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0272/2026 - Violência política de gênero nos meandros parlamentares brasileiros e efeitos na saúde de perspectiva interseccional
Gender-based political violence within Brazilian parliaments and its effects on health from an intersectional perspective

Autor:

• Vera Lucia Marques da Silva - Silva, VLM - <vera.marques@fiocruz.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-2595-2679



Resumo:

Frente ao recrudescimento de casos de violência de gênero contra as mulheridades em âmbito global e, particularmente, no Brasil, este estudo, inédito no campo da Saúde, visa compreender como esta violência se dá no espaço político. Academia, movimentos sociais e normativas legais, como a Lei 14.192/2021, a denominam de violência política de gênero (VPG), reconhecendo em suas práticas o intuito de excluir as mulheridades de espaços de poder. O conteúdo de onze entrevistas com lideranças inseridas em casas legislativas brasileiras foi analisado de uma perspectiva interseccional, aplicando-se técnica de análise de conteúdo. A escolha de lideranças de diferentes lugares de fala demonstrou ser profícua para o entendimento de como distintos sistemas de hierarquias sociais se combinam produzindo e legitimando inúmeros tipos de abusos. Estes reverberam negativamente sobre a equipe de gabinete, que se constitui como parte importante da rede de apoio das parlamentares, assim como a família. A autopercepção de adoecimentos físicos e mentais decorrentes de agressões no cotidiano parlamentar é evidenciada. Os resultados obtidos podem subsidiar o desenvolvimento de ações de enfrentamento à VPG, atentas aos efeitos concomitantes de opressões como de raça, classe e geração.

Palavras-chave:

Violência de gênero; racismo; feminismo; interseccionalidade; política.

Abstract:

In the face of increasing cases of gender-based violence against women globally and, particularly, in Brazil, this unprecedented study in the field of Health aims to understand how this violence occurs in the political sphere. Academic studies, social movements, and legal norms, such as Law 14.192/2021, refer to it as gender-based political violence (GBV), recognizing in its practices the intent to exclude women from positions of power. The content of eleven interviews with leaders within Brazilian legislative bodies was analyzed from an intersectional perspective, applying content analysis techniques. The choice of leaders from different perspectives proved fruitful for understanding how distinct systems of social hierarchies combine to produce and legitimize numerous types of abuse. These events negatively impact the staff, who constitute an important part of the support network for female parliamentarians, as well as their families. Self-perception of physical and mental illnesses resulting from aggression in daily parliamentary life is evident. The results obtained can support the development of actions to combat gender-based violence, paying attention to the concomitant effects of other oppressions such as race, class, and generation.

Keywords:

Gender-based violence; racism; feminism; intersectional framework; politics.

Conteúdo:

Introdução

Por violência política de gênero (VPG) entende-se práticas que visam desestimular mulheridades de exercerem plenamente seus direitos políticos. Estas práticas encontram respaldo em uma cultura historicamente sexista e racista. A VPG pode se dar em diferentes âmbitos, como em casas legislativas, sindicatos, movimentos sociais e gestão governamental. O leque de práticas é amplo: de dispositivos institucionais que dificultam a chegada e permanência das mulheridades em cargos eletivos e postos de poder a violências interpessoais, inclusive feminicídio político, como o ocorrido com a então vereadora da cidade do Rio de Janeiro, Marielle Franco1. Estas manipulam estereótipos de gênero com foco em aspectos corporais e expectativas sociais, condizentes ao grupo social em que a liderança está inserida, colocando em questão sua competência na esfera política. Por atravessar sua trajetória, da candidatura ao exercício efetivo de um mandato, distingue-se da violência política comum às disputas eleitorais, que visam interferir nos resultados de um pleito. Embora possa atingir qualquer candidatura, há maior probabilidade de homens sofrerem agressões físicas e de mulheres serem vítimas de abusos psicológicos e intimidações2.
Esforço-me por adotar o termo ‘mulheridades’ em detrimento da categoria ‘mulher’ neste texto por compreender que existem diferentes modos de produção de experiências sociais, pessoais e coletivas de se constituir como tal, afastando qualquer ideia essencializadora3. Todavia, reconheço que isso nem sempre foi possível, especialmente por tentar respeitar a categoria adotada pelas pesquisas que subsidiam minha análise ou em menção a fala das participantes do estudo. Já a categoria homem é aqui pensada em seus termos ideais – branco e cisheteronormativo.
A América Latina protagoniza o enfrentamento à VPG, a partir da promulgação de normativas regionais. No Brasil, em 2021, foi publicada a Lei 14.192 que criminaliza sua prática. Pesquisas voltadas ao estudo da VPG entre mandatárias apontam para sua presença em diferentes regiões mundo afora, atingindo parte significativa destas em sua rotina parlamentar. Em investigação desenvolvida pela Inter-Parliamentary Union, publicada em 2016, cerca de 82% das entrevistadas revelaram já ter sofrido algum tipo de violência psicológica; 44% receberam ameaças de morte, estupro, espancamento e até sequestro; 26% foram vítimas de agressões físicas; e 21,2% de assédio sexual. Foram ouvidas 55 parlamentares de 39 países4.
No âmbito brasileiro, a Associação Nacional de Travestis e Transexuais entrevistou 63 candidatas transgêneras em 2020: 91% relataram ter sido vítimas de discriminação. Dessas, 31 foram eleitas, sendo que 80% declararam não se sentir seguras para exercer o cargo; 50% receberam ameaças; 38% ataques na internet; e 12% chegaram a sofrer violência física5. Dados de 2024 apontam que mais de 60% das prefeitas e vices já sofreram algum tipo de VPG durante campanha ou mandato. Entre os tipos de violência têm-se: 49,1% foram violência verbal, 45,2% psicológica e 5,6% física6. Em outro estudo recente, que ouviu 81% de deputadas federais e senadoras da 56ª legislatura (de 2019 a 2023), 81% destas também relataram ter vivenciado algum tipo de agressão, sendo as mais frequentes a simbólica (79,3%) e a psicológica (70,6%). Estas ocorreram no Parlamento, nos partidos e principalmente on-line. Frente a tal situação, 54,7% consideram que estes atos ou práticas prejudicam o mandato e 90% se sentem desestimuladas a participar da política7. Cabe destacar que a Organização Mundial de Saúde (OMS) considera a violência um grave problema de saúde pública global, com efeitos desproporcionais sobre mulheridades.
Este estudo constitui-se em um esforço para contribuir para a compreensão deste fenômeno e, consequentemente, para ações futuras e urgentes de prevenção, proteção e cuidado das sobreviventes. Opto pelo termo sobreviventes em detrimento a vítimas por reconhecer que, por um lado, as marcas da violência acompanham a vida da pessoa agredida ao longo do tempo, e por outro, a VPG é sistemática. Com isso, este artigo analisa de que modo a VPG se manifesta no âmbito das relações interpessoais em parlamentos brasileiros, considerando dados obtidos em pesquisa sobre o tema. Após a apresentação do arcabouço teórico-metodológico que subsidia a análise, bem como de métodos e técnicas utilizados, segue-se a apresentação e análise dos resultados. Organizei este tópico em dois eixos temáticos: 1) Violências interseccionais no cotidiano político e 2) Efeitos da VPG na saúde de eleitas. O primeiro eixo, por sua vez, foi subdividido em quatro outros, a saber: cisgeneridade e orientação sexual; gênero, raça e classe; gênero, raça, classe e geração; e gênero, raça, classe e território. Ao fim, teço algumas considerações, visando identificar limites da análise e novas proposições.

Violência inerente ao sistema patriarcal e interseccionalidade

Este estudo elege perspectivas feministas desde seu delineamento à análise dos dados, em especial aportes decoloniais e interseccionais, aqui representados por autoras como Segato8, Crenshaw9, Rich10 e Lugones11. Inspirada por Segato8, parto de uma compreensão de que o fenômeno da violência se origina da relação entre duas economias simbólicas articuladas em um sistema, que podem ser representadas graficamente por dois eixos interconectados: um horizontal e um vertical. O primeiro é regido por vínculos de aliança ou competição, pautados ideologicamente em torno de uma concepção de contrato entre iguais. Já no eixo vertical, os vínculos com o horizontal são de entrega ou expropriação, o que denuncia uma ordem de status. Categorias como gênero ou raça exibem marcas de status, associadas a diferencial valorativo próprio de hierarquias. Distanciando-se de uma visão rígida, Segato reconhece entre subalternizados oscilações entre aceitar sua marca e demandar cidadania, ameaçando adentrar o sistema como um igual na ordem dos pares.
O eixo horizontal cobra tributos ao vertical para se manter. Afinal, a capacidade de exação, seja ela simbólica ou material, é requisito essencial para ser incluído como um igual. É como se a plenitude do ser dos semelhantes dependesse de um ser-menos daqueles inseridos no sistema como outros. O tributo resulta em fluxo afetivo, sexual e de outros tipos de subordinação, que expressa a sujeição constante da posição que se designa dominada ou feminina. Este pode ser voluntário ou coagido. Como exemplos, cito tarefas de cuidado (tributo naturalizado como inerente à condição feminina) e o estupro matrimonial (pago por coação). Dada a instabilidade e consistência deficiente do sistema - afinal, ao não se reproduzir automaticamente, cada eixo está vulnerável à retórica do outro -, o exercício de exação deve ser continuamente perpetuado, a fim de manter o reconhecimento dos pares, evitando deslocamentos para a condição de subordinado. Por este mecanismo, a violência se faz inerente à própria ordem social.
Uma outra dimensão do sistema patriarcal é a do terrorismo sexista10,12. O exercício do poder masculino repercute sobre quem se posiciona no eixo de subordinação direta e indiretamente, seja recolocando simbolicamente a pessoa violentada em seu lugar, seja mantendo todas as demais sob ameaça. Neste sentido, o feminicídio, por exemplo, emite uma dupla mensagem: ao eixo horizontal, o homicida reafirma sua virilidade frente a seus pares; ao eixo vertical, informa sobre o que poderá acontecer a outras mulheres se não se “comportarem bem”.
Além do gênero, a tese de Segato8 permite abordar diferentes ordens de status, como a racial e a de classe social. Como estas hierarquias não atuam isoladamente, me parece profícuo adotar a perspectiva interseccional. Foi primeiramente delineada por Crenshaw9 em 1994 como
“uma conceituação do problema que busca capturar as consequências estruturais e dinâmicas da interação entre dois ou mais eixos da subordinação. Ela trata especificamente da forma pela qual o racismo, o patriarcalismo, a opressão de classe e outros sistemas discriminatórios criam desigualdades básicas que estruturam as posições relativas de mulheres, raças, etnias, classes e outras. Além disso, a interseccionalidade trata da forma como ações e políticas específicas geram opressões que fluem ao longo de tais eixos, constituindo aspectos dinâmicos ou ativos do desempoderamento” (p.177).

