0405/2025 - Não me deixe, não, sofrer naquele hospital!: experiências gravídico-puerperais de mulheres negras quilombolas em Alagoas Do not let me suffer in that hospital!: pregnancy and puerperal experience of black quilombola women in Alagoas
De caráter interseccional e com foco nas experiências de mulheres quilombolas, este estudo objetiva analisar o ciclo gravídico-puerperal sob a ótica de mulheres negras que vivem em comunidades remanescentes de quilombos no agreste alagoano. Fundamenta-se nas contribuições de Crenshaw sobre interseccionalidade, explorando as relações entre raça, gênero e classe social na saúde. Seguindo uma abordagem qualitativa, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com 11 mulheres, cuja análise ancorou-se na perspectiva foucaultiana do discurso. Os resultados foram divididos em duas categorias: “experiências de parto” e “vivências no sistema de saúde”. Foram relatadas práticas de violência obstétrica, dificuldades no protagonismo das mulheres no parto e restrições à presença de acompanhantes, contrariando diretrizes legais. O estudo revela, ainda, desigualdades no acesso aos serviços, influenciadas por relações clientelistas e racismo institucional. Conclui-se que a assistência à saúde reprodutiva de mulheres negras quilombolas ainda é permeada por desigualdades estruturais, reforçando a necessidade de considerar marcadores sociais para garantir um cuidado equitativo, promovendo práticas de assistência que respeitem a autonomia e os direitos dessas mulheres.
Palavras-chave:
População Negra; Saúde Materna; Direitos Sexuais e Reprodutivos; Sistema Único de Saúde.
Abstract:
With an intersectional approach and a focus on the experiences of Quilombola women, this study aims to analyze the pregnancy-puerperal cycle from the perspective of Black women living in Quilombo remnant communities in the agreste region of Alagoas, Brazil. It is grounded in Crenshaw’s contributions to intersectionality, exploring the relationships between race, gender, and social class in health. Following a qualitative approach, semi-structured interviews were conducted with 11 women, and the analysis was anchored in Foucault’s discourse perspective. The results were categorized into two themes: “childbirth experiences” and “interactions with the healthcare system.” Reports highlighted obstetric violence, challenges to women's agency during childbirth, and restrictions on the presence of companions, contradicting legal guidelines. Additionally, the study reveals inequalities in access to healthcare services, influenced by clientelist relationships and institutional racism. The findings suggest that reproductive healthcare for Black Quilombola women remains shaped by structural inequalities, reinforcing the need to consider social markers to ensure equitable care and promote healthcare practices that respect these women’s autonomy and rights.
Keywords:
Black People, Maternal Health, Reproductive Rights, Unified Health System
Conteúdo:
INTRODUÇÃO
Os quilombos representaram, ao decorrer da história brasileira, territórios de luta e resistência contra o sistema escravocrata, alcançando diversas áreas do território nacional¹. As comunidades remanescentes de quilombo são consideradas uma forte organização social da população negra, que favorece o resgate da sua cultura e humanização². Apesar da abolição da escravatura, o imaginário social brasileiro é cultivado em cima do racismo, pois condutas racistas foram institucionalizadas ao longo da história do Brasil, cuja estrutura social mantém, até os dias atuais, a população negra em condição de subalternização³.
As mulheres negras trazem consigo marcas de uma construção histórica e social que as leem como alguém subordinado e inferiorizado4. Quando se trata de mulheres quilombolas, que comumente residem em localidades de difícil acesso aos serviços de saúde, as desigualdades se intensificam, evidenciando a complexidade e a gravidade das suas condições de vida e de saúde5.A discriminação sofrida pela mulher negra não pode ser vista, unicamente, como uma questão racial7. O conceito de interseccionalidade, revela a ideia de que os padrões de desigualdade racial, de gênero e de classe se correlacionam e interagem de maneiras complexas para produzir “desigualdades categóricas e duradouras”, que são muito difíceis de desenraizar6,7. Em decorrência, marcadores sociais variados se intercruzam, entre eles: saúde, raça, gênero, classe e território, estabelecendo condições de existência diversas e singulares. Esses eixos de subordinação criam, então, mecanismos únicos que só podem ser compreendidos a partir de uma análise em conjunto8.
A partir do momento em que essa leitura discriminatória reflete no funcionamento das instituições de saúde e a assistência se torna diferenciada a qualquer grupo racial, torna-se imprescindível a abordagem do racismo no cuidado à saúde, buscando a promoção de estratégias que realmente façam cumprir o que é garantido por lei e previsto nas políticas públicas do Brasil9.
Tendo em vista a baixa produção de conhecimento científico sobre as trajetórias e itinerários de saúde percorridos por mulheres quilombolas, e as influências das questões raciais relacionadas aos preconceitos construídos na sociedade brasileira sobre as vivências e o processo saúde-doença dessas, esse estudo objetiva analisar o ciclo gravídico-puerperal sob a ótica de mulheres negras que vivem em comunidades remanescentes de quilombos no agreste alagoano.
MÉTODOS
Trata-se de uma pesquisa exploratória e descritiva de abordagem qualitativa10, que teve como suporte teórico os debates sobre interseccionalidade propostos por Crenshaw11, para quem a interseccionalidade constitui uma abordagem analítica que pretende compreender as implicações estruturais e dinâmicas resultantes da interação entre múltiplos eixos de subordinação. Esse conceito focaliza como sistemas discriminatórios, como o racismo, o patriarcado e a opressão de classe, produzem desigualdades fundamentais que configuram as posições relativas de gênero, raça, etnia, classe social, entre outros. Ademais, a interseccionalidade explora como ações e políticas específicas intensificam opressões que operam nesses eixos, contribuindo para processos dinâmicos de marginalização10,11.
O estudo foi realizado em uma comunidade remanescente de quilombo, localizada a 12 km do município de Arapiraca, no interior do estado de Alagoas. Neste estado, existem 68 comunidades remanescentes de quilombos reconhecidas, a maioria delas localizada no semiárido.
A escolha deste território se deu considerando os seguintes aspectos: (1) uma das comunidades mais antigas reconhecidas neste estado (AL), há quase 20 anos; (2) ter uma Unidade Básica de Saúde (UBS) na comunidade que atende 374 famílias, totalizando 1.700 quilombolas, segundo dados do serviço; (3) ser uma comunidade com grande número de famílias em seu território; e, (4) dispor de acesso facilitado para as/os pesquisadoras/es.
Para definição das participantes do estudo, foi considerado o número de mulheres que estiveram gestantes nos últimos cinco anos e que estão cadastradas na Unidade Básica de Saúde. A escolha das interlocutoras ocorreu mediante amostragem não probabilística que utiliza cadeias de referência, nesse caso, o contato com lideranças comunitárias e com as mulheres que se dispuserem a participar. Essa técnica é importante para a criação de uma rede de pessoas, estratégica para acessar regiões com populações de difícil acesso, além de garantir um processo permanente de coleta de informações12.
A coleta de dados se deu a partir de entrevistas semiestruturadas. A partir dessa abordagem, as entrevistadas tiveram a chance de compartilhar suas experiências com base no tópico central apresentado pelas/os pesquisadoras/es, por meio de respostas autênticas e espontâneas13.
Para tal, foram elaborados dois roteiros de entrevistas compostos por perguntas abertas. O primeiro teve como finalidade a caracterização das participantes. O segundo abordou a experiência das mulheres acerca da assistência e da qualidade dos serviços durante o pré-natal, parto e puerpério, além de suas percepções do que é ser uma mulher quilombola. Essa estratégia para construção das informações visou considerar a linguagem e as práticas culturais como mediadoras simbólicas centrais do ponto de vista dos atores sociais, reconhecendo suas perspectivas e informações como elementos valorosos à investigação, partindo da análise das crenças, valores e opiniões manifestadas nas interações humanas e buscando uma compreensão contextual do ambiente onde a pesquisa foi realizada, ressaltando suas especificidades socioculturais10.
