0142/2026 - HUMANIDADES NA SAÚDE COLETIVA: (RE)POSICIONANDO A LINGUÍSTICA E A HISTÓRIA A PARTIR DA ANÁLISE DE DISCURSO MATERIALISTA
Humanities in Public Health: (re)positioning Linguistics and History through a Materialist Discourse Analysis
Autor:
• Carolina Vianna Dantas - Dantas, CV - <carolina.dantas@fiocruz.br>ORCID: https://orcid.org/0000-0001-8964-8900
Coautor(es):
• Viviane dos Ramos Soares - Soares, VR - <viviane.soares@fiocruz.br>ORCID: https://orcid.org/0000-0002-7138-297X
Resumo:
Este artigo tem como objeto os modos de incorporação da Linguística e da História no campo da Saúde Coletiva. O objetivo é analisar criticamente essas apropriações e propor seu reposicionamento como dimensões constitutivas da produção de sentidos, práticas e políticas em saúde. Metodologicamente, realiza-se uma revisão bibliográfica crítica e não exaustiva de diagnósticos autorreflexivos da área, articulada a uma análise qualitativa orientada pela Análise de Discurso Materialista e pela História Social. O referencial teórico fundamenta-se em Michel Pêcheux, Eni Orlandi, E. P. Thompson, bell hooks e Edgar Morin. Os resultados indicam que a Linguística e a História têm sido frequentemente mobilizadas de forma superficial ou instrumental, reduzidas à comunicação ou à contextualização introdutória ou ilustrativa, o que limita a compreensão da produção discursiva e histórica das iniquidades em saúde. Conclui-se que a articulação entre Análise de Discurso Materialista e História Social permite desnaturalizar categorias, práticas e políticas de saúde. Propõe-se, assim, a noção de entrelugares teóricos como dispositivo analítico para fortalecer o diálogo crítico entre Humanidades e Saúde Coletiva.Palavras-chave:
Saúde Pública; Ciências Humanas; Linguística; História; Discurso.Abstract:
This article examines the modes through which Linguistics and History have been incorporated into the field of Collective Health. Its objective is to critically analyze these appropriations and to propose their repositioning as constitutive dimensions of the production of meanings, practices, and health policies. Methodologically, the study conducts a critical, non-exhaustive bibliographic review of self-reflexive diagnoses of the field, articulated with a qualitative analysis informed by Materialist Discourse Analysis and Social History. The theoretical framework draws on Michel Pêcheux, Eni Orlandi, E. P. Thompson, bell hooks, and Edgar Morin. The results indicate that Linguistics and History have often been mobilized in superficial or instrumental ways, reduced to communication or to introductory and illustrative contextualization, which limits the understanding of the discursive and historical production of health inequities. It is concluded that the articulation between Materialist Discourse Analysis and Social History enables the denaturalization of categories, practices, and policies in health. Accordingly, the notion of theoretical in-between spaces is proposed as an analytical device to strengthen critical dialogue between the Humanities and Collective Health.Keywords:
Public Health; Human Sciences; Linguistics; History; Discourse.Conteúdo:
A Saúde Coletiva organiza-se historicamente em torno de três subáreas — Epidemiologia, Política/Planejamento/Gestão e Ciências Sociais e Humanas em Saúde (CSHS). Sua formação não decorre de uma integração epistemológica prévia, mas de um movimento político vinculado à redemocratização, à Reforma Sanitária e à criação do Sistema Único de Saúde (SUS). Essa origem política, institucional e intelectual produziu um campo no qual múltiplos saberes convivem e disputam legitimidade, sem necessariamente se conciliarem.
As CSHS emergiram como espaço plural, inicialmente influenciado pelo materialismo histórico-dialético e pela Ciência Política1, ampliando posteriormente suas referências teóricas2,3, com predominância de uma orientação socioantropológica. Esse pluralismo, porém, não se distribui de forma homogênea, expressando-se em tensões na produção científica e na institucionalização do campo.
Este artigo analisa os modos de incorporação da Linguística e da História na Saúde Coletiva a partir da Análise de Discurso Materialista (ADM) e da História Social, propondo seu (re)posicionamento como dimensões constitutivas da produção de sentidos, práticas e políticas em saúde. Problematizamos os usos correntes das noções de discurso e contexto e sustentamos a noção de entrelugares teóricos como dispositivo analítico para articular Linguística, História e Saúde Coletiva, explorando tensões epistemológicas como condição produtiva da interdisciplinaridade e da crítica à (re)produção de iniquidades.
MÉTODO
Realizou-se revisão bibliográfica crítica, qualitativa e não exaustiva, voltada à identificação de regularidades, disputas epistemológicas, ausências analíticas e formações discursivas que estruturam o campo da Saúde Coletiva. A pergunta norteadora foi: “Quais linhas de força atravessam os diagnósticos produzidos pela própria área sobre a incorporação das Ciências Sociais e Humanidades, e como Linguística e História são tratadas nesses balanços?”, tendo sido tomados como base os termos “Ciências Sociais” OR “Humanidades” AND “Saúde Coletiva” AND “conhecimento”.
A busca, realizada na base SciELO em setembro de 2025 em periódicos de referência, como Physis, Interface, Ciência e Saúde Coletiva, Cadernos de Saúde Pública, Saúde e Sociedade e Saúde em Debate, incluiu artigos com balanços históricos, reflexões epistemológicas e análises críticas. Foram excluídos estudos empíricos sem reflexão sobre o campo. O corpus final foi composto por 18 artigos, além do capítulo de Lima e Carvalho5, incorporado pela centralidade de sua crítica aos usos da História na Saúde Coletiva.
