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0113/2026 - Coletivos de ativismo digital no enfrentamento aos feminicídios e outras violências de gênero contra mulheres
Digital activism collectives in addressing femicides and other gender-based violence against women

Autor:

• Suely Ferreira Deslandes - Deslandes, SF - <deslandes.s@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-7062-3604

Coautor(es):

• Tiago Coutinho - Coutinho, T - <tiago.coutinho@ioc.fiocruz.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-0545-9457

• Claudia Valéria Cardim da Silva - Silva, CVC - <claudiavaleria.cardim@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-4939-5106



Resumo:

Este artigo analisa as estratégias dos coletivos de ativismo digital brasileiros para o enfrentamento aos feminicídios e outras violências de gênero. Partindo de uma abordagem teórico-metodológica que articula Análise de Discurso Crítica, “política da vida cotidiana” e a ação conectiva, o estudo analisou as postagens com maior número de engajamentos de seis coletivos no Instagram. Os resultados identificam estratégias algorítmicas de engajamento, foças discursivas de denúncia, acolhimento, informação e preservação da memória, articuladas a uma estética visual e corporalidades plurais. Conclui-se que esses coletivos convertem vulnerabilidades em resistência coletiva e desenvolvem ação política voltada para justiça de gênero, embora enfrentem desafios como a efemeridade da atenção online e a mediação algorítmica. A articulação dessas experiências com o campo a saúde ainda precisa ser construída para benefício mútuo da atuação.

Palavras-chave:

Feminicídio, violências de gênero, ativismo digital.

Abstract:

This article analyzes the strategies of Brazilian digital activism collectives in combating femicides and other forms of gender-based violence. Based on a theoretical-methodological approach that combines Critical Discourse Analysis, the "politics of everyday life," and connective action, the study examined the posts with the highest engagement from six collectives on Instagram. The results identify algorithmic engagement strategies, discursive forces of denunciation, support, information, and memory preservation, articulated through a visual aesthetic and plural bodily expressions. It is concluded that these collectives transform vulnerabilities into collective resistance and develop political action aimed at gender justice, although they face challenges such as the ephemerality of online attention and algorithmic mediation. The connection between these experiences and the field of health still needs to be developed for mutual benefit in their actions.

Keywords:

Femicide, gender violence, digital activism.

Conteúdo:

INTRODUÇÃO
O enfrentamento às violências de gênero constitui um dos desafios mais urgentes das sociedades contemporâneas1. As violências baseadas em gênero contra mulheres segundo a Convenção de Belém do Pará pode ser tipificada como “qualquer ação ou conduta, baseada no gênero, que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto no âmbito público como no privado”2 Tais violências não se expressam apenas em agressões físicas, mas também em dimensões simbólicas, psicológicas, morais e digitais — todas sustentadas por estrutura patriarcal e outras desigualdades visíveis no cotidiano das relações interpessoais e institucionais1,2,3. Nesse contexto, as ações de denúncia e mobilização que emergem no espaço digital tornam-se cada vez mais relevantes, sobretudo porque esses ambientes deixaram de ser simples canais de comunicação para se tornarem infraestruturas de poder, visibilidade e disputa de sentido, constituindo uma nova arena pública4,5.
Os dados sobre o feminicídio, expressão mais extrema da violência contra mulheres, ilustram sua persistência estrutural. O Informe Feminicídios no Brasil 2023 registrou 1.706 casos consumados e 988 tentativas, o equivalente a 4,7 mortes violentas e 2,7 tentativas por dia — números que, mesmo subnotificados, evidenciam a letalidade de gênero6. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública7 apontou crescimento de 1,4% em relação ao ano anterior, totalizando 1.463 vítimas. Dados preliminares de 2024 indicam nova elevação, com 1.492 mortes8. Em escala global, estima-se que 85 mil mulheres e meninas foram assassinadas em 2023, sendo 60% por (ex)parceiros íntimos ou familiares1. Esses números revelam não apenas a gravidade, mas a continuidade de múltiplas formas de violência que se conectam e se retroalimentam.
Historicamente, o enfrentamento às violências de gênero ocupou a pauta central dos movimentos feministas, especialmente a partir de 1970, quando a esfera das violências “privadas” se evidencia como questão política de primeira ordem9,10. A pauta ganha prioridade no contexto latino-americano e caribenho, materializada em 1994 na Convenção Interamericana para Prevenir, Sancionar e Erradicar a Violência contra a Mulher, que estabelece como direito humano das mulheres terem uma vida livre de violências2.
Todavia, nas últimas décadas, o ativismo feminista e de defesa dos direitos de mulheres tem se reconfigurado diante da plataformização da vida social. Parte dos movimentos de rua e institucionais migra para arenas digitais, marcadas por dinâmicas tecnossociais próprias. Ali abrigam tanto os coletivos historicamente vinculados ao feminismo como aqueles de perfil ideológico mais diversos e fluidos, mas comprometidos com o “enfrentamento às violências contra as mulheres”. Tampouco podemos definir “ativismo digital” como conceito cristalizado. Preferimos a noção de Von Bülow et al11 de DAP (digital activism practices), que põe em relevo a dinâmica, diversidade e impermanência de ações que incluem outras linguagens além da argumentação instrumental-racional, recorrentemente utilizada pelos atores políticos tradicionais. Esses ambientes, contudo, não são neutros: são moldados por sistemas algorítmicos que filtram, classificam e hierarquizam conteúdos, determinando o que ganha ou perde visibilidade.12
O ativismo digital vai atuar sobretudo a partir das experiências cotidianas13 de uma “política da vida”, como designara Giddens14, construída no dia a dia de seus agentes. Beck15 também nos fala de um subativismo, uma atuação mobilizada nas dinâmicas micropolíticas, ampliando as concepções de participação cívica e/ou política. Nesse ativismo, a mobilização para a ação se dá também pelo compartilhamento de estórias pessoais e performances afetivas.
Seguindo semelhante linhagem, Bennet e Sergerberg16 destacam dois tipos ideais de ação política que dão importantes subsídios à análise dos ativismos nas mídias sociais digitais. A ação coletiva expressa os modelos mais consagrados, baseados nas ações de instituições e coletivos com ideais comuns, que compartilham uma ideia de pertencimento e memória, voltados a engajar as pessoas a uma causa coletiva. Já a ação conectiva se refere especialmente às estratégias que mobilizam constantes performances, conteúdos, histórias e vivências individuais que serão compartilhadas nas mídias sociais, vinculando as pessoas a certa agenda política. Os testemunhos de si são a matéria-prima que mobilizam a vinculação afetiva-política nessas esferas dos ativismos digitais, atravessando continuamente as fronteiras entre o íntimo e o público16,17,18. Consideramos que os coletivos ativistas de enfrentamento às violências de gênero atuam no trânsito desses dois registros, construindo um repertório próprio e fluído, onde os algoritmos participam ativamente da produção social de relevância e operam como mediadores invisíveis entre o discurso e sua apreensão por um público12.
Nesse ativismo, essa mediação assume caráter ambíguo, tanto permitindo a ampliação de redes de acolhimento e a circulação de narrativas contra hegemônicas, quanto impondo restrições sutis derivadas da lógica mercadológica das plataformas. Velkova e Kaun19 descrevem que coletivos feministas aprendem a agir dentro e contra os sistemas de recomendação, ajustando legendas, ritmos de postagem, imagens e hashtags para escapar dos filtros e ampliar o alcance de suas mensagens – a esse movimento designam como resistência algorítmica.
Os coletivos ativistas enfrentam a instabilidade algorítmica, a censura automatizada e o assédio online, que funcionam como mecanismos de contenção simbólica e disciplinamento das vozes femininas. As plataformas não apenas hospedam o debate público, mas o regulam — e, ao fazê-lo, produzem novas formas de exclusão que atingem, de modo desigual, as experiências e expressões feministas12,19-21.
A expressão digital dos feminismos contemporâneos, denominada como “quarta onda feminista”, assim como outras experiências de ativismo para o enfrentamento às violências de gênero, não se limitam a ocupar o espaço digital, mas sofrem as imposições das plataformas que os abrigam. O ciberfeminismo deixa de ser apenas uma utopia de emancipação tecnológica e passa a incorporar uma crítica estrutural ao capitalismo de plataforma21. As redes, antes vistas como ferramentas, assumem o papel de coautoras das formas de engajamento, visibilidade e resistência.
Apesar da vasta produção sobre ativismos digitais, ainda há lacunas importantes no campo de estudos brasileiros. Dentre os artigos na base SciELO, em janeiro de 2025, predominavam análises mais gerais sobre participação política online, dinâmicas de engajamento em redes sociais e estudos sobre campanhas específicas ou eventos de grande visibilidade. Poucos estudos articulam a análise empírica de práticas de engajamento digital para o enfrentamento às violências contra mulheres e pouco se conhece sobre as estratégias comunicacionais e de mobilização dos coletivos voltadas às especificidades dessa agenda. O presente artigo propõe-se, portanto, a partir da análise da atuação de alguns coletivos brasileiros ligados ao ativismo digital, discutir as estratégias de enfrentamento às violências de gênero, levando em consideração as afinidades entre estratégias discursivas, afetos, corporalidades e ação algorítmica.

