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0080/2026 - Dimensão ético-estético-política da educação e do trabalho na saúde nas Residências Multiprofissionais em Saúde do Campo
Ethical-Aesthetic-Political Dimension of Education and Work in Health in the Multiprofessional Residencies in Rural Health

Autor:

• Thaiara Dornelles Lago - Lago, TD - <marta.verdi@ufsc.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-6132-7061

Coautor(es):

• Marta Verdi - Verdi, M - <marta.verdi@ufsc.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0001-7090-9541

• Mirelle Finkler - Finkler, M - <mirellefinkler@yahoo.com.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5764-9183

• João Matheus Acosta Dallmann - Dallmann, JMA - <acostadallmann@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-2108-8147

• Marina Bastos Paim - Paim, MB - <marinabastosp@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3456-5598



Resumo:

A pesquisa relatada no artigo teve por objetivo compreender a Dimensão Ético-estético-política (DEEP) da educação e trabalho na saúde, construída e presente no âmbito dos documentos norteadores dos programas de Residência Multiprofissionais em Saúde da Família com ênfase nas populações do Campo do Brasil. Com uma abordagem metodológica qualitativa, realizou-se análise documental dos projetos político-pedagógicos dos programas. Submetidos à análise de conteúdo temática foram identificadas três categorias que dão base à DEEP, compreendida como categoria síntese transversal: a concepção de saúde do campo, a concepção de educação e do trabalho na saúde do campo e a instrumentalidade da saúde do campo. A categoria transversal indicou valores e princípios constituintes dos projetos político-pedagógicos dos programas. Fundamentadas desde uma Bioética Latino Americana, compreendemos esses elementos categorizados e sua relação com o campo da educação e do trabalho na saúde do campo, dentro da política pública de saúde do Sistema Único de Saúde e seus pressupostos ético-políticos.

Palavras-chave:

Bioética; Saúde da População Rural; Educação; Formação Profissional; Sistema Único de Saúde.

Abstract:

The research reported in this article aimed to understand the Ethical-Aesthetic-Political Dimension (DEEP) of education and work in health, as constructed and present in the guiding documents of the Multiprofessional Residency Programs in Family Health, with an emphasis on rural populations in Brazil. Using a qualitative methodological approach, a documentary analysis was conducted on the political-pedagogical projects of these programs. Through thematic content analysis, three categories were identified as the foundation of DEEP, understood as a transversal synthesis category: the concept of rural health, the concept of education and work in rural health, and the instrumentality of rural health. The transversal category indicated the values and principles that constitute the political-pedagogical projects of these programs. Grounded in a Latin American Bioethics perspective, we understand these categorized elements and their relationship with the field of education and work in rural health, within the public health policy of the Unified Health System (SUS) and its ethical-political principles.

Keywords:

Bioethics; Rural Health; Health Education; Professional Training; Unified Health System.

Conteúdo:

INTRODUÇÃO

É sabida a necessidade de visualizar o projeto de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro como uma reforma política, cultural e ética¹. A formação em saúde é, então, parte da tarefa ética desencadeada pelo SUS. A formação predominante nos cenários de educação na saúde permanece tecnicista, universalista, pautada em valores neoliberais, mas deve ser provocada a atualizar-se para uma formação de bases humanísticas, emancipadora, que atenda às necessidades dos diversos territórios de atuação da política pública de saúde.
A partir da legislação que sinaliza a competência do SUS em ordenar a formação de recursos humanos na área da saúde 2,3, a formação de profissionais com capacidade de trabalhar na realidade campesina também vira pauta dos movimentos sociais do campo, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e o movimento quilombola.
Em um movimento político de disputa pela formação de trabalhadores em saúde que atenda às necessidades dos territórios do campo, articula-se a criação dos programas de Residência Multiprofissional em Saúde da Família com Ênfase nas Populações do Campo (REMSFC), o pioneiro no agreste de Pernambuco coordenado pela Universidade de Pernambuco (UPE), iniciado em 2015 e outro no Distrito Federal, coordenado pela Escola de Governo Fiocruz, iniciado em 2019.
Os programas surgem como desdobramento da Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo, Florestas e Águas (PNSIPCFA), como forma de subsidiar um processo de formação em saúde e possíveis ações voltadas à especificidade da realidade dessa população, com base no direito à saúde para todos de forma integral, através da aproximação entre ensino-serviço-comunidade e movimentos sociais, centrada na Atenção Primária à Saúde (APS) e na atuação multiprofissional 4,5.
Apesar dos avanços a partir da criação da política, e implementação dos programas de residência em área estratégica na saúde do campo, os desafios históricos seguem atuais, no sentido de alinhar as práticas de saúde do campo com os pressupostos da PNSIPCFA6.
Tal política busca contribuir na ampliação do conceito de saúde, na afirmação desta como um direito, dependente da determinação social que envolve fatores econômicos e culturais, políticos e ambientais que organizam a sociedade, colaborando com o cumprimento do que é estabelecido na constituição2. No âmbito do Ministério da Saúde, a PNSIPCFA surge como política transversal de promoção da equidade, priorizando a melhoria na saúde a partir da implementação de políticas, ações e serviços de forma intersetorial, reconhecendo as especificidades que interseccionam os territórios do campo7.
Estudos recentes 8,9 identificam que entre os desafios para a promoção do direito à saúde das populações do campo, está a escassez de força de trabalho em saúde e o modo de funcionamento e a racionalidade que dão base à serviços de saúde interiorizados: geralmente reproduzem práticas e métodos utilizados na zona urbana, o que gera incongruências no cotidiano de trabalho e ineficiência ou baixa resolutividade diante das necessidades de saúde desses territórios.
A histórica invisibilidade das populações do campo nas matrizes curriculares dos cursos da área da saúde, forma profissionais com baixo ou nenhum interesse, disponibilidade ou conhecimento para atuar nesses cenários. Seja nas graduações, nos projetos de extensão, nas pós-graduações, e na própria educação permanente dentro do SUS, as temáticas relacionadas ao cuidado em saúde em territórios do campo permanecem invisibilizadas e incipientes, dada a dimensão dos desafios históricos que precisamos enfrentar.
Dialogando com Matias et al.10 fundamenta-se para este trabalho uma ética que não está atrelada a qualquer tipo de principialismo, mas sim uma ética centrada no diálogo como modo compartilhado e possível de construir um cuidado em saúde consolidado nos princípios e pressupostos do SUS, de ser um sistema de saúde público, integral, universal e de qualidade.
Portanto, uma ética reflexiva para incidir em ação política, como pontuado por Rita de Cássia Gabrielli Souza Lima em diálogo com Berlinguer11: “Ética, para nós, é o exercício humanístico que precede uma tomada de decisão política. É a reflexão que precede toda ação (ação política, por envolver e/ou afetar outros seres humanos). Diante de toda e qualquer realidade que envolve/afeta terceiros e que nos exige tomada de decisão, temos a oportunidade de executar o exercício ético.”
A dimensão ético-estético-política instaura-se como um objeto de trabalho para a educação, constituindo um termo mais abrangente para tratar do que geralmente é compreendido como formação ética, formação em valores, de caráter ou educação moral, mas que ao fundo carrega a pergunta de como tomamos decisões e com base em que, conformando um processo educativo integral12.
Compreendemos a educação como educação problematizadora e não como transferência bancária de conhecimentos13, portanto pensar sobre os valores, princípios e diretrizes que orientam os processos formativos em saúde é possibilidade de reencontro concreto com os pressupostos do SUS e de exercício dialético de pensar a si mesmo e ao mundo.
