0130/2026 - FORMAÇÃO QUE TRANSFORMA: O PAPEL DOS COORDENADORES NA OFERTA DE PRÁTICAS INTEGRATIVAS EM SAÚDE NA ATENÇÃO PSICOSSOCIAL
Transformative training: the role of managers in the provision Integrative Health Practices in Psychosocial Care
Autor:
• Marisa Gonçalves Aguiar - Aguiar, MG - <marisaaguiar@egresso.ufg.br>ORCID: https://orcid.org/0009-0009-3167-2399
Coautor(es):
• Olívia Cândida Pequeno da Costa - Costa, OCP - <oliviacpequeno@hotmail.com>ORCID: https://orcid.org/0009-0009-2311-7547
• Pedro Henrique Brito da Silva - Silva, PHB - <pedr0henriki@discente.ufg.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3552-0439
• Maria Alves Barbosa - Barbosa, MA - <maria.malves@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-0861-9655
• Ellen Synthia Fernandes de Oliveira - Oliveira, ESF - <ellen@ufg.br>
ORCID: http://orcid.org/0000-0002-0683-2620
Resumo:
Introdução: A inserção das Práticas Integrativas em Saúde no Brasil ainda carece de estudos sobre o papel dos coordenadores dos Centros de Atenção Psicossocial na sua implementação. Objetivo: O estudo objetiva compreender a relação entre a formação em Práticas Integrativas em Saúde dos coordenadores e a sua oferta nos Centros de Atenção Psicossocial da Região Metropolitana de Goiânia. Métodos: Trata-se de um estudo descritivo e exploratório de abordagem qualitativa com 12 coordenadores de Centros que ofertavam e dez de Centros que não ofertavam Práticas Integrativas em Saúde. A coleta de dados ocorreu por meio de entrevistas semiestruturadas e analisadas mediante análise de conteúdo temática. Resultados: Nos Centros sem oferta, a ausência de capacitação foi apontada como barreira estrutural e cultural, marcada pela falta de profissionais habilitados, desconhecimento sobre a política nacional e predomínio da racionalidade biomédica. Nos Centros com oferta, a formação ressignificou os conceitos de cuidado, fortaleceu a liderança dos coordenadores, estimulou parcerias interinstitucionais e a busca por capacitação contínua. Considerações finais: Portanto, a formação dos coordenadores é condição estratégica para consolidar a integração das Práticas Integrativas em Saúde na atenção psicossocial.Palavras-chave:
Terapias Complementares, Atenção Psicossocial, Saúde Mental, Centros de Atenção Psicossocial, Gestor de Saúde.Abstract:
Introduction: The integration of Integrative Health Practices in Brazil still lacks studies on the role of coordinators of Psychosocial Care Centers in their implementation. Objective: This study aims to understand the relationship between coordinators’ training in Integrative Health Practices and the provision of these practices in Psychosocial Care Centers in the Metropolitan Region of Goiânia. Methods: This is a descriptive and exploratory qualitative study conducted with twelve coordinators from Centers that offered and ten from Centers that did not offer Integrative Health Practices. Data were collected through semi-structured interviews and analyzed using thematic content analysis. Results: In Centers without provision, the absence of training was identified as a structural and cultural barrier, marked by the lack of qualified professionals, unawareness of national policy, and predominance of biomedical rationality. In Centers with provision, training redefined concepts of care, strengthened coordinators’ leadership, encouraged interinstitutional partnerships, and promoted the pursuit of continuous training. Final Considerations: Therefore, coordinators’ training is a strategic condition for consolidating the integration of Integrative Health Practices in psychosocial care.Keywords:
Complementary Therapies, Psychosocial Care, Mental Health, Psychosocial Care Centers, Health Manager.Conteúdo:
As Práticas Integrativas em Saúde (PIS) abrangem sistemas médicos complexos e recursos terapêuticos baseados em teorias próprias sobre o processo saúde-doença1, 2. Elas incluem abordagens que procuram promover os processos naturais de prevenção de doenças e recuperação da saúde por meio de tecnologias com foco na escuta acolhedora e no fortalecimento do vínculo terapêutico, além da conexão do indivíduo com o meio ambiente e a comunidade3. Outros aspectos mencionados pelos vários mecanismos incluídos nesse campo são a promoção abrangente do cuidado humano e a visão holística do processo saúde-doença4.