METODOLOGIA
O presente estudo baseia-se nos pressupostos da Análise de Discurso Crítica segundo Fairclough22,23, articulando-os às metodologias digitais críticas24 e à proposta de triangulação metodológica adaptada para a coleta de dados de Denzin25 e Flick26. Partimos da concepção de discurso como prática social, em que linguagem, poder e ideologia se articulam na produção e circulação de significados22,23.

Construção do corpus e seleção de perfis
Realizamos o mapeamento de coletivos feministas digitais de enfrentamento à violência contra mulheres triangulando três estratégias de busca. Em março de 2024, realizamos uma busca exploratória no Instagram utilizando cinco palavras-chave com léxicos centrais desse ativismo: termos de mobilização social e slogans de campanhas de visibilidade (“respeita as minas”/“não é não”); o marcador jurídico-político central do debate (“feminicídio”); e expressões de denúncia direta (“violência contra mulher não”/ “machismo não”). A busca inicial resultou em 250 perfis. Aplicamos como critério de seleção a caracterização do perfil como coletivo da sociedade civil, com atividade pública regular e foco explícito na incidência política contra a violência de gênero. Excluímos perfis individuais, institucionais-estatais e de finalidade comercial. Após esse refinamento, identificamos 16 perfis pertinentes, evidenciando a necessidade de métodos de busca mais acurados.
Em abril de 2024 utilizamos nove hashtags sobre o tema que apresentavam número expressivo de publicações: #ViolênciadeGênero (455.000), #violenciacontramulher (409.586); #Feminicidio (281.000), #MexeuComUmaMexeuComTodas (106.000), #MachismoMata (84.800), #nãoénão (58.023, #nenhumaamenos (48.747), #violencianao (34.841) e #AssédioNão (5mil+ publicações), permitindo identificar 90 perfis. Contudo, a maioria era de profissionais ou políticos que usavam as hashtags para autopromoção, não para ativismo. Apenas 12 coletivos foram considerados pertinentes.
Diante do número ainda reduzido de perfis, adotou-se a "amostragem em bola de neve"27. Um formulário de consulta foi enviado a 39 especialistas, que indicaram 65 perfis.
Essas indicações, somadas às anteriores, foram submetidas aos seguintes critérios de exclusão: 1) não ter a violência contra a mulher como destaque dos conteúdos; 2) contas inativas há mais de 6 meses ou perfil não encontrado; 3) não atuar no Brasil; 4) perfis de instituição governamental. De maio a junho de 2024, três pesquisadoras analisaram toda a amostra de forma independente, classificando cada perfil; em seguida, fizeram uma revisão conjunta para concordância das escolhas. Assim, foram selecionados 18 perfis de coletivos que tratavam da violência contra mulheres e meninas ou do feminicídio como pauta principal.
Visando ainda ampliar o acervo, com um perfil de pesquisa criado no Instagram seguimos essas contas e registramos as indicações de perfis similares fornecidas pelo algoritmo. Essa técnica, denominada silicon snowball28, permitiu identificar 432 indicações. Após uma triagem que excluiu 370 perfis, aplicando os critérios de exclusão, 45 coletivos foram pré-selecionados.
Uma nova análise detalhada do conteúdo desses perfis feita por três pesquisadores resultou na seleção final de 23 coletivos que se somaram aos 18 da fase anterior. Considerando a densidade e extensividade dos acervos, elegemos seis coletivos com o maior número de seguidores e que representassem a diversidade de perfis e de estratégias de atuação.

Procedimentos e ferramentas de coleta de dados
A coleta e seleção das postagens foram auxiliadas pela ferramenta Dashboards da Plataforma de Ciência de Dados aplicada à Saúde (PCDaS), desenvolvida em parceria com o Laboratório de Informação em Saúde/Icict e o Laboratório Nacional de Computação Científica/Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações29. Tais painéis interativos de mineração e análise de dados para ambiente web permitem extrair, organizar e visualizar informações de redes sociais, sites e bases públicas.
Assim, extraímos informações de páginas públicas do Instagram como data e hora do post, conteúdo textual, endereço do perfil e da postagem, menções, hashtags, número de curtidas e comentários, organizando esses dados em formato Excel.
Para cada um dos seis coletivos sob análise selecionamos as 20 postagens mais comentadas ao longo de 18 meses (janeiro-2023 a junho-2024), totalizando 120 postagens.

