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Artigos

0040/2026 - Diferenças regionais em marcadores de alimentação saudável entre adultos mais velhos brasileiros: ELSI-Brasil
Regional differences in healthy eating markers among older Brazilian adults: ELSI-Brazil

Autor:

• Nair Tavares Milhem Ygnatios - Ygnatios, NTM - <nairygnatios@yahoo.com.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-8862-1930

Coautor(es):

• Amanda Cristina de Souza Andrade - Andrade, ACS - <csouza.amanda@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-3366-4423

• Juliana Lustosa Torres - Torres, JL - <jlt.fisioufmg@hotmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-3687-897X

• Bruna Gonçalves Santana Burrini - Burrini, BGS - <brunaburrini@outlook.com>
ORCID: https://orcid.org/0009-0008-0349-3628

• Núbia Carelli Pereira de Avelar - Avelar, NCP - <nubia.carelli@ufsc.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-4212-4039

• Ana Lúcia Danielewicz - Danielewicz, AL - <ana.lucia.d@ufsc.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-1563-0470

• Luciana de Souza Braga - Braga, LS - <lucianaszbraga@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-4499-6316

• Maria Fernanda Lima-Costa - Lima-Costa, MF - <lima.costa@fiocruz.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-3474-2980

• Bruno de Souza Moreira - Moreira, BS - <brunosouzamoreira@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0001-8840-4496



Resumo:

O estudo analisou disparidades regionais em marcadores de alimentação saudável entre brasileiros com ?50 anos, com base na 2ª onda do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil, 2019-21). A exposição foi a macrorregião geográfica e os desfechos incluíram: consumo regular de feijões (?5 dias/semana), consumo regular de frutas e hortaliças (?5 dias/semana), consumo regular de peixes (?1 dia/semana) e consumo recomendado de carnes vermelhas (?3 dias/semana). Utilizou-se regressão de Poisson ajustada por características sociodemográficas. O consumo de feijões foi de 74,4%; de frutas e hortaliças, 84,1%; de peixes, 49,3%; e o de carnes vermelhas dentro da recomendação, 64,2%. Em comparação ao Sudeste, o consumo de feijões foi menor no Norte (RP=0,48; IC95%=0,33-0,68), Nordeste (RP=0,90; IC95%=0,83-0,98) e Sul (RP=0,79; IC95%=0,64-0,97). O Norte apresentou menor consumo de frutas e hortaliças (RP=0,77; IC95%=0,64-0,94). O consumo de peixes foi maior no Norte (RP=2,45; IC95%=1,99-3,00) e Nordeste (RP=1,71; IC95%=1,36-2,15), e menor no Sul (RP=0,75; IC95%=0,59-0,95). O Centro-Oeste apresentou menor consumo recomendado de carnes vermelhas (RP=0,62; IC95%=0,53-0,73). Os achados destacam disparidades regionais em marcadores de alimentação que devem ser consideradas em políticas de alimentação saudável.

Palavras-chave:

consumo alimentar; frutas; idosos.

Abstract:

This study analyzed regional disparities in healthy eating markers among Brazilians aged ≥50 years, based on the second wave of the Brazilian Longitudinal Study of Aging (ELSI-Brazil, 2019-21). The exposure was the geographic macroregion, and the outcomes included: regular bean consumption (≥5 days/week), regular fruit and vegetable consumption (≥5 days/week), regular fish consumption (≥1 day/week), and recommended red meat consumption (≤3 days/week). Poisson regression was used, adjusted for sociodemographic characteristics. The consumption of beans was 74.4%; of fruits and vegetables, 84.1%; of fish, 49.3%; and of red meat within the recommendation, 64.2%. Compared to the Southeast, bean consumption was lower in the North (RP=0.48; 95%CI=0.33-0.68), Northeast (RP=0.90; 95%CI=0.83-0.98), and South (RP=0.79; 95%CI=0.64-0.97). The North had lower consumption of fruits and vegetables (PR=0.77; 95%CI=0.64-0.94). Fish consumption was higher in the North (PR=2.45; 95%CI=1.99-3.00) and Northeast (PR=1.71; 95%CI=1.36-2.15), and lower in the South (PR=0.75; 95%CI=0.59-0.95). The Central-West had lower recommended consumption of red meat (PR=0.62; 95%CI=0.53-0.73). The findings highlight regional disparities in dietary markers that should be taken into account in healthy eating policies.

