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0177/2026 - Violência Contra a Mulher no Campo da Saúde: Uma Análise do Discurso de Gestores sob a Ótica da Racionalidade Limitada
Violence Against Women in the Health Field: An Analysis of Managers' Discourse from the Perspective of Bounded Rationality

Autor:

• David Gomes Araújo Júnior - Araújo Júnior, DG - <david-junior23@hotmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-0755-2118

Coautor(es):

• Antonio Rodrigues Ferreira Júnior - Ferreira Júnior, AR - <arodrigues.junior@uece.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-9483-8060

• Luiza Jane Eyre de Sousa Vieira - Vieira, LJES - <janeeyre@unifor.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-5220-027X

• Maria Adelane Monteiro da Silva - Silva, MAM - <adelanemonteiro@hotmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0001-9660-106X

• José Maria Ximenes Guimarães - Guimarães, JMX - <jose.ximenes@uece.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-5682-6106

• Ana Suelen Pedrosa Cavalcante - Cavalcante, ASP - <suelen.cavalcante@aluno.uece.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-2220-4333



Resumo:

Desvelar o processo de tomada de decisão de gestores da saúde no campo do enfretamento das violências contra as mulheres. Pesquisa exploratória, com abordagem qualitativa, realizada entre 2023 e 2024, com sete gestores de saúde da Região de Saúde Norte do Estado do Ceará, por meio de entrevista individual. As informações foram organizadas por meio da Análise de Conteúdo e auxílio do software NVivo 10®. Utilizou-se como base teórica para análise o Modelo de Tomada de Decisão e Racionalidade Limitada de Herbert Simon. Verifica-se o reconhecimento das violências contra as mulheres como um problema significativo no campo da saúde. Este reconhecimento é frequentemente acompanhado pela compreensão das múltiplas formas de violência. E no contexto do enfrentamento deste fenômeno, os gestores de saúde utilizam heurísticas e estratégias simplificadas para lidar com a complexidade e a urgência das situações. Gestores da saúde desempenham um papel crucial no enfrentamento das violências contra as mulheres, sendo responsáveis por desenvolver e implementar políticas e programas eficazes para prevenção e atendimento. No entanto, sua capacidade de agir pode ser limitada por diversos fatores, especialmente cognitivos ou contextuais.

Palavras-chave:

Gestão em saúde. Racionalidade limitada. Violência contra a mulher.

Abstract:

To unveil the decision-making process of health managers in addressing violence against women. Exploratory research with a qualitative approach, conducted between 2023 and 2024, with seven health managers from the Northern Health Region of the State of Ceará, through individual interviews. The information was organized using Content Analysis and supported by the NVivo 10® software. The theoretical basis for the analysis was Herbert Simon's Bounded Rationality and Decision-Making Model. The study identifies the recognition of violence against women as a significant problem in the health field. This recognition is often accompanied by an understanding of the multiple forms of violence. In the context of addressing this phenomenon, health managers use heuristics and simplified strategies to deal with the complexity and urgency of situations. Health managers play a crucial role in addressing violence against women, being responsible for developing and implementing effective policies and programs for prevention and care. However, their ability to act may be limited by various factors, particularly cognitive or contextual.

Keywords:

Health management. Bounded rationality. Violence against women.

Conteúdo:

INTRODUÇÃO
A violência de gênero contra as mulheres constitui um grave problema de saúde pública, afetando significativamente a qualidade de vida e a integridade física e psicológica das vítimas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que cerca de 1 em cada 3 mulheres em todo o mundo já sofreu violência física e/ou sexual por parte de um parceiro íntimo ou violência sexual por parte de outra pessoa em algum momento da vida¹. Esse fenômeno não apenas viola os direitos humanos fundamentais, mas impõe um pesado fardo aos sistemas de saúde, exigindo intervenções abrangentes e efetivas.
Os gestores de saúde desempenham um papel crucial no enfrentamento da violência de gênero, uma vez que são responsáveis pela implementação de políticas e programas que visam à prevenção e ao atendimento das consequências dessa violência. Destaca-se a importância de estratégias intersetoriais e integradas que envolvem a formação de profissionais de saúde, a criação de protocolos de atendimento e a articulação com outros setores, como o jurídico e o social, para oferecer um suporte mais eficaz às vítimas².
Ademais, a pandemia de COVID-19 exacerbou a violência de gênero, evidenciando a necessidade urgente de reforçar as medidas de proteção e suporte às mulheres. Durante os períodos de confinamento, houve um aumento significativo nos casos de violência doméstica, destacando a vulnerabilidade das mulheres e a insuficiência de medidas preventivas e de resposta eficazes³. Esse contexto desafia ainda mais os gestores de saúde a adaptar e fortalecer suas abordagens para enfrentar essa problemática de maneira mais robusta e sensível às novas realidades impostas após a crise sanitária global.
No Ceará, as demandas relacionadas à violência contra as mulheres refletem um quadro de crescente complexidade e urgência. Dados da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) indicam que, nos últimos anos, houve aumento expressivo nas notificações de violência doméstica e feminicídios. O estado conta com uma rede de enfrentamento estruturada por Delegacias de Defesa da Mulher, Centros de Referência e Núcleos de Atendimento em unidades de saúde, contudo, ainda enfrenta desafios na articulação intersetorial e na qualificação do atendimento4. Tais fragilidades evidenciam a necessidade de fortalecer a gestão em saúde, aprimorar fluxos de atendimento e garantir a integração entre as políticas públicas voltadas à proteção das mulheres.
Para compreender as decisões tomadas nesse contexto complexo, este estudo adota como referencial teórico a Teoria da Racionalidade Limitada, proposta por Herbert Simon. Tal perspectiva reconhece que os gestores, diante de informações incompletas, recursos restritos e incertezas do ambiente, não conseguem atingir a racionalidade plena em suas decisões. Assim, em vez de buscar a decisão “ótima”, eles optam por soluções satisfatórias, guiadas pela experiência, pelos valores institucionais e pelas condições estruturais do sistema de saúde5. Essa lente teórica permitirá analisar como as limitações cognitivas e organizacionais influenciam as práticas de gestão no enfrentamento da violência contra a mulher, revelando os mecanismos pelos quais decisões são construídas, ajustadas e implementadas no cotidiano dos serviços.
Os gestores de saúde precisam considerar uma vasta gama de fatores, incluindo mudanças demográficas, avanços tecnológicos e variações na incidência de doenças. A racionalidade limitada sugere que, em vez de tentar prever todas as possíveis contingências futuras, os gestores devem focar em desenvolver estratégias flexíveis e adaptáveis que possam ser ajustadas à medida que novas informações se tornam disponíveis6. Assim, indaga-se: Como se compreende a tomada de decisão na gestão do enfrentamento das violências contra as mulheres no campo da saúde?
Portanto, estudos desenvolvidos nessa seara tornam-se uma lente valiosa para entender e melhorar a tomada de decisão na gestão em saúde. Nesse sentido, o estudo contribui para o campo da gestão em saúde ao efetivar o trabalho voltado para o enfrentamento da violência contra a mulher, compreendendo sua organização, processos constitutivos e mecanismos fomentadores com base na subjetividade das ações e atividades nos serviços de saúde. Além disso, ressalta-se a necessidade de estudos sobre a tomada de decisão e suas implicações no atendimento às vítimas de violência de gênero, contribuindo para a abordagem das problemáticas atuais relacionadas a esse agravo à saúde.
Dessa forma, o estudo pretende entender os gestores como agentes das práticas na saúde, reconhecer quem é esse sujeito, como ele opera no campo da saúde e de que forma ele se relaciona com as questões estruturais da sociedade no que desrespeito ao enfretamento da violência contra a mulher no contexto da tomada de decisão racional, sob a ótica da racionalidade limitada. Assim, o estudo traz como objetivo desvelar o processo de tomada de decisão de gestores da saúde no campo do enfrentamento das violências contra as mulheres.



METODOLOGIA
O percurso metodológico adotado foi orientado pela abordagem qualitativa de natureza exploratória, sendo utilizado o Consolidated Criteria for Reporting Qualitative Research (COREQ) para ampliar a transparência do processo metodológico da pesquisa7.
Para a produção dos dados empíricos, realizou-se um estudo qualitativo, baseado em entrevistas semiestruturadas com gestores da saúde da Região Norte do Estado do Ceará, analisadas conforme seu conteúdo. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual do Ceara - UECE sob parecer nº 4.364.597.
Dessa forma, os participantes foram os secretários municipais de saúde dos cinco municípios polos das áreas descentralizadas em saúde (ADS), um coordenador da célula de saúde da mulher e o gestor da superintendência da região de saúde em estudo. Os entrevistados foram elencados no sentido de representarem a diversidade institucional de gestor, incluindo-se alguns formuladores de políticas e a diversidade de serviços. Salienta-se que são gestores que nos municípios polos são responsáveis pelo atendimento especializado demandado por 55 municípios da região de saúde.
Para o alcance dos objetivos deste estudo, foram considerados gestores os profissionais que ocupam uma situação formal na “máquina estatal”, assim, ocupam um lugar que possibilita controle na administração de recursos, poderes instituídos e que são, portanto, capazes de operar recursos para dar sentindo ou não a determinadas políticas públicas8.
Foram realizadas entrevistas individuais, utilizando-se como instrumento para coleta dos dados um roteiro semiestruturado contendo perguntas sobre as informações sociodemográficas e a gestão do enfrentamento da violência contra a mulher no campo da saúde, aplicada de forma reservada e individual, em sala de livre escolha dos participantes. As entrevistas duraram cerca de 30 minutos, tempo limite em que todos os participantes responderam às perguntas. Foi utilizado para gravação o recurso de gravador de smartphone para registrar os depoimentos, sendo posteriormente transcritas na íntegra. Constituíram uma amostra de sete entrevistas, gravadas, transcritas e conferidas quanto à fidelidade da transcrição.
Os discursos coletados foram organizados por meio da Análise de Conteúdo9 (Bardin, 2016) com o auxílio do uso do software NVivo 10®. Para discussão dos depoimentos utilizou-se o Modelo de Tomada de Decisão e Racionalidade Limitada de Hebert Simon5 como ferramenta analítica do processo gerencial, objetivando refletir sobre as limitações inerentes aos gestores e sua implementação de estratégias em resposta a este grave problema de saúde pública que é a violência de contra a mulher.
Este estudo é uma das dimensões da pesquisa “Análise da Atuação dos Municípios de uma Região de Saúde do Ceará no Enfrentamento da Violência Contra a Mulher”, desenvolvida pelo Grupos de Pesquisa Redes Integradas de Saúde (REDIS) do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Estadual do Ceará.

