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0004/2026 - Uso de tranquilizantes por estudantes do ensino médio de uma capital brasileira
Use of tranquilizing by high school students of a Brazilian capital

Autor:

• Franciéle Marabotti Costa Leite - Leite, FMC - <francielemarabotti@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-6171-6972

Coautor(es):

• Laura Fontes Silva - Silva, LF - <laura.f.silva@edu.ufes.br>
ORCID: https://orcid.org/0009-0001-7923-3063

• Luíza Eduarda Portes Ribeiro - Ribeiro, LEP - <luizaeduportes@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-1960-7155

• Milene Diniz Paulucio - Paulucio, MD - <milenedinizp@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-1394-5666

• Nathalia Borba Raposo Pereira - Pereira, NBR - <nathaliaborba21@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0009-0005-5478-6162

• Carlos Augusto Lopes - Lopes, CA - <carlopesviana@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0009-0006-8648-0181

• Fernanda Garcia Gabira Miguez - Miguez, FGG - <fernandagabirag@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0001-7603-3325



Resumo:

Analisar a prevalência de experimentação e uso atual de tranquilizantes por escolares da Grande Vitória e sua associação com as características sociodemográficas e socioeconômicas. Estudo epidemiológico analítico, realizado com alunos de escolas públicas e privadas do Espírito Santo. Os desfechos de interesse foram o uso atual e ao longo da vida de tranquilizantes sem prescrição médica. Foram calculadas as frequências brutas e relativas com significância de 0,05, análise bivariada (teste Qui-quadrado de Pearson e Exato de Fisher) e multivariada com Regressão de Poisson. A prevalência de experimentação foi de 16,7%. Cerca de 50,5% usaram pela primeira vez aos 15 anos ou mais, e 35,5% conseguiram o medicamento com algum familiar. A experimentação e o uso atual foram mais prevalentes entre meninas (RP: 1,88) e adolescentes LGBTQIAPN+ (RP: 1,71). A classe econômica A apresentou maior frequência de uso atual (p=0,039), e maior experimentação foi observada entre aqueles com religiões diferentes de católica ou evangélica(p<0,001) e entre aqueles que os pais não estavam mais juntos (p=0,012). Observa-se uma alta prevalência de experimentação e uso de tranquilizantes entre os estudantes, levando a necessidade de ações preventivas mais específicas e direcionadas para este público.

Palavras-chave:

Tranquilizantes, Estudantes, Automedicação.

Abstract:

To analyze the prevalence of experimentation and current use of tranquilizers by schoolchildren in Greater Vitória and its association with sociodemographic and socioeconomic characteristics. Analytical epidemiological study, carried out with students from public and private schools in Espírito Santo. The outcomes of interest were current and lifetime use of over-the-counter tranquilizers. Raw and relative frequencies were calculated with a significance of 0.05, bivariate analysis (Pearson's Chi-square test and Fisher's exact test) and multivariate analysis with Poisson Regression. The prevalence of experimentation was 16.7%. Around 50.5% used it for the first time when they were 15 years old or older, and 35.5% obtained the medication from a family member. Experimentation and current use were more prevalent among girls (RP: 1.88) and LGBTQIAPN+ adolescents (PR: 1.71). Economic class A showed a higher frequency of current use (p=0.039), and greater experimentation was observed among those with religions other than Catholic or Evangelical (p<0.001) and among those whose parents were no longer together (p=0.012) .There is a high prevalence of experimentation and use of tranquilizers among students, leading to the need for more specific and targeted preventive actions for this population.

Keywords:

Tranquilizers, Students, Self-medication.

