EN PT

Artigos

0239/2026 - Prevalência de edentulismo de 185 países no ano de 2019: estimativas do estudo da Carga Global de Doenças
Prevalence of edentulism in 185 countries in 2019: estimates from the Global Burden of Disease study

Autor:

• Roger Keller Celeste - Celeste, RK - <roger.keller@ufrgs.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-2468-6655

Coautor(es):

• Gabriela Hammes Gehrke - Gehrke, GH - <gabrielahgehrke@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0001-8955-703X

• Luiza Gasparotto Crescente - Crescente, LG - <luizagasparotto@outlook.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-6771-8303

• Alexandre Fávero Bulgarelli - Bulgarelli, AF - <alexandre.bulgarelli@ufrgs.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-7110-251X

• Camila Mello dos Santos - Santos, CM - <mello.santos@ufrgs.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5354-3699



Resumo:

Fatores como urbanização, dieta, renda e desenvolvimento de um país são determinantes distais da saúde das populações. O objetivo foi avaliar a prevalência do edentulismo segundo urbanização, disponibilidade de açúcar, renda e desenvolvimento humano. Trata-se de um estudo ecológico com 185 países no ano de 2019 cujos dados sobre edentulismo estavam disponíveis no banco de dados do Global Burden of Disease. Os países foram categorizados conforme o nível de renda, urbanização, Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e disponibilidade de açúcar e adoçantes, sendo agrupados em quatro categorias conforme a renda. A prevalência de edentulismo foi maior em países de renda média-alta e com mais de 70% da população vivendo em áreas urbanas (6,18% ± 1,72). Países com alto IDH e uma taxa de urbanização acima de 70% apresentaram a maior prevalência de edentulismo (6,58% ± 1,94). Países de renda baixa e com menor urbanização apresentaram a menor prevalência de edentulismo (2,90% ± 1,41). Em relação a disponibilidade de açúcares e adoçantes, a maior prevalência de edentulismo (5,93 ± 1,49) foi verificada naqueles países com disponibilidade de >40 kg/pessoa/ano. A prevalência de edentulismo variou conforme o contexto socioeconômico dos países, sendo mais elevada em cenários de maior urbanização, renda média-alta, alto IDH e maior disponibilidade de açúcares e adoçantes.

Palavras-chave:

Saúde Bucal; Boca Edêntula; Açúcares; Urbanização; Renda.

Abstract:

Factors such as urbanization, diet, income and development of a country are distal determinants of population health. The objective was to evaluate the prevalence of edentulism according to urbanization, sugar availability, income and human development. This is an ecological study with 185 countries in 2019 whose data on edentulism were available in the Global Burden of Disease database. The countries were categorized according to income level, urbanization, Human Development Index (HDI) and availability of sugar and sweeteners, being grouped into four categories according to income. The prevalence of edentulism was higher in upper-middle income countries and with more than 70% of the population living in urban areas (6.18% ± 1.72). Countries with a high HDI and an urbanization rate above 70% had the highest prevalence of edentulism (6.58% ± 1.94). Low-income countries with less urbanization had the lowest prevalence of edentulism (2.90% ± 1.41). Regarding the availability of sugars and sweeteners, the highest prevalence of edentulism (5.93% ± 1.49) was observed in countries with an availability exceeding 40 kg per person per year. The prevalence of edentulism varied according to the socioeconomic context of the countries, with higher prevalence observed in those with greater urbanization, upper-middle income, high HDI, and greater availability of sugars and sweeteners.

Keywords:

Oral Health; Mouth, Edentulous; Sugars; Urbanization; Income.

Conteúdo:

Introdução
Condições socioeconômicas impactam na saúde dos países1. Nesse sentido, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é um importante marcador multidimensional, utilizando não apenas a dimensão renda, mas também as dimensões saúde e educação2. Além disso, o desenvolvimento econômico de um país pode aumentar ou diminuir a prevalência de doenças, entre 2010 e 2017, países que obtiveram melhora no IDH apresentaram maior redução na prevalência de dentes permanentes com cárie1. Por outro lado, países com menores valores de IDH também apresentam maior prevalência de dor de dente3, menor proporção de indivíduos que consultaram um dentista no último ano4, e maior proporção de consultas odontológicas em função de dor dentária ou extração5.
A urbanização, condição de vida norteada pelo afastamento das características rurais, é uma realidade das populações atuais, e ocorre devido ao aumento proporcional da população urbana em relação à rural, bem como devido ao crescimento desorganizado e à transformação de pequenas cidades em grandes centros urbanos6. Porém, determinantes como desigualdade econômica, estresse, condições insalubres de moradia e poluição podem levar ao aumento de doenças cardiovasculares, respiratórias, obesidade, diabetes e problemas envolvendo a saúde mental destas populações7-10. Além disso, hábitos comuns em grandes centros urbanos, como alimentação baseada em muitos alimentos açucarados, assim como renda baixa estão associados a uma pior saúde bucal, trazendo implicações para a saúde11.
À medida que os países se tornam mais industrializados, as dietas e estilos de vida de suas populações se modificam. O modelo de transição nutricional descreve a mudança de uma dieta baseada em carboidratos complexos, para uma dieta que é rica em gorduras, açúcares, alimentos ultraprocessados e pobre em fibra12,13. O ritmo de urbanização em países de renda baixa excedeu o crescimento econômico, o que levou a um aumento significativo no consumo de açúcares e gorduras vegetais. A melhoria na renda permitiu que esses países tivessem acesso a dietas ricas em gordura, facilitadas pela disponibilidade de óleos vegetais baratos. Esse aumento no consumo de gorduras e adoçantes é ainda mais impulsionado pela urbanização12. Dessa forma, a relação entre renda e consumo de alimentos mudou, e por isso as gorduras vegetais passaram a representar uma proporção crescente na dieta global12,14.
Ademais, a falta ou acesso limitado a atendimento odontológico e água fluoretada, mais comuns em países de renda baixa e média, são outros fatores que contribuem para a perda total dos dentes15. Entretanto, apesar dos avanços odontológicos, a perda de dentes persiste tanto em países industrializados quanto em países em desenvolvimento. Ainda não há consenso entre os estudos sobre quais são as variáveis mais relevantes para a perda de dentes, se são os fatores de risco relacionados a doenças dentárias ou os fatores sociocomportamentais16.
Pesquisas que utilizaram modelos de regressão baseados em coortes etárias para avaliar tendências e projetar a perda dentária indicam que a taxa de edentulismo é um indicador confiável de saúde bucal das populações17-18. A prevalência global de edentulismo em 2010 foi de 2,3% da população geral, o que representa, aproximadamente, 158 milhões de pessoas. Além disso, a perda dentária grave, definida como ter menos de nove dentes permanentes na boca, apresentou uma estimativa geral de 2,4%. Foram identificadas diferenças geográficas significativas na saúde bucal em relação à prevalência e incidência de perda dentária grave. Adicionalmente, há algumas regiões, como o sul da Ásia, Europa Oriental, sul da América Latina, Oceania e África Subsaariana Central, ainda não apresentaram melhorias no cenário da saúde bucal19.
A urbanização dos países pode contribuir para o aumento do edentulismo, devido à transição nutricional e ao aumento da disponibilidade de açúcares na dieta. No entanto, essa transição ocorre gradual e progressivamente de maneira diferente entre os países. A importância disso reside em compreender os impactos da urbanização e da transição nutricional na saúde bucal e na ocorrência do edentulismo em diferentes países. Nesse sentido, determinantes macroestruturais influenciam a perda dentária e o edentulismo por meio de processos complexos, que envolvem desigualdades no acesso aos serviços odontológicos, na oferta de ações preventivas e na exposição a fatores de risco ao longo do curso de vida. Compreender como são os resultados de países que já passaram por essa transição, quais são as tendências atuais, pode contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas efetivas no combate ao edentulismo e na promoção da saúde bucal. Portanto, o objetivo deste estudo foi avaliar a prevalência do edentulismo segundo urbanização, disponibilidade de açúcar, renda e desenvolvimento dos países no ano de 2019.