RESULTADOS
Caracterização dos gestores participantes do estudo
No que se refere aos participantes do estudo, foram escolhidos gestores de nível central (G) que fizeram e fazem parte da implantação de ações específicas em relação às políticas e gestores de nível local (C) dos municípios polos de referência a cada área descentralizada que compõem a Região de Saúde Norte do Ceará. Entrevistados no período de setembro a dezembro de 2023, do total das entrevistas, seis foram gestores de nível central (G) e um gestor de nível local (C), já que apenas um município apresentou uma coordenação específica relacionada a mulher dentro da pasta da saúde.
Todos possuíam tempo de serviço na gestão de cinco anos ou mais, mesmo que não no mesmo local que atuava no momento da entrevista. Majoritariamente eram mulheres (6). Quanto à faixa etária, há pessoas experientes, com uma concentração de participantes entre 35 e 55 anos de idade, a distribuição pelas faixas encontra-se apresentada no Quadro 1. Quanto à categoria profissional, havia três enfermeiros, dois fisioterapeutas, um psicólogo e uma farmacêutica. Quanto à formação acadêmica, todos os profissionais tinham especialização e uma possuía mestrado, todos com ênfase em saúde pública.
Em relação ao processo de formação continuada dos profissionais apenas dois gestores referiram ter participado de algum curso de formação ou sensibilização em violência contra a mulher e direitos humanos, o resultado acompanha o que temos visto na literatura: uma baixa aproximação com o tema, o que gera desconhecimento quanto às questões de gênero, de direitos humanos e de legislações correlatas, além da relação dos direitos das mulheres como direitos humanos10. Esse achado se torna ainda mais relevante ao considerar que todos os participantes possuíam experiência prévia na gestão em saúde, indicando que a vivência profissional acumulada não foi acompanhada, necessariamente, da implementação de processos sistemáticos de qualificação relacionados ao enfrentamento da violência contra a mulher.
Quadro 1 – Caracterização dos gestores da saúde entrevistados, Fortaleza – Ce, 2024.

Quadro 1

Análise do discurso de gestores sob a ótica da racionalidade limitas
O processo de formação das categorias se concretizou conforme orientado por Bardin7, após a seleção do material e a leitura flutuante, a exploração foi realizada através da codificação. A codificação se deu em função da inferência por meio da identificação objetiva de características dos discursos, foram construídos em unidades de registro, para então efetuar-se a categorização progressiva.
A priori foram identificadas as categorias iniciais, também denominadas de nós, estas se configuram como as primeiras impressões acerca da realidade da racionalidade de gestores no que concerne a temática do enfrentamento da violência contra a mulher no campo da saúde, ou seja, são resultados do processo de codificação das entrevistas transcritas, um total de oito categorias (Quadro 2). Cada categoria constitui-se dos trechos selecionados das falas dos entrevistados, bem como o respaldo do referencial teórico de análise.
Quadro 2 – Categorias iniciais referente a racionalidade de gestores, Fortaleza – Ce, 2024.

Quadro 2

As categorias iniciais foram analisadas por meio de operações estatísticas a fim de promover uma validação que garantisse a síntese e seleção dos resultados, inferências e interpretações. Desse modo, foram utilizados o Coeficiente de Correlação de Pearson para executar a análise de cluster que agrupa as categorias iniciais com palavras em comum, conforme apresentado na figura 1.
Figura 1 – Dendograma de Nós de Cluster e gráfico de círculo por similaridade de Palavras a partir do Coeficiente de correlação de Pearson, Fortaleza, Ceará, Brasil, 2024.


Fig.1

Conforme apresentado no Dendrograma de Nós de Cluster por similaridade de Palavras a partir do Coeficiente de correlação de Pearson podemos verificar a formação de 5 clusters, identificados na Figura 1. Identifica-se ainda, que em todas as categorias iniciais existem similaridades de palavras o que gera uma vasta rede de relações entre as categorias representado pelo gráfico de círculo.
A partir da construção das categorias iniciais e de toda análise das fontes e suas relações com as categorias, foram constituídas as categorias de contexto por meio da análise indutiva, conforme descrito no quadro 3.

