0250/2026 - Uso de substâncias psicoativas e fatores psicossociais como correlatos de indicadores de violência em adolescentes
Use of psychoactive substances and psychosocial factors as correlates of indicators of violence in adolescents
Autor:
• Cláudia Fabiane Gomes Gonçalves - Gonçalves, CFG - <claudia@pesqueira.ifpe.edu.br>ORCID: https://orcid.org/0000-0002-6324-2002
Coautor(es):
• Mauro Virgilio Gomes Barros - Barros, MVG - <mauro.barros@upe.br>ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3165-0965
• Lygia Maria Pereira da Silva - Silva, LMP - <lygia.silva@upe.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-4512-4990
• Caroline Ramos de Moura Silva - Silva, CRM - <carolinerms@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-8727-0024
• Murilo Gominho Antunes Correia Júnior - Correia Júnior, MGA - <murilo.gominho@upe.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-2395-2210
Resumo:
O objetivo foi analisar fatores associados ao envolvimento em brigas (EB) e à violência física (VF) em adolescentes. Estudo transversal realizado de maio a outubro de 2022 em 86 escolas públicas estaduais (12% da rede) de 45 municípios de Pernambuco, Brasil. Participaram 4.514 estudantes do ensino médio. Utilizou-se regressão logística binária hierarquizada em três níveis para verificar associações entre os desfechos e variáveis sociodemográficas, escolares, familiares, comportamentais e psicossociais. Os resultados indicaram que o consumo de álcool, drogas ilícitas e tabaco associou-se significativamente a ambos os desfechos; o uso de drogas dobrou a chance de sofrer VF (OR=2,02). No âmbito psicossocial, a ideação suicida aumentou as chances de EB e VF, enquanto o sentimento de tristeza elevou a exposição à VF. Sexo masculino e cor de pele não branca foram correlatos do EB. Como fatores de proteção, observou-se menor chance de violência para adolescentes que não trabalhavam, cursavam o 3º ano e cujos pais supervisionavam o tempo livre. Conclui-se que o envolvimento em violência está fortemente vinculado ao uso de substâncias e vulnerabilidades mentais. A articulação entre pares, pais e professores é crucial para a construção de normas sociais de não violência e prevenção de comportamentos de risco.Palavras-chave:
Violência, Adolescente; Comportamentos de Risco.Abstract:
The objective was to analyze factors associated with involvement in fights (IF) andphysical violence (PV) among adolescents. A cross-sectional study was conducted from
May to October 2022 in 86 state public schools (12% of the school system) across 45
municipalities in Pernambuco, Brazil. A total of 4,514 high school students participated
in the study. Hierarchical binary logistic regression, structured into three levels, was used
to assess associations between the outcomes and sociodemographic, school-related,
family, behavioral, and psychosocial variables. The results indicated that alcohol, illicit
drug, and tobacco use were significantly associated with both outcomes; drug use doubled
the odds of experiencing PV (OR=2.02). Regarding psychosocial factors, suicidal
ideation increased the odds of IF and PV, while feelings of sadness increased exposure to
PV. Male sex and non-white skin color were correlates of IF. As protective factors, lower
odds of violence were observed among adolescents who did not work, were in the third
year of high school, and whose parentes supervised their free time. It was concluded that
involvement in violence is strongly associated with substance use and mental health
vulnerabilities. Collaboration among peers, parents, and teachers is crucial for
establishing social norms against violence and preventing risk behaviors.
Keywords:
Violence; Adolescent; Risk Behaviors.Conteúdo:
A violência na adolescência representa um dos maiores problemas sociais e de saúde pública, afetando a vida de muitos jovens em todo o mundo. Jovens e adolescentes são expostos à violência usualmente fora de casa, muitas vezes nas escolas ou na comunidade onde se reúnem, mas pode se manifestar também no ambiente virtual. Inclui vários tipos de atos, abrangendo o cyberbullying ou até mesmo lutas físicas, que podem resultar em agressão sexual e física graves e, em alguns casos, resultar em fatalidades1.
Nesse subgrupo populacional, a violência física (VF) pode se manifestar de várias formas, usada intencionalmente para punir e/ou ferir. A violência psicológica, por sua vez, é uma forma de discriminação ou desrespeito, causando danos à autoestima ou identidade. A violência sexual ocorre quando alguém obriga outra, seja por meio de influência física ou psicológica, a desenvolver práticas sexuais contra sua vontade. Há, ainda, a negligência, uma forma de violência que se caracteriza pela omissão na realização de atividades essenciais para o desenvolvimento biopsicossocial, sendo o abandono sua forma mais extrema2. O envolvimento em brigas (EB), caracteriza-se pela participação ativa em conflitos físicos intencionais entre pares, pressupondo uma dinâmica de confronto direto e reciprocidade que o distingue da vitimização unilateral1.
Dados do Relatório Global sobre a Prevenção da Violência da Organização Mundial da Saúde (OMS), indicam que crianças e adolescentes expostos à violência são mais propensos a desenvolver transtornos mentais, comportamentos de risco (abuso de álcool e drogas, tabagismo e sexo inseguro), doenças infecciosas (infecção do vírus da imunodeficiência humana - HIV), doenças crônicas não transmissíveis (câncer, diabetes e doenças cardiovasculares) e dificuldades de ajustamento social (desempenho escolar baixo, déficit no processo de aprendizagem e um aumento da violência)1. No Brasil, a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE, 2015) ³, com uma amostra representativa de mais de 100 mil estudantes, revelou uma tendência crescente de todos os indicadores de violência nas capitais brasileiras, evidenciando a necessidade de monitoramento contínuo. Concomitantemente, estudos conduzidos em países como a Colômbia confirmam associações entre a exposição à violência e consequências adversas, como ideação suicida e automutilação, com variações por sexo e tipo de violência.4
As consequências dessas violências, muitas vezes invisíveis, podem se perpetuar até a fase adulta, causando problemas como sentimentos de desvalorização, baixa
autoestima, depressão, ansiedade, ideação suicida, isolamento social, comportamento agressivo, estresse pós-traumático, dificuldades sexuais, baixo desempenho escolar, consumo de álcool e drogas, dentre outros5, 6, 7.
O impacto desses eventos é agravado pelo cenário epidemiológico brasileiro. Segundo o Atlas da Violência, no Brasil a violência vem apresentando uma tendência crescente; o homicídio foi a principal causa de morte entre jovens de 15 a 19 anos, representando 51,8% dos óbitos nessa faixa etária. Esse fenômeno da violência se torna mais grave, pois esse recorde se dá quando o país está passando por um processo de transição demográfica caracterizado por rápido envelhecimento populacional e retangularização da pirâmide etária8.
Estudos multicêntricos e de base populacional têm explorado fatores associados à violência como o Global School-Based Student Health Survey (GSHS), esse instrumento de medida, foi utilizando em 64 países, onde os pesquisadores observaram que comportamentos alimentares como aumento no consumo de refrigerantes e sucos artificiais e níveis de pobreza estão correlacionados ao risco de EB.9, 10 Um estudo conduzido com dados de países da África subsaariana, identificou que fatores psicossociais e uso de substâncias psicoativas estavam associados à maior chance de EB e que a prevalência deste evento foi de 29,2% 11.
No contexto brasileiro, embora existam investigações sobre violência entre adolescentes, ainda são escassos estudos que analisem simultaneamente diferentes dimensões explicativas, especialmente integrando fatores comportamentais e psicossociais em modelos hierarquizados e que considerem especificidades regionais.