Em outras palavras, no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), as PIS correspondem a um conjunto de sistemas terapêuticos e recursos de cuidado que se baseiam em racionalidades próprias e são utilizadas para prevenir agravos, promover a saúde e apoiar o tratamento de doenças1, 4. No Brasil, essas práticas são regulamentadas pela Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC)1, em 2006, e incluem a Acupuntura, Homeopatia, Fitoterapia, Medicina Antroposófica, Termalismo/Crenoterapia, além de práticas incorporadas posteriormente como Auriculoterapia, Reiki, Yoga, Meditação, Arteterapia, Musicoterapia, dentre outras. Essa política reconhece estratégias relevantes para o cuidado mais humanizado e centrado no usuário5, especialmente em contextos marcados por condições crônicas e transtornos mentais6. Contudo, após quase duas décadas, a consolidação da PNPIC ainda enfrenta desafios ligados à infraestrutura7, financiamento8, 9 e, sobretudo, à formação profissional10, 11, determinantes para sua implementação nos diferentes níveis de atenção à saúde.
No campo da saúde mental, em especial nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), as PIS assumem relevância estratégica12. Esses serviços, instituídos como dispositivos substitutivos ao modelo hospitalocêntrico e manicomial13, têm por missão articular cuidado clínico, autonomia e inserção social de pessoas em sofrimento psíquico. Embora as políticas públicas que alicerçam a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS)14 não indicarem diretamente o uso das PIS, evidências recentes mostram que seu manejo na saúde mental pode favorecer tanto a adesão15 ao tratamento quanto a melhora dos sintomas16 e a qualidade de vida17 dos usuários. Além disso, as PIS podem ainda fortalecer vínculos terapêuticos18 e reduzir efeitos colaterais dos medicamentos antidepressivos19 quando implementadas no tratamento de transtornos mentais. Apesar dessas reconhecidas vantagens, estudos apontam que a inserção das PIS nesses serviços ainda é incipiente, frequentemente condicionada à iniciativa e à formação dos profissionais que compõem as equipes de saúde mental8.
Relatório recente do Ministério da Saúde20 aponta crescimento de 85% na oferta de PIS no SUS entre 2017 a 2023, porém com marcantes desigualdades regionais que traduzem lacunas históricas em financiamento e capacitação. Nesse contexto, o estado de Goiás é mencionado pelo relatório como pioneiro na implementação de uma política estadual com financiamento próprio desde 2009. Em 2023, Goiás registrou mais de 273 mil em procedimentos de PIS, com uma oferta equilibrada entre a Atenção Primária à Saúde (APS) e a média e alta complexidade.
Em contrapartida, pesquisas8-11 realizadas na Região Metropolitana de Goiânia (RMG) têm destacado que a presença de profissionais capacitados ou com formação prévia em PIS constitui um dos principais fatores associados à sua implementação nos serviços de APS e CAPS. Porém, os profissionais têm seu trabalho com as PIS totalmente invisibilizado, o que torna a oferta precarizada mediante atitudes de pormenorização das iniciativas e tensionamentos em seus locais de trabalho21. Portanto, ainda que exista política pública em nível nacional que respalde a oferta, as PIS sofrem com o apartheid epistemológico22, estando dependente da formação dos profissionais para que ela ocorra nos serviços públicos de saúde.
Nessa perspectiva, a literatura científica aponta para um olhar exploratório quando se trata de como a formação específica dos gestores dos serviços de saúde influencia a decisão de ofertar ou não tais práticas, sobretudo em regiões metropolitanas onde existem diferentes contextos socioeconômicos e políticas locais de saúde7, 8. Os estudos também têm se debruçado em entender as percepções de gestores de serviços de APS18, pois eles são o principal lócus de desenvolvimento das PIS por sua aproximação com os usuários do seu território, o que facilita a adoção de práticas de cuidado mais adequadas às necessidades da população atendida. Essa lacuna revela a necessidade de estudos que examinem a relação entre processos formativos e a oferta de PIS nos CAPS, o que pode contribuir para o fortalecimento dessa política pública e para a qualificação da atenção psicossocial. No caso da RMG, apreender como a formação repercute na implementação dessas práticas pode oferecer subsídio para gestores, além de apontar caminhos para a expansão mais equitativa da acessibilidade às PIS.