Métodos

Trata-se de um estudo ecológico no qual as unidades de análise foram os 185 países cujas informações estavam disponíveis no banco de dados do Global Burden of Disease (GBD). O GBD utiliza diversas fontes de dados e metodologia padronizada, a fim de gerar estimativas comparáveis de prevalência de doenças segundo idade, sexo, ano e localização geográfica20.
Os dados de edentulismo foram extraídos do banco de dados do GBD, com resultados disponíveis na página WEB do Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME) da Universidade de Washington, Estados Unidos IHME: https://vizhub.healthdata.org/gbd-results/. A metodologia padronizada de análise adotada pelo GBD torna possível comparar países21.
Para fins de apresentação dos resultados, os países foram categorizados conforme o nível de renda nacional bruta per capita, urbanização, Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e disponibilidade de açúcar e adoçantes. Os países foram agrupados em quatro categorias de acordo com o critério estabelecido pelo Banco Mundial (BM). Para a classificação, foi utilizado o método Atlas, um indicador desenvolvido pelo próprio BM que leva em consideração a renda nacional bruta (RNB) per capita22.
No ano de 2020, foram definidas as categorias econômicas com base na renda per capita23. Seguindo essa classificação, houve a inclusão de 31 países na categoria de renda baixa, 50 países na categoria de renda média-baixa, 53 países na categoria de renda média-alta e 51 países na categoria de renda alta, totalizando 185 países (Figura 1).
A porcentagem da população total de um país que reside em áreas urbanas foi coletada utilizando-se dados do BM24. Os países foram categorizados em duas categorias: menos de 70% da população vivendo em áreas urbanas ou mais de 70% da população vivendo em áreas urbanas (Figura 2).
O IDH mede as conquistas médias de um país em três aspectos básicos do desenvolvimento humano: a) renda: indicador que apresenta o padrão de vida de um país, medido pela Renda Nacional Bruta (RNB) per capita, ajustada pelo poder de paridade de compra (PPC) para permitir comparações entre países, e corrigida pela inflação para garantir a consistência ao longo do tempo; b) educação: medida pela média de anos de educação de adultos (número médio de anos de educação recebidos durante a vida por pessoas a partir de 25 anos) e a expectativa de anos de escolaridade para crianças na idade de iniciar a vida escolar; e por último, c) saúde: medida pela expectativa de tempo de vida. O IDH é expresso como um valor entre 0 e 1, e quanto maior o desenvolvimento humano de um país, maior é o valor do seu IDH25. Foi coletado para o presente estudo, o IDH de todos os países para o ano de 2019, de acordo com o Relatório de Desenvolvimento Humano de 202026.
As informações sobre a disponibilidade de açúcares e adoçantes foram obtidas do banco de dados Food Balance, que mede kg/pessoa/ano em nível nacional entre os anos de 2010 e 2018. Uma análise preliminar mostra pouca variação ao longo do tempo dentro dos países, por exemplo, o Brasil, no ano de 2010, teve uma disponibilidade de açúcares de 42,8 kg/pessoa/ano, e em 2018 de 42,3 kg/pessoa/ano. Assim, as análises foram conduzidas com as médias entre os anos disponíveis como forma de minimizar perdas de países com ausência de algum ano, ou anos atípicos. Os dados são fornecidos pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e estão disponíveis em seu site (https://www.fao.org/faostat/en/#data/FBS).
Foi realizada análise descritiva das variáveis do estudo. Foram incluídas as estimativas para prevalência de edentulismo no ano de 2019, padronizadas por idade, com o seu respectivo desvio padrão, e a análise foi realizada a partir de ambos os sexos. Análises foram realizadas no software Stata 19.0.
O estudo foi dispensado de apreciação por Comitê de Ética em Pesquisa, pois utiliza exclusivamente bancos de dados secundários de domínio público, sem identificação nominal. Observaram-se os princípios éticos constantes da Resolução do Conselho Nacional de Saúde 510/2016.
Resultados
A prevalência de edentulismo foi maior em países de renda média-alta com mais de 70% da população vivendo em áreas urbanas (6,18% ± 1,72). Verificou-se, também, que países de renda baixa, com menos de 70% da população vivendo em áreas urbanas, apresentaram a menor prevalência de edentulismo (2,90% ± 1,41). Quanto ao IDH do país por urbanização, observou-se que países com alto IDH e uma taxa de urbanização acima de 70% apresentaram a maior prevalência de edentulismo (6,58% ± 1,94). Por outro lado, a menor prevalência de edentulismo (3,90% ± 2,17) foi observada no grupo de países com baixo/médio IDH e uma taxa de urbanização inferior a 70%. Em relação a disponibilidade de açúcares e adoçantes, a maior prevalência de edentulismo (5,93 ± 1,49) foi verificada naqueles países com elevada disponibilidade (>40 kg/pessoa/ano) (Tabela 1).
A disponibilidade de açúcares e adoçantes cresce à medida que o IDH dos países aumenta. Nos países com classificação de IDH alto e muito alto, a disponibilidade de açúcares e adoçantes é predominantemente superior a 40 kg/pessoa/ano, independentemente do nível de urbanização. Nos países com IDH baixo/médio e pouco urbanizados, verificou-se a menor disponibilidade de açúcares e adoçantes no grupo, sendo que 60,6% apresentaram disponibilidade de até 20 kg/pessoa/ano. Em contrapartida, os países de renda alta e com maior urbanização apresentam disponibilidade superior a 40 kg/pessoa/ano de açúcares e adoçantes por ano. Já os países menos urbanizados, de renda média-baixa e baixa, apresentam as maiores proporções de baixa disponibilidade de açúcares e adoçantes (abaixo de 20 kg/pessoa/ano). Apenas um país de renda baixa apresentou elevada disponibilidade de açúcares e adoçantes (>40 kg/pessoa/ano) (Tabela 2).

