0019/2026 - Facilitadores, dificultadores e desfechos relacionados à comunicação interprofissional na Atenção Primária à Saúde: scoping review à luz da avaliação realista
Facilitating factors, hindering elements and outcomes related to interprofessional communication in Primary Health Care: A scoping review in the light of Realistic Assessment
Autor:
• Francisco Marcelo Leandro Cavalcante - Cavalcante, FML - <marceloleandrocavalcante98@hotmail.com>ORCID: https://orcid.org/0000-0001-6143-1558
Coautor(es):
• Hellen de Paiva Szkura - Szkura, HP - <szkurahellenn@gmail.com>ORCID: https://orcid.org/0000-0002-6492-1613
• Thaís Lara Batista Menezes - Menezes, TL - <thaislrb17@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0009-0006-0340-6593
• Joyce Mazza Nunes Aragão - Aragão, JMN - <joyce_mazza@uvanet.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-2865-579X
• Maristela Inês Osawa Vasconcelos - Vasconcelos, MIO - <miosawa@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-1937-8850
• Lívia Moreira Barros - Barros, LM - <livia.moreirab@hotmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-9763-280X
• Márcio Flávio Moura de Araújo - Araújo, MFM - <oicam29@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0001-8832-8323
Resumo:
Objetivou-se mapear, na literatura científica, os fatores facilitadores e dificultadores, bem como os desfechos relacionados à comunicação interprofissional entre os profissionais de saúde da APS, à luz da avaliação realista. Trata-se de revisão de escopo realizada conforme as recomendações do JBI. Foram consultadas as bases/portais de dados: Scopus, Web of Science, PubMed/MEDLINE, SciELO, LILACS, BDENF, IBECS, BDTD, Catálogo CAPES e Google Acadêmico. A revisão incluiu 60 estudos na amostra final. Dentre os mecanismos dificultadores da comunicação interprofissional, sobressaíram-se: ocorrência de comunicação frágil, desvalorização da comunicação, sobrecarga de trabalho, canais de comunicação frágeis, débil compartilhamento de informações por via formal e hierarquias profissionais. Enquanto os mecanismos facilitadores destacaram-se: comunicação efetiva, aberta e respeitosa, reuniões formais, utilização de tecnologias da comunicação, trabalho colaborativo, registros eletrônicos no prontuário, respeito, empatia, relações interprofissionais. Evidenciou-se que quando a comunicação interprofissional é frágil, resulta no diálogo não estruturado, conflitos e baixa cooperação. Todavia, quando efetiva, favorece o fortalecimento da colaboração interprofissional e trabalho em equipe eficaz.Palavras-chave:
Comunicação; Relações Interprofissionais; Atenção Primária à Saúde.Abstract:
The objective was to map, in the scientific literature, the facilitating factors, hindering elements and outcomes related to interprofessional communication among PHC health professionals, in the light of Realistic Assessment. This is a scoping review conducted according to the JBI recommendations. The following databases were consulted: Scopus, Web of Science, PubMed/MEDLINE, SciELO, LILACS, BDENF, IBECS, BDTD, CAPES Catalogue and Google Scholar. The review included 60 studies in its final sample. The following stood out among the mechanisms hindering interprofessional communication: deficient communication instances; communication devaluing; work overload; weak communication channels; poor information sharing through formal paths; and professional hierarchies. As for the facilitating mechanisms, the following stood out: effective, open and respectful communication; formal meetings; using communication technologies; collaborative work; electronic records in medical charts; respect; empathy; and interpersonal relationships. It was evidenced that when interprofessional communication is deficient, the outcomes are unstructured conversations, conflicts and low cooperation levels. However, when effective, it favors strengthening interprofessional collaboration and efficient teamwork.Keywords:
Communication; Interprofessional Relations; Primary Health Care.Conteúdo:
É emergente reforçar e reorientar os sistemas e serviços de saúde para a Prática Interprofissional Colaborativa (PIC), visto que esta se constitui estratégia inovadora que promove a articulação entre as equipes de saúde, fortalecendo a força de trabalho, ampliando o acesso universal e contribuindo com a melhora da qualidade dos cuidados em saúde1.
Dentre as competências necessárias ao desenvolvimento da colaboração interprofissional, destaca-se a Comunicação Interprofissional (CIP), que propulsiona a atuação em equipe à medida que possibilita maior integração, articulação e interdependência entre os profissionais de saúde2,3,4. A CIP consiste na comunicação ágil, efetiva, transparente, responsável, colaborativa, respeitável e compassiva entre os membros da equipe4,5.
