0140/2026 - Revisão de Escopo sobre prevenção da autolesão em crianças e adolescentes
Scoping review on the prevention of self-injury in children and adolescents
Autor:
• Aline Ferreira Gonçalves - Gonçalves, AF - <aline.fg20@yahoo.com.br, afgdocss@gmail.com>ORCID: https://orcid.org/0000-0001-8183-9198¹;
Coautor(es):
• Kathie Njaine - Njaine, K. - <knjaine28@gmail.com>ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3250-2331
• Clarissa Terenzi Seixas - Seixas, CT - <claseixas@gmail.com; clarissa.terenzi-seixas@u-paris.fr>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-8182-7776
• Joviana Quintes Avanci - Avanci, JQ - <jovi.avanci@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0001-7779-3991
Resumo:
Este estudo caracteriza-se por uma revisão de escopo cujo objetivo é identificar evidências sobre estratégias socioemocionais na prevenção da autolesão em adolescentes. Parte da proposta metodológica de Joanna Briggs Institute para a análise de 27 publicações. O acervo foi analisado pelo mapeamento descritivo e agrupamento temático. Os resultados mostram que prevalecem os estudos no contexto escolar e programas de prevenção universal e indicada. A autolesão é vista como uma expressão emocional influenciada por motivações afetivas e sociais, e pela regulação emocional. As intervenções baseiam-se em técnicas psicoterapêuticas, com foco nas habilidades socioemocionais. Programas que promovem essas habilidades são eficazes para reduzir comportamentos autolesivos, mas muitos são de curta duração e sem acompanhamento contínuo. Destaca-se a necessidade de programas estruturados e de longo prazo, que considerem o contexto amplo e envolvam diversos atores e instituições.Palavras-chave:
Autolesão; prevenção; habilidades socioemocionais; automutilação; adolescente.Abstract:
This study is characterized by a scoping review whose objective is to identify evidence on socio-emotional strategies in the prevention of self-injury in adolescents. It uses the methodological proposal of the Joanna Briggs Institute to analyze 27 publications. The collection was analyzed by descriptive mapping and thematic grouping. The results show that studies in the school context and universal and indicated prevention programs prevail. Self-injury is seen as an emotional expression influenced by affective and social motivations, and by emotional regulation. Interventions are based on psychotherapeutic techniques, with a focus on socio-emotional skills. Programs that promote these skills are effective in reducing self-injurious behavior, but many are short-lived and lack continuous follow-up. This highlights the need for structured, long-term programs that consider the broad context and involve various actors and institutions.Keywords:
Self-injury; prevention; socio-emotional skills; self-mutilation; adolescent.Conteúdo:
A autolesão é caracterizada como um ato intencional de ferir o próprio corpo, sem intenção suicida consciente1,2. Entre as expressões mais comuns estão os cortes, arranhões, queimaduras, interferência na cicatrização, incisões com palavras ou desenhos e golpes contra superfícies, podendo causar lesões moderadas ou mais sérias do que o planejado2,3. Geralmente é usada para lidar com emoções intensas, estresse ou adversidades, refletindo sofrimento psicológico que requer atenção e intervenção4,5. Embora influenciada por dinâmicas sociais na adolescência, não se relaciona a ritos de passagem culturalmente sancionados3,6.
Estima-se que 18% das pessoas em amostras comunitárias já tenham vivenciado ao menos um episódio de autolesão, comportamento que representa o quinto maior risco à saúde na adolescência7. No Brasil, observou-se, na última década, um aumento expressivo dos casos de lesão autoprovocada, incluindo tentativas de suicídio, especialmente entre jovens8,9.
Em 2021, o Sistema de Informações de Agravos de Notificação registrou 114.159 casos de violência autoprovocada, dos quais 70,3% envolveram mulheres, com maior frequência na faixa etária de 20 a 29 anos9. A autolesão é um importante fator de risco para o suicídio consumado e afeta especialmente adolescentes do sexo feminino3,6. Aspectos como raça, etnia e orientação sexual também influenciam significativamente sua compreensão e abordagem10,11.
No Brasil e no mundo, as ações voltadas para a prevenção da autolesão ainda são incipientes, com uma fragilidade de programas empiricamente testados, apesar da relevância global desse agravo12,13. Entre os programas internacionais avaliados e que privilegiam a promoção e a intervenção em saúde mental de forma mais ampliada estão: SOS Program14, Saving and Empowering Young Lives in Europe (SEYLE)15, Working in Europe to Stop Truancy Among Youth (WE-STAY)16 e Youth Aware of Mental Health (YAM)17. Essa lacuna, em especial no Brasil, torna urgente a implementação de políticas públicas e estratégias preventivas, especialmente considerando que a autolesão repetitiva é um importante marcador de sofrimento, associada a pensamentos e comportamentos suicidas e preditora de psicopatologias comórbidas, como depressão, transtornos de ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático e transtorno de personalidade borderline7.
A prevenção da autolesão pode ser organizada em três níveis de intervenção: a) universal, voltada a toda a população, mesmo sem fatores de risco identificados; b) seletiva, destinada a grupos com exposição a riscos específicos, mas sem manifestação do comportamento; c) indicada, focada em indivíduos que já apresentam o comportamento ou sinais de alerta11,18.
Dentro desse modelo, estratégias que promovem competências socioemocionais mostram-se eficazes na adolescência, fase em que a autolesão pode surgir como forma de lidar com emoções intensas ou sofrimento emocional2. Essas competências fortalecem fatores de proteção, reduzem riscos e promovem a saúde mental19,20. Destacam-se habilidades como regulação emocional, empatia, relações saudáveis, decisões responsáveis e manejo do estresse e frustrações21,22.
A regulação emocional envolve identificar, compreender e gerenciar emoções; a empatia, por sua vez, favorece o apoio social ao permitir compreender e compartilhar sentimentos10,16. Relações afetuosas e decisões responsáveis ajudam a evitar comportamentos de risco e fortalecem a saúde emocional 19,21. Já o enfrentamento do estresse e frustrações requer apoio social, essencial para lidar com os desafios do dia a dia23.
Em contextos de vulnerabilidade emocional, essas habilidades socioemocionais oferecem recursos internos indispensáveis para lidar com desafios, reduzindo a probabilidade de recorrer à autolesão. Intervenções que favorecem o reconhecimento, a expressão e a regulação emocional têm papel central na prevenção desse comportamento 20,23. Diante disso, este estudo busca mapear a produção científica nacional e internacional sobre estratégias de prevenção da autolesão não suicida em crianças e adolescentes (0-19 anos), com ênfase no desenvolvimento de competências socioemocionais.
