0005/2026 - Ecossistema da saúde digital no município do Rio de Janeiro: a experiência de criação do aplicativo minhasaude.rio.
Digital health ecosystem in the Rio de Janeiro municipality the experience of creation of the minhasaude.rio application.
Autor:
• Fernanda Adães Britto - Britto, FA - <fernanda.adaes@gmail.com>ORCID: https://orcid.org/0000-0002-7828-0124
Coautor(es):
• Juliana Paranhos Moreno Batista - Batista, JPM - <juliana.paranhos@regulacaoriorj.com.br>ORCID: https://orcid.org/0000-0002-2494-9689
• Fabiana Lustosa Gaspar - Gaspar, FL - <fabianalustosa.smsrio@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/9417668301908945
• André Luis Paes Ramos - Ramos, ALP - <andrepaesramos@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-3262-7321
• Fernanda Pinheiro Aguiar - Aguiar, FP - <fernanda.aguiar.smsrio@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-0197-1354
• Juliana Jenifer da Silva Araújo Cunha - Cunha, JJSA - <vincllerjuliana@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0009-0009-3930-9762
• Paula Bortolon - Bortolon, P - <paulabortolon@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-0996-0959
Resumo:
O artigo descreve a trajetória da transformação digital da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS-Rio) até a concepção do aplicativo de saúde minhasaude.rio. O estudo foi dividido em dois momentos: análise documental e sistematização do processo de construção do aplicativo estruturado em três etapas: digitalização das informações, integração e construção do Data Lake da saúde e criação do aplicativo. Desde o lançamento, houve aumento no número de usuários cadastrados, sendo as informações de regulação, agendamento de consultas, exames e histórico de vacinas as mais acessadas. A integração com gov.br, do governo federal, para cadastramento ao aplicativo passou a representar 25% dos novos usuários. Os usuários são, majoritariamente, mulheres na faixa etária de 18 a 69 anos e pretos/pardos. Em 2025, 39,2% dos usuários estavam altamente satisfeitos. O caso revela uma maturidade digital e modernização dos serviços de saúde com soluções locais para a personalização do cuidado e integração dos dados. A atualização de funcionalidades e o engajamento da população são elementos chave para o sucesso da tecnologia implementada.Palavras-chave:
Tecnologia da Informação, Interoperabilidade da Informação em Saúde, Saúde Digital, Aplicativos Móveis, Gestão da Informação em SaúdeAbstract:
This article describes the digital transformation trajectory of the Municipal Health Department of Rio de Janeiro (SMS-Rio) leading up to the creation of minhasaude.rio application. The study was divided into two phases: document analysis and systematization of the app's development process, which was structured into three stages: information digitization, integration and construction of the health data lake, and creation of the app. Since its launch, the number of registered users has increased, with information on regulatory information, appointment scheduling, exams, and vaccination history being the most accessed. Integration with the federal government's gov.br for first-time access now accounts for 25% of new users. The users are predominantly black/mixed race, women between the ages of 18 and 69. In 2025, 39.2% of users were extremely satisfied. The case illustrates the digital maturity and modernization of healthcare services, featuring local solutions that enable personalized care and seamless data integration. The updates and public involvement are key elements for the success of the implemented technology.Keywords:
Information Technology, Health Information Interoperability, Digital Health, Mobile Applications, Health Information ManagementConteúdo:
A ampliação do acesso dos cidadãos às informações sobre saúde é um compromisso histórico do Sistema Único de Saúde (SUS). Apesar disso, o sistema ainda opera majoritariamente sob uma lógica tecnicista, orientada a profissionais e gestores, o que restringe a participação ativa dos usuários no autocuidado e nas decisões em saúde. Mesmo com a difusão da internet e de tecnologias digitais capazes de favorecer maior engajamento, persistem práticas centralizadas e pouco interativas.1,2.
A pandemia de Covid-19 acelerou a adoção de soluções, popularizando o uso de aplicativos, além de impulsionar o uso de prontuários eletrônicos, telemedicina e tratamentos personalizados. Este cenário consolidou um novo perfil de usuário, mais habituado à tecnologia e interessado em ferramentas que apoiem a gestão da própria saúde3.