A reflexão dos problemas éticos em saúde pública a partir de distintas realidades morais e solos histórico-culturais, é movimento importante para as reflexões bioéticas sociais latinoamericanas14. Partindo de Espaços de educação e trabalho em saúde que se desenvolvem em realidades específicas, construindo interações com o outro que são mediadas por diferentes perspectivas, pode-se influenciar no acesso e na qualidade dos cuidados oferecidos, demonstrando a importância do desenvolvimento da práxis ética15 nos trabalhadores dessa política de saúde.
Quando pensamos na realidade da saúde do campo, sobretudo àquela permeada de movimentos sociais, interações que promovam alteridade se tornam ainda mais fundamentais, dado que em comunidades camponesas encontramos outras epistemologias, outras estruturas morais e éticas que embasam a compreensão e a produção do cuidado em saúde, pautadas em distintas compreensões de mundo e de território16.
A pesquisa relatada nesse artigo, buscou investigar a dimensão ético-estético-política (DEEP) da educação e do trabalho na saúde do campo a partir dos projetos políticos pedagógicos das Residências Multiprofissionais em Saúde do Campo (REMSFC) do Brasil. As residências caracterizam-se por realizar educação pelo trabalho, incorporando a educação na saúde ao trabalho no SUS, no formato de pós-graduação Lato-sensu, composta de 5.760 horas sob supervisão, com dois anos de duração entre as salas de aula, territórios e serviços do SUS.
Identificando elementos fundamentais na construção dos programas e da saúde no campo, buscou contribuir para o fortalecimento de uma formação ética fundamentada no SUS como escola, entendendo que o acúmulo ético-estético-político desses programas de residências pode representar uma transformação e fundamentação tanto político-pedagógica quanto teórica para o tema da educação e do trabalho na saúde do campo.
Finkler et al.17 apontam a intencionalidade como uma condição importante para garantir uma aprendizagem ética na universidade. Desse modo, a intencionalidade política que estrutura a REMSFC a partir de seus projetos político-pedagógicos, pode contribuir para o enfrentamento dos desafios latentes da educação na saúde em contextos de territórios do campo.
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METODOLOGIA
A escolha metodológica foi orientada pela necessidade de tornar visíveis as dimensões éticas, estéticas e políticas dos programas de Residência do Campo, tomando como objeto os seus Projetos Político-Pedagógicos (PPP). Optou-se pela análise documental, por ser uma estratégia adequada à reconstrução de processos históricos e sociais a partir de vestígios escritos, conforme propõe Cellard¹?. Essa opção foi também condicionada pelo tempo exíguo disponível para a realização da pesquisa e os escassos recursos para trabalho de campo. Os PPP, enquanto documentos produzidos institucionalmente e que condensam diretrizes, concepções formativas e posicionamentos político-pedagógicos, constituem fontes estratégicas para acessar os sentidos atribuídos à formação em saúde no/do campo.
Foram analisados os PPP dos dois programas de Residência Multiprofissional em Saúde da Família voltados às Populações do Campo existentes no Brasil até julho de 2024. Ambos operam na perspectiva da Educação Popular em Saúde, de maneira interprofissional, articulados aos movimentos sociais do campo e inserem-se em contextos socioterritoriais distintos, o que enriquece a análise das propostas formativas.
Utilizando análise de conteúdo temática, conforme Minayo 19, o processo analítico passou pela codificação, classificação e categorização, que permitiu extrair trechos significativos dos documentos, nomeá-los, e defini-los a partir de unidades temáticas, que foram representados por 113 termos agrupados em 9 subcategorias: 1) Formação social do campo brasileiro; 2) O direito à saúde; 3) A saúde do campo como política pública; 4) Concepção de saúde; 5) Educação; 6) Educação pelo trabalho; 7) A REMSFC como estratégia; 8) Pedagogias; 9) Organicidade da Residência.
Da organização dessas nove subcategorias, emergiram três categorias além de uma categoria transversal entendida como fundamento das demais, as quais foram representadas em uma mandala-síntese (Figura 1), partindo de elementos estéticos e culturais da tradição campesina e quilombola, como a circularidade e os retalhos da ancestralidade, materializados pelo trabalho gráfico do antropólogo Éder dos Santos Braz.
As categorias delineadas foram, por fim: 1) a concepção de saúde do campo e território; 2) a concepção de educação e trabalho na saúde do campo; e a 3) instrumentalidade da saúde do campo, sendo todas estas, retalhos da colcha que forma a dimensão ético-estético-política da educação e trabalho na saúde do campo. Abordaremos as três primeiras categorias de forma mais breve, dando ênfase na categoria transversal a fim de dialogar com o campo da Bioética que se fundamenta junto aos pressupostos ético-políticos do SUS.
Figura 1 - Mandala-síntese das categorias e subcategorias analíticas.