Material e métodos
A condução desta revisão de escopo seguiu a metodologia proposta pelo Joanna Briggs Institute (JBI), conforme as diretrizes do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses – extension for Scoping Reviews (PRISMA-ScR), uma extensão da declaração PRISMA voltada especificamente à elaboração e ao relato de revisões de escopo24. A execução do estudo atendeu rigorosamente aos critérios metodológicos recomendados25 e contou com protocolo previamente registrado na plataforma Open Science Framework26. A pergunta de pesquisa, estruturada pelo mnemônico PCC (População, Conceito, Contexto), foi: quais evidências existem sobre estratégias socioemocionais para prevenir a autolesão não suicida em crianças e adolescentes (0-19 anos)?
Estratégia de busca e critérios de seleção
Esta revisão de escopo integra uma ampla investigação bibliográfica sobre estratégias de prevenção do comportamento suicida e da autolesão, fundamentada na teoria da inteligência emocional e nas habilidades socioemocionais27. A busca por evidências foi realizada entre janeiro e julho de 2022, em diversas bases acadêmicas (como Scielo, BVS, Scopus, Web of Science, PubMed, Embase, Psycnet e outras), no Google Acadêmico e em sites institucionais relevantes. Utilizou-se também o mecanismo de busca do Google para acessar fontes não indexadas, com foco em países com altas taxas de morbimortalidade infantojuvenil por violência autoinfligida.
Foram incluídas publicações entre 2010 e julho de 2022, nos idiomas português, espanhol, francês e inglês. O recorte a partir de 2010 se deu pela expansão epidemiológica e reconhecimento da condição da autolesão não suicida pelo DSM-528, embora sem diagnóstico formal completo. A estratégia de busca foi adaptada conforme a base e contou com descritores e sinônimos que abrangessem o espectro da violência autoinfligida na infância e adolescência. Nas bases acadêmicas, o processo foi conduzido por um bibliotecário especializado. Foram excluídos estudos fora do escopo etário, em idiomas não contemplados, com tema divergente, sem acesso ao texto completo, bem como dissertações, teses, capítulos de livros, apresentações em congressos e materiais audiovisuais. No total, 821 fontes de evidência foram resgatadas.
Seleção das Fontes de Evidência
A triagem inicial e a exclusão de duplicatas foram realizadas com o auxílio do gerenciador bibliográfico Rayyan QCRI29, com avaliação em dupla por títulos e resumos e resolução de divergências por consenso. Os registros pré-selecionados foram exportados para o Excel, onde a extração de dados foi conduzida por meio de um formulário. A leitura integral foi realizada por diferentes autores, que dividiram as funções entre análise teórica, aplicação das estratégias e discussão contínua do processo.
Após leitura integral e aplicação dos critérios de elegibilidade, 97 publicações foram incluídas: 56 de bases bibliográficas, 29 de buscas no Google, 12 de sites institucionais e 4 adicionais de busca não sistematizada no Google, totalizando 27 diretamente relacionadas à autolesão não suicida na infância e adolescência (figura 1).
Fig.1
Extração/sumarização dos dados e análise das evidências
A extração dos dados foi realizada com base nos objetivos da revisão, focando na autolesão e na promoção de habilidades socioemocionais como estratégia preventiva. Além dos dados descritivos básicos — como autores, instituição, título, ano, país, idioma, resumo, objetivo, método, amostra e local da intervenção —, foram extraídas informações conceituais alinhadas à pergunta da revisão e aos critérios de inclusão. Isso incluiu definições de autolesão, relações com habilidades socioemocionais, marcadores sociais (gênero, raça/cor, classe social, orientação sexual), tipo de intervenção, resultados e formas de mensuração.
Para a análise dos dados, adotou-se a abordagem qualitativa de conteúdo conforme as diretrizes da JBI24, com base em três etapas: preparação (familiarização e leitura das fontes), organização (identificação de padrões, temas e conceitos) e elaboração do relatório (apresentação dos resultados)25. A análise foi indutiva, permitindo que códigos e categorias emergissem do material. Foram criados descritores iniciais como tipos de fontes, características contextuais e constructos teóricos, os quais foram refinados em categorias e subcategorias (ex.: tipos de fonte, população-alvo, fatores de risco e proteção, regulação emocional, inteligência emocional).
A categorização proposta ocorreu em dois grandes temas: (1) caracterização das fontes segundo país, idioma, ano, público-alvo, terminologias utilizadas para autolesão, marcadores sociais, método e dimensão conceitual; e (2) agrupamento temático voltado para as estratégias de prevenção e a importância da articulação intersetorial.
Resultados
Caracterização do acervo
A “análise temporal” revelou concentração de publicações em 2020 (n=5)30-34, seguida por 2021, 2019 e 2018 (n=4 cada), 2022 e 2016 (n=3 cada), e 2014 e 2017 (n=2 e n=1, respectivamente), indicando intensificação recente do interesse científico sobre o tema. Em “termos geográficos”, Brasil (n=6) e Estados Unidos (n=4) lideram a produção, acompanhados por Peru (n=3), Alemanha e Espanha (n=2 cada), além de contribuições isoladas de outros países da América Latina, Europa e Oceania, refletindo relevância internacional e predomínio de pesquisas em contextos ocidentais.
O Quadro 1 apresenta a caracterização detalhada do acervo, incluindo os autores, objetivos, metodologias adotadas e aspectos conceituais explorados.
Quadro 1: Caracterização do acervo
Diferentes “terminologias” são utilizadas como sinônimos para autolesão, como autolesão não suicida (non-suicidal self-injury, em tradução livre), automutilação/mutilação, cutting (cortes) e autoagressão (self-harm). No entanto, os termos mais recorrentes na literatura especializada são autolesão, self-injury e non-suicidal self-injury30-32,35-51. Adicionalmente, cinco estudos abordam o “comportamento suicida concomitante à autolesão”11,30,32,33,49.
O “público-alvo” majoritário abrange adolescentes escolares de 11 a 19 anos, com amostras variando de 10 participantes40 a 3.200 estudantes em 16 escolas alemãs47. Parte dos estudos incluiu populações clínicas30,39, e a predominância de meninas é recorrente, embora alguns trabalhos tenham distribuição equilibrada31,38, sugerindo vieses de gênero na ocorrência ou no reporte da autolesão.