Como elemento primordial ao processo micropolítico de trabalho em saúde, promove suporte necessário para que as equipes trabalhem de forma colaborativa, de maneira que haja o esclarecimento de papéis de cada membro, bem como a valorização e a integração da função de cada profissional no processo de cuidado. Com isso, é possível aprimorar o funcionamento do trabalho em equipe, em que a PIC se pauta na articulação do cuidado interprofissional para atender de modo mais abrangente, integral e holístico às demandas complexas dos usuários3,6.
Quando efetiva, a CIP oportuniza o fortalecimento de elementos essenciais ao trabalho em equipe, como o agir comunicativo aberto e honesto, o engajamento, a confiança, a formação de vínculos afetivos, o respeito mútuo e o reconhecimento e valorização do papel de cada profissional. Outrossim, a CIP intermedeia as negociações, a tomada de decisões partilhada e a resolução de conflitos, possibilitando às equipes a manutenção da capacidade de dialogar, a harmonia no ambiente de trabalho, a redução do estresse, o fortalecimento das relações interpessoais, a pactuação de objetivos comuns, a valorização profissional e a melhora da satisfação com o trabalho em equipe7.
No âmbito da Atenção Primária à Saúde (APS), estudo destaca que a CIP contribui com o melhor acolhimento e longitudinalidade do cuidado, oportunizando que as necessidades dos usuários sejam melhor reconhecidas e atendidas. Ademais, facilita a corresponsabilização e o compartilhamento de condutas entre os profissionais e usuários, assim como fortalece a segurança e a qualidade dos cuidados, reduzindo os erros de tratamentos, as falhas assistenciais, a omissão e/ou duplicidade de cuidados8.
No entanto, a comunicação ineficaz representa uma das principais causas de ocorrência de erros e eventos adversos na APS, comprometendo a qualidade, a segurança e a efetividade do cuidado9,10. Ademais, quando a CIP não é instituída adequadamente, dificulta a tomada de decisões compartilhada e o estabelecimento de momentos formais e informais para partilha e interação, uma vez que o processo dialógico ocorre de modo não sistematizado, gerando desencontros e até mesmo equívocos. Com isso, as relações interpessoais são prejudicadas, contribuindo para a ocorrência de trabalho uniprofissional, fragmentado e dissociado11,12.
Fatores como as dúvidas relacionadas aos diferentes papéis e competências profissionais, conflitos e disputas interprofissionais, hierarquias, sobrecarga de trabalho, falta de recursos humanos e materiais, ausência de mecanismos formais e informais de diálogo são obstáculos que enfraquecem a CIP na APS13,14.
Tal problemática deve ser superada para se promover práticas de cuidado colaborativas, seguras e qualificadas no contexto da APS, uma vez que esta constitui a porta de entrada preferencial do sistema de saúde e está estruturada para oferecer cuidado integral, equitativo e resolutivo, pautada no trabalho em equipe colaborativo. Para isso, o processo de trabalho em saúde requer dos prestadores de cuidados interações aprofundadas, recíprocas e dialógicas, que promovam a atuação conjunta, o senso de pertencimento e de equipe, o compartilhamento de saberes, conhecimentos e condutas, e o estabelecimento de objetivos e metas comuns1,15.
Destarte, intenta-se como pertinente refletir e (re)pensar como a CIP ocorre na APS para instigar o desenvolvimento de novas estratégias que visem contribuir com o aperfeiçoamento e reorganização do processo de trabalho em saúde, de modo a fortalecer a PIC e contribuir com o desenvolvimento de atitudes, habilidades e competências profissionais comunicacionais e colaborativas. Para tanto, novos estudos que analisem os desafios da CIP em serviços de cuidados primários poderão contribuir com o aprimoramento e consolidação dessa competência como elemento fulcral para a colaboração e trabalho em equipe.
Considerando a necessidade de avançar com o conhecimento relacionado à CIP como competência para o trabalho em equipe colaborativo, é pertinente identificar os aspectos contextuais, mecanismos e resultados atrelados ao desenvolvimento dela na APS. Nesse contexto, para fundamentar este estudo, adotou-se o referencial da Avaliação Realista, que oportuniza a análise de programas, estratégias e intervenções de cuidado numa perspectiva problematizadora, por meio da tríade Contexto-Mecanismo-Resultado (CMR)16.
