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0288/2026 - Impacto da Disfunção Temporomandibular sobre os custos de saúde na esfera federal e perda de produtividade no Brasil
Impact of Temporomandibular Disorders on Federal Healthcare Costs and Productivity Losses in Brazil

Autor:

• Matheus Felipe Lima dos Santos - Santos, MFL - <matheus.lima@foufal.ufal.br>
ORCID: https://orcid.org/0009-0002-2858-6210

Coautor(es):

• Evillyn Rayssa Mota Fernandes - Fernandes, ERM - <evillyn.fernandes@foufal.ufal.br>
ORCID: https://orcid.org/0009-0004-3638-2204

• Igor Santos da Silva - Silva, IS - <igor.silva@foufal.ufal.br>
ORCID: https://orcid.org/0009-0004-7379-9551

• Lara Maria Padilha Silva de Araujo - Araujo, LMPS - <larapadilha1@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0009-0002-4193-6633

• Pâmela Lopes Pedro da Silva - Silva, PLP - <pamelapan_lopes@hotmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-4537-6821

• Eduarda Correia Moretti - Moretti, EC - <eduarda.moretti@icbs.ufal.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-3994-8689

• Fernando José Camelo de Lima - Lima, FJC - <fernando.lima@icbs.ufal.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-1593-7747

• George Azevedo Lemos - Lemos, GA - <george.lemos@icbs.ufal.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-2140-216X



Resumo:

Foram avaliados os custos sociais da Disfunção Temporomandibular (DTM) no período de 2018 a 2023 no Brasil. Os custos com saúde foram avaliados a partir de dados do Sistema de Informações Ambulatoriais (SIA) e Sistema de Informações Hospitalares (SIH). A perda de produtividade por absenteísmo foi determinada a partir de dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), utilizando o código CID-10 K07.6. Foram estimados os custos totais e estratificados por ano de processamento, sexo, faixas etárias, regiões geográficas e estados. A perda de produtividade foi analisada através de um modelo linear generalizado, com regressão Gama. O custo total da DTM foi R$ 13.274.921,75 e o maior percentual (62%) foi relacionado ao absenteísmo (R$ 8.232.834,35). Maiores gastos foram observados na região Sudeste, o que pode indicar melhor acesso a serviços e qualidade no sistema de registros. Sexo feminino exibiu estatisticamente maiores gastos com saúde, maior quantidade de dias de afastamento e custo do absenteísmo. Além disso, os custos com absenteísmo foram associados a idade e, indivíduos da clientela rural apresentaram menor custo. Conclui-se que a DTM apresentou impacto econômico substancial, com predominância do absenteísmo. Os achados reforçam a necessidade de fortalecer a rede de atenção à DTM, padronização diagnóstica e aprimoramento dos sistemas de informação do SUS.

Palavras-chave:

Síndrome da Disfunção da Articulação Temporomandibular, Avaliação Econômica em Saúde, Custos e Análise de Custo

Abstract:

The social costs of Temporomandibular Disorders (TMD) were assessed in Brazil from 2018 to 2023. Healthcare costs were assessed using data from the Outpatient Information System (SIA) and Hospital Information System (SIH). Productivity loss due to absenteeism was determined using data from the National Institute of Social Security (INSS), based on ICD-10 code K07.6. Total costs were estimated and stratified by year of processing, sex, age groups, geographic regions, and states. Productivity loss was analyzed using a generalized linear model with Gamma regression. The total cost of TMD was R$ 13,274,921.75, with the highest proportion (62%) attributable to absenteeism (R$ 8,232,834.35). The highest expenditures were observed in the Southeast region, which may indicate better access to healthcare services and higher-quality record-keeping systems. Females had statistically higher healthcare expenditures, a greater number of days off work, and higher absenteeism costs. In addition, absenteeism costs were associated with age, while individuals from rural populations had lower costs. It is concluded that TMD had a substantial economic impact, with absenteeism accounting for the largest share of costs. These findings reinforce the need to strengthen the TMD care network, standardize diagnostic procedures, and improve the information systems of the Brazilian Unified Health System (SUS).

