0171/2026 - QUANDO A ODONTOLOGIA (RE)ENCONTRA A SUA HISTÓRIA
WHEN DENTISTRY (RE)DISCOVERS ITS HISTORY
Autor:
• Romário Correia dos Santos - Santos, RC - <romario.correia@outlook.com>ORCID: https://orcid.org/0000-0002-4973-123X
Resumo:
Não se aplica.Palavras-chave:
Não se aplica.Abstract:
Não se aplica.Keywords:
WHEN DENTISTRY (RE)DISCOVERS ITS HISTORYConteúdo:
Do prático ao dentista moderno é o mais recente livro de Josevan Souza-Silva e Lilia Blima Schraiber, que ousadamente propõem repensar a odontologia contemporânea a partir do seu passado. Existe uma tradição analítico-histórico-crítica do trabalho em saúde no Brasil inaugurada por pesquisadores seminais para a Saúde Coletiva como Cecília Donnangelo, Ricardo Bruno Mendes Gonçalves1 e Lilia Blima Schraiber. Neste livro, Souza-Silva toma para si o desafio de analisar a odontologia enquanto um trabalho em saúde, e por isso, também social e em disputa, seja pelo Estado, Capital, sociedade ou agentes de sua própria prática2 .
O livro se concretiza a partir do desenvolvimento de sete capítulos elaborados a partir de duas perspectivas analíticas i- do trabalho de cirurgiões dentistas formados entre 1950 e 1960, com base em suas histórias de vida; e ii- fatos sócio-históricos registrados em um dos jornais mais antigos ainda em circulação no Brasil cuja origem remonta a 1825. É a memória individual, refletida em um coletivo, que nos permite apreender as grandes categorias centrais da obra: formação profissional; mercado de trabalho; regulação; especialização; incorporação tecnológica; e dos impactos da intervenção do Estado, através de políticas de Saúde Bucal na organização das práticas odontológicas.
Souza-Silva e Schraiber em nenhum momento parecem ter pressa na exposição dos conceitos e estratégias metodológicas adotadas na investigação. Logo no primeiro capítulo, apresentam como se deu a produção dos dados e sinalizam sua aproximação com a teoria do processo de trabalho em saúde de Mendes-Gonçalves1. Ademais, apontam que a obra dialoga com a vertente crítica da sociologia das profissões e do trabalho, que começa a emergir do texto sobretudo no capítulo 2, sendo um dos pesquisadores mais célebres deste campo, Freidson2. Por que vertente crítica? Os autores não fazem uma caracterização funcionalista do trabalho do dentista, mas localizam-no enquanto prática social capaz de instituir poder, simbologias, áreas de atuação, expertise e autonomia profissional ao longo da história e pela história.
No capítulo dois se instaura uma espécie de arqueologia3 do saber e das práticas do curar do corpo e da boca. Essa última, aparentemente tratada pelo Estado e pela sociedade como secundária, vil e marginalizada dentro da reprodução social desde os tempos mais remotos. Lidar com os dentes era uma prática com forte presença de agentes destituídos de poder, status social ou uma cor digna de respeito para aquela época, mas capilarizada nos becos, ruas e vielas, mesmo que de forma rudimentar.
O capítulo três traz robustez teórica à compreensão arqueológica3 produzida até então sobre os condicionantes que transformam uma ocupação em profissão. Aqui, expande-se o diálogo teórico com outros autores da sociologia das profissões e do trabalho como Aracy Nogueira e Marli Diniz quando se definem os conceitos básicos de trabalho, ocupação, profissão e técnica. Ainda neste capítulo, retoma-se a teoria do processo de trabalho em saúde1 , mas dessa vez apresentando seus marcadores: objeto, instrumentos e finalidade. O agente, ou seja, aquele que executa o trabalho1, é referenciado à luz da sociologia das práticas de Bourdieu4 ,quando os autores nos apresentam outras categorias como: habitus, capital, campo e espaço social que serão fundamentais para desvendar uma odontologia que é sobre os dentes, mas não só sobre os dentes.
