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0057/2026 - IMPLEMENTAÇÃO DAS TELECONSULTORIAS NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE: PROPOSTA DE MODELO AVALIATIVO
IMPLEMENTATION OF eCONSULTS IN THE BRAZILIAN UNIFIED HEALTH SYSTEM: PROPOSAL OF AN EVALUATIVE MODEL

Autor:

• Claudia Flemming Colussi - Colussi, CF - <claudiaflemmingcolussi@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-3395-9125

Coautor(es):

• Patrícia Maria de Oliveira Machado - Machado, PMO - <patriciamomachado@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-8630-8318

• Felipa Rafaela Amadigi - Amadigi, FR - <felipaamadigi@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-1480-1231

• Marina Bastos Paim - Paim, MB - <marinabastosp@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3456-5598

• Izaltina Adão - Adão, I - <izaltinaadao@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-5721-2560

• Rafaela Souza Petrolini - Petrolini, RS - <rafaelameottisouza@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-1992-8189

• Fabiana Brito Silva - Silva, FB - <bia.brito@hotmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-1262-4246



Resumo:

Resumo
A teleconsultoria é considerada uma ferramenta de saúde digital estratégica na ampliação do acesso à atenção especializada e na qualificação da Atenção Primária à Saúde. Objetivo: Apresentar modelo de análise da implementação das teleconsultorias nos municípios catarinenses. Métodos: Trata-se de estudo metodológico, sem a realização de aplicação empírica do modelo. A construção do modelo foi fundamentada nos referenciais teórico-metodológicos da Ciência de Implementação: i-PARIHS (integrated-Promoting Action on Research Implementation in Health Services), ORCA (Organizational Readiness to Change Assessment) e RE-AIM (Reach, Effectiveness, Adoption, Implementation, Maintenance). Resultados: O modelo de análise da implementação proposto está estruturado em 3 dimensões principais (Intervenção/Inovação, Implementação e Manutenção), 10 subdimensões analíticas e 41 indicadores. É considerado uma ferramenta para compreender os múltiplos fatores que influenciam a adoção, eficácia e sustentabilidade das teleconsultorias no Sistema Único de Saúde, a nível municipal. Conclusão: O modelo representa um avanço metodológico ao articular diferentes referenciais teóricos, permitindo captar com profundidade a complexidade do processo de implementação de inovações em saúde digital.

Palavras-chave:

Saúde Digital; Teleconsultoria; Avaliação em Saúde; Ciência da Implementação.

Abstract:

eConsult is considered a strategic digital health tool for expanding access to specialized care and improving Primary Health Care. Objective: To present an analytical model for assessing the implementation of eConsults in municipalities of Santa Catarina, Brazil. Methods: This is a methodological study, without the empirical application of the model. The model was developed based on Implementation Science theoretical-methodological frameworks: i-PARIHS (Integrated-Promoting Action on Research Implementation in Health Services), ORCA (Organizational Readiness to Change Assessment), and RE-AIM (Reach, Effectiveness, Adoption, Implementation, Maintenance). Results: The proposed implementation analysis model is structured into three main dimensions (Intervention/Innovation, Implementation, and Maintenance), ten analytical subdimensions, and 41 indicators. It is considered a tool for understanding the multiple factors that influence the adoption, effectiveness, and sustainability of teleconsultations within Brazil’s Unified Health System at the municipal level. Conclusion: The model represents a methodological advancement by integrating different theoretical frameworks, allowing for an in-depth understanding of the complexity involved in implementing digital health innovations.