Conteúdo:

A Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que o uso irracional de medicamentos é um problema em âmbito global e estima que quase a metade dos medicamentos comercializados no mundo são prescritos, dispensados ou vendidos de forma inapropriada. Esse uso incorreto ou irracional resulta em desperdício de recursos financeiros e riscos para a saúde individual e coletiva, como reações adversas, intoxicações, mascaramento de doenças, interações medicamentosas, doenças iatrogênicas e dependência1,2.
Dentre os principais medicamentos utilizados de forma irracional, destacam-se os psicofármacos. O Comitê Nacional para Promoção do Uso Racional de Medicamentos (CNPURM) pontuou que o Brasil é o terceiro maior consumidor mundial de ansiolíticos benzodiazepínicos, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e da Índia, e o sexto maior produtor dessas substâncias, com destaque para medicamentos como clonazepam, midazolam e diazepam, zolpidem e alprazolam1. Essas substâncias atuam no sistema nervoso central, proporcionando calma e sedação, chamadas também de tranquilizantes. Na farmacologia, essa definição abrange as benzodiazepinas, que aliviam os sintomas de ansiedade; hipnóticos, indutores do sono; os opioides, atenuantes da dor; e alguns antipsicóticos, utilizados no tratamento de condições como esquizofrenia e episódios maníacos3.
Levando em conta os afetados pela prática da automedicação, embora os estudos majoritariamente foquem em adultos, os adolescentes merecem uma avaliação mais direcionada sobre esta prática, considerando todas as alterações psíquicas e relacionais envolvidas nesta faixa etária4, tendo sido esta prática reportada em diversos estudos brasileiros5–8. A fase da adolescência pode ser definida pela OMS como o período entre 10 e 19 anos de idade, marcado pela transição entre a infância e o início da vida adulta, configurando em diversos desafios que influenciam em sua saúde, estilo de vida e relações pessoais, tornando essencial cuidar de suas necessidades4.
É importante salientar que estudos de base escolar e abrangência municipal realizados com estudantes entre 15 e 19 anos encontraram prevalências significativas de automedicação variando em percentuais de 64% no norte5 e nordeste7 e cerca de 50% no sudeste8 do Brasil. Embora tais estudos não tenham se referido a alguma classe específica de medicamentos, o uso de tranquilizantes é mencionado como uma preocupação9, apontando a necessidade de rastreio e desenvolvimento de pesquisas sobre o uso destes medicamentos. Isso se deve ao fato de que, embora essas substâncias possam ser benéficas quando usadas corretamente, seu uso inadequado pode causar sérios danos à saúde dos jovens, incluindo problemas psicológicos e distúrbios associados ao abuso10. A dependência destes fármacos tem sido um problema particularmente grave para essa população, afetando-os de maneira mais intensa do que os adultos por conta dos processos de formação do cérebro vivenciados por esta faixa etária1.
A motivação de uso destas substâncias é associada a questões recreativas e a efeitos de relaxamento, sedação e diminuição da ansiedade11, podendo ser utilizado como uma solução técnica e mais rápida para eliminar as inquietações humanas12.
De todo modo, é importante salientar que no Brasil os tranquilizantes requerem um controle especial para a sua comercialização e uso, regulamentados através da Portaria SVS/MS nº 344 de 1998, que define os medicamentos que necessitam de receita médica para sua aquisição em todo o território nacional13. Entretanto, o uso desregrado e sem prescrição é comum, sendo reportada a influência do encorajamento pelas relações sociais estabelecidas, principalmente por parte dos amigos e familiares como uma medida associada a este uso14.
Com isso, o investimento em ações de saúde que possam fortalecer a qualidade de vida na adolescência é extremamente importante para a diminuição de adesão às práticas de risco como é o caso da automedicação15, norteando também ações mais direcionadas aos profissionais e gestores de saúde de enfrentamento a esta prática. O último levantamento nacional sobre o uso de substâncias psicotrópicas entre estudantes no Brasil foi realizado em 2010 pelo Centro Brasileiro de Informações Sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) com alunos do ensino fundamental e médio das 27 capitais. O estudo revelou que 5,3% dos estudantes já usaram ansiolíticos (tranquilizantes) sem prescrição, e 2,6% os usaram nos 12 meses anteriores16. Esses dados são cruciais para o monitoramento contínuo e a formulação de políticas públicas de saúde. Diante disso, esta pesquisa tem por objetivo analisar a prevalência de experimentação e uso atual de medicamentos tranquilizantes por escolares da Grande Vitória e sua associação com as características sociodemográficas e socioeconômicas.