Keywords:

food consumption; fruits; aged.

Conteúdo:

Introdução

A Organização Mundial da Saúde propôs uma iniciativa global, denominada a “Década do Envelhecimento Saudável”, ressaltando a alimentação como um dos pilares fundamentais para a prevenção de doenças crônicas não transmissíveis, a manutenção da capacidade funcional e a promoção da saúde no curso da vida 1. No Brasil, paralelamente às transições demográfica e epidemiológica, observa-se a transição nutricional, marcada por mudanças importantes nos padrões alimentares da população. Entre essas mudanças, destaca-se o aumento do consumo de produtos ultraprocessados e a redução da ingestão de alimentos in natura e minimamente processados 2, como feijões, frutas, hortaliças e peixes, reconhecidos como marcadores de uma dieta saudável 3. Tais alterações influenciam diretamente a saúde da população mais velha, tornando essencial a compreensão de fatores que podem influenciar os hábitos alimentares nesse segmento etário.

Estudos recentes baseados em dados do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil) têm evidenciado associações relevantes entre o consumo alimentar e diferentes dimensões da saúde de adultos mais velhos, incluindo a ocorrência de fragilidade 4 e o desempenho cognitivo 5, por exemplo. Essas evidências reforçam a importância de compreender como os padrões alimentares se distribuem no território e como refletem as desigualdades existentes. Em consonância com esse contexto, um estudo internacional comparativo aponta que, em relação à população idosa da Inglaterra, a população idosa do Brasil apresenta menor consumo diário de frutas e hortaliças 6. Esses achados reforçam a necessidade de políticas públicas que incentivem práticas alimentares mais saudáveis nesse grupo etário para a promoção de um envelhecimento saudável 6.

Embora estudo anterior tenha revelado que entre 2015-2016 e 2019-2021 o consumo de frutas (3 a 4 dias por semana) entre brasileiros mais velhos tenha aumentando, o consumo de hortaliças permaneceu estável no mesmo período 7. Além disso, são evidentes as disparidades no consumo alimentar de frutas e hortaliças entre as áreas urbanas e rurais do país: adultos mais velhos residentes em áreas rurais apresentaram menor consumo regular (cinco dias ou mais na semana) de frutas e hortaliças (74,6% vs. 86,4% nas áreas urbanas). Essas diferenças refletem não apenas o acesso desigual aos alimentos, mas também a influência de fatores culturais, socioeconômicos e geográficos nos hábitos alimentares da população adulta mais velha brasileira 8.

Inquéritos nacionais, como a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS, 2019), evidenciam diferenças regionais marcantes no consumo alimentar entre adultos com 18 anos ou mais. Entre as macrorregiões, a região Sul apresentou a maior prevalência de consumo regular de frutas e hortaliças e a menor de peixes, em contraste com a região Norte 3. Por sua vez, a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF, 2017-2019) refuta o argumento de que residir na região Norte ou em áreas litorâneas favorece a aquisição de pescados, destacando a importância de fatores relacionados à disponibilidade e ao acesso 9. Ainda segundo a PNS, a região Centro-Oeste apresentou a menor adequação de consumo recomendado de carne vermelha e a maior frequência de consumo regular de feijão 3. A POF corrobora esses achados para a população brasileira com 10 anos ou mais, indicando que o consumo de feijão é mais elevado na região Centro-Oeste (72,8%), enquanto nas demais regiões varia de 44,1% (Norte) a 64,9% (Sudeste) 10. Relatórios do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (VIGITEL), que incluem indivíduos com 18 anos ou mais, também mostram variações no consumo de feijões e de frutas e hortaliças entre as capitais brasileiras, refletindo a diversidade cultural e socioeconômica do país 11. Embora esses resultados sejam essenciais para monitorar os marcadores de alimentação saudável nas macrorregiões brasileiras, ainda existe uma lacuna na literatura acerca de informações específicas para diferentes recortes populacionais, como os adultos mais velhos.