A análise consistiu em leitura qualitativa aprofundada e crítica interna dos textos6, a partir da qual foi possível apreender pontos de vista, argumentos e tendências discursivas do campo, bem como modos de enunciação da presença e apropriação das Humanidades na Saúde Coletiva. Essa leitura foi ancorada nos pressupostos teórico-metodológicos da ADM e da História Social, o que possibilitou enxergar a Saúde Coletiva como formação histórico-discursiva atravessada por disputas por legitimidade e hierarquizações de saberes.
Esse percurso metodológico foi escolhido por sua adequação a análises de natureza epistemológica e crítica, cujo interesse reside menos na generalização empírica e mais na identificação e análise dos modos de produção de sentidos e hierarquias no interior da área.
A revisão evidenciou algumas recorrências: hegemonia crescente da Epidemiologia; presença restrita das Humanidades, especialmente Linguística e História; instrumentalização de métodos qualitativos; e escassez de análises discursivas e históricas robustas. É nesse horizonte que situamos a hipótese central: Linguística e História seguem frequentemente mobilizadas sob formas de invisibilização, essencialização ou instrumentalização.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Esta seção organiza-se em quatro eixos articulados: (1) a constituição da Saúde Coletiva no Brasil como campo específico de conhecimento, destacando o lugar ocupado pelas Humanidades nesse processo; (2) problematização do uso comunicacional da linguagem e reinscrição do discurso como efeito de sentidos nos processos de saúde; (3) problematização do uso do contexto como pano de fundo e reinscrição da historicidade como dimensão constitutiva dos processos de saúde; (4) proposição da categoria entrelugares teóricos como dispositivo analítico para articulação entre Linguística, História e Saúde Coletiva.
A SAÚDE COLETIVA COMO CAMPO DISCURSIVO E HISTÓRICO
Os estudos revisados reconhecem a interdisciplinaridade como traço constitutivo da Saúde Coletiva, acompanhada de tensões quanto às fronteiras disciplinares7,8. As CSHS são apontadas como núcleo teórico do campo capaz de sustentar a Saúde Coletiva como projeto político e epistemológico, entretanto enfrentam desigualdades de financiamento e avaliação decorrentes de sua inscrição na grande área das Ciências da Saúde, submetendo as Humanidades a critérios biomédicos. Observa-se hegemonia ampliada da Epidemiologia e de seus modos de produção de evidência9,10, fragilidade teórico-metodológica em parte das pesquisas qualitativas e coexistência de investigações comprometidas com problemas sociais contemporâneos11,12,13,14,15.
A discussão sobre interdisciplinaridade permanece concentrada nas Ciências Sociais, sobretudo Sociologia e Antropologia, enquanto outras Humanidades – que formalmente englobam História, Linguística, Filosofia, Geografia, Educação, Artes, entre outras – aparecem de forma homogeneizada, com apagamento de suas especificidades teóricas e metodológicas16, reforçando sua menor visibilidade frente às subáreas mais aplicadas e a tensão sobre o reconhecimento institucional, político e científico de sua relevância8. A Saúde Coletiva configura-se, assim, como campo irredutível a um paradigma único8,17, atravessado por transformações contemporâneas que intensificam sua complexidade tais como saúde única, crise ambiental e climática, tecnologias digitais e Inteligência Artificial (IA), relações raciais e de gênero, subjetividades, entre outras.
Nesse contexto, interdisciplinaridade não implica fusão ou apagamento de diferenças, mas reconhecimento de tensões, riscos de apropriações superficiais e circulação de jargões esvaziados16,18. Pensar a Saúde Coletiva desde a Linguística e a História implica recusar sua subordinação às ciências aplicadas e assumir gestos interpretativos capazes de desestabilizar hierarquias e estruturas de dominação – raciais, de classe, patriarcais ou acadêmicas19.
Assim, a crítica de Edgar Morin à fragmentação disciplinar e à hiperespecialização científica é particularmente relevante. Desde a constituição da Ciência Moderna, o conhecimento desenvolveu-se pela disjunção e pela hiperespecialização, separando domínios antes articulados. Embora esse processo tenha produzido avanços importantes, gerou também uma “miopia” epistemológica diante da complexidade do real20. Para Morin, lidar com essa complexidade exige um pensamento igualmente complexo.
Pensar a Saúde Coletiva, nessa direção, implica assumir a complexidade como “palavra-problema, não [como] palavra-solução”21 (p.8), reconhecendo fronteiras, tensões e diferenças disciplinares como condições do rigor teórico. Teoria e método operam de modo implicado16, e as Humanidades não podem ser reduzidas a função instrumental, mas compreendidas como espaços de produção de leitura, interpretação e deslocamento de sentidos22 capazes de enfrentar a divisão social de enunciação que hierarquiza quem — Ciências Médicas? Ciências Sociais? Humanidades? — pode dizer sobre determinados temas, com qual legitimidade, efeito de verdade e circulação social. Nesse quadro, Linguística e História participam da produção do “coletivo” na Saúde Coletiva ao interrogar categorias centrais — como determinantes, vulnerabilidade, racismo institucional, formação, universalização, inovação, linguagem simples, equidade, eficiência, risco, cuidado etc. — e ao contribuir para diagnósticos situados e para a formulação de políticas públicas.
