920.
66. Sansone NMS, Boschiero MN, Ortega MM, Ribeiro IA, Peixoto AO, Mendes RT, Marson FAL. Severe Acute Respiratory Syndrome by SARS-CoV-2 Infection or Other Etiologic Agents Among Brazilian Indigenous Population: An Observational Study from the First Year of Coronavirus Disease (COVID)-19 Pandemic. Lancet Reg Health Am. 2022; 8:100177. https://doi.org/10.1016/j.lana.2021.100177
67. Williams N, Alberton A, Gorey K. Morbid and Mortal Inequities among Indigenous People in Canada and the United States during the COVID-19 Pandemic: Critical Review of Relative Risks and Protections. Journal of IndigenousSocial Development 2022; 11:3-32.
68. Bime C, Wang Y, Carr G, Swearingen D, Kou S, Thompson P, Kusupati V, Parthasarathy S. Disparities in outcomes of COVID-19 hospitalizations in native American individuals. Front. Public Health 2023; 11:1-14. https://doi.org/10.3389/fpubh.2023.1220582
69. de Oliveira LA, dos Santos Barbosa M, Leite Torres AJ, Croda MG, Oliveira da Silva B, dos Santos PCP, Rossoni R, Machado LOCL, Croda J, Gonçalves CCM, Marques MF, Ferreira TS, Sardi SI, Campos GS, de Almeida GB, Gomes MMA, Marchioro SB, Simionatto S. Seroprevalence Of SARS-COV-2 infection in asymptomatic indigenous from the largest Brazilian periurban area. PLOS ONE 2023;18(12): e0295211. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0295211
70. Zhang W, Clemens EB, Kedzierski L, Chua BY, Mayo M, Lonzi C, Hinchcliff A, Rigas V, Middleton BF, Binks P, Rowntree LC, Allen LF, Tan H, Petersen J, Chaurasia P, Krammer F, Wheatley AK, Kent SJ, Rossjohn J, Miller A, Lynar S, Nelson J, Nguyen TH, Davies J, Kedzierska K. Broad spectrum SARS-CoV-2-specific immunity in hospitalized First Nations peoples recovering from COVID-19. Immunology & Cell Biology 2023; 101: 964–974. https://doi.org/10.1111/imcb.12691
71. Bezerra CC, Toledo NN, Brucki SMD, Souza-Talarico JN. COVID-19 and Cognitive and Mental Health During Post-Infection Phase: A Study Among Middle-Aged and Older Indigenous Adults From Brazilian Amazons. The Journals of Gerontology: Series B 2023; 79(3):1-10. https://doi.org/10.1093/geronb/gbad197
72. Morales-Jadán D, Vallejo-Janeta AP, Bastidas V, Paredes-Espinosa MB, Freire-Paspuel B, Rivera-Olivero I, Ortiz-Prado E, Henriquez-Trujillo AR, Lozada T, The UDLA COVID-19 Team, Garcia-Bereguiain MA. High SARS-CoV-2 infection rates and viral loads in community-dwelling individuals from rural indigenous and mestizo communities from the Andes during the first wave of the COVID-19 pandemic in Ecuador. Front Med (Lausanne) 2023;10:1001679. https://doi.org/10.3389/fmed.2023.1001679
73. Muñoz-del-Carpio-Toia A, Bartolo-Marchena M, Benites-Zapata VA, Percy Herrera-Añazco P. Mortality from COVID-19 in Amazonian and Andean original indigenous populations of Peru. Travel Medicine and Infectious Disease 2023; 56: 102658. https://doi.org/10.1016/j.tmaid.2023.102658.
74. Close RM, Lutz CS, Jones TS, Stone M, Bratsch N, Thompson T, Jentoft C, McAuley JB. Characteristics and outcomes of a hospitalized cohort with reduced mortality from COVID-19, White Mountain apache tribal lands, April 1 – July 31, 2020. BMC Public Health 2024; 24(648):1-12. https://doi.org/10.1186/s12889-024-18098-5
75. Novaes TER, Lara DM, da Silva SG. Severe Acute Respiratory Syndrome (SARS) in the Context of the COVID-19 Pandemic Among Indigenous Peoples of Brazil: Epidemiology and Risk Factors Associated with Death. J. Racial and Ethnic Health Disparities 2024; 11:1908–1917. https://doi.org/10.1007/s40615-023-01660-z
76. Amaro JAR, Izazaga MA, Suárez EC, Quintero MRC, Pérez TC, Solano JAL, Soto NG, Villasana AC. Comparación entre la morbilidad y la mortalidad por COVID-19, asociada a factores de riesgo metabólicos en población no indígena e indígena de México. Revista de la Sociedad Latinoamericana de Nutrición 2024; 73(4):276-286. https://doi.org/10.37527/2023.73.4.003
77. United States Census Bureau. Detailed Dat for hundreds of American Indian and Alaska Native Tribes [Internet]. 2023 [cited 2025 mar 5]. Available from: https://www.census.gov/library/stories/2023/10/2020-census-dhc-a-aian-population.html
78. Ministério dos Povos Indígenas. Fundação Naciomal dos Povos Indígenas (FUNAI). Quem São [Internet]. Brasília: FUNAI; 2023 [acessado 2025 jan 10]. Disponível em: https://www.gov.br/funai/pt-br/atuacao/povos-indigenas/quem-sao
79. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Censo Demográfico 2022: indígenas: primeiros resultados do universo. Rio de Janeiro: IBGE; 2023.
80. World Health Organization (WHO). Americas are the new coronavirus 'epicenter' – WHO [Internet].2020 [cited 2025 fev 3]. Genebra: WHO. Available from: https://www.dw.com/en/americas-are-the-new-coronavirus-epicenter-who/a-53577867
81. Dos Santos IDM, Machado CV, Pereira AMM, de Andrade CLT. COVID-19 in Latin America: inequalities and response capacity of health systems to health emergencies. Rev Panam Salud Publica 2023; 12;47:e88. https://doi.org/10.26633/rpsp.2023.88
82. Taylor L. Covid-19: Brazil breaks record daily death toll as crisis spreads through South America. BMJ. 2021;373:n930. https://doi.org/10.1136/bmj.n930.
83.Faria, NR et al. Genômica e epidemiologia da linhagem P.1 SARS-CoV-2 em Manaus, Brasil. Science 2021; 372: 815–821. https://doi.org/10.1126/science.abh2644
84. Fellows M, Paye V, Alencar A, Nicácio M, Castro I, Coelho ME, Silva CVJ, Bandeira M, Lourival R, Basta PC. Under-Reporting of COVID-19 Cases Among Indigenous Peoples in Brazil: A New Expression of Old Inequalities. Front Psychiatry 2021; 12:638359. https://doi.org/10.3389/fpsyt.2021.638359
85.Da Silva AP. Saberes tradicionais tupi: estar junto, aprender, nhembojera. Cad. Cedes 2019;39(109):379-396. https://doi.org/10.1590/CC0101-32622019216679




Outros idiomas:







Como

Citar

Siqueira, PC, Sales, CMM, Grassi, J, Banhos, ID, Sobreira, LB, Maciel, ELN. COVID-19 na população indígena: revisão de escopo. Cien Saude Colet [periódico na internet] (2026/jul). [Citado em 25/07/2026]. Está disponível em: http://cienciaesaudecoletiva.com.br/artigos/covid19-na-populacao-indigena-revisao-de-escopo/20084?id=20084

Últimos

Artigos



Realização



Patrocínio