Quadro 3


Nessa perspectiva, com vistas desvelar a atuação da saúde no enfretamento da violência contra a mulher, apreende-se as seguintes categorias: “Percepção da Violência contra a Mulher como Problema de Saúde Pública” e “Heurística e estratégicas simplificadas no enfrentamento da violência contra a mulher”.

Percepção da Violência contra a Mulher como Problema de Saúde Pública
No enfrentamento da violência contra a mulher, a percepção da importância da questão e o reconhecimento da violência como um problema de saúde pública emergem como aspectos cruciais no discurso dos gestores de saúde. A análise das falas desses profissionais revela uma conscientização crescente sobre a gravidade e a complexidade desse fenômeno:
“A violência contra a mulher é uma situação presente que acontece em todos os municípios brasileiros e aqui não é diferente... (G3).”
“O que eu vejo é que qualquer mulher pode correr o risco de sofrer violência e já tivemos casos bem graves que deixaram muitos problemas (G5).”

O reconhecimento da violência contra a mulher como um problema significativo no campo da saúde é outro aspecto destacado nas falas dos gestores. Este reconhecimento é frequentemente acompanhado por uma compreensão das múltiplas formas de violência como, física, psicológica, sexual e econômica e suas consequências devastadoras para as mulheres. Os gestores comentaram:
“... já tivemos casos bem violentos, até mesmo situações mais delicadas como a violência sexual e tivemos servidoras do município que foram assassinadas por seus companheiros (G5).”
“As mulheres procuram os serviços de saúde também por problemas psicológicos devido o abalo emocional que sofrem por essa violência sofrida em casa... (C1).”

A percepção dos gestores de saúde sobre a violência contra a mulher como um problema de saúde pública está frequentemente enraizada na racionalidade objetiva. Eles reconhecem que, objetivamente, a violência tem impactos profundos e mensuráveis na saúde física e mental das mulheres. Essas percepções e reconhecimentos são passos fundamentais para a construção de um sistema de saúde mais sensível e eficaz no enfrentamento da violência contra a mulher, contribuindo para a promoção da saúde e do bem-estar das mulheres em todo o país.
Sob a ótica da racionalidade limitada, a percepção dos gestores de saúde sobre a violência contra a mulher como um problema de saúde pública é influenciada por vários fatores. Em termos de racionalidade subjetiva, os gestores frequentemente reconhecem a violência devido à pressão social e às evidências crescentes de seus impactos na saúde. Um gestor comentou:
"A violência contra a mulher é uma questão que precisamos abordar não apenas por suas implicações diretas na saúde, mas também porque a sociedade espera isso de nós (G2)."
“Os serviços de saúde estão na linha de frente e podem ser um ponto de apoio fundamental as mulheres que são vítimas de violência (G6).”

Estas falas exemplificam como as percepções dos gestores são moldadas pelas expectativas sociais e pela informação disponível, que pode ser incompleta ou limitada. A racionalidade subjetiva, assim, reflete as escolhas feitas com base na informação e recursos limitados disponíveis aos gestores.
O reconhecimento das múltiplas formas de violência contra a mulher (física, psicológica, sexual e econômica) também é influenciado pela racionalidade limitada. Os gestores, operando sob restrições cognitivas e organizacionais, muitas vezes simplificam a complexidade da violência em categorias mais gerenciáveis. Gestores destacaram:
"Precisamos de protocolos claros que nos ajudem a identificar rapidamente os diferentes tipos de violência que as mulheres podem enfrentar (G6)."
“É importante construirmos um fluxo bem definido de como proceder diante os casos de violência contra a mulher e encaminhar para os serviços certos... (G1).”

Estas declarações sugerem uma abordagem simplificada à complexidade da violência, característica da racionalidade substantiva limitada pela subjetividade e pelas condições práticas. Os gestores reconhecem a necessidade de estruturas práticas que permitam uma resposta eficaz dentro das limitações do sistema de saúde. Devido às limitações práticas, os gestores frequentemente precisam recorrer à racionalidade funcional, simplificando a complexidade para implementar soluções viáveis. Este processo de simplificação e ajuste é crucial para garantir uma resposta prática e funcional dentro das restrições operacionais.