Se nos capítulos anteriores podemos reconhecer a gênese da odontologia, enquanto trabalho em saúde, a partir do lugar que ocupavam homens negros escravizados com práticas pouco legitimadas, mas controladas e monitoradas por um Estado que se formava. No capítulo quatro, percebe-se que a organização da protoforma do mercado odontológico ao longo da história se dá em duas perspectivas básicas, a dos agentes1,4 brancos e a dos agentes1,4 pretos, o da primeira quando anunciada pelos jornais da época se conhecia o praticante da odontologia enquanto um produtor, enquanto o da segunda era anunciado como um produto. Pois, trocava-se a humanidade do agente pela sua capacidade de produzir riqueza para o dono do homem escravizado, mas que sabia lidar com os dentes.
Ainda no capítulo quatro, trilhamos um caminho imagético, do trabalho em saúde do dentista, que embranquece e absorve ciências, se anexa e desanexa da medicina exigindo valor não apenas de troca, mas de uso. É neste capítulo que as histórias de vida rompem com a amnésia da gênese4 ao apontar os caminhos percorridos por uma odontologia que em alguma medida atualmente pode ter esquecido que é odontologia. Localiza-se as primeiras universidades, disciplinas cursadas, campos de prática, disputas e cooptações pelo complexo odontológico-industrial seja para a compra de materiais usados durante a graduação, seja para indução da formação especializada. Um alerta se faz necessário ao leitor desatento: há um pequeno erro de paginação no capítulo quatro. A equipe editorial não observou que as páginas de 131 a 135 estão desconexas à ideia textual. A sequência correta para a leitura é 131, 133, 134, 132 e 135. Mas, esse pequeno desvio não depõe contra a obra.
As transformações do capitalismo, e suas crises, por dentro da oferta de serviços e organização identitária da imagem-objetivo do dentista é o pano de fundo do capítulo cinco. A odontologia começa a ser inserida em um novo modus operandi que ora reafirma autonomia, ora fragmentação e controle, ao que viríamos conhecer como precarização do trabalho. No decorrer do século XX surgem arranjos produtivos por dentro dos modelos de proteção social que se consolidam no setor saúde: caixas de aposentadorias e pensões, previdência social, planos de saúde e a própria constituição do sistema nacional de saúde tencionando novos papéis e atribuições para o agente1,4 da prática odontológica, que agora passa a ser trabalhador assalariado. Neste capítulo, descreve-se como existe uma dinâmica capital-centrada dos consultórios nos diversos territórios, a exemplo de uma Recife, em transformação, cujas paisagens expressam em seus espaços valor, riqueza, distinção e condição dos pacientes de pagar tratamentos estéticos ou mutiladores.
Quando achamos que não tem mais nada para alegrar nosso prazer literário que no meio do capítulo cinco começa a sofrer pelo fim da experiência que nos instiga a devorar o livro, eis que surge o capítulo seis. Os autores nos fazem questionar o papel de uma nova odontologia do século XXI, uma odontologia dos desejos e vaidades, que parece homogeneizar sorrisos, expressões e faces. Um elemento dentário excessivamente branco, ângulos e contornos dentais inexistentes enquanto os faciais acentuados ou afinados, essas são as características básicas das novas práticas.
A discussão do capítulo seis é inovadora, atual e oportuna, aborda-se não mais a construção social da boca e da face, mas as suas medicalizações, ou melhor, “odontolizações”, estéticas. Reflete-se temas como preenchedores faciais, facetas, cirurgias de papada ou bochechas, que ganham notoriedade na sociedade e na profissão, por meio de especialidades consolidadas e antigas, já senhoras de si, como a buco-maxilo-facial ou, a mais nova, a criança que chamamos de Harmonização Orofacial. Não obstante, ainda há uma que nem nasceu, mas em discussão pelo Conselho Federal de Odontologia, chamada de Cirurgias Estéticas da Face. Existe uma certa negatividade evidente neste capítulo, dos discursos das entrevistas e até dos autores que fazem análises a partir do lugar que ocupam, pois são dentistas formados na década de 50 e 60, ou especialistas em saúde coletiva. Porém, devemos interpretar esses dados com cautela, pois não devemos jogar a água da bacia com a criança dentro.