Fig.1

RESULTADOS E DISCUSSÃO
Saúde do campo: a historicidade do território como elemento fundamental
A primeira categoria sistematizada foi a concepção de saúde do campo e território, composta por quatro subcategorias: 1) a formação social do campo brasileiro, 2) o direito à saúde 3) a saúde do campo como política pública e 4) a concepção de saúde do campo, conforme figura 2.
Figura 2 - A concepção de saúde do campo e território

Fig.2

Os PPP das REMSFC apontam que para a compreensão da saúde no contexto do campo brasileiro é preciso, fundamentalmente, conhecer a formação social do nosso país, resgatando a historicidade da relação educação, saúde e sociedade.
Colocam luz sobre a questão agrária e a compreensão da organização social do campo em função dos meios de produção na dinâmica do capitalismo e da sociedade de classes. Mas, para além disso, incorporam à questão agrária o elemento racial, trazendo a segregação e violências históricas sofridas pela população negra como base dos problemas persistentes na saúde do campo.
Reconhecer o território brasileiro marcado pelo projeto colonial seria, então, um elemento importante para a compreensão de saúde, já que o projeto transatlântico de dominação europeia sobre o sul do mundo buscou hierarquizar a sociedade a partir de uma concepção racista, elitista e latifundiária de fortalecimento da hegemonia branca, criando categorizações e cisões nos territórios e modos de vida originários, que se projeta na produção de fronteiras e hierarquias não apenas geográficas20.
Essa historicidade dos territórios do campo desvela que as questões de raça, classe e de luta pela terra estão na origem das desigualdades sociais de nosso país e corrobora com a definição da PNSPCFA6 onde o território é entendido como um “espaço que possui tecido social, trama complexa de relações com raízes históricas e culturais, configurações políticas e identidades”.
Uma dessas raízes, a conformação dos quilombos brasileiros aparece nos projetos pedagógicos como referência de resistência e organização social. Ao incorporar elementos da organização quilombola sobretudo da “República dos Palmares”, fundada no Quilombo dos Palmares, Serra da Barriga, atual União de Palmares, Alagoas, propõe se o reconhecimento do quilombo como experiência contra-colonial de relação com a terra, já que Palmares pôs em questão a estrutura colonial inteira: o exército, o sistema de posse da terra dos patriarcas portugueses, ou seja, o latifúndio21.
Essa subcategoria apontou para a determinação social da saúde, trazendo elementos como a luta pela terra, a reforma agrária e o racismo como base dos conflitos fundiários, compreensão que historicamente vai ganhando força no bojo da disputa tensionada pelos movimentos sociais do campo. O racismo constitui-se então como um elemento estrutural da sociedade brasileira sendo indissociável da questão agrária, que é igualmente um problema estrutural22.
Os programas se propõem a beber da fonte das lutas dos movimentos populares pela reforma agrária (sobretudo as lideradas pelo MST) e da luta ancestral pelo reconhecimento das terras quilombolas (organizadas na contemporaneidade pelo movimento quilombola rural, principalmente pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas a CONAQ).
Recentemente o Brasil viveu mais um caso simbólico que traz a marca das disputas territoriais, o assassinato de Mãe Bernadete, liderança quilombola da Bahia que foi executada dentro de sua casa de forma brutal. Esse crime reforça o que denuncia Elionice Sacramento23: que historicamente o modelo desenvolvimentista tem adoecido povos e comunidades tradicionais, atuando como modelo que ameaça, violenta e extermina povos, extermina modos de vida em nome do capital.
Os PPP apontam para a importância de reconhecer que os conflitos no campo são, portanto, a base da estrutura social do Brasil, sendo a violência uma das características de dominação e ataque à luta pela terra no país, tendo suas múltiplas consequências no corpo social que vive processos de saúde e adoecimentos. Habitar esses territórios existenciais, é, portanto, deparar-se com práticas discursivas que denunciam conflitos, a falta de políticas públicas e a descredibilidade com a política5.
O direito à saúde emergiu como um tema central dos projetos, evidenciando a saúde dos camponeses como um direito universal garantido pelo Estado e pelas políticas públicas, destacando as iniciativas e desafios do SUS na promoção da equidade. A presença dos movimentos junto à gestão do SUS com força no setor saúde, como no caso da construção da PNSIPCFA junto ao grupo da Terra24 contribui para descentralização e regionalização do SUS e se insere na construção das políticas de equidade do SUS, buscando enfrentar o racismo institucional ainda recrudescido nos espaços da saúde pública.
Os programas filiam-se, em seus projetos, aos pressupostos do Movimento da Reforma Sanitária Brasileira (MRSB) que atualizou as concepções de saúde ao incorporar a determinação social e histórica do processo saúde-doença, abrangendo aspectos culturais, psicológicos e subjetivos, vinculando-se ao território como base do cuidado e produção social da saúde, expressando as relações entre o capitalismo e a saúde25.
A 8ª Conferência Nacional de Saúde de 1986 destacou que saúde resulta das condições de vida e organização social da produção, geradoras de desigualdades, sendo que a questão do acesso e posse de terra aparece em seu histórico relatório final como parte do conceito ampliado de saúde.
Ao compreender a saúde a partir da determinação social, os documentos analisados corroboram com a ideia proposta pelo MST, de que lutar por saúde e terra é lutar pelo direito à vida, é lutar contra tudo que nos oprime26. Este processo histórico se atualiza e reverbera nas condições de vida da população do campo, e os movimentos sociais vem visibilizando as consequências do processo histórico nos valores dominantes, que são até os dias de hoje também valores racistas e excludentes27.