Inserida no escopo do feminismo negro, em diálogo com teorias raciais críticas, esta formulação denuncia a inexequibilidade do feminismo hegemônico em representar as mulheres negras, uma vez que se constitui a partir da experiência das mulheres brancas de classe média. Com isso, dá à categoria raça centralidade teórica. Distante de uma concepção de somatório de opressões, a interseccionalidade propõe analisar como variadas opressões se combinam (re)produzindo desigualdades. Além dessa dimensão conceitual, é também uma práxis, que visa a produção do conhecimento desde as margens para o centro13, ou seja, trazendo para o debate quem e o que foi socialmente excluído e, assim, questionando os poderes/saberes hegemônicos. Com isso, categorias como sexualidade, nacionalidade e religião também têm entrado no rol dos estudos interseccionais13. Décadas depois, o conceito mantém-se relevante e presente em uma vasta produção acadêmica, em nível mundial, demandando sua incorporação também em políticas públicas, a fim de torná-las mais efetivas.


Métodos

Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de perspectiva teórico-metodológica feminista, em que lideranças políticas foram entrevistadas. Como já dito, me aproximo da interseccionalidade para entender como diferentes ordens de status se articulam na produção e legitimação de práticas de VPG. Para tanto, na seleção de participantes de pesquisa, busquei alcançar perfis diversos, considerando cis/transgeneridade, raça, orientação sexual, região geográfica, partido político, posição no espectro ideológico. Em comum, a experiência de ter passado por algum episódio de VPG. Frente a estes critérios, foi elaborada uma lista de potenciais participantes e seus respectivos contatos, localizados em páginas digitais ou redes sociais. Posteriormente, foram incluídas novas indicações: 1) sugeridas por participantes da pesquisa; e 2) oriundas das próprias redes de relacionamento da equipe de pesquisa. Em ambos os casos, manteve-se os critérios previamente estabelecidos. As conversas se deram pessoalmente nos gabinetes parlamentares, com exceção de duas: uma que ocorreu em espaço de luta escolhido pela participante e a outra na instituição onde trabalho. Os encontros, que levaram em média uma hora, seguiram um roteiro semiestruturado em torno de três tópicos centrais, a saber: vivências de VPG, adoecimentos autopercebidos como decorrentes desta violência e estratégias de enfrentamento. As entrevistas foram gravadas em áudio e vídeo, e posteriormente transcritas. Em geral, ao menos uma pessoa da equipe de assessoria parlamentar acompanhou a gravação. O conteúdo foi analisado seguindo as etapas preconizadas por Minayo: leituras do material acompanhadas pela identificação paulatina de temas e posterior sistematização por eixos temáticos14. Vale ressaltar que o estudo é inédito no campo da Saúde Coletiva15 e traz contribuições relevantes para a compreensão de como as dinâmicas interseccionalizadas de VPG se dão no âmbito político, suas especificidades e implicações para a saúde física e, especialmente, mental. O estudo recebeu parecer de aprovação de no. 5.313.766.
O perfil das participantes - dez mandatárias e uma suplente - se delineia conforme o quadro a seguir, onde adoto codinomes florais para identificá-las, respeitando as tratativas assumidas no termo de consentimento. Os dados foram coletados de páginas públicas no ano de 2023:

Quadro 1

A inclusão de Dália entre as participantes justifica-se por duas razões: 1) foi como drag queen que Dália se candidatou a deputada federal; e 2) a feminilidade constituinte de sua identidade drag, e mesmo sua orientação sexual, a colocam em uma posição de subalternização no sistema patriarcal, a vitimizando tanto pelo ódio ao feminino próprio do sistema, quanto pela quebra de aliança com seus possíveis pares do eixo horizontal.