Keywords:

Digital Health; eConsult; Health Evaluation. Implementation Science

Conteúdo:

Introdução
A teleconsultoria consolidou-se como um dos eixos centrais da Telessaúde no Brasil, desempenhando papel estratégico na ampliação do acesso à atenção especializada, na qualificação da Atenção Primária à Saúde (APS) e na promoção da equidade no Sistema Único de Saúde (SUS)1. Sua trajetória institucional teve início com a criação da Rede Universitária de Telemedicina (RUTE), em 2006, seguida pelo lançamento do Programa Nacional de Telessaúde, em 2007, e do Programa Telessaúde Brasil Redes, em 2011, que estruturou a oferta nacional de serviços como a teleconsultoria, o telediagnóstico e a tele-educação2,3.
Segundo a Portaria nº 3.691, de 23 de maio de 2024, do Ministério da Saúde, a teleconsultoria é definida como uma consultoria mediada por tecnologias digitais de informação e comunicação (TDIC), realizada entre profissionais de saúde, com a finalidade de esclarecer dúvidas sobre procedimentos clínicos, ações de saúde e questões relativas ao processo de trabalho4. Trata-se, portanto, de uma estratégia que potencializa a comunicação entre os diferentes níveis de atenção e permite a resolução de casos clínicos na própria APS, evitando encaminhamentos desnecessários, otimizando recursos e promovendo a educação permanente em saúde5,6.
A teleconsultoria mostra-se especialmente relevante frente a um dos principais desafios dos sistemas universais de saúde: o tempo prolongado de espera para acesso à atenção especializada. Esse atraso pode acarretar em prejuízos clínicos ao paciente, sobrecarga aos serviços de saúde, duplicação de exames solicitados e aumento de custos operacionais7. Estudos têm evidenciado o potencial da teleconsultoria na redução das filas de espera para as especialidades que a integram ao fluxo regulatório de encaminhamento8-10.
Com a aprovação da nova Política Nacional de Atenção Especializada no SUS (PNAES), que reforça a regionalização, a integralidade e a articulação entre os pontos de atenção, as teleconsultorias ganham ainda mais relevância como instrumento de coordenação do cuidado e reorganização dos fluxos assistenciais11. Sua adoção pode promover ganhos significativos de eficácia e eficiência nos sistemas de saúde12, além contribuir para o fortalecimento das linhas de cuidado e da gestão clínica compartilhada entre os diferentes níveis de atenção na rede. A adoção e a manutenção da sua oferta, são impactadas diretamente pela forma como a mesma é implementada.
No estado de Santa Catarina, as teleconsultorias vêm sendo implementadas com ampla capilaridade e crescente adesão dos municípios, sob a coordenação do Núcleo Saúde Digital UFSC13. Este núcleo, referência nacional em saúde digital, atua desde 2007 na promoção do acesso à atenção especializada, qualificação dos profissionais de saúde e racionalização dos encaminhamentos, por meio da oferta de teleconsultoria, telediagnóstico, segunda opinião formativa e atividades de tele-educação, utilizando o Sistema de Telemedicina e Telessaúde (STT)14.
Experiências municipais têm demonstrado impactos expressivos na organização da atenção à saúde a partir da incorporação das teleconsultorias. Em Criciúma, por exemplo, a implementação do serviço no final de 2023 resultou, em apenas quatro meses, em mais de 6.000 teleconsultorias respondidas, impactando diretamente na redução do tempo de espera nas especialidades de ortopedia, de seis meses para sete dias, e neurologia, de 14 meses para três meses15. Outro destaque se deu ao fato de que 75% dos casos foram resolvidos remotamente (com orientação do especialista ao profissional da APS), sem necessidade de encaminhamento presencial à atenção especializada16. Em Joinville, a obrigatoriedade do uso da teleconsultoria para encaminhamento dos pacientes à especialidade de ortopedia, desde 2016, permitiu a resolução de 39% das demandas na própria APS, contribuindo para a redução de filas históricas7.
Além da sua função no apoio assistencial, a teleconsultoria tem se consolidado como um recurso pedagógico relevante, pois favorece a troca de saberes entre os profissionais e fortalece a educação permanente em saúde17,18. Ademais, suas soluções tecnológicas e ferramentas digitais contribuem para o apoio à gestão dos serviços de saúde, promovendo maior integração, eficiência e qualificação dos processos de trabalho. Estudo realizado em Santa Catarina, observou que a implantação de um fluxo de teleconsultoria em articulação com a Secretaria de Estado da Saúde foi essencial para a abrangência e efetivação enquanto serviço de apoio assistencial, e para educação permanente dos profissionais envolvidos, proporcionando melhoria do acesso e da qualidade aos serviços públicos de saúde19.
Diante do avanço das políticas de saúde digital no estado, da complexidade dos processos de implementação e da necessidade de instrumentos para monitoramento e qualificação dos serviços ofertados, este artigo tem como objetivo apresentar um modelo de análise da implementação das teleconsultorias nos municípios catarinenses. O modelo proposto foi desenvolvido com base em referenciais teórico-metodológicos da Ciência da Implementação, para além do enfoque no resultado, se preocupa com o processo de implantação da intervenção. Acredita-se que essa proposta possa contribuir com gestores, profissionais e pesquisadores interessados em fortalecer a APS e a atenção especializada no SUS a partir das possibilidades oferecidas pela saúde digital, em consonância com os princípios da integralidade e equidade que orientam o SUS.