Cabe ressaltar que, neste estudo, entendemos como formação em PIS qualquer experiência formativa vivenciada por profissionais ou gestores do SUS. Observa-se, contudo, uma dificultosa ordenação e planejamento de recursos humanos nessa área11. Na graduação, a presença de PICS restringe-se, em geral, a disciplinas isoladas ou de caráter eletivo, sem integração sistemática aos currículos dos cursos da área da saúde23. De outro modo, o ensino em serviço10, 11 configura-se como a principal via de capacitação, ainda que marcado por iniciativas pontuais. Diante desse cenário, torna-se relevante reconhecer as múltiplas trajetórias pelas quais os profissionais e gestores têm buscado se qualificar para ofertar um cuidado ampliado no seu lócus de atuação.
Logo, este estudo visa responder à seguinte pergunta: a formação dos coordenadores em PIS influencia a oferta desses serviços nos CAPS da RMG? Parte-se do pressuposto de que coordenadores com formação acadêmica ou complementar em PIS apresentam maior propensão a ofertá-las nos serviços sob sua responsabilidade, em comparação àqueles sem formação específica na área. Assim, o objetivo deste estudo é compreender a relação entre a formação em PIS dos coordenadores e a sua oferta nos CAPS da RMG.
Métodos
Trata-se de um estudo descritivo, exploratório e de abordagem qualitativa. A condução seguiu as recomendações do Consolidated Criteria for Reporting Qualitative Research (COREQ), de modo a assegurar transparência e qualidade no relato da pesquisa qualitativa. Este manuscrito também corresponde a uma versão estendida do trabalho previamente apresentado e publicado nas Atas24 do Congresso Ibero-Americano de Investigação Qualitativa, em 2025. O estudo foi construído a partir de um recorte de duas dissertações. A primeira teve como objetivo compreender as percepções de coordenadores sobre as PIS ofertadas em seus CAPS, enquanto a segunda buscou identificar os motivos que justificam a ausência dessas práticas nos processos de trabalho dos serviços de saúde mental.
No primeiro trimestre de 2024, identificou-se, por meio do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde25 (CNES), que entre os 21 municípios da RMG, dez contavam com CAPS, totalizando 26 serviços de saúde mental ativos. A partir desses dados, foram solicitados termos de anuência às dez Secretarias Municipais de Saúde (SMS) potencialmente elegíveis para participar da pesquisa. Uma das SMS recusou o convite, resultando na participação de nove municípios.
No segundo trimestre de 2024, duas pesquisadoras realizaram um levantamento nos CAPS e nas SMS para apurar onde as PIS estavam sendo ofertadas. Verificaram que 12 CAPS ofertavam PIS sob gestão de coordenadores distintos, sendo a oferta uma característica do serviço, e não uma ação direta do coordenador. Em contrapartida, dez coordenadores atuavam em serviços sem essa oferta.
Concluído o levantamento, para garantir que a amostra estivesse relacionada com o objeto do estudo, foram estabelecidos critérios de elegibilidade para a seleção dos participantes. Foram incluídos no estudo todos os coordenadores em exercício dos CAPS identificados no CNES e localizados nos municípios que autorizaram a pesquisa. A única exclusão prevista foi a de coordenadores afastados temporariamente de suas funções durante o período de coleta de dados.
Em seguida, foi iniciada a preparação das pesquisadoras para a coleta de dados junto aos coordenadores dos CAPS. A responsabilidade foi dividida entre as duas: uma realizaria entrevistas nos serviços que ofertavam PIS, no mesmo momento em que a outra atuaria nos serviços sem oferta. Elas são farmacêuticas, do sexo feminino e, atualmente, exercem suas funções em um CAPS da RMG. Logo, elas tinham relação prévia com a coordenadora do seu serviço de saúde mental. Todavia, os demais coordenadores entrevistados não possuíam vínculo ou contato anterior com as pesquisadoras. Elas também possuíam experiência prévia e formação em PIS, além de disponibilizarem auriculoterapia para usuários e trabalhadores do serviço. Essa condição favoreceu a aproximação com o campo, mas também exigiu postura reflexiva, registrada em notas de campo e discussões entre elas, para que essa proximidade se tornasse uma ferramenta de investigação crítica e não um viés.