“Metodologicamente”, prevalecem estudos quantitativos (intervenções experimentais, longitudinais e transversais) que utilizam escalas padronizadas, questionários e entrevistas para avaliar programas voltados à regulação emocional e desenvolvimento de habilidades sociais, abrangendo públicos diversos - incluindo adolescentes, cuidadores e membros da comunidade escolar30,31,37-41,43-47,51,52.
As abordagens qualitativas aplicadas têm um papel importante na exploração de diretrizes e práticas em políticas públicas. O estudo realizado pelo Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas do Conselho Regional de Psicologia do Distrito Federal (CREPOP CRP DF)50, por exemplo, reuniu onze psicólogos(as) de diferentes áreas para analisar intervenções que promovem a prevenção e pósvenção do suicídio e da autolesão. Os estudos quanti-qualitativos, embora em menor número (n=2), combinam métodos para uma compreensão mais abrangente, enfatizando a integração de diferentes fontes para compreender demandas de autolesão23,43.
Estudos teóricos, revisões bibliográficas e recursos online destacam-se pela contribuição conceitual e prática para a compreensão e prevenção da autolesão. Um site revisado por especialistas, por exemplo, oferece abordagens práticas e acessíveis53. As revisões bibliográficas (n=5) abordam temas fundamentais, como estratégias de enfrentamento54, etiopatogenia42, intervenções psicológicas49, base neurobiológica da inteligência emocional e sua relação com a autolesão32, enquanto Magalhães e Carrasco33 realizam uma análise documental de estratégias preventivas em um plano piloto. Essa diversidade metodológica traz uma riqueza das intervenções práticas e de investigações conceituais para uma compreensão mais ampla da autolesão.
No aspecto conceitual da prevenção da autolesão, os estudos analisados enfatizam a regulação emocional como elemento central para compreender e prevenir a autolesão11,30,33-38,41-44,46,47,49,53,54. Esse conceito é frequentemente articulado com outros fatores, como estratégias de enfrentamento, competências emocionais, inteligência emocional, desregulação emocional e habilidades sociais. Os estudos ressaltam a relevância do reconhecimento das emoções como estratégia fundamental para prevenir comportamentos de autolesão35,36.
A hipótese de se basear na regulação emocional como estratégia de prevenção se sustenta em oferecer maior suporte41,44, fortalecendo o reconhecimento e manejo emocional34,36,38,53. São estratégias teoricamente embasada no Modelo da Autorregulação Emocional42 e Modelo da Regulação Afetiva44 para a explicação da autolesão, postulada como um mecanismo de autorregulação e gerenciamento emocional para o alívio (mesmo falseada) dos afetos e emoções negativas42,44.
Além disso, tanto os aspectos emocionais relacionados à consciência emocional, regulação emocional, competências emocionais e inteligência emocional43, quanto às habilidades sociais relacionais52 se evidenciam enquanto fatores que vulnerabilizam ou protegem da autolesão. Paralelamente, fatores relacionais de risco, como negligência emocional, conflitos familiares, bullying e isolamento social, são destacados como fatores que contribuem para o aumento de comportamentos autolesivos36,37,41.
Iniciativas de prevenção da autolesão
O Quadro 2 apresenta oito programas direcionados à prevenção da autolesão em adolescentes e jovens, destacando iniciativas que avaliam e/ou demonstram a eficácia de suas estratégias. A escola se configura como um espaço privilegiado para a implementação dessas ações que incluem intervenções universais, voltadas para estudantes de séries escolares específicas31,47,52, bem como abordagens específicas para adolescentes que apresentam comportamentos autolesivos46,51.
Alguns programas adotam um formato grupal, abrangendo adolescentes escolares (com e sem comportamentos de autolesão), pais e professores, promovendo uma abordagem integrada e colaborativa45,46. Programas de intervenção, como o uso da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), Terapia Dialética Comportamental (DBT) e práticas de psicoeducação, são mencionados como recursos eficazes para programas de prevenção e de intervenção da autolesão.
Quadro 2: Programas sobre prevenção da autolesão em adolescentes
Além disso, o ambiente online constitui um espaço essencial para intervenções preventivas, proporcionando a crianças e adolescentes acesso a aconselhamento e informações por meio de plataformas como E-motion e o site Find Get Give23. Esse contexto digital se destaca por sua relevância na prevenção e intervenção, ao integrar componentes da TCC51 e promover políticas sociais, conscientização coletiva e estratégias para o enfrentamento de dificuldades34.
A capacitação de adolescentes e cuidadores para o uso responsável das mídias digitais, prevenção do cyberbullying, segurança online e cidadania digital é recomendada pelo programa Helping Adolescents Thrive (HAT), da OMS e UNICEF¹¹. Programas de Aprendizagem Socioemocional (Social Emotional Learning – SEL), que desenvolvem habilidades de autorregulação e relações construtivas, também são eficazes para o letramento digital. Um exemplo é o Asegúrate, programa espanhol citado no manual da OMS e UNICEF, com oito sessões ministradas por professores capacitados, que reduziu significativamente cyberbullying, vitimização e ciberagressão. Além disso, o acompanhamento por profissionais de saúde oferece suporte a adolescentes que se autolesionam e orienta sobre interações e publicações online?³.
Evidências de eficácia foram observadas em diferentes programas. Entre os resultados, destacam-se: melhoria significativa nas habilidades sociais52; redução da frequência e gravidade de comportamentos autolesivos com o programa “Fortalecendo Minha Saúde Emocional”, focado na desregulação emocional46; e aumento da inteligência emocional após a participação no Programa de Inteligência Emocional de Aquino Huanca31. No entanto, as limitações incluem a ausência de padronização nas avaliações de eficácia, com diferenças nos critérios, métodos e periodicidade de acompanhamento, além do foco restrito em contextos escolares específicos e na realização de intervenções de curta duração.
O plano piloto de prevenção ao suicídio e autolesão em Palmas (TO) apresenta resultados promissores, consolidando-se como política pública e obtendo ampla aceitação em diversas áreas33. No entanto, sua avaliação, baseada em análise documental, foca no alcance das ações (quantidade de pessoas atingidas ou participantes), sem realizar a medição efetiva de indicadores de impacto. Por outro lado, Buerger et al.47 propõem avaliar um programa de prevenção universal em escolas, baseado na TCC e DBT, com a expectativa de redução das taxas de autolesão. Kaess et al.51 sugerem a adaptação do “Cutting Down Programme” para intervenções online, visando a redução de comportamentos autolesivos.