Procedimentos analíticos
Com base na ADC de Fairclough22 e nas dimensões sociotécnicas e conectivas do ativismo em mídias sociais digitais16-18, as categorias analíticas a seguir foram selecionadas, integrando dimensões discursivas textuais (temáticas, forças), discursivas semióticas (imagens e visualidades) e algorítmicas (Quadro 1).
QUADRO1
A análise foi conduzida em três momentos interdependentes22:
1. Fase descritiva: sistematização do corpus a partir da identificação e classificação dos elementos textuais, visuais e interativos; 2. Pré-interpretação: leitura analítica à luz das categorias selecionadas (Quadro 1), relacionando práticas discursivas e de engajamento; 3. Interpretação: articulação interpretativa entre as produções discursivas, as práticas sociais e os contextos ideológicos que as sustentam.

Aspectos éticos
O estudo seguiu as diretrizes éticas da Resolução 510, assim como, as internacionais para pesquisas em ambientes digitais30, restringindo-se ao uso de conteúdos publicamente disponíveis, respeitando a privacidade e evitando a identificação direta de vítimas ou familiares em situação de vulnerabilidade. O estudo foi aprovado por comitê de ética em pesquisa, sob o CAE número 77703024.2.0000.5269.

RESULTADOS E DISCUSSÃO
Breve caracterização dos coletivos
O quadro 2 indica os perfis dos coletivos analisados, cujas missões variam entre orientação jurídica, acolhimento e atendimento psicossocial, informação e formação de gênero, mas têm em comum a perspectiva de defesa dos direitos das mulheres, a ação de profissionais voluntárias como base de ação, a problematização das desigualdades e violências de gênero e o espaço das mídias sociais digitais como centralidades de suas estratégias comunicacionais. Definem-se como “espaços” e “redes” que vinculam apoio, informação, formação de gênero e mobilização política, mostrando convergência com uma esfera de ativismo digital com a perspectiva de enfrentamento às violências contra mulheres31. Transitam entre uma ética do cuidado feminista voltado às mulheres vítimas de violências e uma visão ampliada do cuidado, como o centro da vida humana, como direito e como política de promoção de equidade32. Alguns dos perfis têm também como marca a orientação de uma justiça de gênero, com pressupostos redistributivos e o reconhecimento do direito de viver uma vida sem violências33-34.
Apenas um dos coletivos declarou-se explicitamente antirracista, anticapacitista e anti-LGBTfóbico. Observamos nos discursos e nas autodefinições dos perfis, uma concepção relativamente universalista da categoria “mulher”, que tende a operar como sujeito político abstrato. No entanto, essa universalização é relativizada pelas narrativas mobilizadas, imagens acionadas e pelos casos destacados, nos quais emergem diferenças marcadas por raça, classe social, geração, corporalidade e posição social.
QUADRO2
Temas e Forças
A temática comum a todos os perfis analisados é a violência de gênero em suas múltiplas formas — psicológica, física, sexual, patrimonial e moral, modos de superação ou enfrentamento, os mecanismos legais de reparação e o acolhimento às vítimas. Cada coletivo, porém, vai apostar em nichos diferentes de abordagem, definindo especificidades de sua própria ação ativista.
O @mapadoacolhimento enfatiza temas relacionados à escuta e à importância da rede de apoio como elementos centrais para a superação das violências. Assume o acolhimento como escuta ativa e ato de validação da dor, sem julgamentos ou provas. A ação de mulheres para construir uma rede de apoio, entendida como mecanismo de rompimento do ciclo de violência, é tematizada em diversas mensagens.
Por sua vez, as principais temáticas da página @justiceiras e do @IMP são os mecanismos de denúncia às violências e os canais de acolhimento. Ao contrário de perfis focados no testemunho ou na sensibilização emocional direta, apostam na mobilização prática, divulgando leis, especialmente a Lei Maria da Penha, e as formas de acesso à justiça. Alinhando-se ao conhecido diagnóstico do precário acesso de mulheres à justiça35, os perfis trazem tutoriais sobre como buscar atendimento jurídico gratuito, registrar um boletim de ocorrência, obter medida protetiva e o que fazer em casos de violência digital. A proposta é clara: informar e orientar para que a justiça possa ser feita, seja com a devida responsabilização dos agressores, bem como a reparação dos direitos violados.
Uma das principais temáticas da página @maselenuncamebateu é a violência emocional em suas diferentes expressões. Um tema especialmente recorrente é o gaslighting — termo que designa a manipulação psicológica em que o agressor distorce a realidade da vítima, fazendo-a duvidar de sua própria memória, sanidade ou percepção das coisas36. O esclarecimento sobre as estratégias de culpabilização da vítima é outro eixo temático central. O coletivo evidencia como esses comportamentos afetam a saúde mental, mas ressalta que também podem ter como desfecho a violência física. Assim, há uma quantidade considerável de postagens sobre feminicídios e agressões físicas severas.