Keywords:

Temporomandibular Joint Dysfunction Syndrome, Health Evaluation, Costs and Cost Analysis

Conteúdo:

Introdução
Disfunção temporomandibular (DTM) é um termo guarda-chuva utilizado para descrever um conjunto de sinais e sintomas que afetam os músculos da mastigação, a articulação temporomandibular (ATM) e estruturas associadas1,2. Os principais sintomas incluem dor na ATM, músculos mastigatórios e/ou cervicais, cefaleia, ruídos articulares, limitação dos movimentos mandibulares e desgastes dentários associados a parafunções2-5.
Esta condição apresenta uma prevalência considerável, sendo mais comumente observada em adultos jovens e do sexo feminino2,5. A presença de sintomas de DTM foi estimada em 39,2% a partir de uma amostra representativa da população brasileira4. Um estudo recente conduzido com usuários da atenção primária à saúde (APS) demonstrou que 55,6% destes apresentaram sintomas de DTM e 19,4% exibiram necessidade ativa de tratamento6. Já uma recente revisão sistemática sobre a prevalência de DTM de origem articular identificou uma prevalência total de DTM articular em 31,1% dos adultos e 11% das crianças e adolescentes7.
Tem sido demonstrado que os sinais clínicos e sintomas de DTM impactam negativamente sobre a qualidade de vida8-10. Além disso, foi demonstrado que indivíduos com diagnostico de DTM associado a dor podem apresentar alta incapacidade11.
Além do impacto sobre a qualidade de vida, a DTM e Dor Orofacial (DOF) podem promover significativo impacto sobre os Sistemas de Saúde e perda de produtividade12-14. Ademais, estudos desenvolvidos no Reino Unido têm demonstrado que os gastos com perda de produtividade, principalmente relacionados ao presenteísmo, representam o maior percentual de custo com DOF13.
Os gastos com saúde precisam ser constantemente avaliados e discutidos pelos gestores, tendo em vista a racionalização dos recursos e a sua aplicação de forma estratégica15. Neste sentido, os estudos de custo da doença compreendem um tipo de avaliação econômica parcial que visam avaliar os custos de um determinado problema de saúde na população em geral16,17, possibilitando avaliar o impacto destas condições de saúde sobre os recursos financeiros dos Sistemas de Saúde e na produtividade do trabalho16. Estes estudos são relevantes pois podem estimular o debate sobre determinadas doenças e fundamentar o planejamento, priorização de pesquisas e avaliação de políticas de saúde pública16.
Apesar da reconhecida relevância clínica e do impacto funcional da DTM 8-11, ainda são escassas as pesquisas que abordam o seu ônus econômico, especialmente no contexto de sistemas públicos de saúde. No Brasil, até o presente momento, não foram identificados estudos nacionais que estimem o custo da DTM sob uma perspectiva social parcial, integrando gastos diretos assistenciais ambulatoriais e hospitalares do SUS, bem como custos indiretos relacionados à incapacidade laboral.
Desta forma, este estudo objetivou avaliar o custo da DTM na perspectiva social parcial no período entre 2018 e 2023 a partir de dados agregados do Sistema de Informações Ambulatoriais (SIA) e do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH), bem como de dados fornecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) referentes a benefícios por incapacidade, investigando a influência das variáveis sexo, faixa etária, aspectos geográficos, ano de processamento e características dos benefícios por incapacidade.

Métodos

Design de estudo
Trata-se de uma avaliação econômica de custo da doença, com desenho baseado em prevalência16,18,19 e método de macrocusteio, com abordagem top-down, a partir da consulta a bancos de dados nacionais15,20.
O presente estudo foi conduzido no contexto do sistema público de saúde brasileiro (Sistema Único de Saúde - SUS), e seus resultados destinam-se a subsidiar decisões em nível nacional relacionadas ao planejamento, monitoramento e alocação de recursos públicos para o manejo da DTM. Adotou-se a perspectiva social parcial, sendo estimados os custos diretos com o custeio de serviços públicos de saúde na esfera federal, e indiretos, através da perda de produtividade por absenteísmo relacionada à DTM.
Este estudo seguiu as recomendações das diretrizes brasileiras para avaliações econômicas em saúde15,20 e check-list CHEERS 2022 (Consolidated Health Economic Evaluation Reporting Standards)21.

Fontes de dados
Os dados foram coletados de bancos de dados nacionais, considerando o período entre 2018 e 2023 (horizonte temporal). Foi utilizado o código CID-10 K07.6 (Distúrbios da articulação temporomandibular) para definir a presença de DTM.
As despesas com saúde foram determinadas a partir de dados secundários do SIA e do SIH. A Perda de produtividade por absenteísmo16 foi estimada a partir de dados solicitados ao INSS, via Plataforma Integrada de Ouvidoria e Acesso à Informação do Governo Federal (https://falabr.cgu.gov.br/publico/Manifestacao/SelecionarTipoManifestacao.aspx?ReturnUrl=%2f).

População
A população refere-se a indivíduos com DTM. Os dados registrados no SIA e SIH foram coletados independentemente da idade e posteriormente estratificados nas seguintes faixas etárias: <1 ano, 1-9 anos, 10-19 anos, 20-29 anos, 30-39 anos, 40-49 anos, 50-59 anos, 60-69 anos, 70-79 anos e >80 anos. Esse critério foi adotado em razão das características epidemiológicas da DTM, que acomete indivíduos em todas as faixas etárias, embora apresente maior prevalência em adultos7,22.
Os dados relacionados à perda de produtividade fornecidos pelo INSS foram analisados de forma individualizada, sendo incluídos apenas participantes com idade igual ou superior a 18 anos, independente do sexo e grupo étnico, uma vez que a população economicamente ativa no Brasil é predominantemente composta por indivíduos adultos.