Metodologia
Trata-se de um estudo metodológico20 voltado à construção de um modelo de análise da implementação das teleconsultorias no âmbito do SUS, com foco nos municípios. Foi desenvolvido um instrumento teórico-analítico que permitisse compreender a implementação das teleconsultorias em diferentes contextos, bem como os fatores facilitadores e as barreiras à sua implementação.
A construção do modelo foi fundamentada em três referenciais teórico-metodológicos interrelacionados e reconhecidos na área de avaliação e análise da ciência da implementação em saúde: o i-PARIHS (integrated-Promoting Action on Research Implementation in Health Services), o ORCA (Organizational Readiness to Change Assessment) e o RE-AIM (Reach, Effectiveness, Adoption, Implementation, Maintenance). Esses marcos analíticos foram selecionados por sua complementaridade e por fornecerem subsídios conceituais para avaliar aspectos contextuais e organizacionais, além dos processos de mudança e dos resultados esperados das intervenções em saúde.
O referencial i-PARIHS, é uma evolução do modelo PARIHS (Promoting Action on Research Implementation in Health Services) desenvolvido por Harvey e Kitson21, orienta a análise da implementação a partir da interação entre quatro dimensões principais: as características da intervenção (Innovation), o contexto onde se dá a implementação (Context), os usuários/receptores desta inovação (Recipients) e o processo de facilitação (Facilitation). O modelo enfatiza que o sucesso da implementação depende da forma como esses elementos interagem, destacando o papel da facilitação ativa para promover a mudança.
O ORCA é um instrumento baseado no modelo de promoção da pesquisa em prática clínica (PARIHS original) e foi desenvolvido por Helfrich et al.22 para mensurar a prontidão organizacional para mudanças. Avalia três domínios: a evidência da intervenção, a qualidade do contexto organizacional e a capacidade de facilitação. O uso do ORCA permite identificar o nível de preparo das organizações para a adoção e implementação de novas práticas, sendo particularmente útil para avaliar barreiras e alavancas institucionais no processo de implementação.
Já o referencial RE-AIM, proposto por Glasgow et al.23, visa avaliar o potencial impacto das intervenções em saúde considerando cinco dimensões fundamentais: Reach (alcance da intervenção sobre a população-alvo), Effectiveness (efetividade dos resultados), Adoption (adoção por parte das unidades e profissionais), Implementation (qualidade e fidelidade da execução) e Maintenance (sustentabilidade ao longo do tempo). O modelo RE-AIM tem ampla aplicação na avaliação de programas e políticas públicas e oferece subsídios para o monitoramento da extensão e do impacto das estratégias implementadas.
A etapa de construção do modelo envolveu a análise dos componentes centrais de cada referencial, com especial atenção às dimensões relacionadas à intervenção, ao contexto, ao preparo organizacional, à adoção, à implementação propriamente dita e à sustentabilidade. A partir da síntese desses elementos, foram definidas as dimensões e subdimensões constituintes do modelo, visando garantir abrangência analítica e aplicabilidade prática para o monitoramento e avaliação da implementação das teleconsultorias.
Importante pontuar que não houve aplicação empírica e validação do modelo neste estudo, uma vez que seu escopo se restringiu ao desenvolvimento conceitual e metodológico da proposta.