A relevância do presente estudo reside na análise do estado de Pernambuco, uma região marcada por disparidades socioeconômicas e altos índices de criminalidade juvenil. Compreender a dinâmica da VF e do EB especificamente na rede pública estadual
permite que as políticas de prevenção sejam adaptadas às particularidades culturais e sociais locais, indo além dos modelos teóricos generalistas. Assim, no presente estudo procurou-se analisar os fatores associados a comportamentos violentos (EB e VF) em adolescentes estudantes do ensino médio em Pernambuco.
MÉTODOS
Estudo transversal analítico realizado como parte de um inquérito epidemiológico de base escolar e abrangência do estado de Pernambuco, Brasil, intitulado: Exposição a Bebidas Alcoólicas, Tabaco e Outras Drogas e Rastreamento de Transtornos Mentais Comuns em Adolescentes do Estado de Pernambuco: Estudo Epidemiológico Para Apoiar Uma Proposta de Integração “escola – rede de atenção de apoio psicossocial” - Projeto Atitude. A coleta de dados ocorreu entre maio e outubro de 2022 em sala de aula, sem a presença de professores. Todos os estudantes presentes foram convidados a participar, mas somente aqueles que haviam apresentado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido assinado pelos pais/responsáveis e os adolescentes o Termo de Assentimento Livre e Esclarecido.
A amostra final foi composta por 4.514 estudantes (14 a 19 anos) de ambos os sexos, provenientes de 86 escolas distribuídas em 45 municípios de todas as mesorregiões do estado de Pernambuco, Brasil. O protocolo foi aprovado pelo Comitê de Ética da Fundação de Hematologia e Hemoterapia do estado de Pernambuco (CEP-UPE parecer n.º 4.449.705).
Para a seleção dos participantes, recorreu-se à amostragem por conglomerados em dois estágios (escola e turmas). O cálculo amostral foi realizado de modo a permitir a identificação de valores de Odds Ratios (ORs) iguais ou superiores a 1,2 como sendo significativos. Considerou ainda os seguintes parâmetros: intervalo de confiança de 95%, poder de 80%, razão de expostos/não expostos de 1 e prevalência de casos entre não
expostos de 30%. Os cálculos foram realizados no OpenEpi (www.openepi.com) e
resultaram numa amostra que requeria a participação de 4.450 adolescentes.
Os dados foram coletados por meio de uma versão do questionário Global School- based Student Health Survey (GSHS), desenvolvido pela World Health Organization (WHO) em colaboração com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS) e com assistência técnica do Centers for Disease Control and Prevention (CDC) dos Estados Unidos.
Para o presente estudo, foi utilizada a versão previamente traduzida, adaptada transculturalmente e validada para o português do Brasil, amplamente empregada em inquéritos epidemiológicos nacionais com adolescentes, como a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE). O processo de adaptação envolveu tradução, retrotradução e adequação semântica e cultural dos itens, de modo a garantir a compreensão e a equivalência conceitual para a população brasileira. Uma cópia em PDF do instrumento pode ser consultada na Internet: https://gpesupe.org/downloads-de-arquivos/
Realizou-se um estudo piloto visando determinar indicadores de reprodutibilidade das medidas e aplicabilidade do instrumento (tempo de resposta e grau de dificuldade). Os achados indicaram que os dados obtidos são consistentes entre medidas repetidas (intervalo de uma semana) e que os adolescentes consideraram, de modo geral, ser fácil responder às perguntas, embora o tempo de participação seja relativamente longo (aproximadamente 30 minutos).
Para a realização das análises, foram consideradas variáveis dependentes: o EB do tipo luta física e a exposição à VF. Os dados sobre esses fatores foram obtidos a partir de duas questões: (1) em relação ao EB, a questão apresentada foi “Durante os últimos 30 dias, quantas vezes você esteve EB?” e, (2) em relação à exposição à VF, perguntou- se: “Durante os últimos 30 dias, quantas vezes você sofreu algum tipo de VF?”. Nos dois
casos, os respondentes poderiam informar uma das seguintes categorias de resposta: nenhuma vez; 1 vez; 2 ou 3 vezes; 4 ou 5 vezes; 6 ou 7 vezes; 8 ou 9 vezes; 10 ou 11 vezes; e, 12 vezes ou mais. Todos os adolescentes que referiram qualquer frequência diferente de zero (nenhuma vez) foram considerados casos de EB ou de exposição à VF, dicotomizando-se as variáveis para fins de análise.
As variáveis independentes foram agrupadas em três níveis hierárquicos (proximal, intermediário e distal), conforme ilustrado na Figura 1. Isso foi feito por meio de uma abordagem que orientou a ordem de entrada das variáveis no modelo de regressão. Desse modo, nas análises de regressão foram incluídas primeiro as variáveis no nível distal, intermediário e, por fim, as do nível proximal. As variáveis demográficas foram: sexo (masculino e feminino); faixa etária (14–16 e 17–19 anos); cor da pele (branca, e não branca); escolaridade materna (não estudou, não concluiu o 1º grau, concluiu o 1º grau e não concluiu o 2º grau, concluiu o 2º grau completo ou mais); local de residência (urbana e rural); status ocupacional (trabalha, não trabalha); prática religiosa (praticante, não praticante); e situação conjugal (solteiro, não solteiro). As variáveis relacionadas à escola e à família foram: mesorregião geográfica (metropolitana, zona da mata, agreste, sertão e sertão do São Francisco); série (1º ano, 2º ano e 3º ano); turno (regular, semi- integral e integral); estrutura familiar (mora com um dos pais, mora com ambos e não mora com os pais); e, pais sabiam o que faziam no tempo livre (sim, não). O terceiro bloco abrangeu os fatores comportamentais de risco e as variáveis psicossociais: consumo de álcool nos últimos 30 dias (sim e não); uso de drogas ilícitas (não legalizadas como maconha, cocaína, ecstasy, etc.) nos últimos 30 dias, (sim e não); tabagismo nos últimos 30 dias (sim e não); sentimento de solidão (sim e não); tristeza (sim e não); ideação suicida (sim e não); e planos de suicídio (sim e não).
O software Sphinx foi usado para coleta de dados offline, com sincronização diária e transferência para uma base única, seguida de limpeza e organização para análise.
A análise de dados foi realizada no software Stata (versão 14), empregando-se procedimentos de estatística descritiva e inferencial. Considerando a seleção amostral por conglomerados (comando svy) para ajustes das estimativas e erros padrão dos modelos logísticos.
Foi realizada regressão logística binária, calculando ORs brutos. Posteriormente, as variáveis foram inseridas por níveis, obedecendo ao modelo de hierarquização apresentado na Figura 1, mantendo-se aquelas com P < 0,20. Em seguida, as variáveis do segundo nível juntamente com aquelas mantidas no nível de análise anterior. Após a entrada das variáveis do nível proximal, foram considerados fatores associados ao desfecho aqueles com P < 0,05. Os resultados são apresentados com ORs e intervalos de confiança.
Fig.1
RESULTADOS
Participaram 86 escolas (12% do total de escolas estaduais do estado) em 45 municípios, o que representa 24% de todos os municípios pernambucanos. Nessas escolas sorteadas, foram entrevistados 4.514 estudantes (54,6% do sexo feminino). Do total de participantes, 75% se autodeclararam como sendo de cor de pele não branca, 90,4% não
trabalhavam. O detalhamento das características demográficas e socioeconômicas está apresentado na Tabela 1.
