0138/2026 - Cozinhas Solidárias nas regiões brasileiras: porta de entrada para Segurança Alimentar em territórios vulnerabilizados Solidarity Kitchens in Brazilian Regions: The Gateway to Food Security in Vulnerable Territories
A Lei nº 14.628/2023 cria o Programa Cozinha Solidária, reforçando o compromisso com o Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA). O programa reconhece as Cozinhas Solidárias (CS), que fornecem alimentação gratuita e de qualidade a grupos vulnerabilizados. Este estudo descreve e caracteriza as CS com base em indicadores de vulnerabilidade social. Foram analisados dados de CS coletados por meio de um formulário do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) e cruzados com o índice de vulnerabilidade social dos municípios. Um total de 1.655 CS ativas responderam ao formulário. O mapeamento revelou maior concentração nas capitais, enquanto municípios altamente vulneráveis carecem de CS. Mais de 50% das CS não possuem infraestrutura de informática, com os piores índices no Sul (66,4%), Nordeste (65,2%) e Norte (60,9%). Além disso, 18,8% e 20% das CS no Norte e Nordeste, respectivamente, não possuem refrigerador, e apenas 8,7% recebem alimentos do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). A infraestrutura precária e o acesso limitado ao PAA evidenciam desafios e oportunidades para fortalecer as CS e subsidiar políticas públicas que garantam o DHAA.
Palavras-chave:
Política de Saúde, Programas Governamentais, Índice de Vulnerabilidade Social, Segurança Alimentar, Direito Humano à Alimentação Adequada.
Abstract:
The Brazilian Law No. 14,628/2023 establishes the Solidarity Kitchen Program, reinforcing the commitment to the Human Right to Adequate Food (HRAF). The program recognizes Solidarity Kitchens (SK), which provide free and quality food to vulnerable groups. This study describes and characterizes SK based on social vulnerability indicators. Data from SK were collected through a form from the Ministry of Social Development and Assistance (MDS) and cross-referenced with the municipalities' social vulnerability index. A total of 1,655 active SK responded to the form. The mapping revealed a higher concentration in capitals, while highly vulnerable municipalities lack SK. More than 50% of the SK do not have computer infrastructure, with the worst rates in the South (66.4%), Northeast (65.2%), and North (60.9%). Additionally, 18.8% and 20% of the SK in the North and Northeast, respectively, lack a refrigerator, and only 8.7% receive food from the Food Acquisition Program (FAP). The precarious infrastructure and limited access to the FAP highlight challenges and opportunities to strengthen SK and support public policies that ensure the HRAF.
Keywords:
Health Policy, Government Programs, Social Vulnerability Index, Food Security, Human Right to Adequate Food.
Conteúdo:
INTRODUÇÃO
A alimentação enquanto um direito básico é reconhecida globalmente desde a década de 40¹. Esse princípio estabeleceu as bases para iniciativas e declarações posteriores para implementação de ações de combate à fome, promoção da Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) e outras mazelas que acometem a sociedade²,³. Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) que sucederam os 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) refletem o compromisso de diversas nações incluindo o Brasil para o enfrentamento destas adversidades. Entretanto, com menos de cinco anos para 2030, o mundo está longe de fornecer condições para que todas as pessoas, principalmente as que são vulnerabilizadas, acessem plenamente seus direitos básicos, como a alimentação adequada?.
Nos anos recentes o Brasil passou por um desmonte das políticas públicas que afetou diretamente os indicadores de SAN e a população mais vulnerabilizada. Dentre as medidas que contribuíram para essa situação, destacam-se o congelamento de recursos da União em 2016? que colocou em risco direitos conquistados?, a extinção do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional?, o insuficiente reajuste do Programa Nacional de Alimentação Escolar? e a gestão inapropriada dos recursos deste Programa durante o período da Pandemia da COVID-19?, bem como o desmantelamento do programa de distribuição de renda Bolsa Família¹?. Também é possível destacar a desestruturação dos equipamentos públicos de SAN, como restaurantes populares e cozinhas comunitárias decorrente da imprevisibilidade de recursos públicos, agravada pela política fiscal que prioriza superávits primários para pagamento da dívida pública em detrimento dos investimentos em políticas sociais¹¹. Essas decisões demonstraram a falta de priorização dessa temática crucial para a dignidade humana na política nacional deste período.
Na Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) de 2018, 36,7% dos domicílios brasileiros viviam em algum grau de insegurança alimentar, sendo 4,6% em situação grave¹². Além da crise política, o mundo foi afetado pela crise sanitária da COVID-19¹³ que com a ausência de gestão adequada, agravou os indicadores de insegurança alimentar. O I Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da COVID-19 no Brasil, mostrou que nos últimos quatro meses do ano de 2020, 55,2% dos domicílios enfrentava, algum nível de insegurança alimentar, com 9% em situação grave¹?. Estes dados se revelaram mais preocupantes com a publicação do segundo Inquérito em 2022: 58,7% dos domicílios estavam em situação de insegurança alimentar e desses, 15,5% vivenciavam sua forma mais severa¹?.
Além disso, os dados mostram a semelhança do cenário apresentado por Josué de Castro na década de 1940, evidenciando que a fome continua atingindo de forma desigual a população brasileira¹? de forma que as regiões Norte e Nordeste superam a média nacional de insegurança grave, atingindo 25,7% e 21%, respectivamente¹?. Além do recorte territorial, o mesmo estudo confirmou que a insegurança alimentar em qualquer nível é mais prevalente entre pessoas negras, principalmente mulheres. 58,3% e 47,3% dos homens e mulheres de cor branca, respectivamente, estavam em situação de SAN enquanto apenas 39,7% dos homens negros e 30,1% das mulheres negras reportaram ter acesso a alimentos em quantidade e qualidade suficiente para sua subsistência sem comprometer demais necessidades¹?. Destaque para a insegurança alimentar grave, que atingiu 22% mulheres negras e 14,3% de homens negros, resultados mais elevados em comparação às mulheres brancas (13,5%) e homens brancos (7,8%)¹?.
Reconhecendo a alimentação adequada como um direito humano e constitucional¹?, o Estado em conjunto com a sociedade civil é responsável pela efetivação deste direito¹?. Para isso, os equipamentos públicos de SAN existem enquanto estruturas físicas e espaços destinados à prestação de serviços como a captação, produção, preparo e distribuição de refeições ou gêneros alimentícios visando garantir a SAN¹?.
