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0035/2026 - INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E TRADUÇÃO DO CONHECIMENTO EM SAÚDE: UMA REVISÃO DE ESCOPO
ARTIFICIAL INTELLIGENCE AND KNOWLEDGE TRANSLATION IN HEALTHCARE: A SCOPE REVIEW

Autor:

• Herbert Nunes Batista Glória - Glória, HNB - <hebertnunes42@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0009-0006-5890-4186

Coautor(es):

• Thaís Branquinho Oliveira Fragelli - Fragelli, TBO - <thaisfragelli@unb.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0001-9378-0066



Resumo:

O uso de inteligência artificial tem crescido em diversos campos, a exemplo da saúde. O objetivo do presente trabalho foi investigar o modo como a inteligência artificial é utilizada para a tradução do conhecimento em saúde. Foi realizada uma revisão de escopo utilizando as bases Embase, Medline via Pubmed, Scopus e Web of Science e termos do sistema de Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), do Medical Subject Headings (MeSH) e do Emtree (Embase). Os tipos de tradução do conhecimento identificados foram em sua maioria a tradução pós-projeto seguida da tradução integrada. O público-alvo mais abordado foram os profissionais de saúde; a atenção básica foi mais abordada enfatizando a educação em saúde; e os tipos de inteligência artificial mais citados foram o Machine Learning seguido da Large Language Model e da Natural Language Processing. Conclui-se que a inteligência artificial ainda é um campo em crescimento, os estudos ainda são exploratórios, necessitam de maior aprofundamento e podem se expandir em consequência do maior conhecimento e desenvolvimento do campo.

Palavras-chave:

inteligência artificial; tradução do conhecimento; saúde coletiva; saúde digital.

Abstract:

The use of artificial intelligence has been increasing in various fields, including healthcare. The objective of this study was to investigate how artificial intelligence is used for knowledge translation in healthcare. A scoping review was conducted using Embase, Medline via PubMed, Scopus, and Web of Science databases, as well as terms from the Health Sciences Descriptors (DeCS), Medical Subject Headings (MeSH), and Emtree (Embase). The types of knowledge translation identified were mostly post-project translation, followed by integrated translation. The most frequently targeted audience was healthcare professionals, with primary care being the most addressed, emphasizing health education. The most frequently cited types of artificial intelligence were Machine Learning, followed by Large Language Models and Natural Language Processing. The conclusion is that artificial intelligence remains a developing field; studies are still exploratory and require further in-depth research but may expand as knowledge and development in the field progress.

Keywords:

artificial intelligence, knowledge translation, public health, digital health.

Conteúdo:

METODOLOGIA
Foi realizada uma revisão de escopo orientada pela metodologia Joanna Briggs Institute Evidence Synthesis6 e relatada de acordo com o Preferred Reporting Items for Systematic Review and Meta-Analysis for Scoping Review(PRISMA-ScR)6,7.
Foi utilizada a estratégia Problema, Conceito e Contexto(PCC) para formulação da questão de pesquisa, sendo: a) Problema: IA; b) Conceito: TC; c) Contexto: saúde. A partir da estratégia PCC originou-se a pergunta: como a IA é utilizada para a TC em saúde?
Bases de Dados e Estratégia de Busca
As bases de dados utilizadas foram: Embase, Medline via Pubmed, Scopus e Web of Science. Os descritores foram selecionados do Descritores em Ciências da Saúde(DeCS), do Medical Subject Headings(MeSH) e do Emtree(Embase), conforme Quadro 1.
Critérios de Inclusão e Exclusão
Os critérios de inclusão foram artigos que abordaram o uso de IA na TC em práticas de qualquer área de saúde. Os critérios de exclusão foram: protocolos; resumos de conferências, editoriais, opiniões e cartas ao editor; livros e capítulos de livros; pesquisas focadas apenas em aspectos técnicos da IA, sem relação com TC e; artigos que não envolvam populações humanas. Nenhuma limitação de tempo ou idioma foi atribuída nos presentes critérios.
Seleção dos Estudos
A seleção e triagem dos estudos foi realizada com a ferramenta Rayyan por dois pesquisadores em 2 etapas de leitura: de títulos e resumos e completa dos artigos.
Extração de Dados
A extração de dados foi realizada em uma planilha no Google Sheets, onde os artigos selecionados foram organizados e as variáveis de interesse, como características do estudo, número de participantes, resultados e principais conclusões, foram extraídas.