Tab.1
As análises de regressão logística bruta e ajustadas evidenciaram fatores demográficos, socioeconômicos, escolares e estrutura familiar que estão associados à variável “EB”. Os resultados das análises multivariáveis permitiram identificar maior chance de EB entre os adolescentes do sexo masculino (OR=1,56; IC95%: 1,32-1,84), de cor de pele não branca (OR=1,35; IC95%: 1,12-1,62) e que não eram solteiros (OR=1,44; IC95%: 1,15-1,80). Além disso, maior chance de EB foi observada também em adolescentes que relataram consumo de bebidas alcoólicas (OR=1,64; IC95%: 1,39-1,94), uso de drogas ilícitas (OR=1,74; IC95%: 1,35-2,25) e tabagismo (OR=1,34; IC95%: 1,02- 1,77). Apresentaram maior chance de EB em comparação aos seus pares, os que referiram ideação suicida (OR=1,34; IC95%: 1,04-1,74) e planos de se suicidar (OR=1,51; IC95%: 1,16-1,96). Detalhamento apresentado na Tabela 2.
Menor chance de EB foi observada entre os adolescentes que referiam não trabalhar (OR=0,76; IC95%: 0,60-0,98), estudar em escolas situadas na região do Sertão do São Francisco (OR=0,78; IC95%: 0,61-0,99) e entre aqueles que os pais sabiam o que faziam no tempo livre (OR=0,78; IC95%: 0,67-0,91). Notou-se, ainda, que os estudantes matriculados no segundo e terceiro ano apresentaram menor chance de EB em comparação aos que estavam no primeiro ano do ensino médio, conforme resultados na Tabela 2.
Tab.2
Após a realização das análises para a variável “VF”, os resultados do modelo final, quando ajustadas, não apresentaram associações estatisticamente significativas entre o sexo, a faixa etária, a cor da pele, a escolaridade materna, o local de residência, a prática religião, a situação conjugal, o turno e a estrutura familiar.
Embora 52,6% dos adolescentes tenham relatado mães com ensino médio completo ou mais, essa variável não apresentou associação estatisticamente significativa com EB ou VF. Assim, apesar de teoricamente reconhecida como um potencial fator protetivo, neste estudo a escolaridade materna não se configurou como tal no modelo ajustado.
Como fator de proteção para VF, observou-se que adolescentes que não trabalhavam apresentaram 30% menos chances de exposição (OR=0,70; IC95%: 0,51- 0,97). De forma similar, o estudo em escolas situadas na região do Sertão do São Francisco (OR=0,72; IC95%: 0,52-0,98) e a matrícula no 3º ano (OR=0,51; IC95%: 0,39- 0,65) e entre aqueles que os pais sabiam o que faziam no tempo livre (OR=0,69; IC95%: 0,56-0,85). Configuraram-se como importantes elementos redutores da exposição à violência física.
A Tabela 3 apresenta os resultados referentes ao uso de substâncias psicoativas e aspectos de saúde mental entre os adolescentes. Observou-se que os estudantes referiram ter consumido álcool, drogas ilícitas e tabaco, nos últimos 30 dias, para EB e VF. Sendo que os que usaram drogas ilícitas apresentaram duas vezes mais chance 2,02 (IC
95%:1,49-2,73) de sofrer VF comparados aos que não consumiram. Quanto aos aspectos relacionados à saúde mental no que se refere à ideação suicida, há associações estatisticamente significativas tanto para EB 1,34% (IC 95%: 1,04-1,74) e VF 1,72% (IC
95%: 1,26-2,36). O sentimento de tristeza, 1,36% (IC 95%: 1,06-1,75) está mais exposto à VF.
Tab.3
DISCUSSÃO
Os resultados deste estudo permitiram analisar fatores associados a dois comportamentos relacionados à violência em adolescentes estudantes do ensino médio: o EB e a exposição à VF. Um dos principais achados foi a identificação de que fatores demográficos, escolares e familiares não estão associados à exposição à VF, mas discriminam significativamente o EB. As variáveis que indicam o uso de substâncias psicoativas (consumo de bebidas alcoólicas, drogas ilícitas e uso de tabaco) estão associadas tanto ao EB quanto à exposição à VF. Em relação aos fatores psicossociais, a ideação suicida foi identificada como variável associada a maior chance tanto de EB quanto de VF.
Um dos resultados que mais surpreendeu foi a constatação de que fatores escolares e familiares não estão associados à exposição a VF, nem mesmo o sexo foi identificado como fator associado. Nossos achados confirmam que o sexo masculino possui maior
chance de EB (OR=1,56), o que corrobora a tendência histórica observada em capitais brasileiras pela PeNSE entre 2009 e 20153. No entanto, as adolescentes não estão imunes a essas vivências.
No entanto, a literatura indica que a exposição feminina à VF frequentemente ocorre em contextos de violência intrafamiliar ou abusos que impactam a saúde mental. 13, 16 A dinâmica de gênero ancora a violência na adolescência através de expectativas socioculturais: a socialização masculina muitas vezes valida a agressividade como resolução de conflitos, enquanto para o sexo feminino, a VF rompe com normas de gênero, sendo muitas vezes subnotificada ou ocorrendo em contextos de defesa ou conflitos afetivos.
Algo que converge para os resultados relatados em estudos nacionais, adolescentes do sexo masculino são mais propensos a se envolver em episódios de VF, possivelmente devido a fatores como socialização de gênero, influências culturais e dinâmicas de poder12-14.
Um estudo realizado na Europa e Canadá revelou que meninos têm mais chances de EB do que meninas, sendo 15% e 5% respectivamente15, mas isso não significa que as meninas estejam livres de situações de violência.
As variáveis como idade, local de residência, ser praticante de uma religião e turno escolar não apresentaram diferenças significantes para EB e VF.
Os achados revelaram que residir na mesorregião do Sertão do São Francisco atuou como um fator de proteção para EB e VF. Sugere uma dinâmica territorial distinta das áreas metropolitanas, onde o Atlas da Violência,8 aponta índices de criminalidade mais elevados e fragmentação dos laços comunitários. O contexto específico de Pernambuco revela que o envolvimento em violência física está fortemente vinculado ao uso de substâncias psicoativas em áreas de maior vulnerabilidade urbana33. Essa
disparidade geográfica pode ser explicada pela densidade populacional e dinâmica de urbanização. Assim, a menor chance de violência no interior do estado pode refletir uma maior eficácia coletiva e um controle social informal mais preservado, típicos de comunidades com identidades regionais fortalecidas.
Quanto à trajetória escolar, observou-se que estudantes do 3º ano apresentaram menor chance de EB em comparação aos do 1º ano. Este fenômeno sugere um efeito de maturação cognitiva e psicossocial: adolescentes mais velhos tendem a desenvolver melhores habilidades de resolução de conflitos e maior autorregulação emocional. Além disso, o 3º ano marca um período de transição para a vida adulta e preparo para o ensino superior (ENEM), o que pode redirecionar o foco do estudante para metas acadêmicas, reduzindo o tempo de exposição a comportamentos de risco interpessoais. Inversamente,
o 1º ano representa uma fase de adaptação e busca por aceitação em novos grupos sociais,
o que pode aumentar a propensão a confrontos físicos como forma de afirmação de identidade. No que diz respeito ao sexo, cor da pele não branca, após ajustes, observou- se que teve associação significativa para EB. Porém, um estudo nacional não encontrou diferenças significativas entre raças, exceto em meninas, com maior relato de briga quando pretas ou de outras raças16. Embora os adolescentes afirmaram terem mães com nível mais alto de escolaridade (2º grau completo ou mais), após o ajuste, não teve associação com EB e VF.