Em um cenário de atendimento insuficiente da demanda por sanar o problema da fome nestes equipamentos e em outras políticas públicas, as cozinhas solidárias, historicamente organizadas por movimentos sociais como espaços de assistência à alimentação e resistência social, emergiram como uma importante resposta da sociedade civil para ajudar aqueles que estão desassistidos pelo Estado e enfrentam dificuldades em obter alimentos¹?,¹?. Com a mudança do cenário político brasileiro em âmbito federal em 2023, um importante marco se destacou no cenário legislativo. A sanção da Lei nº 14.628, de 20 de julho de 2023, marca a criação do Programa Cozinha Solidária junto à retomada do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA)²?. O Programa Cozinha Solidária, regulamentado em 2024 pelo Decreto Nº 11.937, define as CS como:
“(...) tecnologia social de combate à insegurança alimentar e nutricional, de base popular, não estatal, estruturada pela comunidade local, por meio de seus coletivos, seus movimentos sociais e suas organizações da sociedade civil, com a finalidade de produção e oferta de refeições adequadas e saudáveis, preferencialmente para pessoas em vulnerabilidade e risco social, incluída a população em situação de rua, com o apoio à comunidade por meio de outras atividades de interesse coletivo (BRASIL, 2024).”
Nesta definição, destaca-se “base popular e não estatal”, pois esses espaços são organizados pela sociedade civil com o objetivo de olhar para o indivíduo em situação de vulnerabilidade de forma integral. A oferta de acolhimento durante as filas de espera, atividades culturais e educativas, apoio jurídico e prestação de outros serviços que são ofertados por aqueles que trabalham nesses espaços vão além da oferta de alimentos¹?. Diante do exposto, a Lei 14.628/2023 emerge como iniciativa do atual governo federal mostrando o interesse em compreender e apoiar estes equipamentos, sem que esses percam sua característica popular e autônoma.
Até o presente momento, os estudos sobre CS identificados pelos autores desta pesquisa se concentram em abordagens qualitativas, com amostras reduzidas ou análises de casos isolados, sem fornecer um panorama abrangente e representativo em nível nacional²¹, ²²,²³. Além disso, em comparação com outros equipamentos de SAN reconhecidos institucionalmente, as CS ainda são os equipamentos menos encontrados nos levantamentos em bases de dados. Essa lacuna dificulta a formulação de políticas públicas baseadas em pesquisas e evidências robustas. O presente estudo é inédito ao apresentar uma análise quantitativa e geoespacial de dimensão nacional com estratificação por região para oferecer dados concretos sobre as CS segundo o Índice de Vulnerabilidade Social (IVS), preenchendo um vazio de dados que dificulta a gestão pública.
Com isso, o estudo busca subsidiar a tomada de decisão do poder público nas diferentes esferas federativas, fornecendo diretrizes mais precisas para enfrentar a insegurança alimentar e fortalecer essa iniciativa no Brasil. Mediante um diagnóstico abrangente desses espaços, pretende-se apoiar gestores públicos na implementação e aprimoramento dessas tecnologias sociais, promovendo a Soberania Alimentar, a Segurança dos Alimentos e práticas sustentáveis. Os resultados dessa pesquisa desempenham um importante papel no apoio à construção dos Planos de Segurança Alimentar e Nutricional, um componente do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN), que visa assegurar o DHAA nos territórios brasileiros²?. Esses dados constituem um passo importante rumo ao cumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU, contribuindo para o alcance de metas globais relacionadas à erradicação da fome, à promoção da alimentação saudável e à garantia de uma vida digna para todos.
Este estudo visa caracterizar a infraestrutura e formas de operacionalização das CS no Brasil e mapeá-las de acordo com indicadores de vulnerabilidade dos municípios brasileiros.?
METODOLOGIA
Trata-se de um estudo quantitativo, de delineamento transversal, que utiliza dados secundários disponibilizados pelo Ministério de Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). O banco de dados original foi composto por 2.466 registros provenientes do Formulário para Cadastramento de Cozinhas Solidárias, Populares e Comunitárias, disponibilizado pelo MDS entre maio e novembro de 2023. Para a análise, foram excluídos os registros referentes a unidades que declararam não estar em funcionamento no período de coleta, resultando em um conjunto final de 1.655 cozinhas solidárias ativas. Procedeu-se à verificação de consistência interna e completude das variáveis de interesse, bem como à padronização das informações territoriais (município e unidade federativa), possibilitando o pareamento com o Índice de Vulnerabilidade Social (IVS) e com as bases geoespaciais oficiais. Considerando tratar-se de um cadastro de adesão voluntária, admite-se a possibilidade de sub-registro e viés de cobertura, especialmente em territórios mais vulnerabilizados, os quais foram considerados na interpretação dos achados.
O IVS é organizado em três dimensões: 1 - Infraestrutura urbana, 2 - Capital humano e 3 - Renda e trabalho. A faixa de vulnerabilidade social varia de 0 a 1 sendo classificada da seguinte forma: de 0 a 0,2 indica muito baixa vulnerabilidade; de 0,2 a 0,3 baixa; de 0,3 a 0,4 média; de 0,4 a 0,5 alta; e de 0,5 a 1 muito alta vulnerabilidade. Para esta análise foi utilizado o IVS disponibilizado pelo IPEA de 2015, pois considera a granularidade territorial em nível municipal proporcionada pelo Censo Demográfico, possibilitando uma análise por município²?. Para a visualização geográfica dos resultados, os dados são estratificados por municípios e integrados a uma base geoespacial correspondente às delimitações político-administrativas das regiões IBGE (2023).
Para avançar além da descrição, estimou-se a associação entre a presença relativa de cozinhas e a vulnerabilidade social. Foram calculadas correlações entre a densidade de CS (razão entre o número de CS e a população do recorte territorial, quando aplicável) e medidas agregadas do IVS. Em nível regional, utilizou-se a correlação de Spearman, por se tratar de comparação entre poucos estratos e pela natureza não necessariamente linear da relação. Em nível estadual, empregou-se a correlação de Pearson com o IVS contínuo, como análise complementar. As análises foram interpretadas como exploratórias, considerando a agregação territorial e a heterogeneidade intrarregional.
Para verificar a diferença na distribuição do número de CS entre municípios classificados como “Capitais” e “Não Capitais”, foi utilizado o teste não paramétrico de Mann-Whitney U²?, uma vez que as amostras não atenderam aos pressupostos de normalidade. Esse teste compara as distribuições dos dois grupos por meio da ordenação dos valores e atribuição de postos. A soma dos postos de cada grupo é calculada, permitindo a obtenção da estatística U, que é posteriormente comparada à sua distribuição teórica para avaliação estatística. As hipóteses do teste foram formuladas como: a hipótese nula assume que não há diferença na distribuição entre os grupos, enquanto a hipótese alternativa sugere uma diferença significativa.
Todas as etapas desta pesquisa foram conduzidas em conformidade com os preceitos éticos, conforme estabelecido pela Resolução n° 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde e atende aos princípios da Lei Geral de Proteção de Dados (Lei n° 13.709/2018), assegurando a privacidade e segurança das informações. Além disso, o presente estudo obteve a aprovação dos Comitês de Ética em Pesquisa (CEP) da USP e da UNIFESP.
RESULTADOS
Foram analisadas 1655 CS que relataram pleno funcionamento no Formulário para Cadastramento de Cozinhas Solidárias. Conforme demonstrado na tabela 1, o maior número de CS está concentrado na região Nordeste (33,8%), seguida do Sudeste (33,4%), Sul (23,4%), Centro-Oeste (5,6%) e Norte (3,9%).
