0048/2026 - Reflexões sobre resiliência, efetividade e atributos da APS a partir das internações por condições sensíveis à atenção primária em saúde.
Reflections on resilience, effectiveness, and attributes of primary health care based on hospitalizations for conditions sensitive to primary health care.
Autor:
• Raphael Mendonça Guimarães - Guimarães, RM - <raphael.guimaraes@fiocruz.br>ORCID: https://orcid.org/0000-0003-1225-6719
Coautor(es):
• Viviane Gomes Parreira Dutra - Dutra, VGP - <vivi_parreira@yahoo.com.br>ORCID: https://orcid.org/0000-0001-6939-742X
• Cristiane de Oliveira Novaes - Novaes, CO - <novaes.cristiane@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-5272-3759
Resumo:
Não se aplica.Abstract:
Não se aplica.Keywords:
Não se aplica.Conteúdo:
O artigo mostra, ainda, que a associação entre cobertura formal da APS e desempenho avaliado pelas ICSAP não é linear nem consistente em todas as regiões, o que leva à necessidade de aprofundar o debate sobre modelos de acesso. De fato, a Estratégia Saúde da Família permanece como eixo estruturante da APS no Brasil, mas convive com arranjos híbridos e paralelos, que apresentam diferentes níveis de responsabilização territorial e coordenação do cuidado3. Investigações futuras poderiam explorar de que modo essas variações organizacionais modulam os resultados em termos de internações evitáveis, permitindo desenhar políticas mais ajustadas às realidades locais4.
Além disso, a sofisticação metodológica do estudo inspira a incorporação de indicadores complementares, capazes de superar a dependência exclusiva das ICSAP. Entre eles, destacam-se a análise da oferta e utilização de consultas preventivas, a adesão a protocolos clínicos de manejo de condições crônicas, a cobertura vacinal, a continuidade do acompanhamento longitudinal e a satisfação dos usuários com os serviços. Tais dimensões ajudariam a compor um painel mais abrangente sobre a efetividade e a resiliência da APS. Importante reconhecer, por outro lado, que enquanto a resiliência estrutural pode ser estimada por taxas e modelagens, a resiliência relacional emerge da confiança, da vinculação e da capacidade de cuidado continuado – dimensões ainda ausentes nos painéis nacionais de monitoramento. Experiências internacionais, como o Primary Care Resilience Index desenvolvido no Reino Unido5, vêm combinando medidas de continuidade, integração e satisfação do usuário. Este pode ser um caminho promissor para complementar as ICSAP no contexto brasileiro.
Por fim, a discussão sobre resiliência dos sistemas de saúde, especialmente em contextos de vulnerabilidade, demanda métricas que consigam capturar desigualdades regionais e orientar políticas baseadas em evidências, como demonstram os autores. Ao final, monitorar a resiliência do SUS requer mais do que identificar municípios fora do padrão esperado: exige compreender como a APS sustenta o cotidiano das populações em meio às crises. Esse é o próximo passo metodológico e ético para o qual o estudo de Schilling et al. nos convoca.
Declaração de Disponibilidade de Dados
Não se aplica.
REFERÊNCIAS
1. Schilling MPR, Portela MC, Albuquerque MV, Martins M. Resiliência e desempenho dos sistemas de saúde: internações por condições crônicas sensíveis à atenção primária. Ciênc Saúde Colet. 2025;30:e21422024.
2. Starfield B. Primary care: concept, evaluation, and policy. New York: Oxford University Press; 1992.
3. Macinko J, Mendonça CS. Estratégia Saúde da Família, um forte modelo de Atenção Primária à Saúde que traz resultados. Saúde Debate. 2018;42(1):18–37.
4. Mendes EV. A construção social da Atenção Primária à Saúde. Brasília: CONASS; 2015.
5. Camacho C, Webb RT, Bower P, Munford L. Adapting the Baseline Resilience Indicators for Communities (BRIC) Framework for England: Development of a Community Resilience Index. Int J Environ Res Public Health. 2024;21(8):1012.