Métodos
Estudo epidemiológico transversal de base escolar do tipo analítico, cuja coleta foi realizada em escolas públicas e privadas da Região Metropolitana da Grande Vitória (RMGV) entre março e dezembro de 2023 com 4.612 alunos. A RMGV faz parte de um grande centro urbano do estado do Espírito Santo (ES), pertencente à região sudeste do Brasil, e, que se divide em 7 municípios, com população estimada para o ano de 2022 de 1.880.828 habitantes, representando cerca de 36% das escolas de ensino médio do estado17. A amostragem foi realizada por meio de conglomerados, tendo como unidades primárias as escolas. O processo ocorreu em 3 etapas, incluindo inicialmente a definição de estratos da população (escola da rede pública com Programa Estado Presente; escola da rede pública sem o Programa Estado Presente e escolas da rede privada), a seleção de escolas dentro dos estratos, e, por fim a seleção dos estudantes dentro das escolas escolhidas. O Programa Estado Presente mencionado busca implantar políticas públicas integradas para controlar a criminalidade, prevenir a violência e ampliar o acesso a serviços básicos em áreas de alta vulnerabilidade social. Neste sentido, os municípios com territórios contemplados com este programa foram escolhidos para a pesquisa, a fim de incorporar informações e fortalecer a geração de dados sobre esta política.
O cálculo amostral foi realizado a partir do Censo da Educação do INEP de 202118 e de acordo com a metodologia de Cochran19,usando o percentual de 95% de confiança e erro máximo de 5%. Para cada estrato de município, o erro máximo foi de 10%.
Após a coleta e qualificação dos dados, como variável desfecho de interesse foram incluídos todos os adolescentes escolares que relataram ter feito uso de medicamentos tranquilizantes sem receita médica ao longo da vida. Para rastreio dos padrões de uso dos tranquilizantes foi utilizado um questionário através de um dispositivo eletrônico, em que os adolescentes foram respondentes, com o seguinte questionamento: “Você já tomou algum tranquilizante (calmante) sem receita médica? Exemplos: diazepam, dienpax, valium, lorax, rohypnol, psicosedin, somalium, apraz, rivotril, dormonid, bromazepam, frontal, olcadil, zolpidem”. A definição de medicamentos tranquilizantes incluiu medicações de efeito confortante ou calmante como ansiolíticos, antipsicóticos e anti mania, que são drogas recomendadas para diferentes finalidades terapêuticas3.
Vale destacar que este questionário foi elaborado a partir da adaptação de questionários anteriormente utilizados no Brasil com estudantes20,21, além de incorporar itens validados pela Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE)22.
Quanto às variáveis independentes foram avaliadas as seguintes características sociodemográficas: sexo (feminino ou masculino), idade em anos (14 a 15 anos, 16 a 17 anos, 18 a 19 anos), orientação sexual (heterossexual, LGBTQIAPN+), identidade de gênero (cisgênero, não cisgênero), raça/cor (branca, preta, parda, amarela, indígena), estado civil (solteiro, namorando, outros), classe socioeconômica (A, B, C, D/E), tipo de escola (pública ou privada), situação de trabalho atual (sim ou não), religião (católica, evangélica, nenhuma, outras) e situação conjugal dos pais - vivem juntos (sim ou não).
Foi conduzida análise descritiva com frequência absoluta, relativa e Intervalos de Confiança em 95% (IC95%), seguido de análise bivariada com teste Qui-quadrado de Pearson (?2) e teste Exato de Fisher para verificar a relação entre as variáveis. Para a análise multivariada bruta e ajustada por Razão de Prevalência (RP) foi utilizado a Regressão de Poisson com variância robusta, considerando a entrada no ajuste pelas variáveis com significância estatística p=0,20 na análise bivariada e mantidas aquelas com valor de p=0,05. O programa estatístico utilizado foi o Stata versão 17.0. Preservando as questões éticas, a pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) sob o parecer n° 5.900.370.