Tab.1
Tabela 1. Distribuição das cozinhas analisadas de acordo com as regiões do país.
Fonte: Elaboração própria. Dados do MDS (2024)
Mais de 50% das CS de todas as regiões brasileiras relataram não ter infraestrutura de informática (computador com internet) de acordo com os dados obtidos. As piores situações foram encontradas nas regiões Sul (66,4%), Nordeste (65,2%) e Norte (60,9%), seguidas de Centro-Oeste (56,5%) e Sudeste (54%).
No que concerne à disponibilidade de refrigeradores, item básico e essencial dentro de qualquer cozinha, observa-se que 18,8% e 20% das CS nas regiões Norte e Nordeste (regiões mais quentes do país), respectivamente, relataram não possuir refrigerador (Sudeste 5,8%, Sul 9%, Centro-Oeste 9,8%).
As CS da região Sudeste atendem o maior número de usuários (48,2%), seguido da região Nordeste (29,2%), Sul (16,1%), Centro-Oeste (4,6%) e Norte (1,9%).
Apenas 8,7% das CS informaram receber alimentos oriundos do PAA. Dentre essas CS, 43,75% estão localizadas na região Nordeste, 25,69% no Sudeste, 19,44% no Sul, 8,33% no Centro-Oeste e 2,78% no Norte.
A Figura 1 ilustra a análise de distribuição espacial das CS em relação ao IVS por município brasileiro.
Fig.1
Figura 1 - Mapeamento das Cozinhas Solidárias e Índice de Vulnerabilidade Social no Brasil [Fonte: Elaboração própria, dados de MDS (2024) e IPEA (2015)].
Na região Norte , observa-se uma escassez crítica de CS, apesar da predominância de municípios classificados como IVS muito alto. A vasta extensão territorial marcada por vulnerabilidade social elevada contrasta com a presença mínima de pontos verdes que representam as CS. As poucas iniciativas concentram-se principalmente nas capitais e em alguns centros urbanos, como se pode notar em Belém (PA), Manaus (AM) e em pontos isolados de Roraima (RR) e Tocantins (TO).
A região Nordeste apresenta maior número de CS entre as regiões analisadas, com uma concentração ao longo da faixa litorânea, especialmente nos estados do Rio Grande do Norte (RN), Paraíba (PB, Pernambuco (PE), Alagoas (AL), Sergipe (SE) e Bahia (BA). Contudo, o contraste mais evidente acontece no estado do Maranhão (MA), que é o estado com maior vulnerabilidade social do país e apresenta extensas áreas classificadas com IVS muito alto, mas possui cobertura extremamente limitada de CS. Mesmo no Ceará (CE) que possui uma distribuição mais equilibrada de CS em seu território, as áreas mais vulneráveis do interior do estado permanecem com baixa cobertura.
O mapeamento da região Sudeste evidencia uma concentração de CS nas áreas com IVS baixo e muito baixo, principalmente nos estados de São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ). Em contraste, a porção norte de Minas Gerais (MG), caracterizada por municípios com IVS muito alto e alto, apresenta cobertura limitada de CS.
Fig.2
Figura 2. Dispersão entre densidade de Cozinhas Solidárias (por 100 mil habitantes) e IVS médio por unidade federativa, com reta de regressão linear (r = -0,0884). [Fonte: Elaboração própria, dados do MDS (2024) e IPEA (2015).]
Como análise complementar ao mapeamento, avaliou-se a associação entre a densidade de CS e a vulnerabilidade social agregada. Observou-se correlação negativa moderada entre a densidade de CS por região e o IVS médio regional (Spearman ? = -0,4743), sugerindo que, no agregado regional, maiores níveis médios de vulnerabilidade tendem a coexistir com menor densidade de cozinhas. Em nível estadual, a correlação linear com o IVS contínuo foi fraca (Pearson r = -0,0884), indicando que a relação não se expressa de forma linear uniforme entre estados e pode ser influenciada por heterogeneidade intraestadual, concentração em capitais e diferenças de urbanização. A Figura 2 apresenta o diagrama de dispersão (um ponto por UF) e a reta de regressão linear da densidade de CS e do IVS médio. Observou-se correlação linear fraca entre as variáveis (r = -0,0884), sugerindo que, no nível de agregação estadual, a densidade de cozinhas não varia de forma linear com o IVS médio.
Fig,3
Figura 3: Distribuição do número de Cozinhas Solidárias em capitais e não capitais [Fonte: Elaboração própria, dados do MDS (2024)].
A análise visual dos boxplots revelou diferenças marcantes entre as distribuições nos municípios “Capitais” e “Não Capitais”. Nota-se que os grupos apresentam medianas, quartis e dispersões distintas, além de padrões peculiares na ocorrência de outliers. O teste Mann-Whitney indicou um p-valor de 6,84e - 16, levando à rejeição da hipótese nula de equivalência entre as distribuições, considerando um nível de significância de 0,05.
DISCUSSÃO
Os resultados evidenciam desafios estruturais significativos, como a carência de infraestrutura de informática, a escassez de refrigeradores, principalmente nas áreas mais quentes do país e o baixo número de CS que recebem alimentos do PAA.
É necessário o investimento em infraestrutura de informática, principalmente nas regiões mais vulnerabilizadas do país. Entendendo que a política pública para ser efetiva deve ser construída em conjunto com o território¹?, é imprescindível que o poder público coloque o olhar sob esses espaços para facilitar e proporcionar a comunicação com demais órgãos governamentais e possíveis instituições parceiras, como a academia, para implementação e avaliação das ações de SAN. Além disso, o Programa Cozinhas Solidárias exige que as Organizações da Sociedade Civil (OSC) contempladas prestem contas do subsídio recebido pelo governo federal por meio do MDS. Essa exigência foi recentemente regulamentada pela Instrução Normativa n° 59/SESAN/MDS, de 20 de maio de 2025, que estabelece os procedimentos para comprovação do fornecimento de refeições. A normativa determina que as CS, com o apoio das entidades gestoras, apresentem documentação variada, como fotos rastreáveis, vídeos, registros diários, cardápio, notas fiscais e relatos para alimentar relatórios mensais em uma plataforma governamental²?. No entanto, a alta exigência documental contrasta com a realidade de muitas dessas cozinhas, o que pode comprometer a adequada prestação de contas.
Na cidade de São Paulo, a portaria conjunta entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) e a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC) n° 14 de 2024, visa o fornecimento de Wi-Fi gratuito nos Programas de SAN da Secretaria Executiva de Segurança Alimentar e Nutricional e de Abastecimento do município e é um exemplo do olhar do poder público para essa temática²?.
Outro exemplo de ação que fortalece a política pública para garantir a conectividade e a inclusão digital alinhada a SAN é o acordo de Cooperação Técnica entre o MDA, o Ministério das Comunicações (MCom), a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) que visa ofertar sinal de celular e internet no campo²?. Sabe-se que os municípios e estados brasileiros têm características diversas e é necessário uma avaliação de cada território para implementação destas ações considerando a heterogeneidade das realidades no Brasil.