Apresentação e Discussão do Modelo Proposto

O modelo de avaliação da implementação proposto representa um avanço metodológico, pois articula diferentes referenciais teóricos da ciência da implementação (i-PARIHS, ORCA, RE-AIM) em uma abordagem ampliada, sensível ao contexto e orientada à prática. Estruturado em três dimensões principais (Intervenção/Inovação, Implementação e Manutenção), operacionalizado por meio de 10 subdimensões analíticas e 41 indicadores empíricos, o modelo oferece uma ferramenta para compreender os múltiplos fatores que influenciam a adoção, eficácia e sustentabilidade das teleconsultorias nos municípios (Quadro 1).
O modelo tem como base múltiplas fontes de dados e métodos, integrando evidências primárias e secundárias. Entre as fontes e métodos considerados, destacam-se banco de dados secundários, análise documental, revisão de literatura, entrevistas com gestores e teleconsultores, questionário com profissionais solicitantes das teleconsultorias, além das percepções de membros do Núcleo Saúde Digital UFSC. Essa diversidade de fontes e métodos permite captar a complexidade da intervenção e suas dinâmicas nos distintos níveis do sistema de saúde.

Quadro1

A dimensão Intervenção/Inovação correspo+nde às características intrínsecas da teleconsultoria enquanto estratégia de saúde digital. Nos referenciais i-PARIHS e ORCA, a natureza da inovação, incluindo seu conteúdo, evidências de efetividade, clareza, complexidade, compatibilidade com práticas existentes e grau de adaptabilidade, é um determinante central do sucesso da implementação.
No contexto das teleconsultorias, essa dimensão busca avaliar aspectos como: clareza dos objetivos do serviço, compreensão dos benefícios entre os profissionais envolvidos, evidências que sustentam sua adoção, grau de padronização versus flexibilidade nos fluxos, e sua inserção nas rotinas da APS. A inovação é mais prontamente adotada quando percebida como relevante, prática, segura, e alinhada às necessidades do território. Assim, esta dimensão permite compreender o quanto a teleconsultoria é percebida como uma solução efetiva pela gestão e aplicável pelas equipes, bem como seu potencial pedagógico e resolutivo para a sua população alvo.
A dimensão Implementação refere-se ao processo de inserção da teleconsultoria no cotidiano dos serviços de saúde, considerando os fatores contextuais, organizacionais e operacionais que influenciam sua execução. Essa dimensão dialoga com as categorias “Context”, “Facilitation” e “Recipients” do i-PARIHS, bem como com os domínios organizacionais do ORCA e os componentes “Adoption” e “Implementation” do RE-AIM. Inclui elementos como: o preparo das equipes, a adesão dos profissionais, o suporte institucional, a capacitação técnica, recursos e infraestrutura tecnológica, a integração com os fluxos assistenciais locais, o envolvimento da gestão e a governança regional. O reconhecimento da diversidade de contextos, considerando os facilitadores e barreiras que impactam a operacionalização, é essencial para compreender a variação nos graus de adoção, efetividade e continuidade de oferta (manutenção) observados entre diferentes municípios e serviços.
A dimensão Manutenção avalia a sustentabilidade da estratégia ao longo do tempo, ou seja, a capacidade de continuidade e consolidação das teleconsultorias como prática regular no SUS. Este eixo dialoga com a dimensão “Maintenance” do RE-AIM e com a perspectiva longitudinal dos referenciais de implementação, que enfatizam a necessidade do seu monitoramento contínuo, retroalimentação e aperfeiçoamento das inovações. Inclui a análise de aspectos como: permanência da estratégia após o fim de projetos ou incentivos iniciais, institucionalização pela inclusão do mesmo no planejamento e orçamento municipais, incorporação em protocolos e normativas locais, mecanismos de monitoramento e avaliação, e existência de espaços de aprendizagem organizacional. A manutenção depende, ainda, do engajamento contínuo das equipes, da atualização tecnológica e da capacidade do sistema de responder às mudanças nas demandas e nos contextos sociopolíticos ao longo do tempo..
Essas três dimensões articuladas permitem compreender a implementação da teleconsultoria como um processo dinâmico, que envolve múltiplos níveis (macro, meso e micropolítico), e que depende da interação entre características da intervenção, da organização e dos atores envolvidos para sua consolidação e efetividade no fortalecimento da atenção especializada no SUS.