Diante desse panorama, investigar as desigualdades no consumo de alimentos saudáveis entre adultos com 50 anos ou mais é essencial para o planejamento e aprimoramento de políticas públicas de alimentação e nutrição. O presente estudo teve como objetivo analisar disparidades regionais em marcadores de alimentação saudável, utilizando dados de um estudo nacionalmente representativo da população comunitária com 50 anos ou mais residente nas cinco macrorregiões brasileiras, o ELSI-Brasil. Ao empregar essa base de dados, que combina informações sociodemográficas e de saúde de adultos mais velhos, coletadas de forma padronizada em âmbito nacional, este estudo busca preencher uma lacuna importante na literatura, oferecendo evidências inéditas sobre a temática. Os achados podem subsidiar a formulação de estratégias regionais e intersetoriais voltadas à promoção de hábitos alimentares saudáveis nesse grupo etário, considerando as especificidades socioculturais e econômicas de cada macrorregião, valorizando a cultura alimentar local e assegurando a soberania alimentar e o Direito Humano à Alimentação Adequada e Saudável.

Métodos

Delineamento do estudo e questões éticas

Trata-se de um estudo transversal realizado com dados da segunda onda do ELSI-Brasil. A linha de base desta pesquisa foi conduzida entre 2015 e 2016, com a participação de 9.412 indivíduos. A segunda onda, realizada entre 2019 e 2021, incluiu os participantes entrevistados na primeira onda, acrescidos da reposição de perdas de seguimento e recusas, totalizando 9.949 indivíduos. Dos 9.412 participantes da linha de base, 6.172 foram reentrevistados, 2.270 foram perdidos no acompanhamento e 970 faleceram. Na segunda onda, 3.777 corresponderam a novos participantes 13. A amostra do ELSI-Brasil foi desenhada para ser representativa das áreas urbana e rural de municípios de pequeno, médio e grande porte do país. O processo amostral seguiu um desenho por estágios, combinando a estratificação de unidades primárias de amostragem (municípios) alocadas em quatro estratos, conforme o tamanho populacional, além da seleção de setores censitários e domicílios. Todos os moradores com 50 anos ou mais dos domicílios selecionados foram considerados elegíveis para o estudo. A reposição da amostra, que visa garantir a representatividade nacional da população do estudo, consistiu no recrutamento de residentes do domicílio previamente selecionado que tivessem completado 50 anos de idade entre as ondas, bem como na seleção de novos participantes no setor censitário correspondente. Mais detalhes sobre o ELSI-Brasil podem ser consultados em publicações anteriores 12,13 e na homepage da pesquisa (https://elsi.cpqrr.fiocruz.br/).

O ELSI-Brasil foi aprovado pelo Comitê de Ética da Fundação Oswaldo Cruz - Minas Gerais e o processo está cadastrado na Plataforma Brasil (CAAE: 34649814.3.0000.5091). Os participantes assinaram termos de consentimento livre e esclarecido separados para cada um dos procedimentos da pesquisa.

Macrorregiões geográficas brasileiras

A variável de exposição deste estudo foi a macrorregião brasileira, categorizada em Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste, conforme a divisão geográfica oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Marcadores de alimentação saudável

Os desfechos deste estudo foram quatro marcadores de alimentação saudável elaborados com base nas seguintes perguntas: “Em quantos dias da semana o(a) Sr(a) costuma comer feijão?”; “Em quantos dias da semana o(a) Sr(a) costuma comer frutas?”; “Em quantos dias da semana o(a) Sr(a) costuma comer verduras ou legumes, tais como couve, cenoura, chuchu, berinjela, abobrinha, alface e tomate (não inclui: batata, mandioca ou inhame)?”; “Em quantos dias da semana o(a) Sr(a) costuma comer peixes?”; e, “Em quantos dias da semana o(a) Sr(a) costuma comer carne vermelha (boi, porco e cabrito)?”.

Considerando critérios previamente estabelecidos 3, foram utilizados os seguintes indicadores: consumo regular de feijões (não; sim) e consumo regular de frutas e hortaliças (não; sim), ambos definidos como o consumo em 5 dias ou mais na semana 11; consumo regular de peixes (não; sim), definido como o consumo em pelo menos 1 dia na semana 14; e consumo recomendado de carnes vermelhas (não; sim), considerando o consumo deste grupo de alimentos no máximo 3 dias na semana. A construção deste último marcador baseou-se nas orientações do Guia Alimentar para a População Brasileira, que recomenda reduzir o consumo excessivo de carnes vermelhas 2.