Heurística e estratégicas simplificadas no enfrentamento da violência contra a mulher
A teoria da racionalidade limitada de Herbert Simon8 propõe que os gestores tomam decisões com base em informações limitadas e dentro das restrições de tempo e recursos disponíveis.
No contexto do enfrentamento da violência contra a mulher, os gestores de saúde frequentemente utilizam heurísticas e estratégias simplificadas para lidar com a complexidade e a urgência das situações. Analisando essas práticas sob a ótica da racionalidade deliberada e pessoal, podemos entender melhor como esses gestores equilibram a necessidade de respostas eficazes com as limitações práticas de seu trabalho.
A racionalidade deliberada envolve a tomada de decisões que são informadas e recomendadas seja por um indivíduo ou organização, mas ainda dentro das limitações de informação e recursos. Gestores de saúde utilizam essa forma de racionalidade para desenvolver e implementar heurísticas como as regras práticas e simplificadas que ajudam a enfrentar a violência contra a mulher de maneira que compreendem ser recomendável. Os gestores relataram nesse contexto que:
“Construir protocolos que orientem os profissionais sobre como conduzir os casos de violência contra a mulher. Isso permite que nossos profissionais ajam rapidamente, mesmo sob pressão (G6).
“É necessário identificar o que as mulheres precisam e encaminhar para os serviços que compõe a rede, de acordo com cada intervenção que será necessária (G1)”.

Ainda na perspectiva da racionalidade deliberada fica evidente quando se percebe que a saúde participa das ações de enfrentamento a violência contra a mulher na região como convidado ou como colaborador, deixando o protagonismo para outras pastas, como destaca as falas dos gestores:
“Quem realiza esse tipo de ações é casa da mulher, geralmente somos convidados e nos é solicitado os espaços da saúde como a UBS, para realização das atividades (G2).”
“O centro de referência em atendimento a mulher hoje no município realiza a maior parte das ações, eles articulam bastante com outros setores inclusive com a gente (G3).”
“Geralmente é o CREAS que faz parcerias com as equipes da UBS para promover palestras e sensibilização da comunidade e profissionais quanto a violência contra a mulher (G4).”

Gestores de saúde frequentemente empregam heurísticas e estratégias simplificadas que se baseiam em suas vivências pessoais para responder às situações de violência contra a mulher. É perceptível que os gestores se baseiam em suas experiências pessoais e profissionais para desenvolver estratégias simplificadas em contextos específicos, como destacado nas falas:
“Acredito que devemos fortalecer o acolhimento dessas mulheres para que elas se sintam seguras e falar que estão sendo vítimas de violência, já que muitas não falam por medo de serem julgadas (G2).”
“Devemos realizar treinamento para os profissionais sobre o tema, porque algo que não temos muitas experiências e nos deixa despreparado para realizar esses atendimentos e acolher melhor essas mulheres (G4).”

A racionalidade pessoal destaca a importância dos valores, experiências e conhecimento local na tomada de decisão, especialmente em situações complexas e sensíveis como a violência de gênero. A racionalidade pessoal se refere à forma como os gestores tomam decisões baseadas em suas próprias experiências, valores e conhecimento do contexto em que atuam. Isso é crucial no enfrentamento da violência contra a mulher, onde as respostas precisam ser rápidas, eficazes e sensíveis às nuances culturais e individuais das vítimas11.
No contexto da saúde, especialmente no enfrentamento da violência contra a mulher, os gestores de saúde frequentemente enfrentam desafios complexos que exigem decisões racionais. A racionalidade organizacional é uma extensão da racionalidade limitada que enfatiza como as organizações estruturam e simplificam os processos decisórios para lidar com tais desafios.
Dessa forma, fica evidente que os Gestores de saúde adotam heurísticas e estratégias simplificadas como parte de suas rotinas organizacionais para lidar com a complexidade e a urgência dos casos de violência contra a mulher:
“Temos protocolos que falam sobre a importância da notificação dos casos e pra onde encaminhar na rede dependendo da situação de violência que os profissionais se deparam (G3).”
“Nossa parte é acolher essa mulher e orientar dentro do fluxo dos serviços de saúde que ela vai precisar, e trabalhar para agilizar esse atendimento (G1).”

A racionalidade organizacional refere-se às práticas e estruturas que as organizações estabelecem para facilitar a tomada de decisão dentro das limitações cognitivas e contextuais. Isso inclui a criação de regras, procedimentos e rotinas que ajudam a simplificar e padronizar as respostas a situações complexas. No contexto da saúde, os gestores utilizaram essas práticas para enfrentar a violência contra a mulher de maneira mais coordenada.
A análise do discurso dos gestores de saúde revela a aplicação prática da racionalidade organizacional no enfrentamento da violência contra a mulher. As falas identificadas demonstram como os gestores estruturam e padronizam seus processos para superar as limitações de informação, tempo e recursos.
Os gestores enfatizam a importância de uma abordagem realísticas e reflexiva ao tomar decisões relacionadas ao enfrentamento da violência contra a mulher. Ao analisar o discurso dos gestores da saúde, podemos identificar algumas falas que refletem a aplicação da racionalidade consciente no enfrentamento da violência contra a mulher:
“Só se toma uma decisão diante planejamento, a gente primeiro se reuni e avalia a situação, planeja e constrói propostas (G1)”.
“Levar esse tema até o colegiado gestor, tenho certeza de que eles teriam muito a acrescentar. E então fazer um desenho de uma política ou um programa (G2)”.