Deste modo, este referencial foi escolhido por possibilitar explicitar, mediante visão abrangente, os mecanismos em que determinada intervenção gera os objetivos e/ou resultados analisados, contribuindo para a tomada de decisão e elaboração de políticas, programas e estratégias públicas mais efetivos que possam favorecer a colaboração interprofissional16,17. Outrossim, pode instigar mudanças em aspectos estruturais, culturais, das relações sociais e interprofissionais no processo micropolítico de trabalho e produção do cuidado16.
Diante disso, pontua-se que há escassez de estudos na literatura que visem analisar os desafios e impactos da CIP na APS, especialmente pesquisas pautadas na avaliação realista. Além disso, a literatura destaca estudos originais e de revisão que investigam a CIP estritamente no contexto hospitalar5,18. Ademais, não foram identificados protocolos de revisão e revisões de escopo semelhantes a essa em buscas prévias em bases e bibliotecas de dados nacionais e internacionais, o que reforça e justifica a demanda por novas discussões que tratem dessa temática.
Com isso, é pertinente o desenvolvimento de novos estudos que visem mapear e analisar as evidências científicas sobre a CIP na APS, visto que será possível elucidar as nuances, potencialidades, fragilidades e desafios que permeiam sua efetivação. Assim, objetivou-se mapear, na literatura científica, os fatores facilitadores e dificultadores, bem como os desfechos relacionados à comunicação interprofissional entre os profissionais de saúde da APS, à luz da avaliação realista.
Método
Trata-se de scoping review (ScR), realizada conforme as recomendações do JBI19,20. Ademais, utilizou-se o Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses Extension for Scoping Reviews (PRISMA-ScR) Checklist21. O protocolo da revisão foi registrado na plataforma Open Science Framework (OSF) (https://osf.io/5vkwx/).
O estudo foi desenvolvido conforme as seguintes etapas: definição da questão de pesquisa; identificação dos estudos relevantes mediante buscas nas bases de dados; seleção e mapeamento dos estudos a serem incluídos na revisão; extração de dados dos estudos; e agrupamento, interpretação e síntese dos resultados19,22.
Para a construção da pergunta norteadora, recorreu-se à estratégia População Conceito Contexto (PCC)19, em que se considerou P (População): Profissionais de saúde; C (Conceito): Fatores facilitadores, dificultadores e desfechos relacionados à CIP na APS; e C (Contexto): Atenção Primária à Saúde. Assim, a revisão foi norteada pelas seguintes questões de pesquisa: Como é desenvolvida a CIP entre os profissionais de saúde da APS e quais os seus desfechos? Quais os fatores que facilitam e/ou dificultam o desenvolvimento da CIP na APS?
O processo de busca e seleção dos estudos ocorreu no período de novembro de 2023 a abril de 2024. Foram utilizadas as bases e portais de dados Scopus, Web of Science, PubMed/MEDLINE, SciELO, LILACS, BDENF e Índice Bibliográfico Espanhol em Ciências de la Salud (IBECS), via Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) e Catálogo de Teses e Dissertações CAPES e Google Acadêmico. As bases e portais de dados foram consultadas por meio de acesso à Comunidade Acadêmica Federada (CAFe) da plataforma CAPES Periódicos. É válido destacar que, no Google Acadêmico, diante da robustez dos resultados encontrados, optou-se por verificar as 10 primeiras páginas de resultados de cada estratégia de busca empregada.
Para definição das estratégias de busca foram utilizados termos controlados dos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e Medical Heading Subjects (MeSH). Ademais, foram utilizadas palavras-chave identificadas mediante leitura de estudos prévios sobre a temática, objetivando compor estratégia de busca abrangente. Os termos foram cruzados pelos operadores booleanos AND e OR, conforme descreve o Quadro 1.
Quadro 1
Definiu-se como critérios de inclusão: estudos primários, teses, dissertações, revisões, editoriais e artigos de reflexão que abordassem a CIP na APS, publicados sem restrição de tempo, de tipo de estudo ou de idioma, disponíveis completamente na íntegra. Como critérios de exclusão, destacaram-se: estudos que não respondessem à questão de pesquisa, estudos duplicados, protocolos de estudo, anais de eventos.