Características sociodemográficas

As características sociodemográficas foram utilizadas como variáveis de ajuste e incluíram sexo (feminino; masculino), faixa etária (50-59 anos; 60-69 anos; 70-79 anos; ?80 anos), raça/cor da pele autorreferida (branca; preta; outras, incluindo parda, amarela e indígena), escolaridade em anos completos de estudo (?8; 9-11; ?12), renda mensal domiciliar per capita em tercis, dos mais pobres para os mais ricos (1° tercil; 2° tercil; 3° tercil) e área de residência (urbana; rural).

Análise estatística

Inicialmente, foram calculadas as prevalências das características sociodemográficas para amostra total e de acordo com as macrorregiões brasileiras, e as diferenças na distribuição foram avaliadas por meio do teste Qui-Quadrado de Pearson com correção de Rao-Scott. Em seguida, foram calculadas e representadas graficamente as prevalências dos marcadores de alimentação saudável para cada macrorregião. As diferenças regionais foram analisadas por meio de razão de prevalência (RP) com respectivo intervalo confiança de 95% (IC95%), estimados pela regressão de Poisson com variância robusta. Para cada marcador de alimentação saudável, foi construído um modelo ajustado pelas seguintes variáveis sociodemográficas: sexo, faixa etária, raça/cor da pele autorreferida, escolaridade, renda mensal domiciliar per capita e área de residência. A região Sudeste foi utilizada como categoria de referência nas análises. Todas as análises foram realizadas no software Stata/SE, versão 17.0 (https://www.stata.com), empregando o comando survey (svy) para considerar a complexidade do desenho amostral e o peso individual dos participantes do ELSI-Brasil. Adotou-se um nível de significância de 5% para a análise dos dados.

Resultados

Neste estudo, foram incluídos 9.949 participantes. A Tabela 1 mostra as características sociodemográficas no Brasil e segundo as macrorregiões geográficas. A maioria dos participantes era do sexo feminino (54,4%), tinha entre 50 e 59 anos (47,2%), autodeclarava-se de raça/cor da pele branca (46,4%), possuía escolaridade de até 8 anos de estudo (71,6%) e residia em área urbana (84,4%). Observou-se diferença estatisticamente significativa entre as macrorregiões nas variáveis raça/cor da pele autorreferida, renda mensal domiciliar per capita e área de residência.

A Figura 1 e a Tabela Suplementar 1 apresentam a prevalência dos marcadores de alimentação saudável no Brasil e nas diferentes macrorregiões. No Brasil, a prevalência do consumo regular de feijões foi de 74,4% (IC95% 69,9-78,4), de frutas e hortaliças foi de 84,1% (IC95% 81,2-86,6), e de peixes, 49,3% (IC95% 43,5-55,1). A prevalência de indivíduos com consumo de carnes vermelhas dentro da quantidade recomendada foi de 64,2% (IC95% 59,2-69,0). Em relação ao consumo regular de feijões, a prevalência variou de 38,1% na região Norte a 85,3% na região Centro-Oeste. O consumo regular de frutas e hortaliças foi menor na região Norte (67,5%) e semelhante nas regiões Sudeste (88,1%), Sul (87,8%) e Centro-Oeste (89,9%). Já o consumo regular de peixes variou de 29,4% na região Sul a 95,4% na região Norte. Por sua vez, a região Centro-Oeste apresentou a menor prevalência de consumo recomendado de carnes vermelhas (40,6%), enquanto a região Norte registrou a maior (78,6%).

A Tabela 2 exibe os resultados das RP dos marcadores de alimentação saudável de acordo com as macrorregiões brasileiras. Após ajustes, considerando a região Sudeste como referência, observou-se menor prevalência de consumo regular de feijões nas regiões Norte (RP=0,48; IC95%=0,33-0,68), Nordeste (RP=0,90; IC95%=0,83-0,98) e Sul (RP=0,79; IC95%=0,64-0,97). A região Norte também apresentou menor prevalência de consumo regular de frutas e hortaliças em comparação ao Sudeste (RP=0,77; IC95%=0,64-0,94). Em relação ao consumo regular de peixes, verificou-se menor prevalência na região Sul (RP=0,75; IC95%=0,59-0,95) e maior nas regiões Norte (RP=2,45; IC95%=1,99-3,00) e Nordeste (RP=1,71; IC95%=1,36-2,15), em comparação ao Sudeste. Para carnes vermelhas, a região Centro-Oeste apresentou menor prevalência de consumo dentro das recomendações nutricionais em relação ao Sudeste (RP=0,62; IC95%=0,53-0,73).