Aspectos éticos
O estudo seguiu as determinações da resolução nº 466/2012 e foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal de Alagoas (CEP/UFAL), CAAE: 68372723.0.0000.5013.

Unidade de análise e itens de custo
A unidade de análise tratou-se da própria doença DTM15. Foram obtidos os custos para os gastos de saúde na esfera federal e perda de produtividade.

Gastos de saúde
Os dados da produção ambulatorial (PA) e hospitalar (PH) foram importados para o software Tab para Windows (TabWin, versão 4.1.5), que permite o processamento e a tabulação das informações, inclusive para códigos específicos da Classificação Internacional de Doenças (CID). Para os dados do SIA, na opção “Seleções disponíveis” da janela do TabWin, foi selecionado o tópico “CID principal/topografia” e, em seguida, o CID-10 K07.6. Para os dados do SIH, na mesma opção, selecionou-se o tópico “Diagnóstico CID-10 cap 11” e, posteriormente, o CID-10 K07.6.
No SIA, foram coletados os dados sobre a frequência e as despesas (valor aprovado) com a assistência ambulatorial, incluindo os grupos de procedimentos clínicos; procedimentos cirúrgicos; procedimentos com finalidade diagnóstica; órteses, prótese e materiais especiais e ações complementares da atenção à saúde.
No SIH foram avaliados os seguintes itens de custo: serviços hospitalares; serviços profissionais (profissionais de saúde); despesas com unidade de terapia intensiva (UTI) e diária do acompanhante18. Em relação às diárias de acompanhantes, o SIH fornece dados apenas sobre o quantitativo de diárias. As despesas com as diárias dos acompanhantes foram estimadas multiplicando o quantitativo pelo valor de “Diária de acompanhante adulto (com pernoite)”, código 08.02.01.001-6, descrito na tabela de procedimentos do Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do SUS (SIGTAP) no ano de 202318. Em 2024, este valor foi de R$ 8,00 por diária. Além disso foram coletados dados sobre a frequência, tempo de permanência e diárias em UTI.

Perda de produtividade
Solicitou-se ao INSS informações de benefícios por incapacidade concedidos a indivíduos adultos, vinculados ao CID-10 K07.6. As seguintes informações foram coletadas: número de benefícios por incapacidade, período do benefício (dias), tipo/categoria do benefício (relacionada ao trabalho ou não relacionada ao trabalho), valor do subsídio mensal de ausências por doença, idade, sexo, atividade econômica, filiação (empregado, desempregado, autônomo, doméstico etc), clientela (urbano ou rural) e localização geográfica (estados e regiões) nos anos de 2018 a 2023. Adotou-se a data do despacho como o ano de referência para calcular o valor do benefício. Além disso, para os benefícios que envolveram dois anos ou mais anos, calculou-se o número de dias e os custos para cada ano, de forma separada.
Foi realizado o cálculo do valor diário do benefício, dividindo o valor do benefício mensal por 22 dias, considerando 40 horas semanais excluindo-se sábados, domingos e feriados nacionais. Os custos da perda de produtividade foram calculados por meio da abordagem do Capital Humano, multiplicando o número de ausências/faltas ao trabalho (em dias) pelo valor do benefício diário para cada ano (2018 a 2023)18.

Ajustes dos custos
Os dados de custos foram extraídos em reais (R$) e ajustados para 31 de dezembro de 2023, considerando o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA)18,23, multiplicando os valores correspondentes a cada ano pelo índice de correção no período, conforme calculadora do cidadão do Banco Central do Brasil (https://www3.bcb.gov.br/CALCIDADAO/publico/exibirFormCorrecaoValores.do?method=exibirFormCorrecaoValores&aba=1).
Em seguida, os custos foram convertidos para Dólares Americanos (US$) com base na Paridade do Poder de Compra (PPC) do Banco Mundial (https://data.worldbank.org/indicator/PA.NUS.PPP?locations=BR&most_recent_year_desc=fals), referente ao ano de 2022 (último ano disponível na plataforma no momento da coleta de dados).