Uma das entrevistadas até diz “Eu tenho nojo disso (p.233)” se referindo as novas práticas da odontologia estética, e os autores no fim do mesmo capítulo fazem uma meia culpa de que não fizeram julgamentos de valor, sugerem que apenas elencaram contradições e lacunas a serem investigadas em publicações futuras. Fato é que sim, nós dentistas, e profissionais da saúde alinhados com a saúde coletiva, defendemos uma prática odontológica que contribua para a qualidade de vida das pessoas, potencialize vidas e sorrisos, mas não podemos nos amarrar em um passado que não se abre ao futuro de novos desejos inclusive da classe profissional. A maior lição que podemos aprender com Mendes-Gonçalves1, é que a prática da odontologia de hoje não é a mesma do passado, e nem deve ser a do futuro. Por fim, no último capítulo, o sete, os autores fazem uma escolha estilística usual, mas pouco teórico-crítica. Em que medida? Resume-se os principais achados de cada capítulo, às vezes com algumas pinceladas interpretativas, mas ainda assim deixando para nós leitores um gostinho de quero mais, como se ficássemos órfãos de um desfecho não concluído. Como se tivéssemos assistido um filme e não concordássemos com o seu final.
O livro, sem dúvidas, contribui para que nós dentistas façamos uma conciliação com nossa própria história, e merece ser lido por todas as gerações dessa ocupação/profissão/trabalho que lida com os dentes e também com as vaidades que circunscrevem os limites que abrangem verticalmente do osso hióide até o ponto násio e, lateralmente, de tragus a tragus.
Referências
1. Ayres JR, Santos L, organizadores. Saúde, Sociedade e História: Ricardo Bruno MendesGonçalves. São Paulo: Hucitec; 2017.
2. Angelin PE. Profissionalismo e profissão: teorias sociológicas e o processo de profissionalização no Brasil. REDD. 2010; 03(1):01-16.
3.Foucault M. A arqueologia do saber. 8. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária; 2012. 4.Bourdieu P. Os usos sociais da ciência: por uma sociologia clínica do campo científico. São Paulo: UNESP; 2004.
O livro se concretiza a partir do desenvolvimento de sete capítulos elaborados a partir de duas perspectivas analíticas i- do trabalho de cirurgiões dentistas formados entre 1950 e 1960, com base em suas histórias de vida; e ii- fatos sócio-históricos registrados em um dos jornais mais antigos ainda em circulação no Brasil cuja origem remonta a 1825. É a memória individual, refletida em um coletivo, que nos permite apreender as grandes categorias centrais da obra: formação profissional; mercado de trabalho; regulação; especialização; incorporação tecnológica; e dos impactos da intervenção do Estado, através de políticas de Saúde Bucal na organização das práticas odontológicas.
Souza-Silva e Schraiber em nenhum momento parecem ter pressa na exposição dos conceitos e estratégias metodológicas adotadas na investigação. Logo no primeiro capítulo, apresentam como se deu a produção dos dados e sinalizam sua aproximação com a teoria do processo de trabalho em saúde de Mendes-Gonçalves1. Ademais, apontam que a obra dialoga com a vertente crítica da sociologia das profissões e do trabalho, que começa a emergir do texto sobretudo no capítulo 2, sendo um dos pesquisadores mais célebres deste campo, Freidson2. Por que vertente crítica? Os autores não fazem uma caracterização funcionalista do trabalho do dentista, mas localizam-no enquanto prática social capaz de instituir poder, simbologias, áreas de atuação, expertise e autonomia profissional ao longo da história e pela história.
