EN PT

Artigos

0198/2026 - Saúde Única e a ‘Agenda 1930’ na Formação de Sanitaristas no País
One Health and the ‘1930 Agenda’ of Public Health Professionals Training in Brazil

Autor:

• Frederico Peres - Peres, F - <frederico.peres@fiocruz.br; frederico.peresdacosta@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-2715-6622



Resumo:

O presente artigo discute os potenciais efeitos da adoção da abordagem Saúde Única na formação de sanitaristas, a partir de uma análise de currículos e estratégias pedagógicas adotadas por cursos de especialização e programas de pós-graduação sobre o tema, oferecidos no país, identificando possíveis retrocessos à concepção e oferta de novos cursos e programas de formação em Saúde Pública. O estudo se estrutura a partir de uma análise de conteúdo de currículos e estratégias pedagógicas adotadas por cursos de pós-graduação lato e stricto sensu em Saúde Única, registrados nas Plataformas e-MEC e Sucupira, respectivamente. Os resultados desvelam que o positivismo inerente à abordagem da Saúde Única, presente nos programas e currículos das ofertas formativas analisadas, aliado à epistemologia linear que a estrutura, entram em conflito direto com as estruturas de determinação socioambiental da saúde que, desde os movimentos da Medicina Social e Saúde Coletiva, vêm orientando a formação de sanitaristas, no país. E suscitam a possibilidade da imposição de importantes retrocessos à formação de sanitaristas no país, na medida em que se observa forte adesão, por parte das instituições formadoras nacionais, à abordagem Saúde Única, nos últimos anos.

Palavras-chave:

Saúde Única; Formação Profissional em Saúde; Saúde Coletiva; Medicina Social; Currículo.

Abstract:

This article examines the potential effects of adopting the One Health approach in the training of public health professionals. It is based on an analysis of the curricula and pedagogical strategies used in specialization courses and postgraduate programs related to the subject offered in the country. The analysis identifies possible setbacks in the conception and delivery of new courses and training programs in public health. The study looks at the course content and teaching methods from lato and stricto sensu programs in One Health that are listed on the e-MEC and Sucupira Platforms. The results indicate that the positivism inherent in the One Health approach, as reflected in the programs and curricula analyzed, along with the linear epistemology that underpins it, directly conflicts with the socio-environmental determinants of health. These determinants have guided the training of public health professionals in the country since the Social Medicine and Collective Health movements. This conflict raises concerns about the potential for significant setbacks in the training of public health professionals, especially given the strong adherence to the One Health approach by national training institutions recently.

Keywords:

One Health; Health Human Resource Training; Public Health; Social Medicine; Curriculum.

Conteúdo:

INTRODUÇÃO
O ano era 2004. Especialistas em Saúde Animal e Saúde Pública, de diferentes instituições e organizações, como a Organização Mundial da Saúde/OMS e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura/FAO, se reuniram, na cidade de Nova York, Estados Unidos, com o objetivo de pensar estratégias de enfrentamento para a disseminação, atual e futura, de doenças entre populações humanas, animais domésticos e selvagens1,2. O evento, organizado pela Wildlife Conservation Society e sediado pela Universidade Rockefeller, discutiu, a partir de estudos de caso sobre as epidemias de Ebola e Gripe Aviária, entre outras, prioridades para uma abordagem internacional e interdisciplinar voltada ao combate de ameaças e emergências globais produzidas na interface entre a Saúde Pública, a Saúde Ambiental e a Saúde Animal3,4.
Um dos principais resultados do evento foi a publicação de um documento denominado “Um Mundo, Uma Saúde: Construindo Pontes Interdisciplinares para a Saúde em um Mundo Globalizado” que, posteriormente, ficaria amplamente conhecido como os "Princípios de Manhattan" (Manhattan Principles on “One World, One Health”), fornecendo as bases para uma abordagem que, nos últimos anos, vem ganhando destaque no âmbito de programas acadêmicos e de governos, voltados ao enfrentamento de emergências de saúde pública produzidas na interface entre a saúde animal, a saúde ambiental e a saúde humana - a abordagem Saúde Única (ou Uma Só Saúde, ambas traduções do conceito original, em língua inglesa, One Health)2,3,4.
O principal argumento em prol da abordagem Saúde Única, como estratégia prioritária para o enfrentamento de desafios complexos no campo da Saúde Pública, está associado à possibilidade de promover, na prática, uma articulação de saberes sobre saúde animal, saúde ambiental e saúde humana, em uma perspectiva interdisciplinar, de caráter acadêmico e não acadêmico, que considera a saúde como um atributo não exclusivamente humano1,4. Abordagem que, indiscutivelmente, lança luz sobre a relação e o vínculo entre humanos, ecossistemas e animais. Porém, deixa de considerar diversos aspectos processuais e de determinação dessa relação, ou seja, os contextos social, político, econômico, cultural e religioso, entre outros, a partir dos quais as relações entre humanos, animais e os respectivos ecossistemas são produzidas e reproduzidas5,6.
A não consideração de implicações sociais mais amplas de emergências sanitárias e outras situações-problema de saúde pública, como a extensão em que os meios de subsistência são afetados, a pobreza é exacerbada ou a consideração de populações específicas que podem enfrentar uma carga desproporcional de doenças e agravos, nos enfoques integradores entre a saúde animal, a saúde ambiental e a saúde humana, sob a abordagem da Saúde Única, limitando a compreensão dos processos de determinação socioambiental da saúde, ou seja, as “causas das causas”7,8.
As limitações epistemológicas da abordagem Saúde Única, que privilegiam sistematicamente as perspectivas biomédicas e das ciências naturais, marginalizam as ciências sociais e focam em fatores de risco individuais e na transmissão biológica, ao invés de reconhecerem o peso de desigualdades estruturais e os processos socioeconômicos que interferem nos quadros de saúde, individual e coletivamente, criam tensões fundamentais com as estruturas de determinação social da saúde, um dos principais pilares do pensamento da Medicina Social Latino-americana e da Saúde Coletiva brasileira8. Mesmo considerando que este movimento tem sido mais evidenciado no campo da Medicina Veterinária que na Saúde Coletiva, o contexto pós-pandêmico e a ênfase dada pela Saúde Pública Global às relações e interfaces entre ambientes, agentes e hospedeiros, como estratégia para se antecipar a novas pandemias, distanciando-se do exercício de pensar e enfrentar as “causas das causas”8, coloca a necessidade de uma reflexão crítica sobre que fundamentos e princípios vão orientar a Saúde Coletiva e, consequentemente, a formação de sanitaristas, nas próximas décadas.
Uma possível reorientação de princípios e fundamentos, política e historicamente construídos no campo da Saúde Coletiva, pode representar, assim, um importante retrocesso, tanto no que se refere à compreensão mais abrangente dos impactos dos complexos problemas de Saúde Pública sobre os diferentes indivíduos e grupos da população, quanto nos processos de formação de sanitaristas, no país e na América Latina que, nas últimas décadas, se fortaleceram ao incorporar, em seus currículos e programas pedagógicos, o conhecimento sanitário regional, baseado na compreensão dos complexos processos de determinação socioambiental da saúde, em contraposição ao modelo biomédico do início do século XX, época em que surgiram os primeiros cursos e programas de formação em Saúde Pública na América Latina9,10. Ou seja: reorientar a formação em Saúde Pública do atual olhar para a Agenda 2030, a partir do reconhecimento da complexidade de processos que determinam os quadros de saúde, individual e coletivamente, para um olhar focado na ‘Agenda 1930’ - alusão ao período onde as primeira iniciativas voltadas para a formação de sanitaristas, no país e região, buscavam fortalecer os serviços e programas de Saúde Pública para o enfrentamento das chamadas doenças tropicais, a partir de iniciativas voltadas para a promoção do saneamento, controle de vetores e cuidados à saúde da população impactada pelas grandes epidemias que assolavam a região10,11,12.
O presente artigo discute os potenciais efeitos da adoção da abordagem Saúde Única na formação de sanitaristas, a partir de uma análise de currículos e estratégias pedagógicas adotadas por cursos de especialização e programas de pós-graduação sobre o tema, oferecidos no país, identificando possíveis retrocessos à concepção e oferta de novos cursos e programas de formação em Saúde Pública.

METODOLOGIA
O estudo se configura como exploratório, descritivo, de base qualitativa, estruturado a partir de uma análise de currículos e estratégias pedagógicas adotadas por cursos de especialização (lato sensu) e programas de pós-graduação (stricto sensu) em Saúde Única, oferecidos por instituições formadoras brasileiras.
As buscas foram realizadas no idioma português, nas bases oficiais de registro de cursos lato e stricto sensu do país, entre 12 e 26 de janeiro de 2026.
Para os cursos lato sensu, as buscas foram feitas no Sistema e-MEC, do Ministério da Educação (MEC), que registra todos os cursos de especialização e MBAs autorizados no país. Utilizou-se, como descritores de busca, os termos “Saúde Única” e “Uma Só Saúde”. As pesquisas retornaram 10 cursos ativos, sendo dois destes registros distintos de um mesmo curso, resultando em um total de oito cursos de especialização ativos identificados no Sistema e-MEC.
Para os programas de pós-graduação stricto sensu, as buscas foram realizadas na Plataforma Sucupira, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), também vinculada ao Ministério da Educação (MEC). Utilizou-se, também, como descritores de busca, os termos “Saúde Única” e “Uma Só Saúde”, em idioma português. As pesquisas retornaram 176 programas de pós-graduação. Após a verificação de repetições, programas inativos e da confirmação, nos sites institucionais de cada programa, que o objeto da formação era, de fato, Saúde Única (ou Uma Só Saúde), a partir da análise das ementas de cada um, foram excluídos 172 programas, resultando em um total de quatro programas de pós-graduação ativos, no país, sobre Saúde Única.
Todos os dados foram inseridos em planilha Excel, selecionando-se para análise as informações sobre os currículos das ofertas, através de técnica de análise de conteúdo descritiva13, identificando temas, competências e/ou habilidades trabalhadas em cada curso ou programa, a partir das ementas de cada disciplina oferecida, assim como os objetivos e estratégias pedagógicas informados na descrição de cada curso ou programa.
Todos os dados (secundários) coletados e analisados no estudo estão disponíveis, sem restrições, na Internet, razão pela qual não se aplicou a análise pelo Comitê de Ética em Pesquisa.