A principal temática do @levantefeminista é a violência de gênero em sua forma mais extrema — o feminicídio —, a partir de uma clivagem interseccional. Alinhada à perspectiva decolonial sobre as violências de gênero3,37, o coletivo @atamojuntas também destaca as violências misóginas e racistas, praticadas por pessoas comuns, celebridades ou autoridades. Ambos coletivos denunciam assassinatos de mulheres no Brasil e os tratam como resultado de um projeto sistemático de controle patriarcal e submissão dos corpos femininos.
As perseguições e violências sofridas pelas militantes do próprio coletivo foram destacadas por @atamojuntas e @IMP, reafirmando incidência global da perseguição também de ativistas que atuam nos espaços conectados entre o digital e as ruas38.
Os problemas de saúde mental constituem temática presente na maioria dos perfis, aparecendo como consequências das violências de gênero, em suas variadas apresentações (depressão, tentativas de suicídio, estresse pós-traumático, transtornos alimentares, insônia, ansiedade). Os serviços de saúde e rede especializada de assistências às mulheres vítimas de violência foram apenas identificados nas postagens do @IMP que, de forma crítica, enfatizavam a baixa oferta de serviços. Ao contrário do reconhecimento que o tema possui no campo da Saúde Coletiva, inclusive como política pública39, tais temas figuram secundariamente nas postagens, não constituindo uma “agenda”.
Já as forças discursivas acionadas pelos coletivos, ou seja, o núcleo ilocucionário das ações propostas nos enunciados22, tecem uma rede semântica diversa e convergente. Tendo em tela as postagens com maior engajamento, destacamos três eixos em que convergem as principais forças discursivas dos perfis: 1. “denunciar”, “mobilizar”, “cobrar”; 2. “acolher”, “compartilhar”; 3.“informar”, “formar”, e por fim, 4. “lembrar/não esquecer” e “celebrar”. Podemos inferir que tais forças compõem os principais sentidos da gramática ativista dos coletivos analisados e do próprio ativismo digital ao coligar sensibilidades à mobilização política e a preservação da memória como ato político316,17,40,41.
A força de mobilizar ações coletivas, campanhas, atos públicos e intervenções urbanas é marca discursiva de todos os perfis. Postagens que anunciam ou documentam caminhadas, protestos e debates convidam as seguidoras à rua e às redes, transformando o luto em presença pública e resistência são uma constante. Frases de impacto — como “Nem pense em me matar” ou “Nosso luto é de luta” (@levantefeminista) — reafirmam um repertório enunciativo de enfrentamento e não submissão, operando como slogans que articulam palavra, emoção, corpo e território16,17,42.
Uma das principais forças acionadas nas postagens do @levantefeminista e @atamojuntas é a da denúncia pública, sobretudo de casos de feminicídio e outras formas de violência de gênero, seguidos de banalização ou leniência de instituições e da sociedade em geral. As denúncias são acompanhadas de cobranças por medidas reparativas. Nesse contexto, os relatos de assassinatos de mulheres mais uma vez não são retratados como eventos isolados, mas como parte de um sistema estrutural.
O @mapadoacolhimento, @maselenuncamebateu e @justiceiras destacam-se na força de conclamar a ação solidária entre mulheres, chamando-as para serem também agentes de acolhimento e construírem juntas uma rede de suporte que também se estenda aos filhos. A rede de apoio também é convocada em casos de ameaças às militantes, como denunciado por @IMP e @atamojuntas. A proposta é clara e converge com outras experiências da atuação digital e do ativismo feminista8,19,33 transformar o cuidado em política, fazendo do perfil e não apenas fonte de informação, mas um espaço de reconstrução subjetiva e ação coletiva.
As forças discursivas mais frequentes nas postagens das @justiceiras e do @IMP foram a de informar (sobre todas as leis e direitos das mulheres vítimas de violências e as formas de acessá-los; sobre as estatísticas de casos de violências; sobre os sinais de relacionamento abusivo) bem como de formar um senso crítico sobre misoginia e violência de gênero (força transversal na maioria das postagens dos demais perfis).
Lembrar/não esquecer ou homenagear mulheres que sofreram as violências de gênero ou lutam por seu fim são as forças que historicamente são marcos da luta feminista articulada ao cultivo da memória42,44: os nomes e rostos das mulheres e das militantes assassinadas são lembrados, suas histórias são contadas, exigindo justiça e visibilidade, reforçando um sentido de legado e pertencimento ao movimento feminista e ao coletivo em particular.
O reforço do legado de luta dos coletivos e do movimento também ganha relevo no celebrar conquistas legais e nas indicações das militantes ou coletivos a postos, ou participação em atividades de destaque e interesse público.