Resultados
Dentre os adolescentes avaliados, 16,7% (N= 769; IC95%: 15,6-17,8) relataram o uso de tranquilizantes ao longo da vida sem prescrição médica e 4,3% (N=199; IC95%: 3,76-4,94) relatou uso atual. Entre os adolescentes que já haviam relatado o uso na vida, cerca de 26% (IC95%: 22,9-29,1) referiram uso atual do medicamento, 50,5% (IC95%: 46,9-54,0) tinha 15 anos ou mais quando fizeram o uso pela primeira vez e 35,5% (IC95%: 32,2-39,0) conseguiram o medicamento com algum familiar (Tabela 1).

Tab.1

A tabela 2 traz os dados referentes à análise bivariada quanto ao uso ao longo da vida e uso atual. Ambos desfechos estiveram associados ao sexo, identidade de gênero, orientação sexual, relacionamento, classe econômica, religião e situação conjugal dos pais. Além disso, para o uso atual do medicamento também foi encontrada uma relação com a idade (p=0,20).
Tabela 2. Análise bivariada sobre a experimentação de tranquilizantes ao longo da vida e o uso atual de acordo com as características sociodemográficas e econômicas por escolares do ensino médio na Região Metropolitana da Grande Vitória, Espírito Santo, março a dezembro de 2023.

Tab. 2

Após os ajustes, as maiores prevalências de uso de tranquilizantes na vida foram encontradas entre as meninas (RP:1,88; IC95%: 1,61-2,18) e entre aqueles que autodeclararam LGBTQIAPN+ (RP: 1,71; IC95%: 1,49-1,97). Na análise da classe econômica, os indivíduos pertencentes a classe A apresentaram 28% mais prevalência (RP: 1,28; IC95%:1,07-1,55) quando comparados aos indivíduos das classes C/D/E. O status de relacionamento dos pais também apresentou resultados significativos, sendo o uso maior quando os pais não viviam juntos (RP: 1,18; IC95%: 1,04-1,35). Entre os escolares que informaram ser de outras religiões que não católica ou evangélica a frequência do uso foi 51% maior (IC95%: 1,24-1,85) comparado aos que não possuíam nenhuma religião (Tabela 3).

Tab. 3

A tabela 4 traz os dados referentes ao uso atual dos tranquilizantes, nota-se na análise ajustada, que as meninas e os adolescentes autodeclarados LGBTQIAPN+ apresentaram a maior razão de prevalência (RP: 2,68; IC95%: 1,89-3,82) e (RP: 2,21; IC95%:1,66-2,93) respectivamente. Além disso, a classe econômica A mostrou razão de prevalência de 1,55 (IC95%: 1,07-2,24) em relação às classes C/D/E (Tabela 4).