Resultados e discussão

A sub-representação das mulheridades no Legislativo foi apontada por várias das parlamentares ouvidas como uma VPG em si, dado que, historicamente, o lugar da política é um lugar masculino por excelência. Não à toa, as brasileiras só alcançaram o direito ao voto em 1932. Depois de 94 anos, mesmo sendo a maioria da população, estas representam 18% na Câmara dos Deputados Federais e 20% no Senado, o que coloca o país abaixo da média das Américas e em 133ª. colocação no ranking global de representação parlamentar de mulheres16. Comentários depreciativos e agressivos, interrupções incessantes da fala, falta de apoio partidário, lentidão excessiva na tramitação de propostas, toques físicos sem consentimento e ameaças de cunho sexual são algumas das inúmeras práticas comuns no dia a dia parlamentar.

1) Violências interseccionais no cotidiano político
Intentando realizar uma análise interseccional, organizo este tópico em quatro eixos analíticos que enfatizam certas articulações de opressão. Escolho dar ênfase às imbricações entre (1) cisgeneridade e orientação sexual; (2) gênero, raça e classe; (3) gênero, raça, classe e geração; e (4) gênero, raça, classe e território.

1.1) Cisgeneridade e orientação sexual
A cisheteronormatividade eurocentrada compulsória delineia como ideal de mulher, a branca, cisgênera (cis), heterossexual, voltada ao lar, ao cuidado dos filhos e marido. Mesmo largamente inseridas no mercado de trabalho, atividades familiares e domésticas permanecem sob responsabilidade das mulheridades. Não à toa, ao tentar manter discussão que se estendia além do horário de expediente, Alamanda ouve de seu colega de vereança que ele precisava findar o diálogo porque tinha família. Em seguida, a aconselha a ter filhos, o que a ajudaria a se preocupar menos com o trabalho. Como mulheridade cis branca de uma cidade interiorana, conhecida pelo conservadorismo, Alamanda é recolocada simbolicamente em “seu lugar”, segundo a norma patriarcal racializada.
Já Petúnia, branca, oriunda da periferia, é objeto de disputa sexual entre seus colegas vereadores, que apostam sobre quem será o primeiro a “pegá-la” (termo pejorativo utilizado entre homens para se referir ao contato físico – de beijo a relação sexual - com uma mulheridade). Este relato é exemplificativo dos tributos impostos ao eixo vertical.
Uma das participantes confidenciou que habitualmente mandatárias com vínculos familiares com políticos não protagonizam negociações que têm curso em sua atividade legislativa. As tratativas se dão entre seus colegas de parlamento e o pai ou esposo. É bem possível que este modus operandi, ainda que profundamente violento, lhe poupe de alguns outros tipos de abusos. Ao menos enquanto durar esta mediação.
Àquelas que negam seu corpo ao uso cisheteronormativo, se vêm às voltas com ameaças de estupro corretivo, um abuso sexual que viola a dignidade e liberdade sexual. Tanto a ameaça quanto a prática possuem supostamente fins pedagógicos e terapêuticos, já que objetivam ensiná-las a gostar de homens e, portanto, curar sua lesbianidade. Em 2023, diversas parlamentares lésbicas – brancas e negras - receberam por correio eletrônico uma mesma mensagem. Nesta, o remetente propunha que apresentassem um projeto de lei instituindo que o Sistema Único de Saúde disponibilizasse às lésbicas o “estupro corretivo terapêutico”. Caso as destinatárias quisessem, uma amostra poderia ser ofertada em suas próprias residências. Trata-se de justificativa sem qualquer fundamento, pois violência gera em suas vítimas apenas dor, sofrimento mental e físico. É, portanto, uma estratégia de terror, de crueldade do sistema para sua manutenção.
O modelo teórico de Segato8 cabe bem aqui. À hierarquia de gênero se combina a heteronormatividade, ou seja, uma imposição social compulsória de que homens devem desejar sexualmente mulheres e vice-versa; ambos entendidos de uma perspectiva meramente biológica. Embora tal compreensão seja coerente com o sistema colonial moderno, uma vez que este se fundamenta por uma bio lógica11, a diversidade humana transcende a norma. Orientação sexual não é escolha: se relaciona à subjetividade – aos desejos e afetos de cada um17. Um outro aspecto da imposição da heterossexualidade é sua capacidade de retirar poder das mulheridades cis. Para Rich10, a heterossexualidade é uma instituição política de controle, assim como a maternidade patriarcal, a família nuclear e a exploração econômica. A noção de dispositivo de Foucault18 é útil para pensar a articulação entre estas instituições. Proponho pensá-las como parte de um dispositivo que denomino de controle das mulheridades cis, parafraseando o autor. Da perspectiva foucaultiana, um dispositivo possui três dimensões: 1) refere-se a um conjunto de discursos, instituições, leis, enunciados científicos, proposições filosóficas, dentre outros, que podem ser ou não discursivos; 2) diz respeito à natureza das relações envolvidas, que acontecem na forma de jogo, onde mudanças de posições e funções podem ocorrer; e 3) relaciona-se à função estratégica, hegemônica, que responde a demanda historicamente contextualizada. Em síntese, o dispositivo é composto por uma rede de estratégias de relações de força que sustenta tipos de saber e é por elas sustentada18. A articulação das instituições enumeradas por Rich10 entre si, permeadas por discursos de ordem religiosa, científica e legal, asseguram acesso emocional e sexual dos homens às mulheridades, bem como a sua força de trabalho, destinada às atividades e ocupações isentas de poder ou pouco atrativas para o seu exercício. Colocadas como propriedade dos homens, sua luta por autonomia e equidade de oportunidades acaba por ser traduzida por grupos conservadores como ameaça à família, à religião e ao Estado.
A pressuposição do direito de livre acesso ao corpo feminino, manifestada na ameaça de “estupro corretivo”, se faz presente em inúmeras práticas. Toques não consentidos em seios, por exemplo, como ocorreu com a deputada Isa Penna (PCdoB/SP) na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Cabe destacar as imagens veiculadas na mídia, onde identifica-se uma possível orquestração do ato por parte de alguns colegas de Penna, típico das relações de aliança apontadas por Segato8. Tentativas de beijar e abraçar à força foram vivenciadas por Tulipa em sessão da Câmara de Vereadores de sua cidade e “pegadas na cintura” foram relatadas pela deputada Orquídea. Ao usar uma régua como metáfora para tentar organizar as práticas abusivas por gravidade, Orquídea considera que as “pegadas” seriam comuns aos seus colegas abusadores “mais legais”, sinalizando um espectro amplo de abusos cotidianos, que se prestam a perpetuação de uma estrutura em que mulheridades devem estar sexualmente à disposição dos homens10.
Frente a uma mandatária de postura firme, calma e profundamente delicada, ouvi sobre o dia em que ela foi questionada sobre a morfologia de seu corpo por um colega deputado. Perplexa diante do abuso, perguntei se ela considerava isto violento, ao que me respondeu que sim, era muito violento. A naturalização da cisgeneridade como norma imposta pela biologia nega às identidades trans a possibilidade de ser, de existir, tornando-as abjetas19. Paradoxalmente, considerando que o consumo de pornografia com pessoas transgêneras no Brasil é elevado, a desfaçatez da pergunta também pode ser indicativa de um corpo pensado como se público fosse.