No que tange à estrutura familiar, 52,6% dos participantes relataram que suas mães possuíam o ensino médio completo ou mais. Apesar da alta prevalência de escolaridade formal, não houve associação estatística significante com EB ou VF neste estudo. Teoricamente, a educação materna atua como fator protetor ao facilitar o acesso a recursos informacionais e melhores estratégias de mediação de conflitos. Contudo, em contextos de alta vulnerabilidade social, o capital escolar da mãe pode ser neutralizado
por fatores ambientais do entorno da residência ou pela ausência física materna devido a jornadas de trabalho extensas, sugerindo que, em Pernambuco, a proteção contra a violência depende mais de redes de apoio comunitário e supervisão direta do que apenas do nível de instrução formal dos pais.
Esse resultado difere do estudo realizado na Arábia Saudita, onde houve associação entre a escolaridade materna mais elevada e os relatos de estudantes que tinham EB. Os pesquisadores relatam a natureza incomum desse achado, sugerindo explorar em estudos futuros17. Já nos estudos nacionais, adolescentes filhos de mães com ensino superior completo relataram menor prevalência de violência intrafamiliar. Portanto, a probabilidade de sofrer violência pode ser reduzida com maior escolaridade materna12,18. Entretanto, identificaram maior proporção de meninos com relato de VF quando moravam sozinhos, mãe com ensino superior, história de agressão familiar em casa e insegurança no entorno e na escola, comportamentos de consumo de drogas, ausência às aulas e não perceberem apoio e supervisão dos pais. Quanto às meninas, os resultados foram análogos, fora relato de briga quando eram pretas ou de outras raças, ser filha de mãe analfabeta ou com fundamental incompleto, estudarem em escola pública, se sentirem sozinhas e não terem amigos16.
Outro dado é o fator status ocupacional, com adolescentes que não trabalham 0,70 (IC 95%: 0,51-0,97) após ajustes, observou-se que é um fator de proteção e esteve associado à menor chance para EB e VF. Diferente de estudos que apontam o trabalho como fator de proteção pelo desenvolvimento de responsabilidade, este estudo revelou que não trabalhar reduziu as chances de EB e VF. A literatura nacional destaca que o trabalho precoce, muitas vezes informal e precário, expõe o adolescente a riscos ambientais e à ausência de supervisão12. Em Pernambuco, esse resultado pode estar atrelado à robusta rede de escolas em tempo integral, que compõem 58% da nossa
amostra. Conforme discutido por Silva e Negreiros19, a escola pública, ao atuar em tempo integral, funciona como um espaço de proteção que reduz o tempo de exposição à violência das ruas, oferecendo alternativas de inserção cultural e assistência que substituem a necessidade do trabalho precoce como forma de ocupação23.
Entretanto, os achados de uma pesquisa evidenciaram maior prevalência de relato de VF entre meninos que já trabalhavam16. Não obstante, existem algumas possíveis explicações para essa associação. Adolescentes que trabalham podem ter experiências sociais diferentes, colocando-os no patamar do adulto19,20, enquanto os que não trabalham podem ter mais tempo livre e ocioso pode aumentar a probabilidade de experimentar e consumir substâncias psicoativas21.
Além disso, fatores comportamentais que influenciam o consumo de drogas incluem a facilidade de acesso e o ambiente em que eles vivem22. Neste contexto, as escolas em tempo integral são essenciais oferecendo atividades educacionais e oportunidades de profissionalização23. A escola, por ser o local onde os adolescentes deveriam passar a maior parte do tempo, tomando como apoio as diretrizes e bases da educação nacional, tornando-se um ambiente propício para a mitigação da violência na adolescência. É imperativo que a escola e o setor de saúde colaborem para desenvolver ações conjuntas que envolvam as famílias no contexto educacional, para identificar e prevenir situações de violência cotidiana24,25.
Em relação a ser praticante de uma religião, não apresentou significância, no entanto, estudos indicam que pode desempenhar um papel protetor, fornecendo valores, costumes e estruturas sociais que desencorajam o uso de substâncias psicoativas. A falta de um vínculo religioso é associada a uma maior probabilidade de exposição com drogas26, 27.
Curiosamente, variáveis clássicas da literatura como “prática religiosa” e “morar com ambos os pais” não apresentaram significância estatística após o ajuste do modelo. Este achado sugere que, para a realidade dos adolescentes estudados, a configuração familiar é menos determinante do que a dinâmica relacional.
A associação significativa encontrada para os pais saberem o que os filhos fazem no tempo livre (OR=0,69) Isso demonstra que a qualidade do vínculo e o monitoramento parental são mais determinantes para a segurança do jovem do que a simples coabitação física ou estrutura do arranjo familia6. Conforme apontado por Elsaesser et al. 34, a família exerce seu papel protetor mais efetivamente através do engajamento e do suporte emocional, que funcionam como uma barreira psicossocial contra a influência de pares agressivos e a exposição à violência comunitária.
Todavia, a literatura mostra que morar com pais ou responsáveis, com episódios de violência frequentes, pode tornar um ambiente propício para atos violentos, o que corrobora com uma pesquisa com estudantes do 9º ano. Evidenciou-se que a agressão familiar por mais de uma vez em 30 dias é um dos principais fatores relacionados à VF16.
O uso de álcool, drogas ilícitas e tabaco teve maior chance no sexo masculino, corroborando com os achados internacionais que se referem à EB entre adolescentes escolares, indicando uma alta prevalência nas variáveis de exposição, sendo que alguns comportamentos violentos demonstram uma frequência elevada quando associados. Entre eles, sexo masculino, consumo de álcool, drogas ilícitas, morar em locais violentos, absentismo às aulas, falta de supervisão, conflitos familiares e apresentar sintoma de depressão28-32. Esse resultado foi similar a outro estudo realizado no estado de Pernambuco, onde a prevalência do consumo de álcool e uso de drogas aumentou a chance de os estudantes sofrerem VF e EB33.
Quanto ao relacionamento social, os pais sabiam o que adolescentes faziam no tempo livre, é um fator de proteção e esteve associado à menor chance para EB e VF. Este resultado chama a atenção para o que ocorre no âmbito do lar e nas relações familiares, sendo consistente com estudos anteriores, onde revelaram que a supervisão dos pais pode ajudar a detectar problemas nas relações entre pares e reduzir as chances de EB nas relações sociais30,34.
Finalmente, as variáveis sobre estresse psicossocial, como, tristeza, estavam associadas à VF, planos de suicidar à EB e ideação suicida estava associadas, tanto para EB como VF. Os resultados corroboram com os achados de um estudo de tendências (2006 - 2016), onde verificou-se que a exposição à violência está associada ao estresse psicossocial independentemente do gênero. Os adolescentes experimentaram sentimentos de solidão, tristeza, dificuldade para dormir por preocupação e ideação suicida35. Além disso, no estudo de revisão, demostrou que o uso de drogas em geral, é um fator que predispõe a ideação suicida em adolescentes36.
Por fim, o estudo tem limitações, como viés de causalidade reversa e amostra restrita à rede pública de ensino, não representando toda a população adolescente. No entanto, a amostra foi dimensionada e selecionada adequadamente, representando 72,8% dos adolescentes matriculados no ensino médio.
Os dados foram coletados com um instrumento que pode ter viés de resposta ou memória, mas foi previamente testado e apresenta bons indicadores de reprodutibilidade, minimizando essas limitações.