A racionalidade consciente, conforme aplicada pelos gestores de saúde no enfrentamento da violência contra a mulher, destaca a importância de uma abordagem resoluta e estruturada. As heurísticas e estratégias simplificadas, quando usadas de forma consciente, podem ajudam a otimizar a resposta a casos complexos e sensíveis.

DISCUSSÃO
A violência contra a mulher é um problema global de saúde pública que demanda respostas eficazes por parte dos gestores da saúde. A violência de gênero é um fenômeno multifacetado que exige uma abordagem integrada e coordenada dos serviços de saúde. Estudos recentes indicam que a gestão em saúde enfrenta desafios significativos, incluindo a escassez de recursos, formação inadequada dos profissionais e a falta de protocolos padronizados para lidar com as vítimas de violência12.
Nas falas das gestoras, emergem percepções que revelam sensibilização, mas também limitações na tradução da equidade de gênero em práticas concretas. Um exemplo está na fala de G2, ao reconhecer que “a sociedade espera de nós uma postura diante da violência”, o que reflete mais um compromisso moral do que uma internalização crítica do gênero como categoria analítica. Por outro lado, G6 evidencia um olhar mais ampliado ao destacar o papel do serviço de saúde como ponto de apoio às mulheres em situação de violência, o que denota avanços no reconhecimento do cuidado como ação política.
Ao aprofundar a análise sob a ótica de gênero, observa-se que a compreensão das violências contra as mulheres ultrapassa o campo biomédico e adentra dimensões simbólicas e estruturais que sustentam as desigualdades de poder entre homens e mulheres. O discurso dos gestores evidencia que, embora reconheçam a violência como um problema de saúde pública, ainda há lacunas na incorporação de uma perspectiva de gênero nas ações e decisões administrativas. Tal perspectiva é fundamental, pois permite compreender que a violência não se restringe a atos individuais, mas é expressão de relações sociais historicamente assimétricas, perpetuadas também nas instituições de saúde 13,14,15.
A ausência de formação em gênero, identificada em parte dos entrevistados, reflete uma racionalidade substantiva restrita, em que valores e normas institucionais ainda não incorporam plenamente a igualdade de gênero como princípio estruturante das políticas de saúde. As práticas de gestão em saúde, quando desprovidas de uma formação crítica em gênero, tendem a reproduzir padrões androcêntricos de poder e decisão, limitando a capacidade institucional de reconhecer as desigualdades e de propor respostas efetivas à violência contra as mulheres16.
Ao integrar o debate de gênero à racionalidade limitada permite compreender que as decisões dos gestores são atravessadas por construções sociais de masculinidade e feminilidade, que influenciam tanto a percepção da gravidade das violências quanto as respostas institucionais.
Ao analisarmos o discurso desses gestores sob a ótica da racionalidade limitada, podemos compreender melhor os desafios e as estratégias empregadas na abordagem desse problema complexo. A aplicação da teoria da racionalidade limitada pode ajudar a entender como os gestores navegam por esses desafios ao desenvolver e implementar políticas de saúde.
A racionalidade limitada, conforme proposta por Herbert Simon5, reconhece que os indivíduos e organizações têm recursos cognitivos e temporais limitados para tomar decisões, o que pode influenciar diretamente a forma como os gestores lidam com a violência contra a mulher no campo da saúde.
Um estudo realizado por Smith et al.17, demonstrou que os gestores da saúde frequentemente enfrentam dificuldades em lidar com a complexidade da violência contra a mulher, o que pode levar à adoção de estratégias simplificadas e heurísticas na tomada de decisões. Nesse contexto, os gestores podem recorrer a abordagens padronizadas e protocolos pré-estabelecidos para lidar com casos de violência18. Essas estratégias simplificadas podem ser úteis para lidar com a carga de trabalho e a escassez de recursos, mas também podem limitar a capacidade de resposta individualizada e sensível às necessidades das vítimas.
Em contraponto, a aplicação da racionalidade limitada também pode levar os gestores a buscar soluções inovadoras e adaptativas para enfrentar a violência contra a mulher. Um estudo de caso conduzido por Silva et al.19, identificou exemplos de gestores que desenvolveram parcerias interdisciplinares e implementaram intervenções comunitárias para abordar as causas subjacentes da violência de gênero. Essas iniciativas demonstram como a racionalidade limitada pode estimular a criatividade e a flexibilidade na gestão em saúde.
Um estudo realizado na América Latina destacou a importância da coordenação intersetorial e do uso de tecnologias de informação para melhorar a resposta dos serviços de saúde à violência contra a mulher20. Outro exemplo é o uso de abordagens baseadas em evidências para capacitar profissionais de saúde, o que tem mostrado resultados promissores em melhorar a detecção e o manejo de casos de violência21.