RESULTADOS
A análise dos quatro programas de pós-graduação stricto sensu, identificados no levantamento realizado na Plataforma Sucupira, evidencia que, embora todos se orientem pelo paradigma da Saúde Única, eles o fazem a partir de matrizes epistemológicas, metodológicas e formativas distintas, que refletem diferentes compreensões do conceito e distintas estratégias pedagógicas adotadas para a formação de sanitaristas. Todos os quatro programas estavam credenciados, junto à CAPES, na Grande Área Ciências Agrárias, área da Medicina Veterinária, sendo dois destes com ofertas de cursos de mestrado e doutorado (acadêmicos), um com oferta de mestrado acadêmico e outro com oferta de mestrado profissional.
O Quadro 1 apresenta uma síntese dos grandes temas abordados pelas disciplinas oferecidas por cada um dos programas, bem como o enfoque principal da formação ofertada.
INSERIR QUADRO 1
O Programa de Pós-Graduação em Biociência e Saúde Única da Universidade Federal de Jataí (UFJ), com sede em Jataí/GO, apresenta uma estrutura curricular fortemente ancorada nas ciências biológicas e biomédicas, com ênfase em disciplinas de microbiologia, genética, parasitologia, diagnóstico laboratorial e experimentação animal. A integração com o conceito de Saúde Única ocorre principalmente por meio do conhecimento acerca da articulação entre agente, hospedeiro e ambiente, em uma perspectiva predominantemente biológica e de base experimental.
Já o Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia e Saúde Única da Universidade de São Paulo (USP), com sede em São Paulo/SP, assume uma orientação claramente epidemiológica e de base populacional, estruturada em torno de métodos quantitativos, principalmente bioestatísticos e de modelagem. As disciplinas enfatizam a análise dos sistemas de informação, modelagem para a análise de riscos e os fatores ambientais que impactam o quadro de doenças, individual e coletivamente.
Por sua vez, o Programa de Pós-Graduação em Saúde Única da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), em Recife/PE, apresenta um enfoque mais aplicado, voltado à intervenção, compatível com a modalidade de mestrado profissional. Oferece disciplinas que privilegiam conhecimentos da vigilância sanitária e da medicina veterinária, voltados à inspeção de produtos de origem animal, à gestão de riscos em saúde animal e humana, à segurança dos alimentos e à sustentabilidade de sistemas e cadeias produtivas.
Por fim, o Programa de Pós-Graduação em Saúde Única da Universidade de Santo Amaro (UNISA), com sede no distrito de Santo Amaro, zona sul de São Paulo/SP, adota um enfoque explicitamente integrativo, com ênfase na articulação de saberes em saúde animal e epidemiologia. Sendo o único dos quatro programas vinculado a uma instituição formadora privada, oferece disciplinas que enfatizam a integração humano–animal–ambiente, com convergência para os desafios contemporâneos relacionados aos impactos de zoonoses e das perturbações ambientais sobre a saúde de indivíduos e grupos da população.
O matriciamento entre os temas abordados nas disciplinas oferecidas pelos quatro programas de pós-graduação em Saúde Pública, identificados no país, com as Competências Básicas de Saúde Única (Competencies for One Health Field Epidemiology), recentemente definidas por uma força tarefa da Organização Mundial da Saúde (OMS), Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), observa-se que cada programa estrutura seus itinerários formativos a partir de concepções distintas sobre a Saúde Única e sua práxis, com graus de alinhamento diversos em relação ao documento síntese, produzidos pelas instituições-chave para a promoção da abordagem Saúde Única como estratégia prioritária de Saúde Pública (COHFE Framework)14. O Quadro 2 apresenta uma síntese do matriciamento entre as competências trabalhadas nas disciplinas oferecidas por cada um dos quatro programas de pós-graduação identificados e as competências básicas (core competencies) identificadas no COHFE Framework (2024).
INSERIR QUADRO 2
Já no que se refere à análise dos oito cursos de especialização autorizados pelo MEC para oferta de vagas, em 2025, identificados durante levantamento realizado no Sistema e-MEC, observa-se que a maior parte dos cursos são ofertados por instituições formadoras privadas e através da modalidade Educação a Distância (EaD), com cargas horárias que variavam de 360h a 720h. O Quadro 3 sistematiza as principais características dos cursos de especialização em Saúde Única identificados.
INSERIR QUADRO 3