Após a coleta e descrição dos dados, a análise se deu a partir do método da análise discursiva. Tendo-se que a experiência das mulheres quilombolas acerca da assistência no ciclo gravídico-puerperal não é um objeto estático e que não se pressupõe a existência de uma essência fixa para esse fenômeno, a investigação se apoiou na Análise do Discurso de orientação francesa, não como uma técnica, mas enquanto referencial teórico-metodológico que possibilita compreender a inter-relação entre linguagem e sociedade, contribuindo para a interpretação do corpus analisado14. Em consonância com as ideias de Foucault, o objetivo foi examinar as normas discursivas que permitem a formulação de determinados enunciados em contextos históricos e institucionais específicos. Tais normas contribuem para a constituição dos objetos e fornecem suporte para as posições de sujeito nas práticas discursivas. Essas práticas correspondem aos recortes analíticos realizados pelas/os pesquisadoras/es, que identificam padrões em um conjunto de enunciados sujeitos às mesmas condições de existência. Cada enunciado está ancorado em regras históricas legitimadas por contextos institucionais e dinâmicas de poder14.
A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética da Universidade Federal de Alagoas, CAAE: 75928023.8.0000.5013 e desenvolvido em consonância com as resoluções CNS n° 466/2012 e n° 510/201615. As participantes convidadas receberam todas as informações relevantes do processo, conforme foi desenvolvido. Foi realizada a leitura e confirmação do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, no qual são assegurados o sigilo e a confidencialidade das informações. Cada entrevistada e seus filhos, quando citados, receberam nomes fictícios para representar seus relatos, garantindo o princípio ético do anonimato. Além disso, nomes de instituições de saúde mencionadas também foram omitidos, a fim de proteger a identidade de todas as entrevistadas.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Foram realizadas 14 entrevistas, das quais 11 foram incluídas no estudo e 03 excluídas (em razão das interrupções significativas e dos esforços posteriores para retomá-las). A análise dos diálogos com as mulheres resultou na elaboração de duas categorias temáticas: 1) Experiências de parto; e, 2) Vivências no Sistema de Saúde, as quais serão desenvolvidas nesta seção. Iniciaremos apresentando um breve perfil das participantes, e em seguida procederemos à exposição das sínteses analítico-discursivas produzidas para cada categoria.
Caracterização das participantes
Quanto ao tempo de permanência na comunidade, cinco mulheres vivem desde o nascimento, três há 20 anos ou mais, duas entre 5 e 15 anos e uma há 4 anos.
Com relação à faixa etária, as idades das mulheres entrevistadas variaram de 19 a 42 anos, sendo 29 anos a idade mais frequente. Quanto ao estado civil, nove participantes são casadas e duas são solteiras.
No que tange à escolaridade, nenhuma das entrevistadas é analfabeta. Entre elas, sete completaram o ensino fundamental, três concluíram o ensino médio e uma possui ensino superior completo. Quanto à ocupação, oito mulheres relataram dedicação exclusiva aos afazeres domésticos. As que divergiram (n=3) trabalham como: agricultora, técnica administrativa e manicure.
Em relação ao número de gestações, todas as entrevistadas engravidaram mais de uma vez. Entre elas, quatro tiveram 3 gestações, quatro tiveram 4 gestações, duas tiveram 2 gestações e uma teve 5 gestações.
Quanto aos desfechos gestacionais, seis mulheres tiveram todos os seus partos cesarianos, quatro tiveram todos os partos vaginais e uma passou tanto pelo parto vaginal quanto pela cesariana. Duas participantes estavam grávidas no momento da entrevista. A soma total do número de partos resultou em 26, sendo 15 vaginais e 11 cesarianas. Dentre elas, seis nunca tiveram um aborto, quatro tiveram 1 aborto e uma teve 2 abortos.
Experiências de parto
Essa categoria abrange o conjunto de sentidos produzidos pelas mulheres sobre as experiências singulares decorrentes dos seus processos de parto, e está dividida em três grandes eixos de análise, a saber: 1) A escolha da via de parto, abordando os desafios das mulheres quilombolas para a garantia do seu desejo no processo de nascer dos filhos e as violências enfrentadas; 2) Protagonismo feminino no processo de parto, discutindo os desafios para assegurar os direitos das mulheres nesses momentos; e, 3) presença do acompanhante durante o parto, discorrendo sobre os desafios para assegurar o direito de ter suporte de uma pessoa de livre escolha das mulheres, no momento do parto.
A ESCOLHA DA VIA DE PARTO
A decisão sobre o tipo de parto é um processo que atravessa toda a gestação. Essa escolha desperta diversas expectativas na gestante, as quais permanecem significativas mesmo após o nascimento do bebê, podendo gerar também impactos na saúde da mulher, contribuindo para moldar sua trajetória de vida.
Quando questionadas acerca do parto ideal, as mulheres responderam:
Eu acho que o normal. Não tive do que reclamar do cesário, mas eu acho que [com o normal] é quando a mulher se sente mais assim... Como o povo diz, né? Mais autonomia. Eu acho que até hoje mesmo a minha vontade é de ser o normal (Rubi).
Eu pedia pra ser normal, assim... Se fosse da vontade de Deus, seja normal por conta da recuperação. É bem melhor. Depois que você tem, praticamente você não sente quase nada, né? Só ter o repouso, né? Eu sempre optei por ter normal (Opala).
Dentre os relatos, percebe-se a preferência das mulheres pelo parto via vaginal. Apesar disso, o número de cesáreas realizadas nas gestações mais recentes das entrevistadas se igualou ao número de partos vaginais, e as principais motivações que justificaram a vontade de realizar foram: cesárea em gestação anterior, gestação de alto risco, ‘‘falta de passagem’’ e querer realizar a laqueadura. Topázio, por exemplo, diz: ‘‘Eu nem escolhi, já veio normal mesmo. Mas eu queria o cesáreo (...), porque eu queria fazer laqueadura’’. Turquesa fala da ‘‘falta de passagem’’: ‘‘(...) Porque não tinha passagem, não! Não tinha passagem dos dois meninos [referindo-se aos outros filhos]. E essa daí também não’’.
A prática da indicação da cesárea para realização da laqueadura se difundiu no Brasil e se configura como um dos principais motivos para o aumento de partos cirúrgicos nas últimas décadas16. Segundo a Nota Técnica nº 34/2023, do Ministério da Saúde, que trata das orientações aos gestores estaduais, municipais e do Distrito Federal em relação à Lei nº 14.443/2023, a vontade da esterilização cirúrgica nunca pode ser indicação para a realização de cesárea e a mesma também pode ser realizada durante o parto normal17. Apesar de desconhecida por muitas mulheres, as alterações que entraram em vigor a partir dessa nota são essenciais para evitar que as cesarianas sejam feitas para encobrir laqueaduras, cultura antiga que foi popularizada a partir do pagamento ‘‘por fora’’, em que profissionais de medicina cobravam o procedimento de forma clandestina, visto que o mesmo não era incluído na lista de procedimentos médicos oficiais e não recebia cobertura do setor público ou de convênios18.
Quando questionadas em relação à participação durante o parto, as mulheres trouxeram experiências diversificadas. Algumas compartilharam vivências positivas:
Sim. Dúvidas e qualquer coisa eles diziam: “Ó, se precisar, se quiser perguntar alguma coisa, pode perguntar, se sentir alguma coisa diferente pode falar”. Fui bem assistida quanto a isso. E é difícil, né? É muito raro no hospital. Eu acho assim, se você reclama demais, você chega lá, reclamando demais, quer algo a mais, que eu acho que eles… não quer nem saber, não está nem aí. Se você vai tranquila, sabendo todo o procedimento, acho que é bem, bem melhor. E eu levei isso pra mim (...) (Opala).