A subdimensão “Alcance” diz respeito à extensão com que a intervenção atinge os profissionais da APS, que são os usuários da inovação, refletindo a capilaridade na utilização. No campo da avaliação de implementação, o alcance é compreendido como um aspecto fundamental para julgar o potencial de impacto da intervenção, especialmente em contextos de ampliação do acesso a tecnologias em saúde. Conforme proposto no modelo RE-AIM23, essa dimensão deve considerar tanto a quantidade quanto a representatividade do perfil dos envolvidos, permitindo identificar padrões de participação e possíveis desigualdades no engajamento. A literatura sobre avaliação de programas, como as contribuições de Weiss24 e Chen25, destaca que analisar quem de fato participa de uma intervenção permite verificar se os pressupostos teóricos do programa estão sendo cumpridos na prática. Em estudos avaliativos no campo da saúde digital, essa análise tem sido valorizada para compreender barreiras e facilitadores à utilização das tecnologias, assim como os efeitos de estratégias de mobilização e sensibilização26-28. Desta forma, a avaliação do alcance contribui para revelar a difusão da intervenção, a sua legitimidade entre os profissionais e a aderência às necessidades do território.
A subdimensão “Adoção” refere-se à decisão formal de organizações e indivíduos responsáveis pela sua aplicação de incorporarem a intervenção ao processo de trabalho, sendo um elemento crítico na análise da implementação. Segundo o modelo RE-AIM, a adoção diz respeito tanto à proporção quanto à representatividade das unidades organizacionais (como municípios) e dos profissionais responsáveis pela entrega da intervenção (como teleconsultores) que passam a utilizar uma inovação23. Essa dimensão permite compreender o quantitativo de municípios aderentes, suas características institucionais, contextuais e organizativas, além dos fatores que influenciam a adesão dos profissionais. A teoria da difusão de inovações de Rogers et al.29 contribui para essa análise ao destacar que atributos da intervenção — como compatibilidade com valores e rotinas existentes, complexidade percebida, vantagem relativa e capacidade de experimentação — afetam a velocidade e a extensão com que a inovação é adotada. Além disso, o autor destaca a importância da influência social e da "pressão dos pares", especialmente nos contextos em que municípios atuam em rede ou consórcios.
Adoção também é influenciada pela percepção de utilidade prática e pela confiança nas evidências científicas disponíveis, conforme demonstrado em estudos sobre telessaúde no Brasil26,30. A confiança dos gestores e a credibilidade da intervenção, muitas vezes associadas à existência de estudos de eficácia e ao suporte institucional, são elementos centrais na tomada de decisão. Por fim, aspectos como estratégias de engajamento local, articulação entre municípios e o perfil dos teleconsultores envolvidos revelam como a adoção é moldada por fatores individuais, organizacionais e interinstitucionais. Essa perspectiva permite avaliar o número de municípios participantes, a profundidade e a qualidade da incorporação da teleconsultoria como prática de apoio à atenção em saúde.
A subdimensão “Efetividade” refere-se aos efeitos da teleconsultoria sobre os desfechos esperados da intervenção, com ênfase na resolutividade clínica, no fortalecimento da educação permanente em saúde e na identificação de efeitos não previstos. A resolutividade é um dos principais indicadores do impacto das teleconsultorias, especialmente quando se observa a capacidade do serviço em evitar encaminhamentos desnecessários à atenção especializada e reduzir filas e tempos de espera. Estudos demonstram que a utilização estruturada das teleconsultorias pode reduzir significativamente o número de encaminhamentos, contribuindo para o fortalecimento e resolubilidade da APS7,8,31.
Além disso, ao proporcionar acesso imediato ao conhecimento especializado, as teleconsultorias cumprem um papel formativo importante, atuando como dispositivos de educação permanente. À medida que os profissionais se deparam com casos semelhantes, a repetição dos processos de consulta tende a gerar aprendizado tácito, aumentando a autonomia clínica e modificando os padrões de solicitação32,33. Nesse sentido, a prática da teleconsultoria favorece o desenvolvimento de competências clínicas e a consolidação de saberes contextualizados34. Por outro lado, é importante considerar os efeitos não esperados da intervenção, que podem incluir desde benefícios colaterais — como a ampliação da articulação entre profissionais e serviços — até impactos adversos, como aumento da carga de trabalho ou dificuldades operacionais, conforme apontado em experiências com saúde digital27,35.
Assim, a efetividade deve ser compreendida em uma perspectiva ampliada, para além dos indicadores quantitativos clássicos, considerando os múltiplos efeitos decorrentes da inserção da teleconsultoria no cotidiano dos serviços.