A única fonte que reúne uma ampla gama de estratégias comprovadas, implementadas em diferentes contextos, é o Kit de Ferramentas HAT, desenvolvido pela OMS e Unicef11. Esse kit apresenta intervenções psicossociais baseadas em evidências para prevenir problemas de saúde mental e reduzir comportamentos de risco, como a autolesão. Além disso, destaca a importância do monitoramento e da avaliação para medir o impacto e o alcance das estratégias propostas. É o único programa que destaca a necessidade de respostas com enfoque nas normas sociais e de gênero, através da promoção da igualdade de gênero em diferentes contextos; do combate à discriminação com base na identidade de gênero; legislação de combate ao casamento precoce e práticas tradicionais nocivas; a destituição de barreiras quanto ao acesso aos serviços de saúde mental segundo a identidade de gênero; e a prevenção de violências baseadas no gênero11.
Os textos analisados enfatizam, sobretudo, os fatores de risco, os grupos em maior vulnerabilidade e o fortalecimento de fatores de proteção. Apenas o programa HAT11 destaca explicitamente a necessidade de engajamento político-social e apresenta exemplos concretos nesse sentido – o que inclui a formação de profissionais de saúde, adaptação das intervenções para respeitar normas culturais, e o desenvolvimento de políticas públicas e ambientes (escolares, comunitários e digitais) que promovam a saúde mental dos adolescentes.
Da mesma forma, a cartilha do CREPOP CRP50 destaca a importância de considerar questões estruturais, como o racismo e a LGBTQIA+fobia, enfatizando a necessidade de capacitar profissionais para compreender como essas formas de violência impactam a saúde mental de crianças e adolescentes, além de configurarem graves violações dos direitos humanos.
Articulação intersetorial
A articulação intersetorial é essencial para a prevenção da autolesão, envolvendo a coordenação de diferentes setores e partes interessadas, tanto dentro quanto fora da saúde. Contudo, os materiais analisados, embora não apresentem um modelo estruturado de articulação, destacam ações práticas e papéis específicos de diversos agentes, como profissionais de saúde, educadores, cuidadores, pares, adolescentes, assistência social, sistema de justiça, sociedade civil, políticas públicas, ambiente online e medidas legais.
O Kit de Ferramentas HAT11 ilustra essa articulação ao enfatizar a colaboração entre setores como eixo central na promoção e proteção da saúde mental dos adolescentes. Propõe a criação de um órgão coordenador (liderado pelo Ministério da Saúde), o envolvimento de parceiros de diferentes áreas, apoio político, alinhamento de entendimentos e análise de atividades existentes, reforçando a importância de uma abordagem multissetorial.
Outro exemplo concreto é o programa piloto de prevenção ao suicídio e autolesão em Palmas/TO, avaliado por Magalhães e Carrasco33. Este programa reúne esforços dos setores de saúde, assistência social, educação e justiça, sendo reconhecido como uma política pública consolidada devido à sua ampla capilaridade e coerência com as diretrizes do Ministério da Saúde, mesmo que careça de indicadores epidemiológicos robustos.
Na Inglaterra, Bloomer23 destaca a importância de um plano de ação coordenado e abrangente para prevenir a autolesão em jovens. Suas recomendações incluem treinamentos para profissionais e famílias, redução de danos online, engajamento de provedores de mídia social, melhorias na comunicação entre serviços e coleta de dados mais robusta. Essas medidas reforçam a necessidade de uma abordagem integrada e baseada em evidências para atender às demandas de saúde mental dos adolescentes.
No Brasil, o relatório do CREPOP CRP 01/DF50 reforça o esforço para integrar a Rede de Atenção Básica (RAB), a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e as secretarias de educação, visando à prevenção do suicídio e, pontualmente, da autolesão. Apesar disso, o relatório evidencia lacunas significativas para consolidar o trabalho em rede no território, apontando como desafio a ampliação da responsabilidade pela prevenção para além da saúde e da saúde mental. A superação desse obstáculo exige o aumento de profissionais especializados, capacitação das redes de educação, assistência social e segurança, além da implementação de ações preventivas alinhadas às diretrizes do SUS. Isso inclui a garantia de interlocução e acesso às diversas políticas públicas, como trabalho, renda e moradia, entendidas como elementos essenciais para prevenir o suicídio e a autolesão, além de assegurar condições de vida dignas e o bem-viver50.
Esses documentos convergem ao destacar a articulação intersetorial como um elemento central para a prevenção da autolesão, indicando caminhos para fortalecer redes integradas e ampliar as ações com base em evidências e práticas coordenadas. A elaboração do fluxograma abaixo baseia-se na análise de três fontes principais: o relatório do CREPOP CRP 01/DF50, o toolkit “Helping Adolescents Thrive”11 e o relatório “Self-Harm Needs Assessment”23. Esses documentos fornecem diretrizes, ações intersetoriais e recomendações práticas que fundamentaram a representação visual das conexões e articulações necessárias entre os setores para prevenir a autolesão em crianças e adolescentes.
Figura 2: Fluxo de articulação intersetorial para prevenção da autolesão
Fig.2
Discussão
Os resultados desta revisão de escopo evidenciam que a regulação emocional é um componente relevante de intervenção para a prevenção da autolesão em adolescentes, sobretudo quando implementadas em ambientes escolares e comunitários, onde se concentram importantes processos de socialização, construção de identidade e desenvolvimento emocional. A caracterização do acervo revelou que a maioria dos estudos adota abordagens quantitativas e foca na avaliação da eficácia de intervenções, predominantemente no contexto escolar. Os programas analisados reforçam a importância do desenvolvimento de habilidades socioemocionais para a prevenção da autolesão, com destaque da TCC e da DBT. Ademais, a articulação intersetorial surge como um elemento necessário para prevenir a autolesão.
A literatura aponta que a autolesão pode atuar como um mecanismo de regulação emocional, sendo utilizada como uma estratégia para lidar com emoções intensas e difíceis de manejar4,55,56. Dessa forma, intervenções voltadas para o desenvolvimento de habilidades de regulação emocional posiciona essa competência como um fator de proteção individual na prevenção da autolesão57. Assim, o fomento das habilidades socioemocionais, seja pela perspectiva da regulação emocional, da aprendizagem socioemocional, da inteligência emocional e/ou das habilidades sociais, contribui para a construção de um contexto mais favorável à saúde mental20,57. Nos últimos anos, há um movimento crescente de integrar abordagens de intervenção com fundamentos teóricos baseados na TCC, DBT e ACT para uma aplicação prática mais eficaz; no entanto, essa integração entre teoria e prática ainda requer maior investigação, especialmente na elaboração de programas voltados para a prevenção e intervenção na autolesão58.