Para a condução da scoping review recorreu-se ao software Rayyan, ferramenta computacional com acesso gratuito que permitiu a seleção dos estudos por dois pesquisadores independentes, reduzindo o risco de viés na seleção dos artigos. Inicialmente, os estudos identificados nas bases de dados foram exportados para o Rayyan, no qual foram excluídos os duplicados.
Por conseguinte, realizou-se a triagem inicial das publicações mediante leitura de títulos e resumos, com intuito de eleger potenciais dados para esta revisão. Os estudos e informações colhidas foram lidos exaustivamente para determinar o cumprimento dos critérios de elegibilidade e composição da amostra final. Vale destacar que, quando houve divergências entre os dois pesquisadores, um terceiro revisor foi consultado para o desempate.
Após a seleção das publicações, os estudos incluídos na amostra final passaram por nova leitura e análise completa. Dois revisores fizeram a extração de dados de modo cego e independente, por meio de instrumento semiestruturado que continha as seguintes variáveis: título, autor(es), periódico, país de origem, ano de publicação, objetivo, tipo de estudo e amostra, principais resultados. Salienta-se que, após a extração dos dados, houve comparação dos resultados obtidos pelos dois pesquisadores e, nos casos de divergência, um terceiro revisor tomou o consenso final.
Ademais, para análise dos estudos, utilizou-se o método da avaliação realista e revisão realista, pautado nas configurações de Contexto-Mecanismo-Resultado (C-CMR) (Context-Mechanism-Outcome Configurations – CMO-C)16,23, para analisar de que maneira a CIP é desenvolvida no âmbito da APS, assim como quais os contextos em que ela ocorre, quais os mecanismos que facilitam ou dificultam sua realização e quais os desfechos atrelados ao processo comunicacional frágil ou efetivo nesse âmbito de atenção à saúde.
Nessa perspectiva, a avaliação realista adota modelos teórico-conceituais pautados na articulação entre CMR, que desenha e reflete sobre a relação entre contexto, mecanismo e resultado de programa específico24. Nesse sentido, considerou-se os elementos CMR do modelo adaptado de Silva, Silva e Oliveira (2020)17, em que o Contexto (C) envolveu as condições sociais, ambientais, econômicas e organizacionais das equipes da APS no desempenho da CIP; os Mecanismos (M) englobaram aspectos que facilitam ou dificultam o desenvolvimento da CIP entre os profissionais e entre as equipes da APS; os Resultados (R) constituíram as consequências/efeitos/desfechos/ decorrentes da CIP efetiva ou frágil entre profissionais e equipes de APS; por fim, as Configurações de Contexto-Mecanismo-Resultado (C-CMR) expressaram as cadeias da inter-relação dos contextos apresentados, dos mecanismos identificados e dos resultados encontrados pelo desenvolvimento da CIP na APS.
Resultados
A busca de estudo recuperou um total de 12.862 publicações, das quais foram 5.041 duplicatas e 7.757 estudos não relacionados à temática foram excluídas. Assim, 60 estudos foram incluídos na amostra final, conforme apresenta o fluxograma da Figura 1.
Fig.1
Os estudos selecionados foram publicados no período de 1996 a 2024, sobretudo nos anos de 2021 (n=10; 16,66%) e 2022 (n=7; 11,66%). Quanto ao país de origem dos estudos, foram identificadas 19 nações diferentes, sendo prevalentes o Brasil, com 22 (36,66%) estudos, e Canadá com oito estudos (13,33%). Em relação ao tipo de estudo, prevaleceram os estudos qualitativos (35,0%) e revisões (13,33%), conforme o Quadro 2.
Quadro 2
Após a análise dos estudos, foram identificados os contextos, mecanismos facilitadores e dificultadores da CIP na APS, bem como os resultados a eles atrelados, conforme apresentado no Quadro 3. Observou-se diversos contextos e mecanismos favoráveis à CIP, que caracterizam o estabelecimento de comunicação eficaz entre os membros da equipe e entre as equipes multiprofissionais de saúde. Em suma, esses contextos envolvem os mecanismos de comunicação formal (como reuniões, educação permanente, matriciamento e interconsultas) e informal (como conversas informais de corredor); a atuação conjunta e compartilhada; as atitudes positivas de respeito e valorização do papel do outro; ambiente de trabalho favorável e apoio da gestão/organização de saúde.
Dentre os desfechos a eles relacionados, pontuam-se o trabalho em equipe eficaz, o fortalecimento da colaboração interprofissional e estabelecimento de CIP eficaz, que também influem na qualidade do cuidado, na satisfação com o trabalho e na melhor resolução das demandas da clientela.