Dos oito cursos identificados, apenas três informavam, nos respectivos sites institucionais, as ementas de suas disciplinas: os cursos One Health: Saúde Única, da UNYLEYA (RJ), Saúde Única, da UFABC (SP) e Saúde Única e Vigilância Sanitária de Alimentos, da UNIFATEC (SP). Também se observou que seis dos oito cursos ainda não haviam iniciado turmas, apesar de credenciados para a oferta pelo MEC. E no caso dos dois cursos credenciados junto ao MEC pela UNIFATEC, instituição privada de ensino do Paraná, observou-se que as ofertas eram feitas por uma editora de São Paulo (Editora Equalis), sob a coordenação de professores distintos daqueles informados, no Sistema e-MEC, como coordenadores.
O Quadro 4 apresenta as disciplinas dos três cursos que informavam, nos respectivos sites institucionais, tais informações.
INSERIR QUADRO 4
Observa-se que, no caso do curso Saúde Única e Vigilância Sanitária de Alimentos, credenciado pela UNIFATEC e oferecido pela Editora Equalis, embora seja anunciado, no site institucional, como um curso que “oferece uma formação estratégica e multidisciplinar, conectando ciência, tecnologia e responsabilidade social sob o conceito de Saúde Única”, suas disciplinas abordam, estritamente, temas relacionados com a vigilância sanitária/segurança de alimentos. Questão que levanta um alerta sobre a possibilidade de instituições formadoras dos campos da Saúde e da Medicina Veterinária repaginarem (ou apenas renomearem) cursos e programas de formação sobre saúde animal, saúde ambiental, vigilância sanitária ou área congêneres para atraírem profissionais interessados em uma formação sobre Saúde Única, mesmo que seus currículos e conteúdos não se alinhem às competências básicas circunscritas à abordagem.
Já nos casos dos cursos Saúde Única: One Health (UNYLEYA) e Saúde Única (UFABC), observa-se a discussão de temas que se alinham com as habilidades e competências definidas pelo COHFE Framework (2024). O Quadro 5 apresenta uma síntese do matriciamento entre as competências trabalhadas nas disciplinas oferecidas por cada um dos três cursos de especialização identificados e as competências básicas (core competencies) identificadas no COHFE Framework (2024).
INSERIR QUADRO 5
A análise integrada dos currículos dos programas de pós-graduação (stricto sensu) e dos cursos de especialização (lato sensu) em Saúde Única, oferecidos no Brasil, à luz do marco de competências proposto pela Organização Mundial da Saúde (OMS), Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) (COHFE, 2024), evidencia um processo ainda incipiente e assimétrico de institucionalização dessa abordagem no campo da formação em Saúde Pública, no país, com enfoque predominantemente tecnicista e setorial. Observa-se que as competências mais frequentemente contempladas concentram-se no domínio de vigilância, monitoramento e avaliação de riscos, sobretudo em cursos com ênfase na saúde animal e medicina veterinária. Por outro lado, competências centrais para o pensamento sanitário regional, como governança, políticas públicas e legislação, engajamento social, equidade e comunicação, aparecem de forma marginal, incipiente na maioria dos programas e cursos analisados.
A competência de trabalho intersetorial e colaboração, apontada como eixo estruturante da abordagem de Saúde Única (COHFE, 2024), é trabalhada pontualmente, de forma conceitual, sem qualquer informação sobre estratégias pedagógicas voltadas ao desenvolvimento de habilidades colaborativas reais. A predominância da modalidade EaD nos cursos lato sensu, embora amplie o acesso à formação, tende a dificultar experiências de aprendizagem baseadas em problemas reais, práticas de campo e interação com múltiplos atores institucionais, elementos essenciais para a consolidação de competências intersetoriais. Ao mesmo passo, nos programas stricto sensu, por sua natureza modular e pela flexibilidade dos itinerários formativos, também limitam a possibilidade de desenvolver, na prática, as competências colaborativas necessárias à intersetorialidade demandada pela abordagem Saúde Única.
Observa-se, ainda, que as habilidades e competências, trabalhadas nos cursos e programas de pós-graduação analisados e orientadas pela abordagem da Saúde Única privilegiam, sistematicamente, o conhecimento biomédico, analítico laboratorial, de métodos quantitativos descritivos e da saúde animal/medicina veterinária, marginalizando ou ignorando as contribuições das ciências sociais e econômicas, com ênfase na análise de fatores de risco individuais e na transmissão biológica, em detrimento de um olhar mais amplo para desigualdades estruturais e configurações socioeconômicas que determinam os problemas contemporâneos de Saúde Pública.