Esse movimento se alinha às diretrizes internacionais, como as da Organização Mundial da Saúde, que reforça, por meio da agenda do Desenvolvimento Sustentável, o uso de tecnologias da informação como estratégia para reduzir a exclusão digital e ampliar o conhecimento, minimizando desigualdades, acelerando o progresso humano e fortalecendo sistemas de saúde4.
No Brasil, a criação da Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI), do Ministério da Saúde, em janeiro de 2023, sinaliza a centralidade do tema na agenda pública. Com a instituição do Programa SUS Digital5, reforça-se o objetivo de promover a transformação digital no SUS com foco em cultura digital, expansão de serviços e interoperabilidade. Paralelamente, marcos como a Lei de Acesso à Informação6, que regulamenta, de forma prática e efetiva, o direito constitucional às informações pública, e a Lei Geral de Proteção de Dados7, que garante a segurança e a privacidade de informações, consolidam-se o direito dos cidadãos à informação e à proteção de seus dados pessoais.
No cenário atual do Brasil, a internet está presente em 90% dos domicílios, sendo o celular o principal dispositivo de acesso (99,5%)8. Em 2022, havia no país mais de 249 milhões de smartphones em uso, o que representa mais de 1,2 aparelhos por habitante9. Isto reflete uma sociedade altamente conectada, onde a expansão digital tem possibilitado novas formas de interação entre o SUS e os cidadãos.
A cidade do Rio de Janeiro, segundo maior município do Brasil, acompanha essa tendência. Contudo, a fragmentação de dados, a multiplicidade de sistemas de informação e a baixa interoperabilidade entre eles, problema persistente desde a década de 80, continuam limitando a gestão, o cuidado e a produção de informação qualificada.10.
Diante desses desafios, o município do Rio de Janeiro (MRJ), adotou estratégias voltadas ao fortalecimento da interoperabilidade dos sistemas de informação em saúde, ampliação do acesso dos usuários às informações de saúde, buscando maior resolutividade, transparência e integração entre sistemas. A partir desse contexto, emerge a iniciativa de desenvolver um aplicativo de saúde voltado ao cidadão, alinhado às diretrizes nacionais de saúde digital e às demandas de uma população cada vez mais conectada.
O presente artigo apresenta a experiência do MRJ na concepção, desenvolvimento e implementação de um aplicativo pioneiro em escala municipal, com foco no usuário e dados mais minuciosos sobre saúde e fluxo assistencial. A pesquisa descreve o processo de amadurecimento institucional na digitalização das informações de saúde, as escolhas tecnológicas e de design, e os modelos de disponibilização da ferramenta. Em complemento, analisa o perfil de usuários e as funcionalidades mais acessadas, oferecendo evidências práticas para orientar gestores na formulação de estratégias de saúde digital mais responsivas às necessidades reais da população, sendo esta uma das contribuições do trabalho para o campo da digitalização na saúde.
Metodologia
O estudo faz um resgate histórico descritivo sobre o processo de digitalização na saúde no MRJ, com foco na criação do aplicativo minhasaude.rio até sua consolidação como aplicativo SUS no território da capital fluminense. O estudo contempla o período do percurso iniciado em 2009, quando do início da implementação de prontuários eletrônicos nas unidades de Atenção Primária à Saúde, até julho de 2025, por se tratar de uma época de forte consolidação da estrutura digital na saúde pública do município. Para fins de análise do aplicativo foi considerada a última versão disponível no momento de concepção deste estudo (Android, v 4.6.1; IOS, v 4.7.3), considerando todas as suas funcionalidades disponíveis.
Para tanto, a experiência realizou, em um primeiro momento, análise documental sobre marcos legais vigentes, que versam sobre o processo de digitalização e acesso à informação, e, depois, traçou um panorama histórico das etapas que incluíssem a criação do aplicativo, do início das atividades envolvidas no mapeamento dos sistemas e ferramentas envolvidas na digitalização da saúde até à disponibilização de informações para a população.
A etapa documental objetivou resgatar registros relacionados ao processo de digitalização da saúde no território do MRJ. Para isso, partiu-se dos princípios e das diretrizes legais que orientaram a construção do aplicativo minhasaude.rio, considerando: (1) as normativas nacionais referentes ao acesso à informação e ao uso e proteção de dados — Lei de Acesso à Informação? e Lei Geral de Proteção de Dados?; e (2) as documentações da Prefeitura do Rio de Janeiro relativas especificamente à área da saúde, que abordam planos e/ou projetos sobre publicização de informações em saúde e implementação da saúde digital no município, além de contratos de gestão firmados com Organizações Sociais (OS) e Organizações da Sociedade Civil (OSC).