Apesar das limitações, este estudo apresenta pontos positivos que merecem ser destacados, como a abrangência (estadual) do levantamento, o dimensionamento amostral que permitiu, suficiente poder estatístico às análises realizadas e o processo de seleção dos participantes que garantiu boa representatividade.
CONCLUSÃO
Diante do exposto, o estudo permitiu analisar os fatores de risco associados a comportamentos violentos como EB e VF em adolescentes no estado de Pernambuco. Com isso identificou-se que os fatores associados estão intrinsecamente ligados a um mosaico de vulnerabilidades, com destaque para o uso de substâncias psicoativas e o sofrimento psicossocial. Entretanto, o avanço deste estudo reside na identificação de mecanismos de proteção robustos que transcendem a simples ausência de risco, ancorando-se na dinâmica do território e no fortalecimento dos vínculos institucionais e familiares.
A proteção conferida por residir no Sertão e frequentar séries avançadas (3º ano) revela que a estabilidade territorial e a maturação escolar são ativos sociais fundamentais. Além disso, o papel protetor de "não trabalhar" e da "supervisão parental" redireciona o olhar da saúde pública: a prevenção da violência não depende apenas de medidas punitivas, mas da garantia de que o adolescente permaneça integrado a redes assistenciais e educativas estruturadas, como o modelo de escola integral vigente no estado.
É imperativo que as políticas públicas promovam uma articulação intersetorial entre a Educação, a Saúde Mental e a Assistência Social. A escola deve ser compreendida não apenas como espaço de ensino, mas como o principal nó de uma rede de cuidado que identifica precocemente os fatores de riscos e o abuso de substâncias. O fortalecimento de programas de apoio às famílias focados no monitoramento afetivo e não apenas na configuração do arranjo familiar emerge como a estratégia mais eficaz para reduzir a vitimização e a agressividade. Portanto, a construção de normas sociais de não violência exige um Estado que garanta ao jovem o direito ao tempo escolar e ao suporte psicossocial, mitigando as desigualdades regionais e de gênero identificadas.
Nesse sentido, o presente estudo traz conhecimentos adicionais significativos ao contexto atual do fenômeno da violência em adolescentes em vários aspectos como: a) científico, ao reunir pesquisas anteriores na temática, criando precedentes para estudos futuros essenciais para o planejamento e a avaliação de políticas que ajudam a construir e/ou implementar políticas públicas que promovam a cultura de paz, a promoção da saúde e a prevenção da violência. b) sociais e familiares, ao abordar a violência como um fenômeno que necessita da compreensão de uma forma mais ampla que permite seu desvelamento, em contextos como lar, escola e outros ambientes em que eles interagem com outras pessoas. Em relação a pais ou responsáveis que sabiam o que faziam, é um fator com potencial de prevenir a violência com base na estrutura familiar e c) assistencial, vinculando a uma articulação intersetorial e multidisciplinar entre a saúde, educação, a sociedade, a comunidade local, a escola e a família, para atuarem em soluções articuladas, conjuntas com relação à problemática da violência nessa fase da vida.
DISCUSSÃO
Os resultados deste estudo permitiram analisar fatores associados a dois
comportamentos relacionados à violência em adolescentes estudantes do ensino médio: o
EB e a exposição à VF. Um dos principais achados foi a identificação de que fatores
demográficos, escolares e familiares não estão associados à exposição à VF, mas
discriminam significativamente o EB. As variáveis que indicam o uso de substâncias
psicoativas (consumo de bebidas alcoólicas, drogas ilícitas e uso de tabaco) estão
associadas tanto ao EB quanto à exposição à VF. Em relação aos fatores psicossociais, a
ideação suicida foi identificada como variável associada a maior chance tanto de EB
quanto de VF.
Um dos resultados que mais surpreendeu foi a constatação de que fatores escolares e
familiares não estão associados à exposição a VF, nem mesmo o sexo foi identificado
como fator associado. Nossos achados confirmam que o sexo masculino possui maior
chance de EB (OR=1,56), o que corrobora a tendência histórica observada em capitais
brasileiras pela PeNSE entre 2009 e 20153
. No entanto, as adolescentes não estão imunes
a essas vivências.
No entanto, a literatura indica que a exposição feminina à VF frequentemente ocorre em
contextos de violência intrafamiliar ou abusos que impactam a saúde mental. 13, 16 A
dinâmica de gênero ancora a violência na adolescência através de expectativas
socioculturais: a socialização masculina muitas vezes valida a agressividade como
resolução de conflitos, enquanto para o sexo feminino, a VF rompe com normas de
gênero, sendo muitas vezes subnotificada ou ocorrendo em contextos de defesa ou
conflitos afetivos.
Algo que converge para os resultados relatados em estudos nacionais,
adolescentes do sexo masculino são mais propensos a se envolver em episódios de VF,
possivelmente devido a fatores como socialização de gênero, influências culturais e
dinâmicas de poder12-14.
Um estudo realizado na Europa e Canadá revelou que meninos têm mais chances
de EB do que meninas, sendo 15% e 5% respectivamente15
, mas isso não significa que as
meninas estejam livres de situações de violência.
As variáveis como idade, local de residência, ser praticante de uma religião e turno
escolar não apresentaram diferenças significantes para EB e VF.
Os achados revelaram que residir na mesorregião do Sertão do São Francisco atuou como
um fator de proteção para EB e VF. Sugere uma dinâmica territorial distinta das áreas
metropolitanas, onde o Atlas da Violência,8
aponta índices de criminalidade mais
elevados e fragmentação dos laços comunitários. O contexto específico de Pernambuco
revela que o envolvimento em violência física está fortemente vinculado ao uso de
substâncias psicoativas em áreas de maior vulnerabilidade urbana33. Essa disparidade
geográfica pode ser explicada pela densidade populacional e dinâmica de urbanização.
Assim, a menor chance de violência no interior do estado pode refletir uma maior eficácia
coletiva e um controle social informal mais preservado, típicos de comunidades com
identidades regionais fortalecidas.
Quanto à trajetória escolar, observou-se que estudantes do 3o ano apresentaram menor
chance de EB em comparação aos do 1o ano. Este fenômeno sugere um efeito de
maturação cognitiva e psicossocial: adolescentes mais velhos tendem a desenvolver
melhores habilidades de resolução de conflitos e maior autorregulação emocional. Além
disso, o 3o ano marca um período de transição para a vida adulta e preparo para o ensino
superior (ENEM), o que pode redirecionar o foco do estudante para metas acadêmicas,
reduzindo o tempo de exposição a comportamentos de risco interpessoais. Inversamente,
o 1o ano representa uma fase de adaptação e busca por aceitação em novos grupos sociais,
o que pode aumentar a propensão a confrontos físicos como forma de afirmação de
identidade. No que diz respeito ao sexo, cor da pele não branca, após ajustes, observou-
se que teve associação significativa para EB. Porém, um estudo nacional não encontrou
diferenças significativas entre raças, exceto em meninas, com maior relato de briga
quando pretas ou de outras raças16
. Embora os adolescentes afirmaram terem mães com
nível mais alto de escolaridade (2o grau completo ou mais), após o ajuste, não teve
associação com EB e VF.
No que tange à estrutura familiar, 52,6% dos participantes relataram que suas mães
possuíam o ensino médio completo ou mais. Apesar da alta prevalência de escolaridade
formal, não houve associação estatística significante com EB ou VF neste estudo.