No capítulo dois se instaura uma espécie de arqueologia3 do saber e das práticas do curar do corpo e da boca. Essa última, aparentemente tratada pelo Estado e pela sociedade como secundária, vil e marginalizada dentro da reprodução social desde os tempos mais remotos. Lidar com os dentes era uma prática com forte presença de agentes destituídos de poder, status social ou uma cor digna de respeito para aquela época, mas capilarizada nos becos, ruas e vielas, mesmo que de forma rudimentar.
O capítulo três traz robustez teórica à compreensão arqueológica3 produzida até então sobre os condicionantes que transformam uma ocupação em profissão. Aqui, expande-se o diálogo teórico com outros autores da sociologia das profissões e do trabalho como Aracy Nogueira e Marli Diniz quando se definem os conceitos básicos de trabalho, ocupação, profissão e técnica. Ainda neste capítulo, retoma-se a teoria do processo de trabalho em saúde1 , mas dessa vez apresentando seus marcadores: objeto, instrumentos e finalidade. O agente, ou seja, aquele que executa o trabalho1, é referenciado à luz da sociologia das práticas de Bourdieu4 ,quando os autores nos apresentam outras categorias como: habitus, capital, campo e espaço social que serão fundamentais para desvendar uma odontologia que é sobre os dentes, mas não só sobre os dentes.
Se nos capítulos anteriores podemos reconhecer a gênese da odontologia, enquanto trabalho em saúde, a partir do lugar que ocupavam homens negros escravizados com práticas pouco legitimadas, mas controladas e monitoradas por um Estado que se formava. No capítulo quatro, percebe-se que a organização da protoforma do mercado odontológico ao longo da história se dá em duas perspectivas básicas, a dos agentes1,4 brancos e a dos agentes1,4 pretos, o da primeira quando anunciada pelos jornais da época se conhecia o praticante da odontologia enquanto um produtor, enquanto o da segunda era anunciado como um produto. Pois, trocava-se a humanidade do agente pela sua capacidade de produzir riqueza para o dono do homem escravizado, mas que sabia lidar com os dentes.
Ainda no capítulo quatro, trilhamos um caminho imagético, do trabalho em saúde do dentista, que embranquece e absorve ciências, se anexa e desanexa da medicina exigindo valor não apenas de troca, mas de uso. É neste capítulo que as histórias de vida rompem com a amnésia da gênese4 ao apontar os caminhos percorridos por uma odontologia que em alguma medida atualmente pode ter esquecido que é odontologia. Localiza-se as primeiras universidades, disciplinas cursadas, campos de prática, disputas e cooptações pelo complexo odontológico-industrial seja para a compra de materiais usados durante a graduação, seja para indução da formação especializada. Um alerta se faz necessário ao leitor desatento: há um pequeno erro de paginação no capítulo quatro. A equipe editorial não observou que as páginas de 131 a 135 estão desconexas à ideia textual. A sequência correta para a leitura é 131, 133, 134, 132 e 135. Mas, esse pequeno desvio não depõe contra a obra.
As transformações do capitalismo, e suas crises, por dentro da oferta de serviços e organização identitária da imagem-objetivo do dentista é o pano de fundo do capítulo cinco. A odontologia começa a ser inserida em um novo modus operandi que ora reafirma autonomia, ora fragmentação e controle, ao que viríamos conhecer como precarização do trabalho. No decorrer do século XX surgem arranjos produtivos por dentro dos modelos de proteção social que se consolidam no setor saúde: caixas de aposentadorias e pensões, previdência social, planos de saúde e a própria constituição do sistema nacional de saúde tencionando novos papéis e atribuições para o agente1,4 da prática odontológica, que agora passa a ser trabalhador assalariado. Neste capítulo, descreve-se como existe uma dinâmica capital-centrada dos consultórios nos diversos territórios, a exemplo de uma Recife, em transformação, cujas paisagens expressam em seus espaços valor, riqueza, distinção e condição dos pacientes de pagar tratamentos estéticos ou mutiladores.