Discussão

Em uma análise geral considerando todos os países estudados, as maiores prevalências de edentulismo foram observadas nos países com maior taxa de urbanização, renda média-alta, alto Índice de Desenvolvimento Humano - IDH e elevada disponibilidade de açúcares e adoçantes. Em países de renda baixa e menos urbanizados, observaram-se baixa disponibilidade de açúcares e adoçantes e menor prevalência de edentulismo. Dessa maneira, a urbanização parece exercer pouca influência sobre a prevalência de edentulismo em países de renda alta e média-alta. Além disso, observou-se maior disponibilidade de açúcares e adoçantes nos países mais urbanizados com baixo/médio IDH e renda média-baixa.
A literatura é robusta ao demonstrar a associação em nível individual entre renda e perda dentária27,28, mas em nível ecológico tal associação não é tão clara, embora países de menor renda possuem uma maior carga de doenças bucais1. Fatores contextuais e individuais devem ser considerados ao estudar o edentulismo29,30. Nesse sentido, estudos apontam que alguns países de renda baixa apresentam baixas taxas de edentulismo16,31, o que corrobora os achados do presente estudo, e sugere que apenas o componente renda pode não ser suficiente para explicar a perda dentária. Um fator importante associado à perda dentária é a escolaridade, tendo em vista que adultos com níveis educacionais mais baixos apresentam maior perda dentária, independentemente de viverem em locais com IDH alto ou baixo28.
Os achados do presente estudo demonstram maior prevalência de edentulismo em países de renda média-alta mais urbanizados, em comparação aos países de renda baixa menos urbanizados. A diferença na perda dentária entre adultos rurais e urbanos pode ser explicada pelo maior acesso a uma dieta rica em açúcares32. Além disso, residentes de áreas urbanizadas, as quais tendem a ser economicamente mais desenvolvidas, acabam por ter um maior poder de compra e acesso a alimentos não saudáveis33, o que ratifica os achados do presente estudo. Em outro estudo que comparou a dieta e atividade de 1.005 residentes do Peru (503 urbanos, 502 rurais), foi observado que os moradores urbanos consumiram alimentos calóricos, como grãos refinados, sobremesas, açúcar e refrigerantes, com maior frequência. Adicionalmente, eles consumiram mais que o dobro da quantidade de açúcar adicionado (20 g vs. 8,6 g, p = 0,11) e produtos açucarados em geral, como doces, sobremesas e misturas de bebidas açucaradas (98 g vs. 46 g, p = 0,02)34.
É possível associar o maior edentulismo a estas condições, visto que alta taxa de urbanização, mesmo refletindo dimensões elevadas de renda, educação e saúde, leva a uma alimentação rica em carboidratos e açúcares32,35-37. O aumento no consumo de açúcares, por sua vez, leva à doença cárie que, em muitas situações, resulta na perda dentária38.
Não foram encontradas na literatura evidências da baixa prevalência de edentulismo em países com baixo IDH. Tal fator socioeconômico mostra-se o oposto, visto que o baixo IDH reflete maior prevalência de edentulismo devido a dificuldades de acesso a serviços de saúde bucal, baixo nível educacional bem como limitado suporte social39. A menor prevalência de edentulismo em países com baixa taxa de urbanização pode estar associada ao fato de que na atualidade as áreas rurais enfrentam desafios sociais importantes, o que leva ao desenvolvimento de iniciativas como o desenvolvimento de programas de promoção de saúde bucal com envolvimento comunitário40.
Embora a literatura aponte que países com baixo IDH apresentem maiores prevalências de edentulismo devido a barreiras de acesso a serviços odontológicos, baixo nível educacional e fragilidade dos sistemas de saúde, os resultados da presente pesquisa indicaram menor prevalência de edentulismo em 2019 nesses contextos. Essa aparente contradição pode estar associada a diferentes fatores. Destaca-se que a baixa disponibilidade de açúcares e adoçantes nesses países, o que pode reduzir a doença cárie que, em muitas situações, resulta na perda dentária. Tais elementos reforçam que o IDH, de forma isolada, não explica a complexidade do edentulismo, sendo necessário analisar múltiplos determinantes socioeconômicos e demográficos.
Além disso, no presente estudo verificou-se que quanto maior o IDH dos países, maior foi a disponibilidade de açúcares e adoçantes. Segundo as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), é recomendado que adultos limitem sua ingestão diária de açúcar a menos de 50g, aproximadamente, em sua ingestão total de energia diária41, sendo que os resultados desse estudo mostraram que em países com IDH classificado como alto ou muito alto, a disponibilidade de açúcares e adoçantes é predominantemente superior a 100g por dia, o dobro do recomendado, independentemente do nível de urbanização. Apenas os países com IDH baixo/médio, renda média-baixa e baixa, e pouco urbanizados, seguem predominantemente o recomendado, ou seja, até 50g por dia. Não foram encontrados estudos na literatura relacionando o IDH do país com a disponibilidade de açúcar.
A maior prevalência de edentulismo (5,93 ± 1,49) foi verificada naqueles países com elevada disponibilidade de açúcar e adoçantes (>40 kg/pessoa/ano). Estudos envolvendo diferentes populações têm mostrado o papel da alta frequência de ingestão de açúcar na ocorrência de cárie42-45. Nesta pesquisa, os países de renda alta e com maior urbanização, apresentaram maior disponibilidade de açúcares e adoçantes >40 kg/pessoa/ano. Além disso, nenhum país do grupo de renda alta e urbanizado apresentou disponibilidade inferior a 20 kg/pessoa/ano. Ao contrário acontece com países de renda baixa, apenas um país com disponibilidade elevada de açúcares e adoçantes.