Teoricamente, a educação materna atua como fator protetor ao facilitar o acesso a recursos
informacionais e melhores estratégias de mediação de conflitos. Contudo, em contextos
de alta vulnerabilidade social, o capital escolar da mãe pode ser neutralizado por fatores
ambientais do entorno da residência ou pela ausência física materna devido a jornadas de
trabalho extensas, sugerindo que, em Pernambuco, a proteção contra a violência depende
mais de redes de apoio comunitário e supervisão direta do que apenas do nível de
instrução formal dos pais.
Esse resultado difere do estudo realizado na Arábia Saudita, onde houve
associação entre a escolaridade materna mais elevada e os relatos de estudantes que
tinham EB. Os pesquisadores relatam a natureza incomum desse achado, sugerindo
explorar em estudos futuros17. Já nos estudos nacionais, adolescentes filhos de mães com
ensino superior completo relataram menor prevalência de violência intrafamiliar.
Portanto, a probabilidade de sofrer violência pode ser reduzida com maior escolaridade
materna12,18. Entretanto, identificaram maior proporção de meninos com relato de VF
quando moravam sozinhos, mãe com ensino superior, história de agressão familiar em
casa e insegurança no entorno e na escola, comportamentos de consumo de drogas,
ausência às aulas e não perceberem apoio e supervisão dos pais. Quanto às meninas, os
resultados foram análogos, fora relato de briga quando eram pretas ou de outras raças, ser
filha de mãe analfabeta ou com fundamental incompleto, estudarem em escola pública,
se sentirem sozinhas e não terem amigos16
.
Outro dado é o fator status ocupacional, com adolescentes que não trabalham 0,70 (IC
95%: 0,51-0,97) após ajustes, observou-se que é um fator de proteção e esteve associado
à menor chance para EB e VF. Diferente de estudos que apontam o trabalho como fator
de proteção pelo desenvolvimento de responsabilidade, este estudo revelou que não
trabalhar reduziu as chances de EB e VF. A literatura nacional destaca que o trabalho
precoce, muitas vezes informal e precário, expõe o adolescente a riscos ambientais e à
ausência de supervisão12. Em Pernambuco, esse resultado pode estar atrelado à robusta
rede de escolas em tempo integral, que compõem 58% da nossa amostra. Conforme
discutido por Silva e Negreiros19, a escola pública, ao atuar em tempo integral, funciona
como um espaço de proteção que reduz o tempo de exposição à violência das ruas,
oferecendo alternativas de inserção cultural e assistência que substituem a necessidade do
trabalho precoce como forma de ocupação23
.
Entretanto, os achados de uma pesquisa evidenciaram maior prevalência de relato
de VF entre meninos que já trabalhavam16
. Não obstante, existem algumas possíveis
explicações para essa associação. Adolescentes que trabalham podem ter experiências
sociais diferentes, colocando-os no patamar do adulto19,20, enquanto os que não trabalham
podem ter mais tempo livre e ocioso pode aumentar a probabilidade de experimentar e
consumir substâncias psicoativas21
.
Além disso, fatores comportamentais que influenciam o consumo de drogas
incluem a facilidade de acesso e o ambiente em que eles vivem22. Neste contexto, as
escolas em tempo integral são essenciais oferecendo atividades educacionais e
oportunidades de profissionalização23. A escola, por ser o local onde os adolescentes
deveriam passar a maior parte do tempo, tomando como apoio as diretrizes e bases da
educação nacional, tornando-se um ambiente propício para a mitigação da violência na
adolescência. É imperativo que a escola e o setor de saúde colaborem para desenvolver
ações conjuntas que envolvam as famílias no contexto educacional, para identificar e
prevenir situações de violência cotidiana24,25
.
Em relação a ser praticante de uma religião, não apresentou significância, no
entanto, estudos indicam que pode desempenhar um papel protetor, fornecendo valores,
costumes e estruturas sociais que desencorajam o uso de substâncias psicoativas. A falta
de um vínculo religioso é associada a uma maior probabilidade de exposição com
drogas26, 27
.
Curiosamente, variáveis clássicas da literatura como “prática religiosa” e “morar com
ambos os pais” não apresentaram significância estatística após o ajuste do modelo. Este
achado sugere que, para a realidade dos adolescentes estudados, a configuração familiar
é menos determinante do que a dinâmica relacional.
A associação significativa encontrada para os pais saberem o que os filhos fazem
no tempo livre (OR=0,69) Isso demonstra que a qualidade do vínculo e o monitoramento
parental são mais determinantes para a segurança do jovem do que a simples coabitação
física ou estrutura do arranjo familia6
. Conforme apontado por Elsaesser et al. 34, a família
exerce seu papel protetor mais efetivamente através do engajamento e do suporte
emocional, que funcionam como uma barreira psicossocial contra a influência de pares
agressivos e a exposição à violência comunitária.
Todavia, a literatura mostra que morar com pais ou responsáveis, com episódios
de violência frequentes, pode tornar um ambiente propício para atos violentos, o que
corrobora com uma pesquisa com estudantes do 9o ano. Evidenciou-se que a agressão
familiar por mais de uma vez em 30 dias é um dos principais fatores relacionados à VF16
.
O uso de álcool, drogas ilícitas e tabaco teve maior chance no sexo masculino,
corroborando com os achados internacionais que se referem à EB entre adolescentes
escolares, indicando uma alta prevalência nas variáveis de exposição, sendo que alguns
comportamentos violentos demonstram uma frequência elevada quando associados. Entre
eles, sexo masculino, consumo de álcool, drogas ilícitas, morar em locais violentos,
absentismo às aulas, falta de supervisão, conflitos familiares e apresentar sintoma de
depressão28-32. Esse resultado foi similar a outro estudo realizado no estado de
Pernambuco, onde a prevalência do consumo de álcool e uso de drogas aumentou a
chance de os estudantes sofrerem VF e EB33
.
Quanto ao relacionamento social, os pais sabiam o que adolescentes faziam no
tempo livre, é um fator de proteção e esteve associado à menor chance para EB e VF. Este
resultado chama a atenção para o que ocorre no âmbito do lar e nas relações familiares,
sendo consistente com estudos anteriores, onde revelaram que a supervisão dos pais pode
ajudar a detectar problemas nas relações entre pares e reduzir as chances de EB nas
relações sociais30,34
.
Finalmente, as variáveis sobre estresse psicossocial, como, tristeza, estavam
associadas à VF, planos de suicidar à EB e ideação suicida estava associadas, tanto para
EB como VF. Os resultados corroboram com os achados de um estudo de tendências
(2006 - 2016), onde verificou-se que a exposição à violência está associada ao estresse
psicossocial independentemente do gênero. Os adolescentes experimentaram sentimentos
de solidão, tristeza, dificuldade para dormir por preocupação e ideação suicida35. Além
disso, no estudo de revisão, demostrou que o uso de drogas em geral, é um fator que
predispõe a ideação suicida em adolescentes36
.
Por fim, o estudo tem limitações, como viés de causalidade reversa e amostra
restrita à rede pública de ensino, não representando toda a população adolescente. No
entanto, a amostra foi dimensionada e selecionada adequadamente, representando 72,8%
dos adolescentes matriculados no ensino médio.
Os dados foram coletados com um instrumento que pode ter viés de resposta ou
memória, mas foi previamente testado e apresenta bons indicadores de reprodutibilidade,
minimizando essas limitações.
Apesar das limitações, este estudo apresenta pontos positivos que merecem ser
destacados, como a abrangência (estadual) do levantamento, o dimensionamento amostral
que permitiu, suficiente poder estatístico às análises realizadas e o processo de seleção
dos participantes que garantiu boa representatividade.