A análise dos programas evidencia desafios metodológicos e lacunas importantes para garantir eficácia na prevenção da autolesão. A ausência de acompanhamento longitudinal e critérios de efetividade consistentes limita a avaliação de impacto. Estudos apontam que programas mais eficazes precisam combinar estratégias baseadas em evidências, como acompanhamento de longo prazo, avaliação contínua e intervenções intersetoriais que integrem habilidades socioemocionais e contexto de apoio12,58. Esse enfoque amplia a sustentabilidade das ações e responde melhor às complexidades associadas ao comportamento autolesivo.
Outro ponto relevante é que a variação nas terminologias, como autolesão não suicida ou non-suicidal self-injury, automutilação (Self-mutilation), cutting e autoagressão ou self-harm, pode dificultar a compreensão e a comparação de estudos3,6, destacando a necessidade de padronização terminológica6,59. Terminologias claras e consistentes ajudam na comunicação entre profissionais de saúde, educadores e pais, garantindo que todos os envolvidos compreendam e possam agir de acordo com as recomendações de prevenção e intervenção. Isso é essencial para a implementação de programas de prevenção em diferentes contextos e para o desenvolvimento de políticas públicas.
A escola é destacada como ambiente privilegiado para a implementação de programas preventivos. Os estudos destacam a eficácia de intervenções universais e seletivas aplicadas nesse contexto, reforçando a importância do envolvimento de educadores e da comunidade escolar para promover um cuidado integral, além da família13,60. No contexto escolar, uma das principais aplicações práticas é a incorporação sistemática da educação socioemocional ao currículo. Programas estruturados, baseados em evidências, como o SEL (Social and Emotional Learning), promovem o desenvolvimento de habilidades como reconhecimento e regulação das emoções, empatia, resolução de conflitos e tomada de decisão responsável. Essas competências atuam como fatores protetores, reduzindo a vulnerabilidade à autolesão ao ampliar repertórios de enfrentamento diante de situações de sofrimento psíquico. Outra estratégia relevante é a criação de espaços seguros de escuta e acolhimento dentro das escolas. Isso pode se dar por meio de grupos reflexivos, rodas de conversa e atendimentos psicossociais, nos quais os estudantes possam expressar suas experiências sem julgamento. A presença de adultos de referência capacitados (professores, orientadores e profissionais de saúde) é central para identificar sinais precoces de sofrimento e encaminhar adequadamente os casos. A formação continuada desses profissionais, com foco em letramento em saúde mental, também é uma ação fundamental.
Também é necessário adotar estratégias inclusivas e culturalmente adaptadas, além de integrar profissionais externos para ampliar o impacto das intervenções12,13. Hasking et al.60 destacam a importância de protocolos claros nas escolas, prevendo uma equipe qualificada para a gestão de casos, avaliação contínua de risco e o papel dos profissionais de saúde mental no suporte ao estudante. Esses protocolos orientam sobre o envolvimento das famílias, a prevenção do contágio social e a necessidade de respostas culturalmente sensíveis, promovendo uma abordagem integrada e cuidadosa.
Outra iniciativa é desenvolvimento de programas de apoio entre pares, em que estudantes são treinados para oferecer escuta qualificada e apoio inicial a colegas podem fortalecer redes de solidariedade e pertencimento, reduzindo o isolamento social. Essas ações devem, contudo, ser acompanhadas por supervisão profissional, garantindo segurança e evitando sobrecarga dos estudantes envolvidos.
No âmbito familiar e comunitário, intervenções que promovam habilidades parentais positivas e comunicação aberta também são estratégicas. Oficinas com responsáveis podem abordar temas como regulação emocional, manejo de conflitos e identificação de sinais de risco, contribuindo para ambientes mais protetores. Em contextos comunitários, atividades culturais, esportivas e de engajamento social funcionam como espaços de expressão, reconhecimento e construção de vínculos, ampliando o sentimento de pertencimento e propósito. Além disso, o uso responsável de tecnologias digitais pode ser incorporado às estratégias preventivas. Plataformas e aplicativos voltados à promoção de saúde mental, quando bem orientados, podem oferecer suporte complementar, especialmente para jovens que têm dificuldade em buscar ajuda presencial. No entanto, é fundamental também trabalhar o letramento digital crítico, considerando os riscos associados à exposição a conteúdos que possam reforçar comportamentos autolesivos.
As mídias digitais também emergem como espaços estratégicos para prevenção, facilitando o acesso à rede de cuidado especializada e disseminando informações relevantes23,34,48. Com potencial para gerar resultados significativos, as intervenções online promovem a redução da autolesão51, melhorias na saúde mental, como autoestima, empatia, habilidades sociais e de enfrentamento, além de diminuir bullying e cyberbullying11.
Essas plataformas têm a vantagem de alcançar jovens que não acessam serviços tradicionais, oferecendo suporte anônimo e em tempo real61, além de possibilitar a troca de experiências entre pares, reforçando fatores de proteção4,62. Programas de terapia digital e aplicativos de saúde mental já demonstram eficácia na redução de sintomas de depressão e ansiedade, frequentemente associados à autolesão63,64.
Embora haja um potencial significativo e evidências iniciais promissoras, os programas analisados ainda estavam em fases de teste para confirmar a eficácia das intervenções online de forma robusta. Além disso, essa área em constante expansão demanda pesquisas contínuas para aprimorar tanto a segurança quanto à eficácia dessas intervenções63. É igualmente fundamental assegurar um acesso equitativo, especialmente no Brasil, onde a infraestrutura tecnológica limitada e a desigualdade no acesso à internet reduzem o alcance dessas estratégias, particularmente em regiões rurais e entre populações de baixa renda65.
A articulação intersetorial se apresenta como um elemento crucial. Setores como saúde, educação, assistência social, justiça, sociedade civil, família e ambiente online são mencionados, juntamente com exemplos de ações que podem ser realizadas nesses espaços e por seus profissionais33,34,48,50. No entanto, essas ações tendem a ser setorizadas e não plenamente integradas. Para que essas estratégias sejam realmente efetivas, é imprescindível o engajamento político e social, bem como a articulação de políticas públicas em áreas prioritárias66. Esse esforço deve levar em conta os fatores estruturais associados à autolesão e à saúde mental de forma integrada, orientando-se por uma proposta que valorize a vida humana em sua totalidade66,67. A construção de protocolos de identificação, acolhimento e encaminhamento, bem como o monitoramento contínuo das ações, são essenciais para garantir efetividade e sustentabilidade. Assim, a prevenção da autolesão deixa de ser uma ação pontual e passa a constituir um compromisso coletivo com o cuidado, a escuta e a valorização da vida.