A disponibilidade global de açúcar verificou uma tendência de aumento no consumo de adoçantes calóricos. Essa mudança está relacionada ao aumento da renda per capita e à urbanização, pois à medida que esses indicadores aumentam, o consumo de açúcar também aumenta46,47. A composição demográfica, incluindo a proporção de população urbana e os níveis de renda per capita, explicam mais de 80% das mudanças na ingestão de adoçantes calóricos nos países47. Um estudo48 observou que houve um aumento significativo mais rápido ao acesso de bebidas adoçadas com açúcar em países de renda baixa e média do que em países de renda alta. Ademais, o aumento do consumo de bebidas adoçadas com açúcar em países de renda baixa e média, está associado à urbanização generalizada e ao crescimento econômico, que aumentaram a disponibilidade dessas bebidas46,49.
Por outro lado, outra evidência50 mostrou que em países de renda alta, a globalização tem sido associada a uma tendência de diminuição das taxas de cárie, possivelmente devido à disponibilidade e acessibilidade de produtos preventivos, como creme dental fluoretado. Ademais, a globalização está fortemente ligada a um melhor serviço de saúde nesses países. Já em países de renda média e baixa, a globalização teve uma correlação positiva e significativa com serviço de saúde e fatores relacionados à saúde, como o consumo de açúcar e a obesidade, indicando que o aumento da globalização pode ter contribuído para um maior consumo de açúcar e taxas mais altas de obesidade nessas nações50.
A urbanização no mundo em desenvolvimento está fortemente relacionada ao acesso a alimentos processados com alto teor de açúcar46,47. À medida que ocorrem aumentos na renda per capita juntamente com a urbanização, as decisões de consumo de alimentos são influenciadas, levando a um maior consumo de alimentos processados e uma diminuição no consumo de alimentos ricos em fibras13,46,47. A urbanização também está ligada ao maior acesso aos meios de comunicação de massa modernos e em relação a dieta, os moradores de áreas urbanas costumam ter maior opção de alimentos a preços mais baixos, maior proximidade local dos supermercados, alimentos estocados (frequentemente processados), além de maior facilidade de acesso a refrigeração e microondas, que influencia na escolha dos alimentos13,46.
Além disso, a liberdade econômica e as políticas de liberalização comercial resultam no aumento da disponibilidade de açúcar e alimentos processados com baixo valor nutricional, o que está associado ao aumento das taxas de obesidade e outras doenças não transmissíveis51,52. A maior acessibilidade dos produtos leva a um aumento no consumo devido à redução dos preços e ao aumento da renda em muitos países47. Ademais, os resultados do presente estudo suscitam reflexões importantes para as políticas públicas, indicando que as estratégias de enfrentamento ao edentulismo precisam ser contextualizadas às condições socioeconômicas e demográficas. Em países de baixo IDH, torna-se prioritário ampliar o acesso aos serviços odontológicos básicos e fortalecer ações comunitárias de promoção da saúde bucal. Já em países de médio e alto IDH, nos quais o consumo de açúcares excede as recomendações da OMS, é essencial adotar medidas regulatórias sobre a disponibilidade e a publicidade de alimentos ultraprocessados, além de promover ambientes alimentares mais saudáveis. Nos contextos mais urbanizados, políticas intersetoriais que articulem saúde, nutrição e educação podem contribuir para a redução do consumo excessivo de açúcar e, consequentemente, da ocorrência de edentulismo. Assim, compreender a interação entre urbanização, renda, desenvolvimento humano e padrões alimentares é fundamental para subsidiar políticas públicas mais efetivas.
Esses resultados devem ser interpretados com algumas limitações. Primeiramente, os objetivos desta pesquisa foram avaliados em nível ecológico, portanto, o estudo está sujeito a algumas limitações metodológicas, principalmente a "falácia ecológica". A cárie dentária era uma doença de países ricos até 1982, quando a Organização Mundial da Saúde relatou pela primeira vez um índice CPOD (número de dentes cariados, perdidos e obturados) maior nos países mais pobres do que entre os mais ricos53. Os achados atuais, em boa parte, refletem o atraso dessa transição epidemiológica em países mais pobres. Em segundo lugar, observamos uma escassez de fontes de dados sobre a disponibilidade de açúcar e adoçantes disponíveis em regiões geográficas e períodos específicos, assim utilizou-se esses dados para o ano de 2011 e para as outras variáveis estudadas utilizou-se o ano de 2019. Além disso, o limiar para determinar a urbanização de um país foi escolhido pelos pesquisadores devido à falta de um critério universalmente aceito. Adicionalmente, por se tratar de um estudo de abordagem ecológica, as análises não permitem estabelecer uma relação de causalidade ou identificar as possíveis causas que influenciaram as mudanças nos padrões da doença ao longo do período estudado. Nosso estudo, no entanto, apresenta as seguintes vantagens: é o primeiro estudo a explorar o papel da urbanização associado a disponibilidade de açúcar, renda, desenvolvimento econômico e edentulismo em 185 países. Finalmente, a urbanização pode desempenhar papéis diferentes na saúde bucal e pode ser objeto de pesquisas futuras.
Pesquisas futuras poderiam aprofundar a compreensão das relações entre urbanização, disponibilidade de açúcar, renda, desenvolvimento humano e edentulismo por meio de desenhos longitudinais ou estudos em nível individual, a fim de superar limitações próprias das análises ecológicas. Seria relevante investigar o papel de políticas públicas específicas, padrões culturais, educação em saúde bucal e acesso a serviços preventivos em diferentes contextos socioeconômicos. Estudos que incluam informações detalhadas sobre faixa etária, escolaridade, hábitos alimentares e utilização de serviços odontológicos permitiriam identificar determinantes individuais e contextuais mais precisos do edentulismo. Além disso, investigações regionais e comparativas entre áreas urbanas e rurais em países de baixo e médio IDH poderiam esclarecer os fatores que explicam a menor prevalência de edentulismo em determinados contextos, fornecendo subsídios importantes para o planejamento de políticas públicas.
Declaração de Disponibilidade de Dados
As fontes dos dados utilizados na pesquisa estão indicadas no corpo do artigo.