Estratégias de Engajamento algorítmico e discursivo
A criação de hashtags foi a mais constante estratégia de engajamento algorítmico utilizada pelos coletivos. Percebemos aqui as hashtags com o nome do próprio coletivo como as mais citadas, mais ainda que aquelas de mobilização política, evidenciando o claro o intuito de aumentar a visibilidade do próprio perfil (Quadro3). O uso de hashtags é uma estratégia discursiva reconhecida em todo o ecossistema digital, seja como indexador de temas e debates, promotor de engajamento em comunidades específicas, catalisador de mobilização social, de construção de identidades coletivas44 e como recurso sociotécnico da luta feminista, capaz de convergir distintas gerações45. No Instagram, também são utilizadas para ampliar o alcance de publicações, conectar conteúdos a tendências e categorias populares, assim como estão atreladas às estratégias de marketing digital para aumentar a visibilidade de uma marca e estimular a interação do público – como vimos marcadamente nos coletivos analisados46.
Frases com chamadas diretas ao engajamento digital, tais como "compartilhe com quem precisa", "salve este post" e “comente”, são também empregadas por todos os perfis. As marcações em rede, menções a datas comemorativas da luta contra as violências de gênero, colaborações e formatos privilegiados pelo algoritmo (carrosséis e vídeos curtos que geram tempo de permanência e são salvos/compartilhados) também são estratégias constantes dos coletivos para amplificar alcance.
A partir desse patamar básico de ações, apresentado por todos os perfis, identificamos estratégias específicas que revelam maior domínio da expertise de obtenção de engajamento, tais como as marcações em rede, “colabs” e repostagem/comentários de vídeos e demais conteúdos virais (Quadro 3).
Quadro3
A linguagem imagética dos coletivos também atua como linguagem ativista e mecanismo de definição de uma identidade e reconhecimento do perfil com vistas ao engajamento47. Dentre os grupos analisados, a maioria mostrou uma estética padronizada, forjando uma identidade visual de reconhecimento rápido. A paleta de cores desses grupos também permite uma forma de comunicação de pertencimento, tomando como base o lilás, cor tradicionalmente associada à luta feminista.
Identificamos três modelos de um certo ethos visual nos coletivos analisados. O primeiro reflete um perfil formal de credibilidade institucional, especialmente nos coletivos mais ligados ao aparato jurídico formal (@IMP e @justiceiras). O segundo com apelo visual conectivo-emotivo e com reconhecível investimento de recursos na elaboração estética mais sofisticada (@mapadoacolhimento e @levantefeminista ). Aqui há um apelo aos símbolos de delicadeza (flores, bordados, elementos da natureza), de vulnerabilidade (flores ensanguentadas, lágrimas) e de luta (desenhos e imagens de grupos de mulheres em marcha, com punhos erguidos). E, por fim, uma estética “espontânea” (@maselenuncamebateu, @maselenuncamebateu) com imagens não editadas, depoimentos feitos em celulares, com ícones de atenção e “sinal de alerta”, mostrando com poucos recursos técnicos a urgência das denúncias.