Compreender a Saúde Coletiva como território de fronteira exige a construção de um entrelugar teórico entendido como ganho epistemológico. As indagações de Martin e Pereira16 sobre os limites da interdisciplinaridade reforçam a necessidade de repensar disciplinaridades, hierarquias e relações de poder, sem buscar sínteses conciliatórias, e de significar um entrelugar teórico específico:
Conseguiríamos manter o diálogo dentro das áreas clássicas da SC sem gerar novas fragmentações? Seria pertinente o diálogo com outras áreas do conhecimento? Estariam elas abertas ao diálogo? Porquanto, tais movimentos e aproximações evocariam repensar as disciplinas, as formas de colocar as hierarquias e as relações de poder. Que novas fronteiras seriam criadas e quais os seus limites? Por fim, o que consideraríamos como próprio da SC, que precisaria ser mantido, em uma possível abertura para outras áreas e disciplinas? 16 (p.10)
O desafio central da interdisciplinaridade nas CSHS, segundo Birman, reside na produção de “interseções e fronteiras”7 (p. 8) entre saberes distintos, e não em sua fusão.
É nesse sentido que se pergunta: o que podem a Linguística e a História na Saúde Coletiva? Desestabilizar categorias naturalizadas, compreender a opacidade dos sentidos e reinscrever as condições de produção dos discursos como dimensão analítica fundamental. O conceito de entrelugares teóricos — formulado em primeira aproximação em Soares23 — nomeia esse espaço de articulação, no qual Linguística, História e Saúde Coletiva se encontram sem instrumentalização, pela coprodução de problemas, categorias e leituras que tensionam e ampliam a agenda da Saúde.
LINGUAGEM E DISCURSO: UMA LEITURA MATERIALISTA
As Ciências da Linguagem, enquanto parte constitutiva das Ciências Humanas, estão presentes na Saúde Coletiva por meio da ampla mobilização da noção de discurso, frequentemente desvinculada de sua inscrição teórica na Linguística. Esse deslocamento reduz o discurso à comunicação ou à expressão de conteúdos, apagando as condições de produção históricas e ideológicas e, portanto, reduzindo densidade analítica ao tornar-se um rótulo vago, incapaz de explicar como os sentidos se produzem, circulam e se estabilizam historicamente.
Ao longo do século XX, a Linguística consolidou-se como campo autônomo, dedicando-se ao estudo sistemático da linguagem. O estruturalismo saussuriano inaugurou esse movimento ao privilegiar a descrição das relações internas do sistema linguístico. Abordagens posteriores, como o gerativismo, o funcionalismo e determinadas vertentes da sociolinguística, incorporaram elementos cognitivos e sociais, mas preservam, em grande medida, a ilusão de neutralidade científica e a separação entre língua, sujeito e história. Esse paradigma moderno – que dissocia conhecimento e ideologia – constitui o terreno epistemológico sobre o qual a ADM se insurgiu nos anos 1960.
Inscrita nos “interstícios disciplinares”24 (p. 7) do estruturalismo, do marxismo althusseriano e da psicanálise lacaniana, a obra de Michel Pêcheux emerge em um contexto de intensa efervescência política e teórica, marcado pela crítica ao positivismo, pela crise das Ciências Humanas e pelos movimentos de contestação social, como Maio de 1968. É nesse momento histórico que se gestam as condições para uma nova forma de pensar a linguagem.
Para Pêcheux, a língua não reflete a realidade social; é “a ideologia que fornece (...) evidências que fazem com que uma palavra ou enunciado ‘queiram dizer o que realmente dizem’ e que mascaram, assim, sob a ‘transparência da linguagem’, aquilo que chamaremos o caráter material do sentido das palavras e dos enunciados”25 (p. 146). A ideologia é compreendida como prática significativa por meio da qual o indivíduo é interpelado em sujeito para que o dizer seja produzido. O sentido, portanto, não é transparente, mas efeito. A ADM se afirma com uma ruptura frente ao modelo formalista-logicista ao introduzir a historicidade como dimensão constitutiva dos sentidos e do funcionamento linguístico, deslocando a análise para as condições históricas e discursivas de produção dos sentidos, em um terreno em que linguagem e história, sentido e luta ideológica são indissociáveis.
No Brasil, essas formulações são divulgadas, debatidas, ressignificadas e elaboradas por Eni Orlandi, cuja contribuição é decisiva ao destacar a leitura como prática atravessada pela ideologia e pela memória discursiva. A leitura é gesto — e não decodificação —, implicando confronto com o equívoco, o não-dito e a opacidade constitutiva do texto. Esse gesto teórico distancia a ADM de métodos empiricistas como a Análise de Conteúdo, que tomam o texto como dado e tratam sentidos como unidades mensuráveis. Como afirma Orlandi, “na AD se trabalha com os processos de constituição da linguagem e da ideologia e não com seus conteúdos”26 (p.30).
Na distinção entre dado e fato, Orlandi mostra que “(...) os dados não têm memória, são os fatos que nos conduzem à memória linguística. Nos fatos, temos a historicidade”27 (p. 115). Trabalhar com fatos de linguagem implica considerá-los em sua historicidade, como lugares de entrada na memória da linguagem e em seu modo de funcionamento. Na Saúde Coletiva, isso significa historicizar enunciados e compreender como sentidos sobre corpo, risco, cuidado ou adoecimento são produzidos, sustentados e disputados sob condições de produção específicas, participando da organização das práticas e políticas públicas.