A experiência de Opala, apesar de positiva, demonstra que a participação ativa durante o parto não é a realidade de muitas mulheres e, além disso, revela o fato de que, mesmo em situações de dor extrema, mulheres quilombolas preferem permanecer caladas e não expressar desconforto por medo de serem maltratadas:
Durante o parto, eu era só caladinha, na minha, só calada. Do Onix mesmo, quando o médico viu que estava com dilatação completa, ele disse: “como é que a pessoa com dilatação completa, sentindo dor, fica calada desse jeito?” (...) Eu disse bem séria: “Eu vou chegar gritando pra você judiar de mim?”. Quando começa a gritar, eu vejo o que é que as enfermeiras dizem, eu vou chegar gritando pra quê? Mesmo com dilatação completa (...). Elas judiam, se gritou, se doeu. ‘‘Para que está gritando? Na hora de fazer você gritou?’’. São essas coisas que elas dizem. Ai eu só chego calada, não dou opinião nenhuma, com medo delas dizerem coisas ou judiarem de mim (...) (Turmalina).
O receio de serem maltratadas também faz com que as mulheres naturalizem a ideia de que o “mau comportamento” durante o parto justificaria as violências que possam vir a acontecer.
Eu acho que, dessa vez, fui mais madura, sabe? (...) Da última vez, eu fiz um escândalo terrível. Dessa vez, eu fui mais pé no chão (Ametista).
Lá mesmo, no dia, eu via muita reclamação lá no hospital, inclusive da gestante, né? “Ah, tá demorando”, reclamando que dói, gritando. E eu sentia que elas [profissionais de saúde] deixavam de atender mais ou com mais frequência do que as outras não estavam reclamando. Pra mim, já era um ponto, sabe? Tá reclamando pra quê? (Opala)./
O pedido indireto de controle das emoções e de supressão da expressão da dor surge como uma estratégia de silenciamento e oprime essas mulheres ao subentender-se que devem suportar a dor e se comportarem de forma disciplinada em troca de um bom tratamento, colocando o/a profissional de saúde numa posição hierarquicamente superior, o/a qual usa da sua função, enquanto instrumento de poder, podendo ele/ela selecionar quem receberá uma boa assistência ou não, o que dependerá do quão próximas as atitudes da mulher estiverem das vontades do/a profissional. Esse comportamento reflete a lógica institucional comumente posta: médico/profissional de saúde-protagonista e parturiente-papel de cooperar19.
Segundo Crenshaw, todas as mulheres estão sujeitas à discriminação de gênero, mas existem outros fatores, como classe, raça, religião e orientação sexual, que contribuem para vivências diferentes dessa discriminação. Esses fatores diversos são responsáveis pela criação de uma subdivisão entre as mulheres, estabelecida a partir da experimentação de vulnerabilidades específicas, sendo essas relacionadas aos seus diferentes marcadores sociais11.
Para mulheres negras, o silenciamento recebe um outro viés, pois são culturalmente estigmatizadas como “boas parideiras”, em contraste às mulheres brancas, as quais têm o “direito” de exercer a fragilidade. Essa lógica parte do imaginário racista fundamentado em pressupostos biologicistas, que desumanizam a população negra e a colocam como povo forte e subserviente, características essas que, durante o período colonial, eram utilizadas como justificativas para a perpetuação da escravidão20.
PROTAGONISMO FEMININO NO PROCESSO DE PARTO
Historicamente, o parto era realizado entre mulheres, em uma cerimônia que incluía parteiras e parturientes, todas unidas pelo objetivo comum de trazer novas vidas ao mundo. Assim, atuavam em uma rede de apoio, em um ritual empírico que, ainda que não houvesse instruções e recursos para lidar com certas adversidades, o parto era visto como um ato em que a mulher era protagonista da ação21.
Conforme descrito por Souza22 e Rocha23, no cenário atual de parto, os/as profissionais de saúde assumem o papel principal, enquanto a mulher é relegada a uma posição secundária. A medicalização transformou o parto em um evento médico, onde a parturiente não se sente ativa no processo de dar à luz. Essa dinâmica desigual é caracterizada pela valorização excessiva do conhecimento técnico da equipe de saúde, que tende a subestimar o entendimento e a capacidade de participação da mulher em seu próprio processo fisiológico. Essa relação foi identificada nas experiências compartilhadas por algumas mulheres quilombolas: ‘‘Não, eles não perguntaram (Diamante); ‘‘Não, não me perguntaram nada… Eu queria opinar, mas não me perguntavam, não davam espaço’’ (Alexandrita).
Esse modelo de atenção obstétrica viola o direito da mulher no exercício de sua autonomia e controle do seu corpo durante o momento do parto e, muitas vezes, está relacionado com a realização de intervenções obstétricas não consentidas e com o sentimento de abandono e solidão vivenciado por muitas mulheres24. Nas entrevistas, a sensação de desamparo foi amplamente relatada por Turmalina, que afirma que o seu bebê caiu durante o parto:
Quando eu cheguei lá, eu estava com minha acompanhante, mas não deixaram minha acompanhante entrar. (...) E eu fiquei esperando pra ver se elas iam colocar ele em cima de mim, né? (...) Só que em momento nenhum colocaram, a pediatra disse que ia levar e eu não vi (...). Ela voltou e disse que ele tinha nascido com falta de oxigênio e ia levar para a UTI (...). Colocaram eu pra assinar papel e eu comecei a assinar, não tava entendendo, tava tão atordoada, sozinha, preocupada, só pensava no menino, só pensava na acompanhante (...). Depois de 11 dias, ele morreu. Deu problema encefálico, negócio na cabeça. Aí ficou meu pensamento de que tinha sido isso, né? Mas nem o doutor vai dizer que foi, que eles nunca vão apoiar o paciente, né? Mas eu tenho certeza que foi, né? (...). Eu perguntei ao médico, ele não disse em momento nenhum que foi por conta de quando nasceu, que ele caiu na cama (...). Disse que poderia ter sido porque ele poderia ter nascido com algum problema e foi o que causou a morte (...). Aí, depois, era eu contra ele. Eu dizia que poderia ter sido por conta disso e ele dizia que não.
Ainda sobre esse aspecto, Turmalina relata preocupação acerca dos documentos assinados durante seu momento de vulnerabilidade, quando sozinha, os quais nunca soube do que se tratava, além de relatar o medo de ser desacreditada:
(...) Eu fiquei preocupada porque não sabia o que tinha assinado, aí fiquei correndo atrás para conseguir o prontuário, né? Aí eu consegui o prontuário, no dia que fui pegar o corpinho (...). Só que, nos prontuários, em momento nenhum eles falam o que aconteceu, né? Falam que colocou em cima de mim, mas eu nunca tive contato nenhum com ele [o bebê]. Aí foi por isso que eu fiquei com medo de entrar na justiça e tudo, entendeu? Como é que eu vou ter prova? Se no prontuário está tudo, tudo ao contrário. Como é que eu vou fazer lá? Em momento nenhum eles me deram apoio (...).
Os relatos de Turmalina demonstram as graves consequências das más práticas obstétricas, que ocasionam danos psicológicos à mulher durante toda a sua vida. Por sua vez, o modelo de atenção médico-centrado favorece a ocorrência de violência obstétrica ao retirar da mulher o seu direito de receber atenção humanizada, autônoma e compartilhada, sendo esta garantida como direito inalienável de cidadania, de acordo com a Portaria GM/MS nº 56925.
PRESENÇA DE ACOMPANHANTE DURANTE O PARTO
A institucionalização do parto também contribuiu para distanciar a família e a rede social do processo de partejar. As estruturas físicas e rotinas hospitalares foram planejadas para atender às necessidades dos/as profissionais de saúde, em vez de considerar as necessidades das pessoas que estão em trabalho de parto26. Como resultado, muitas mulheres passaram a permanecer em salas de pré-parto coletivo, com pouca ou nenhuma privacidade, sendo assistidas por práticas baseadas em normas e rotinas que as tornaram passivas e impediram ou dificultaram a presença de alguém de seu convívio social27.