Concepção de Educação e Trabalho na Saúde do Campo
A segunda categoria sistematizada foi a concepção de educação e trabalho, composta por três subcategorias: 5) educação; 6) a educação e trabalho na saúde do campo e 7) a REMSFC como estratégia, conforme figura 3.
Figura 3 - A concepção de educação e trabalho na saúde do campo

Fig.3

A categoria concepção de educação e trabalho na saúde do campo trouxe elementos que emergem da pedagogia de Paulo Freire e da educação popular, ressaltando a importância da interação com a realidade social e a problematização dos conhecimentos adquiridos para a vivência cotidiana de novas relações sociais. A educação pelo trabalho destacou a formação de trabalhadores críticos e humanizados, o trabalho colaborativo em equipes multiprofissionais e a integração do saber popular com o saber científico.
Os PPPs destacam que educar é humanizar e situar o processo educativo nas lutas populares, por isso apontam a importância da interação com o mundo que rodeia o processo de educação e do trabalho em saúde, ou seja, a relação com o território, a integração ensino-serviço-comunidade e movimentos sociais. Esse elemento dialoga com Freire28 e seu argumento de que é impossível a mudança de procedimentos técnicos sem repercussões em outras dimensões da existência humana, ressaltando a inviabilidade de uma educação neutra. Ele destaca a necessidade de uma capacitação técnica que seja solidária com outras dimensões além da técnica em si, enfatizando que a educação deve ser integrada à realidade cultural e social dos indivíduos.
A construção das práticas de educação e do trabalho em saúde nas REMSFC estão pautadas na problematização dos conhecimentos adquiridos para desconstrução crítica do fazer saúde tecnicista, biomédico e descontextualizado das realidades territoriais. Freire28 alerta contra a concepção mecanicista da educação, que tende a desprezar contribuições fundamentais de outros setores do saber e se tornar rígida e burocrática. A unilateralidade técnica que não alcança resultados projeta seu fracasso no camponês, ignorando seu processo como ser cultural. Para Freire a educação tecnicista erra ao negar o contexto e história, erra ao negar a realidade e a complexidade dos modos de vida e organização social que atravessam gerações.
Os projetos apontam para a centralidade da educação pelo trabalho em saúde. Destacam a vivência do trabalho colaborativo na equipe multiprofissional visando interprofissionalidade para buscar um fazer clínico ampliado e em rede como modo de reconstruir as relações de trabalho no SUS. Essa transformação, segundo os documentos, estaria vinculada a uma clínica que dialogue com o saber popular para atender as necessidades dos territórios, fortalecendo práticas tradicionais de cuidado à saúde.
Os PPP reconhecem as REMSFC como um espaço de construção do conhecimento coletivo a partir da relação com os territórios, tendo os residentes como protagonistas na construção de novos saberes e práticas no cuidado em saúde, pois foram pensadas como uma estratégia de interiorização da saúde, fortalecimento das Redes de Atenção à Saúde (RAS), e construção de novas práticas e saberes em saúde.
A partir de uma análise crítica do SUS e das práticas de saúde junto às comunidades e movimentos sociais do campo, os projetos buscam estimular a reflexão sobre o papel do trabalhador da saúde como agente transformador das relações no âmbito das políticas públicas de saúde, tendo como base o incentivo dos territórios para o efetivo exercício do controle social.
Corroboram com a análise documental29 onde identifica-se que a educação do campo pensada desde o MST está fundamentada na importância de reafirmar o campo não apenas como lugar de produção, mas sobretudo, como lugar de vida, na necessidade de disputar políticas públicas para as populações camponesas, e na construção de projetos políticos-pedagógicos vinculados à realidade do campo.