A subdimensão “Características da inovação” analisa os atributos da teleconsultoria que podem influenciar sua aceitação e eficácia nos contextos locais. A usabilidade da plataforma, medida pela proporção de profissionais que relataram dificuldades no uso, é um aspecto central para sua adoção e continuidade36. A adaptabilidade, ou seja, a possibilidade de ajustar a plataforma e os processos para atender aos fluxos específicos de cada município, contribui para sua integração ao contexto operacional sem causar rupturas nos protocolos locais26. A testabilidade, definida como a capacidade de realizar experimentos em pequena escala e interromper ou desfazer a implementação se necessário, facilita a implementação controlada e a aprendizagem organizacional em ambientes complexos37.
Além disso, o alinhamento com os princípios do SUS – especialmente equidade, acessibilidade, integralidade e coordenação do cuidado pela APS – é essencial para garantir que a inovação contribua efetivamente para os objetivos do sistema de saúde brasileiro38. A inovação deve reforçar a utilização dos profissionais locais, promover acesso equitativo e fortalecer a capacidade da APS, de modo a garantir que a teleconsultoria seja não apenas tecnicamente viável, mas também socialmente legítima dentro do SUS.
A subdimensão “Facilitação” se refere à estrutura de suporte que promove a implementação das teleconsultorias, envolvendo capacitação, apoio técnico e institucional continuado. O treinamento dos profissionais (teleconsultores ou solicitantes) exerce papel essencial na efetividade do serviço. Capacitações presenciais, síncronas ou assíncronas, acompanhadas de feedback estruturado, contribuem significativamente para o uso adequado e qualificado da plataforma39. O apoio do Núcleo de Saúde Digital surge como facilitador institucional essencial, oferecendo canais de comunicação, monitoramento e supervisão, além de disponibilizar comunidades de prática que promovem o aprendizado coletivo, o amparo e o apoio em situações de dúvidas ou problemas39.
A subdimensão “Contexto” aborda fatores organizacionais, culturais e políticos que influenciam a implementação. A prontidão para a mudança, ou a resistência percebida dos profissionais, costuma ser uma barreira crítica em processos de implementação de saúde digital40. A rotatividade de profissionais aparece como interferente recorrente, especialmente em municípios remotos, onde a perda de pessoal treinado exige novos ciclos de capacitação (Rede Telessaúde Brasil, década de 2010). A importância da tecnologia para os atores envolvidos, especialmente o nível de conhecimento dos gestores sobre os fluxos e sistemas locais, impacta significativamente a integração da inovação41. A pressão dos pares, por meio da adoção de sistemas privados ou modelos concorrentes, pode enfraquecer o uso do sistema público de teleconsultoria42. Por fim, aspectos políticos, sociais e culturais — como a preferência de usuários por consulta direta com especialistas ou expectativas culturais sobre o cuidado — podem gerar resistência ou desconfiança em relação ao modelo de teleconsultoria.
A subdimensão “Estratégias de implementação” aborda os mecanismos organizacionais e estruturais que favorecem a incorporação das teleconsultorias na rotina dos serviços de saúde. A existência de regulamentação formal dos fluxos de teleconsultoria confere clareza e legitimidade aos processos, facilitando a padronização e o alinhamento com políticas locais7. O monitoramento das atividades, por meio do uso de dashboards e da discussão sistemática dos resultados, é essencial para a retroalimentação contínua e para a tomada de decisões baseada em evidências23. A integração da teleconsultoria com os sistemas de regulação municipal ou estadual promove a articulação entre níveis de atenção, garantindo que a inovação seja parte do processo regulatório e não uma ação isolada6,7. A presença de líderes internos, responsáveis formalmente pela implementação, tem papel fundamental na mobilização de equipes e na superação de resistências43. Por fim, a avaliação dos custos e da infraestrutura, incluindo equipamentos, contratação de recursos humanos e suporte técnico, é fundamental para assegurar a sustentabilidade da implementação39.