Referências

1. Crescente LG, Gehrke GH, Santos CM. Changes in the prevalence of decayed permanent teeth in Brazil and upper-middle income countries in the years 1990 and 2017. Cien Saude Colet 2022;27:1181-1190.

2. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Valores e desenvolvimento humano 2012. Brasília: PNUD; 2012.

3. Ardila CM, Agudelo-Suárez AA. Association between dental pain and caries: a multilevel analysis to evaluate the influence of contextual and individual factors in 34 843 adults. J Investig Clin Dent 2016;7(4):410-416.
4. Fagundes MLB, Lima MDL, Santos TF dos, Cavalcanti FL, Barros MA de, Lima JO, Oliveira RF, Souza GP de, Neves RG, Oliveira VG de, Souza JA de A, Lima BLO, Silva VL da, Martins PT de T. Socioeconomic inequalities in the use of dental services in Brazil: an analysis of the 2019 National Health Survey. Rev Bras Epidemiol 2021;24.
5. Cunha AR, Oliveira FP, Souza Júnior PRB, Lima FR, Costa CF, Costa Júnior MB, Silva PM, Monteiro GA, Reis SC, Faria Júnior RM, Silva RA, Almeida AS, Souza AG. Toothache and tooth extraction as reasons for dental visits: an analysis of the 2019 National Health Survey. Braz Oral Res 2022;36.

6. Shen Y, Sun W. From Villages to Urban Neighborhoods: Urbanization and Health. China & World Economy 2023;31(2):137-158.

7. Ucan O, Ovayolu N. Relationship between diabetes mellitus, hypertension and obesity, and health-related quality of life in Gaziantep, a central south-eastern city in Turkey. J Clin Nurs 2010;19:2511-2519.

8. Sun C, Wang Y, Zhu Z. Urbanization and residents’ health: from the perspective of environmental pollution. Environ Sci Pollut Res 2023;30(25):67820-67828.

9. Ventriglio A, Biondi M, Bellini M, Caverzasi E, Montagna E, Rocca P, Tondo L. Urbanization and emerging mental health issues. CNS Spectr 2021;26(1):43-50.

10. Zhang Z, Li J, Wang J, Liu L, Chen Y, Zhang W, Sun M, Liu Y, Zhang Z. How does urbanization affect public health? New evidence from 175 countries worldwide. Front Public Health 2023;10:1096964.

11. Bassim C, Perera S, Lix LM, Slaughter SE, Arcand M, Bounajm H, Hunter M, Vogt J, Boyer E, Katz J, Green S, Paterson M, McCarthy L, Beauchamp MK. Oral health, diet, and frailty at baseline of the Canadian longitudinal study on aging. J Am Geriatr Soc 2020;68(5):959-966.

12. Drewnowski A, Popkin BM. The nutrition transition: new trends in the global diet. Nutr Rev 1997;55(2):31-43.

13. Breewood H. What is the nutrition transition? (Foodsource: building blocks). Food Climate Research Network, University of Oxford; 2018. [acessado 2024 nov 10]. Disponível em: https://tabledebates.org/building-blocks/what-nutrition-transition

14. Monteiro CA, Cannon G, Levy RB, Louzada ML, Rauber F, Pereira PC, Costa Louzada ML, Martins AP, Claro RM, Machado PP, Buss P, Claro S. A new classification of foods based on the extent and purpose of their processing. Cad Saude Publica 2010;26(11).