Como limitação desta revisão de escopo, destacamos a ausência de dados longitudinais na maioria dos estudos analisados, o que dificulta a compreensão dos efeitos das intervenções ao longo do tempo. Além disso, a predominância de pesquisas em contextos escolares levanta a necessidade de explorar a eficácia de estratégias em outros ambientes, como unidades de saúde e serviços comunitários. Futuras investigações podem aprofundar a análise sobre a adaptação cultural das intervenções e a inclusão de perspectivas interseccionais na formulação de estratégias preventivas. Diante disso, recomenda-se que políticas e programas futuros incorporem abordagens integradas, considerando a articulação entre diferentes setores e a adaptação das intervenções às realidades locais. O fortalecimento de estratégias baseadas em evidências, aliadas a um monitoramento contínuo, pode contribuir para o aprimoramento das ações preventivas e para a promoção da saúde mental de adolescentes e jovens.
Declaração de Disponibilidade de Dados
As fontes dos dados utilizados na pesquisa estão indicadas no corpo do artigo.
Referências
1. Krug EG, Dahlberg LL, Mercy JA, Zwi AB, Lozano R. World report on violence and health (Relatório Mundial sobre violência e saúde). Geneva: World Health Organization; 2002. 346 p.
2. World Health Organization. Suicide and Self-harm [Internet]. WHO Regional Office for Eastern Mediterranean; 2019 [citado 16 de abril de 2024]. Disponível em: https://iris.who.int/handle/10665/333478
3. Walsh BW. Treating Self-Injury, Second Edition: A Practical Guide. Guilford Press; 2012. 434 p.
4. Gonçalves AF, Avanci JQ, Njaine K. “As giletes sempre falam mais alto”: o tema da automutilação em comunidades online. Cad Saúde Pública. 2023;39(4):e00197122.
5. Avanci JQ. Comportamento Suicida e Autolesão na Infância e Adolecência: conversando com profissionais sobre formas de prevenção. Rio de Janeiro, RJ: Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca; 2023. (Violência e Saúde Mental Infanto-juvenil).
6. Neto CH de A. Autolesão sem intenção suicida e sua relação com a ideação suicida [Internet] [Tese (Doutorado - Doutorado em Psicologia Clínica e Cultura)]. [Brasília]: Universidade de Brasília; 2019 [citado 29 de junho de 2020]. Disponível em: https://repositorio.unb.br/bitstream/10482/37075/1/2019_CarlosHenriquedeArag%C3%A3oNeto.pdf
7. Bürger A, Von Schoenfeld C, Scheiner C, Seidel A, Wasserscheid A, Gad D, et al. Universal prevention for non-suicidal self-injury in adolescents is scarce - A systematic review. Front Psychiatry. 23 de outubro de 2023;14:1130610.
8. Oliveira Alves FJ, Fialho E, Paiva De Araújo JA, Naslund JA, Barreto ML, Patel V, et al. The rising trends of self-harm in Brazil: an ecological analysis of notifications, hospitalisations, and mortality between 2011 and 2022. Lancet Reg Health - Am. março de 2024;31:100691.
9. Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Panorama dos suicídios e lesões autoprovocadas no Brasil de 2010 a 2021 [Internet]. Vol. 55. Brasília (DF): Ministério da Saúde; 2024 [citado 15 de março de 2024]. 18 p. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/boletins/epidemiologicos/edicoes/2024/boletim-epidemiologico-volume-55-no-04.pdf/view
10. Gholamrezaei M, De Stefano J, Heath NL. Nonsuicidal self?injury across cultures and ethnic and racial minorities: A review. Int J Psychol. agosto de 2017;52(4):316–26.
11. World Health Organization, United Nations Children’s Fund (?Unicef). Helping adolescents thrive toolkit: strategies to promote and protect adolescent mental health and reduce self-harm and other risk behaviours [Internet]. Geneva: World Health Organization; 2021 [citado 12 de agosto de 2022]. 148 p. Disponível em: https://apps.who.int/iris/handle/10665/341327
12. Heath NL, Toste JR, MacPhee SD. Prevention of Nonsuicidal Self-Injury. Em: Nock M, organizador. The Oxford Handbook of Suicide and Self-Injury. New York: Oxford University Press; 2014. (Oxford library of psychology).
13. Kruzan KP, Whitlock J. Prevention of Nonsuicidal Self- Injury. Em: Washburn JJ, organizador. Nonsuicidal self-injury?: advances in research and practice. 1o ed New York: Routledge; 2019. p. 215–39.
14. Jacobs DG, Brewer M, Klein-Benheim M. Suicide assessment: an overview and recommended protocol. In: Jacobs DG, ed. Guide to Suicide Assessment and Intervention. San Francisco, Calif: Jossey-Bass; 1999:3–39.
15. Wasserman D, Carli V, Wasserman C, Apter A, Balazs J, Bobes J et al. Saving and empowering young lives in Europe (SEYLE): a randomized controlled trial. BMC Public Health. 2010; 10:192. https://doi. org/10.1186/1471-2458-10-192 PMID: 20388196
16. Report WE-STAY. WE-STAY Report (2013). Final Report to the EU Commission. Available for download at www.we-stay.eu/WESTAY_finalreport.pdf. 2013.
17. Wasserman, C., Postuvan, V., Herta, D., Iosue, M., Värnik, P., & Carli, V. (2018). Interactions between youth and mental health professionals: The Youth Aware of Mental health (YAM) program experience. PloS one, 13(2), e0191843.
18. World Health Organization. Preventing suicide: a global imperative. Geneva: World Health Organization; 2014. 89 p.
19. Knight MA. Social Emotional Learning as a Universal Upstream Approach to Youth Suicide Prevention: A Secondary Data Analysis of a Prevention Program Evaluation. 2021 [citado 16 de outubro de 2023]; Disponível em: https://digitalscholarship.unlv.edu/thesesdissertations/4161/
20. Muehlenkamp JJ, Walsh BW, McDade M. Preventing Non-Suicidal Self-Injury in Adolescents: The Signs of Self-Injury Program. J Youth Adolesc. março de 2010;39(3):306–14.
21. Massagli SCC, Lopes, FP da S, de Sousa PRC. Aprendizagem socioemocional: espaço de reflexão e trocas de um projeto extencionista universitário para adolescentes na escola. Expressa Ext. 2021;26(2):187–97.