Tab4

Discussão
O estudo revelou que 16,7% (IC95%: 15,6-17,8) dos adolescentes já haviam experimentado tranquilizantes sem prescrição médica pelo menos uma vez ao longo da vida, resultado mais elevado quando comparado a estudos internacionais23,24 e um estudo nacional16. A prevalência de uso encontrada entre adolescentes egípcios foi de 5,1%23 e no Oriente Médio foi de 8,3%24. No Brasil, em uma pesquisa realizada com dados das 27 capitais entre escolares do ensino fundamental e médio a prevalência de experimentação de tranquilizantes encontrada foi de 3,9%, entretanto, trata-se de informações referentes ao ano de 201025. Todavia, um estudo brasileiro mais recente do ano de 2013, analisou o uso irracional de medicamentos de forma geral, e encontrou uma prevalência de 16,1% (IC95%: IC95% 15,0–17,5)26.
O processo de automedicação por adolescentes varia muito de um local para outro e também sofre influência do tipo de medicamento que é rastreado, uma revisão sistemática que avaliou estudos de diversos países, encontrou variação de 2% a 92% para o uso irracional de medicamentos de forma geral entre adolescentes, reforçando a necessidade de maior aprofundamento sobre a temática neste público27.
No que concerne ao uso atual, a prevalência encontrada foi de 4,3% (IC95%: 3,76-4,94). Outro estudo que avaliou o uso atual, encontrou prevalência de 1,7% para consumo da classe de benzodiazepínicos23, e, o consumo de tranquilizantes no período de 1 ano anterior à coleta de dados encontrou prevalência entre 4%22 e 5%24 equiparando-se ao achado. Nota-se ainda, entre os que já haviam experimentado tranquilizantes alguma vez na vida, uma maior frequência de uso atual, correspondendo a 26% (IC95%: 22,9-29,1), uma prevalência um pouco menor em relação a um estudo realizado em São Paulo com o mesmo público, onde o uso de tranquilizantes nos últimos 30 dias foi de 30,8%9.
O uso de tranquilizantes entre adolescentes é um fenômeno complexo, incluindo influências tanto relacionais quanto comportamentais. A maior disponibilidade desses medicamentos no convívio social, a influência da mídia e de outras pessoas que fazem uso, bem como o estado de saúde autorreferido, estão relacionados a maiores taxas de automedicação neste público14. Somado a isso, têm-se a experiência prévia de uso do medicamento de forma anteriormente prescrita e a falta de conhecimento pelos adolescentes sobre os efeitos provocados pelo uso indiscriminado6. Além disso, a percepção do público sobre a dificuldade de obtenção desses medicamentos sofreu alterações, tornando os tranquilizantes mais acessíveis à população, e, consequentemente, favorecendo o aumento e a permanência do consumo14.
Durante o primeiro contato com os medicamentos, aproximadamente metade dos adolescentes (50,5%; IC 95%: 46,9-54,0) relatou ter mais de 15 anos de idade na época. Esse resultado revela o quanto é crucial compreender os padrões de uso dessas substâncias. Uma avaliação de hospitalizações relacionadas ao uso de agentes sedativos encontrou associação significativa com a faixa etária de adolescentes de 15 a 19 anos26, sugerindo como o uso de tranquilizantes tende a se intensificar à medida que a idade avança.
Em relação à forma de acesso, mais de um terço dos adolescentes relatou ter conseguido o medicamento com algum familiar (35,5%; IC 95%: 32,2-39,0). Este achado corrobora com os resultados de uma pesquisa dos Estados Unidos em 2017, na qual verifica-se que as relações sociais são uma forma frequente de aquisição de medicamentos sem receita médica por adolescentes, destacando os parentes ou amigos como principais provedores dos fármacos10. No mesmo sentido, permanece o padrão encontrado no Levantamento Nacional de 2010, em que mais de 80% dos estudantes que fizeram uso de tranquilizantes sem prescrição, tiveram acesso ao medicamento em casa: 52,7% conseguiu com familiares e 29,3% encontrou o medicamento disponível em casa. É importante compreender o contexto social no qual o uso de medicamentos ocorre, sugerindo que a proximidade em ambiente familiar desempenha um papel significativo na obtenção dessas substâncias28. Apontam também para a importância de que a prescrição de medicamentos para adultos seja acompanhada de orientações, que incluam as possíveis implicações do uso compartilhado com outras pessoas, especialmente crianças e adolescentes, e, que os mecanismos de controle de prescrições possam ser mais rigorosos, sobretudo, no Brasil, que tem uma tendência a flexibilizar a compra de medicamentos2.