15. Tyrovolas S, Panagiotakos DB, Christodoulou S, Stathi S, Koyanagi A, Garfinkel L, Li J, Zhang Y, de Oliveira C, Falcão V, Rigon E, Stefanidis C, Vasilenko L, Rivadeneira F, Stranges S, Chaves G, Bianchini F, Sant'Anna L, Georgiadis T, Fountoulakis K, Kanellis E. Population prevalence of edentulism and its association with depression and self-rated health. Sci Rep 2016;6(1):37083.

16. Müller F, Schimmel M, Biffi F, Pjetursson BE, Hämmerle CH, Weber HP. Oral health for an ageing population: the importance of a natural dentition in older adults. Int Dent J 2017;67(Suppl. 2):7-13.

17. Schwendicke F, Borns-Weider S, Stolpe M, Holst D, Gernand M, Fischer M, Reissmann DR. Tendências epidemiológicas, fatores preditivos e projeção de perda dentária na Alemanha 1997-2030: parte II. Edentulismo em idosos. Clin Oral Investig 2020;24:3997-4003.

18. Slade GD, Akinkugbe AA, Sanders AE. Projections of U.S. edentulism prevalence following 5 decades of decline. J Dent Res 2014;93(10):959-965.

19. Kassebaum NJ, Bernabe E, Dahiya M, Bhandari B, Murray CJL, Marcenes W. Global burden of severe tooth loss: a systematic review and meta-analysis. J Dent Res 2014;93(7 Suppl):20S-28S.

20. Institute for Health Metrics and Evaluation - IHME. Official Site. 2023.[acessado 2024 nov 10]. Disponível em: http://www.healthdata.org/

21. GBD 2013 Risk Factors Collaborators, Forouzanfar Mohammad H, Alexander Lydia, Anderson Harry R, Bhutta Zulfiqar A, Biryukov S, Brauer Michael, Burnett Richard, Cao J, Coates M M. Global, regional, and national comparative risk assessment of 79 behavioural, environmental and occupational, and metabolic risks or clusters of risks in 188 countries, 1990-2013: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2013. Lancet 2015;386(10010):2287-2323.

22. The World Bank. The World Bank Atlas method - detailed methodology. 2020a. [acessado 2024 nov 10]. Disponível em: https://datahelpdesk.worldbank.org/knowledgebase/articles/378832-what-is-the-world-bank-atlas-method

23. The World Bank. World Bank Country and Lending Groups. 2020b. Accessed 6 Jan 2020. [acessado 2024 nov 10]. Disponível em:https://datahelpdesk.worldbank.org/knowledgebase/articles/906519-world-bank-country-and-lending-groups

24. The World Bank. Urban population (% of total population). 2023. [acessado 2024 nov 10]. Disponível em:https://data.worldbank.org/indicator/SP.URB.TOTL.IN.ZS

25. United Nations Development Programme. Human Development Index. [Internet]. New York: United Nations Development Programme.[acessado 2024 nov 10]. Disponível em: https://hdr.undp.org/data-center/human-development-index#/indicies/HDI

26. United Nations Development Programme. Human Development Report 2020: The Next Frontier: Human Development and the Anthropocene. New York: UNDP; 2020. [acessado 2024 nov 10]. Disponível em: https://hdr.undp.org/content/human-development-report-2020

27. Celeste RK, Darin-Mattsson A, Lennartsson C, Listl S, Peres MA, Fritzell J. Social Mobility and Tooth Loss: A Systematic Review and Meta-analysis. J Dent Res 2022;101(2):143-150.
28. Seerig LM, Nascimento GG, Peres MA, Horta BL, Demarco FF. Tooth loss in adults and income: Systematic review and meta-analysis. J Dent 2015;43(9):1051-1059.

29. Singh GM, Micha R, Khatibzadeh S, Lim SS, Rehm CD, Peñalvo JL, Cudhea F, Irazola V, Bhutta ZA, Ali MK, Danaei G, Ezzati M. Global, regional, and national consumption of sugar-sweetened beverages, fruit juices, and milk: a systematic assessment of beverage intake in 187 countries. PLoS One 2015;10(8):e0124845.

30. Roberto LL, Lima AM, Paiva SM, Almeida FCS, Maciel SM, Almeida RF, Pinheiro TF, Figueiredo RP, Ferreira EF.Contextual and individual determinants of tooth loss in adults: a multilevel study. BMC Oral Health 2020;20(1):73.

31. Borg-Bartolo R, Carpio A, Pinheiro S, Silva A, Rocha M, Almeida A, Souza E, Andrade M, Costa R, Lemos G. Global prevalence of edentulism and dental caries in middle-aged and elderly persons: A systematic review and meta-analysis. J Dent 2022;127:104335.

32. Kobayashi E, Taniguchi Y, Ueno Y, Iwasa H, Kawachi I. Living alone and depressive symptoms among older Japanese: Do urbanization and time period matter? J Gerontol B Psychol Sci Soc Sci 2023;78(4):718-729.