Discussão

Este estudo identificou disparidades importantes em marcadores de alimentação saudável entre as macrorregiões geográficas do Brasil em adultos mais velhos. Os resultados dos modelos ajustados mostraram que, em comparação com o Sudeste, o Norte apresentou piores indicadores para o consumo regular de feijões e de frutas e hortaliças. O Nordeste, por sua vez, registrou um consumo regular de feijões significativamente inferior ao do Sudeste. A região Sul se destacou negativamente tanto no consumo regular de feijões quanto no de peixes, enquanto o Centro-Oeste apresentou menor adesão à recomendação de consumo de carnes vermelhas. Por outro lado, as regiões Norte e Nordeste exibiram maior consumo regular de peixes em relação ao Sudeste.

Essas disparidades regionais estão alinhadas com os achados de inquéritos nacionais anteriores conduzidos em adolescentes, adultos e idosos, como a PNS e a POF, que também evidenciaram importantes diferenças nos padrões alimentares entre as macrorregiões do país 3,9,10. O Brasil, com suas dimensões continentais, ampla biodiversidade e grande disponibilidade de alimentos in natura (muitos deles específicos de determinadas regiões), possui uma base alimentar rica. No entanto, essa diversidade nem sempre se reflete nos hábitos alimentares da população, especialmente diante das transformações socioculturais e econômicas vivenciadas nas últimas décadas 15. Ciente desse desafio, o Ministério da Saúde tem desenvolvido importantes estratégias para orientar e incentivar práticas alimentares mais saudáveis. Destaca-se, nesse contexto, o Guia Alimentar para a População Brasileira 2, reconhecido internacionalmente, e a publicação Alimentos Regionais Brasileiros 16, que busca valorizar os alimentos locais e orientar sua utilização em preparações culinárias típicas, contribuindo para o resgate e o fortalecimento da cultura alimentar regional.

Observou-se, no presente estudo, que as regiões Norte, Nordeste e Sul registraram menor consumo regular de feijões quando comparadas ao Sudeste. Esse alimento é um dos pilares da alimentação tradicional brasileira, amplamente utilizado em diversas preparações culinárias em todo o país. Por outro lado, dados da PNS e da POF indicam que a região Centro-Oeste se destaca pelo maior consumo desse alimento 3,10, o que pode refletir uma maior valorização da culinária regional. Informações do VIGITEL indicaram uma tendência de redução na frequência de adultos (?18 anos) que referem consumir feijões regularmente, observada em todas as faixas etárias 17. Esse declínio pode estar associado à crescente substituição das principais refeições por lanches, bem como ao aumento do consumo de alimentos ultraprocessados, que vêm contribuindo para a descaracterização dos padrões alimentares tradicionais no Brasil 15. Ademais, a redução no consumo de feijões pode agravar situações de insegurança alimentar e aumentar o risco de deficiências nutricionais, dada a importância desse alimento como fonte acessível de proteínas, fibras alimentares e micronutrientes essenciais, como vitaminas do complexo B, ferro, cálcio e zinco 2. Tais mudanças no perfil nutricional representam uma ameaça à saúde da população, especialmente entre os adultos mais velhos, por ser um grupo mais vulnerável em função das alterações fisiológicas inerentes ao processo de envelhecimento 18.

Estudo prévio evidenciou que adultos de meia-idade e pessoas idosas tendem a apresentar hábitos alimentares mais saudáveis em relação a adultos mais jovens, especialmente no que se refere ao maior consumo regular de frutas e hortaliças 19. Esse achado corrobora os resultados do presente estudo, que identificou elevada prevalência (acima de 85%) no consumo desses alimentos entre adultos mais velhos das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste. Tal comportamento alimentar pode ser explicado pelo fato de que pessoas mais velhas tendem a preservar hábitos tradicionais ou demonstram maior preocupação e cuidado com a saúde devido ao envelhecimento 19. Além disso, é possível que muitas pessoas idosas brasileiras tenham vivenciado a infância em um período anterior à transição nutricional, sendo, portanto, menos expostas à influência dos ultraprocessados. Isso teria contribuído para a manutenção de práticas alimentares mais saudáveis até os dias atuais 20.