A subdimensão “Fidelidade” refere-se ao grau em que a implementação das teleconsultorias segue os procedimentos e protocolos estabelecidos, refletindo a qualidade da execução. Assim, pode-se avaliar se os resultados da intervenção não estão sendo influenciados por uma utilização errônea e/ou não cumprimento dos protocolos e fluxos como previstos. A adequação do preenchimento das solicitações, mensurada pela proporção de teleconsultorias devolvidas por falhas ou incompletudes e pela qualidade dos dados registrados, é indicativa da aderência dos profissionais ao protocolo31. O conhecimento dos manuais de operação, verificado pela proporção de usuários que realizou a leitura dos guias do solicitante, indica o nível de preparação e compreensão dos processos33. O cumprimento dos prazos de resposta é um indicador fundamental da qualidade e da eficiência do serviço, influenciando diretamente a satisfação dos usuários e a efetividade da teleconsultoria.
A subdimensão “Institucionalização” avalia o grau em que as teleconsultorias são incorporadas de forma perene e sustentável na rotina das organizações de saúde. A sustentabilidade é um aspecto central, pois indica a capacidade do sistema em manter os serviços frente a limitações financeiras, estruturais e políticas44. A previsão de ampliação dos fluxos de teleconsultoria demonstra a perspectiva de crescimento e consolidação da prática no contexto local, refletindo a aceitação e a adaptação progressiva da tecnologia45. Além disso, a incorporação de outras ações de saúde digital no município está associada à maturidade da estrutura tecnológica e à visão estratégica de inovação, sinalizando um avanço na transformação digital da atenção à saúde46. A manutenção dos fluxos, expressa pela baixa taxa de encerramento ou desativação, é um indicador direto da permanência da intervenção. Por fim, a influência das trocas de gestão no processo de institucionalização evidencia a sensibilidade das políticas públicas e das ações de saúde digital aos ciclos políticos, indicando que a estabilidade administrativa é um fator facilitador47.
A subdimensão “Avaliação dos resultados a longo prazo” refere-se aos processos de monitoramento, retroalimentação e satisfação que influenciam a continuidade e aprimoramento das teleconsultorias. O feedback contínuo entre gestão e profissionais é essencial para ajustar práticas, aprimorar processos e fortalecer a confiança na intervenção43. A avaliação do uso, especialmente o grau de satisfação dos profissionais com as respostas recebidas, funciona como indicador indireto de qualidade e efetividade, influenciando a adesão e a recomendação do serviço31. A existência de discussões formais sobre os resultados alcançados por parte da gestão municipal revela a cultura organizacional de aprendizagem e o compromisso com a melhoria contínua, elementos fundamentais para a sustentabilidade das ações em saúde digital23.
Apesar de sua consistência conceitual e da aplicabilidade prática, o modelo pode apresentar como limitação o uso de fontes de dados primárias. Embora essas fontes permitam acesso direto às percepções, experiências e práticas dos sujeitos envolvidos, sua utilização pode restringir a generalização dos achados, uma vez que os dados refletem contextos específicos e estão sujeitos a vieses de memória, interpretação ou desejos. Além disso, a coleta e análise de dados primários demandam tempo, recursos e infraestrutura adequados, o que pode influenciar o escopo da investigação e a profundidade das análises realizadas.
Além disso, a aplicação prática do modelo pode enfrentar desafios importantes no contexto municipal. A operacionalização dos 41 indicadores depende da capacidade local de organizar, interpretar e integrar essas informações aos processos de gestão. Em municípios com equipes reduzidas, alta rotatividade de profissionais ou menor maturidade institucional em monitoramento e avaliação, a sistematização dos dados pode ser dificultada, embora os gestores tenham acesso aos painéis de dados disponíveis na plataforma de teleconsultoria. A completude e a qualidade das análises podem ser comprometidas por barreiras como limitações de tempo, ausência de profissionais com perfil técnico-analítico, falta de rotinas consolidadas de acompanhamento e a fragmentação entre sistemas de informação. Embora o modelo seja aplicável, sua utilização efetiva pressupõe investimento em qualificação das equipes, fortalecimento das práticas de monitoramento e avaliação das ações desenvolvidas para garantir uso sistemático e contínuo das evidências produzidas.
Apesar disso, o modelo oferece um caminho estruturado e coerente para a análise de intervenções complexas em saúde digital, contribuindo para o fortalecimento de uma cultura de avaliação comprometida com a melhoria contínua do cuidado. Seu uso pode favorecer o planejamento, o monitoramento e a gestão das teleconsultorias, além de fomentar reflexões críticas sobre a institucionalização e os desafios da inovação em contextos federativos como o brasileiro.