A ausência de refrigeradores sugere o estado precário de muitas cozinhas e o comprometimento da qualidade dessas refeições frente ao risco sanitário. Conforme previsto na Lei nº 14.628/2023, o preparo e a oferta dos alimentos do Programa Cozinha Solidária deverão ocorrer em espaços adequados do ponto de vista higiênico sanitário e seguindo os critérios da fiscalização competente²?. Outro ponto que é possível destacar no que se refere a ausência de refrigeradores é o possível comprometimento da produtividade, ou seja, a capacidade de produção de refeições dessas cozinhas. A ausência de equipamentos de refrigeração pode dificultar o adequado armazenamento e planejamento das refeições. Isso corrobora com os dados do número de pessoas atendidas por região: apesar da região Nordeste possuir o maior número de CS (33,8%), esse dado não se reflete no maior número de atendimentos. As CS da região Sudeste, que tem os melhores indicadores de infraestrutura de informática e de equipamentos de refrigeração, atendem o maior número de usuários (48,2%).
Além dos pontos destacados, não foi possível avaliar se os refrigeradores referidos como existentes nas CS atendem à demanda do local, devido à limitação da questão elaborada no Formulário para Cadastramento de Cozinhas Solidárias, Populares e Comunitárias, que não previa a quantidade nem a capacidade dos equipamentos de refrigeração. Dessa forma, embora algumas CS tenham relatado possuir esses equipamentos, não há garantia de que sejam suficientes para atender à demanda destas tecnologias sociais.
Além dos resultados da estrutura física, foi possível constatar que apenas 8,7% das CS informaram receber alimentos do PAA. O PAA é um programa que se destaca pela compra direta de alimentos saudáveis da agricultura familiar, sem a necessidade de licitações. Esses alimentos comprados podem ser distribuídos por meio da rede socioassistencial, rede pública de ensino e equipamentos públicos de SAN e são destinados às pessoas em situação de insegurança alimentar, sendo um instrumento promotor do acesso à alimentação adequada e saudável³?. Estes resultados evidenciam uma oportunidade de expandir este programa que é retomado na mesma legislatura que cria o Programa Cozinha Solidária, para assim, atender um maior número de cozinhas com alimentos de qualidade, conforme previsto no III Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional³¹.
Fornecer alimentos para programas alimentares governamentais aumenta a renda dos agricultores familiares, especialmente os de menor renda³². Amplia-se, ainda, o potencial de fortalecer circuitos curtos de comercialização, fomentar a geração de emprego, e o desenvolvimento da economia local. Além disso, a expansão do programa contribui para ampliar o acesso a alimentos de qualidade, reduzindo a insegurança alimentar e assegurando o DHAA³³. Desta forma, o incentivo público para oferta de alimentos do PAA para as CS pode fortalecer o seu papel, não apenas para o enfrentamento da fome, mas como porta de entrada para a SAN.
Experiências de iniciativa popular com community ou collective kitchens estão registradas na literatura desde os anos 1980 nos países Andinos e na Espanha³?. No Canadá, estudo de Tarasuk e Reynolds demonstrou o crescimento destes equipamentos nos anos 1990; de forma semelhante ao que se observa nas demais localidades, as dificuldades de financiamento e estrutura estavam presentes³?.
Em relação ao mapeamento das CS, realizado com base no IVS, revela que grande parte está localizada em capitais e em áreas urbanas próximas, enquanto os territórios com maior vulnerabilidade social apresentam baixa cobertura, evidenciando a necessidade de expandir essas iniciativas para regiões mais desassistidas. Os mapas analisados evidenciam que a distribuição das CS segue predominantemente a lógica da urbanização e do desenvolvimento econômico, e não necessariamente a da vulnerabilidade social. Essa configuração aprofunda as desigualdades territoriais já existentes no país. As CS em capitais e regiões metropolitanas são importantes para o atendimento de uma parcela significativa da população em situação de insegurança alimentar, principalmente a população em situação de rua. É necessário que o poder público também garanta a existência e permanência dos equipamentos de SAN em áreas rurais e municípios do interior onde os índices de vulnerabilidade social são mais elevados.
A análise de associação reforça essa interpretação: a correlação regional negativa (? = -0,4743) sugere desalinhamento entre vulnerabilidade média e densidade de CS no agregado, enquanto a associação fraca em nível estadual (r = -0,0884) aponta que a relação é complexa e possivelmente mediada por fatores como centralidade urbana, capacidade institucional local, redes de movimentos sociais, logística e padrões de financiamento/apoio. Esses achados indicam que a expansão das CS para territórios de maior vulnerabilidade requer estratégias territorializadas e não pode ser inferida apenas por tendências lineares agregadas.
As discrepâncias observadas nos boxplots e confirmadas pelo teste estatístico sugerem que as medidas centrais e a variabilidade do número de CS são impactadas por fatores inerentes a cada grupo de municípios. A forte evidência estatística contra a hipótese de igualdade entre as distribuições aponta para uma divergência real e significativa, que pode refletir desigualdades estruturais, de políticas públicas ou demandas distintas entre capitais e cidades do interior. Esses resultados reforçam a necessidade de análises que incorporem elementos loco-regionais, sobretudo socioeconômicos e institucionais, mas também culturais, que influenciam a implantação e a operação das CS nos diferentes contextos territoriais.
O território não se reduz a um espaço físico delimitado, devendo ser compreendido como uma construção histórica e social, permeada por relações de poder e desigualdade, conforme propõe Santos³?. Nessa perspectiva, os territórios vulnerabilizados não expressam apenas a concentração de indicadores estatísticos de pobreza, mas resultam de processos políticos, sociais e econômicos que produzem desigualdades no acesso a direitos.
CONCLUSÃO
Esta análise revelou que existem poucas ou nenhuma CS nos municípios de alta ou muito alta vulnerabilidade, com maior concentração dessas unidades nas capitais ou em áreas próximas a elas. A precariedade da infraestrutura, especialmente a falta de equipamentos de refrigeração e a limitação da infraestrutura de informática, impacta diretamente a capacidade produtiva e a qualidade das refeições ofertadas. Além disso, a baixa inserção das CS no PAA aponta para a necessidade de ampliação desse apoio, fortalecendo o pequeno agricultor e garantindo um maior acesso a alimentos de qualidade. Os resultados obtidos a partir desta pesquisa podem subsidiar o Estado Brasileiro na proposição de recomendações e diretrizes concretas para cada território brasileiro, contribuindo com a construção de instrumentos normativos e auxiliando o poder público a organizar e estruturar o Programa Cozinha Solidária através de regulamento conforme previsto no Artigo 20 da Lei nº 14.628, de 20 de julho de 2023. O estudo mostrou que as CS representam oportunidade para modelar práticas solidárias. Nesta perspectiva, a transição de medida emergencial para política estruturante não é apenas uma possibilidade, mas se constitui em um modelo de ação com potencial para alavancar esta estratégia de abastecimento. Entender as CS como porta de entrada para a SAN descortina o potencial destes equipamentos não apenas em territórios vulnerabilizados, mas como tecnologia social de promoção da boa alimentação para todas as pessoas.