Em 7 de abril de 2005, foi aprovada a Lei nº 11.108, que assegura à parturiente o direito de escolher um acompanhante durante o trabalho de parto, parto e pós-parto imediato nas maternidades conveniadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), bem como a Lei 14.737/2023 que reafirma às mulheres o direito de serem acompanhadas em qualquer procedimento de saúde. Apesar dessa legislação, a implementação prática do acompanhamento ainda enfrenta desafios28.
Alguns relatos mostram a ausência de acompanhantes e os efeitos traumáticos dessa experiência:
Quando tá lá, é um momento muito difícil, me emociona, e aí a gente quer apoio e não tinha. Na sala, eu entrei sozinha, minha cunhada estava me acompanhando, mas ela ficou lá fora… e eu fiquei só! Queria poder né?… Que, assim, o pai estivesse presente, a minha família, a minha mãe... Queria que eles pudessem estar lá comigo, para eu não estar só, né? (Alexandrita, chorosa).
Quando eu cheguei lá, eu estava com minha acompanhante, mas não deixaram minha acompanhante entrar. Eu entrei só, mesmo com dor (...). Aí eu fui e perguntei a ele [médico]: ‘‘Sim, mas e a minha acompanhante?’’ Aí ele disse: ‘‘Não, quando a criança nascer, a gente chama acompanhante’’ (...). Eu desesperada e nada da minha acompanhante. Diz eles [sic] que não entrou por causa da COVID. Nesse de agora [a interlocutora está grávida], eu quero que seja meu marido. Já disse para ele: ‘‘Pelo amor de Deus, não me deixe, não, sofrer naquele Hospital B. Não me deixe entrar só, faça uma briga naquele portão, mas não deixe, não, eu entrar só, por Nossa Senhora (Turmalina).
A situação descrita por Turmalina é bastante semelhante ao achado de uma pesquisa realizada com puérperas no Paraná, durante a pandemia da Covid-1929. A pesquisa revelou que 86% das mulheres brancas puderam ter acompanhante em algum momento da internação, com 43% tendo essa permissão apenas no parto e outros 43% durante todo o internamento. Em contraste, apenas 33% das mulheres negras puderam ter acompanhante em algum momento da internação para o parto, com 22% tendo permissão somente no momento do parto e 11% durante todo o internamento. Nessa pesquisa, os protocolos de segurança contra a Covid-19 foram utilizados como justificativa pelos serviços de saúde para definir quais mulheres poderiam ter seu direito garantido ou não.
Esse contraste evidencia um possível viés racial implícito, que, segundo Cruz30, refere-se a uma tendência inconsciente que pode levar a decisões e ações discriminatórias baseadas em características fenotípicas. O viés racial implícito compõe o racismo institucional e opera de maneira sutil, facilitando desigualdades no acesso aos serviços institucionais, afetando não apenas a qualidade do atendimento, mas também a distribuição de benefícios e oportunidades entre diferentes grupos raciais. Crenshaw afirma que essa discriminação muitas vezes é invisível, pois, por ser comum, muitas mulheres podem apenas sentir o impacto da violência, não enxergando a estrutura dos sistemas de subordinação11.
Vivências no Sistema de Saúde
A segunda categoria versa sobre as trajetórias e experiências das mulheres quilombolas nos serviços de assistência à saúde materno-infantil. A escolha do local para o parto é um direito fundamental da mulher e deve ser respeitada com base em critérios que vão além da proximidade geográfica31,32. A decisão envolve uma série de fatores complexos, como as experiências anteriores de parto, os valores e atitudes dos pais, o nível de confiança ou desconfiança nos profissionais de saúde e a percepção de controle sobre o próprio corpo e decisões durante o parto32.
Ao serem questionadas quanto à escolha do local de parto, foi revelado um processo influenciado por fatores externos, como a condição clínica e as orientações médicas, mas também foram evidenciados desafios relacionados à autonomia das mulheres na tomada de decisão sobre seus corpos. Embora muitas vezes as decisões sejam guiadas por preocupações legítimas com a saúde e a segurança, também foi observada uma dualidade constante entre o desejo de autonomia e a realidade de seguir instruções profissionais.
Eu procurei o Hospital A por ser uma gravidez de risco. Eu não podia nem procurar outro lugar porque eu já estava consciente disso, né? Que a doutora já tinha me dito (Topázio).
Outra entrevistada relatou que inicialmente buscou o Hospital A, pois havia sido informada que, por ser acompanhada pela Instituição C, deveria ter seu bebê ali:
Porque disseram que as pessoas da Instituição C só podiam ter bebê no Hospital A. Então, não tinha escolha. Mas por fim, ganhei no Hospital B (Esmeralda).
Quanto ao motivo dessa mudança, ela explicou: "Porque foi cesáreo e lá eles não queriam fazer. Botaram [sic] só dificuldade. Aí eu tive lá no Hospital B’’. Ao ser questionada se foi ela que escolheu o Hospital B, ela esclareceu: "Não, eles que mandam’’.
As falas refletem situações em que as mulheres se sentem sem alternativas, seguindo o que foi prescrito pelos/as profissionais de saúde, sem necessariamente ter espaço para questionar ou expressar preferências. As entrevistadas demonstram que suas decisões foram mediadas pela condição clínica e orientações médicas, com um sentimento de controle limitado sobre o processo, sem que a escolha ativa fosse plenamente exercida. Esse cenário aponta para a existência de um controle externo, onde a autonomia da mulher é colocada em segundo plano diante das avaliações e encaminhamentos dos profissionais.
Além das influências diretas dos/as profissionais de saúde, experiências de outras pessoas também moldam a percepção das mulheres quanto ao local mais seguro para o parto. Opala, por exemplo, relatou dúvidas ao ouvir relatos negativos de terceiros:
Eu, inclusive, fiquei na dúvida se ia para o Hospital A ou para o Hospital B. Tem muitas pessoas que acharam, me falaram coisas sobre o atendimento: ‘‘Ah, não vá pra lá, porque é um risco’’ (...).
Além das questões de saúde e das percepções sobre a segurança dos hospitais, uma das entrevistadas trouxe à tona o papel do clientelismo na escolha do local do parto e ainda referiu como o tratamento recebido dentro do hospital está diretamente relacionado às condições financeiras dos pacientes.
Foi lá no Hospital B. Que o Político A fez pra eu lá [sic]. Aí foi tanto que ele não pagou o doutor, aí enquanto isso eu tava sofrendo bastante, né? E o doutor estava me vendo, mas não podia fazer nada. Pra não receber? [em tom de ironia]. É muito ruim demais [sic], depender dos outros, meu irmão. Se não tiver o bracinho forte ali, pode ir pra morrer mesmo (...). Se fosse pelo SUS, se não tiver cuidado, você morre mesmo. E aquela pessoa que tá dentro da pessoa morre também (...). Tem que ser no dinheiro, né? Tudo que tem ser dinheiro pra poder agir, né? (...). Não tem pena dos outro [sic], né? Só quer saber do dinheiro. Isso é o Hospital B, no Hospital A, em qualquer lugar (Turquesa).
Essa interferência política reflete práticas históricas do coronelismo, em que líderes políticos locais controlam o acesso aos serviços públicos, como a saúde, de acordo com seus próprios interesses. Embora a sociedade tenha passado por processos de modernização, essas práticas não foram eliminadas34,35. Pelo contrário, elas se adaptaram e remodelaram-se, acompanhando as mudanças nas regulamentações legais e nas condições sociais e políticas36. Em comunidades marginalizadas, como as quilombolas, o impacto dessas relações de poder é ainda mais evidente, já que o acesso aos direitos fundamentais, como ao parto seguro e digno, muitas vezes depende de alianças políticas e econômicas.