Quando achamos que não tem mais nada para alegrar nosso prazer literário que no meio do capítulo cinco começa a sofrer pelo fim da experiência que nos instiga a devorar o livro, eis que surge o capítulo seis. Os autores nos fazem questionar o papel de uma nova odontologia do século XXI, uma odontologia dos desejos e vaidades, que parece homogeneizar sorrisos, expressões e faces. Um elemento dentário excessivamente branco, ângulos e contornos dentais inexistentes enquanto os faciais acentuados ou afinados, essas são as características básicas das novas práticas.
A discussão do capítulo seis é inovadora, atual e oportuna, aborda-se não mais a construção social da boca e da face, mas as suas medicalizações, ou melhor, “odontolizações”, estéticas. Reflete-se temas como preenchedores faciais, facetas, cirurgias de papada ou bochechas, que ganham notoriedade na sociedade e na profissão, por meio de especialidades consolidadas e antigas, já senhoras de si, como a buco-maxilo-facial ou, a mais nova, a criança que chamamos de Harmonização Orofacial. Não obstante, ainda há uma que nem nasceu, mas em discussão pelo Conselho Federal de Odontologia, chamada de Cirurgias Estéticas da Face. Existe uma certa negatividade evidente neste capítulo, dos discursos das entrevistas e até dos autores que fazem análises a partir do lugar que ocupam, pois são dentistas formados na década de 50 e 60, ou especialistas em saúde coletiva. Porém, devemos interpretar esses dados com cautela, pois não devemos jogar a água da bacia com a criança dentro.
Uma das entrevistadas até diz “Eu tenho nojo disso (p.233)” se referindo as novas práticas da odontologia estética, e os autores no fim do mesmo capítulo fazem uma meia culpa de que não fizeram julgamentos de valor, sugerem que apenas elencaram contradições e lacunas a serem investigadas em publicações futuras. Fato é que sim, nós dentistas, e profissionais da saúde alinhados com a saúde coletiva, defendemos uma prática odontológica que contribua para a qualidade de vida das pessoas, potencialize vidas e sorrisos, mas não podemos nos amarrar em um passado que não se abre ao futuro de novos desejos inclusive da classe profissional. A maior lição que podemos aprender com Mendes-Gonçalves1, é que a prática da odontologia de hoje não é a mesma do passado, e nem deve ser a do futuro. Por fim, no último capítulo, o sete, os autores fazem uma escolha estilística usual, mas pouco teórico-crítica. Em que medida? Resume-se os principais achados de cada capítulo, às vezes com algumas pinceladas interpretativas, mas ainda assim deixando para nós leitores um gostinho de quero mais, como se ficássemos órfãos de um desfecho não concluído. Como se tivéssemos assistido um filme e não concordássemos com o seu final.
O livro, sem dúvidas, contribui para que nós dentistas façamos uma conciliação com nossa própria história, e merece ser lido por todas as gerações dessa ocupação/profissão/trabalho que lida com os dentes e também com as vaidades que circunscrevem os limites que abrangem verticalmente do osso hióide até o ponto násio e, lateralmente, de tragus a tragus.
Referências
1. Ayres JR, Santos L, organizadores. Saúde, Sociedade e História: Ricardo Bruno MendesGonçalves. São Paulo: Hucitec; 2017.
2. Angelin PE. Profissionalismo e profissão: teorias sociológicas e o processo de profissionalização no Brasil. REDD. 2010; 03(1):01-16.
3.Foucault M. A arqueologia do saber. 8. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária; 2012. 4.Bourdieu P. Os usos sociais da ciência: por uma sociologia clínica do campo científico. São Paulo: UNESP; 2004.