Quadro 1

Síntese dos Dados
Foi realizada a análise quantitativa de frequências e percentuais e a análise qualitativa, sintetizando as principais características dos estudos. Para fins de categorização conceitual de TC, as estratégias foram classificadas de acordo com os trabalhos de Graham e Tetroe4 e dos Canadian Institutes of Health Research(CIHR)3.
RESULTADOS
Foram identificados 1.005 estudos, conforme Figura 1. Após a remoção das duplicatas, 737 estudos seguiram para leitura de títulos e resumos. Posteriormente, 177 estudos seguiram para leitura do texto completo analisando os critérios de elegibilidade. Por fim, 58 estudos seguiram para a etapa de extração de dados. Um estudo foi excluído por dificuldade de tradução e compreensão linguística por ser escrito com caracteres chineses, perfazendo uma amostra final de 57 artigos analisados.

Fig.1

Quadro 2

A publicação mais antiga identificada foi de 2010 e as mais recentes foram de 2024, com 21 publicações, conforme Figura 2.

Fig.2

Os países com maior destaque foram Estados Unidos(14 estudos), Canadá(6 estudos), China(3 estudos) e Brasil(3 estudos); os demais países obtiveram 2 ou 1 estudos. Houve predominância de estudos de revisão e exploratórios.
O público-alvo identificado foi: profissionais de saúde(55 menções); pesquisadores(35 menções); pacientes(31 menções); stakeholders(15 menções); formuladores de políticas(8 menções); estudantes(6 menções); gestores/tomadores de decisão(5 menções); desenvolvedores (5 menções); e comunidade/público geral(8 menções).
Os níveis de atenção identificados foram: atenção primária(16 menções), atenção secundária(13 menções) e atenção especializada(3 menções). Os tipos de TC identificados foram: tradução pós-projeto(34 estudos) e tradução integrada(23 estudos).
Os tipos de IA mencionados que se destacaram nos estudos foram: ML(23 menções); LLM(19 menções); NLP(15 menções); DL(6 menções).
Os resultados identificados foram associados por meio de: a) associação positiva(+), quando o estudo indicou resultados benéficos, potencial adesão, aprimoramento, implantação do uso de IA; b) associação mista(+/-), quando destacou riscos, limitações, vieses, necessidade de cautela sobre os riscos encontrados. Não foram identificadas associações negativas e os campos em branco representam os dados não aplicáveis em análise. Os resultados estão organizados no Quadro 3.