Santos Neto et al.22 aponta a necessidade de desenvolver uma comunicação institucional eficaz, bem como a sistematização e a elaboração de uma carteira de serviços que emerge como crucial para informar e comunicar às mulheres do território sobre seus direitos e a disponibilidade dos serviços de saúde para o atendimento de casos de violência. Além disso, a formulação de materiais de campanha no território é essencial para promover a prevenção da violência contra a mulher e para empoderar as mulheres, assegurando que estejam cientes dos recursos e suportes disponíveis para enfrentar situações de violência.
Vale ressalta que é importante reconhecer que a aplicação da racionalidade limitada na gestão da violência contra a mulher também apresenta desafios e limitações. Um estudo de revisão conduzido por Santos et al.23 destacou a necessidade de uma abordagem mais crítica e reflexiva por parte dos gestores, a fim de evitar vieses e simplificações excessivas na tomada de decisões. Além disso, a falta de formação específica e sensibilização sobre a violência de gênero pode comprometer a eficácia das intervenções12.
Observa-se, ainda, uma contradição importante entre o tempo de experiência dos gestores entrevistados e a persistência de lacunas relacionadas à formação para o enfrentamento da violência contra a mulher. Embora os participantes possuam trajetória consolidada na gestão em saúde, a baixa participação em processos formativos evidencia fragilidades na institucionalização da educação permanente nos municípios investigados. Tal aspecto sugere que as limitações identificadas não podem ser atribuídas exclusivamente às restrições cognitivas individuais, mas também à ausência de estratégias sistemáticas de qualificação promovidas pelos espaços de decisão da gestão municipal.
Nesse contexto, se destaca a responsabilidade dos gestores municipais na indução de processos formativos contínuos voltados aos profissionais da rede de atenção, bem como o papel estratégico da Secretaria Estadual de Saúde no apoio técnico, organizacional e regionalizado para o fortalecimento dessas ações.
A pressão de tempo e espaço é outro desafio enfrentado pelos gestores da saúde. Em um ambiente de trabalho sobrecarregado, muitas vezes é difícil dedicar tempo e recursos para o desenvolvimento e implementação de estratégias eficazes de prevenção e intervenção24. Isso pode levar à adoção de estratégias simplificadas de tomada de decisão, como campanhas de conscientização, em detrimento de abordagens mais abrangentes e baseadas em evidências.
Um aspecto crucial da racionalidade limitada na gestão em saúde é a importância da adaptação e flexibilidade. Os gestores enfrentam frequentemente situações imprevistas e dinâmicas no enfrentamento da violência contra a mulher, o que requer uma capacidade de ajustar rapidamente as estratégias e abordagens em resposta às necessidades emergentes. Além disso, a colaboração interdisciplinar e a coordenação entre diferentes setores e instituições são fundamentais para uma resposta eficaz e abrangente.
As limitações cognitivas e de recursos levam os gestores a desenvolverem estratégias adaptativas. Por exemplo, a formação contínua e específica para profissionais de saúde sobre violência contra a mulher é uma estratégia prática que pode ser implementada mesmo com recursos limitados25. A criação de parcerias com organizações não governamentais e outros setores também emerge como uma estratégia viável, permitindo uma abordagem mais holística e eficaz¹.
A atenção à saúde às mulheres vítimas de violência sob a perspectiva de gênero para melhor compreender o problema da violência não é uma prática simples e exige que os profissionais superem a lógica neutra e imparcial da assistência em saúde, que tradicionalmente foca nos aspectos biomédicos. A adoção de uma perspectiva de gênero na assistência requer que os problemas de saúde sejam compreendidos também a partir de uma perspectiva social, reconhecendo que a violência é gerada na cultura e sob uma ótica histórica26.
A adaptação ao contexto social e cultural é fundamental para o sucesso das intervenções no enfrentamento da violência contra a mulher. Estudos têm enfatizado a importância de abordagens sensíveis ao gênero e culturalmente apropriadas, que levem em consideração as diferentes realidades e necessidades das comunidades atendidas27. Parcerias e colaborações interinstitucionais também são essenciais para fortalecer a resposta dos serviços de saúde a esse problema, permitindo o compartilhamento de recursos e expertise entre diferentes atores28.
A gestão do enfrentamento da violência contra a mulher no campo da saúde, sob a teoria da racionalidade limitada, implica que os profissionais e instituições de saúde precisem tomar decisões informadas e adaptativas dentro das limitações cognitivas. Este enfoque exige um posicionamento pessoal, profissional e institucional para além do contexto biológico do agravo, o que pode ser visto por muitos profissionais como um desafio que compromete a sua responsabilidade profissional ao exigir que se vá além do foco técnico estrito29.