22. World Health Organization. Guidelines on mental health promotive and preventive interventions for adolescents: helping adolescents thrive (HAT) [Internet]. Geneva: World Health Organization; 2020 [citado 12 de agosto de 2022]. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/9789240011854
23. Bloomer E, Public Health Registrar, Brighton & Hove City Council. Self-harm needs assessment for children & young people 2018. Reino Unido: Brighton & hove City Council; 2018.
24. AROMATARIS, E.; LOCKWOOD, C.; PORRITT, K.; PILLA, B.; JORDAN, Z., eds. JBI Manual for Evidence Synthesis. JBI, 2024. Disponível em: https://synthesismanual.jbi.global. Acesso em: 2 out. 2022.
25. POLLOCK, D. et al. Recommendations for the extraction, analysis, and presentation of results in scoping reviews. JBI Evidence Synthesis, v. 21, n. 3, p. 520-532, mar. 2023. DOI: 10.11124/JBIES-22-00123.
26. Avanci JQ. Protocolo: Prevenção da autolesão e do comportamento suicida na adolescência: revisão da literatura para subsidiar ações em saúde [Internet]. OSF Home. 2022 [citado 7 de julho de 2022]. Disponível em: https://osf.io/2ezjh/
27. Avanci, Joviana Quintes et al. Scoping review on socioemotional skills in the prevention of suicidal behavior among adolescents. Cadernos de Saúde Pública [online]. v. 40, n. 7 [Acessado 24 Abril 2025] , e00002524. Disponível em:
28. American Psychiatric Association (2014). Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. Porto Alegre: Artmed.
29. OUZZANI, M. et al. Rayyan—a web and mobile app for systematic reviews. Systematic Reviews, v. 5, p. 210, 2016. DOI: 10.1186/s13643-016-0384-4.
30. Kim KL, Galione J, Schettini E, DeYoung LLA, Gilbert AC, Jenkins GA, et al. Do styles of emotion dysregulation differentiate adolescents engaging in non-suicidal self-injury from those attempting suicide? Psychiatry Res. setembro de 2020;291:113240.
31. Aquino Huanca H. Programa de Inteligencia Emocional para la prevención del cutting en los estudiantes de primero y segundo de Secundaria “de la Unidad Educativa Marcelo Quiroga Santa Cruz de la Ciudad de El Alto” [Internet] [Dissertação (Mestrado em Psicopedagogia) – Centro Psicopedagógico y de Investigación em Educación Superior]. [BolIvia]: Universidad Mayor de San Andrés; 2020. Disponível em: https://repositorio.umsa.bo/bitstream/handle/123456789/25409/TM386.pdf?sequence=1&isAllowed=y
32. Halicka J, Szewczuk-Bogus?awska M, Adamska A, Misiak B. Neurobiology of the association between non-suicidal self-injury, suicidal behavior and emotional intelligence: A review. Arch Psychiatry Psychother. 25 de junho de 2020;22(2):25–35.
33. Magalhães GSM, Carrasco LMCMC. Plano piloto de prevenção ao comportamento suicida e automutilação na adolescência: análise documental de uma ação proposta pela secretaria municipal de Palmas - TO. Em: Saúde Em Foco: Temas Contemporâneos - Volume 3 [Internet]. 1o ed Editora Científica Digital; 2020 [citado 17 de março de 2025]. p. 507–26. Disponível em: http://www.editoracientifica.com.br/articles/code/200901288
34. Silva AG da. Cartilha para a Prevenção da Automutilação e ao Suicídio. Orientações para educadores e profissionais da saúde. Fortaleza, CE: Fundacao Democrito Rocha; 2020.
35. Rolston A, Lloyd-Richardson E. What is emotion regulation and how do we do it? [Internet]. Cornell University: Cornell Research Program on Self-Injury and Recovery; S/D [citado 12 de agosto de 2022]. 5 p. Disponível em: www.selfinjury.bctr.cornell.edu
36. Scavacini K, Cacciacarro MF, Motoyama ÉP, Cescon LF. Autolesão: Guia Prático de Ajuda. São Paulo, SP: Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídio; 2021.
37. Voon D, Hasking P, Martin G. Emotion regulation in first episode adolescent non?suicidal self?injury: What difference does a year make? J Adolesc. outubro de 2014;37(7):1077–87.
38. Oktan V. A Characterization of Self-Injurious Behavior among Turkish Adolescents. Psychol Rep. dezembro de 2014;115(3):645–54.
39. Perloe A. A longitudinal examination of the association between non-suicidal self-injury, emotional intelligence, and family context in adolescents [Tese (Doctoral - Psychology, Clinical Psychology Concentration)]. [Fairfax, VA]: George Mason University; 2016.
40. Alvino Advíncula IR, Huaytalla Pariona AM. Inteligencia emocional en estudiantes que se autolesionan, del nivel secundario en la I.E.P. Gelicich del distrito de El Tambo-2015. [Internet] [Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciada en Psicología)]. [Huancayo, Peru]: Universidad Continental; 2017. Disponível em: https://repositorio.continental.edu.pe/handle/20.500.12394/3375
41. Xavier AM de J. Experiências Emocionais Precoces e (des)Regulação Emocional: Implicações para os Comportamentos Autolesivos na Adolescência [Internet] [Tese (Doctoral - Psychology, Clinical Psychology)]. [Coimbra, Portugal]: Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, Universidade de Coimbra; 2017 [citado 6 de dezembro de 2022]. Disponível em: https://estudogeral.sib.uc.pt/handle/10316/32327
42. Sánchez T. Autolesiones en la adolescencia: significados, perspectivas y prospección para su abordaje terapéutico. Rev Psicoter. 2018;29(110):185–209.
43. Fernández L del R. Síntomas y causas de las autoagresiones para la prevención de conductas autodestructivas [Internet] [Dissertação (Mestrado em Educação)]. [Azogue]: Universidad Nacional de Educación; 2018. Disponível em: http://repositorio.unae.edu.ec/handle/56000/810
44. Brausch AM, Woods SE. Emotion Regulation Deficits and Nonsuicidal Self?Injury Prospectively Predict Suicide Ideation in Adolescents. Suicide Life Threat Behav. junho de 2019;49(3):868–80.