A ADM permite compreender que os fatos não se narram sozinhos: são sempre narrados a partir de posições situadas, inscritas em condições políticas, sociais e econômicas e em disputas por hegemonia. Os sentidos, portanto, são sempre disputados. Ao conceber o discurso como efeito de sentido, atravessado pela ideologia e pela história, a ADM mostra que o sujeito é constituído — e não origem — do dizer. As posições-sujeito estruturam o que pode ser dito e o modo como se diz. Desse modo, o gesto teórico de Pêcheux reinscreve a linguagem no campo da história e da luta de classes, afirmando a ADM, desde os anos 1960/70, como teoria crítica da linguagem ao romper com o mito da neutralidade científica.
Uma tomada de posição a partir da ADM para ler as demandas contemporâneas da saúde parte da premissa de que não há produção científica fora da linguagem e da história. Isso implica considerar também as exigências do mercado de trabalho e das dinâmicas de produção e distribuição de riqueza, uma vez que “as ciências humanas, enquanto elemento social do ‘progresso científico e técnico’, estão de fato estreitamente dependentes da classe em proveito da qual se efetiva este progresso”28 (p. 194). O progresso científico, portanto, não é neutro nem universal, respondendo a interesses específicos e a contextos sociais determinados.
Reconhecer que as ciências não se desenvolvem em um vácuo é fundamental para compreender que os sujeitos interpelados pelas políticas de saúde não ocupam um lugar universal. Eles são atravessados por marcadores sociais, históricos e estruturais — especialmente raça e gênero — que produzem desigualdades no acesso, na experiência e nos resultados em saúde. No contexto neoliberal, o indivíduo é interpelado como gestor de sua própria saúde, mas essa exigência se distribui de forma desigual, ampliando distâncias entre expectativas de autogestão e condições materiais de vida. As políticas de saúde, assim, não produzem efeitos homogêneos.
Nesse cenário, (re)posicionar a Linguística e a História a partir da ADM permite deslocamentos nos modos de dizer e organizar a saúde. Embora a noção de discurso esteja presente na Saúde Coletiva29, frequentemente ela não opera como lente crítica30. A linguagem aparece como meio, conteúdo ou expressão transparente da realidade, sendo menos frequente sua consideração como prática social historicamente situada e ideologicamente atravessada. Muitas abordagens operam com uma noção restrita de discurso como opinião, crença ou conteúdo manifesto do dizer, o que limita a construção de entrelugares teóricos capazes de sustentar análises discursivas das práticas e políticas de saúde.
Do ponto de vista da ADM, entretanto, discurso não é opinião, mas efeito de sentidos determinado por formações discursivas inscritas na materialidade histórica e ideológica que constitui sujeitos e práticas sociais. Quando o discurso é reduzido à superfície verbal enquanto materialidade linguística imediatamente observável — “o que as pessoas dizem” — perde-se a possibilidade de compreender como instituições, saberes e políticas produzem e sustentam sentidos sociais, inclusive aqueles que operam silenciosamente nas desigualdades étnico-raciais, de classe, de gênero etc. Além disso, tratar discursos como opiniões individuais tende a psicologizar e moralizar a questão, reduzindo a ideologia a erro cognitivo e reforçando uma concepção comunicacional da linguagem. Essa perspectiva, amplamente disseminada na Saúde Coletiva, dificulta a entrada da ADM justamente porque neutraliza a dimensão estrutural da ideologia, reduzindo o trabalho político à mudança de atitudes, não à análise dos mecanismos discursivos que sustentam práticas institucionais e políticas públicas.
Outra limitação recorrente é a ausência de trabalho com as condições de produção. Como afirma Pêcheux, “é impossível analisar um discurso como um texto” fechado sobre si mesmo, sendo “necessário referi-lo ao conjunto de discursos possíveis a partir de um estado definido das condições de produção”31 (p. 78). Orlandi reforça que o texto, na perspectiva discursiva, não é unidade fechada, pois se relaciona com outros textos, com suas condições de produção e com sua exterioridade constitutiva, o interdiscurso27. Sem essa compreensão, a história permanece exterior ao discurso, e a linguagem perde sua condição de materialidade constitutiva das relações de poder e deixa de ser compreendida como trabalho simbólico resultado de uma produção histórico-social.
Compreender a saúde como objeto discursivo implica reconhecer que categorias epidemiológicas, clínicas e gerenciais são produtos discursivos; que sentidos como risco, adesão ou responsabilidade são historicamente construídos; e que políticas públicas operam por textualidades que produzem verdades e governamentalidades. A categoria da “responsabilidade individual pela saúde”, por exemplo, desloca desigualdades estruturais para o plano da conduta, produzindo culpabilizações e apagando determinações históricas e sociais — um funcionamento que a ADM permite desnaturalizar.
Do mesmo modo, a comunicação, central na Saúde Coletiva, não pode ser reduzida à transmissão eficaz de mensagens. Na perspectiva materialista, ela é prática discursiva atravessada por ideologias que condicionam o dizível, exigindo deslocamentos: da clareza para as condições de produção; da intenção do emissor para as formações discursivas; da competência comunicativa para a interpelação ideológica; do consenso para o conflito constitutivo. Esses deslocamentos possibilitam compreender como discursos de prevenção, adesão ou sensibilização podem reforçar desigualdades simbólicas.
Esse reposicionamento tem efeitos decisivos na formação em saúde, ao preparar profissionais capazes de historicizar saberes, analisar posições-sujeito e interrogar ideologias presentes nas práticas de cuidado e gestão. Em última instância, trata-se de compreender que a saúde não se reduz à ausência de doença, mas é produzida discursivamente nas relações históricas, políticas e materiais que estruturam a vida.