CONCLUSÃO
Diante do exposto, o estudo permitiu analisar os fatores de risco associados a
comportamentos violentos como EB e VF em adolescentes no estado de Pernambuco.
Com isso identificou-se que os fatores associados estão intrinsecamente ligados a um
mosaico de vulnerabilidades, com destaque para o uso de substâncias psicoativas e o
sofrimento psicossocial. Entretanto, o avanço deste estudo reside na identificação de
mecanismos de proteção robustos que transcendem a simples ausência de risco,
ancorando-se na dinâmica do território e no fortalecimento dos vínculos institucionais e
familiares.
A proteção conferida por residir no Sertão e frequentar séries avançadas (3o ano)
revela que a estabilidade territorial e a maturação escolar são ativos sociais fundamentais.
Além disso, o papel protetor de "não trabalhar" e da "supervisão parental" redireciona o
olhar da saúde pública: a prevenção da violência não depende apenas de medidas
punitivas, mas da garantia de que o adolescente permaneça integrado a redes assistenciais
e educativas estruturadas, como o modelo de escola integral vigente no estado.
É imperativo que as políticas públicas promovam uma articulação intersetorial
entre a Educação, a Saúde Mental e a Assistência Social. A escola deve ser compreendida
não apenas como espaço de ensino, mas como o principal nó de uma rede de cuidado que
identifica precocemente os fatores de riscos e o abuso de substâncias. O fortalecimento
de programas de apoio às famílias focados no monitoramento afetivo e não apenas na
configuração do arranjo familiar emerge como a estratégia mais eficaz para reduzir a
vitimização e a agressividade. Portanto, a construção de normas sociais de não violência
exige um Estado que garanta ao jovem o direito ao tempo escolar e ao suporte
psicossocial, mitigando as desigualdades regionais e de gênero identificadas.
Nesse sentido, o presente estudo traz conhecimentos adicionais significativos ao
contexto atual do fenômeno da violência em adolescentes em vários aspectos como: a)
científico, ao reunir pesquisas anteriores na temática, criando precedentes para estudos
futuros essenciais para o planejamento e a avaliação de políticas que ajudam a construir
e/ou implementar políticas públicas que promovam a cultura de paz, a promoção da saúde
e a prevenção da violência. b) sociais e familiares, ao abordar a violência como um
fenômeno que necessita da compreensão de uma forma mais ampla que permite seu
desvelamento, em contextos como lar, escola e outros ambientes em que eles interagem
com outras pessoas. Em relação a pais ou responsáveis que sabiam o que faziam, é um
fator com potencial de prevenir a violência com base na estrutura familiar e c) assistencial,
vinculando a uma articulação intersetorial e multidisciplinar entre a saúde, educação, a
sociedade, a comunidade local, a escola e a família, para atuarem em soluções articuladas,
conjuntas com relação à problemática da violência nessa fase da vida.
REFERÊNCIAS
1 World Health Organization - WHO. Global Status Report on Preventing Violence
Against Children 2020. Geneva, 2020. www.al.ma.leg.br/home/.
2 Moreira KFA, Oliveira DM, Oliveira CAB, Alencar, LN, Orfão, NH, Farias, ES. Profile
of children and adolescents victims of violence. J. Nurs. UFPE/ Rev.Enferm UFPE 2017;
11(11).
3 Pinto IV, Barufaldi LA, Campos MO, Malta DC, Solto RMCV, Freitas MG, Lima CM,
Andreazzi MAR. Tendências de situações de violência vivenciadas por adolescentes
brasileiros: Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2009, 2012 e 2015. Rev Bras
Epidemiol 2018; 21:e180014.
https://www.scielo.br/j/rbepid/a/gWj76CJm7LMvqT7zw6zGTnM/?format=pdf.
4 Vahedi L, Self I, Meinhart M, Roa AH, Villaveces A, Stark L. The association between
youth violence and mental health outcomes in Colombia: A cross-sectional analysis.
Child abuse negl 2024; 150: 106336. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37442669/.
5. Costa JR, Magalhães BC, Silva MMO, Albuquerque GA. Violência contra
adolescentes: fatores associados, manifestações e enfrentamento. Revista Saúde. com,
2021: 17(3).
https://www.scielo.br/j/rbepid/a/gWj76CJm7LMvqT7zw6zGTnM/?format=pdf.
6 Mota RS, Gomes NP, Estrela FM, Silva MA, Santana JD, Campos LM, Cordeiro KCC.
Prevalence and factors associated with experience of intrafamilial violence by teenagers
in school. Rev Bras Enferm. 2018; 71(3):1022-9.
https://www.scielo.br/j/reben/a/JYHmdS8v8G8Lssb39qWXTWC/?lang=en#.
7 Santos MJ, Mascarenhas MDM, Rodrigues MTP, Monteiro RA. Caracterização da
violência sexual contra crianças e adolescentes na escola - Brasil, 2010-2014. Epidemiol.
Serv. Saúde. 2018; 27(2):e2017059. http://scielo.iec.gov.br/pdf/ess/v27n2/2237-9622-
ess-27-02-e2017059.pdf.
8 Cerqueira D, Lima RS, Bueno, S, Neme C, Ferreira H, Alves PP, Marques
D, Reis M, Cypriano O, Sobral I, Pacheco D, Lins G, Armstrong K. Atlas da
Violência 2019. Brasília: IPEA/FBSP, 2019.
https://www.ipea.gov.br/atlasviolencia/arquivos/artigos/6363-atlasdaviolencia2019completo.pdf.
9 Shi Z, Malki A, Abdel-Salam AG, Liu J. Zayed, H. Association between Soft Drink
Consumption and Aggressive Behaviour among a Quarter Million Adolescents from 64
Countries Based on the Global School-Based Student Health Survey (GSHS). Nutrients,
2020; 12(3): 694. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32150827/.
10 Chen L, Chen Y, Ran H, Che Y, Fang D, Li Q, Shi Y, He Y, Zeng G, XiaoY. Social
poverty indicators with school bullying victimization: evidence from the global school-
based student health survey (GSHS). BMC Public Health 2024; 24(1):615.
https://bmcpublichealth.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12889-024-18119-3.
11 Aboagye RG, Seidu AA, Adu C, Cadri A, Mireku DO, Ahinkorah BO. Interpersonal
violence among in-school adolescents in sub-Saharan Africa: Assessing the prevalence
and predictors from the Global School-based health survey. SSM - population health,
2021; 16:100929. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC8502764/.
12 Antunes JT, Machado ÍE, Malta DC. Fatores de risco e proteção relacionados à
violência intrafamiliar contra os adolescentes brasileiros. Revista Brasileira de
Epidemiologia 2020; 23: e200003. Supl. 1.
https://www.scielo.br/j/rbepid/a/9PFDPmtFtC9rc3kHsZPgYdh/#ModalTutors.
13 Malta DC, Andrade FMD, Ferreira ACM, Vasconcelos NM, Lachtim SAF, Pena ED,
Moutinho CS, Mascarenhas MDM. Prevalência de exposição às situações de violência
vividas por estudantes adolescentes brasileiros. REME rev. min. Enferm 2022; e1458-
e1458. https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1422458.
14 Marcolino EC, Silva CRDV, Dias JA, Medeiros SPC, Cavalcanti AL, Clementino FS,
Miranda FAN. Violência escolar entre adolescentes: prevalência e fatores associados a
vítimas e agressores. REME – Rev Min Enferm. 2019; 23:e-1214.
https://periodicos.ufmg.br/index.php/reme/article/view/49776/40260.