Os registros documentais, revelam as diretrizes para a implantação de prontuários eletrônicos e outras ferramentas digitais nas unidades de saúde do MRJ, que também versam sobre a digitalização na saúde e cujos dados integram as informações disponibilizadas ao usuário. Foram consideradas ainda como “bases documentais” os Sistemas de Informação em Saúde (SIS) do SUS que integram os conteúdos disponíveis no minhsaude.rio, uma vez que são fontes das informações utilizadas no aplicativo.
À exceção das leis supracitadas — selecionadas pelos autores por se tratarem de instrumentos relacionados ao direito fundamental à informação e à proteção da intimidade e privacidade dos usuários, especialmente no que diz respeito aos seus dados pessoais — a sistematização da busca pelos demais documentos foi realizada na aba “Transparência” do portal da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (saude.prefeitura.rio). Foram considerados, para o período de análise, os contratos, planos e demais documentos vigentes e cuja leitura identificou pertinência à temática estudada. Os SIS foram selecionados de acordo com sua pertinência às funcionalidades disponíveis no minhsaude.rio.
O segundo momento de análise traz a explicação sobre a digitalização na saúde e a criação do aplicativo minhasaude.rio em si, a partir de três etapas: Digitalização das informações em saúde; criação do Data Lake da saúde; e criação do minhasaude.rio.
Para explicar sobre a digitalização das informações em saúde, foram apresentadas as ações realizadas pela Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, que tratam da transformação dos dados tradicionais da saúde para dados digitais, considerando também os elementos incluídos na análise documental prévia (contratos de gestão e planos de governo).
Quando à criação do Data Lake da saúde, o sítio eletrônico do Data Lake da Prefeitura do Rio de Janeiro (https://www.dados.rio/datalake) e do seu GitHub (https://github.com/prefeitura-rio) - plataforma de hospedagem e controle de versão de código-fonte amplamente utilizada na comunidade científica e tecnológica – foram consultados para a compreensão sobre a interoperabilidade de sistemas e plataformas da saúde e o desenvolvimento deste repositório de dados institucional.
A criação do minhasaude.rio descreveu o processo de construção do aplicativo, considerando as funcionalidades disponíveis e o perfil de uso entre outubro de 2022 até julho de 2025; por fim, apresentou-se o grau de satisfação do usuário em sua experiência de uso do minhasaude.rio, através da metodologia Net Promoter Score (NPS).
A pesquisa de satisfação foi implementada em janeiro de 2025, e a análise abrangeu o período entre janeiro a julho de 2025. O usuário acessa a funcionalidade de pesquisa de satisfação de forma voluntária, já que ela não é acionada automaticamente. A avaliação é realizada por meio de uma nota de 0 a 10, seguindo a escala do NPS — métrica que mede experiência, satisfação e fidelidade, baseada na probabilidade de o usuário recomendar um serviço a outras pessoas. O NPS foi calculado de acordo com a metodologia clássica, categorizando os respondentes em detratores (notas 0 a 6), neutros (7 e 8) e promotores (9 e 10), sendo o índice final obtido pela diferença entre a porcentagem de promotores e a de detratores.
Embora a segunda fase do estudo tenha sido organizada didaticamente em três etapas, na prática elas ocorrem de forma contínua e integrada. O processo de digitalização da saúde e de consolidação de dados em um aplicativo de acesso aberto é dinâmico, com cada etapa retroalimentando a outra e promovendo um ciclo permanente de melhoria no acesso à informação.
O presente estudo utilizou informações públicas, tanto no tocante à pesquisa documental, disponível em saúde.prefeitura.rio, quanto à análise do aplicativo, para a qual foram utilizadas as informações disponíveis no sítio eletrônico minhasaude.rio, cujo acesso é livre.