Instrumentalidade da Saúde e da Educação do Campo
A instrumentalidade da saúde e da educação do campo, composta por duas subcategorias: 8) Pedagogias; 9) Organicidade da Residência, traz elementos operativos do cotidiano das Residências cruzando concepções pedagógicas críticas na perspectiva popular, com os acúmulos da organização política de base dos movimentos sociais as quais destacamos: a organicidade e a pedagogia da alternância.
Figura 4 - Instrumentalidade da saúde do campo

Fig.4

Entre tantas pedagogias críticas conhecidas e que aparecem nos PPPs, em sua maioria advindas das lutas dos movimentos sociais do campo, é a pedagogia da alternância que orienta e organiza a práxis pedagógica das residências do campo.
A alternância como princípio pedagógico combina períodos de estudo com períodos de aplicação prática no contexto de vida e trabalho do estudante, promovendo uma ligação direta entre teoria e prática, a fim de desenvolver práxis técnica e humana, adaptando a formação às necessidades concretas do mundo do trabalho e da comunidade. Além disso incentiva o desenvolvimento sustentável, fortalece a comunidade, e proporciona uma educação contextualizada que respeita as especificidades culturais e socioeconômicas dos alunos.
Na subcategoria “organicidade da Residência” aparecem os tempos pedagógicos que ampliam a autonomia dos residentes na organização da agenda, incluindo atividades muitas vezes invisibilizadas no SUS, como estudo de casos, reuniões, planejamento e participação política em defesa do direito à saúde e tempo de “cuidar de quem cuida”.
Tutorias e preceptorias qualificam o processo formativo, articulando aprofundamento técnico por área e inserção no território. É fundamental valorizar esses profissionais em carga horária e financiamento. Os núcleos de base são o eixo da proposta pedagógica, organizando a agenda nos territórios e fortalecendo identidade coletiva, diálogo e corresponsabilidade. Neles, as análises de conjuntura e o matriciamento interprofissional ampliam a compreensão da determinação do adoecimento e as estratégias de intervenção em saúde.
Para Peloso30, a ideia de organicidade diz sobre a capacidade de um movimento, - ou espaço, coletivo, proposta educativa - de dar corpo às ideias, debates e orientações comuns, de forma que estejam articulados de forma integral e permanente em todo o corpo da organização, Busca garantir uma unidade de pensamento e ação com autonomia relativa das partes para que possam aplicar, de maneira criativa, suas decisões gerais.