Análise de dados
Os dados referentes as despesas com a assistência ambulatorial e hospitalar foram apresentados de forma descritiva possibilitando a comparação das despesas em sua totalidade e divididas por ano de processamento, sexo, faixas etárias, regiões geográficas e estados.
Além disso, diferenças relacionadas ao custo para as variáveis sexo e ano foram determinadas, respectivamente, por meio dos teste U de Mann-Whitney e Kruskal-Wallis (Teste de Shapiro-Wilk demonstrou distribuição não paramétrica). As análises foram realizadas no Software Statistical Package for Social Science (SPSS, versão 20), com nível de significância de 5%.
Os dados referentes à perda de produtividade por absenteísmo foram processados e tabulados no programa Excel (Microsoft®) e apresentados de forma descritiva quanto ao ano, sexo, faixa etária, regiões geográficas e estados. Além disso, os dados foram analisados por meio de um modelo linear generalizado, através de uma regressão Gama com link de Log. No modelo, foram consideradas como variáveis resposta a ausência ao trabalho (em dias) e o custo da perda de produtividade18. As variáveis preditoras foram o tipo de benefício, clientela, sexo, filiação, atividade econômica, localização geográfica (regiões geográficas brasileiras) e idade, segundo informações fornecidas pelo INSS. Os seguintes parâmetros foram aplicados ao modelo: Estimativas de parâmetro (método Híbrido e Estimativa de Probabilidade Máxima), efeitos do modelo (análise do III e estatística de Qui-quadrado de Wald) e Nível de confiança de 95%. As análises foram realizadas no Software SPSS (versão 20), com nível de significância de 5% (p<0.05).

Resultados
O custo total da DTM no período avaliado foi de R$ 13.274.921,75 (US$ 5.508.266,29). Os custos com saúde foram de R$ 5.042.087,40 (US$ 2.092.152,45), representando 38% do custo total. Já os custos com o absenteísmo somaram R$ 8.232.834,35 (US$ 3.416.113,84) e representaram 62% do custo total (Tabela 1).
Entre os custos assistenciais, a PH apresentou o maior impacto (22,3% do total), com predominância dos serviços hospitalares, enquanto a PA correspondeu a 15,6% do custo total, tendo os procedimentos diagnósticos como principal componente (Tabela 1).
Observou-se redução dos custos com PA, PH e absenteísmo nos anos de 2020 e 2021, seguida de retomada a partir de 2022, com maiores valores em 2023 para a PA e PH (Tabela 1 e Material suplementar 1); no entanto, as diferenças entre os anos não foram estatisticamente significativas segundo o teste de Kruskal-Wallis (Material Suplementar 2).
Conforme apresentado na Tabela 2, a região Sudeste apresentou os maiores gastos sociais ajustados pela população (R$ por 100.000 habitantes) relacionados à DTM nos anos de 2018 e 2019, seguida pela região Sul. A partir de 2020, a região Centro-Oeste passou a concentrar os maiores valores, mantendo essa posição até 2023, com a região Sudeste ocupando o segundo lugar no período. Em contrapartida, as regiões Norte e Nordeste apresentaram os menores custos ajustados pela população ao longo de todo o período analisado, com destaque para a região Norte, que registrou os menores valores em cinco dos seis anos avaliados.
No âmbito estadual, observou-se que Mato Grosso do Sul apresentou os maiores gastos em cinco dos seis anos analisados; no ano de 2018, o estado de Roraima apresentou os maiores gastos. Destacam-se, ainda, os estados de São Paulo e Mato Grosso, que figuraram entre os cinco estados com maiores custos em diferentes anos do período analisado (Tabela 2).
Conforme observado na Figura 1A, o sexo feminino exibiu maiores custos relacionados à PA e PH para todos os anos avaliados em comparação ao sexo masculino. Esta diferença foi estatisticamente significante para todos os anos avaliados em relação a PA e nos anos de 2018, 2019, 2020, 2022 e 2023 para PH (Material suplementar 3). Já na Figura 1B, pode-se observar que os maiores custos ocorreram na faixa etária de 20 a 69 anos na PA e de 20 a 49 anos na PH.
Quanto ao absenteísmo, foram identificados 1882 registros de benefícios relacionados à DTM no período avaliado. Foram excluídos 18 benefícios por não apresentarem dados relativos à data de início e de despacho, por se tratarem de amparo assistencial ao portador de deficiência (Código 87) ou envolverem beneficiários menores de idade, resultando ao final em 1864 benefícios.
Pode-se observar na Tabela 3 que a maioria dos benefícios foram não relacionados ao trabalho (99,3%), clientela urbana (97,3%), filiação empregado (65%), atividade econômica comerciário (97,2%), sexo feminino (77,4%) e da região Sudeste (54,7%).
Na Tabela 4 observa-se que os benefícios do tipo relacionado ao trabalho, filiação autônomo ou desempregado segurado e região Nordeste apresentaram estatisticamente maior quantidade de dias afastados (absenteísmo). Já os indivíduos do sexo masculino apresentaram, de forma estatisticamente significante, menor absenteísmo do que indivíduos do sexo feminino. Além disso, quanto maior a idade, maior o absenteísmo.
Já em relação aos custos da perda de produtividade por absenteísmo, observa-se que os benefícios relacionados ao trabalho e filiação desempregado segurado exibiram estatisticamente maior custo. Já os indivíduos de clientela rural, sexo masculino, filiações autônomo ou facultativo e região Centro-Oeste exibiram estatisticamente menor custo. Além disso, observou-se que quanto maior a idade, maior o custo do absenteísmo (Tabela 4).