Agradecimentos
Os autores deste trabalho gostariam de agradecer ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) pelo apoio institucional; ao Centro de Inteligência Artificial (C4AI-USP); ao apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e a CAPES.
Declaração de Disponibilidade de Dados
Os dados de pesquisa estão disponíveis mediante solicitação ao autor de correspondência.
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Outros idiomas:
Solidarity Kitchens in Brazilian Regions: The Gateway to Food Security in Vulnerable Territories
Resumo (abstract):
The Brazilian Law No. 14,628/2023 establishes the Solidarity Kitchen Program, reinforcing the commitment to the Human Right to Adequate Food (HRAF). The program recognizes Solidarity Kitchens (SK), which provide free and quality food to vulnerable groups. This study describes and characterizes SK based on social vulnerability indicators. Data from SK were collected through a form from the Ministry of Social Development and Assistance (MDS) and cross-referenced with the municipalities' social vulnerability index. A total of 1,655 active SK responded to the form. The mapping revealed a higher concentration in capitals, while highly vulnerable municipalities lack SK. More than 50% of the SK do not have computer infrastructure, with the worst rates in the South (66.4%), Northeast (65.2%), and North (60.9%). Additionally, 18.8% and 20% of the SK in the North and Northeast, respectively, lack a refrigerator, and only 8.7% receive food from the Food Acquisition Program (FAP). The precarious infrastructure and limited access to the FAP highlight challenges and opportunities to strengthen SK and support public policies that ensure the HRAF.
Palavras-chave (keywords):
Health Policy, Government Programs, Social Vulnerability Index, Food Security, Human Right to Adequate Food.
Solidarity Kitchens in Brazilian regions: a gateway to food security in vulnerable areas
Solidarity Kitchens in Brazilian Regions: The Gateway to Food Security in Vulnerable Territories
Cocinas Solidarias en las Regiones de Brasil: La Puerta de Entrada a la Seguridad Alimentaria en Territorios Vulnerabilizados
Mariana Oliveira Iamamoto; School of Public Health, University of São Paulo, São Paulo, SP, Brazil; marianaiamamoto@usp.br; https://orcid.org/0009-0003-8053-6904
Eric Keiji Tokuda; Institute of Mathematics and Computer Sciences, University of São Paulo, São Carlos, SP, Brazil; tokuda.ek@gmail.com; https://orcid.org/0000-0002-6159-2500
Betzabeth Slater Villar; School of Public Health, University of São Paulo, São Paulo, SP, Brazil; bslater@usp.br; https://orcid.org/0000-0003-2511-1770
Danniel Chaves; School of Public Health, University of São Paulo, São Paulo, SP, Brazil;danniel.chaves@usp.br, https://orcid.org/0009-0003-4876-5651
Alexandre Cláudio Botazzo Delbem; Institute of Mathematics and Computer Sciences, University of São Paulo, São Carlos, SP, Brazil; acbd@icmc.usp.br; https://orcid.org/0000-0003-1810-1742.
Semíramis Martins Álvares Domene; Federal University of São Paulo, São Paulo, SP, Brazil; semiramis.domene@unifesp.br; https://orcid.org/0000-0003-3003-2153
Aline Rissatto Teixeira; School of Public Health, University of São Paulo, São Paulo, SP, Brazil; alinert@usp.br; https://orcid.org/0000-0002-8987-2838
ABSTRACT
The Brazilian Law No. 14,628/2023 establishes the Solidarity Kitchen Program, reinforcing the commitment to the Human Right to Adequate Food (HRAF). The program recognizes Solidarity Kitchens (SK), which provide free and quality food to vulnerable groups. This study describes and characterizes SK based on social vulnerability indicators. Data from SK were collected through a form from the Ministry of Social Development and Assistance (MDS) and cross-referenced with the municipalities\' social vulnerability index. A total of 1,655 active SK responded to the form. The mapping revealed a higher concentration in capitals, while highly vulnerable municipalities lack SK. More than 50% of the SK do not have computer infrastructure, with the worst rates in the South (66.4%), Northeast (65.2%), and North (60.9%). Additionally, 18.8% and 20% of the SK in the North and Northeast, respectively, lack a refrigerator, and only 8.7% receive food from the Food Acquisition Program (FAP). The precarious infrastructure and limited access to the FAP highlight challenges and opportunities to strengthen SK and support public policies that ensure the HRAF.
Keywords: Health Policy, Government Programs, Social Vulnerability Index, Food Security, Human Right to Adequate Food.
RESUMEN
La Ley Brasileña N° 14.628/2023 establece el Programa de Cocina Solidaria, reforzando el compromiso con el Derecho Humano a la Alimentación Adecuada (DHAA). El programa reconoce las Cocinas Solidarias (CS), que brindan alimentación gratuita y de calidad a grupos vulnerables. Este estudio describe y caracteriza las CS según indicadores de vulnerabilidad social. Se recopilaron datos de CS a través de un formulario del Ministerio de Desarrollo y Asistencia Social (MDS) y se cruzaron con el índice de vulnerabilidad social de los municipios. Un total de 1.655 CS activas respondieron al formulario. El mapeo reveló una mayor concentración en las capitales, mientras que los municipios altamente vulnerables carecen de CS. Más del 50% de las CS no tienen infraestructura informática, con los peores índices en el Sur (66,4%), Nordeste (65,2%) y Norte (60,9%). Además, el 18,8% y el 20% de las CS en el Norte y Nordeste, respectivamente, no cuentan con refrigerador, y solo el 8,7% recibe alimentos del Programa de Adquisición de Alimentos (PAA). La infraestructura precaria y el acceso limitado al PAA evidencian desafíos y oportunidades para fortalecer las CS y respaldar políticas públicas que garanticen el DHAA.
Palabras clave: Política de Salud, Programas Gubernamentales, Índice de Vulnerabilidad Social, Seguridad Alimentaria, Derecho Humano a la Alimentación Adecuada.
INTRODUCTION
Access to food as a basic right has been globally recognized since the 1940s¹. This principle laid the groundwork for subsequent initiatives and declarations aimed at combating hunger, promoting Food and Nutritional Security (FNS), and addressing other societal ills²,³. The 17 Sustainable Development Goals (SDGs)—which succeeded the 8 Millennium Development Goals (MDGs)—reflect the commitment of various nations, including Brazil, to tackling these challenges. However, with less than five years remaining until 2030, the world is far from ensuring the conditions necessary for all people—especially the most vulnerable—to fully access their basic rights, such as adequate food⁴.