Quadro 3

Os benefícios de IA identificados foram: ética, privacidade, segurança(5 menções); prevenção, saúde pública(8 menções); personalização do cuidado, respostas(10 menções); análise, processamento de dados(17 menções); eficiência, otimização de processos(23 menções); educação, acesso à informação(37 menções); e suporte ao diagnóstico e à decisão clínica(44 menções).
Os riscos de IA identificados foram: qualidade, confiabilidade da informação(37 menções); fatores humanos, dependência(22 menções); viés, qualidade dos dados(20 menções); privacidade, segurança de dados(17 menções); transparência, opacidade("Black Box")(11 menções); e limitações técnicas e operacionais(8 menções). O total de menções identificadas não é relativo ao total de estudos, visto que um estudo pode mencionar múltiplos riscos.
Os principais temas de relação ética identificados foram: privacidade, segurança de dados (29 menções); transparência, explicabilidade(22 menções); viés, iniquidades(17 menções); responsabilidade, supervisão humana(17 menções); confiabilidade, qualidade(15 menções); consentimento, aprovação ética(12 menções); e governança, regulação(5 menções).
DISCUSSÃO
O presente estudo teve o objetivo de investigar o modo como a IA é utilizada para a TC em saúde. A pesquisa identificou maior número de publicações no ano de 2020, esses resultados, como enfatizam Islam et al.65, podem relacionar-se ao desenvolvimento da IA como resposta ao período da pandemia de Covid-19, em que as tecnologias foram fundamentais para controlar o vírus e estabilizar a situação de saúde pública. Os avanços de estudos relacionados à IA durante e após a pandemia podem refletir as proposições de estudos sobre essa tecnologia emergente, suas aplicações e seus possíveis impactos65.
A baixa produção de estudos qualitativos, estudos para aprofundamento de dado fenômeno66, reflete a incipiente discussão sobre IA. Muitos estudos identificados foram de revisão. Esses trabalhos visam analisar o contexto atual da literatura, de modo a evidenciar os potenciais e as lacunas da literatura sobre o tema e utilizam métodos como a revisão de escopo, estudo direcionado para a identificação e mapeamento de estudos6,67; e a revisão sistemática, que sintetiza e avalia estudos com enfoque em direcionar intervenções68. Foram identificados também estudos exploratórios que possuem o objetivo de trilhar um novo tema ou área ainda inexplorada69, demonstrando que o tema ainda tem muito campo a ser explorado.
O público-alvo foi mais direcionado aos profissionais de saúde, seguidos pelos pesquisadores e pelos pacientes. Tal fato pode ser explicado, visto que a produção científica e a disseminação e difusão do conhecimento, elementos componentes do ciclo de TC, constituem recursos muito utilizados na atualização profissional3,4,67. Ferraz et al.67 destacam que uma dificuldade na produção de estudos sobre TC é sua aplicação na prática com a comunidade e os pacientes, considerando suas necessidades, o que salienta a importância da participação dos atores envolvidos3,4. Ferraz et al.67 evidenciam que, quando os pesquisadores não incluem o público-alvo, reforçam o isolamento do conhecimento científico, levantando dúvidas acerca da aplicação da TC além da produção científica, ou seja, sendo aplicada e acompanhada da prática comunitária. Essa é uma reflexão essencial para que os pesquisadores possam inserir pacientes, profissionais de saúde, stakeholders e tomadores de decisão em saúde para melhorar a comunicação e a utilização efetiva do conhecimento67.
A atenção primária foi mencionada em 50% dos estudos. Torres et al.70 destacam a capacidade e a versatilidade da IA na TC na atenção primária, em aspectos como: previsão de riscos, suporte à tomada de decisão, aprimoramento de diagnóstico, otimização de processos e sistemas. Os autores também enfatizam que a atenção primária é um solo fértil para a implementação e o desenvolvimento da IA por ser a base do sistema de saúde, com ações de nível individual e coletivo70. Os temas identificados nos estudos apontam que educação em saúde foi o tema de destaque, o que é confirmado por Rolim et al.71 e Shishehgar et al.72, que ressaltam a utilização da IA para o desenvolvimento do conhecimento e a personalização da aprendizagem.
O principal tipo de IA identificado nos estudos foi ML. Ludermir73 destaca que o ML pode ser aplicado para aprendizado direcionado por dados, com finalidade de analisar e gerar hipóteses e proporcionar desenvolvimentos substanciais, em uma perspectiva promissora a longo prazo.
Observou-se que o alto volume da TC pós-projeto relaciona-se aos trabalhos que visam promover a síntese científica do estudo, com modelos lineares de desenvolvimento de pesquisa científica e, por fim, com a promoção dos resultados disseminados por meio de publicações de estudos e relatórios, palestras e apresentações em congressos3,67. A TC Integrada relaciona-se com estudos de caráter colaborativo e qualitativos, devido à implementação da cocriação com usuários de conhecimento (pacientes, profissionais de saúde, gestores), possibilitando o desenvolvimento conjunto da pesquisa até a apresentação de resultados, para a implementação do conhecimento3,67. Rolim et al.71 destacam a importância de compreender as potencialidades práticas e teóricas e o uso responsável da IA para TC, com enfoque na construção do conhecimento, sendo necessária a adaptação do conteúdo técnico-científico para uma linguagem acessível e personalizada para o público3.
Os principais benefícios evidenciados foram o suporte ao diagnóstico e o suporte à decisão clínica, relacionados à precisão, à acurácia e à predição74,75. A predição pode ser identificada como o resultado gerado pela IA, por meio de classificações, textos e frequências geradas a partir dos dados analisados; a acurácia de IA é a proporção de predições corretas; a precisão é considerada a métrica de interpretabilidade e confiabilidade das predições, que releva a qualidade do resultado74. As análises desses elementos possibilitam identificar o modo como cada tipo de IA se comporta em relação aos resultados gerados.