Quadro 3
O Quadro 4 aborda os contextos e mecanismos a eles relacionados que dificultam o estabelecimento da CIP na APS, destacando os resultados negativos que deles decorrem. Os contextos caracterizam-se pelo estabelecimento de comunicação frágil e ineficaz; falta de reuniões em equipe; atitudes negativas que desvalorizam a comunicação e dificultam o trabalho colaborativo; hierarquias profissionais; utilização inadequada das TICs; ambiente de trabalho desfavorável e ausência de objetivos compartilhados, refletindo na falta de integração e interdependência entre os membros da equipe de saúde.
Preocupantemente, tais aspectos geram desfechos negativos significativos, como não valorização do papel de cada profissional, dificuldade de estabelecer e manter uma CIP eficaz, desempenho inadequado da equipe, trabalho isolado, conflitos, estresse, fragmentação e perda da qualidade dos cuidados em saúde.
Quadro 4
Discussão
O presente estudo oportunizou o mapeamento das evidências científicas disponíveis na literatura científica a respeito da CIP na APS, à luz da avaliação realista. Isto possibilitou sintetizar os principais aspectos facilitadores e dificultadores à efetivação dessa competência colaborativa, bem como os desfechos a eles relacionados. Tais achados podem contribuir para as reflexões e discussões sobre a operacionalização da CIP na APS, estimulando o desenvolvimento de estratégias, políticas e programas, assim como a tomada de decisões pelos profissionais para o aprimoramento do processo de trabalho na Atenção Primária22.
Dentre os mecanismos facilitadores da CIP na APS, destacaram-se a comunicação efetiva e aberta entre os profissionais, as reuniões formais, a utilização das TICs, a comunicação formal e informal, o trabalho colaborativo, os registros no prontuário, o respeito e a empatia entre os profissionais, as relações interpessoais positivas, momentos de trabalho interprofissional como a discussão de casos e interconsultas, e o reconhecimento e valorização do papel de cada membro da equipe. Estes fatores corroboram para o bom desempenho do trabalho interprofissional colaborativo, especialmente entre as equipes da ESF e equipes multiprofissionais de apoio, oportunizando maior efetividade das ações e cuidados prestados.
Nesse contexto, entende-se que a comunicação aberta e respeitosa é a base para a colaboração em situações formais e informais dentro dos serviços de saúde de cuidados primeiros. Outrossim, se caracteriza pela escuta ativa e respeitosa do outro, assim como pelo estabelecimento de relações de confiança e apoio mútuo65,66,67,81.
Destarte, conforme recomenda o Canadian Interprofessional Health Collaborative (CIHC), todos os membros de uma equipe de saúde devem comunicar-se entre si de modo cooperativo, responsivo e respeitoso, atentando-se tanto ao conteúdo quanto aos elementos relacionais da comunicação.84 Isso pode possibilitar que o processo dialógico seja autêntico, equitativo, democrático e acessível.
Corroborando esses aspectos, o referencial americano Interprofessional Education Collaborative (IPEC) também frisa que a comunicação, como competência para a colaboração interprofissional, requer dos profissionais de saúde a capacidade de comunicar-se claramente, com autenticidade e humildade cultural, pontuando suas funções e responsabilidades; promovendo o entendimento comum dos objetivos compartilhados; praticando a escuta ativa; utilizando-se de feedback para conectar, alinhar e alcançar os objetivos da equipe; e examinando sua posição, poder, função, experiências, especialização e cultura para melhorar a comunicação e gerenciar conflitos que podem ocorrer no processo de trabalho3.
Com isso, a capacidade dialógica e colaborativa, bem como a interdependência dentro da equipe são fortalecidas, oportunizando que cada profissional tenha voz e vez no processo de cuidado interprofissional. Essa conduta compartilhada certamente favorece uma tomada de decisão democrática entre os clientes, famílias, comunidades e demais profissionais62,65,78. Na Noruega, investigadores concluíram, junto a pacientes idosos, que, quando a CIP é eficaz em unidades de cuidados primários, eles (idosos) têm a percepção de que o cuidado em saúde ofertado é mais consistente83.
Destarte, possibilita-se fortalecer o trabalho colaborativo em equipe para além do mero trabalho em grupo, dissociado, em que há senso de pertencimento e a valorização dos diversos saberes, conhecimentos e práticas são fortalecidos. Consequentemente, também se favorece a satisfação com o processo de trabalho, tornando o ambiente laboral mais agradável e menos estressante.