DO CONTEXTO À HISTORICIDADE: AS POSSIBILIDADES DA HISTÓRIA
A História constituiu um componente decisivo para a consolidação da Saúde Coletiva desde sua emergência no Brasil. Com a profissionalização de ambos os campos, estabeleceu-se uma interação produtiva, porém marcada por tensões epistemológicas32. Na década de 1990, Lima e Carvalho analisaram criticamente as tendências predominantes nos estudos históricos em Saúde Coletiva, sobretudo aqueles voltados às relações entre medicina, doenças, políticas de saúde e a constituição de um poder disciplinar na sociedade brasileira. As autoras — uma socióloga e outra historiadora — circunscreveram sua análise à produção do conhecimento nas Ciências Sociais e na História, problematizando os modos pelos quais a “reconstrução histórica” era mobilizada nesses estudos5 (p.133).
Identificaram, entre outros aspectos, a recorrência de relações mecânicas de causa-efeito entre um contexto geral — frequentemente o capitalismo, tomado como pano de fundo abstrato — e a saúde, produzindo análises teleológicas e imprecisas. Nessas abordagens, opunham-se genericamente “discursos hegemônicos” e “discursos alternativos”, sem que suas condições específicas de produção fossem examinadas. Estabeleciam-se, assim, vínculos diretos entre sistema econômico, “modelos de conhecimento científico e interesses de grupos e classes sociais”, sem qualificação de seus processos constitutivos e especificidades5 (p. 133). Como efeitos colaterais desse uso da História, as autoras apontaram a reificação de conceitos (como classe social), o baixo investimento na historicidade de noções naturalizadas (como cidade), o distanciamento da produção historiográfica consolidada, o uso de conceitos em exterioridade à realidade, o apagamento de conflitos e a simplificação de processos complexos.
Balanços mais recentes indicam a permanência dessas questões. Hochman32 observa que a História tem sido mobilizada na Saúde Coletiva tanto como conhecimento quanto como ferramenta política, fornecendo contexto, narrativas legitimadoras e lições do passado, especialmente em momentos de crise. Do ponto de vista epistemológico, ela oferece explicações sobre o presente; do político, ilumina disputas, interesses e relações de poder, além de sustentar a formulação de lições do passado, na vertente da “História mestra da vida”, com forte componente moral e exemplar.
Assim, ainda que tais usos reforcem a contingência e a complexidade — o que é um avanço significativo — permanece o desafio de consolidar a História como dimensão constitutiva (e não apenas contextual) do real/social no qual a Saúde Coletiva se inscreve.
Nesse campo, historicidade e contexto são frequentemente tomados como sinônimos, o que demanda uma distinção analítica. A historicidade refere-se à temporalidade constitutiva dos fenômenos: ideias, práticas, instituições e discursos são produzidos no tempo, disputados e ressignificados a cada presente e tensionados por sujeitos históricos, em oposição a concepções naturalizadas ou atemporais. Ela se relaciona, ainda, à consciência do tempo histórico, tanto dos sujeitos do passado quanto dos analistas do presente33,34. O contexto, por sua vez, é compreendido por nós como condição de inteligibilidade do histórico: a materialidade das condições sociais, culturais, políticas, históricas e linguísticas que tornam uma ação ou um discurso possível e interpretável em determinado tempo e espaço. O contexto é uma ferramenta por meio da qual se pode construir uma estrutura de sentido dentro da qual algo existe e adquire significado. Ao conferir materialidade à historicidade, o contexto funciona como o campo de possibilidades dos sujeitos históricos, deixando de ser um cenário fixo35.
Enquanto na História o contexto é entendido como espaço de produção da historicidade, na Saúde Coletiva ele é frequentemente mobilizado como pano de fundo ou mito de origem do presente. Nesse uso, a História tende a justificar o presente por meio de causalidades exteriores ao objeto em investigação, materializando-se em “partes históricas introdutórias” ou ilustrativas, que operam como cadeias causais lineares. O resultado, geralmente, são interpretações essencialistas, presentistas ou anacrônicas do passado, com efeitos reducionistas sobre o presente, em detrimento da imprevisibilidade, da contingência, dos conflitos, dos consensos e da agência humana36, conforme indicou E. P. Thompson.
Compreender algo historicamente implica apreender como fez sentido em seu próprio tempo e como continua produzindo sentidos no presente, e não um aglutinado de informações sobre um determinado tempo histórico. A contextualização, portanto, deve ser uma operação historiográfica sustentada por uma hipótese interpretativa, construída a partir da escolha do problema, da escala, das fontes e da perspectiva teórico-metodológica. Contextos não são descobertos, mas analiticamente construídos. Reduzir o contexto à descrição de um cenário impede que ele funcione como categoria crítico-analítica capaz de decifrar relações de poder, agências, rupturas, continuidades, resistências e linguagens que estruturam os processos de saúde.
A relevância dessa distinção torna-se evidente no debate sobre equidade racial em saúde. Um uso instrumental do contexto tende a tratar o racismo como fator de vulnerabilidade do presente, e não como estrutura histórica e escolha política específica de cada presente, sustentadas por uma ética do silêncio racial que deu forma ao Estado brasileiro37.
Assim, corre-se o risco de reiterar processos de desumanização e a ideia de que os negros são o problema38, inclusive quando se produzem estudos que buscam compreender e denunciar a violência racial replicando acriticamente gramáticas de violência racial39 e “cenas de sujeição”40.