Corporalidades como signos de luta e pertencimento
As corporalidades também se destacam como um elemento discursivo-imagético no repertório dos coletivos. O perfil @levantefeminista constrói uma estética combativa e insurgente, marcada por imagens de um corpo-coletivo de mulheres em marcha, corpos que gritam, erguem punhos, carregam faixas e cartazes. Assim como em outras manifestações do movimento feminista42, corpos de mulheres vítimas de feminicídios são tornados presentes através dos vários pares de sapatos no chão, como na campanha “Quem matou?”. A diversidade dos corpos retratados — mulheres negras, indígenas, trans, gordas, com expressões de raiva, dor, solidariedade ou cansaço — rompe com a idealização da mulher-vítima ou da mulher-heroína. São corpos reais, politizados, insurgentes, que produzem verdade e vínculo com quem os vê.
Mapa do Acolhimento também traz a diversidade de corpos em desenhos de mulheres negras, brancas e indígenas e usa referências de uma corporalidade voltada à escuta e ao apoio, ethos central do coletivo, com imagens de mãos dadas, olhares afetuosos e braços estendidos.
Os coletivos também recorrem aos corpos das próprias militantes como presença e narrativa. No perfil @IMP, a imagem mais marcante é o próprio o corpo da sua fundadora. Com postura altiva e serena, com gestos delicados e fala bem articulada, o corpo dessa ativista é testemunha e ícone da luta brasileira pela defesa dos direitos das mulheres que, como ela, tiveram suas vidas e trajetórias afetadas de forma irreversível. Maria da Penha empresta seu corpo-símbolo de resiliência e de resistência a essa luta. Em @atamojuntas, o signo corporal também é tornado presente na imagem-corpo de sua fundadora. Corpo presente de mulher gorda, corpo firme de obá de candomblé, cabelos de mulher negra cujas marcas de ancestralidade e pertencimento religioso se mostram nos vídeos. As @justiceiras trazem as imagens das várias especialistas— advogadas, psicólogas e ativistas — explicando temas jurídicos e de saúde mental. Assim, exploram menos a corporalidade emocional e mais o corpo-instituição, como amparo e referência.
Como vimos nos perfis analisados, o corpo, campo de intensas disputas discursivo-ideológicas, morais e políticas, é um signo político que afirma a presença de modos de existências diversas, constituindo a representação física e simbólica de identidades marginalizadas. Para os ativismos digitais, os corpos como imagens-signos também constituem interfaces político-midiáticas que sinalizam resistência às violências e violações, exigem o reconhecimento de direitos, performatizando formas de resistência corporificada e coletiva48-49.

Vulnerabilidades como força conectiva e de luta
A divulgação das estatísticas de feminicídios e de tantas outras violências não letais postadas pelos coletivos revela uma quase vulnerabilidade ontológica de existir sendo mulher. Outro elemento comum aos coletivos foi o uso dos relatos de casos e depoimentos pessoais que personificam as experiências de violências.
O @mapadoacolhimento ainda enfatiza as vulnerabilidades instituídas por uma educação patriarcal que aparecem nas denúncias de assédio sofridas (“desde pequenas, somos ensinadas que devemos nos comportar, que devemos nos respeitar, aprendemos que “homens são assim mesmo” e aprendemos a “deixar pra lá” ”). De forma semelhante, o perfil @atamojuntas fala dessa vulnerabilidade instituída pelos mandatos de gênero, em depoimentos de mulheres que sofreram agressões, ameaças e assédios, cuja frequência cotidiana é sintetizada no bordão “não temos um dia de paz!” e nos “alertas de gatilho” invocados em muitas postagens.
As postagens do @IMP também reforçam a vulnerabilidade das mulheres face às violências de seus parceiros, até mesmo daquelas que usufruem de certos privilégios sociais, como o caso retratado de uma atriz, branca, famosa e rica que mostra que tais atributos não a pouparam das situações vexatórias, humilhantes e das agressões.
O perfil @maselenuncamebateu através de relatos reais, frases curtas e impactantes cria vínculos afetivos com suas seguidoras, que frequentemente se reconhecem nas histórias compartilhadas. Comentários como “Parece que escreveram sobre mim” ou “Agora eu entendo o que vivi” revelam como a linguagem utilizada ativa memórias dolorosas e promove reconhecimento e a validação da experiência. Aposta é que o processo de autoconhecimento derive na luta por seus direitos.
O @levantefeminista aposta numa abordagem em que a dor das mulheres é exposta com radicalidade política. As histórias das vítimas de feminicídio são apresentadas não como tragédias individuais, mas como sintomas de um sistema violento que precisa ser desmantelado. Assim, o sofrimento é reconhecido e apresentado como expressão da injustiça vivida e como potência de articulação coletiva. O perfil convoca as seguidoras a compartilhar, comentar, marcar outras pessoas e ampliar a rede de visibilidade dos casos denunciados. O engajamento emocional é reforçado por legendas que formulam perguntas diretas, por exemplo: “Quem chora por essas mulheres?” ou “Quantas mais precisarão morrer para sermos ouvidas?
As vulnerabilidades das ativistas também foram retratadas pelos coletivos @atamojuntas e @IMP. Num depoimento, a ativista Maria da Penha relembra as violências perpetradas pelo ex-marido há 40 anos e mostra que seguem atualizadas nas ameaças de morte e nos xingamentos que recebe de certos internautas. A ativista do @atamojuntas também relata agressões sofridas por integrantes de segmentos da política de extrema-direita.
Percebemos que o conjunto de depoimentos serve a uma virada de sentidos, também esperada na comunicação ativista: os depoimentos do sofrimento dão sustento à luta, à conversão dos sentimentos de fragilidade e injustiça em força e atuação cidadã16,17,29,38,42,50.

