EN PT

Artigos

0053/2026 - “Um galo sozinho não tece uma manhã”: ensaio teórico sobre o trabalho e educação interprofissional em saúde
A rooster alone cannot make a morning: a theoretical essay on interprofessional health work and education

Autor:

• Cláudia Fell Amado - Amado, CF - <claudia.amado@ufba.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3852-0792

Coautor(es):

• Romário Correia dos Santos - Santos, RC - <romario.correia@outlook.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-4973-123X

• Liliana Santos - Santos, L - <liliana.santos@ufba.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-8958-4094

• Isabela Cardoso de Mattos Pinto - Pinto, ICM - <isabelacmp@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-1636-2909



Resumo:

A retomada das forças progressistas no Brasil inaugura um contexto propício ao fortalecimento da interprofissionalidade e à construção de um cuidado em saúde centrado na coletividade, na cooperação e no diálogo, superando lógicas de fragmentação e competição. Este texto revisita e atualiza os fundamentos teórico-conceituais e metodológicos do trabalho e da educação interprofissional, analisando sua trajetória no Brasil e internacionalmente, com o intuito de subsidiar políticas públicas, decisões estratégicas na gestão do trabalho e da educação em saúde, e a produção de conhecimento na área. A partir de marcos históricos relevantes, alinhados à transformação dos modelos de atenção e formação, discute-se os desafios e os facilitadores da interprofissionalidade. Conclui-se que sua valorização deve estar vinculada às lutas e conquistas históricas pela consolidação do SUS, pelo fortalecimento da democracia e pela saúde como direito do povo brasileiro.

Palavras-chave:

Educação interprofissional, trabalho em equipe, relações interprofissionais, trabalho.

Abstract:

The resurgence of progressive forces in Brazil has created a context conducive to strengthening interprofessionality and building healthcare centred on community, cooperation and dialogue, overcoming fragmentation and competition. This text revisits and updates the theoretical-conceptual and methodological foundations of interprofessional work and education, analysing its trajectory in Brazil and internationally, with the aim of supporting public policies, strategic decisions in the management of work and health education, and the production of knowledge in the area. Based on relevant historical milestones, aligned with the transformation of care and training models, the challenges and facilitators of interprofessionality are discussed. It is concluded that its valorisation must be linked to the historical struggles and achievements for the consolidation of the SUS, the strengthening of democracy and health as a right of the Brazilian people.

Keywords:

Interprofessional education, teamwork, interprofessional relations, work.

Conteúdo:

Introdução
O Trabalho e a Educação Interprofissional (TEIP) vêm se configurando como objeto de estudo no campo da Saúde Coletiva, na busca pela construção de possibilidades de articulação do trabalho e da educação em saúde. Numa perspectiva ética, política e científica, a aposta é de reorientar os saberes e fazeres dos profissionais de saúde para reduzir a fragmentação do cuidado em saúde e promover a integração entre profissionais, com centralidade nos usuários e entendimento da saúde em seu conceito mais ampliado.
O Sistema Único de Saúde (SUS) tem se constituído como um terreno fértil para a interprofissionalidade, a exemplo da Estratégia de Saúde da Família (ESF) e das Equipes Multiprofissionais da Atenção Primária à Saúde (E-multi), cujo processo de trabalho preconiza o compartilhamento de conhecimentos e corresponsabilização do cuidado. Tais características refletem premissas presentes da Educação Interprofissional (EIP), demonstrando a relação existente entre essa abordagem educacional e o fortalecimento do sistema de saúde brasileiro1-3. Ademais, uma maneira de aumentar o alcance e fortalecer o trabalho interprofissional inclui profissionais de saúde que trabalham em ambientes comunitários e organizações de saúde pública4.
Mesmo diante dos avanços, o TEIP também enfrentam barreiras e limitações que devem ser analisadas não apenas como problemas contextuais, mas como consequência da consolidação de uma matriz estrutural relacionada à racionalidade neoliberal, especialmente na América Latina. A agenda neoliberal impõe desafios para a implementação da interprofissionalidade, uma vez que aprofunda a fragmentação dos sistemas e as desigualdades de acesso, além de reforçar uma lógica corporativista e a imposição do trabalho flexível 5,6.
No entanto, ao analisar o contexto nacional, pode-se inferir que a retomada das forças progressistas no Brasil possui estreita relação com as discussões acerca do trabalho em equipe, uma vez que a atual conjuntura política institucional, instaurada a partir de 2023, especialmente no âmbito do Ministério da Saúde e da Educação, tem reforçado seu compromisso histórico com os princípios que estruturam o SUS. Alguns elementos demonstram essa conexão, a exemplo da valorização de uma gestão participativa e plural; realização de conferências nacionais (com destaque para a 4ª Conferência Nacional de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde) e fortalecimento da Secretaria de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde (SGTES), que tem retomado programas e pautas no sentido da reorientação do trabalho e da educação na saúde. Dentre essas pautas, destacam-se o lançamento do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET), na temática da equidade, com a inclusão de outras profissões além daquelas da saúde; as caravanas do FormaSUS; a retomada do protagonismo das Escolas de Saúde Pública; e, as discussões sobre a Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS) e sobre as Residências em Saúde7.
Considerando os elementos abordados e o contexto da atual conjuntura política institucional na saúde, este artigo pretende revisitar elementos teórico-conceituais e metodológicos tanto do trabalho quanto da educação interprofissional, examinando seu surgimento e sua expansão no cenário brasileiro e internacional, atualizando análises anteriores e sintetizando novos elementos que subsidiem a formulação de políticas públicas e a tomada de decisão que fortaleçam a gestão do trabalho e da educação em saúde no Brasil e a produção de conhecimento na área.