Mesmo assim, os hábitos alimentares saudáveis dos adultos mais velhos vêm sendo ameaçados pelo sistema alimentar globalizado e pelas persistentes desigualdades socioeconômicas. Ainda há desafios significativos relacionados ao consumo adequado desses alimentos em diferentes regiões do país 3,9,10 e entre os grupos com menor nível socioeconômico21. Embora, neste estudo, a prevalência do consumo regular de frutas e hortaliças tenha sido elevada e se mantido relativamente estável entre os anos de 2015/2016 e 2019/2021 7, evidências anteriores indicam que tanto o consumo diário quanto o consumo recomendado (5 ou mais porções desses alimentos em 5 ou mais dias na semana) permanecem aquém das recomendações nutricionais, como apontado, respectivamente, em estudo internacional que comparou a população idosa brasileira com a inglesa 6 e em uma análise nacional com dados do ELSI-Brasil 22.

Além das disparidades regionais, também se observam importantes iniquidades entre áreas urbanas e rurais, sendo que adultos mais velhos residentes em áreas rurais apresentaram menor consumo regular de frutas e hortaliças em comparação àqueles que residem nas áreas urbanas 8. Como evidenciado neste estudo, a região Norte apresentou menor prevalência de consumo regular de furtas e hortaliças em comparação à região Sudeste. Em consonância com esse achado, dados da PNS-2013 identificou que pessoas idosas residentes na região Norte tinham menor probabilidade de adotar um padrão alimentar saudável, incluindo consumo adequado de furtas e hortaliças 23. Em 2019, as regiões Norte e Nordeste registraram renda domiciliar per capita inferior e piores indicadores sociais em relação às demais regiões do país 24, o que pode ajudar a explicar os resultados encontrados em nossa pesquisa. Essa hipótese é sustentada por evidências com dados da POF (2008-2009 e 2017-2018), as quais mostraram uma relação direta entre a renda e a quantidade e variedade de frutas e hortaliças adquiridas. Nesse estudo, os domicílios da região Norte apresentaram os menores índices de aquisição desses alimentos 25. Além do poder aquisito, fatores estruturais também devem ser reconhecidos como barreiras ao consumo de frutas e hortaliças. A logística de transporte é complexa devido às grandes distâncias entre os centros produtores e os consumidores finais, o que encarece os produtos in natura, limita o comércio local, reduz a variedade disponível e, consequentemente, dificulta o acesso cotidiano a esses alimentos 26. Essa combinação de fatores evidencia que as desigualdades regionais no consumo alimentar vão além da renda, refletindo limitações estruturais na disponibilidade e no acesso a uma alimentação saudável.

Nesse contexto, é essencial considerar o impacto dos preços dos alimentos in natura e minimamente processados como um dos principais determinantes do consumo alimentar. Entre 2019 e 2021, período de realização da segunda onda do ELSI-Brasil, o país enfrentou diversos desafios estruturais, políticos, econômicos e climáticos, como secas e geadas em regiões responsáveis por grande parte da produção agrícola nacional. Esses eventos afetaram diretamente os custos de produção, a oferta e, consequentemente, os preços desses alimentos para o consumidor final 27,28. Entre 2020 e 2021, os preços dos alimentos apresentaram flutuações significativas. Por exemplo, o preço médio do feijão carioca aumentou 16%, enquanto algumas hortaliças apresentaram elevações superiores a 50% 27. Outro fator relevante é a crescente competição por áreas de plantio. Terras anteriormente destinadas ao cultivo de alimentos como feijões, estão sendo substituídas pelo plantio de soja, cultura que tem alta rentabilidade e demanda no mercado internacional para a produção de biocombustíveis, ração animal e, principalmente, ingredientes industriais utilizados em alimentos ultraprocessados 28.