Como se tratava de contextos distintos, foram elaborados dois roteiros de entrevistas semiestruturadas, adaptados a partir de projetos e dissertações anteriormente implementados na APS, com adequação ao cenário da atenção psicossocial. Ambos investigaram concepções sobre PIS, saúde-doença-cuidado, organização do trabalho e políticas públicas. A diferença principal residiu no enfoque: o primeiro é avaliativo, com foco na experiência consolidada; o segundo é exploratório, voltado para barreiras e viabilidade de implantação. Os dois roteiros contêm questões-chave sobre formação profissional, trajetória formativa, conhecimento conceitual-político e estratégias de capacitação, cujas respostas nortearam a análise dos resultados deste estudo.
As duas primeiras entrevistas, conduzidas com coordenador de CAPS com oferta de PIS e outra com coordenador de CAPS sem oferta, foram utilizadas como teste dos roteiros. No recorte dos serviços com oferta, não houve necessidade de ajustes, mantendo-se o roteiro original. No recorte dos serviços sem oferta, verificou-se que algumas questões não contemplavam plenamente os objetivos do estudo, sendo necessária a inclusão de novas perguntas, que foram testadas na entrevista subsequente. Após a segunda entrevista, o roteiro mostrou-se adequado para captar informações pertinentes ao grupo de coordenadores de CAPS sem oferta de PIS.
Considerando a inexperiência das pesquisadoras na condução de entrevistas semiestruturadas, foi realizado um treinamento online conduzido por um pesquisador do mesmo grupo de pesquisa, com experiência consolidada na área. O treinamento incluiu simulações, em que as pesquisadoras praticaram a aplicação dos roteiros e receberam devolutivas ao término da preparação sobre abordagem inicial, condução, tempo médio e encerramento das entrevistas.
Após essa etapa, a entrada em campo ocorreu por meio de contato telefônico das pesquisadoras com os participantes, ocasião em que foram apresentados os objetivos do estudo e as credenciais das pesquisadoras. As entrevistas foram então agendadas para o local de trabalho dos participantes, em data e horário de sua conveniência. O acesso ao campo foi pontualmente viabilizado mediante o apoio da coordenadora de um CAPS ofertante que atuou como facilitadora para o contato inicial com outros coordenadores com os quais as pesquisadoras não estavam conseguindo realizar a agendamento para coleta de dados.
As entrevistas, então, foram realizadas presencialmente nos CAPS, nas salas destinadas aos coordenadores, garantindo privacidade e sigilo. No início, estando somente pesquisadora e pesquisada(o), os objetivos e a finalidade do estudo foram reforçados, seguido da apresentação e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Somente após a anuência formal, as entrevistas foram iniciadas. Em alguns casos ocorreram interrupções pontuais, em virtude das responsabilidades administrativas dos coordenadores, porém essas pausas não comprometeram a continuidade e a integridade da coleta de dados. Esses eventos durante a realização das entrevistas foram apontados nas notas de campo utilizadas pelas duas pesquisadoras.
O conjunto final da amostra foi composto por 22 coordenadores entrevistados entre setembro e dezembro de 2024, sendo 12 de serviços com oferta de PIS e dez sem oferta. Dessa forma, não houve recusas, perdas ou exclusões dos participantes elegíveis. É importante frisar que não houve a necessidade de repetição de entrevistas. Portanto, cada coordenador participou de uma única entrevista no período da coleta de dados.
Neste estudo, a saturação não foi considerada como critério de encerramento. Optou-se por incluir todos os coordenadores elegíveis por ser uma estratégia adequada para populações finitas e delimitadas, visando a máxima representatividade do fenômeno no território investigado. Todas as entrevistas, com duração média de 30 a 40 minutos, foram audiogravadas utilizando-se um aparelho celular. Posteriormente, elas foram transcritas na íntegra e a análise dos dados foi conduzida de forma independente pelas mesmas pesquisadoras que realizaram as entrevistas.
A análise dos dados seguiu a proposta de Bardin26, articulada com o uso do software NVivo. No primeiro momento, as entrevistas foram importadas e submetidas à leitura flutuante para organização do corpus. Em seguida, trechos relevantes foram codificados em códigos livres e, seguidamente, agrupados em categorias que refletiram as unidades de registro das narrativas. Na etapa final, essas categorias passaram por interpretação crítica, confrontadas com a literatura científica e reorganizadas em dois temas centrais que emergiram diretamente das entrevistas realizadas com os participantes. Os relatórios e matrizes do software auxiliaram na validação das categorias e na comparação entre as codificações, assegurando transparência e reprodutibilidade.