33. Watts AW, Van der Horst K, Gillebaard W, Weijs P, van Stralen MM, Kremers SPJ. A qualitative study exploring how school and community environments shape the food choices of adolescents with overweight/obesity. Appetite 2015;95:360-367.

34. McCloskey ML, Hernandez DC, Lee RE, O'Connor TM, Tanofsky-Kraff M, Epstein LH. Disparities in dietary intake and physical activity. Int J Behav Nutr Phys Act 2017;14(1):90.

35. Ucan O, Ovayolu N. Relationship between diabetes mellitus, hypertension and obesity, and health-related quality of life in Gaziantep, a central south-eastern city in Turkey. J Clin Nurs 2010;19(17-18):2511-2519.

36. Kuddus MA, Tynan E, McBryde E. Urbanization: a problem for the rich and the poor? Public Health Rev 2020;41:1-4.
37. Zhang Z, Wang Y, Li J, Zhang X, Li X, Li Z, Wei X, Wang Z, Xie L, Chen X, Liu Y, Yang J. How does urbanization affect public health? New evidence from 175 countries worldwide. Front Public Health 2023;10:1096964.
38. Emami E, de Souza RF, Feine JS, de Groot J, Mathur M, Lavigne GJ, Khojasteh A, de Oliveira GC. The impact of edentulism on oral and general health. Int J Dent 2013;498305.

39. Al-Rafee MA. The epidemiology of edentulism and the associated factors: A literature review. J Fam Med Prim Care 2020;9(4):1841-1843.

40. Sampaio FC, Roncalli AG, Lima KS, Silva TN, Santos MDS, Morais MM, Lima EC, Oliveira AG, Nascimento GG, Costa SM, Andrade PM, Mendes FM. Dental caries prevalence, prospects, and challenges for Latin America and Caribbean countries: a summary and final recommendations from a Regional Consensus. Braz Oral Res 2021;35:e056.

41. World Health Organization. Guideline: sugars intake for adults and children. Geneva: World Health Organization; 2015.

42. Martignon S, Braga MM, Lima KC, Roncalli AG, Costa SM, Silva TN, Morais MM, Oliveira AG, Mendes FM, Sampaio FC. Risk factors for dental caries in Latin American and Caribbean countries. Braz Oral Res 2021;35(Suppl 1):e053.

43. Moynihan PJ, Kelly SA. Effect on caries of restricting sugars intake: systematic review to inform WHO guidelines. J Dent Res 2014;93(1):8-18.

44. Moynihan P. Sugars and dental caries: evidence for setting a recommended threshold for intake. Adv Nutr (Bethesda) 2016;7(1):149-156

45. Melo MMDC, Cavalcanti AL, Lima MC, Dantas MS, Melo ECP, Almeida RM, Ferreira E. Fatores associados à cárie dentária em pré-escolares do Recife, Pernambuco, Brasil. Cad Saude Publica 2011;27(3):372-380.

46. Malik VS, Frank BH. The role of sugar-sweetened beverages in the global epidemics of obesity and chronic diseases. Nat Rev Endocrinol 2022;18(4):205-218.

47. Popkin BM, Nielsen SJ. The sweetening of the world's diet. Obesity Res 2003;11(11):1325-1332.

48. Blecher E, Vandevijvere S, Casteleyn L, Luntamo M, McLaren L, Rojas N, Stoklosa M, Thow AM, Neal B. Global trends in the affordability of sugar-sweetened beverages, 1990-2016. Prev Chronic Dis 2017;14:E37.

49. Malik V, Willett W, Hu F. Global obesity: trends, risk factors and policy implications. Nat Rev Endocrinol 2013; 9(1):13-27.

50. Alsuraim BS, Dong-Hun H. Effect of globalization on global dental caries trend. Medicine 2020; 99(35):e21767.

51. Thow AM, Hawkes C. The implications of trade liberalization for diet and health: a case study from Central America. Global Health 2009;5(1):1-10.

52. Lin TK, Teymourian Y, Tursini MS. The effect of sugar and processed food imports on the prevalence of overweight and obesity in 172 countries. Glob Health 2018;14(1):1-10.
53. Sheiham A. Changing trends in dental caries. Int J Epidemiol 1984;13:142-147.




Outros idiomas:







Como

Citar

Celeste, RK, Gehrke, GH, Crescente, LG, Bulgarelli, AF, Santos, CM. Prevalência de edentulismo de 185 países no ano de 2019: estimativas do estudo da Carga Global de Doenças. Cien Saude Colet [periódico na internet] (2026/set). [Citado em 11/09/2026]. Está disponível em: http://cienciaesaudecoletiva.com.br/artigos/prevalencia-de-edentulismo-de-185-paises-no-ano-de-2019-estimativas-do-estudo-da-carga-global-de-doencas/20137?id=20137&id=20137

Últimos

Artigos



Realização



Patrocínio