Resultados
Os resultados identificaram os principais marcos legais da saúde digital e reconstruíram o processo que levou ao desenvolvimento do aplicativo, desde o mapeamento inicial dos sistemas e plataformas da saúde até a disponibilização de serviços ao público. Essa investigação permitiu organizar as etapas envolvidas, reconhecer os avanços obtidos e demonstrar como elas sustentaram a criação de uma plataforma acessível e alinhada às diretrizes de saúde digital.
O resultado da análise documental mostrou a existência de 21 sistemas de informação ou plataformas de saúde desenvolvidos pelos diferentes entes, nacional, estadual e municipal. Destes, dez sistemas de informação do SUS eram de base nacional; um sistema era estadual, relativo à regulação de pacientes; e dez tratavam de sistemas/plataformas municipais, entre contratos de gestão - que reforçam a existência de prontuários eletrônicos e sistemas de gestão de laudos laboratoriais implementados no município, planos municipais (Plano Estratégico 2021-2024 e Plano Plurianual 2022-2025), e plataformas da saúde. Esta constatação evidenciou a necessidade de integrar e organizar os dados de saúde de modo que se traduzam em informações para aprimorar tanto a assistência quanto a gestão em saúde. (Quadro 1).
Quadro 1
Diante desse cenário, a SMS-Rio iniciou, ao longo do tempo, um processo de digitalização da saúde, culminando na criação de um ecossistema digital estruturado, que envolveu as três etapas mencionadas na metodologia e cujos resultados seguem descritos.
Figura 1. Ecossistema da saúde digital no MRJ: da digitalização dos dados de saúde à criação do aplicativo minhasaude.rio.
Fig.1
Etapa 1: Digitalização das informações em saúde
A Etapa 1 correspondeu ao primeiro passo do processo de digitalização das informações assistenciais e de gestão da saúde da Prefeitura do Rio de Janeiro, para garantir a padronização, organização e integração das diferentes bases de dados visando a individualização dos percursos assistenciais do paciente. Identificou-se que a digitalização da saúde envolveu a implementação do prontuário eletrônico em todas as unidades de saúde da rede assistencial, o desenvolvimento de sistemas digitais para a gestão e a organização das bases de dados ministeriais dos SIS.
O processo de digitalização dos dados clínicos assistenciais foi iniciado em 2009, culminando entre 2021 e 2024, período em que se estabeleceu-se como meta a implantação de prontuário eletrônico em 100% das unidades de saúde, cujo objetivo foi alcançado em dezembro de 2024, incluindo os hospitais veterinários sob a gestão da SMS-Rio, como observado por meio dos contratos de gestão.
Em seguida, foram criados novos sistemas digitais que possibilitassem, por um lado, a estruturação de processos de trabalho baseado em dados com registros padronizados e, por outro, permitissem ao gestor visualizar e avaliar em tempo real a dinâmica das políticas implementadas. Nesse sentido, a SMS-Rio avançou no desenvolvimento dos seus respectivos sistemas/plataformas.
Depois, as bases de dados dos sistemas de informação oficiais do SUS foram organizadas, tratando, limpando e individualizando as bases de dados para posteriormente integrá-las a um ecossistema digital comum, o Data Lake.
Etapa 2: Criação do Data Lake da saúde
A Etapa 2 compreende a iniciativa de desenvolvimento de um Data Lake próprio e autônomo da saúde no MRJ.
A navegação pelos sítios eletrônicos https://www.dados.rio/datalake e https://github.com/prefeitura-rio possibilitou entender de que forma se dá a estruturação deste repositório, que está organizada por secretarias, subsecretarias e projetos, permitindo identificar com clareza a infraestrutura utilizada, os conjuntos de dados contemplados, os algoritmos empregados, bem como todas as etapas de transformação e limpeza aplicadas aos dados.
As transformações feitas nos dados ficam registradas, o que permite rastreabilidade e repetição de análises com segurança, corrigindo eventuais problemas de modo rápido e preciso, atestando a confiabilidade dos resultados para a tomada de decisão. É importante destacar que esse acesso é restrito aos códigos e não autoriza o acesso direto às bases de dados, preservando sigilo e privacidade. Deste modo, o Data Lake respeita a LGPD7 ao adotar práticas como pseudonimização, minimização e segregação dos dados sensíveis de saúde por finalidade (assistência, gestão, transparência e pesquisa), ao passo que garante transparência, reprodutibilidade, auditoria social e colaboração entre gestores públicos, pesquisadores e sociedade civil na governança dos dados públicos.