15 Inchley J, Currie D, Budisavljevic S, Torsheim T, Jåstad A, Cosma A, Colete K,
Arnassonet AM. Spotlight on adolescent health and well-being. Findings from the
2017/2018 Health Behaviour in School-aged Children (HBSC) survey in Europe and
Canada. Canadá: WHO Regional Office for Europe; 2020. https://apps.who.
int/iris/bitstream/handle/10665/332091/9789289055000-eng.pdf.
16 Romeiro JS, Correa MM, Pazo R, Leite FMC, Cade NV. Violência física e fatores
associados em participantes da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE). Ciencia
& Saude Coletiva 2021; 26:611-24.
https://www.scielo.br/j/csc/a/yGD8bLWkgWzdYLYpLtWbYPs/#.
17 AlBuhairan, F, Abou Abbas, O, El Saye, D, Badri, M, Alshahri, S, Vries N. The
relationship of bullying and physical violence to mental health and academic
performance: A cross-sectional study among adolescents in Kingdom of Saudi Arabia.
International Journal of Pediatrics & Adolescent Medicine 2017; 4(2):61–65.
https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2352646717300066?via%3Dihub.
18 Avanci JQ, Assis SG, Deslande SF, Silveira LMB, Pesce RP, Mata NT. Violência
contra a criança e o adolescente. In: Minayo MCS, Assis SG. Novas e velhas faces da
violência no século XXI: visão da literatura brasileira do campo da saúde. 2017. Cap. 8,
p. 161-185.
19 Silva EHB, Negreiros F. Violência nas escolas públicas brasileiras: uma revisão
sistemática da literatura. Revista Psicopedagogia 2020; 37(114):327-340.
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-
84862020000300006.
20 Ferreira BVO, Souza JS, Chaves LCMR, Frazão IS, Brito VCNG, França VV,
Vasconcelos SC. Atitudes de adolescentes escolares sobre o consumo de álcool e outras
drogas: estudo transversal. Revista Baiana de Enfermagem 2022; 36.
https://periodicos.ufba.br/index.php/enfermagem/article/view/44908.
21 Ignácio MC, Myskiw M, Boehl WR. Esporte, drogas e juventude: eixos norteadores
da produção acadêmica. LICERE-Revista do Programa de Pós-graduação Interdisciplinar
em Estudos do Lazer 2022; 25(4):154-80.
https://www.researchgate.net/publication/368388730_ESPORTE_DROGAS_E_JUVEN
TUDE_EIXOS_NORTEADORES_DA_PRODUCAO_ACADEMICA.
22 Lopes HC, Henn LG. Active methodologies in the socio-educational pedagogical
process. Research, Society and Development 2022; 11(7):e55111730378.
https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/30378.
23 Tassa K, Rodaski JI, Cruz GC. A inclusão de alunos com deficiência nas escolas em
tempo integral: reflexões pertinentes. Boletim de Conjuntura (BOCA) 2023; 13(37):237–
252. https://revista.ioles.com.br/boca/index.php/revista/article/view/1308.
24 Piccoli LM, Lena MS, Goncalves TR. Violência e sofrimento social no contexto
escolar: um estudo de caso em Porto Alegre, RS. Saude soc 2019; 28(4):174-185.
https://www.scielo.br/j/sausoc/a/fhCwVsXxzFb8ytS5ZvDVvzm/abstract/?lang=pt#Mod
alTutors.
25 Vasconcelos M Osawa, Cavalcante YA, Maciel GP, Vieira MM, Lopes PR, Farias VS,
Silva Júnior LG, Ximenes Neto FRG. Violencia contra adolescentes y estrategias de
enfrentamiento. Enferm Foco 2009; 11(5):144-51.
http://revista.cofen.gov.br/index.php/enfermagem/article/view/3416.
26 Bezerra J, Barros MVG, Tenório MCM, Tassitano RM, Barros SSH, Hallal PC.
Religiosidade, consumo de bebidas alcoólicas e tabagismo em adolescentes. Rev Panam
Salud Publica 2009; 26(5):440–6. https://www.scielosp.org/pdf/rpsp/2009.v26n5/440-
446.
27 Diniz AP, Minucci GS, Roama-Alves RJ, Souza LPS. Espiritualidade e Religiosidade
como práticas de enfrentamento ao uso abusivo de drogas. Revista Psicologia,
Diversidade e Saúde 2020; 9(1):88–102.
https://www5.bahiana.edu.br/index.php/psicologia/article/view/2467.
28 Taniguch H, Shaikh MA (2022). Prevalence and correlates of physical fighting among
adolescents in Paraguay: Findings from the 2017 national school-based health survey.
PloS one 2022; 17(12):e0279402. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0279402.
29 Le PA, Hoang VM, Tran TTH, Khuong QL, Takeuchi M, Nguyen TL, Pham TQN, Le
VT, Tran QB, Park K. Violence and non-fatal injuries among Vietnamese in-school
adolescents: national prevalence estimates and associated factors. Int J Inj Contr Saf
Promot. 2022; 29(2):197-206.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34547990/#:~:text=We%20found%20the%20prevalen
ce%20of,suicidal%20thinking)%2C%20and%20truancy.
30 Pandey AR, Neupane T, Chalise B, Shrestha N, Chaudhary S, Dhungana RR, Bista, B.
(2021). Factors associated with physical and sexual violence among school-going
adolescents in Nepal: Findings from Global School-based Student Health Survey. PloS
one, 2021; 16(3), e0248566. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0248566.
31 Senanayake SJ, Gunawardena S, Wickramasinghe S, Wickramasinghe C,
Gunawardena NS, Lokubalasooriya A, Peiris R, Agarval N, Rani M. Prevalence and
Correlates of Interpersonal Violence Among In-School Adolescents in Sri Lanka: Results
From the 2016 Sri Lankan Global School-Based Health Survey. Asia Pac J Public Health
2019; 31(2):147-56. https://www.jstor.org/stable/27009174.
32 Bala MO, Chehab MA, Al-Dahshan A, Saadeh S, Al Khenji, A. Violence among
Adolescents in Qatar: Results from the Global School-based Student Health Survey. 2011.
Cureus 2018; 10(7). https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6122663/.
33 Queiroz, Daniel da Rocha et al. Consumo de álcool e drogas ilícitas e envolvimento
de adolescentes em violência física em Pernambuco, Brasil. Cadernos de Saúde Pública
2021; 37:e00050820. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6122663/.
34 Elsaesser C, Gorman-Smith D, Henry D, Schoeny M. The Longitudinal Relation
Between Community Violence Exposure and Academic Engagement During
Adolescence: Exploring Families’ Protective Role. J Interpers Violence 2020; 35(17-
18):3264-3285.
35 Santos AT, Soares FC, Lima RA, Santos SJ, Silva CRM, Bezerra J, Barros MVG.
Violence and psychosocial stress: a 10-year time trend analysis. J. affect. Disord 2021,
295:116-22.
36 Gracini CLO. Impacto do uso de substâncias psicoativas na ideação suicida em
adolescentes: uma revisão sistemática e meta-análise. 2021. Dissertação (mestrado
profissional) - Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Odontologia de
Piracicaba, Piracicaba, SP, 2021. 1 recurso online 98 p. Disponível em:
https://hdl.handle.net/20.500.12733/5128. Acesso em: 18 mar. 2024.











