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0165/2025 - Violência urbana e sofrimento psicossocial: uma discussão clínico-política em torno da concepção de trauma coletivo
Urban violence and Psycho-Social Suffering in Brazil: A clinical-political discussion of the concept of collective trauma

Autor:

• Lilian Miranda - Miranda, L - <miranda78.lilian@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-8238-8111

Coautor(es):

• Michael O’Loughlin - O’Loughlin, M - <michaeloloughlinphd@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0001-9444-6174



Resumo:

O ensaio apresenta uma abordagem clínico-política do trauma coletivo, com base em autores que fazem uma leitura intersubjetiva da psicanálise em diálogo com teóricas feministas, responsáveis pela leitura política do trauma. Esse material é dialogado com relatos de experiências de vítimas da violência urbana no Brasil. Admite-se que o trauma coletivo é um evento disruptivo, para o qual não há recursos de representação. Entre seus efeitos, encontra-se a corrosão dos laços de sociabilidade, sentimentos de impotência, medo e perda de orientação espaço-temporal. Geralmente assentado sobre contextos de exclusão e opressão social, o trauma coletivo tem sido abordado numa perspectiva medicalizante e reducionista, que desconsidera suas raízes estruturais. Em direção oposta, propõe-se que seja reconhecido seu caráter crônico, que exige uma discussão política, a partir da qual é importante legitimar as pessoas traumatizadas como especialistas na experiência vivida. Com o protagonismo delas, o enfrentamento do trauma deve envolver tanto estratégias políticas de criação de dispositivos coletivos, emancipação e luta por mudanças estruturais, como clínicas, sobretudo grupais, de escuta e oportunidades para reconstrução e compartilhamento de sentidos em torno do vivido.

Palavras-chave:

Trauma Psicossocial; Traumas; Relações Interpessoais; Violência armada

Abstract:

The essay presents a clinical-political approach to collective trauma, based on authors who offer an intersubjective reading of psychoanalysis in dialogue with feminist theorists, responsible for the political interpretation of trauma. This material engages with accounts of experiences from victims of urban violence in Brazil. Collective trauma is seen as a disruptive event, for which there are no representational resources. Among its effects is the corrosion of the ties of the sociability of the social group which experienced the trauma, feelings of impotence, fear, and the loss of the spatial and temporal orientation. Generally based on contexts of exclusion and social oppression, collective trauma has been approached from a medicalizing and reductionist perspective, which disregards its structural roots. In contrast, it is proposed that its chronic nature be recognized, requiring a political discussion, from which it is important to legitimize traumatized people as specialists in the experience they have been through. With their protagonism, confronting trauma should involve both political strategies for creating collective mechanisms, emancipation and the struggle for structural changes, as well as clinical ones - especially group-based- of listening and opportunities for the reconstruction and sharing meanings about what has been lived.

Keywords:

Psychological Trauma; Traumas; Interpersonal Relations; Gun violence.

Conteúdo:

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Como

Citar

Miranda, L, O’Loughlin, M. Violência urbana e sofrimento psicossocial: uma discussão clínico-política em torno da concepção de trauma coletivo. Cien Saude Colet [periódico na internet] (2025/jun). [Citado em 13/09/2026]. Está disponível em: http://cienciaesaudecoletiva.com.br/artigos/violencia-urbana-e-sofrimento-psicossocial-uma-discussao-clinicopolitica-em-torno-da-concepcao-de-trauma-coletivo/19641?id=19641

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