1.2) Gênero, raça e classe
Alguns relatos denunciam o racismo de forma mais contundente. Para a deputada Íris, negra, o desprezo pelas mulheres em casas legislativas é tal que ela o coloca nestes termos: “olha para a gente como um desvio”, “um animal, um lixo”. Conforme Lugones11, o colonialismo classificou as mulheres cis brancas como inferiores e os povos negros e indígenas como não-humanos, o que legitimou sua escravização e dizimação. Mesmo com o fim das colônias, a taxionomia humana então forjada, tendo o homem branco cisheteronormativo como referente da humanidade, ainda organiza a hierarquia social. Não à toa, Íris percebe na forma como ela e suas colegas são tratadas ora expressões acusatórias de desvio, afinal deveriam estar envolvidas com afazeres domésticos, ora como lixo, dada sua subalternidade, ora recolocadas no espectro da animalidade.
Ainda ouvindo Íris, esta revela que já foi chamada de “queimadinha” na assembleia legislativa onde atua. O termo é veículo do ódio racial e de gênero. Do ponto de vista simbólico, ser ou estar queimada representa a destituição de uma integridade plena. Um corpo queimado é um corpo violado e, consequentemente, socialmente estigmatizado. Uma pessoa está “queimada” quando perde a credibilidade e, portanto, seu valor. Uma pessoa que é queimada, se constitui como sujeito em condição de inferioridade. O diminutivo “queimadinha”, ao mesmo tempo que supostamente tenta amenizar esse status, o reforça, pela perspectiva de gênero, ao qualificar uma mulher como “mulherzinha”, o que remete a uma mulher desprovida de valores morais.
Outra expressão proveniente das entrevistas é a de “nariz em pé” direcionada a uma deputada negra. Pessoas que assumem posturas de superioridade frente a outras são popularmente chamadas de “nariz em pé”, “nariz empinado”, dentre outros termos, de natureza acusatória. Certamente, seu interlocutor não esperava ter que dividir a tribuna com uma mulheridade, muito menos sendo ela negra. Como bem apontado pela própria parlamentar, a expectativa era de que ela estivesse limpando o banheiro do sujeito. Afinal, é nos serviços de limpeza doméstica ou empresarial que parte significativa das mulheridades cis negras estão empregadas. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, 69% das trabalhadoras domésticas no Brasil eram negras no quarto trimestre de 202420.