Considerações finais
Ao combinar indicadores qualitativos e quantitativos, o modelo permite captar com profundidade a complexidade do processo de implementação de inovações em saúde digital, especialmente no que se refere à interação entre contexto, intervenção e facilitação. Além disso, aspectos frequentemente negligenciados em modelos tradicionais, como usabilidade da plataforma, papel dos atores internos, apoio institucional, estratégias de fidelização dos usuários, pressão dos pares, rotatividade de profissionais e valores culturais dos territórios, foram incorporados como dimensões relevantes à análise.
O modelo proposto é apresentado como uma ferramenta útil, teoricamente fundamentada e operacionalizável para apoiar a gestão e a avaliação das teleconsultorias como estratégia de inovação e qualificação da atenção à saúde no SUS, contribuindo para sua sustentabilidade, expansão e alinhamento com os princípios da equidade, integralidade e coordenação do cuidado. A possibilidade de seu uso como instrumento avaliativo, adaptável a diferentes contextos e níveis de maturidade digital, amplia sua utilidade no fortalecimento da Saúde Digital e de suas ferramentas.
Por se tratar de estudo metodológico, o artigo abrange apenas a elaboração da proposta teórico-metodológica, dessa forma, o instrumento apresentado não passou por validação. Recomenda-se que futuras investigações utilizem o modelo em diferentes configurações territoriais, com a incorporação de métodos mistos e estratégias participativas, buscando aprofundar a análise de seus indicadores e ampliar sua capacidade explicativa.
Declaração de Disponibilidade de Dados
As fontes dos dados utilizados na pesquisa estão indicadas no corpo do artigo.
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Colussi, CF, Machado, PMO, Amadigi, FR, Paim, MB, Adão, I, Petrolini, RS, Silva, FB. IMPLEMENTAÇÃO DAS TELECONSULTORIAS NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE: PROPOSTA DE MODELO AVALIATIVO. Cien Saude Colet [periódico na internet] (2026/mar). [Citado em 11/03/2026]. Está disponível em: http://cienciaesaudecoletiva.com.br/artigos/implementacao-das-teleconsultorias-no-sistema-unico-de-saude-proposta-de-modelo-avaliativo/19955?id=19955

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