Assim, o trabalho em equipe se torna mais efetivo, uma vez que há o estabelecimento de ligações entre os diferentes processos de trabalho, o estabelecimento de relações interpessoais harmoniosasfortalecimento da cooperação e do apoio mútuo, buscado o alcance de objetivos e metas comuns, assim como melhor planejar, organizar, desenvolver e avaliar as ações e serviços de saúde para melhor atender às necessidades e demandas de saúde complexas da população85.
Nessa lógica, dentre os espaços formais que promovem a CIP na APS, sobressaíram-se as reuniões formais, a discussão de casos, consultas compartilhadas, interconsultas, matriciamento e visitas domiciliares. Estes espaços são cruciais para o diálogo, tomada de decisão compartilhada, discussão das questões de saúde, planejamento, avaliação, resolução de conflitos e promoção de relações interpessoais afetivas e respeitosas62,78. Deste modo, oportunizam superar o cuidado uniprofissional fragmentado, pautado no modelo biomédico, assim como fortalecem o cuidado centrado na pessoa55,57.
Quando devidamente aproveitados como espaços dialógicos, promovem a redução da sobrecarga de trabalho e melhoram a troca de saberes, o planejamento de planos de cuidados e a PIC86, uma vez que integra e articula os diferentes papéis e experiências, oportunizando a melhor definição e pactuação de ações de saúde que atendam às necessidades reais da clientela e comunidades54,87. Para isso, requerem do profissional abertura ao diálogo e à colaboração.
Outros fatores que facilitam a CIP no âmbito da APS foram as tecnologias da comunicação e informação, como aplicativos de mensagens, telefone e e-mail, que mediam também os processos comunicacionais informais. Estes auxiliam a manter os canais de comunicação abertos, possibilitando aos profissionais o compartilhamento rápido de informações34,42,53,54,63,79.
No entanto, em alguns estudos, os profissionais de saúde destacaram essas ferramentas como dificultadores do diálogo, uma vez que funcionavam como mero meio de repasse de informações, dificultando o estabelecimento de processos diálogos mais aprofundados48,57,67. Assim, reforça-se a necessidade de cautela na utilização das tecnologias comunicacionais, que devem ser utilizadas como ferramenta comunicacional complementar e não substituir os encontros formais pessoais para o diálogo e colaboração interprofissional57,63. As recomendações do CIHC também reforçam a relevância de utilizar eficazmente as TICs no processo dialógico, objetivando melhorar os cuidados e serviços colaborativos, de modo a garantir que todos os membros da equipe de saúde transmitam a mensagem certa por meio dos canais adequados às pessoas certas no momento certo84.
No que diz respeito aos mecanismos dificultadores da consolidação da CIP na APS, sobressaíram o estabelecimento de comunicação frágil entre os profissionais, relações hierárquicas, canais formais e informais frágeis de comunicação, sobrecarga de trabalho, e não reconhecimento e valorização do papel de cada membro da equipe56,58,75,76,79,80. Prejudicialmente, estes aspectos favorecem o distanciamento entre os profissionais e o trabalho isolado, comprometendo a resolutividade da APS.
A atitude individual dos profissionais de desvalorização do trabalho em equipe e da comunicação, atrelada à carência de abertura profissional ao diálogo, especialmente dos profissionais médicos, foi aspecto notório nos estudos. Isto dificultava as interações contínuas e recíprocas, resultando em conflitos, estresse, falta de confiança e colaboração, e tomada de decisão não compartilhada36,51,58.
Somada a isso, foi notória a não compreensão e/ou valorização do papel de cada membro da equipe de saúde, que fragiliza a CIP em decorrência da não efetivação do trabalho em equipe, da não integração das práticas, saberes e conhecimentos multidisciplinares71. Como meio para superar esta problemática, o IPEC (2023)3 sinaliza, como competências colaborativas, a utilização e valorização dos conhecimentos e dos papéis de cada membro da equipe.
Outrossim, estudos também recomendam que os profissionais de saúde adotem atitudes individuais e interindividuais para favorecer a comunicação e colaboração, como ter a capacidade de apoiar a partilha de informações e a tomada de decisões da equipe, possuir consciência do papel e do valor dos demais membros, concordar intelectualmente com sua função dentro da equipe, decidir utilizar os serviços dos demais profissionais em sua prática de forma regular e valorizar as contribuições dos membros da equipe15,42,44,48,63. Isso objetiva ofertar atendimento centrado na pessoa, de modo seguro, oportuno, eficiente, eficaz e equitativo62. Para isso, pressupõe-se que haja CIP efetiva nos processos de trabalho na APS57.