Essas experiências ilustram o conflito entre a vontade de ter controle sobre o processo do parto e as imposições externas, que vão desde as decisões clínicas dos médicos até as influências de relatos de terceiros e as dinâmicas de poder relacionadas ao clientelismo. A escolha do local para o parto, em muitos casos, não reflete o desejo das mulheres, mas sim o resultado de um sistema que limita suas opções e autonomia37,38.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Essa pesquisa pretendeu compreender a experiência de mulheres negras quilombolas durante o período gravídico-puerperal, a partir do diálogo com 11 mulheres moradoras de uma comunidade quilombola no interior do estado de Alagoas. Os resultados foram categorizados em dois grupos, de acordo com a metodologia da análise do discurso: (1) experiência de parto; (2) vivência no Sistema de Saúde.
A partir dessa pesquisa, embora não se tenha pretendido ratificar resultados de outros estudos, foi possível concluir que a experiência local se assemelha à de outros contextos no cenário nacional e internacional39. Considerando as mulheres negras como principais alvos de racismo institucional, as entrevistas destacam pontos que reforçam a existência dessas disparidades de tratamento e a permanência de práticas violentas, a exemplo do silenciamento sistemático de mulheres negras durante o parto, por medo de retaliação, e maus tratos por parte das equipes de saúde. Essa lógica representa a perpetuação do ideário escravocrata do mito do sujeito negro como mais forte e da mulher negra enquanto “parideira”.
Além disso, a experiência de parto de algumas das entrevistadas também demonstra a baixa participação e protagonismo das mulheres durante um momento que deveria ser voltado à autonomia feminina e ao bem-estar da parturiente. Muitas relataram o baixo engajamento com a equipe e a pouca contribuição durante as tomadas de decisões. Ainda se tratando do parto, algumas mulheres relataram também a negação do direito da presença de acompanhante durante o trabalho de parto, o que revela a situação de descumprimento da legislação vigente, no âmbito dos serviços de saúde reprodutiva.
Por meio desse trabalho, é possível concluir que a saúde deve ser ofertada de maneira a englobar as diferentes necessidades das populações, considerando os processos históricos que moldam o território e afetam o processo saúde-doença e o acesso à saúde de diferentes populações. Ao se tratar de mulheres negras, essas são colocadas como as mais vulneráveis, em razão das estruturas sociais.
Por esse motivo, as políticas de equidade são cruciais na tentativa de mitigação das disparidades em saúde, mas não são suficientes, considerando o ainda amplo relato de episódios de violência sofridos por essa população.
Assim como descrito em outros estudos realizados mundialmente, as consequências da escravidão ainda repercutem nos cenários institucionais e afetam de maneira mais violenta as comunidades tradicionais, que têm obstáculos ainda maiores, principalmente no que tange ao acesso à saúde. Apesar disso, o presente estudo não pode afirmar que as experiências entre mulheres negras quilombolas no interior de Alagoas destoam da experiência de outras mulheres da região, sendo necessários outros estudos locais que abranjam outros recortes populacionais, a fim de ponderar as diferentes experiências gravídico-puerperais entre mulheres de diferentes grupos.
Declaração de Disponibilidade de Dados
Os dados de pesquisa estão disponíveis mediante solicitação ao autor de correspondência.
REFERÊNCIAS
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Do not let me suffer in that hospital!: pregnancy and puerperal experience of black quilombola women in Alagoas
Resumo (abstract):
With an intersectional approach and a focus on the experiences of Quilombola women, this study aims to analyze the pregnancy-puerperal cycle from the perspective of Black women living in Quilombo remnant communities in the agreste region of Alagoas, Brazil. It is grounded in Crenshaw’s contributions to intersectionality, exploring the relationships between race, gender, and social class in health. Following a qualitative approach, semi-structured interviews were conducted with 11 women, and the analysis was anchored in Foucault’s discourse perspective. The results were categorized into two themes: “childbirth experiences” and “interactions with the healthcare system.” Reports highlighted obstetric violence, challenges to women's agency during childbirth, and restrictions on the presence of companions, contradicting legal guidelines. Additionally, the study reveals inequalities in access to healthcare services, influenced by clientelist relationships and institutional racism. The findings suggest that reproductive healthcare for Black Quilombola women remains shaped by structural inequalities, reinforcing the need to consider social markers to ensure equitable care and promote healthcare practices that respect these women’s autonomy and rights.
Palavras-chave (keywords):
Black People, Maternal Health, Reproductive Rights, Unified Health System
Don\'t leave me to suffer in that hospital! Pregnancy, childbirth, and postpartum experiences of Black women from maroon communities in Alagoas
AUTORES:
Brenda de Santana Silva, Universidade Federal de Alagoas, email: brenda.silva@arapiraca.ufal.br , ORCID: https://orcid.org/0000-0002-8443-0264
Joyce Kethellen Neres Lima, Universidade Federal de Alagoas, email: joyce.lima@arapiraca.ufal.br , ORCID: https://orcid.org/0000-0002-6941-0724
Michael Ferreira Machado, Universidade Federal de Alagoas, email: michael.ufal@gmail.com, ORCID: https://orcid.org/0000-0001-6538-6408
Túlio Romério Lopes Quirino, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, email: tulio.quirino@ufrn.br, ORCID: https://orcid.org/0000-0002-3136-4777
RESUMO: De caráter interseccional e com foco nas experiências de mulheres quilombolas, este estudo objetiva analisar o ciclo gravídico-puerperal sob a ótica de mulheres negras que vivem em comunidades remanescentes de quilombos no agreste alagoano. Fundamenta-se nas contribuições de Crenshaw sobre interseccionalidade, explorando as relações entre raça, gênero e classe social na saúde. Seguindo uma abordagem qualitativa, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com 11 mulheres, cuja análise ancorou-se na perspectiva foucaultiana do discurso. Os resultados foram divididos em duas categorias: “experiências de parto” e “vivências no sistema de saúde”. Foram relatadas práticas de violência obstétrica, dificuldades no protagonismo das mulheres no parto e restrições à presença de acompanhantes, contrariando diretrizes legais. O estudo revela, ainda, desigualdades no acesso aos serviços, influenciadas por relações clientelistas e racismo institucional. Conclui-se que a assistência à saúde reprodutiva de mulheres negras quilombolas ainda é permeada por desigualdades estruturais, reforçando a necessidade de considerar marcadores sociais para garantir um cuidado equitativo, promovendo práticas de assistência que respeitem a autonomia e os direitos dessas mulheres.
Palavras-chave: População Negra; Saúde Materna; Direitos Sexuais e Reprodutivos; Sistema Único de Saúde.
ABSTRACT:
This qualitative intersectional study aims to analyze the pregnancy, childbirth, and postpartum experiences of Black women from maroon communities in the interior of Alagoas state, northeastern Brazil. It draws on Crenshaw’s concept of intersectionality, exploring the overlapping influences of race, gender, and social class on health and healthcare. Semi-structured interviews were conducted with eleven women, and the data was analyzed using a Foucauldian perspective of discourse. The results were divided into two categories: “experiences of childbirth” and “experiences of the health system.” The analysis revealed cases of obstetric violence, women unable to exercise agency during childbirth, and restrictions on the presence of companions, which is unlawful. The study also revealed evidence of clientelism and institutional racism, resulting in inequality of access to health services. We conclude that the reproductive healthcare received by female maroons in Brazil is still permeated by structural inequalities, reinforcing the need for social markers to be addressed to ensure equitable care and for the autonomy and rights of these women to be respected in healthcare settings.
Keywords:
Black Population; Maternal Health; Sexual and Reproductive Rights; Public Health System.
INTRODUCTION
Throughout Brazilian history, maroon communities (known in Brazil as quilombos)-originally settlements of people who had fled slavery- were territories of struggle and resistance against the slavocracy, being formed in several different parts of the country¹. There are descendants of the original maroons who still live in former maroon communities, which constitute hubs of social organization for the Black population, fostering their cultural reinstatement and humanization². Despite the abolition of slavery, the Brazilian collective imagination is still rooted in racism, as racist behaviors have been institutionalized throughout Brazil’s history, creating a social structure that to this day maintains the Black population in a subaltern state³.