Feito isso, as codificadoras se reuniram para comparar os resultados. Cada uma apresentou as categorias construídas a partir do recorte que analisou. Em sequência, os conteúdos foram discutidos de forma conjunta. As pesquisadoras examinaram convergências e divergências, avaliaram a pertinência dos agrupamentos e ajustaram a nomenclatura quando necessário. Esse processo proporcionou um consenso sobre os temas finais, que passaram a representar tanto os aspectos específicos de cada grupo quanto os elementos comuns e dessemelhantes identificados entre os coordenadores dos CAPS.
Os resultados não foram submetidos aos participantes para validação formal. A decisão se baseou no entendimento de que o confronto dos achados com a literatura científica especializada seria suficiente para respaldar a consistência dos resultados. Entretanto, o processo de análise foi conduzido de maneira sistemática e transparente, com comparação entre codificações independentes, discussão até o consenso entre as pesquisadoras e utilização de recursos do software NVivo. Essas estratégias reforçaram a credibilidade e a consistência dos achados e transparência metodológica.
Todos os procedimentos desta pesquisa foram conduzidos em conformidade com as diretrizes éticas previstas nas Resoluções n.º 466/2012 e n.º 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde. O projeto foi submetido ao Comitê de Ética de Pesquisa da Universidade Federal de Goiás, por meio da emenda ao estudo Práticas Integrativas e Complementares nos Serviços de Atenção Primária à Saúde – Região Metropolitana de Goiânia, aprovado sob o parecer n.º 6.991.036. Para resguardar o anonimato e a privacidade dos participantes, os coordenadores de CAPS com oferta de PIS foram identificados pela letra O (ofertante) e os coordenadores de CAPS sem oferta pela letra N (não ofertante), seguidas de numeração sequencial correspondente à ordem de realização das entrevistas.
Resultados
A ausência da formação em Práticas Integrativas em Saúde como barreira estrutural e cultural
A Tabela 1 detalha as características sociodemográficas dos participantes, sendo a formação em PIS o principal diferencial. A metade dos coordenadores de CAPS ofertantes tinham capacitação específica, contra nenhum entre os não ofertantes.
Tab.1
Superada essa apresentação do perfil dos participantes, apresentam-se a seguir os resultados qualitativos organizados em temas. O Quadro 1 sintetiza o processo de análise de dados, o que permite visualizar como os códigos foram agrupados em categorias e em temas que revelam a influência da formação sobre a integração das práticas nos CAPS.
A análise das entrevistas com coordenadores que não tinham formação em PIS revelou que a ausência dessa formação se apresenta como um dos principais entraves para a implantação das ações. As narrativas evidenciam que a inexistência de capacitação compromete tanto a adesão quanto a institucionalização das práticas. A falta de profissionais habilitados foi apontada de maneira recorrente como justificativa para não oferta. Conforme destacou um coordenador, “não temos pessoas com a formação e não temos material para essas práticas” (N1).
Essa percepção se repete quando a coordenação reconhece a limitação técnica da equipe. Ela indica que a qualificação insuficiente restringe a possibilidade de ampliação de cuidado. Para um dos entrevistados, “o que mais pega é a formação, o que fica mais a desejar é o profissional capacitado...” (N3). As narrativas mostram que a ausência de formação reforça a distância entre as diretrizes da PNPIC e o cotidiano dos CAPS.
Outro aspecto identificado foi a dependência dos processos externos de capacitação. Em vez de desenvolver iniciativas locais de formação, os coordenadores relataram aguardar a chegada de profissionais habilitados ou cursos ofertados por outras instâncias. Como afirmou um dos entrevistados: “para que a gente pudesse implantar as PICS [Práticas Integrativas e Complementares em Saúde] precisava: ou trazer profissionais habilitados ou formar os que estão aqui” (N4). Essa visão revela uma postura passiva, que transfere a responsabilidade de implantação a fatores externos ao serviço.