1.3) Gênero, raça, classe e geração
Colocadas neste lugar de pobreza e subserviência, um simples erro de digitação do gabinete de uma jovem negra (Orquídea) testemunha uma suposta falta de instrução, A acusação recoloca-a simbolicamente nos bancos escolares. Nestes, crianças e jovens negros das classes populares brasileiras enfrentam grandes dificuldades para se manterem, seja porque têm que cuidar dos irmãos mais novos, se ausentar das aulas quando menstruam por falta de recursos para a compra de absorventes, vender balas nas ruas para ajudar no orçamento familiar, dentre outras razões. Gênero, raça, classe e geração se combinam aqui para legitimar o abuso verbal também presente nas inúmeras tentativas de ensinar algo a esta mesma jovem: “todo mundo tem alguma coisa para me ensinar aqui”. Tal estratégia infantiliza seu mandato, assim como quando buscam controlar suas vestes: o mero uso de tênis, por exemplo, é motivo de debate. Vale informar que 21 anos é a idade mínima para ser deputada/o no Brasil. Na casa legislativa onde ela está inserida, apenas 21% das parlamentares são mulheres na atual legislatura e a idade média geral é de 50 anos. Orquídea tinha à época da entrevista 32.
Contudo, a infantilização da mulher também pode se dar desvinculada da idade, associada apenas ao fato de ser mulher. É o que revela Alamanda sobre o ocorrido com uma candidata à prefeitura de sua cidade. Apesar de ser uma professora aposentada, “senhora já”, foi chamada por outro candidato de “aquela menina”. Para a parlamentar, “sempre os homens conservadores (...) vão olhar pras mulheres com olhar infantilizador”. De fato, a infantilização é uma estratégia usada para diminuir, deslegitimar quem fala.

1.4) Gênero, raça, classe e território
Neste eixo, território é considerado como espaço vivido, apropriado e transformado pelas ações humanas, envolvendo elementos materiais (infraestrutura, redes, técnicas) e imateriais (relações sociais, normas, informações)21. Entre os territórios constituintes de um espaço, há uma distribuição desigual de status, associado a determinados grupos e atividades, produzindo territórios supervalorizados e outros marginalizados, como é o caso das favelas brasileiras. A frequente associação das favelas com o crime organizado acaba por estigmatizar seus moradores, afetando, por exemplo, suas oportunidades de trabalho. Pude perceber esta articulação em relatos de mandatárias, que têm origem e/ou base política em favelas. Foi também a situação enfrentada por Jasmin, durante uma sessão legislativa, a qual tive conhecimento via TV institucional. Ao fazer uso da palavra, um de seus colegas, posicionado na tribuna, a provoca performando com as mãos o uso de arma. Um uso que, em outro momento, quase a fez perder o mandato: Ao denunciar uma política de segurança pública extremamente violenta adotada pela gestão do, então, governador Witzel, Jasmin sofreu um processo de cassação de mandato, que não prosperou, poucos meses após tomar posse. Como ela assinalou, uma punição por estar exercendo uma das atribuições de seu cargo.
Infelizmente, o ano de 2026 inicia com a denúncia de graves ameaças recebidas por Renata Souza (PSOL/RJ) por correio eletrônico. Segundo o jornal Folha de São Paulo22, a deputada recebeu uma primeira mensagem encaminhada por homem autoidentificado como bolsonarista. Este qualificativo expressa a adesão a ideias, amplamente divulgadas pelo ex-presidente da República Jair Bolsonaro, e que se enquadram no escopo político-ideológico da extrema-direita. Nesta, o autor manifesta seu racismo chamando a deputada de "macaca parasita que apoia esses inúteis negros que só têm a função de ser escravizados por mim e por meu povo" e ameaça invadir escolas e matá-la. Sete dias depois, a parlamentar recebe uma nova intimidação de membro da Ordem Secreta dos Primadistas, organização inspirada na Ku Klux Klan americana e que atuou no Brasil na década de 1960. Sua mensagem veicula ameaças de estupro e tortura, afirmando que seus dias de “ativismo esquerdista estão contados”. A identificação autoral aponta para grupos que defendem uma ordem social misógina e racista e elegem ‘vítimas sacrificiais’8 para a perpetuação da economia simbólica do poder patriarcal.