Discussão
Poucos estudos avaliaram os custos da DTM e DOF sobre os sistemas de saúde ou indivíduos. Ademais, até o momento, não foram identificadas pesquisas com delineamento semelhante envolvendo a população brasileira, o que confere ao presente estudo um caráter inédito no país e ao mesmo tempo, limita comparações diretas no contexto nacional; no entanto, é possível estabelecer comparações com investigações conduzidas em outros países.
Estudos desenvolvidos no Reino Unido avaliando o impacto da DOF sobre o National Health Service (NHS) demonstram que a DOF promove elevados custos para o provedor de saúde12,14, pacientes e empregadores13,14. Além disso, demonstra que as DTMs constituem a segunda causa mais comum de DOF, sendo superadas apenas pela dor odontogênica2,24. Apesar das diferenças metodológicas, os resultados do presente estudo, corroboram a literatura ao demonstrar que o maior percentual de custo da DTM na população brasileira foi associado ao absenteísmo, um tipo de custo indireto causado pelo afastamento do trabalhador de suas atividades laborais por incapacidade16. Contudo, não foi avaliado, neste estudo, o impacto da DTM sobre o presenteísmo, caracterizado pela produtividade reduzida no trabalho devido a condição de saúde16.
Um estudo com metodologia semelhante avaliou os custos da dor lombar no período de 2012 a 2016 no Brasil, sendo estimado um custo total de aproximadamente US$ 2,2 bilhões, dos quais US$ 462 milhões corresponderam aos custos de saúde e US$ 1,78 bilhões ao absenteísmo US$ 1,78 bilhões18. No presente estudo o custo total com a DTM foi de aproximadamente US$ 5,5 milhões no período de 6 anos, sendo cerca de US$ 2 milhões relativos aos gastos com saúde e US$ 3,4 milhões relacionados ao absenteísmo.
Observa-se, portanto, uma expressiva discrepância entre os custos dessas condições, apesar de ambas apresentarem similaridades epidemiológicas e clínicas. A dor lombar é uma condição de etiologia multifatorial25, altamente prevalente e incapacitante, com prevalência em adultos brasileiros variando entre 18,5% e 23,4%26-29. Em contrapartida, estudos populacionais indicam elevada frequência de sintomas de DTM no Brasil, alcançando 39,2%4 em adultos e 34,9% em adolescentes7. Entre estes, 20,9% apresentaram diagnóstico de dor miofascial, e 3,5% o diagnóstico de artralgia7. Além disso, demonstrou-se que esta disfunção promove impacto significativo sobre a qualidade de vida, especialmente em indivíduos com comprometimento muscular e articular concomitante8-10,30. Ademais, foi demonstrado que um percentual considerável de indivíduos com dor relacionada à DTM apresenta alta intensidade de dor e incapacidade11.
Em relação aos gastos com saúde, dois fatores podem ajudar a entender esta discrepância entre a dor lombar e a DTM. O primeiro refere-se à ausência de uma rede de atenção ao indivíduo com DOF e DTM no Brasil. Sobre o tema, um estudo nacional com cirurgiões-dentistas da APS evidenciou que 56,3% não realizavam tratamento para DOF e DTM, e 72,2% desconheciam serviços públicos de referência em seus municípios que possam receber os pacientes encaminhados com estas condições31. De forma concordante, a maioria dos gestores em saúde bucal relatou a inexistência de serviços para DOF e DTM tanto na APS (85,5%) quanto na atenção secundária (70,5%)31. A ausência de profissionais capacitados e de diretrizes para o atendimento de pacientes com DTM na Atenção Primária à Saúde (APS) pode impactar diretamente os demais níveis de atenção, uma vez que casos de menor complexidade podem evoluir para quadros crônicos, demandando intervenções mais complexas e maiores custos para o sistema de saúde.
O segundo fator relaciona-se à própria classificação diagnóstica da DTM, que abrange um amplo espectro de condições musculares e articulares3,24. No Sistema de Informações do DATASUS, é possível identificar apenas o CID-10 K07.6 (Transtorno da Articulação Temporomandibular). Este termo pode não envolver todos os subgrupos de diagnósticos, especialmente aqueles de ordem muscular. Outros códigos potencialmente associados à DTM, como M25.5 (Dor articular), M60.1 (Miosite intersticial), M60.8 (outras Miosites), M60.9 (Miosite não especificada) e M79.1 (Mialgia) não foram incluídos, pois não é possível especificá-los quanto a região orofacial no DATASUS. Desta forma, este estudo pode não ter obtido os custos com todos os diagnósticos associados a DTM, contudo, oferece um panorama abrangente e inédito do impacto econômico dessa condição no contexto brasileiro.
Adicionalmente, a ausência de códigos de procedimentos específicos para tratamentos da DOF e DTM no SIGTAP constitui outra importante limitação para a condução de avaliações econômicas relacionadas à DTM direcionadas ao SUS32. No sistema, é possível identificar apenas o código para dispositivos oclusais – DO (07.01.07.007-2), que representa apenas uma das várias opções de tratamento para esta disfunção, que podem ser agrupados em tratamentos conservadores, minimamente invasivos e cirúrgicos33,34. Sem a existência de códigos de procedimentos relacionados à DOF e DTM, o governo não pode repassar os valores para os procedimentos realizados. As dificuldades de registro nos sistemas de saúde do SUS podem também resultar em subnotificação dos atendimentos relacionados a esta disfunção.
O presente estudo revelou, ainda, que a maioria dos gastos no âmbito da PA foi relativo ao grupo de “procedimentos diagnósticos” e na PH a “Serviços hospitalares”, que incluem, entre outros, serviços auxiliares de diagnósticos, demonstrando uma priorização dos gastos de saúde com diagnósticos e exames complementares, especialmente na assistência ambulatorial. Corroborando os achados do presente estudo, uma investigação recente demonstrou que, ao longo de dez anos (2014–2023), foram produzidas apenas cerca de 26 mil DO — uma das principais opções terapêuticas para DTM — nos serviços ofertados pelo SUS, correspondendo a um custo total aproximado de R$ 612 mil. Além disso, alguns estados brasileiros não exibiram registros de produção de DO no período avaliado35. Estes dados enfatizam a necessidade de formulações de políticas públicas em nível nacional, visando a organização de uma rede de atenção ao individuo com DOF/DTM no SUS e o estabelecimento de diretrizes e protocolos de tratamento baseados em evidência.
Em relação ao aspecto geográfico, demonstrou-se neste estudo que as regiões Centro-Oeste e Sudeste exibiram os maiores gastos sociais com DTM, enquanto as regiões Norte e Nordeste exibiram os menores valores. É preciso destacar que gastos mais elevados não refletem necessariamente maior prevalência ou incidência desta disfunção, mas podem indicar maior acesso aos serviços, melhor notificação e maior utilização do sistema de saúde. Estes dados estão de acordo com inquéritos nacionais que demonstraram iniquidades sociais e geográficas no acesso aos serviços de saúde no Brasil36. Ao longo dos anos, apesar de melhora nos indicadores, observou-se nas regiões Norte e Nordeste, por exemplo, menor proporção de pessoas que consultaram com médico e com dentista nos últimos 12 meses36-38.