O desconhecimento sobre as PIS também se expressou como um bloqueio importante. Um coordenador afirmou: “aquilo que a gente não sabe, que a gente não tem conhecimento, a gente não busca, a gente não adere” (N4). Nesse relato, a ausência de formação repercute diretamente na ausência de busca ativa. Essa incompreensão cria um círculo de inércia que perpetua a ausência das PIS. A falta de conhecimento, portanto, limita a ação, ao mesmo tempo em que gera um processo de imobilismo institucional.
Além da carência de formação técnica e conceitual, surgiram relatos com relação a resistências de ordem cultural. A adesão às PIS foi descrita como um desafio considerável diante da predominância do modelo biomédico, que orienta as práticas e decisões no serviço. Essa resistência se expressa na narrativa de um dos entrevistados: “se o profissional não tem interesse... o que a gente pode fazer para desmistificar isso?” (N8). A ausência de formação associada a uma visão biomédica hegemônica contribui para consolidar a exclusão das PIS do cuidado psicossocial.
Quadro 1
Em síntese, esses resultados deixam clara que a ausência de formação em PIS se manifesta em múltiplas dimensões: na falta de profissionais habilitados, na percepção de despreparo técnico, na dependência de recursos, no desconhecimento e nas resistências culturais derivadas da hegemonia biomédica. Esses fatores se entrelaçam e explicam a não inserção das PIS nos CAPS investigados.
A formação em Práticas Integrativas em Saúde como catalisadora da integração e da transformação institucional
As entrevistas com coordenadores ofertantes de PIS demonstraram que a formação específica atua como protagonista na integração da sua oferta no cotidiano dos serviços. Os participantes narraram como a capacitação ressignificou concepções de saúde e ampliou o escopo de cuidado. Um dos entrevistados exemplificou esse movimento: “eu acredito muito nas PICS [Práticas Integrativas e Complementares em Saúde] e como eu sou da área de artes, acho que a subjetividade trabalha o ser humano mais completo...” (O1). Nesse trecho, a formação se entrelaça a uma compreensão ampliada da subjetividade, que se reflete no modo como o cuidado é concebido e praticado.
A valorização das PIS também aparece na forma como os coordenadores as situam estrategicamente dentro da dinâmica do serviço. Como explanou uma participante, “nós falamos de PICS [Práticas Integrativas e Complementares em Saúde] de um modo geral, então são ações muito potentes, são chamadas de integrativas no sentido de buscar a integração...” (O2). Essa percepção clarifica que a formação não se está restrita ao aspecto técnico. Ela também internaliza a potência das práticas como ferramentas de integração no campo psicossocial.
A formação igualmente fortalece a liderança dos coordenadores que passam a atuar de maneira mais proativa na incorporação da oferta dos Projetos Terapêuticos Singulares (PTS). Esse protagonismo aparece no trecho a seguir: “é uma abordagem que integra... tem que fazer parte sim do Projeto Terapêutico Singular, ajudar esse usuário a se estabilizar” (O12). Nesse fragmento, a capacitação possibilita a utilização das PIS como recursos terapêuticos estruturantes do cuidado.
Outro ponto relevante foi a busca por parcerias e recursos externos. Os coordenadores assumem uma postura de advocacia em prol da manutenção das práticas. Um deles narra que “nós temos uma parceria com o Centro de Referência em Medicina Integrativa e Complementar, mas nós que fomos lá e pedimos esse apoio...” (O12). Essa inciativa descortina que a formação fortifica a autonomia da coordenação local, ao passo que impulsiona estratégias de implementação sustentadas pela articulação institucional. Esses coordenadores ofertantes e com formação em PIS assumiram o papel de agentes de mudanças, transpondo obstáculos enfrentados no cotidiano da gestão local da saúde mental.
Os vínculos de trabalho e condições institucionais substanciais para consolidação das PIS também foram mencionados pelos entrevistados. Como afirmou um participante, “eu acho que para não precarizar o vínculo [...] interessante seria que esses profissionais viessem mais via concursos públicos.” (O2). Essa fala revela que a formação torna os coordenadores mais sensíveis para os problemas envolvendo as PIS. Eles percebem que a amplificação delas depende tanto da capacitação quanto da estabilidade dos profissionais. Dessa forma, a formação em PIS mostrou-se como um fator impulsionador que transforma a gestão. O gerenciamento do serviço deixa de ser um mero posto de observação e justificativa de limitação em uma posição de liderança para a concretização do cuidado integrativo.