2) Efeitos da VPG na saúde das eleitas

“Entreguei meu corpo à guerra”. É com esta compreensão que a deputada Orquídea mantém sua atuação parlamentar em um cotidiano de muitas violações a seus direitos e denuncia o caráter sistemático, contínuo, da VPG, presente também no relato da vereadora Alamanda:
Eu sinto que essas violências, elas vão enchendo um saquinho e se acumulando de uma forma que, às vezes, a gente não se dá conta, porque ao mesmo tempo em que eu sofro uma violência numa sessão, por exemplo, como fica público, depois eu já saio dela e já tenho que fazer várias outras mil coisas, porque o meu trabalho não pára e é difícil realmente ter tempo para o cuidado consigo mesma, né?”
Tanto ela como as demais participantes relatam inúmeros adoecimentos que identificam como consequências da VPG. É o caso da deputada Jasmin:
É absurdo que a gente possa naturalizar que hoje as mulheres e as mulheres negras na linha de frente da política estão ameaçadas de morte, isso é escandaloso (...) Então é óbvio que a gente sabe que isso tem um impacto na nossa saúde emocional, na nossa saúde física. E eu, por exemplo, entrei em uma situação de ansiedade muito grande logo após o assassinato da Marielle. Eu engordei, engordei e até agora eu não consegui retomar ao meu peso antes do assassinato da Marielle. (...) depois disso eu tive, pra piorar a situação, eu descobri um hipotireoidismo, né? Então você imagina, mexeu com a tireoide (...)”.
Ansiedade, depressão, fobia social, dores no corpo, problemas digestivos, dentre outros, foram citados. A vereadora Margarida afirma:
“A ansiedade, o pânico, o medo, né? Você receber sessenta e cinco ameaças no mesmo dia de pessoas que vão te matar. De um dia para o outro receber nas suas redes sociais mais de trezentos e oitenta ameaças em menos de vinte e quatro horas que vão te espancar e vão te matar, desenvolve o pânico, desenvolve o medo, desenvolve a angústia”

Já a vereadora Tulipa revela “uma enxaqueca crônica” e Alamanda “eu sinto também que o corpo fica assim todo moído, moído! Parece que a gente apanhou. (...) às vezes eu sinto dor no corpo inteiro e é de tensão mesmo”. Em outro momento, Alamanda revela o que viveu quando uma “grande parceira” de vereança, também engajada na luta pelos direitos das mulheridades, sofreu um processo de cassação por suposta quebra de decoro decorrente de críticas a políticos e, possivelmente, da denúncia de prática estelionatária de um colega. Um processo chamado em rede social de “caça às bruxas”. Foi nesse clima que a sessão de cassação transcorreu ao longo de doze horas, atravessando a madrugada. Na sessão seguinte, ao entrar no plenário, Alamanda sentiu um enjoo muito forte, que perdurou por várias sessões.
Na época eu estava fazendo terapia e levei isso pra minha psicanalista e ela falou, né? Realmente tem coisa que é muito difícil a gente digerir e a gente não consegue digerir num campo mental e a gente traz pro campo físico pra tentar digerir e é difícil mesmo.
Estes efeitos são amplamente reconhecidos pela literatura científica em, ao menos, três dimensões da pessoa humana, a saber: física, psicológica e social. Na saúde física, os danos podem provocar, por exemplo, o agravamento de doenças pré-existentes e mesmo a morte (homicídio). Na saúde mental, produz repercussões profundas e muitas das vezes duradouras. É possível elencar transtorno de estresse pós-traumático, ansiedade e medo persistente, depressão, baixa autoestima, comportamentos autodestrutivos e até mesmo ideação ou tentativa de suicídio. Minayo aponta a relação entre sofrimento emocional e manifestações físicas, que por vezes é subdiagnosticada, particularmente quando se desconsidera o histórico de violências. Entre os efeitos psicossomáticos estão dores crônicas (cefaleia, dores musculares), problemas gastrointestinais, distúrbios do sono e fadiga constante23.
Segundo relatos, a VPG repercute também sobre familiares e equipe de gabinete. Há um sofrimento compartilhado. Com isso, ganham relevância as redes de apoio, especialmente a equipe de gabinete e os movimentos sociais. Permanecer em contato direto com a base eleitoral apoia a resistência dessas mulheridades. O reconhecimento da ancestralidade de suas lutas e de que o esforço realizado beneficiará as próximas gerações reforçam a coragem e o altruísmo. Quando questionadas sobre as práticas que adotam para se cuidar, revelaram uma atenção especial à saúde mental, valorizando atividades de lazer que, às vezes se configuravam como assistir a séries leves na TV, pois favorecem o relaxamento mental, ou simplesmente fazer compras, zelando pela aparência física. Acompanhamento terapêutico, prática de yoga e uso de medicação psicoterápica também foram elencadas.