Em síntese, a análise dos discursos dos gestores da saúde no contexto do enfrentamento da violência contra a mulher ofereceu insights valiosos para a compreensão dos desafios e oportunidades vivenciadas por esses profissionais no que compreende a tomada de decisão amparada na racionalidade. É fundamental reconhecer essas limitações e buscar estratégias e abordagens inovadoras para promover uma resposta mais eficaz e abrangente a esse grave problema de saúde pública que é a violência contra a mulher.
É importante ressaltar que a racionalidade limitada não implica necessariamente uma abordagem inferior ou inadequada na gestão em saúde, mas sim reconhece as realidades práticas e as limitações enfrentadas pelos gestores no enfrentamento da violência contra a mulher. No entanto, é essencial que os gestores estejam cientes das possíveis armadilhas cognitivas associadas à racionalidade limitada, como vieses de confirmação e simplificação excessiva, e busquem mitigar esses efeitos por meio da busca por informações relevantes e da consulta a múltiplas fontes de conhecimento.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
O enfrentamento da violência contra a mulher é um desafio complexo e multifacetado, que envolve não apenas questões de saúde pública, mas também dimensões sociais, culturais e políticas. Gestores da saúde exercem papel crucial nesse contexto, sendo responsáveis por planejar, desenvolver e implementar políticas e programas de prevenção e atenção às vítimas. No território cearense, contudo, as limitações não se restringem ao campo cognitivo individual, mas se conectam às fragilidades estruturais e institucionais do sistema de saúde, como a carência de recursos, a descontinuidade das políticas públicas e a insuficiente articulação intersetorial. Esses fatores acentuam o caráter “satisfatório” das decisões, conforme a teoria da racionalidade limitada de Herbert Simon, em detrimento de respostas plenamente racionais e integradas.
Ao compreender a atuação dos gestores sob a ótica da racionalidade limitada, observa-se que as decisões são influenciadas por restrições informacionais, temporais e contextuais que moldam o processo decisório no enfrentamento da violência de gênero. Nesse cenário, os gestores buscam equilibrar o ideal e o possível, desenvolvendo soluções adaptativas e práticas diante das urgências cotidianas. Contudo, torna-se necessário transcender análises descritivas e adotar um olhar mais crítico e propositivo, que reconheça o território como espaço determinante para a formulação de estratégias de gestão mais coerentes com as realidades locais e com as demandas específicas das mulheres atendidas nos serviços de saúde.
Os achados revelam que, embora os gestores entrevistados possuam tempo significativo de atuação na gestão em saúde, persistem lacunas importantes relacionadas à formação e à qualificação para o enfrentamento da violência contra a mulher. Tal cenário aponta para a necessidade de problematizar o papel dos espaços de gestão e decisão no âmbito municipal, considerando que esses atores possuem responsabilidade estratégica na implementação de processos de educação permanente capazes de fortalecer competências técnicas, éticas e organizacionais das equipes de saúde.
Mesmo diante de limitações financeiras e estruturais, a ausência de iniciativas sistemáticas de qualificação evidencia fragilidades institucionais que comprometem a consolidação de respostas mais efetivas à violência de gênero. Nessa direção, se destaca também a responsabilidade da Secretaria Estadual de Saúde no suporte técnico aos municípios, especialmente por meio da articulação regional de estratégias formativas e do fortalecimento das redes de cuidado e proteção às mulheres.
Assim, este estudo indica que a racionalidade limitada não deve ser compreendida como um obstáculo, mas como oportunidade para o aprimoramento das práticas gestoras. É fundamental investir na qualificação técnica e ética dos profissionais, fortalecer as instâncias de decisão compartilhada e integrar as políticas de saúde, segurança e assistência social. A construção de respostas mais sensíveis, inovadoras e contextualizadas à realidade cearense exige uma racionalidade ampliada, consciente de suas limitações, mas voltada à transformação dos processos decisórios, capaz de impulsionar mudanças concretas na gestão e no cuidado às mulheres em situação de violência.

Colaboradores
Os autores desenvolveram o estudo em conjunto, contribuindo igualmente para a discussão dos resultados e análise crítica. A redação do manuscrito foi conduzida por DG Araújo Júnior, enquanto AR Ferreira Júnior contribuiu na revisão do conteúdo e na redação da versão final do manuscrito.
Agradecimentos
A Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FUNCAP) e a Universidade Estadual do Ceará (UECE) pelo apoio à realização da pesquisa.

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Araújo Júnior, DG, Ferreira Júnior, AR, Vieira, LJES, Silva, MAM, Guimarães, JMX, Cavalcante, ASP. Violência Contra a Mulher no Campo da Saúde: Uma Análise do Discurso de Gestores sob a Ótica da Racionalidade Limitada. Cien Saude Colet [periódico na internet] (2026/jul). [Citado em 13/07/2026]. Está disponível em: http://cienciaesaudecoletiva.com.br/artigos/violencia-contra-a-mulher-no-campo-da-saude-uma-analise-do-discurso-de-gestores-sob-a-otica-da-racionalidade-limitada/20075?id=20075&id=20075

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