Outrossim, os coordenadores ressaltaram a necessidade de promover novas oportunidades de aprendizado. “A coordenação sempre deixa disponível um evento ou algum curso para que os profissionais façam, mas não tem nada hoje voltado que é do município” (O10). Ou seja, mesmo com limitações institucionais, há esforços locais para certificar atualização contínua da equipe.
Por fim, aflorou a percepção crítica de que a manutenção das PIS depende da visão dos gestores. Nesse sentido, as narrativas demonstraram uma compreensão aguçada das disputas de paradigma que permeiam o campo da saúde. Um coordenador diagnosticou o cerne do problema ao afirmar: “falta de vontade política, falta de conhecimento da prática. Os próprios gestores, se eles têm uma visão biomédica, não vai investir nisso” (O11). Esta declaração vai além da queixa sobre a insuficiência de recursos e aponta um conflito de racionalidades no nível decisório, onde a lógica biomédica hegemônica atua como filtro que inviabiliza o apoio as PIS.
Em conjunto, esses resultados enaltecem a formação como elemento fundamental para a internalização conceitual, além de fortalecer o protagonismo dos coordenadores. Ela estimula a busca por recursos, capacitação contínua e desenvolve uma crítica mais sistêmica sobre a gestão. Esses aspectos permitem compreender a formação como agente de transformação das práticas gerenciais em saúde mental.
Discussão
O estudo demonstra que a formação em PIS é condição essencial para a sua integração nos CAPS. Estudos sobre o Irã27, o Paquistão28 e a Nova Zelândia29 mostram que apesar da maioria dos profissionais de saúde apresentar atitude positiva frente à medicina complementar, seu nível de conhecimento é limitado, o que compromete a indicação segura e sistemática das PIS. Essa lacuna entre atitude favorável e insuficiência do preparo formal aproxima-se do quadro identificado nos CAPS sem oferta, em que a ausência de capacitação foi relatada como barreira cultural.
Nos CAPS com oferta, a formação permitiu redefinir o cuidado e estabelecer redes de apoio, corroborando com evidências internacionais30, 31. No Canadá32, por exemplo, programas de formação online para profissionais da oncologia impactaram positivamente o conhecimento, as atitudes e a intenção de incorporar terapias complementares ao cuidado. Assim, os resultados deste estudo sugerem que a formação opera uma dupla conversão: epistemológica (substituindo uma ótica reducionista por uma visão holística do sofrimento e da restauração da saúde) e prática (convertendo conhecimento em ação de gestão, como busca de parcerias e a integração no PTS).
Sob outra ótica, a persistência da hegemonia biomédica se mostrou mais pronunciada entre coordenadores sem formação. Esse predomínio havia sido identificado em pesquisa realizada nas APS, nas quais, mesmo gestores de unidades com oferta de práticas mantinham concepções centradas no paradigma biomédico33. A semelhança entre conceitos distintos sugere que a simples presença das práticas não é suficiente, pois é a formação que confere consistência epistêmica e capacidade de enfrentamento de resistências culturais. Tal achado reforça a especificidade de nossa colaboração, uma vez que ao diferenciar coordenadores com e sem formação, demonstra-se empiricamente que a qualificação é o ponto de inflexão entre manutenção de inércia ou integração efetiva das PIS.
Ademais, os resultados deste estudo se aproximam de evidências que apontam para o desenvolvimento de estratégias educacionais formais voltadas aos profissionais de saúde. Estudos no Brasil identificaram que a formação em PIS ocorre de maneira difusa, baseada em cursos esporádicos, iniciativas individuais e capacitações fragmentadas, revelando fragilidades das políticas institucionais e a insuficiência de diretrizes curriculares formais10, 11. Em perspectiva internacional, Homberg e Stock-Schröer31 mostram que a educação interprofissional em PIS desenvolve competências relacionais e centradas no paciente, mas ainda carece de estrutura curricular consolidada. Diferentemente do cenário canadense32, onde experiências virtuais em PIS têm sido organizadas de forma institucionalizada, no campo deste estudo a qualificação emergiu sobretudo por esforços individuais dos coordenadores, o que indica uma lacuna nas políticas públicas de saúde e na sustentabilidade da formação em recursos humanos voltados para o cuidado holístico.