Trabalho interprofissional: afasta-se o nó e se constrói o elo

O destaque, tanto em nível nacional quanto internacional, dado ao tema da educação e do trabalho interprofissional estão associados ao reconhecimento de que essa integração entre os profissionais de saúde é capaz de produzir uma melhor qualidade no cuidado em saúde, além de permitir uma melhor organização da equipe e seus laços afetivos8,9.
No contexto brasileiro, Peduzzi se destaca por seus estudos e formulações acerca do trabalho em equipe e suas múltiplas variações. A autora tem demonstrado, a partir de sua produção, que a interação entre trabalhadores de saúde na produção do cuidado em saúde tem potência de construir consensos interdisciplinares e projetos assistenciais interprofissionais, ou seja, quanto mais dialógicas são as relações de trabalho, mais integradas serão as ações de cuidado. Ademais, o trabalho em equipe é capaz de ampliar a autonomia técnica dos profissionais envolvidos, sem que isso implique no abandono dos conhecimentos e das habilidades de cada categoria profissional 9-11.
Outro aspecto que merece destaque diz respeito aos prefixos multi, inter e trans, seguidos dos termos disciplinar e profissional, que constituem os elementos chaves para compreensão do trabalho em equipe e de suas variações. É necessário distinguir planos disciplinares e profissionais. O sufixo “disciplinar” se refere ao “desenvolvimento do conhecimento em sua vertente epistemológica” 12 (p.245) e “profissional” trata do âmbito das práticas. Ressalta-se a dificuldade de encontrar tipos “puros” na prática, uma vez que prática-teoria-prática interagem o tempo todo12.
Ainda nesse sentido, a perspectiva unidisciplinar pode ser definida pelos saberes e práticas de uma única disciplina; a multidisciplinar, pela justaposição de diferentes saberes disciplinares; a interdisciplinar, marcada pela integração entre essas disciplinas, com vistas à construção de conceitos comuns; e, por fim, a transdisciplinar que ultrapassaria as fronteiras das disciplinas. As expressões citadas estão relacionadas a um grau crescente de interação, integração e cooperação entre as equipes e os termos “disciplinar” e “profissional”, que se seguem após os prefixos, remetem ao âmbito das áreas de conhecimento e das práticas profissionais, respectivamente 8,12.
Há também a possibilidade da adoção de uma abordagem contingencial dessas tipologias relacionadas ao trabalho em equipe, considerando o perfil de necessidades de saúde dos usuários e do contexto de trabalho, constituindo assim quatro modalidades diferentes de trabalho interprofissional: trabalho em equipe, colaboração, coordenação e trabalho em rede. As quatro modalidades refletem diferentes graus de interação, interdependência e responsabilidades compartilhadas 13,14.
Nesse bojo, destaca-se a colaboração interprofissional, cuja base está na interação entre profissionais, por meio do compartilhamento de objetivos, clareza de papéis e valorização mútua em relações horizontalizadas. A centralidade das necessidades dos usuários é retomada nesse processo, deslocando o foco das ações para o cuidado integral13,15-17.
A compreensão acerca do sentido da colaboração implica em entender os pilares que a sustentam: compartilhamento, parceria, poder, interdependência e processualidade. Esses pilares podem ser traduzidos pela compreensão de que os membros da equipe compartilham informações, responsabilidades e recursos para alcançar um objetivo comum, sendo necessária uma relação de parceria, na qual o poder é reconhecido e compartilhado, com base no conhecimento e na experiência. Além disso, os profissionais dependem uns dos outros pois reconhecem a complexidade das necessidades de saúde, tornando a colaboração um processo dinâmico e contínuo 17.
Enquanto a colaboração estimula a partilha de saberes, habilidades e atitudes na resolução de problemas complexos, sustentada por valores humanistas, a competição tende a gerar barreiras e intensificar conflitos18. Assim, compreender a relação entre trabalho interprofissional e colaboração exige considerar a centralidade da comunicação, reconhecendo o outro como interlocutor e não mero instrumento da ação, mesmo diante das assimetrias na divisão do trabalho9,19.
Uma comunicação efetiva está relacionada a melhoria na tomada de decisões e coordenação do cuidado, diminuição de erros clínicos, especialmente em ambientes críticos, além de melhorar a satisfação pessoal dos profissionais de saúde20. Ademais, deve promover construção e fortalecimento de parcerias entre profissionais, usuários, famílias e grupos sociais dos territórios; e parcerias entre equipes, serviços e setores em rede 19.
Diante das múltiplas concepções sobre trabalho em equipe, é necessário reafirmar que qualquer arranjo deve priorizar as necessidades dos sujeitos, acima de interesses corporativos, tendo a integralidade como princípio ético e orientador das práticas21. A relação entre cuidado e formação profissional é recíproca: transformar as práticas exige repensar os referenciais teóricos e os modelos de formação que as sustentam — contexto no qual se insere a Educação Interprofissional (EIP).