Essa dinâmica pode comprometer a diversidade, o acesso e a manutenção de uma alimentação alinhada às recomendações nutricionais, afetando de forma desproporcional os indivíduos mais vulneráveis, como pessoas idosas de baixa renda e residentes em áreas rurais. As decisões econômicas e agrárias, portanto, repercutem diretamente no padrão alimentar da população brasileira, criando barreiras à adoção de dietas saudáveis e culturalmente adequadas. Essa conjuntura pode ter influenciado os resultados do presente estudo, especialmente quanto ao menor consumo regular de feijões nas regiões Norte, Nordeste e Sul, e de frutas e hortaliças na região Norte. Corroborando esse cenário, um estudo nacional estimou que, em 2019, mais de 62 mil mortes por doenças crônicas não transmissíveis no Brasil foram atribuídas às dietas pobres em frutas, hortaliças e grãos integrais, com as regiões Norte e Nordeste apresentando as maiores taxas de mortalidade 29.

Além dos aspectos já discutidos, o Fascículo 2 30 da série de protocolos sobre o uso do Guia Alimentar para a População Brasileira apresenta diretrizes específicas para alimentação da pessoa idosa, reforçando a recomendação do consumo regular de alimentos in natura e minimamente processados, com destaque para frutas, hortaliças e leguminosas, como os feijões, dado seu papel na prevenção de doenças crônicas não transmissíveis. Essa publicação nacional reforça a relevância dos nossos achados e oferece respaldo técnico-científico para a formulação de políticas públicas de alimentação e nutrição mais sensíveis às particularidades etárias e regionais da população brasileira.

No que se refere ao consumo regular de peixes, em comparação ao Sudeste, a região Sul apresentou menor consumo, enquanto as regiões Nordeste e Norte registraram consumo mais elevado. Esse padrão é coerente com a disponibilidade local, uma vez que o pescado integra os hábitos alimentares tradicionais das regiões Nordeste e Norte, conforme apontado pela PNS e pela POF 3,9. Apesar disso, o acesso econômico ao pescado ainda representa uma barreira para o consumo regular, mesmo em regiões litorâneas. Dessa forma, políticas públicas voltadas ao incentivo da produção aquícola (sobretudo de forma sustentável), à concessão de subsídios para as cadeias locais de produção e distribuição, à ampliação da oferta e à redução dos preços, podem contribuir significativamente para estimular o consumo desse tipo de alimento 9, especialmente considerando seu alto valor nutricional 2. Além disso, a inclusão regular de peixes na alimentação pode favorecer a redução do consumo excessivo de carnes vermelhas, em consonância com as diretrizes do Guia Alimentar para a População Brasileira 2, com vistas a prevenção de doenças crônicas não transmissíveis. Essa substituição pode ser benéfica devido ao menor teor de gorduras saturadas dos peixes e à presença significativa de ácidos graxos poli-insaturados, como o ômega-3.

Em nosso estudo, o Centro-Oeste apresentou menor adesão à recomendação de consumo de carnes vermelhas (?3 dias na semana) em comparação ao Sudeste. Esse resultado pode estar relacionado à forte atividade pecuarista da região, que contribui para um maior consumo desse tipo de alimento, conforme já reportado anteriormente 31. O consumo excessivo de carnes vermelhas também representa um desafio ao princípio da sustentabilidade ambiental 2, visto que esse alimento está associado a emissões significativas de gases de efeito estufa, poluição por nitrogênio e fósforo, perda de biodiversidade e uso intensivo de água doce de acordo com informações da Comissão EAT-Lancet. Essa comissão recomenda a redução substancial do consumo de alimentos de origem animal, incluindo nenhuma ou baixa quantidade de carnes vermelhas, como parte de uma dieta saudável e ambientalmente sustentável 32.

Este estudo apresenta importantes pontos fortes, entre os quais se destaca o uso de uma amostra nacionalmente representativa de adultos mais velhos brasileiros. Esse aspecto confere robustez e amplia o potencial de generalização dos achados, ao traçar, de forma pioneira, um panorama das diferenças em marcadores de alimentação saudável entre as macrorregiões geográficas do país. Adicionalmente, os ajustamentos dos modelos por características sociodemográficas contribuem para maior precisão na identificação das disparidades regionais. No entanto, algumas limitações devem ser consideradas. A principal refere-se à avaliação do consumo alimentar por meio de autorrelato, o que pode estar sujeito ao viés de desejabilidade social e a erros de recordação. Além disso, embora a frequência semanal de consumo de marcadores alimentares seja um indicador de padrão alimentar, ela não permite inferir a quantidade ou a qualidade nutricional específica dos alimentos consumidos. Essa limitação pode levar tanto à subestimação quanto à superestimação da adequação nutricional real das dietas regionais. Ainda assim, os instrumentos utilizados são amplamente reconhecidos na literatura científica e permitem comparações com outras pesquisas nacionais 33.