Na análise ajustada, as meninas apresentaram maior frequência de experimentação de uso de tranquilizantes, com uma razão de prevalência de 1,88 (IC95%: 1,61-2,18), bem como, em relação ao uso atual do medicamento (RP: 2,68; IC95%: 1,89-3,82). O Relatório Mundial sobre Drogas reforça a figura feminina como sendo mais prevalente em relação ao uso de medicamentos29, em consonância com outros estudos realizados no Canadá, Argentina, Espanha, Estônia e Sérvia que rastrearam o uso tanto entre escolares como entre mulheres já em idade avançada14, 26, 30-32. Em âmbito nacional a prevalência encontrada para uso de tranquilizantes foi maior entre meninas (6,7%) quando comparado aos meninos (3,6%)16.
Como já foi apontado, fatores socioculturais desempenham papel crucial na utilização de substâncias tranquilizantes e, de acordo com a literatura, infere-se que o gênero feminino é afetado de forma acentuada pelo uso desses medicamentos, corroborando os achados dessa pesquisa. Zanello33 chama atenção para o fato de que mulheres consumidoras de substâncias como o diazepam fazem uma verdadeira “carreira” no uso dessas substâncias, consumindo grande quantidade e por muitos anos33. Os medicamentos tranquilizantes, para a autora, escondem outras formas de sofrimento e reforçam as disparidades das condições sociais e dos papéis de gênero, atuando no sentido de permitir às mulheres continuarem cumprindo seu papel socialmente imposto de cuidadoras, bem como aqueles relativos à subjugação social e sexual. Bru, ao estudar o uso de medicamentos psicotrópicos sob a perspectiva de gênero, também assinalou que as disparidades conformam diferenças nas manifestações do sofrimento psíquico e que a reprodução de estereótipos e modelos de masculinidade e feminilidade influenciam os sentidos atribuídos ao uso de psicofármacos32. Desse modo, entende-se que aprofundar a compreensão acerca do uso de tranquilizantes a partir da perspectiva de gênero é fundamental para o desenho de estratégias de prevenção.
Embora o delineamento metodológico adotado sobre o uso de tranquilizantes em escolares seja semelhante ao de outros estudos do Brasil, não encontramos discussão sobre a orientação sexual dos entrevistados. Aqui a prevalência maior esteve entre as pessoas LGBTQIAPN+ com razão de prevalência de 1,71 (IC95%: 1,49-1,97) para o uso na vida e 2,21 (IC95%:1,66-2,93) atual. Uma possível justificativa ao uso discrepante de tranquilizantes por pessoas LGBTQIAPN+ pode estar no estudo de Paveltchuk e Borsa34 que analisa o estresse de minorias. O estudo aponta que quanto maior o número de status de minoria que um indivíduo possuir, maior será a probabilidade de que sua saúde mental seja afetada.
A relação dos pais também demonstrou associação, entre os adolescentes em que os pais biológicos e/ou responsáveis não estavam mais juntos a prevalência de uso de tranquilizantes ao longo da vida foi maior (RP: 1,18; IC95%: 1,04-1,35). Apesar do número expressivo, não foram encontrados estudos que abordassem sobre essa temática.
Ainda, entre os escolares que informaram serem de outras religiões que não católica ou evangélica a frequência do uso foi 1,51 (IC95%: 1,24-1,85) vezes maior em relação aos que não possuíam nenhuma religião. No entanto, não foram encontradas pesquisas em que os dados corroboram com nossos achados. No estado do Piauí, por exemplo, um estudo de base escolar que avaliou a religião associada com o uso de substâncias psicotrópicas não encontrou significância estatística entre as religiões e o uso dos medicamentos35, dessa maneira é necessário que haja novos estudos na população para esclarecer a associação entre medicamentos e diferentes religiões.