O Quadro 1 apresenta os sistemas e plataformas que compõem o Data Lake da saúde. A implementação dessa arquitetura fortaleceu a governança e a qualidade das informações, ajudando a superar desafios históricos, como a baixa governabilidade das bases municipais e a fragmentação de dados antes distribuídos entre diversas plataformas e parceiros (Organizações Sociais, empresa pública e outros serviços contratualizados). A interoperabilidade obtida possibilitou gerar informações mais qualificadas e ajustadas às necessidades do cuidado. Além disso, observou-se maior facilidade e eficiência no uso dos dados pelas diferentes áreas finalísticas da saúde.
Etapa 3: Aplicativo minhasaude.rio
A Etapa 3 dá continuidade ao processo de maturidade digital da SMS-Rio, expressando um novo produto disponível para uso da população que se consolida em informações comunicáveis ao público geral, partindo-se do movimento de melhoria do uso dos dados de saúde descritos nas Etapas 1 e 2.
A SMS-Rio, lançou, em outubro de 2022, a ferramenta digital minhasaude.rio, nas modalidades site e aplicativo, como uma estratégia de acesso à informação de saúde para a população carioca, com vistas à promoção da saúde.
O aplicativo minhasaude.rio, legado digital da pandemia de Covid-19 no Rio de Janeiro, foi inicialmente criado para permitir a auto notificação da doença pelos usuários, facilitando a comunicação e o cuidado compartilhado com a equipe de saúde da família. Isto aumentou o engajamento de uso de serviços digitais ao oferecer um serviço útil e de impacto social direto. Após a pandemia, o aplicativo foi ampliado para integrar diversas informações de saúde, com acesso confiável e comunicação ativa no processo de cuidado.
Em relação ao login, verificou- se que o minhasaude.rio pode ser acessado por qualquer usuário mediante autenticação via conta Gov.br ou cadastro na plataforma. No entanto, o acesso à maioria das funcionalidades está condicionado ao vínculo prévio do usuário com a Clínica da Família de referência, o que pode ser verificado por meio das guias orientadores disponíveis no site do próprio aplicativo (https://web2.smsrio.org/portalPaciente/). Essa orientação constitui premissa fundamental para a utilização plena do sistema.
No período estudado, a ferramenta digital minhasaude.rio possuía 15 funcionalidades, que permite ao usuário as seguintes ações: visualizar suas informações pessoais e de vinculação da Equipe de Saúde da Família, realizar agendamento de consulta com seu médico e enfermeira de referência; acompanhar a situação de suas solicitações no SISREG, visualizar suas informações de cirurgias, seu histórico de internações e o tempo de espera para atendimentos nas unidades de urgência e emergência dentre outras.
Sobre os dados clínicos, o usuário pode visualizar seus laudos de exames laboratoriais e registrar suas informações de glicemia, pressão arterial, alergias e peso/altura, recebendo mensagens personalizadas, que apoiam o monitoramento de sua condição de saúde. Na vigilância em saúde, além de visualizar seu histórico de vacinas, pode solicitar a vacinação domiciliar. Na funcionalidade “Meus Pets” é possível o usuário realizar o cadastro e o agendamento da castração de seu cão e/ou gato.
Para as pessoas portadoras de Fibromialgia ou com Transtorno do Espectro Autista (TEA), é possível realizar a solicitação da carteira de identificação. No âmbito da promoção da saúde, disponibilizam-se orientações para adoção de um estilo de vida mais saudável a partir da prática regular de atividade física e de uma alimentação equilibrada.
Mais recentemente, foi viabilizado a teleconsulta na Atenção Primária à Saúde pela plataforma, possibilitando o atendimento na própria residência. Essa estratégia garante que os usuários mais vulneráveis, com dificuldades de circulação no território seja por condições de saúde ou por situações de violência no território, também sejam assistidos.