Considerações finais

Eis aí um breve retrato de um sistema patriarcal que concebe o corpo das mulheridades como propriedade alheia a serviço do prazer sexual do outro, da reprodução de sua prole, como força de trabalho a ser explorada ao máximo ou simplesmente como abjeção. Evidencia-se que a VPG atua na manutenção de uma geografia laboral generificada em que mulheridades são sistematicamente excluídas dos espaços de poder. A tese de Segato, em diálogo com dados analisados interseccionalmente, permitiu identificar o que chamei de dispositivo de controle das mulheridades cis, que foi diuturnamente acionado em inúmeros relatos. Aquelas que “insistem” (da perspectiva patriarcal) em manter seus mandatos têm sua saúde e vida em risco. Depressão, ansiedade, dores no corpo são alguns dos adoecimentos citados, o que reitera dados de outros estudos.
Sobre o alcance dos objetivos delineados, considero plenamente exitoso o estudo, ainda que alguns limites possam ser identificados. O primeiro refere-se às experiências de mulheridades da direita política, que a despeito do esforço empreendido para ouvi-las, não obtive êxito: apenas uma parlamentar neste perfil concedeu entrevista. Sua narrativa manifesta inúmeras violências e a autopercepção de que sua saúde mental é por elas afetada, tal como aparece na fala das demais interlocutoras. Tal dado, no entanto, é insuficiente para se afirmar que a posição no espectro político é insignificante para a perpetuação da VPG. Um segundo limite relaciona-se à ausência de mandatárias com deficiências físicas ou neuro divergentes. Tal lacuna decorre dos marcadores sociais eleitos pela pesquisa, que não os incluíram. Ambos os limites apontam para a necessidade de novas pesquisas a respeito. As variáveis geográfica e de posição na estrutura parlamentar, seja de vereadora, deputada estadual ou federal, não tiveram relevância empírica denunciando que a VPG se direciona às mulheridades, de forma geral.
A compreensão de como a VPG se articula e reverbera na vida de lideranças políticas, de forma a subsidiar ações que visem a prevenção, mas também a proteção e o cuidado das sobreviventes, é urgente. Neste sentido, estudos que considerem a VPG em outros espaços de disputas, como na gestão pública, em movimentos sociais e sindicatos são bem-vindos. A eleição da perspectiva interseccional revelou-se profícua. Destaco o traçado do perfil das participantes de pesquisa, que de diferentes lugares de fala24, me permitiram acessar um conjunto rico de dados. Em concomitância, foi igualmente desafiadora, uma vez que sob cada categoria que se busque articular, encontram-se diversos grupos, alguns dos quais profundamente sub-representados na literatura acadêmica. É o caso da experiência de pessoas não binárias. Todavia, a despeito da complexidade envolvida, trazer o que está à margem para o centro, como preconiza o conceito, é também sua potência, instando para um amplo leque de novas pesquisas.
Por fim, ressalto que o enfrentamento à VPG fortalece a democracia, tanto por zelar pelos direitos de todas as pessoas igualmente, quanto por contribuir para a representatividade política de grupos socialmente minorizados, cujas perspectivas e pontos de vista são singulares25. Neste sentido, partidos políticos e casas legislativas possuem um papel crucial neste intrincado embate, já que envolve transformação cultural voltada ao respeito e à valorização intransigente da diversidade humana, seja ela de gênero, raça, orientação sexual, presença ou não de deficiência e classe social. Em paralelo, demanda a criação ou reelaboração de normativas e práticas coerentes com esta nova cultura. Comissões de decoro e ouvidorias parlamentares, por exemplo, têm papel relevante ao acolher sobreviventes, reconhecer práticas de VPG e dar credibilidade às denúncias, atuando na prevenção e punição de agressores. Da mesma forma, partidos políticos devem instituir códigos de conduta contrários à VPG, prevendo sanções disciplinares e mecanismos de denúncia seguros e confidenciais; garantir equidade nas disputas eleitorais, tanto na distribuição dos recursos financeiros quanto no tempo de mídia; oferecer apoio jurídico e psicológico às sobreviventes; criar núcleos ou secretarias de mulheres com orçamento e autonomia; dentre outras ações. Cabe aos profissionais da Saúde a atenção diligente a sinais de violência, ofertando um atendimento acolhedor e notificando os casos. Inadiável o desenvolvimento de pesquisas e políticas que considerem a VPG de forma alargada para que incluam mulheridades trans e travestis.


Financiamento
Programa de Fomento ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico Aplicado à Saúde Pública, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz).

Declaração de Disponibilidade de Dados

Os dados de pesquisa estão disponíveis mediante solicitação ao autor de correspondência.
As fontes dos dados utilizados na pesquisa estão indicadas no corpo do artigo.

Referências:
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21Santos M, organizador. Território: globalização e fragmentação. São Paulo: Hucitec; 1996.
22Matias K. Deputada do PSOL no Rio aciona comissão de direitos humanos após ameaças racistas e de morte. Folha de São Paulo. 2026 Jan 23. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2026/01/deputada-do-psol-no-rio-aciona-comissao-de-direitos-humanos-apos-ameacas-racistas-e-de-morte.shtml. Acessado em: 28 jan. 2026.
23Minayo MCS. Violência e Saúde. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ. 2006.
24Ribeiro D. O que é lugar de fala? Belo Horizonte: Letramento; 2017.
25Silva VLM. Equidade de gênero e raça por uma ciência mais plural. Cad Saúde Públic, v. 40, p. :e00163323-:e00163323, 2024.


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Como

Citar

Silva, VLM. Violência política de gênero nos meandros parlamentares brasileiros e efeitos na saúde de perspectiva interseccional. Cien Saude Colet [periódico na internet] (2026/set). [Citado em 30/09/2026]. Está disponível em: http://cienciaesaudecoletiva.com.br/artigos/violencia-politica-de-genero-nos-meandros-parlamentares-brasileiros-e-efeitos-na-saude-de-perspectiva-interseccional/20170?id=20170

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