In recent years, Brazil has experienced a dismantling of public policies that directly impacted FNS indicators and the most vulnerable populations. Key measures contributing to this situation include the 2016 freeze on federal spending⁵ which jeopardized hard-won rights⁶, the abolition of the National Council on Food and Nutritional Security⁷, the insufficient adjustment of funding for the National School Feeding Program⁸ the mismanagement of that program’s resources during the COVID-19 pandemic ⁹, and the dismantling of the Bolsa Família income transfer program¹⁰. Also noteworthy is the destabilization of public food and nutritional security facilities—such as subsidized public restaurants and community kitchens—caused by the unpredictability of public funding. This issue was exacerbated by a fiscal policy that prioritized primary surpluses for public debt repayment over investment in social policies¹¹. These decisions demonstrated a failure to prioritize an issue crucial to human dignity within the national policy agenda of that period.
According to the 2018 Consumer Expenditure Survey (POF), 36.7% of Brazilian households experienced some degree of food insecurity, with 4.6% facing severe food insecurity¹². Beyond the political crisis, the world was affected by the COVID-19 health crisis¹³; the lack of adequate management during this time worsened food insecurity indicators. The First National Survey on Food Insecurity in the Context of the COVID-19 Pandemic in Brazil revealed that, during the final four months of 2020, 55.2% of households faced some level of food insecurity; 9% in a severe situation¹⁴. These figures became even more alarming with the publication of the second survey in 2022: 58.7% of households were experiencing food insecurity, and of those, 15.5% were facing its most severe form¹⁴.
Furthermore, the data reveal parallels with the scenario described by Josué de Castro in the 1940s, highlighting that hunger continues to affect the Brazilian population unequally¹⁵ ; the North and Northeast regions exceed the national average for severe food insecurity, reaching rates of 25.7% and 21%, respectively¹⁴. Beyond the regional breakdown, the same study confirmed that food insecurity at any level is more prevalent among Black people, particularly women. While 58.3% of white men and 47.3% of white women enjoyed food and nutritional security, only 39.7% of Black men and 30.1% of Black women reported having access to food of sufficient quantity and quality for their subsistence without compromising other needs¹⁴. Of particular note is severe food insecurity, which affected 22% of Black women and 14.3% of Black men—figures higher than those for white women (13.5%) and white men (7.8%)¹⁴.
Recognizing adequate nutrition as both a human and constitutional right¹⁷, the State, in conjunction with civil society, bears the responsibility for ensuring the realization of this right¹⁸. To this end, public food and nutritional security facilities exist as physical structures and spaces
dedicated to services such as the sourcing, production, preparation, and distribution of meals or foodstuffs, all aimed at guaranteeing food security¹⁹.
Amidst a scenario where the demand to resolve hunger is inadequately met by these facilities and other public policies, solidarity kitchens—historically organized by social movements as spaces for both food assistance and social resistance—have emerged as a significant civil society response to aid those left unsupported by the State who struggle to obtain food¹⁵,¹⁶. With the shift in the Brazilian federal political landscape in 2023, a major milestone emerged in the legislative arena. The enactment of Law No. 14.628 of July 20, 2023, established the Solidarity Kitchen Program (Programa Cozinha Solidária) and marked the relaunch of the Food Acquisition Program (PAA)²⁰. The Solidarity Kitchen Program, regulated in 2024 by Decree No. 11,937, defines Solidarity Kitchens (CS) as:
“(...) a grassroots, non-state social technology to combat food and nutritional insecurity, structured by the local community—through its collectives, social movements, and civil society organizations—to produce and provide adequate, healthy meals, preferably to people in situations of vulnerability and social risk, including the homeless population, while supporting the community through other activities of collective interest (BRAZIL, 2024).”
This definition highlights a “grassroots, non-state basis,” as these spaces are organized by civil society to address the needs of vulnerable individuals in a holistic manner. The support provided by those working in these spaces—ranging from welcoming people during wait times to offering cultural and educational activities, legal assistance, and other services—goes beyond the mere provision of food¹⁵. In this context, Law 14.628/2023 emerges as an initiative by the current federal government, demonstrating
interest in understanding and supporting these facilities while preserving their grassroots and autonomous nature.
To date, studies on CS identified by the authors of this research have focused on qualitative approaches—involving small samples or analyses of isolated cases—without providing a comprehensive, nationally representative overview²¹, ²², ²³. Furthermore, compared to other institutionally recognized Food and Nutritional Security (FNS) facilities, CS remain the least frequently encountered in database surveys. This gap hinders the formulation of public policies based on robust research and evidence. This study is novel in presenting a quantitative and geospatial analysis on a national scale, stratified by region, to provide concrete data on Community Kitchens according to the Social Vulnerability Index (IVS), thereby filling a data void that complicates public management.
Consequently, the study aims to inform decision-making by public authorities across different levels of government, providing more precise guidelines to tackle food insecurity and strengthen this initiative in Brazil. Through a comprehensive assessment of these spaces, the study seeks to support public managers in implementing and improving these social technologies, thereby promoting Food Sovereignty, Food Safety, and sustainable practices. The research findings play a vital role in supporting the development of Food and Nutritional Security Plans—a component of the National Food and Nutritional Security System (SISAN)—which aim to guarantee the Human Right to Adequate Food (HRAF) across Brazilian territories²⁴. These data represent a significant step toward meeting the UN 2030 Agenda’s Sustainable Development Goals (SDGs), contributing to global targets related to eradicating hunger, promoting healthy eating, and ensuring a dignified life for all.
This study aims to characterize the infrastructure and operational models of Community Kitchens (CS) in Brazil and to map them against vulnerability indicators for Brazilian municipalities.
METHODOLOGY
This is a quantitative, cross-sectional study utilizing secondary data provided by the Ministry of Development and Social Assistance, Family and Fight Against Hunger (MDS). The original dataset comprised 2,466 records from the registration form for Solidarity, Popular, and Community Kitchens, made available by the MDS between May and November 2023. For the analysis, records concerning units that reported not being operational during the data collection period were excluded, resulting in a final set of 1,655 active solidarity kitchens. Internal consistency and the completeness of the variables of interest were verified, and territorial information (municipality and federal unit) was standardized, enabling linkage with the Social Vulnerability Index (IVS) and official geospatial databases. Given that this is a voluntary registration system, the possibility of under-reporting and coverage bias is acknowledged—particularly in highly vulnerable areas—and those factors were taken into account when interpreting the findings.
The IVS is organized into three dimensions: 1 - Urban infrastructure, 2 - Human capital, and 3 - Income and labor. The social vulnerability range extends from 0 to 1 and is classified as follows: 0 to 0.2 indicates very low vulnerability; 0.2 to 0.3, low; 0.3 to 0.4, medium; 0.4 to 0.5, high; and 0.5 to 1, very high vulnerability. For this analysis, the 2015 IVS provided by IPEA was used, as it accounts for the municipal-level territorial granularity provided by the Demographic Census, thereby enabling analysis by municipality²⁵. To visualize the results geographically, the data are stratified by municipality and integrated into a geospatial dataset corresponding to the political-administrative boundaries of the IBGE regions (2023).