Black women bear the marks of a historical and social construction that views them as subordinate and inferior⁴. When the women are from maroon communities, generally living in areas with poor access to health services, the inequalities they face are compounded, laying bare the severity and complexity of their living and health conditions⁵. The discrimination Black women face cannot be seen solely through a racial prism7. The concept of intersectionality reveals that patterns of race-, gender-, and class-based inequality interact and correlate in complex ways to produce “categorical and lasting inequalities” that are very hard to eradicate. When different social markers intersect, including health, race, gender, class, and territory, this results in a wide range of unique conditions of existence. These intersecting layers of subordination then spawn unique mechanisms that can only be understood through a multifaceted analysis8.
Whenever this kind of discrimination is reflected in the functioning of health institutions and results in differences in the care available to different racial groups, it becomes imperative to develop, implement, and enforce strategies to tackle such racism and thus uphold the laws and public policies of the country9.
Given the limited scientific knowledge existing on the health trajectories and itineraries of female maroons and the influences racial issues and prejudices constructed in Brazilian society have on their health and disease processes, this study aims to analyze the pregnancy, childbirth, and postpartum experiences of Black women from maroon communities in the semi-arid inland agreste region of the northeastern state of Alagoas.
METHODS
Taking a qualitative approach10, this exploratory, descriptive study was guided by the theoretical debates on intersectionality proposed by Crenshaw11, who sees intersectionality as an analytical approach designed to shed light on the structural and dynamic implications of interactions between multiple spheres of subordination. The concept focuses on how discriminatory systems, such as racism, patriarchy, and class oppression, produce fundamental inequalities that shape the relative positions of gender, race, ethnicity, social class, among others. Furthermore, intersectionality explores how specific actions and policies can intensify the oppression operating in these spheres, contributing to dynamic processes of marginalization10,11.
The study was conducted in a maroon community located 12 km from the municipality of Arapiraca, in the interior of the state of Alagoas. In this state, there are 68 recognized maroon communities, most of which are situated in the inland semi-arid region.
The choice of this territory was defined by the following considerations: (1) it is one of the oldest recognized maroon communities in this state, having been formally recognized almost 20 years ago; (2) the community has its own primary healthcare unit, which serves 374 households, or a total of 1,700 community residents, according to public health service data; (3) the community consists of a large number of households; and (4) there is road access to the community.
Women who had been pregnant in the previous five years and were registered at the local primary healthcare unit were eligible for inclusion in the study. The participants were selected using a non-probabilistic sampling process based on referral chains, namely, contact with community leaders and women willing to participate. This technique was important as it created a network of people, which is strategic for accessing regions with hard-to-reach populations, in addition to ensuring the continuity of the information collection process.
The data was generated in semi-structured interviews. These gave the interviewees the opportunity to share their experiences of the research topic in authentic and spontaneous responses13.
Two interview scripts were developed, consisting of open-ended questions. The first was designed to characterize the participants. The second addressed the women’s experiences of the healthcare services they received during pregnancy, labor, delivery, and the postpartum period, as well as their perceptions of what it means to be a female maroon. This information-generation strategy aimed to draw on linguistic and cultural practices as central symbolic mediators of the social actors’ points of view, recognizing the value of their perspectives and information for the investigation, based on an analysis of the beliefs, values, and opinions expressed in human interactions and seeking to build up a contextualized understanding of the environment where the research was conducted, highlighting its sociocultural specificities10.
Once the data had been collected and described, it was analyzed using discourse analysis. Based on the understanding that the women’s experiences of care during pregnancy and childbirth were not static and did not have a fixed essence, we decided to use the French school of discourse analysis not as a technique, but as a theoretical and methodological framework that enabled us to gain an understanding of the interplay between language and society, contributing to the interpretation of the study corpus14. In line with the ideas of Foucault, the objective was to examine the discursive norms that allow certain statements to be made in specific historical and institutional contexts. These norms contribute to the constitution of objects and underpin the positions of subjects in discursive practices. These practices were the analytical framework selected for analysis, enabling the identification of patterns in a set of utterances made under the same conditions of existence. Each utterance was understood as being rooted in historical rules that are legitimized by institutional contexts and power dynamics14.
The research was approved by the Ethics Committee of the Federal University of Alagoas (approval number CAAE: 75928023.8.0000.5013) and performed in accordance with resolutions passed by the Brazilian national health council (numbers 466/2012 and 510/2016)15. The study participants were all informed about the process as it was developed. Free and informed consent was given by all, which included the assurance of the secrecy and confidentiality of their personal information. In this article, all the interviewees and their children have been given pseudonyms, observing the ethical principle of anonymity. The names of the health institutions mentioned have been omitted for the same reason.
RESULTS AND DISCUSSION
Fourteen interviews were conducted, of which eleven were included in the study. Three were excluded due to significant interruptions, despite subsequent efforts to resume them. The analysis of the dialogues with the women resulted in the development of two thematic categories: (1) experiences of childbirth and (2) experiences of the health system. We begin by presenting a brief profile of the participants, followed by the results and discussion of the discourse analysis for each category.
Characterization of the participants
Five of the women had lived in the community all their life, three had lived there for 20 years or more, two had lived there between 5 and 15 years, and one had lived there for 4 years. Their ages ranged from 19 to 42 years, with 29 being the most frequent age. Nine of the participants were married and two were single.
As for their education level, none of the interviewees was illiterate. Seven had completed elementary school (9 years of formal education), three had graduated from high school (12 years of formal education), and one had a university degree. Eight of the women reported that they worked exclusively in the home. As for the other women, one worked in agriculture, one was an administrative assistant, and one was a manicurist.
The women had all had multiple pregnancies: five pregnancies (one woman), four pregnancies (four women), three pregnancies (four women), and two pregnancies (two women. Six of the women had had cesarean sections for all their deliveries, four had had all vaginal deliveries, and one had had both vaginal and cesarean deliveries. Three of the participants were pregnant at the time of the interview. Overall, the sample covered 28 deliveries: 14 vaginal and 14 cesarean. Five of the women had never had a miscarriage; four had had one miscarriage; and one had had two.
Experiences of childbirth
This category covers the set of meanings produced by the women about their unique childbirth experiences. It is divided into three main topics: (1) the women’s preferred method of delivery, including the challenges they faced in having their wishes respected during labor and the violence they faced; (2) the women’s agency during childbirth, including the challenges of having their rights respected during childbirth; and (3) the presence of a companion during childbirth, highlighting the barriers to the women’s right to have support from a person of their own choosing during childbirth.
CHOICE OF DELIVERY METHOD
The decision about the type of delivery is a process that spans the whole of pregnancy. It is a decision that raises various expectations in the woman, which remain significant even after the baby is born and can also have an impact on her health and subsequent life trajectory.
The women were asked about the ideal delivery, giving the following responses:
Normal, I think. I had no complaints about the C-section, but I think [a normal delivery] is when women feel more... How do people say it? More autonomy. I think even today I still want it to be normal (Rubi).
I asked for it to be normal, so... If it’s God’s will, it should be normal because of the recovery. It’s so much better. After you have it, you hardly feel a thing, you know? You just need to rest, you know? I’ve always opted for a normal delivery (Opala).
In the women’s accounts, their preference for vaginal delivery is evident. Yet despite this, the number of cesarean sections performed in the interviewees’ most recent pregnancies was equal to the number of vaginal deliveries. The main reasons behind the use of the procedure were: cesarean section in a previous pregnancy; high-risk pregnancy; “not enough room”; and the desire to have tubal ligation. Topázio, for example, said: “I didn’t even choose it, it just happened naturally. But I wanted a cesarean section (...) because I wanted to have my tubes tied.” Turquesa spoke about not having “enough room”: "because there wasn’t enough room! I wasn’t wide enough for my two boys [her other children]. The same for this one.”