Sem uma hipótese contextual interpretativa, ainda se corre o risco de invisibilizar formas específicas de adoecimento da população negra — como aquelas relacionadas à violência de Estado, à exclusão territorial, à ausência de saneamento, à crise climática — como questões de saúde. A simplificação do contexto pode transformar a desigualdade racial em “questão cultural” ou “comportamento individual”, tornando opacas as relações de poder, a branquitude e o racismo, que também estruturam o campo da saúde, reduzindo-se a equidade racial a uma questão de valorização da diversidade.
Nesses casos, o contexto funciona como cortina que engessa a materialidade do social. Logo, esse enquadramento instrumental favorece mais as políticas pontuais do que iniciativas de enfrentamento dos fundamentos estruturais, institucionais e epistemológicos do racismo.
Portanto, tratar o contexto como cenário, e não como estrutura de sentido, implica perda de rigor teórico e de potência crítica. Recolocá-lo como articulado ao trabalho discursivo — a história como condição de produção e a linguagem como materialidade constitutiva — abre a possibilidade de construção de entrelugares teóricos.
ENTRELUGARES TEÓRICOS: ARTICULAÇÕES CRÍTICAS ENTRE LINGUÍSTICA, HISTÓRIA E SAÚDE COLETIVA
A partir das discussões sobre linguagem, em seu funcionamento discursivo, como prática material e ideológica e sobre história como dimensão constitutiva da vida social, exploramos o que denominamos entrelugares teóricos entre Linguística, História e Saúde Coletiva. Esses entrelugares não correspondem a espaços neutros ou a sínteses harmônicas, mas a zonas de tensão e confronto, nas quais tradições teóricas distintas entram em relação, produzindo deslocamentos e fricções produtivas.
O conceito de entrelugar é mobilizado como dispositivo analítico para resistir à simplificação dos diálogos interdisciplinares. Diferentemente de perspectivas conciliatórias, assumimos que o encontro entre Linguística — a partir do deslocamento produzido pela ADM —, História Social e Saúde Coletiva é atravessado por conflitos que constituem, e não impedem, a produção de conhecimento. O desafio da interdisciplinaridade na Saúde Coletiva não reside na unificação de linguagens, mas no reconhecimento da irredutibilidade de objetos, categorias e métodos disciplinares.
Assim, a noção de entrelugar teórico rejeita tanto o hibridismo simplificador quanto a justaposição acrítica de saberes. Não se trata de buscar um “meio-termo”, mas de explorar zonas de contato em que sentidos se deslocam, categorias se reconfiguram e perguntas se transformam. A complexidade da Saúde Coletiva exige abertura ao dissenso, ao conflito epistemológico e ao trabalho com a heterogeneidade, especialmente diante da recorrente separação entre materialidade discursiva e materialidade social.
Da ADM, tomamos o discurso como efeito de sentidos historicamente determinado e ideologicamente constituído materializado na língua, mas irredutível à língua; da História Social, a experiência e as condições estruturais como dimensões constitutivas dos acontecimentos. Como mostra E. P. Thompson, incorporar a historicidade implica compreender como os sujeitos interpretam e expressam sua condição social por meio de práticas discursivas, nas quais cultura, linguagem e costumes operam como meios de produção e negociação de sentidos, valores, direitos, moralidades e projetos de poder41.
Quando ADM e História Social são postas em relação nesses termos, tornam-se visíveis princípios fundamentais: os sentidos são históricos; a história é discursiva; não há dizer fora da memória social; não há sentido sem interpretação; não há política sem práticas simbólicas. A história, nesse sentido, não constitui o pano de fundo do discurso, mas a condição de sua existência22. Essa perspectiva rompe com a separação entre material e simbólico, discurso e prática, ao compreender o social como totalidade histórica, conflitiva e experiencial, na qual sentidos e formas de resistência são produzidos e transformados41.
É nesse ponto que a Saúde Coletiva ocupa um espaço epistemológico privilegiado ao operar simultaneamente com práticas discursivas (leis, políticas, protocolos, campanhas, diretrizes, documentos técnicos etc.) e com dimensões históricas (desigualdades, conflitos sociais, formas de gestão da vida e disputas institucionais). O entrelugar entre ADM e História Social permite sustentar criticamente a análise da constituição histórica de conceitos em saúde, dos efeitos ideológicos de categorias epidemiológicas e gerenciais, das disputas políticas inscritas em discursos normativos, bem como dos silenciamentos estruturais relacionados a classe, raça, etnia, gênero, território.
A ADM, ao destacar a opacidade da linguagem e a interpelação ideológica, permite analisar como certos sentidos se estabilizam e como práticas da/na saúde produzem sujeitos (“usuário responsável”, “profissional competente”, “paciente aderente”, “gestor eficiente”). Já a História Social evidencia como esses sujeitos são produzidos em processos históricos complexos e contínuos, atravessados por desigualdades, instituições, dispositivos legais e relações de poder. A articulação entre ambas impede a naturalização desses efeitos, reinscrevendo-os em relações políticas concretas.
No interior da Saúde Coletiva, os entrelugares teóricos também permitem desnaturalizar tensões entre diferentes regimes de verdade. A Epidemiologia, ao operar com evidências numéricas, pode produzir efeitos de homogeneização, apagamento da experiência, objetificação de corpos, gramáticas de violência; as Ciências Sociais e Humanas enfatizam sentidos, subjetividades, práticas e conflitos. ADM e História Social permitem deslocar essa polarização ao demonstrar que estatísticas e narrativas são práticas discursivas historicamente situadas, ambas produtoras de realidade.