DISCUSSÃO
Problemas complexos de Saúde Pública são, cada vez mais, reconhecidos como resultados de processos de desenvolvimento insustentáveis, produzidos a partir de desequilíbrios sistêmicos que afetam as relações entre a saúde, o ambiente e a biodiversidade15,16. Entre as principais estratégias de enfrentamento destes problemas, bem como de seus impactos sobre indivíduos e grupos da população, a abordagem Saúde Única tem sido promovida como uma estrutura integrativa que, ao conectar a saúde humana, animal e ambiental, poderia ser capaz de produzir respostas objetivas aos desafios sanitários contemporâneos1,3,5,17,18.
A Resolução WHA74.7 da 74a Assembleia Mundial da Saúde15, de 31 de maio de 2021, adotada em um momento onde os sistemas de saúde, ao redor do planeta, ainda se dedicavam, prioritariamente, ao enfrentamento da pandemia de covid-19, buscou definir estratégias para o fortalecimento da preparação e resposta dos países membros da OMS a emergências de saúde pública. Entre suas principais decisões e deliberações, com o propósito de fortalecer os sistemas global, regional, nacional e subnacional de preparação para a atual e futura emergências sanitárias, destacava a criação de uma ação conjunta com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) para o desenvolvimento de programas e ações baseadas na abordagem Saúde Única, incluindo a formação de profissionais de Saúde Pública.
Como desdobramentos das orientações da Resolução WHA74.7, uma série de iniciativas, adotadas no âmbito do Sistema Nações Unidas, buscaram promover a orientação de políticas e programas de saúde pela abordagem da Saúde Única, incluindo a expansão da força-tarefa original (OMS - FAO - OIE) para um Grupo Quadripartite, com a inclusão do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a partir da aprovação, na 75a Assembleia Mundial da Saúde, do Documento A75/19 - Reforço à Colaboração em Saúde Única19. No documento, foi definido um Plano de Ação não-normativo e não-vinculativo, fornecendo uma estrutura para avançar na capacidade global de prevenir, prever, detectar e responder a ameaças à saúde, melhorando a saúde de humanos, animais, plantas e do meio ambiente, através da abordagem Saúde Única.
A partir dessas duas iniciativas, coordenadas pela Organização Mundial da Saúde15,19, em colaboração com a FAO, a OIE e o PNUMA, observa-se uma rápida e abrangente expansão de programas e políticas orientados pela abordagem Saúde Única, em diferentes partes do planeta, incluindo a criação de programas de formação e institutos, no âmbito de instituições acadêmicas do campo da Saúde/Saúde Pública. Iniciativas como a criação da Plataforma One Health, coordenada por um consórcio de instituições acadêmicas na Espanha20, o Programa One Health do Instituto Salud Global de Barcelona21, o Curso de Educação Contínua “Una Salud, iniciativa integradora de la salud humana, animal y ambiental”, da Escola de Saúde Pública do México22 e o Instituto de Investigación Una Salud, da Universidade da República do Uruguai23, entre diversas outras criadas a partir de 2021, mostram o alinhamento de tradicionais instituições formadoras ibero-americanas, no campo da Saúde Pública, à abordagem Saúde Única, seja na formação, pesquisa ou na estruturação de programas de extensão.
O caráter interdisciplinar da abordagem Saúde Única é, indiscutivelmente, um aspecto que atrai o interesse de instituições e grupos de pesquisa, ao redor do planeta, e mesmo considerando as limitações aqui discutidas, favorece a adesão de parte importante da comunidade acadêmica às iniciativas para a promoção da abordagem em projetos de pesquisa, formação e extensão18. Adesão mais amplamente observada na comunidade veterinária, embora, nos últimos dois anos, observa-se um crescente interesse da comunidade médica sobre o tema, sobretudo quando aplicado ao estudo e enfrentamento da resistência antimicrobiana2,17.
No Brasil, instituições acadêmicas conceituadas como a Fundação Oswaldo Cruz24, com seu Programa de Pesquisa Translacional em Saúde Única, e a Universidade de São Paulo25, com o Programa de Pós-graduação em Epidemiologia e Saúde Única, nota 7 na CAPES (2021-2024), dão respaldo e incentivo à incorporação da abordagem Saúde Única na formação de sanitaristas, no país. Iniciativas que tendem a ganhar força e abrangência com a publicação do Decreto nº 12.007/202426 que, entre outras definições, cria o Comitê Técnico Interinstitucional de Uma Só Saúde, cujas atribuições incluem elaborar e revisar o Plano de Ação Nacional de Uma Só Saúde e apoiar o desenvolvimento de estudos e pesquisas sobre o tema.
A orientação de ações e programas, inclusive formativos, pelo conceito de Saúde Única, no país, embora incipiente, apresenta potencial de distanciar a formação de sanitaristas de princípios e fundamentos, histórica e politicamente construídos no Brasil e na América Latina, que vêm se constituindo como a marca do pensamento crítico e da orientação de serviços, programas e sistemas de saúde, no país e na região. E, como tal, tem gerado a produção de ensaios e posicionamentos críticos, produzidos por diferentes atores-chave do campo da Saúde Pública, nos quais se questiona se, de fato, a abordagem Saúde Única captura adequadamente a complexidade dos desafios sanitários contemporâneos, sobretudo no que se refere aos processos, históricos e sistêmicos, que os determinam2,6,8,27.
Mesmo considerando que a abordagem se estrutura e promove a interdisciplinaridade, constata-se que a integração que promove, muitas vezes, permanece aditiva em vez de epistemologicamente transformadora, uma vez que tenta articular disciplinas que, normalmente, contribuem com insumos paralelos, sem se engajarem na co-criação do conhecimento ou desafiarem as ontologias e epistemologias dominantes8,18. Assim, a questão que se coloca, a partir dos resultados do presente estudo, é a possibilidade de ruptura com a histórica incorporação da perspectiva latino-americana da Saúde Pública, fortemente vinculada aos movimentos da Medicina Social (América Latina como um todo) e Saúde Coletiva (Brasil), na formação de sanitaristas, nacional e regionalmente. Um problema que já vem sendo identificado e criticado por atores-chave do campo da Saúde Pública no Brasil, como a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e o Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes) 8,27,28.
Parte das críticas trazidas por estes atores-chave, em seus recentes posicionamentos, pôde ser identificada na análise das estruturas dos programas de pós-graduação (lato e stricto sensu), ao longo do presente estudo, principalmente no que diz respeito a:
? Omissão e simplificação da abordagem Saúde Única ao não fazer “qualquer referência à forma como a ação humana (antrópica) desestrutura os ecossistemas, destrói a biodiversidade e provoca a emergência de doenças infecciosas e as mudanças climáticas”8 (p.2);
? O fato da abordagem apresentar “limitações paradigmáticas importantes, incluindo fragilidades para enfrentar as causas estruturais das crises climática, ambientais e sanitárias, assim como para promover o fortalecimento do SUS”28 (p.1);
? A não consideração que a “saúde é produto da acumulação social, ou seja, a determinação socioambiental e econômica da saúde sobejamente evidenciada em todos os cenários, incluindo os impactos atualmente observados das profundas transformações climáticas sobre os mares, biomas, biosfera, na informação, na experiência humana, incluindo as doenças”27 (p.3);
? E que “a intersetorialidade das políticas econômicas e sociais convocada para a saúde na CF/88 e o próprio SUS, por sua estrutura abrangente da assistência à vigilância, reforçados pelo princípio da integralidade, poderiam sustentar as questões candentes apresentadas pelos defensores da One Health para as doenças zoonóticas”8 (p.3).
O positivismo inerente à abordagem Saúde Única, manifestado pela retomada de uma epistemologia linear de causa e efeito, que marcou as experiências pioneiras de formação em Saúde Pública no país, nas décadas de 1920 e 1930, entra em conflito direto com o olhar sobre os processos de determinação socioambiental da saúde, pilar da Medicina Social latino-americana e da Saúde Coletiva brasileira, e orientador dos princípios do SUS, desviando o foco da compreensão das desigualdades em saúde como produtos da economia política e das relações de poder para as interfaces entre a saúde animal, a degradação ambiental e os efeitos observáveis sobre a saúde humana, individual e coletivamente2,8,28.
Convergindo com esta constatação, e conforme observado na análise dos programas de pós-graduação e cursos de especialização, oferecidos no país, identifica-se que competências centrais para o pensamento sanitário regional, como a governança de sistemas de saúde, as políticas públicas de inclusão, as estratégias para o fortalecimento do engajamento/participação social, e promoção da equidade e as estratégias multissetoriais de comunicação e acesso à informação, entre outras, aparecem de forma marginal, incipiente em parte das ofertas identificadas, estando completamente ausentes das demais. Essa lacuna é particularmente crítica em contextos de elevada desigualdade socioambiental, como o brasileiro, onde processos de vulnerabilização que afetam, de maneira desproporcional, determinados territórios e grupos da população, condicionam condicionando impactos desiguais sobre a saúde humana, com viés de raça, etnia, grupo social, poder aquisitivo e escolaridade, entre outros aspectos que, pelo olhar da Saúde Única, tendem a ficar invisibilizados29,30,31.
Os resultados, aqui levantados e discutidos, apontam para a possibilidade de os programas de formação orientados pela abordagem Saúde Única não contribuírem para o desenvolvimento de habilidades e competências voltadas ao enfrentamento das desigualdades de raça, gênero, etnia, entre outras, e que possibilitem ao profissional sanitarista, egresso desses programas, uma atuação marcada por respostas participativas, promotoras de justiça social e territorialmente situadas30,32. A epistemologia positivista da abordagem Saúde Única, plenamente alinhada com pensamento sanitário do início do século XX, orientado pelo modelo biomédico da saúde e fortemente vinculado à epidemiologia descritiva, aplicada ao enfrentamento das doenças tropicais, que assolavam o país, afastam a formação em Saúde Pública da possibilidade de promoverem, com a abrangência e a criticidade necessárias, o desenvolvimento de habilidades e competências para o enfrentamento de problemas complexos e sistêmicos como, por exemplo, aqueles circunscritos aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, no âmbito da Agenda 203017,18,33. E, desta forma, aproximam mais a abordagem à ‘Agenda 1930’, uma vez que, tal qual expressa nos programas dos cursos analisados, encontra-se orientada a partir de uma estrutura que integra a saúde animal, a saúde ambiental e a saúde humana de forma linear e descolada dos processos históricos e políticos que determinam seus impactos, desproporcionais e desiguais, sobre os diferentes grupos da população8,17,27.
Ademais, a promoção e validação da abordagem Saúde Única através de programas e resoluções de organismos internacionais do campo da Saúde, como a OMS (global) e a Organização Panamericana da Saúde/OPAS (regional), tendem a repetir, guardadas as devidas proporções e distinções histórico-institucionais, o papel e a influência regional da Fundação Rockefeller, na década de 1930, no que se refere à criação de cursos, programas e estruturas. A partir de uma agenda focada no enfrentamento das grandes epidemias das chamadas doenças tropicais na América Latina, esta Fundação estadunidense apoiou e orientou a estruturação dos primeiros institutos e cursos de Saúde Pública latino-americanos, fortemente influenciados pela visão sanitária de Abraham Flexner que, duas décadas antes, havia produzido o famoso relatório que consolidou, ao redor do planeta, o paradigma disciplinar-biomédico da formação em Saúde Pública, ainda vigente e pujante10,12,34.
A perspectiva de se vivenciar um novo ciclo de expansão de institutos, programas e cursos voltados à formação, à pesquisa e a ações de extensão orientadas pela abordagem da Saúde Única, no Brasil e na América Latina, desvela, não apenas, o potencial de possíveis retrocessos nos projetos formativos no campo da Saúde Pública. Igualmente, representa a real possibilidade de duplicação de esforços e o desfinanciamento de programas e sistemas de saúde, no país e região, cujos orçamentos enfrentam, historicamente, restrições impostas por agendas legislativas e de governos orientados por projetos neoliberais de desenvolvimento econômico27,28,35. Um alerta importante, no caso do Brasil, onde ações e programas voltados à vigilância e o enfrentamento de emergências sanitárias, a partir de um olhar sobre as interfaces entre a saúde animal, a saúde ambiental e a saúde humana, já são desenvolvidas no âmbito do SUS, seja através de políticas intersetoriais ou em âmbito dos sistemas e subsistemas de Vigilância em Saúde e que, ao invés de substituídos, poderiam ser fortalecidos com recursos e esforços que, cada vez mais, são direcionados à criação de programas e iniciativas de promoção da abordagem Saúde Única, no país8,35.