The recommendation of cesarean section when a woman wants a tubal ligation has become widespread in Brazil and is one of the main reasons for the increase in surgical deliveries in recent decades16. According to a Ministry of Health directive (technical note no. 34/2023) providing regulatory guidance for state, municipal, and Federal District health administrators in relation to Law no. 14,443/2023, the desire for surgical sterilization can never be used as a reason to perform a cesarean section; however, tubal ligation can be performed during normal childbirth17. Although many women are not informed of this legislation, its observance is essential to ensure that cesarean sections are not performed to cover up tubal ligations—an old practice that was popularized with “under the table” payments, when medical professionals would charge for the procedure off the record, since it was not included in the list of official medical procedures and was not covered by the public sector or under private health insurance.
When the women were asked about their participation during childbirth, they reported a wide range of experiences. Some of them were positive:
Yes. For queries or anything they’d say, “Look, if you need anything, if you want to ask anything, just ask, if you feel anything different, just say so.” I got good care in that regard. And it’s unusual, right? It’s really rare in the hospital. I think if you complain too much, you turn up there and you’re complaining too much, you want something more, I think they... just don’t want to know, couldn’t care less. If you go in calmly, knowing the whole procedure, I think it’s much, much better. That’s something I learnt (...) (Opala).
Although Opala’s experience was positive, her statement shows that many women do not have the chance to engage actively in the birth of their own children. In another interview, it became clear that even when experiencing extreme pain, Black women from maroon communities tend to keep quiet and not say anything in case they are mistreated:
When I was giving birth, I just kept quiet, kept to myself, just quiet. Even when I had Onix, when the doctor saw I was fully dilated, he said, “How can someone who’s fully dilated and in pain keep so quiet?” (...) I said very seriously, “You think I’m going to start screaming so you can mock me?” When you start screaming, I’ve seen what the nurses say, so why would I come along screaming? Even fully dilated (...). They mock you if you scream, if it hurts. “Why are you screaming? When you made it did you scream?” That’s the kind of thing they say. So I just keep quiet, I don’t give any opinion at all, in case they say something or mock me (...) (Turmalina).
Fear of being mistreated also resulted in women taking as granted the idea that “bad behavior” during childbirth somehow justified their being abused.
I think this time I was more mature, you know? (...) Last time, I made a terrible scene. This time, I was more composed (Ametista).
There, on the day, I saw a lot of people complaining at the hospital, including pregnant women, you know? “Oh, it’s taking too long,” complaining that it’s hurting, shouting. And I got the impression that they [health workers] stopped attending to them more often than the others [who] weren’t complaining. For me, that was already a point, you know? “What you complaining for?” (Opala).
The unspoken requirement for these women to control their emotions and suppress their expression of pain is a strategy that silences and oppresses them, insofar as it causes them to infer that if they want to be treated well, they must endure the pain and display “good” behavior. This places the health worker in a hierarchically superior position: they can wield their role as an instrument of power to decide who gets good care and who doesn’t, depending on how closely the woman’s behavior aligns with their wishes. This behavior reflects a commonplace institutional logic: the doctor or health worker as the protagonist; the delivering mother as cooperator19.
According to Crenshaw, all women are subject to gender discrimination, but the way this discrimination is experienced is shaped by other factors too, such as class, race, religion, and sexual orientation. These diverse factors are responsible for creating subdivisions among women, based on the experience of specific vulnerabilities related to their different social markers11.
For Black women, there is another layer of meaning in the silencing, in that they are culturally stigmatized as “good child-bearers,” in contrast to white women, who have the “right” to display fragility. This rationale stems from racist imagery based on biological assumptions that dehumanize the Black population and portray them as strong and subservient; traits that, during the colonial period, were used to justify the perpetuation of slavery20.
FEMALE PROTAGONISM IN THE CHILDBIRTH PROCESS
Historically, childbirth was a female ritual that included midwives and women in labor, all united by the common goal of bringing new lives into the world. They would act together as a support network, in an empirical ritual where, notwithstanding the lack of instructions or resources to deal with certain adversities, childbirth was seen as an act in which women were front and center of the action21.
Today, as described by Souza22 and Rocha23, health workers take the leading role in childbirth while women are relegated to a secondary position. Medicalization has made childbirth a medical event, which can prevent the woman from engaging actively in the labor and delivery process. This asymmetrical dynamic is marked by an overvaluation of the technical knowledge of the health team, who tend to underestimate the women’s own understanding of and ability to participate in their own physiological processes. This unequal relationship was reflected in the experiences reported by some of the women in our study: “No, they didn’t ask me” (Diamante); “No, they didn’t ask me anything... I wanted to give my opinion, but they didn’t ask me, they didn’t make any room” (Alexandrita).
This model of obstetric care violates women’s right to autonomy and control over their bodies during childbirth and is often associated with nonconsensual obstetric interventions and feelings of neglect and loneliness, as experienced by many women24. In her interview, Turmalina spoke at length about her sense of helplessness, saying that her baby had been dropped during childbirth:
When I got there, I was with my [female] companion, but they wouldn’t let my companion in. (...) And I waited to see if they would put him on top of me, you know? (...) But at no point did they do that. The pediatrician said she was going to take him away and I didn’t see [him] (...). She came back and said he’d been born with a shortage of oxygen and she was going to take him to the ICU (...). They gave me a paper to sign and I started to sign it. I didn’t understand, I was so overwhelmed, alone, worried. All I could think about was my boy, all I could think about was my companion (...). After eleven days, he died. He had a brain problem, something in his head. And that left me thinking what all that had been about, you know? But not even the doctor will say it was that, they’ll never back up the patient, you know? But I\'m sure that’s what it was, you know? (...). I asked the doctor, but he never said it was because when he was born, he fell on the bed (...). He said it must have been because perhaps he was born with some problem and that’s why he died (...). Then afterwards, it was me against him. I said it could have been because of that and he said “no.”
Still talking about this same subject, Turmalina reported how worried she was about the documents she had signed at a time of such vulnerability, when she was all alone, and the contents of which she did not know, as well as being afraid of being discredited.
I was worried because I didn’t know what I’d signed, so I made a point of getting the medical records, you know? So I got the medical records on the day I went to pick up his body (...). But in the medical records, at no point do they say what happened, you know? They say they put him on top of me, but I never had any contact with him. That’s why I was afraid to take them to court and stuff, you know? How am I going to get any proof? If in the medical records it’s all, it’s all the other way round. How can I do that? At no point did I get any support at all (...).
Turmalina’s account demonstrates the kind of serious consequences obstetric malpractice can have, resulting in psychological damage that can go on to affect women throughout their lives. The doctor-centered model of care is particularly propitious for obstetric violence, as it can deprive women of their right to receive humane, autonomous, and shared care, which is enshrined in a Ministry of Health directive (no. 569) as the inalienable right of all Brazilian citizens25.
PRESENCE OF A COMPANION DURING CHILDBIRTH
Another consequence of the institutionalization of childbirth is that relatives and other members of women’s social networks are kept away from the birthing process. The infrastructure and routines of hospitals are largely shaped to meet the needs of health workers rather than those of women in labor28. As a result, many women are often put in shared pre-delivery rooms, where they have little or no privacy and the care they receive is based on rules and routines that limit their agency and make it hard or impossible for them to have someone from their social circle with them27.
On April 7, 2005, Law no. 11,108 was passed, giving women the right to have a companion during labor and during and after delivery in maternity wards run by the Brazilian public health system. In 2023, a new law (no. 14,737) extended women’s right to a companion to any medical procedure. Yet despite this legislation, the reality on the ground is still far from ideal28.
In our study, some of the women reported not having a companion by their side and the traumatic effects of this experience.
When you\'re there, it’s really tough, I get upset, and then you want support, and there wasn’t any. I went into the room on my own. My sister-in-law was accompanying me, but she was left outside... and me on my own! I wanted... I wanted the father to be there, my family, my mom... I wanted them to be there with me, so I wasn’t on my own, you know? (Alexandrita, tearfully).