Além disso, esses entrelugares oferecem instrumentos para analisar políticas de saúde como acontecimentos discursivos: protocolos, indicadores, programas e slogans organizam a vida social, produzem efeitos de subjetivação e configuram formas de participação e reconhecimento de populações e territórios. Importa destacar que tais entrelugares não são espaços estáveis, mas se transformam conforme as condições históricas e discursivas.
Em síntese, o entrelugar teórico não constitui um espaço intermediário, mas um dispositivo analítico que possibilita dar a ver tensões epistemológicas, compreender a produção histórica dos sentidos, desestabilizar categorias técnicas, reinscrever desigualdades no campo das lutas sociais e ampliar o potencial crítico da Saúde Coletiva.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
As discussões desenvolvidas ao longo deste artigo apontam que a consolidação da Saúde Coletiva como campo científico, político e institucional não pode ser compreendida sem a presença das Humanidades. Contudo, essa presença nem sempre se efetiva plenamente, seja por apropriações instrumentalizadas, seja pela subordinação recorrente de saberes interpretativos às lógicas biomédicas e gerenciais. Ao retomar os modos pelos quais a Linguística e a História têm sido mobilizadas no campo, buscamos destacar simultaneamente suas potências analíticas e os processos de silenciamento que as atravessam.
A partir das contribuições da ADM e da História Social, argumentamos que linguagem e história não constituem dimensões externas aos fenômenos de saúde, mas condições constitutivas de sua produção: não há discurso sem história, nem história sem discurso. Esse deslocamento permite tensionar abordagens ainda representacionais presentes em usos qualitativos e históricos, reposicionando a Saúde Coletiva em uma perspectiva materialista da produção dos sentidos.
Tal reposicionamento permite ler discursivamente que categorias centrais do campo são produtos históricos e discursivos, e não descrições neutras da realidade. Políticas públicas, protocolos, diretrizes e práticas de cuidado configuram-se, assim, como textos e práticas discursivas que produzem sujeitos, legitimam posições e instituem modos de viver e governar a vida. Ao historicizar essas categorias, evita-se sua naturalização e reinscrevem-se as desigualdades raciais, territoriais, de classe e de gênero como dimensões estruturantes dos processos de saúde.
A História Social contribui ao afirmar que as experiências sociais do passado não são elementos lineares ou ilustrativos, mas constitutivos dos modos de organizar o cuidado, a gestão e a política. A ADM, por sua vez, interroga como tais experiências produzem sentidos, como os discursos os estabilizam ou deslocam e como a ideologia estrutura as evidências que sustentam determinadas interpretações. Nesse cruzamento, linguagem e história operam como dispositivos analítico-críticos para compreender a materialidade dos processos de saúde e das práticas sanitárias.
A defesa dos entrelugares teóricos não implica dissolver fronteiras disciplinares, mas reconhecê-las como condição da interdisciplinaridade. Como argumenta Morin21, a complexidade exige enfrentar tensões e contradições, e não neutralizá-las em nome de integrações artificiais. A interdisciplinaridade nas CSHS pode se realizar de fato quando aceita diferenças epistemológicas e reconhece o conflito e a crítica como motores da produção de conhecimento.
Compreender a articulação entre Linguística, História e Saúde Coletiva como entrelugar teórico significa assumir que o campo é atravessado por disputas e que os sentidos sobre saúde, doença, cuidado, corpo, vida e morte são produzidos nas interseções entre condições históricas, memórias sociais, práticas institucionais e lutas por legitimidade. Significa, ainda, situar a Saúde Coletiva como campo capaz de interrogar criticamente seus próprios fundamentos, evitando tanto o tecnicismo quanto o relativismo.
Em última instância, defender a centralidade das Humanidades — em particular da ADM e da História Social — reafirma o compromisso histórico da Saúde Coletiva com a transformação social, com o projeto do SUS e com a defesa da vida. Uma Saúde Coletiva discursivamente situada reconhece a opacidade dos sentidos, a historicidade dos conflitos e a ideologia como força constitutiva das práticas sanitárias, compreendendo o trabalho teórico não como acessório, mas como parte essencial da luta por políticas públicas democráticas, justas e transgressoras.
Declaração de Disponibilidade de Dados
As fontes dos dados utilizados na pesquisa estão indicadas no corpo do artigo.
Referências
1. Ianni AMZ. As Ciências Sociais e Humanas em Saúde na ABRASCO: a construção de um pensamento social em saúde. Cad Saude Publica 2014;30(11):2291-2302.
2. Luz MT. Complexidade do campo da Saúde Coletiva: multidisciplinaridade, interdisciplinaridade e transdisciplinaridade de saberes e práticas. Saude Soc 2009;18(2):304-311.
3. Osmo A, Schraiber LB. O campo da Saúde Coletiva no Brasil: definições e debates em sua constituição. Saude Soc 2015;24(Supl. 1):205-218.
4. Russo JA, Carrara SL. Sobre as ciências sociais na Saúde Coletiva: com especial referência à Antropologia. Physis 2015;25(2):467-484.
5. Lima NVT, Carvalho MAT. O argumento histórico nas análises de Saúde Coletiva. In: Fleury S, organizadora. Saúde Coletiva? Questionando a onipotência do social. Rio de Janeiro: Relume-Dumará; 1992.