Os estudos também destacaram os canais de comunicação formais e informais fragilizados e o débil compartilhamento de informações por via formal, como dificultadores da CIP na APS. Isto influi em fluxos de trabalho mal definidos, dificuldades no esclarecimento e na pactuação das responsabilidades e na tomada de decisões fragmentada. Ademais, a ausência de espaços de diálogo, como as reuniões, compromete a eficiência das equipes55,57. Consequentemente, gera-se sobrecarga de trabalho, omissão e/ou duplicidade de cuidados, comprometimento da segurança do paciente, peregrinação da clientela ao longo do serviço, implicando na insatisfação do usuário e na fragilização da qualidade dos cuidados em saúde56.
Consonantemente, a tomada de decisão partilhada pode não ocorrer e as relações de poder desiguais são favorecidas, visto que os espaços de encontro e diálogo interprofissional não ocorrem adequadamente. Além disso, a integração dos saberes e práticas interprofissionais é impedida, gerando fragmentação do cuidado, não clarificação dos papéis de cada profissional, baixo engajamento no trabalho em equipe, conflitos e reforço das relações de poder desiguais. Portanto, reforça-se a relevância de se promover múltiplos espaços e oportunidades para a comunicação formal e informal como estratégia para ampliar a frequência e valorização da CIP no processo de trabalho44.
Ademais, é essencial reforçar a Educação Interprofissional (EIP) nos cursos de graduação, pois é estratégia inovadora para trabalhar o desenvolvimento de competências e habilidades colaborativas entre as disciplinas e profissões43,72,75. Com isso, poder-se-á romper com hierarquias de poder, assim como fortalecer a autonomia e o protagonismo dos profissionais no processo de produção do cuidado.
Ante o exposto, os achados do presente estudo podem contribuir com as discussões e reflexões sobre o processo micropolítico de trabalho na APS, bem como instigar o aprimoramento do processo dialógico dos profissionais de saúde e promover o fortalecimento da cultura de colaboração interprofissional nesse contexto de cuidados. Ademais, oportunizarão fornecer subsídios para formulação de intervenções gerenciais e de Educação Permanente em Saúde (EPS) sobre a comunicação e colaboração interprofissional, de modo a promover os espaços dialógicos e favorecer o desenvolvimento de habilidades comunicacionais e colaborativas.
Como limitações do estudo, destaca-se a exclusão de estudos não disponíveis integralmente na íntegra, aspecto que pode ter dificultado a inclusão de outras pesquisas relevantes.
Conclusão
Os achados do presente estudo reforçam que, quando a CIP é desempenhada de forma eficaz na APS, favorece o trabalho em equipe e colaboração interprofissional, uma vez que também fortalece as relações interprofissionais, promove processos decisórios democráticos e resulta na melhora da satisfação com o trabalho. Mecanismos como as reuniões formais, a utilização das TICs, a comunicação formal e informal, o trabalho colaborativo e as relações interprofissionais positivas potencializam a CIP.
Entretanto, também se evidenciou que o processo dialógico frágil dificulta a integração das práticas, saberes e conhecimentos multiprofissionais, comprometendo-se assim a eficiência qualidade e segurança dos cuidados primários à saúde. Isto decorre de mecanismos dificultadores, como o estabelecimento de comunicação frágil entre os profissionais, as atitudes negativas de desvalorização da comunicação e a sobrecarga de trabalho.
Diante disso, espera-se que os resultados do presente estudo possam contribuir para repensar e fortalecer o processo dialógico e de trabalho em equipe na APS, de modo a fortalecer a comunicação e colaboração interprofissional, como também potencializar os espaços e as estratégias que fomentem a CIP na APS. Sugere-se o desenvolvimento de novos estudos que visem identificar como a CIP ocorre entre os diferentes níveis de atenção à saúde, assim como pesquisas experimentais que visem desenvolver programas e intervenções educativas direcionadas à aquisição de competências e habilidades comunicacionais e colaborativas na APS.
Declaração de Disponibilidade de Dados
As fontes dos dados utilizados na pesquisa estão indicadas no corpo do artigo.
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