Os achados também se conectam com a intenção de uso das PIS com a dimensão psicossocial. A adoção das práticas não depende apenas da existência de formação técnica ou de normativas institucionais, mas envolve a percepção de apoio social para sua oferta e à presença de condições facilitadoras, como habilidades adquiridas e suporte do serviço. Em outras palavras, quanto mais favorável for o contexto de valores, normas e recursos disponíveis, maior a possibilidade de que os coordenadores apoiem essas práticas à rotina clínica. Esse resultado está em consonância com evidências internacionais34, 35 que demonstram como fatores psicossociais funcionam como preditores robustos da intenção de uso e da efetiva adoção clínica.
O estudo tem como limitações a não devolução das transcrições e a não validação dos resultados com os participantes, bem como o foco exclusivo na perspectiva dos coordenadores. Essas decisões, justificadas pela exaustiva carga de trabalho dos gestores, podem ter deixado de compreender as percepções de outros atores, como profissionais da equipe ou usuários. Ademais, o recorte geográfico limita a generalização estatística, embora os mecanismos identificados entre formação e implementação possam ser analiticamente generalizáveis para contextos análogos. Essas fragilidades não comprometem a robustez das análises, lastreada em dupla codificação independente e uso de software de análise qualitativa.
Com base nos resultados evidenciados, o estudo pode contribuir para direcionar as formas de implementação de PIS em serviços complexos como os CAPS. Para que as práticas sejam desenvolvidas e continuadas pelos serviços de saúde, a sua oferta deve ser mediada por um triângulo de fatores: capacitação individual (formação), que influencia a agência gerencial (liderança proativa) e é modulada por contexto institucional (suporte político, recursos). Sumariamente, as evidências deste estudo indicam que a capacitação individual combinada com uma oferta coletiva bem gerenciada são o vértice capaz de influenciar positivamente os outros fatores.
Considerações finais
Este estudo investigou como a formação específica em PIS influencia a sua oferta nos CAPS da RMG. Os resultados permitem afirmar que a formação exerce papel decisivo na integração dessas práticas, constituindo-se como condição para sua implementação o que confirma o pressuposto central da presente pesquisa. Para além disso, os principais achados revelam uma dicotomia evidente. Os coordenadores sem formação justificam a não oferta por carências, enquanto os com formação adotam liderança dinâmica para viabilizar as PIS. A análise também evidencia que a formação especializada confere uma percepção mais crítica dos desafios, entendidos como questões político-estruturais e epistemológicas, e não meramente técnicas.
Este trabalho avança no conhecimento da área ao demonstrar como a formação atua como um mecanismo central na implementação de políticas públicas de saúde. Ele vai além de apontar a “falta de capacitação” como um problema genérico e desvenda processos pelos quais a expertise específica transforma a gestão local, o que confere aos coordenadores uma capacidade de ação para transpor barreiras encontradas no âmbito dos CAPS.
As implicações para a prática são diretas. A formação profissional em PIS deve ser priorizada nas políticas de gestão do trabalho e educação permanente, pois constitui eixo estratégico para a incorporação das práticas nos serviços. Além do que, deve-se amplificar a oferta de cursos de formação e fortalecer vínculos estáveis de trabalho, de modo a assegurar a continuidade das ações.
Para finalizar, este estudo recomenda a formulação de estratégias interinstitucionais que estendam o acesso à capacitação em PIS, associadas a políticas públicas de financiamento, incentivo e monitoramento da sua implementação. É primordial fomentar a integração dessas práticas ao PTS nos CAPS, potencializando sua contribuição para o cuidado integral e humanizado em saúde mental.
Declaração de Disponibilidade de Dados
Os dados de pesquisa estão disponíveis mediante solicitação ao autor de correspondência.
As fontes dos dados utilizados na pesquisa estão indicadas no corpo do artigo.
Referências
1. Brasil. Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS - PNPIC-SUS. Brasília: Ministério da Saúde, 2006 [internet]. [Acessado 10 set. 2025]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/pnpic.pdf
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3. Goedert MCCC, Silva LV, Maia PR, Rabelo KLMA, Gonçalves NS, Silva AV. Os benefícios da medicina integrativa e os desafios para sua implantação no Brasil: revisão de literatura. Rev Eletrônica Acervo Saúde. 2021;13(7):e7893. https://doi.org/10.25248/reas.e7893.2021
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