6. Samara EM, Tupy ISST. História & documentos e metodologia da pesquisa. Belo Horizonte: Autêntica; 2007.
7. Birman J. Apresentação: a interdisciplinaridade na Saúde Coletiva. Physis 1996;6(1-2):7-12.
8. Paim JS, Almeida-Filho N. Saúde coletiva: teoria e prática. Rio de Janeiro: Medbook; 2014.
9. Loyola MA. A saga das Ciências Sociais na área da Saúde Coletiva: elementos para reflexão. Physis 2008;18(2):251-275.
10. Loyola MA. O lugar das ciências sociais na saúde coletiva. Saude Soc 2012;21(1):9-14.
11. Deslandes SF, Iriart JAB. Usos teórico-metodológicos das pesquisas na área de Ciências Sociais e Humanas em Saúde. Cad Saude Publica 2012;28(12):2380-2386.
12. Marsiglia RMG. Temas emergentes em ciências sociais e saúde pública/coletiva: a produção do conhecimento na sua interface. Saude Soc 2013;22(1):32-43.
13. Knauth DR, Leal AF. A expansão das Ciências Sociais na Saúde Coletiva: usos e abusos da pesquisa qualitativa. Interface (Botucatu) 2014;18(50):457-468.
14. Martin D, Montanari PM, Pereira PPG, Hamburger FG. As contribuições das Ciências Sociais e Humanas no campo da Saúde Coletiva: vinte anos da revista Interface – Comunicação, Saúde, Educação. Interface (Botucatu) 2018;22(66):1067-1080.
15. Canesqui AM. Temas e abordagens das ciências sociais e humanas em saúde na produção acadêmica de 1997 a 2007. Cien Saude Colet 2010;15(4):1955-1966.
16. Martin D, Pereira PPG. Repensar a Saúde Coletiva e o papel das Ciências Sociais e Humanas em Saúde. Interface (Botucatu) 2023;27:e220395.
17. Luz MT. Complexidade do campo da Saúde Coletiva: multidisciplinaridade, interdisciplinaridade e transdisciplinaridade de saberes e práticas. Saude Soc 2009;18(2):304-311.
18. Gomes MHA, Silveira C. Sobre o uso de métodos qualitativos em Saúde Coletiva, ou a falta que faz uma teoria. Rev Saude Publica 2012;46(1):160-165.
19. hooks b. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. São Paulo: WMF Martins Fontes; 2017.
20. Morin E. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez; 2018.
21. Morin E. Introdução ao pensamento complexo. Porto Alegre: Sulina; 2015.
22. Orlandi EP. Análise de discurso: princípios e procedimentos. Campinas: Pontes; 1999.
23. Soares VR. Habitar a língua, habitar a cidade: pela construção de um trabalho discursivo no ensino de língua portuguesa [tese]. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro; 2020.
24. Orlandi EP. Nota ao leitor. In: Pêcheux M. O discurso: estrutura ou acontecimento. Campinas: Pontes Editores; 2002. p.07-09.
25. Pêcheux M. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. Campinas: Unicamp; 2014.
26. Orlandi EP. Interpretação: autoria, leitura e efeitos do trabalho simbólico. Campinas: Pontes; 2020.
27. Orlandi EP. Texto e discurso. Organon 2012;9(23):111-188.
28. Pêcheux M. As Ciências Humanas e o “momento atual”. In: Orlandi EP, organizadora. Análise de Discurso: textos selecionados. Campinas: Unicamp; 2011.
29. Batistella CEC. A noção de discurso na pesquisa em saúde coletiva: de recurso metodológico à abordagem teórica. Trab Educ Saude 2020;18(2):e0026697.
30. Rolim ACA, Sancho KM, La-Rotta EI, Fernandez MRB, Figueiredo VCJ, Friestino JKO, Pfeiffer CRC, Corrêa CRS. Análise do discurso pecheutiana como referencial teórico e metodológico na saúde coletiva: revisão da literatura. Rev Psicol Divers Saude 2018;7(1):149-160.
31. Pêcheux M. Análise automática do discurso (AAD-69). In: Gadet F, Hak T, organizadores. Por uma análise automática do discurso. Campinas: Unicamp; 2014. p. 59-158.
32. Hochman G. História, Ciência e Saúde Coletiva. Cien Saude Colet 2020;25(12):4715-4721.
33. Koselleck R. Futuro passado: contribuição à semântica dos tempos históricos. Rio de Janeiro: Contraponto; 2006.
34. Hartog F. Regimes de historicidade: presentismo e experiências do tempo. Belo Horizonte: Autêntica; 2013.
35. Ginzburg C. O queijo e os vermes: o cotidiano e as ideias de um moleiro perseguido pela Inquisição. São Paulo: Companhia das Letras; 1987.
36. Thompson EP. A miséria da teoria ou um planetário de erros. Uma crítica ao pensamento de Althusser. Rio de Janeiro: Zahar; 1981.
37. Fisher B, Grinberg K, Mattos H. Direito, silêncio e racialização das desigualdades na História afro-brasileira. In: Fuente AF, Andrews GR, organizadores. Estudos afro-latino-americanos: uma introdução. Buenos Aires: CLACSO; 2018. p. 85-108.
38. Pinto AFM. Por uma história que confronte memórias desumanizadoras construídas pelo racismo. In: Santos H, organizador. A resistência negra ao projeto de exclusão racial. São Paulo: Jandaíra; 2022. p. 211-228.
39. Hartman S. Vidas rebeldes, belos experimentos: histórias íntimas de meninas negras desordeiras, mulheres encrenqueiras e queers radicais. São Paulo: Fósforo; 2022.
40. Hartman S. Cenas de Sujeição. Terror, escravidão e criação de si na América do século 19. São Paulo: Fósforo; 2025.
41. Thompson EP. Costumes em comum: estudos sobre cultura popular tradicional. São Paulo: Cia das Letras; 1998.