CONCLUSÕES
As evidências aqui apresentadas e discutidas desvelam a necessidade de se avançar no debate acadêmico sobre a adesão, por parte de instituições e grupos de pesquisa, ao redor do planeta e, em particular, no Brasil, à abordagem Saúde Única, sobretudo no que diz respeito à formação de sanitaristas. Partindo do pressuposto que tais profissionais são atores-chave para a estruturação de serviços, programas e sistemas de saúde, e fundamentais para o êxito das estratégias de enfrentamento dos desafios da Saúde Pública contemporânea, entende-se que sua formação precisa estar alinhada com referenciais teórico-metodológicos abrangentes e críticos, capazes de orientar uma práxis comprometida com o enfrentamento das desigualdades estruturais que produzem e reproduzem problemas complexos, entre os quais aqueles originados na interface entre a saúde animal, saúde ambiental e saúde humana.
Nos últimos anos e, com mais força, a partir do início da pandemia de covid-19, observa-se uma rápida expansão de programas e políticas orientados pela abordagem Saúde Única, ampliando o alcance da abordagem para além de espaços que, até então, estavam praticamente restritos à comunidade veterinária. Um movimento que, no Brasil, vem resultando em um aumento da oferta de cursos e programas orientados pela abordagem Saúde Única, com potencial de influenciar a formação de sanitaristas e, consequentemente, a maneira como enxergam os complexos problemas sanitários enfrentados em sua prática profissional, no âmbito dos programas e serviços de Saúde Pública do país.
A análise dos currículos das ofertas formativas orientadas pela abordagem Saúde Única, no Brasil, identificou que fatores sociais, histórico-estruturais, políticos e econômicos são, comumente, tratados como variáveis contextuais, ao invés de serem considerados como determinantes centrais, capazes de influenciar direta e indiretamente os resultados de saúde. E, dessa forma, obscurecem os sistemas mais amplos de produção e reprodução das desigualdades que levam determinados indivíduos e grupos da população a sentirem, de maneira desproporcional, os impactos dos complexos problemas de Saúde Pública.
Em conclusão, o positivismo inerente à abordagem da Saúde Única, aliado à epistemologia linear que a estrutura, colocando em um mesmo plano a saúde animal, ecossistêmica e humana desvela, portanto, um conflito direto com as estruturas de determinação socioambiental da saúde, que exigem a compreensão das desigualdades estruturais como produtos da economia política e das relações de poder, interferindo direta e indiretamente nos resultados de saúde, individual e coletivamente. Um olhar que, como observado ao longo do presente trabalho, encontra-se à margem, ou mesmo ausente, das competências centrais circunscritas à abordagem Saúde Única, e que suscita a possibilidade de impor importantes retrocessos aos processos formativos direcionados a sanitaristas, no país, tradicionalmente estruturados a partir de acúmulos históricos de conhecimentos aportados pelos movimentos da Medicina Social Latino-america e da Saúde Coletiva brasileira.