Considerações finais
Os coletivos analisados representam uma mínima parcela de um ecossistema digital complexo e multifacetado no qual a luta contra a violência de gênero é travada em múltiplas frentes. Apesar das especificidades temáticas e estratégicas — que vão do acolhimento emocional e suporte pelo @mapadoacolhimento à mobilização jurídica das @justiceiras e do @IMP, da problematização da violência psicológica do @maselenuncamebateu à denúncia interseccional do feminicídio do @levantefeminista e da @atamojuntas —, os perfis constroem uma gramática ativista convergente. Essa gramática é sustentada por forças discursivas que denunciam, informam, acolhem e demarcam a memória, articulando a sensibilização emocional à ação política prática16,29,41,42,50.
A ação dos coletivos estudados para o enfrentamento às violências de gênero, e especialmente aos feminicídios, evidencia a capacidade de fomentar redes de solidariedade locais e conectadas. Mostram-se como exemplos dessa nova morfologia social, como defende Manuel Castells51, que sustentada por tecnologias digitais possibilita a interação imediata entre pessoas de diferentes regiões e países, a formação de comunidades, de redes de cuidado e apoio, a rápida disseminação de informações e a construção de redes resilientes, fundamentais para a coordenação de protestos, mobilizações e o compartilhamento de estratégias de advocacy e de pressão política42,45,47,52.
O ativismo digital de interface feminista e de defesa dos direitos das mulheres aqui estudado opera uma poderosa conversão de vulnerabilidades forjadas por estruturas patriarcais interseccionalizadas16,37-38 em resistência coletiva. Através de estratégias voltadas ao engajamento algorítmico, de uma linguagem imagética multimodal e da representação de corporalidades plurais e politizadas, os coletivos transformam o sofrimento íntimo em denúncia pública, validando experiências, construindo pertencimento e, sobretudo, promovendo conhecimento e mobilizando para a ação. Dessa forma, os perfis transcendem sua função informativa para se tornarem espaços de reconstrução subjetiva, articulação política e resistência, demonstrando a contribuição do ativismo digital para a construção de uma justiça de gênero efetiva e para a preservação da memória como um ato político contínuo. Assim, estendem o espaço político para o cotidiano midiático online, modelando campos discursivos de ação53, modulados por emoções, histórias pessoais e senso de pertencimento, ultrapassando as ações tradicionais da relação entre Estado e movimentos sociais.
Por outro lado, a natureza efêmera da atenção online, que se mostra difícil de sustentar a longo prazo54, desafia os coletivos a desenvolverem estratégias digitais de engajamento eficazes, eticamente orientadas a uma perspectiva de cuidado, e, ao mesmo tempo, capazes de lidar com parcos recursos e com as interferências algorítmicas18-20,33. Há a necessidade de problematizar os jogos de visibilidade inerentes às plataformas. A pauta do enfrentamento à violência pode ser capturada por uma lógica de espetacularização da dor e promoção profissional em que o ativismo se converte em marketing pessoal, deslocando o sentido da luta coletiva para a construção de marcas biográficas no mercado da atenção 15,21,42,54.
Por fim, acreditamos que uma maior aproximação dos coletivos que se dedicam ao ativismo de enfrentamento às violências de gênero com a Saúde Coletiva repercutiria em benefício mútuo, qualificando a informação e a atuação de seus agentes, comunicando de maneira mais eficaz, e, sobretudo, ampliando as esferas de penetração de políticas públicas voltadas ao direito a uma vida sem violências.
Agradecimentos
Agradecemos ao CNPQ pelo financiamento (Processo 405843/2023-2); ao Dr. Jefferson Lima pelo apoio à coleta de dados (Laboratório de Informação em Saúde/Icict-Fiocruz) e à Dra Amparo Lasen (Complutense de Madrid) pela leitura e crítica.
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Deslandes, SF, Coutinho, T, Silva, CVC. Coletivos de ativismo digital no enfrentamento aos feminicídios e outras violências de gênero contra mulheres. Cien Saude Colet [periódico na internet] (2026/mai). [Citado em 12/05/2026]. Está disponível em: http://cienciaesaudecoletiva.com.br/artigos/coletivos-de-ativismo-digital-no-enfrentamento-aos-feminicidios-e-outras-violencias-de-genero-contra-mulheres/20011?id=20011

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