To move beyond mere description, the association between the relative presence of kitchens and social vulnerability was estimated. Correlations were calculated between CS density (the ratio of the number of CS to the population of the specific territorial area, where applicable) and aggregated IVS measures. At the regional level, Spearman’s correlation was used because of the comparison involving few strata and the relationship\'s not necessarily linear nature. At the state level, Pearson’s correlation with the continuous IVS was employed as a complementary analysis. The analyses were interpreted as exploratory, taking into account territorial aggregation and intra-regional heterogeneity.
To assess differences in the distribution of the number of community kitchens between municipalities classified as “Capitals” and “Non-Capitals,” the non-parametric Mann-Whitney U test²⁶ was used, given that the samples did not meet normality assumptions. This test compares the distributions of the two groups by ordering the values and assigning ranks. The sum of the ranks for each group is calculated to derive the U statistic, which is then compared against its theoretical distribution for statistical evaluation. The test hypotheses were formulated as follows: the null hypothesis assumes no difference in distribution between the groups, whereas the alternative hypothesis suggests a significant difference.
All stages of this research were conducted in accordance with ethical standards, as established by Resolution No. 466/2012 of the National Health Council, and comply with the principles of the General Data Protection Law (Law No. 13.709/2018), ensuring the privacy and security of information. Furthermore, this study received approval from the Research Ethics Committees (CEP) of USP and UNIFESP.
RESULTS
A total of 1,655 Solidarity Kitchens (CS) reporting full operation in the Solidarity Kitchens Registration Form were analyzed. As shown in Table 1, the largest number of CS is concentrated in the Northeast region (33.8%), followed by the Southeast (33.4%), South (23.4%), Central West (5.6%), and North (3.9%).
Table 1
According to the data obtained, more than 50% of the CSs across all Brazilian regions reported lacking IT infrastructure (computers with internet access). The worst situations were found in the South (66.4%), Northeast (65.2%), and North (60.9%) regions, followed by the Center-West (56.5%) and Southeast (54%).
Regarding the availability of refrigerators—a basic and essential item in any kitchen—it was observed that 18.8% and 20% of CSs in the North and Northeast regions (the country\'s hottest regions), respectively, reported not having a refrigerator (compared to 5.8% in the Southeast, 9% in the South, and 9.8% in the Central West).
CSs in the Southeast region serve the largest number of users (48.2%), followed by the Northeast (29.2%), South (16.1%), Central West (4.6%), and North (1.9%) regions.
Only 8.7% of CSs reported receiving food from the PAA. Among these CSs, 43.75% are located in the Northeast region, 25.69% in the Southeast, 19.44% in the South, 8.33% in the Central West, and 2.78% in the North.
Figure 1 illustrates the spatial distribution analysis of CSs in relation to the IVS by Brazilian municipality.
Figure 1
A critical scarcity of CSs is noted In the North 1 region, despite the prevalence of municipalities classified as having "very high" IVS. The vast territory, marked by high social vulnerability, contrasts with the minimal presence of the green points representing the CSs. The few existing initiatives are concentrated primarily in state capitals and select urban centers—such as Belém (PA), Manaus (AM), and isolated points in Roraima (RR) and Tocantins (TO).
The Northeast region has the highest number of CS among the regions analyzed, concentrated along the coastline, particularly in the states of Rio Grande do Norte (RN), Paraíba (PB), Pernambuco (PE), Alagoas (AL), Sergipe (SE), and Bahia (BA). However, the most striking contrast occurs in the state of Maranhão (MA); despite being the state with the highest social vulnerability in the country and featuring extensive areas classified with "very high" IVS, it has extremely limited CS coverage Even in Ceará (CE), which has a more balanced distribution of CSs in its territory, the most vulnerable areas in the interior of the state still present low coverage.
The mapping of the Southeast region shows a concentration of CSs in areas with low and very low SVI, mainly in the states of São Paulo (SP) and Rio de Janeiro (RJ). In contrast, the northern portion of Minas Gerais (MG), characterized by municipalities with very high and high SVI, has limited CS coverage.
Figure 2
As a complementary analysis to the mapping, the association between CS density and aggregated social vulnerability was evaluated. A moderate negative correlation was observed between CS density by region and the regional mean IVS (Spearman ρ = -0.4743), suggesting that, at the regional aggregate level, higher mean levels of vulnerability tend to coexist with lower kitchen density. At the state level, the linear correlation with the continuous IVS was weak (Pearson r = -0.0884), indicating the relationship does not manifest in a uniform linear manner across states and may be influenced by intra-state heterogeneity, concentration in capital cities, and urbanization differences. Figure 2 presents the scatter plot (one point per state/federal unit) and the linear regression line for CS density and mean IVS. A weak linear correlation was observed between the variables (r = -0.0884), suggesting
that, at the state level of aggregation, kitchen density does not vary linearly with mean IVS.
Figure 3
Visual analysis of the boxplots revealed striking differences between the distributions in "Capital" and "Non-Capital" municipalities. It is evident that the groups exhibit distinct medians, quartiles, and dispersions, as well as peculiar patterns regarding the occurrence of outliers. The Mann-Whitney test yielded a p-value of 6.84e-16, leading to the rejection of the null hypothesis of equivalence between the distributions at a significance level of 0.05.
DISCUSSION
The results highlight significant structural challenges, such as lack of IT infrastructure, shortage of refrigerators—particularly in the country\'s hotter regions—and the low number of Solidarity Kitchens (CS) receiving food from the PAA program.
Investment in IT infrastructure is essential, especially in the country\'s most vulnerable regions. Recognizing that effective public policy must be developed in collaboration with the local territory¹⁷, it is crucial for public authorities to focus on these spaces to facilitate and enable communication with other government agencies and potential partner institutions—such as academia—for the implementation and evaluation of Food and Nutritional Security (FNS) initiatives. Furthermore, the Solidarity Kitchens Program requires participating Civil Society Organizations (CSOs) to account for the subsidies received from the federal government via the MDS. This requirement was recently regulated by Normative Instruction No. 59/SESAN/MDS, dated May 20, 2025, which establishes procedures to verify meal provision. The regulation mandates that Solidarity Kitchens, with the support of managing entities, submit various forms of documentation—such as geotagged photos, videos, daily logs, menus, invoices, and narratives—to populate monthly reports on a government platform²⁷. However, these stringent documentation requirements contrast with the reality faced by many of these kitchens, potentially compromising proper accountability.
In the city of São Paulo, Joint Ordinance No. 14/2024—issued by the Municipal Secretariat for Innovation and Technology (SMIT) and the Municipal Secretariat for Human Rights and Citizenship (SMDHC)—aims to provide free Wi-Fi for Food and Nutritional Security (FNS) programs run by the municipality\'s Executive Secretariat for Food and Nutritional Security and Supply; this serves as an example of the public sector\'s attention to this issue²⁸.
Another example of an initiative strengthening public policy to ensure connectivity and digital inclusion aligned with FNS is the Technical Cooperation Agreement between the MDA, the Ministry of Communications (MCom), the National Telecommunications Agency (Anatel), and the National Institute for Colonization and Agrarian Reform (Incra), which aims to provide mobile and internet signals in rural areas²⁹. Given the diverse characteristics of Brazilian municipalities and states,
an assessment of each territory is necessary for the implementation of these actions, taking into account the heterogeneity of realities across Brazil.