REFERÊNCIAS
1 - Gibbs EPJ. The evolution of One Health: a decade of progress and challenges for the future. Vet Rec. 2014;174(4):85-91.
2 - Pettan-Brewer C, Penn G, Biondo AW, Jaenisch T, Grützmacher K, Kahn LH. Who coined the term “One Health”? Cooperation amid the siloization. One Health. 2024;18:100678.
3 - Wildlife Conservation Society. One World–One Health: building interdisciplinary bridges [Internet]. 2004 [cited 27 Jan 2026]. Available from: http://www.oneworldonehealth.org/sept2004/owoh_sept04.html
4 - Mackenzie JS, Jeggo M. The One Health approach—why is it so important? Trop Med Infect Dis. 2019;4(2):88.
5 - Brassolotto J, Raphael D, Baldeo N. Epistemological barriers to addressing the social determinants of health among public health professionals in Ontario, Canada: a qualitative inquiry. Crit Public Health. 2014;24(3):321-36.
6 - Baum SE, Machalaba C, Daszak P, Salerno RH, Karesh WB. Evaluating One Health: are we demonstrating effectiveness? One Health. 2017;3:5-10.
7 - Baquero OS, Benavidez Fernández MN, Acero Aguilar M. From modern planetary health to decolonial promotion of One Health of peripheries. Front Public Health. 2021;9:637897.
8 - Rizzotto MLF, Costa AM, Dias AP, Corrêa Filho HR, Friedrich K, Augusto LGS. Saúde Única: um conceito ambíguo sob debate. Saúde Debate. 2025;48:e143ED.
9 - Peres F, Brandão AL, Silva MB, Casemiro MP. Mapping public health training in Latin America: perspectives for training institutions. Rev Panam Salud Publica. 2023;47:e25.
10 - Tobar S, Peres F. La formación en salud pública a través de redes estruturantes: relato de experiencias en América Latina. Una Salud. 2023;1(2):30-8.
11 - Lima NT, Fonseca CMO. História da especialização em saúde pública no Brasil: nota introdutória. In: Lima NT, Fonseca CMO, Santos PR, organizadores. Uma escola para a saúde. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz; 2004. p. 25-38.
12 - Cueto M, Palmer S. History of public health in Latin America. In: Oxford Research Encyclopedia of Global Public Health. Oxford: Oxford University Press; 2018 [cited 27 Jan 2026]. Available from: https://oxfordre.com/publichealth/view/10.1093/acrefore/9780190632366.001.0001/acrefore-9780190632366-e-20?print=pdf
13 - Bardin L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70; 2015. 288 p.
14 - World Health Organization; Food and Agriculture Organization of the United Nations; World Organisation for Animal Health. Competencies for One Health Field Epidemiology (COHFE) Framework. Geneva: WHO; 2024 [cited 27 Jan 2026]. Available from: https://www.woah.org/app/uploads/2024/05/cohfe-01-framework-web-who-2024-v2.pdf
15 - Organização Mundial da Saúde (OMS). Strengthening WHO preparedness for and response to health emergencies [Resolução WHA74.7]. Genebra: OMS; 2021 [citado 29 jan 2026]. Disponível em: https://apps.who.int/gb/ebwha/pdf_files/WHA74/A74_R7-en.pdf
16 - Menezes MAC, Peres F. La sindemia global y el rol de las escuelas de salud pública en América Latina. In: Brandão AL, Casemiro JP, Peres F, organizadores. Inseguridad alimentaria y emergencia climática: sindemia global y un desafío de salud pública en América Latina. 1ª ed. Porto Alegre: Editora Rede Unida; 2023. p. 256-73.
17 - Dye C. One Health as a catalyst for sustainable development. Nat Microbiol. 2022;7(4):467-8.
18 - Pungartnik PC, Abreu A, Santos CVB, Cavalcante JR, Faerstein E, Werneck GL. The interfaces between One Health and Global Health: a scoping review. One Health. 2023;16:100573.
19 - Organização Mundial da Saúde (OMS). Strengthening WHO preparedness for and response to health emergencies – strengthening collaboration on One Health [Relatório A75/19]. Genebra: OMS; 2022 [citado 29 jan 2026]. Disponível em: https://apps.who.int/gb/ebwha/pdf_files/WHA75/A75_19-en.pdf
20 - Plataforma One Health/Una Sola Salud (POH). Plataforma One Health/Una Sola Salud [Internet]. 2026 [citado 31 jan 2026]. Disponível em: https://onehealthplataforma.es/
21 – ISGlobal. One Health (Una sola salud) o cómo lograr a la vez una salud óptima para las personas, los animales y nuestro planeta [Internet]. Disponível em: https://www.isglobal.org/es/healthisglobal/-/custom-blog-portlet/one-health-una-sola-salud-o-como-lograr-a-la-vez-una-salud-optima-para-las-personas-los-animales-y-nuestro-planeta/ [acesso 29 jan 2026].
22 - Escuela de Salud Pública de México (ESPM). Curso de educación continua “Una Salud, iniciativa integradora de la salud humana, animal y ambiental” [Internet]. Cuernavaca: ESPM; 2026 [citado 31 jan 2026]. Disponível em: https://www.espm.mx/blog/una-salud-iniciativa-integradora-de-la-salud-humana-animal-y-ambiental/
23 - Universidad de la República (UDELAR). Instituto de Investigación Una Salud [Internet]. Montevideo: UDELAR; 2026 [citado 31 jan 2026]. Disponível em: https://investigacion.udelar.edu.uy/instituto-una-salud/
24 - Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Programa de Pesquisa Translacional Uma Só Saúde/FIO-Saúde Única [Internet]. Rio de Janeiro: Fiocruz; 2026 [citado 31 jan 2026]. Disponível em: https://fiosaudeunica.fiocruz.br/
25 - Universidade de São Paulo (USP). Programa de Pós-graduação em Epidemiologia e Saúde Única [Internet]. São Paulo: USP; 2026 [citado 31 jan 2026]. Disponível em: https://posepidemiovps.fmvz.usp.br/pt-br
26 – Brasil. Decreto nº 12.007, de 25 de abril de 2024. Brasília: Presidência da República, 2024.
27 - Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (CEBES). Saúde única ou uma só saúde? Quais as questões no contexto brasileiro? [Internet]. Rio de Janeiro: CEBES; 2024 [citado 31 jan 2026]. Disponível em: https://cebes.org.br/saude-unica-ou-uma-so-saude-quais-as-questoes-no-contexto-brasileiro/35004/
28 - Leitão C, Souza RP. Uma Só Saúde e Saúde Coletiva: diálogo possível? [Internet]. 2025 [citado 31 jan 2026]. Disponível em: https://outraspalavras.net/outrasaude/uma-so-saude-e-saude-coletiva-dialogo-possivel/
29 – Acselrad H, Mello CCA, Bezerra GN. O que é justiça ambiental. Rio de Janeiro: Garamond; 2013.
30 – Gonçalves LAP, Oliveira RG, Gadelha AGS, Medeiros TM. Saúde coletiva, colonialidade e subalternidades – uma (não) agenda? Saude Debate. 2022;43(Esp):160–74.
31 - Aguiar JC. Environmental racism and health outcomes in Brazil: a systematic review. Rev Geopolítica. 2025;16(5):e773.
32 - Souza CG, Almeida-Ribeiro D. Reflexões sobre práticas alimentares em comunidades quilombolas e os impactos do racismo na invisibilização dos saberes. Rev Aliment Cult Am. 2023;4(1):89-104.
33 - Villanueva-Cabezas JP, Winkel KD, Campbell PT, Wiethoelter A, Pfeiffer C. One Health education should be early, inclusive, and holistic. Lancet Planet Health. 2022;6(3):e188-9.
34 - Pagliosa FL, Da Ros MA. O relatório Flexner: para o bem e para o mal. Rev Bras Educ Med. 2008;32(4):492-9.
35 - Souza PCA, Schneider MC, Simões M, Fonseca AG, Vilhena M. A concrete example of the One Health approach in the Brazilian Unified Health System. Front Public Health. 2021;9:618234.


Outros idiomas:







Como

Citar

Peres, F. Saúde Única e a ‘Agenda 1930’ na Formação de Sanitaristas no País. Cien Saude Colet [periódico na internet] (2026/ago). [Citado em 14/08/2026]. Está disponível em: http://cienciaesaudecoletiva.com.br/artigos/saude-unica-e-a-agenda-1930-na-formacao-de-sanitaristas-no-pais/20096?id=20096&id=20096

Últimos

Artigos



Realização



Patrocínio