Dimensão Ético-Estético-Política da Educação e do Trabalho na Saúde do Campo
A dimensão ético-estético-política da educação e do trabalho na saúde do campo enquanto categoria transversal evidenciou valores e princípios fundamentais dos PPP das residências analisadas como: liberdade, fortalecimento do SUS, solidariedade, sustentabilidade, respeito, complexidade, dignidade, emancipação, diálogo, justiça, humanização, amorosidade, democracia, participação popular, transformação social, corresponsabilidade, cooperação, integração, interculturalidade, autonomia, mística, saber popular e saber científico e compartilhamento.
É categoria transversal porque imbricada diretamente com as categorias já apresentadas.Para compreender a DEEP da educação e do trabalho na saúde do campo, identificamos que é preciso saber primeiro de que saúde (sua concepção, inserção da política pública e imbricação com a realidade social) e de que educação (concepção pedagógica e política, instrumentalidades possíveis para operacionalizar os conceitos educacionais) estamos falando.
Portanto, pensar a produção de educação e trabalho na saúde a partir dos territórios do campo significa um esforço analítico para compreender a formação social do Brasil enquanto território atravessado pela colonização e como esse processo histórico implica na produção de valores. Esse esforço está atrelado à necessidade de intencionalidade, pois a ética informa atitude situada que requer práxis.
Retomamos para o debate que a ética, portanto, é produzida social, histórica e culturalmente, não se limitando à mera declaração de "somos éticos", pois a ética exige atitude situada e contextualizada com intencionalidade17.
Os PPP destes programas reforçam o compromisso com a educação e o trabalho em saúde no campo, alinhados com os princípios fundamentais do Sistema Único de Saúde (SUS) descritos no artigo 7 da Lei 8.080/90, como Universalidade, Integralidade e Equidade. Além disso, os PPP incorporam princípios da Educação Popular, Educação Permanente em Saúde e Educação do Campo.
A pressão dos movimentos sociais, como MST e CONAQ, para orientar a educação e o trabalho em saúde produziu práticas colaborativas baseadas em valores que podem estruturar o cuidado em saúde em consonância com os territórios campesinos, fortalecendo a construção de práticas e ações de saúde a partir do território.
Brito31 destaca os valores do quilombo, que estão entranhados na história brasileira como projeto político insurgente e contra-colonial desde 1569. Apesar de muitas vezes marginalizados na história, os quilombos defendem uma alternativa possível rumo a um avanço civilizatório nos trópicos, antecipando valores como “liberdade, igualdade, fraternidade” que emergiram na Revolução Francesa. Isso representa um convite à sociedade brasileira para valorizar as experiências concretas e históricas de um Brasil quilombola.
Valores como liberdade, igualdade e emancipação inspiraram a constituição dos quilombos no Brasil colonial32 e permanecem vivos nas reivindicações do movimento quilombola contemporâneo, estabelecendo relações diretas com a necessidade de superar as chagas da escravização negra no Brasil31. A CONAQ destaca que a busca dos quilombolas por liberdade está conectada à garantia de direitos, como o uso coletivo da terra e dos bens produzidos nela, reconhecendo a identidade etnocultural e ancestral quilombola.
Considerando o projeto de saúde quilombola para o Brasil a partir dos acúmulos da CONAQ, as contribuições quilombistas abrangem desde uma perspectiva estética até os modos de organização política do povo negro no Brasil, focando em estratégias concretas de combate ao racismo e exclusão social31. O quilombismo enfatiza a produção da vida negra em comunidade, baseada em valores igualitários como cooperação, criatividade e propriedades como riquezas coletivas. Isso oferece um contraponto à produção da vida em moldes europeus e ao apagamento das contribuições negras na produção de alternativas e experiências autênticas21.
Paulo Freire33 discute a ética e política na educação, destacando princípios de uma estética humanizadora, a estética da boniteza, que inclui manifestar sentimentos, solidariedade, esperança, valorização da cultura e comunicação, e alfabetização com outras linguagens, resgatando todas as expressões humanas. Freire considera a feiura como a ausência de diversidade de pensamento e existência.
Escutar o território torna-se fundamental, pois ele grita e convoca ao redirecionamento das práticas hegemônicas em saúde. Atender às especificidades e necessidades locais desafia e reformula as abordagens tradicionais, promovendo intervenções mais inclusivas e eficazes que respeitam e incorporam o conhecimento e as vivências das comunidades envolvidas, criando caminhos para superar a lógica da colonialidade da saúde34.
Isso poderia figurar como uma estratégia de enfrentamento da invasão cultural28 que ocorre quando existem os serviços e as políticas públicas, mas estes são pensados desde uma universalização do cuidado, de uma lógica tecnicista e biomédica, centrada na tecnologia e tendo como limitação técnico-operacional a falta de conhecimento histórico-social sobre as populações do campo.