Perfil de uso do aplicativo minhasaude.rio
A evolução dos cadastros ao longo dos semestres evidenciou uma forte relação com o lançamento de novas funcionalidades no período avaliado entre 2022 e 2025, saindo de 34.037 novos cadastros para 135.146 respectivamente. Os maiores saltos no número de cadastros ocorreram no 2º semestre de 2023, com o lançamento do agendamento on-line na atenção primária e a emissão da carteira do espectro autista, e no ano de 2024 com a inclusão da carteira de vacinação completa, serviço de saúde veterinária e a teleconsulta na atenção primária. Em julho de 2025, o minhasaude.rio possuía um total de 802.561 usuários cadastrados - CPF únicos (Figura 2).
Os picos de crescimento sugerem que a introdução de novos recursos exerce impacto direto e positivo no engajamento do público, destacando a importância de constantes inovações para a ampliação da base de usuários. Nos semestres sem lançamentos, o aumento de cadastros é menos expressivo, reforçando ainda mais a conexão entre novidades e adesão.
Fig.2
Destaca-se a função do ‘gov.br’ foi integrada ao aplicativo como credencial de acesso em 2023, trazendo requisitos de segurança e confiabilidade ao usuário, que até então tinha o acesso ao aplicativo condicionado à realização de cadastro diretamente nele. Desde agosto de 2023, período de lançamento da funcionalidade, foram registrados 535.721 novos cadastros, dos quais 137.773 (25,7%) ocorreram por meio do ‘gov.br’, evidenciando a adesão à nova funcionalidade e seu potencial como facilitador do acesso digital (Figura 2).
Quando avaliado o perfil demográfico dos usuários cadastrados no aplicativo, observou-se que 66% são do sexo feminino e 34% do sexo masculino. A faixa etária de maior adesão é de 18 a 69 anos, representando 83% dos usuários totais. Quanto a raça/cor, 38% são pessoas registradas como parda, seguida de 31% de brancas. Sobre isto, observa-se um percentual expressivo de não informação para esta categoria (16%). Quando avaliados o distrito sanitário/área programático de moradia do usuário, os dados demonstraram que a maior parte dos usuários adscritos são do território das AP 33, 40 e 52. A origem do usuário corresponde aos bairros mais populosos da cidade (Tabela 1).
Tab.1
Em 2025, observou-se 2.656.048 acessos ao aplicativo para as diferentes funcionalidades, sendo que 39,09% buscaram informações sobre sua situação no SISREG. Ressalta-se que uma mesma pessoa pode acessar mais de uma vez a sua solicitação, motivo pelo qual o número de acessos é superior ao número de pessoas (Tabela 2).
Em seguida, aparecem as funcionalidades Agendamento de consultas (17,61%) e Exames (8,66%), que representam expressivo interesse pelos usuários do aplicativo. As funcionalidades como Vacinas, Onde Ser Atendido e Meus Registros de Saúde também são bastante acessados. Ainda que em menor escala, funcionalidades como Meus Pets, Carteiras, Receitas e Teleconsulta (ainda não disponível para todo MRJ) evidenciam a diversidade de temas acessados na plataforma, refletindo seu papel multifuncional no cotidiano dos usuários. Cabe ressaltar que a funcionalidade Meus Pets foi disponibilizada apenas no final de 2024, em dezembro.
Apesar do curto período de análise relativamente às demais funcionalidades, ela já figura entre as sete mais procuradas e acessadas na plataforma durante o período avaliado (janeiro a julho de 2025). Esse desempenho evidencia um rápido engajamento dos usuários com a nova funcionalidade, demonstrando o potencial de adesão a recursos inovadores integrados ao minhasaude.rio e refletindo o interesse crescente da população em serviços relacionados à saúde animal (Tabela 2).
Tab.2
Dos 802.561 usuários cadastrados, participaram da pesquisa de satisfação, de janeiro a julho de 2025, 12.106 usuários (1,5%). O cálculo do NPS classificou 48,8% dos usuários como detratores (notas de 0 a 6), 12,1% como neutros (notas 7 e 8) e 39,1% como promotores (notas 9 e 10), resultando em um NPS de – 9,7. Esse resultado indica uma percepção polarizada entre os usuários, com proporção maior de detratores em relação aos promotores (Figura 3). Como nenhum critério de seleção foi utilizado e trata-se de uma amostra extremamente limitada, não se pode afirmar que os dados quantitativos registrados possuem validade externa.
Figura 3. Distribuição das notas de avaliação da pesquisa de satisfação NPS da plataforma minhasaude.rio, janeiro a julho de 2025.