45. Velis Giménez MC. Programa de intervención integral de las autolesiones no suicidas en una comunidad educativa desde la terapia dialéctica comportamental. [Internet] [Trabalho de Conclusão de Curso (Faculdade de Psicologia) – Curso de Psicologia]. [Valencia]: Universidad Católica de Valencia San Vicente Mártir; 2020. Disponível em: https://riucv.ucv.es/handle/20.500.12466/1390
46. Cano Quevedo JK. Programa “Fortaleciendo mi salud emocional” para reducir las conductas autolesivas en estudiantes de un distrito de Lima Norte, 2021. [Internet] [Tese (Doutorado em Psicologia) – Curso de Psicologia]. [Peru]: Universidad César Vallejo; 2021. Disponível em: https://repositorio.ucv.edu.pe/handle/20.500.12692/80376
47. Buerger A, Emser T, Seidel A, Scheiner C, Von Schoenfeld C, Ruecker V, et al. DUDE - a universal prevention program for non-suicidal self-injurious behavior in adolescence based on effective emotion regulation: study protocol of a cluster-randomized controlled trial. Trials. dezembro de 2022;23(1):97.
48. Silva AC. Santos JCP dos. Vedana KGG. Autolesão Não Suicida: Assistência e Promoção de Saúde Mental. Ribeirão Preto, SP: Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto - USP; 2021.
49. Kamazaki DF, Dias ACG. Intervenções para Autolesão Não Suicida: uma revisão sistemática da literatura. Context Clínicos [Internet]. 26 de julho de 2021 [citado 17 de março de 2025];14(1). Disponível em: http://revistas.unisinos.br/index.php/contextosclinicos/article/view/20925
50. Centro de referência técnica em psicologia e políticas públicas do conselho regional de psicologia do distrito federal – CREPOP CRP 01/DF. Relatório da etapa distrital da pesquisa sobre a atuação de psicólogas (os) nas políticas públicas de prevenção e posvenção do suicídio e da autolesão: ciclo de pesquisa 2021.1. [Internet]. 1o ed. Brasília (DF): Conselho Regional de Psicologia do Distrito Federal; 2022 [citado 17 de abril de 2023]. Disponível em: https://www.crp-01.org.br/notices/9172
51. Kaess M, Koenig J, Bauer S, Moessner M, Fischer-Waldschmidt G, et al. Self-injury: Treatment, Assessment, Recovery (STAR): online intervention for adolescent non-suicidal self-injury - study protocol for a randomized controlled trial. Trials. dezembro de 2019;20(1):425.
52. Galarreta Mostacero ADL. Programa de habilidades sociales para la prevención del cutting en estudiantes de secundaria de una Institución-Moche 2019 [Internet] [Dissertação (Mestrado em Intervenção em Psicologia) – Curso de Psicologia]. [Peru]: Escuela de Posgrado: Universidad César Vallejo; 2019. Disponível em: https://hdl.handle.net/20.500.12692/38139
53. Goodman J, Lader W, Lewis S, Whitlock J. What Is Self-Harm? The Mighty´s guide to understanding self-harm [Internet]. The Mighty. 2019 [citado 5 de julho de 2023]. Disponível em: https://themighty.com/topic/self-harm/what-is-self-harm/
54. González Suárez LF, Vasco- Hurtado IC, Nieto- Betancurt L. Revisión de la literatura sobre el papel del afrontamiento en las autolesiones no suicidas en adolescentes. Cuad Hispanoam Psicol. 2016;16(1):41–56.
55. Nock MK. Why Do People Hurt Themselves? New Insights Into the Nature and Functions of Self-Injury. Curr Dir Psychol Sci. abril de 2009;18(2):78–83.
56. Nock MK, Prinstein MJ. A Functional Approach to the Assessment of Self-Mutilative Behavior. J Consult Clin Psychol. 2004;72(5):885–90.
57. Leahy R, Tirch D, Napolitano LA. Por que a regulação emocional é importante? Em: Regulação emocional em psicoterapia: um guia para o terapeuta cognitivo-comportamental. Porto Alegre: Artmed; 2013.
58. Qu D, Wen X, Liu B, Zhang X, He Y, Chen D, et al. Non-suicidal self-injury in Chinese population: a scoping review of prevalence, method, risk factors and preventive interventions. Lancet Reg Health - West Pac. agosto de 2023;37:100794.
59. Santos LCS, Faro A. Aspectos conceituais da autoinjúria: Uma revisão teórica. Rev Psicol Em Pesqui [Internet]. 26 de abril de 2018 [citado 18 de abril de 2019];12(1). Disponível em: https://psicologiaempesquisa.ufjf.emnuvens.com.br/psicologiaempesquisa/article/view/92
60. Hasking P, Baetens I, Bloom E, Heath N, Lewis SP, Lloyd- Richardson E, et al. Addressing and Responding to Nonsuicidal Self- Injury in the School Context. Em: Washburn JJ, organizador. Nonsuicidal self-injury: advances in research and practice. 1o ed New York, NY: Routledge; 2019. p. 175–94.
61. Seko Y, Kidd SA, Wiljer D, McKenzie KJ. On the Creative Edge: Exploring Motivations for Creating Non-Suicidal Self-Injury Content Online. Qual Health Res. outubro de 2015;25(10):1334–46.
62. Gonçalves AF. Autolesão na adolescência e as redes sociais virtuais [Dissertação (Mestrado)]. [Rio de Janeiro]: Fundação Oswaldo Cruz, Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca; 2020.
63. Bevan Jones R, Hussain F, Agha SS, Weavers B, Lucassen M, Merry S, et al. Digital technologies to support adolescents with depression and anxiety: review. BJPsych Adv. julho de 2023;29(4):239–53.
64. Bailey E, Rice S, Robinson J, Nedeljkovic M, Alvarez-Jimenez M. Theoretical and empirical foundations of a novel online social networking intervention for youth suicide prevention: A conceptual review. J Affect Disord. outubro de 2018;238:499–505.
65. Comitê Gestor da Internet no Brasil. Pesquisa sobre o uso da internet por crianças e adolescentes no Brasil: Tic kids online Brasil 2017 = Survey on internet Use by children in Brazil: Ict kids online Brazil 2017. Comitê Gestor da Internet no Brasil - CGI.BR; 2018.
66. Paula JC de, Botti NCL. Projetos de lei relacionados à prevenção do suicídio no Brasil. Ment Online. 2021;13(23):144–65.
67. Dantas ESO. Prevenção do suicídio no Brasil: como estamos? Physis Rev Saúde Coletiva [Internet]. 2019 [citado 10 de julho de 2020];29(3). Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S0103-73312019000300301&lng=en&nrm=iso&tlng=pt