Identidade, mística, respeito às práticas e saberes do território, construção de ciência engajada, disponibilidade para organização e cuidado com sujeitos e ambiente apareceram como aspectos fundamentais no âmbito dos projetos das Residências do campo para formar profissionais capazes de elaborar políticas e modos de cuidado em saúde comprometidos ético-politicamente com camponeses, quilombolas, pescadores e povos tradicionais.
Os princípios e bases epistêmicas construídas no âmbito desses programas podem contribuir com o processo de formação qualificada de pesquisadores da Saúde Coletiva e trabalhadores do SUS, trazendo elementos para uma educação e trabalho na saúde do campo que ultrapasse os critérios utilitaristas de que se vale a Universidade, na direção da construção de identidades pessoais, profissionais e cidadãs moralmente autônomas e eticamente ativas.
O Sistema Único de Saúde (SUS) representa um avanço significativo nas políticas públicas de saúde, assim como as REMSFC. No entanto, é crucial reconhecer que o contexto de saúde vigente está profundamente enraizado em concepções capitalistas e coloniais. Desse modo, torna-se fundamental construir iniciativas de educação e trabalho na saúde em territórios do campo sem reproduzir práticas colonialistas35.
As iniciativas de educação pelo trabalho na saúde do campo podem provocar outros modelos e racionalidades que podem trazer para o cenário dos serviços do SUS uma nova vida, bem como apontar as estratégias político-pedagógicas que são necessárias para tanto, pensando na formação de trabalhadores da saúde comprometidos ético-politicamente com os pressupostos do SUS e da saúde do campo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Pensar a formação em saúde para o SUS é uma tarefa permanente que permite constantes retomadas dos sentidos e necessidades do sistema de saúde, buscando se adequar à complexidade das realidades nos distintos territórios do SUS. As Residências Multiprofissionais em Saúde do Campo (REMSFC) ainda estão em construção e enfrentam desafios estruturais para sua manutenção, mas com seu acúmulo político configuram-se como uma estratégia valiosa para desenvolver processos educacionais e de trabalho em saúde nos contextos campesinos, como “gente que faz o SUS acontecer”.
A política pública de saúde, embora essencial, pode atuar como um instrumento de controle e colonização, caso opere desconectada dos movimentos sociais do campo, correndo o risco de reproduzir um modelo de formação fragmentado, igualmente desconectado das necessidades de saúde das comunidades e das necessidades educativas dos residentes.
Portanto, é necessário tensionar os próprios princípios do SUS, promovendo uma construção de práticas de educação e trabalho em saúde fundamentada em um projeto popular que historicize e compreenda a determinação social da saúde. Isso implica uma concepção do trabalho em saúde que incorpore a consciência do processo histórico, a cultura camponesa e os conflitos agrários que afetam a saúde das comunidades do campo.
Diante de um contexto de recrudescimento dos desafios históricos do SUS, pensar a formação é pensar qual orientação estamos construindo para os trabalhadores do SUS e, refletir se o trabalhador que formamos ajuda a sustentar e construir a política pública.
Os projetos e documentos apresentam limites diante do que de fato consegue ser operacionalizado, mas a intencionalidade ético-política presente nos projetos desses programas nos oferece pistas importantes de como fazer esse caminho de uma educação e trabalho na saúde, fincado nas raízes do campo do Brasil.
Para aprender o caminho de volta para casa é preciso o saber técnico que envolvem as especificidades de saúde dessas populações, mas sobretudo, a intencionalidade ético-política de estar nesses territórios enquanto política pública de saúde construída com os movimentos, com as organizações e com as pessoas que estão vivendo nesses territórios, como é o caso da experiência das residências do campo.
A implementação de programas de residência em área profissional da saúde com foco na formação de especialistas na saúde do campo, florestas e águas tem a potencialidade de contribuir na promoção da equidade em saúde, de modo a mitigar barreiras de acesso à saúde, de forma adequada às necessidades em saúde das populações e as suas relações com o território, mas essa implementação dos programas deve estar acompanhada de uma base ético-política coerente com a historicidade das lutas pela saúde dessas populações.


Declaração de Disponibilidade de Dados

As fontes dos dados utilizados na pesquisa estão indicadas no corpo do artigo.?
REFERÊNCIAS
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Lago, TD, Verdi, M, Finkler, M, Dallmann, JMA, Paim, MB. Dimensão ético-estético-política da educação e do trabalho na saúde nas Residências Multiprofissionais em Saúde do Campo. Cien Saude Colet [periódico na internet] (2026/abr). [Citado em 04/04/2026]. Está disponível em: http://cienciaesaudecoletiva.com.br/artigos/dimensao-eticoesteticopolitica-da-educacao-e-do-trabalho-na-saude-nas-residencias-multiprofissionais-em-saude-do-campo/19978?id=19978&id=19978

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