A análise por estados também reforça este aspecto de iniquidade geográfica no acesso aos serviços de Saúde, visto que os gastos sociais com DTM foram mais elevados, em sua maioria, em estados das regiões Centro-Oeste e Sudeste. Estes dados indicam uma desigualdade na atenção ao paciente com DOF e DTM no Brasil e reforçam a necessidade de organização de uma rede de atenção para estas condições em todo o país.
Os custos com saúde e absenteísmo exibiram uma queda nos anos de 2020 e 2021, período mais crítico da COVID-19. Em um momento no qual as vacinas ainda não estavam disponíveis, as medidas de distanciamento social foram importantes para evitar o colapso dos sistemas de saúde e reduzir os óbitos39. Neste período, os serviços odontológicos foram impactados através da redução no atendimento de consultas eletivas40, redução nos serviços preventivos e curativos41 e redirecionamento das Equipes de Saúde Bucal (ESB) para ações de enfrentamento da COVID-1942. Aliado a redução do número de atendimentos, a provável subnotificação de procedimentos realizados pelas ESB pode explicar a redução dos custos relativos à DTM no período pandêmico, em relação a PA e PH. Para o absenteísmo, a redução poder sido causada pelo distanciamento social, incorporação do trabalho remoto e os elevados afastamentos causados pela própria COVID-19.
Por outro lado, evidências recentes indicam que a pandemia de COVID-19 promoveu mudanças no estilo de vida e no estado psicossocial da população, contribuindo para a intensificação dos sintomas de DTM e bruxismo43–46, onde indivíduos com sintomas de DTM apresentaram maior intensidade de dor45. Adicionalmente, na era pós-COVID, as chances de diagnóstico de DTM dolorosa foram 3,3 vezes maiores em comparação ao período pré-pandêmico, assim como aumentaram as chances de bruxismo do sono (2,7 vezes) e de vigília (3,2 vezes)46. No presente estudo, observou-se a retomada dos gastos em saúde relacionados à DTM a partir de 2022, com pico em 2023, o que sugere um aumento da demanda por atendimento após o período crítico da pandemia. Entretanto, essa demanda crescente confronta-se com a limitada oferta de serviços voltados ao manejo da DTM no âmbito do SUS31.
O presente estudo demonstrou que os maiores custos relacionados à DTM se concentraram na faixa etária de 20 a 69 anos (assistência ambulatorial) e 20 a 49 anos (assistência hospitalar), estando de acordo com o perfil epidemiológico da DTM4,47. Além disso, observou-se que as mulheres exibiram estatisticamente maiores gastos com saúde. Estes dados estão de acordo com estudos prévios que mostraram maior prevalência de DTM em mulheres4,5,48,49. Uma revisão sistemática com metanálise demonstrou que mulheres apresentam maior risco para diferentes subtipos de DTM, com chances 2,08 vezes maiores para distúrbios musculares, 1,6 vezes para deslocamentos de disco e 2,09 vezes para artralgia/artrite/osteoartrose em comparação aos homens50. Essa maior prevalência de sinais e sintomas de DTM no sexo feminino tem sido associada a fatores hormonais, menor limiar de dor, níveis mais elevados de estresse e maior percepção e busca por cuidados em saúde5,50,51.
A perda de produtividade relacionada a DTM e DOF é ainda pouco explorada. Neste estudo, avaliou-se a perda de produtividade pelo absenteísmo associada à DTM no Brasil. A menor média de dias de afastamento das atividades laborais foi observada no ano de 2020 (37,04 ± 2,83) e a maior no ano de 2023 (51,76 ±3,27), resultando em um custo total de aproximadamente R$ 8,2 milhões. Esta média elevada de dias de afastamento indica um impacto negativo sobre a produtividade e qualidade de vida dos indivíduos, além da necessidade de intervenções relacionadas a saúde visando proporcionar melhor qualidade de vida, redução dos afastamentos e custos para o sistema de saúde, empregados e empregadores18.
Um estudo que avaliou 106 indivíduos com mialgia crônica relacionada à DTM observou que 20% relataram afastamentos do trabalho entre 1 e 7 dias, enquanto 13% referiram afastamentos entre 8 e 30 dias52. No presente estudo, a média de dias de afastamento foi substancialmente maior, o que pode ser explicado pelas diferenças metodológicas. Enquanto os dados aqui apresentados referem-se a segurados do INSS com concessão de benefícios por incapacidade em âmbito nacional, os achados de Nogueira et al.52 baseiam-se no autorrelato de uma amostra restrita de indivíduos, o que pode justificar as discrepâncias observadas.
Um estudo com delineamento semelhante, que avaliou a dor lombar, demonstrou uma média anual maior de dias de afastamento (83 a 100 dias), bem como custos superiores associados ao absenteísmo18. Esses achados indicam que a dor lombar exerce maior impacto sobre as atividades laborais quando comparada à DTM, demandando períodos mais prolongados de afastamento do trabalho. Em contrapartida, por envolver predominantemente a região orofacial e a função mastigatória, indivíduos com DTM podem optar por manter suas atividades laborais mesmo diante de sintomas relevantes. Nogueira et al.52 observaram que 57% dos indivíduos com mialgia crônica associada à DTM relataram interferências nas atividades diárias e 67% referiram redução da capacidade laboral, embora o número de dias de afastamento tenha sido baixo. Os autores sugerem que esse cenário pode resultar em perda de produtividade por presenteísmo, hipótese corroborada por estudo realizado no Reino Unido, no qual o presenteísmo representou a principal parcela dos custos totais relacionados à perda de produtividade em indivíduos com DOF13.
Os dados da regressão demonstraram que as mulheres exibiram estatisticamente maior absenteísmo e custos. Este resultado pode ser associado a maior prevalência de sinais e sintomas de DTM neste grupo4,5,47,50. Demonstrou-se também que quanto maior a idade, maior os dias de afastamentos e os custos relacionados. Resultados semelhantes foram descritos para a dor lombar18, e podem indicar que segurados com maior idade exibem maior percepção sobre seus direitos e menor resistência ao impacto negativo das doenças. Além disso, os rendimentos aumentam com a idade até os 55 anos, declinando em seguida53, portanto, os maiores custos podem ser reflexo dos maiores rendimentos de trabalhadores de maior idade.
Neste estudo os segurados rurais exibiram menor custo relacionado a DTM. Resultado semelhante foi descrito para a dor lombar18 e podem estar relacionados aos menores rendimentos de trabalhadores rurais no Brasil comparados aos trabalhadores urbanos nos setores agrícola, comércio, serviços e indústria54. Adicionalmente, as dificuldades de acesso aos serviços para este público também que pode ter contribuído para o menor custo55.
Em relação as regiões geográficas, o Nordeste apresentou estatisticamente o maior absenteísmo, mas não apresentou os maiores custos. Este dado pode ser explicado pelas desigualdades regionais e menores rendimentos na região Nordeste. Dados do IBGE apontam que em 2023 o Nordeste apresentou o menor rendimento domiciliar per capita médio do Brasil (R$ 1.146). O maior valor foi observado na região Sudeste (R$ 2.237) e a média nacional foi R$ 1.842 (https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/9221-sintese-de-indicadores-sociais.html?edicao=42003&t=resultados).