Por fim, os resultados reforçam a importância do fortalecimento das políticas de alimentação e nutrição voltadas aos adultos mais velhos brasileiros na prática cotidiana. Embora a Política Nacional de Alimentação e Nutrição 34 tenha avançado consideravelmente nos últimos anos e o Guia Alimentar para a População Brasileira 2 ofereça diretrizes oficiais e recomendações nacionais para uma alimentação adequada e saudável, as especificidades socioeconômicas e culturais das macrorregiões brasileiras devem ser consideradas na prática dos profissionais de saúde. Os nutricionistas, em especial, devem considerar em suas orientações e prescrições dietéticas os diferentes padrões regionais de consumo alimentar e as possíveis dificuldades enfrentadas nas localidades. Ainda, no presente estudo, não foi possível verificar se disparidades regionais em marcadores de alimentação saudável decorrem de barreiras no acesso, fatores econômicos ou de ambos. No entanto, compreender essas desigualdades pode contribuir para a implementação de medidas públicas mais eficazes ao contexto local na promoção do consumo adequado de alimentos in natura e minimamente processados, fortalecendo a atenção nutricional para a população adulta mais velha de todo o país.

Conclusão

Este estudo é pioneiro ao investigar, com base em dados nacionalmente representativos, as disparidades regionais no consumo de marcadores de alimentação saudável entre brasileiros com 50 anos ou mais. Em síntese, observou-se que as regiões Norte, Nordeste e Sul apresentaram menor consumo regular de feijões, e que o Norte também apresentou menor consumo de frutas e hortaliças em comparação ao Sudeste. Por outro lado, o consumo de peixes foi maior nas regiões Norte e Nordeste, mas menor no Sul, em relação ao Sudeste, enquanto o Centro-Oeste apresentou menor adesão à recomendação de consumo de carnes vermelhas.

Essas desigualdades devem ser levadas em consideração na formulação de políticas públicas de alimentação e nutrição mais equitativas e eficazes, que valorizem os alimentos in natura e minimamente processados, respeitando as especificidades regionais, conforme preconizado pelo Guia Alimentar para a População Brasileira. Além disso, a implementação de estratégias intersetoriais é fundamental para assegurar a segurança alimentar e nutricional, considerando os determinantes sociais e comerciais da saúde que influenciam os hábitos alimentares nesse grupo etário.

Agradecimentos

Os autores agradecem aos participantes e aos profissionais que colaboraram para a realização do ELSI-Brasil.

Financiamento

O ELSI-Brasil foi financiado pelo Ministério da Saúde: DECIT/SCTIE (Processos: 404965/2012-1 e TED 28/2017); COPID/DECIV/SAPS (Processos: 20836, 22566, 23700, 25560, 25552 e 27510).

Contribuição dos autores
NTMY, ACSA, MFLC e BSM conceberam o estudo, a análise e a interpretação dos dados. Todos os autores contribuíram para a redação do artigo, revisão crítica e aprovação da versão final.

Conflito de interesses
Os autores declararam que não existem conflitos de interesses.

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Ygnatios, NTM, Andrade, ACS, Torres, JL, Burrini, BGS, Avelar, NCP, Danielewicz, AL, Braga, LS, Lima-Costa, MF, Moreira, BS. Diferenças regionais em marcadores de alimentação saudável entre adultos mais velhos brasileiros: ELSI-Brasil. Cien Saude Colet [periódico na internet] (2026/fev). [Citado em 06/02/2026]. Está disponível em: http://cienciaesaudecoletiva.com.br/artigos/diferencas-regionais-em-marcadores-de-alimentacao-saudavel-entre-adultos-mais-velhos-brasileiros-elsibrasil/19938?id=19938&id=19938

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