Em relação ao ML, Chen et al.76 destacam a necessidade da verificação e da validação das métricas do modelo de IA. Já o DL pode ser mensurado por estatísticas padronizadas relacionadas ao padrão ouro do elemento analisado74. A NLP, por sua vez, pode ser mensurada por comparações de contextos de respostas avaliadas ou supervisionadas por especialistas humanos, visando identificar a compreensão do modelo sobre os dados, as informações e os resultados gerados. Por fim, o LLM constitui modelo complexo utilizado em atividades de interpretação e predição de textos e pode ser avaliado por meio da veracidade do resultado e por comparações e verificações em fontes científicas 66,75.
Sobre os riscos identificados, relacionados aos principais tipos de IA utilizados para a TC, foram encontrados: privacidade e segurança de dados; transparência; modelos de decisão; viés; iniquidade; responsabilidade; e supervisão humana.
O ML é principalmente relacionado ao risco de viés e equidade, devido à possibilidade de perpetuação de vieses presentes nos dados analisados, como desigualdades sociais e fatores de riscos associados a populações vulneráveis76, o que reflete a importância da qualidade dos dados disponibilizados e a necessidade de supervisão e avaliação da equidade do modelo de decisão72. O DL associado ao uso de análise direcionada de imagens ou identificação de padrões é relacionado principalmente ao risco de opacidade ou Black Box (Caixa-Preta), um risco relativo à explicabilidade do modelo de decisão do algoritmo em relação aos resultados gerados74.
A ausência de explicação de “raciocínio” do algoritmo pode trazer ao usuário dificuldades de compreensão e confiabilidade sobre o processo de análise e geração de resultados da IA74. A NLP relaciona-se com os riscos de violação de privacidade e confidencialidade de dados sensíveis. Carvalho77 destaca a possibilidade de vazamentos acidentais de dados e uso ilegal de informações privadas. A mitigação do risco pode acontecer por meio de técnicas de anonimização dos dados, controle de acesso e governabilidade dos dados disponibilizados para a IA. O autor evidencia ainda a necessidade e o direcionamento no uso e desenvolvimento de IA para a regulamentação, a governança, a privacidade e a segurança dos dados utilizados77.
LLM relaciona-se com os fatores de riscos de reprodução de desinformação em respostas textuais; a alucinação de IA é um risco evidenciado em ferramentas de ChatBOTs, em que a IA gera respostas plausíveis, entretanto sem relação com fontes fidedignas66,75. A dependência de IA é outro fator de risco ao julgamento crítico do usuário e é resultante da praticidade da IA e de sua capacidade responsiva em tempo real. O uso responsável e a comparação das respostas da IA são elementos que podem minimizar os riscos mencionados77.
Os aspectos éticos evidenciados relacionam-se diretamente com os benefícios e riscos do uso de IA para a TC, destacando-se: segurança e privacidade de dados; confiabilidade e qualidade da IA; viés; e transparência em modelos de decisão. Ludermir73 destaca as questões éticas e morais, como o risco de violação de privacidade, a segurança com as informações sensíveis, a transparência em modelos de decisão de algoritmo e até o uso potencialmente prejudicial com a IA, no entanto, os trabalhos também evidenciaram as oportunidades da responsabilidade ética como um benefício do uso de IA.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
As evidências apontadas no estudo podem ser usadas como guia precursor sobre o modo como a IA é utilizada na TC em saúde e levantam questionamentos sobre as limitações da IA, a relação humano-máquina inteligente, os benefícios e os riscos do uso de IA e os aspectos éticos que permeiam essa tecnologia.
A contribuição do presente estudo para o campo da saúde coletiva é um reflexo dos saberes e conhecimentos que podem ser desenvolvidos na área. As evidências podem direcionar estudos posteriores sobre a influência da IA, positivas ou negativas. Assim, pesquisas futuras poderão investigar maneiras de mitigar os riscos dessa influência e desenvolver e promover o uso responsável de IA.
As tendências de utilização da IA foram identificadas principalmente com o uso de técnicas de ML, DL, NLP e LLM, com enfoque em utilizações para suporte em diagnósticos, tomadas de decisões clínicas, personalização e construção do conhecimento em educação em saúde. As ferramentas de IA podem favorecer o aprimoramento das práticas de saúde, com a otimização de processos; o processamento de linguagem falada e escrita; e as análises de dados e assistentes virtuais. Entretanto as ressalvas sobre a ética e a responsabilidade na utilização da IA, a segurança dos dados sensíveis e a dependência da IA são elementos que colaboram para atingir um progresso cauteloso. Desse modo, o estudo contribui para o desenvolvimento do caminho para o conhecimento sobre a IA e suas aplicações para a TC em saúde.
O estudo não está isento de limitações, pois, mesmo na tentativa de esgotar as buscas por meio da estratégia de pesquisa, possíveis estudos relacionados podem não ter sido identificados. Sugere-se que pesquisas futuras possam aprimorar e aprofundar as várias utilizações da IA para TC em saúde, considerando os aspectos éticos sem perder a humanização.

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Glória, HNB, Fragelli, TBO. INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E TRADUÇÃO DO CONHECIMENTO EM SAÚDE: UMA REVISÃO DE ESCOPO. Cien Saude Colet [periódico na internet] (2026/jan). [Citado em 30/01/2026]. Está disponível em: http://cienciaesaudecoletiva.com.br/artigos/inteligencia-artificial-e-traducao-do-conhecimento-em-saude-uma-revisao-de-escopo/19933

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