Limitações
Pode-se destacar como limitação o fato de o CID-10 K07.6 incluir predominantemente diagnósticos de origem articular, o que pode ter levado à não inclusão de todos os diagnósticos associados à DTM, especialmente aqueles de origem miogênica. Assim, o custo total com a DTM pode ser superior ao que foi demonstrado neste estudo.
Destaca-se, ainda, como limitação a ausência de avaliação relacionada à perda de produtividade por presenteísmo. Contudo, para esta análise é necessário a realização de um estudo clínico, fugindo da metodologia aqui apresentada que utilizou dados secundários de bancos de dados.

Encaminhamentos
1) O desenvolvimento de estudos de impacto orçamentário para avaliar a viabilidade econômica da implantação de uma rede de atenção ao paciente com DOF e DTM no SUS, possibilitando o acesso e o tratamento de casos mais simples na APS, referência para atenção secundária de casos refratários, complexos ou não resolvidos na APS, e encaminhamento para outras especialidades (Reumatologia, Otorrinolaringologia, Neurologia, Psiquiatria, Fonoaudiologia, Fisioterapia, Psicologia etc), quando necessário56.
2) Adotar nos sistemas de informação no SUS e na prática profissional um sistema padronizado de classificação diagnóstica para DTM e DOF, tais como os critérios de diagnóstico do DC/TMD ou da Classificação Internacional de DOF1.
3) Estabelecer e inserir no SIGTAP códigos específicos de procedimentos relacionados à DOF e DTM, para que o governo federal possa repassar os recursos financeiros referentes a procedimentos de diagnóstico e tratamento realizados.
4) Desenvolvimento de estudos que visem avaliar a perda de produtividade por presenteísmo em pacientes com DTM, envolvendo a população brasileira, a fim esclarecer o impacto sobre os chamados “custos ocultos”13 relacionados à DTM.