Fig.3
Discussão
Os resultados deste estudo mostram que a adoção do aplicativo, sustentada pela integração de dados viabilizada pelo Data Lake da saúde, impulsionou a ampliação do acesso às informações e o uso qualificado dos serviços digitais pelos cidadãos. Observou-se crescente engajamento dos usuários e boa aceitação da ferramenta, especialmente na busca por informações essenciais ao cuidado, como informações de regulação, agendamentos, exames e histórico vacinal, o que evidencia seu potencial para apoiar a gestão e personalizar a atenção em saúde.
Esses resultados convergem com a literatura, que destaca a necessidade de que a transformação digital no setor público seja orientada pela criação de valor público, pela transparência e pela proteção dos dados, além de ser conduzida de forma ética e sustentável, como propõe Belli et al.11. A experiência analisada demonstra que o avanço tecnológico só se sustenta quando acompanhado de governança robusta, atualização contínua das funcionalidades e participação ativa da população no uso das ferramentas digitais.
O uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) tem se mostrado fundamental na transformação dos sistemas de saúde em diversos contextos nacionais e internacionais. Outrossim, as TICs são fundamentais para o fortalecimento das redes de atenção e para a superação da fragmentação dos serviços12. Por isto, o Ministério da Saúde, em seu plano de saúde digital 2020-2028, enfatiza a importância de integrar e digitalizar os sistemas de informação para promover uma saúde centrada na pessoa, com base em dados e evidências13. Portanto, a digitalização da saúde pública representa não apenas um avanço tecnológico, mas uma transformação estrutural na forma de oferta de cuidados em saúde.
Experiências internacionais mostram que as TICs, quando bem aplicadas, melhoram a continuidade do cuidado, a segurança do paciente e a gestão dos serviços de saúde. No Canadá, o programa Infoway desenvolve soluções digitais integradas para um cuidado centrado no paciente14. Já a Estônia é referência por seu sistema nacional de prontuário eletrônico interoperável, com acesso em tempo real para profissionais e cidadãos, promovendo transparência e eficiência na gestão15.
Aplicativos móveis, como o Meu SUS Digital e o minhasaude.rio, destacam-se na transformação digital da saúde no Brasil, mas ainda enfrentam problemas de adesão da população: em 2024, o Meu SUS Digital tinha 4,5 milhões de usuários ativos, cerca de 2% da população16 e, em 2025, o minhasaude.rio alcançava 12% da população do MRJ. Estudos indicam que essa limitação decorre de fatores como segurança e privacidade, desigualdade de acesso, falta de capacitação e restrições de infraestrutura17.
Apesar das barreiras identificadas, a trajetória de digitalização na saúde apresenta caráter irreversível, consolidando-se como tendência no setor. Estudo de Nichiata e Passaro18 identificou 43 aplicativos de saúde desenvolvidos por diferentes esferas de governo, somando mais de 28 milhões de downloads e avaliações positivas, mas ainda enfrentando desafios de comunicação e desigualdade regional. A pesquisa destaca o protagonismo do minhasaude.rio como exemplo de unificação e digitalização de dados, com foco em transparência, personalização e ampliação do acesso.
O avanço da transformação digital na área da saúde do Município do Rio de Janeiro pode ser evidenciado pelo desempenho obtido no Índice Nacional de Maturidade em Saúde Digital (INMSD), instrumento aplicado pela SEIDIGI, por meio do Programa SUS Digital, com a finalidade de mensurar o grau de digitalização e a capacidade das unidades de saúde no uso de tecnologias digitais. A avaliação considera dimensões como gestão, infraestrutura, processos e serviços ofertados à população. Nesse contexto, a SMS-Rio alcançou o índice 0,78, posicionando-se em estágio de maturidade digital avançado.
Entre as inovações em saúde digital, destacam-se os aplicativos móveis como importantes estratégias de presença digital institucional, especialmente nos municípios, onde as políticas de saúde se concretizam e o contato com o usuário é mais direto. Nichiata e Passaro18 identificaram quarenta e três aplicativos desenvolvidos por Secretarias Municipais, Estaduais e pelo Ministério da Saúde, evidenciando o protagonismo dos governos locais nesse campo e o potencial das plataformas digitais para ampliar o acesso à informação e aos serviços. A pesquisa revelou mais de 28 milhões de downloads e uma avaliação positiva média pelos usuários, embora os desafios persistam em relação à comunicação estratégica e à desigualdade regional na oferta dessas tecnologias.