When I got there, I had my companion with me, but they didn’t let my companion in. I went in alone, even though I was in pain (...). So I went and asked him [the doctor]: “Yes, but what about my companion?” And he said: "No, when the baby’s born, we’ll call in your companion” (...). I was beside myself, and my companion wasn’t there. They say she didn’t come in because of COVID. This time [the interviewee is pregnant], I want it to be my husband. I already said to him, “for God’s sake, don’t leave me to suffer in that Hospital B. Don’t let me go in alone. Make a commotion at the door, but don’t let me go in alone, for Our Lady’s sake (Turmalina).
The situation described by Turmalina chimes with the findings of a survey of postpartum women in Paraná (southern Brazil) during the COVID-19 pandemic29. Overall, 86% of the white women were allowed to have a companion at some point during their hospitalization, with 43% having this permission only during childbirth and 43% having a companion throughout their entire hospital stay. In stark contrast, only 33% of the Black women were allowed to have a companion at some point during their hospitalization for childbirth, with 22% being granted this right only during childbirth, and just 11% throughout their whole hospital stay. It was found that the health services used COVID-19 safety protocols as a pretext to deny some women their right.
This contrast could be indicative of implicit racial bias, which, according to Cruz30, is an unconscious tendency that can lead to discriminatory actions and decisions based on phenotypic characteristics. Implicit racial bias is one aspect of institutional racism and operates in subtle ways, underpinning inequality in access to institutional services, affecting not only the quality of care but also the distribution of benefits and opportunities among different racial groups. Crenshaw holds that this kind of discrimination is often invisible: it is so common that women can feel the impact of the violence but are unable to see the structure of the systems of subordination that allow the violence to happen11.
Experiences of the health system
In the second category, we address the pregnancy, childbirth, and postpartum experiences and trajectories of female maroons in the health system. The choice of where to give birth is a fundamental right for women and one that must be respected based on criteria that go beyond geographical proximity31,32. The decision involves a number of complex factors, such as previous childbirth experiences, the parents’ values and attitudes, the level of trust or distrust in health workers, and the perception of control over their own body and in decisions during childbirth32.
The women’s responses when asked about their choice of place to give birth revealed the influence of different external factors, such as clinical condition and medical advice, as well as challenges related to their autonomy to make decisions about their own bodies. Although the decisions were often guided by legitimate health and safety concerns, the women’s discourse also revealed a constant duality between the desire for autonomy and the reality of following professional instructions.
I went to Hospital A because it was a high-risk pregnancy. I couldn’t even consider somewhere else because I was already aware of that, you know? The doctor had already told me (Topázio).
Another interviewee reported that she initially went to Hospital A because she had been told that as she had received prenatal care at Institution C, she should have her baby there:
Because they said that people from Institution C could only have babies at Hospital A. So, I had no choice. But in the end, I gave birth at Hospital B (Esmeralda).
As for the reason for this change, she explained: “Because it was a C-section, and they didn’t want to do it there. They just made difficulties. So I had it at Hospital B.” When she was asked if she was the one who had chosen Hospital B, she said: “No, they’re the ones who decide.”
These statements are revealing of situations where the women feel they have no choice but to follow what the health workers tell them and do not even necessarily have the chance to question them or express their preferences. The interviewees’ discourse reveals that their decisions were mediated by their clinical condition and medical advice and that they felt they only had limited control over the process and were unable to actively exercise their choice. This is indicative of the existence of external control, where the assessments and referrals of health workers take precedence over women’s autonomy.
Alongside the direct influence of health workers, the women’s perceptions of the safest place to give birth were also shaped by other people’s experiences. Opala, for example, had doubts after hearing about the negative experiences of others:
Actually, I wasn’t even sure whether to go to Hospital A or Hospital B. Lots of people think, told me things about the care there: “Oh, don’t go there, because it’s risky" (...) (Opala).
In addition to health issues and perceptions of hospital safety, one of the interviewees brought up the role of clientelism in the choice of where to give birth and also mentioned how the treatment received in hospital is directly related to the patients’ financial status.
It was at Hospital B. Cos Politician A arranged for me there [sic]. Then it got to the point that he didn’t pay the doctor, and meanwhile I was suffering a lot, you know? And the doctor could see me, but he couldn’t do anything. Cos he wouldn’t get paid? [sarcastically]. It’s really bad having to depend on others, man. If you don’t have someone covering your back, you might even end up dead (...). If you’re under the public health system, if you’re not careful, you’ll really die. And that person inside you will die too (...). You have to have money, you know? It’s all about money if you want it to work, you know? (...). They don’t feel sorry for anyone, you know? All they care about is money. That’s at Hospital B, Hospital A, anywhere (Turquesa).
This political interference is part of a historical practice in Brazil known as coronelismo I“colonelism”), whereby local political leaders control access to public services, such as healthcare, according to their own interests. Although society has been modernized, this kind of practice has not been wiped out34,35. Rather, the way it operates has been adapted and reshaped in line with changes in regulations and social and political conditions36. In marginalized territories, as is the case of maroon communities, the impact of these power relations is even more evident, meaning that access to fundamental rights, such as safe and dignified childbirth, often depends on political and economic alliances.
The women’s experiences illustrate the conflict between the desire to have control over the childbirth process and the influence of external impositions, ranging from doctors’ clinical decisions to third-party accounts and the power dynamics inherent to clientelism. In many cases, the place where a woman gives birth may not reflect their own wishes but be defined by a system that limits their options and autonomy.
CONCLUDING REMARKS
The aim of this research was to understand the pregnancy, childbirth, and postpartum experiences of maroons in Brazil, based on conversations with eleven women from a maroon community in the interior of the northeastern state of Alagoas. The results were categorized into two groups formed on the basis of the discourse analysis methodology employed: (1) experiences of childbirth; (2) experiences of the health system.
Although there was no intention of corroborating (or otherwise) the findings of other studies, what became clear from our research was that the experience in Alagoas was similar to that of other contexts in Brazil and elsewhere39. Considering Black women as the main targets of institutional racism, the interviews brought to light issues that reinforce the existence of differentiated treatment and the continued perpetuation of violence, such as the systematic silencing of Black women during childbirth, who stay quiet for fear of retaliation, as well as mistreatment by health teams. These experiences represent the perpetuation of the slavocratic ideology whereby Black people were assumed to be stronger and Black women were seen as “good child-bearers.”
In addition, the childbirth experience of some of the interviewees demonstrated how limited the women’s own participation and protagonism was at a time that should prioritize female autonomy and the wellbeing of the woman during labor. Many reported limited engagement with the health team and limited ability to influence decisions about their own delivery process. Furthermore, some women also reported being denied the right to have the presence of a companion during labor, which is in flagrant defiance of Brazilian legislation pertaining to reproductive healthcare.
The results of this study reveal the importance of providing healthcare in a way that takes account of the specific needs of different populations, taking due account of the historical processes that shape the territory and affect the health and disease processes and access to healthcare of different populations. Black women end up being the most vulnerable due to historically formed social structures.
For this reason, policies to address equity issues are crucial for tackling health disparities, but policies alone are clearly not enough in view of the still widespread reports of violence experienced by this population.
As described in other studies around the world, the consequences of slavery are still felt in institutional settings, affecting most violently traditional populations like maroons, where the obstacles, especially in terms of access to healthcare, are even greater. Nonetheless, our study findings cannot be taken as proof that the experiences of Black women from maroon communities in the interior of Alagoas differ from those of other women in the region. Studies of other population groups from the region are needed to enable a comparison between our findings and those addressing the pregnancy, childbirth, and postpartum experiences of women from different groups.
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Como
Citar
Silva, BS, Lima, JKN, Machado, MF, Quirino, TRL. Não me deixe, não, sofrer naquele hospital!: experiências gravídico-puerperais de mulheres negras quilombolas em Alagoas. Cien Saude Colet [periódico na internet] (2025/dez). [Citado em 08/04/2026].
Está disponível em: http://cienciaesaudecoletiva.com.br/artigos/nao-me-deixe-nao-sofrer-naquele-hospital-experiencias-gravidicopuerperais-de-mulheres-negras-quilombolas-em-alagoas/19881