Conclusão
O custo total da DTM no Brasil no período de 2018 a 2023 foi de aproximadamente R$ 13,2 milhões, sendo o maior percentual referente à perda de produtividade por absenteísmo, indicando significativo impacto desta disfunção nas atividades laborais. As regiões Centro-Oeste e Sudeste exibiram os maiores gastos sociais ajustados por população e o sexo feminino foi associado ao maior gasto com saúde, dias de afastamento e custo por absenteísmo.
Os custos relacionados à DTM apresentaram redução nos anos de 2020 e 2021, com retomada a partir de 2022. Observou-se que os gastos de saúde concentraram predominantemente nas faixas etárias de 20 a 69 anos na atenção ambulatorial e de 20 a 49 anos na atenção hospitalar. No que se refere à perda de produtividade, os segurados rurais apresentaram menor custo associado ao absenteísmo, enquanto a região Nordeste exibiu maior média de afastamento. Contudo, os custos estimados podem estar subestimados, considerando que a classificação CID-10 utilizada não contempla integralmente todos os diagnósticos de DTM, especialmente os de origem miogênica.
Os resultados indicam a necessidade de estruturar uma rede de atenção às pessoas com DTM no país. Para isso, além do treinamento de profissionais e da implantação de serviços em diferentes níveis de atenção, é necessário estabelecer um sistema padronizado para o diagnóstico da DTM e DOF, bem como padronizar os códigos de procedimentos, a fim de viabilizar o registro e o monitoramento dessas condições nos sistemas de informação do SUS.

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Santos, MFL, Fernandes, ERM, Silva, IS, Araujo, LMPS, Silva, PLP, Moretti, EC, Lima, FJC, Lemos, GA. Impacto da Disfunção Temporomandibular sobre os custos de saúde na esfera federal e perda de produtividade no Brasil. Cien Saude Colet [periódico na internet] (2026/out). [Citado em 06/11/2026]. Está disponível em: http://cienciaesaudecoletiva.com.br/artigos/impacto-da-disfuncao-temporomandibular-sobre-os-custos-de-saude-na-esfera-federal-e-perda-de-produtividade-no-brasil/20186

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