A avaliação do perfil demográfico demonstrou resultados condizentes com a literatura em que as mulheres são as que mais acessam o serviço de saúde19. Por outro lado, as faixas etárias com maior engajamento foram de adultos entre 18 e 60 anos, indicando maior atenção aos grupos de idosos acerca da literacia digital20. No quesito raça/cor, pretos e pardos representaram juntos 46% dos usuários do aplicativo, também adequado aos padrões identificados em outros estudos de que essa população é a principal usuária do SUS21. As áreas mais adensadas da cidade são aquelas em que se observou maior número de usuários cadastrados no aplicativo.
A qualidade e atualização dos sistemas de informação em saúde são fundamentais para garantir interoperabilidade e confiança nos dados do SUS. O estudo identificou que 19% dos cadastros não tinham endereço registrado, informação proveniente do CadSUS, base essencial na Atenção Primária, o que pode ser um fator limitante das análises de perfil do usuário. Recomenda-se que o aplicativo permita a atualização de endereço e telefone para melhorar a precisão dos dados. Também se sugere que o Ministério da Saúde avalie o uso do CPF como identificador único para fortalecer a gestão e as boas práticas nos sistemas nacionais, uma vez que sua ausência traz dificuldade para integrar dados, garantir qualidade da informação e permitir análises complexas e precisas na gestão pública.
Quanto à satisfação dos usuários, embora seja uma avaliação bastante recente que limita determinar conclusões sobre a ferramenta, esta análise é útil para verificar a necessidade de aprimoramentos no aplicativo para maior satisfação do usuário, bem como avaliar o engajamento e participação do usuário no desenvolvimento do aplicativo. Estudos sugerem a importância de aprimorar o aplicativo com base no feedback dos usuários para aumentar a adesão e melhorar a experiência, reforçando a necessidade de integração das tecnologias digitais no SUS de forma participativa e centrada no usuário22.
O estudo não investigou diretamente a percepção dos usuários, o que restringe a compreensão sobre o uso e a satisfação com o minhasaude.rio. Estudos futuros podem incluir entrevistas ou outras abordagens qualitativas para aprofundar essas dimensões e orientar melhorias na plataforma.
Além disso, pesquisas que busquem entender a dinâmica de trabalho dos desenvolvedores e também dos gestores do aplicativo podem enriquecer estudos sobre digitalização na saúde no setor público, trazendo informações estratégicas sobre as decisões políticas e técnicas para o aprimoramento do acesso à informação.
Conclusão
O aplicativo minhasaude.rio desenvolvido pela SMS-Rio é um produto de saúde inovador com múltiplas funcionalidades destinadas a atender a conectar o usuário do SUS a rede assistencial, vis a vis as suas necessidades de saúde. A construção dessa ferramenta só foi possível em virtude da trajetória institucional percorrida pela gestão municipal iniciada em 2009 com a digitalização das informações até a construção do data lake da saúde. O engajamento do aplicativo, compreendido pelo número de novos usuários cadastrados, depende da permanente atualização e incorporação de novas funcionalidades, buscando gerar valor ao usuário e ao sistema de saúde com permanente aumento de satisfação. Para tanto, é fundamental que os gestores viabilizem espaços de construção colaborativa para participação ativa dos usuários, como grupos focais ou fóruns permanentes com os conselhos locais, distritais e municipal de saúde. A experiência do município do Rio de Janeiro com a plataforma minhasaude.rio é citada nesse estudo como um exemplo de iniciativa voltada à unificação e digitalização dos dados em saúde, priorizando a transparência, a personalização da informação e a ampliação do acesso.
Contribuições dos autores: Todos os autores participaram de todas as etapas de elaboração do artigo, da conceptualização à revisão e edição crítica, bem como da revisão final do manuscrito.
Declaração de Disponibilidade de Dados
Os bancos de dados utilizados no artigo, incluindo os códigos de extração, análises e resultados estão disponíveis em repositório: (https://web2.smsrio.org/minhasaudeRio/#/dados-
transparencia - em “PBI do minhasaude.rio).
Referências
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