Outro dado de interesse foi a situação financeira apontando maiores prevalências de experimentação entre os pertencentes a classe A (RP: 1,28; IC95%: 1,07-1,55), assim como maior frequência de uso atual (RP:1,55; IC95%: 1,07-2,24) comparado às classes C/D/E. Em contraponto, uma pesquisa realizada com estudantes universitários no Peru, encontrou maiores casos de automedicação entre pessoas de baixa renda justificando que a falta de acesso a médicos por parte da população levaria grande parte a fazerem uso de medicamentos de forma irracional36. Entretanto, é importante destacar que no Brasil o acesso à saúde é gratuito para todo o público independente da renda através do Sistema Único de Saúde (SUS), e que os medicamentos são dispensados mediante prescrições por profissionais de saúde37, fazendo com que a avaliação de usos não prescritos, levem em consideração outros fatores de interferência. No que concerne ao público adolescente, como já pontuado anteriormente, há maior facilidade de acesso através de pessoas conhecidas, para as quais os medicamentos podem ter sido prescritas ou não. De todo modo, outra pesquisa nacional avaliou a automedicação de diferentes classes medicamentosas entre brasileiros e levou em conta a maior facilidade pela classe mais alta pelo maior poder de compra de medicamentos sem indicação médica38.
Muitas questões ainda necessitam de investigações para sua elucidação completa, considerando o viés de causalidade atribuído ao delineamento transversal, assim como o viés de informações presente em pesquisas com questões sensíveis. Ainda assim, é importante destacar a a identificação de prevalências e padrões de uso de medicamentos entre os adolescentes e também a autonomia dos mesmos nesta pesquisa ao serem auto respondentes do questionário aplicado, diminuindo a possibilidade de desconforto nas respostas. Desta forma, mesmo diante dessas limitações, trata-se de um estudo inédito, representativo e de base escolar, que contribui para futuras reflexões de medidas de prevenção sobre a automedicação entre os estudantes.
Os achados chamam atenção para números elevados de uso de tranquilizantes sem prescrição médica por escolares, sendo mais frequente entre meninas, população LGBTQIAPN+, com início de uso por volta dos 15 anos, e ainda destacando familiares como principal fonte de acesso ao medicamento. Além disso, o status de relacionamento dos pais, a religião e a renda estiveram associadas ao uso de medicamentos tranquilizantes não prescritos.
Ainda que essas substâncias sejam consideradas de controle especial, somente esse fator não parece ser suficiente para inibir seu uso irracional, que acaba sofrendo influência de fatores individuais e socioculturais. Desse modo, estratégias de promoção da saúde que visem combater o uso irracional de tranquilizantes devem levar em conta fatores como a disponibilidade dos medicamentos, a influência de pares e familiares e a necessidade de educação sobre os riscos associados ao uso inadequado de medicamentos psicotrópicos, bem como os determinantes sociais e ambientais da saúde, e as vulnerabilidades que os segmentos populacionais podem estar sujeitos. Ademais, se vê a necessidade de desenvolvimento de novos estudos que possam investigar e explorar mais as motivações relatadas pelos adolescentes para a experimentação e permanência do uso de medicamentos não prescritos.

Fonte de financiamento
O estudo foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo – FAPES através do edital DI 016/2022.

Declaração de Disponibilidade de Dados

Os dados de pesquisa estão disponíveis mediante solicitação ao autor de correspondência.
As fontes dos dados utilizados na pesquisa estão indicadas no corpo do artigo.

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Leite, FMC, Silva, LF, Ribeiro, LEP, Paulucio, MD, Pereira, NBR, Lopes, CA, Miguez, FGG. Uso de tranquilizantes por estudantes do ensino médio de uma capital brasileira. Cien Saude Colet [periódico na internet] (2026/jan). [Citado em 13/01/2026]. Está disponível em: http://cienciaesaudecoletiva.com.br/artigos/uso-de-tranquilizantes-por-estudantes-do-ensino-medio-de-uma-capital-brasileira/19902?id=19902

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