The lack of refrigerators suggests the precarious state of many kitchens and indicates that the quality of the meals may be compromised due to sanitary risks. As stipulated in Law No. 14.628/2023, the preparation and provision of food under the Solidarity Kitchen Program (*Programa Cozinha Solidária*) must take place in spaces that meet hygienic-sanitary standards and comply with the criteria set by the competent regulatory authorities²⁰. Another point worth highlighting regarding the lack of refrigerators is the potential impact on productivity—specifically, the kitchens\' capacity to produce meals A lack of refrigeration equipment can hinder proper storage and meal planning. This aligns with data on the number of people served by region: although the Northeast region has the highest number of Solidarity Kitchens (33.8%), this does not translate into the highest number of beneficiaries served. Solidarity Kitchens in the Southeast region—which boasts the best indicators for IT infrastructure and refrigeration equipment—serve the largest number of users (48.2%).
Beyond these points, it was not possible to assess whether the refrigerators reported in these kitchens actually meet local demand; this was due to limitations in the survey question used for the *Registration Form for Solidarity, Popular, and Community Kitchens*, which did not account for the quantity or capacity of the refrigeration units. Thus, while some kitchens reported having such equipment, there is no guarantee that it is enough to meet the demands of those social technologies.
In addition to findings regarding physical infrastructure, it was noted that only 8.7% of the Solidarity Kitchens reported receiving food from the PAA (Food Acquisition Program). PAA is a program distinguished by the direct purchase of healthy food from family farms, bypassing the need for public bidding processes. The food purchased through this program can be distributed via social assistance networks, public school
systems, and public food and nutritional security (FNS) facilities; it is intended for individuals experiencing food insecurity, serving as a tool to promote access to adequate and healthy food³⁰. These results highlight an opportunity to expand this program—which was relaunched during the same legislative term that established the Solidarity Kitchen Program—thereby supplying a greater number of kitchens with quality food, in accordance with the 3rd National Food and Nutritional Security Plan³¹.
Supplying food to government nutrition programs boosts the income of family farmers, particularly those with lower incomes³². It also enhances the potential to strengthen short supply chains, foster job creation, and drive local economic development. Furthermore, expanding the program helps to increase access to quality food, thereby reducing food insecurity and upholding the Human Right to Adequate Food (HRAF)³³. Consequently, public incentives to supply PAA food to Solidarity Kitchens can strengthen their role—not merely in combating hunger, but also as a gateway to food and nutritional security.
Grassroots initiatives involving community or collective kitchens have been documented in the literature since the 1980s, particularly in Andean countries and Spain³⁴. In Canada, a study by Tarasuk and Reynolds demonstrated the growth of such facilities during the 1990s; much like in other regions, funding and infrastructure challenges were present³⁵.
Mapping of Community Kitchens (CS), based on the Social Vulnerability Index (IVS), reveals that a large proportion are located in state capitals and nearby urban areas, whereas territories with higher social vulnerability show low coverage, highlighting the need to expand those initiatives to underserved regions. The maps analyzed demonstrate that the distribution of CSs predominantly follows patterns of urbanization and economic development rather than social vulnerability.
This configuration exacerbates existing territorial inequalities in the country. CSs in capitals and metropolitan regions play a vital role in serving a significant portion of the population facing food insecurity, particularly the homeless. Public authorities must also ensure the establishment and continued operation of Food and Nutritional Security (FNS) facilities in rural areas and inland municipalities where social vulnerability indices are higher.
The association analysis reinforces this interpretation: the negative regional correlation (ρ = -0.4743) suggests a misalignment between average vulnerability and aggregate CS density, while the weak association at the state level (r = -0.0884) indicates a complex relationship likely mediated by factors such as urban centrality, local institutional capacity, social movement networks, logistics, and funding or support patterns. These findings indicate that expanding CS facilities into areas of higher vulnerability requires place-based strategies and cannot be determined solely by aggregate linear trends.
The discrepancies observed in the boxplots and confirmed by statistical testing suggest that the central tendencies and variability in the number of CS facilities are influenced by factors specific to each group of municipalities. Strong statistical evidence against the hypothesis of equal distributions points to a real and significant divergence, which may reflect structural inequalities, public policy differences, or distinct demands between state capitals and interior cities. These results underscore the need for analyses that incorporate local and regional elements—particularly socioeconomic and institutional factors, but also cultural ones—that influence the implementation and operation of CSs across different territorial contexts.
Territory is not merely a delimited physical space; rather, it must be understood as a historical and social construct permeated by power relations and inequality, as proposed by Santos³⁶. From this perspective, territories rendered vulnerable do not simply reflect
a concentration of statistical poverty indicators; instead, they result from political, social, and economic processes that generate inequalities in accessing rights.
CONCLUSION
This analysis revealed that there are few, if any, Solidarity Kitchens (CS) in municipalities that are highly or very highly vulnerable, with greater concentration of these units in state capitals or nearby areas. Inadequate infrastructure—particularly the lack of refrigeration equipment and limited IT infrastructure—directly impacts production capacity and the quality of the meals provided. Furthermore, the low level of CS participation in the Food Acquisition Program (PAA) highlights the need to expand this support, thereby strengthening small-scale farmers and ensuring greater access to quality food. The findings of this research can assist the Brazilian State in proposing concrete recommendations and guidelines for each territory, contributing to the development of regulatory frameworks and helping public authorities organize and structure the Solidarity Kitchen Program through regulations, as stipulated in Article 20 of Law No. 14.628 of July 20, 2023. The study demonstrated that Solidarity Kitchens represent an opportunity to model solidarity-based practices. From this perspective, the transition from an emergency measure to a structural policy is not merely a possibility but constitutes an action model with the potential to boost this food supply strategy. Viewing Solidarity Kitchens as a gateway to Food and Nutritional Security reveals the potential of these facilities—not only in vulnerable territories but also as a social technology to promote healthy eating for everyone.
Acknowledgements
The authors of this study would like to thank the Ministry of Social Development and Assistance, Family and the Fight Against Hunger (MDS) and the Ministry of Agrarian
Development (MDA) for their institutional support; the Center for Artificial Intelligence (C4AI-USP); and the São Paulo Research Foundation (FAPESP) and CAPES for their support. This study was financed in part by the Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Finance Code 001
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Como
Citar
Iamamoto, MO, Tokuda, EK, Villar, BS, Chaves, D, Delbem, ACBD, Domene, S. M. A., Teixeira, AR. Cozinhas Solidárias nas regiões brasileiras: porta de entrada para Segurança Alimentar em territórios vulnerabilizados. Cien Saude Colet [periódico na internet] (2026/jun). [Citado em 14/08/2026].
Está disponível em: http://cienciaesaudecoletiva.com.br/artigos/cozinhas-solidarias-nas-regioes-brasileiras-porta-de-entrada-para-seguranca-alimentar-em-territorios-vulnerabilizados/20036