Os caminhos da Educação Interprofissional: surgimento, contexto e capilarização
Os primeiros movimentos da EIP no mundo estão relacionados ao relatório “Aprendendo juntos para trabalhar juntos pela saúde” (tradução livre), elaborado por um grupo de trabalho da OMS, em 1988, ao identificar experiências de educação multiprofissional em diversos países22. Embora o termo “interprofissional” não seja utilizado explicitamente, o relatório destaca a interação como objetivo da formação, que pressupõe o aprender e trabalhar juntos de forma colaborativa. A multiprofissionalidade, nesse contexto, surge como ponto de partida, sendo a interprofissionalidade a responsável por qualificar a convivência entre os diferentes saberes.
Essa perspectiva se aproxima da definição do Centre for the Advancement of Interprofessional Education (CAIPE), do Reino Unido (2002), que afirma ser EIP “ocasiões em que duas ou mais profissões aprendem com, de e sobre as outras para melhorar a colaboração e a qualidade do atendimento”23. Além do Reino Unido, o Canadá também se destacou nas publicações sobre o tema, iniciadas em 1969, com a Universidade de British Columbia. Posteriormente, em 2010, o Canadian Interprofessional Health Collaborative publicou a “Estrutura Nacional de Competências Interprofissionais” (tradução livre), definindo domínios de competências, conhecimentos, habilidades, atitudes e valores para a prática interprofissional24.
Outro marco relevante é o relatório da Comissão Lancet, publicado em 2010 na revista The Lancet, com o título “Profissionais de saúde para um novo século: transformando a educação para fortalecer os sistemas de saúde em um mundo interdependente” (em tradução livre), liderado por Frenk e Chen. O documento refere o “tribalismo das profissões”, apontando a tendência de atuação isolada das profissões como um obstáculo à transformação da formação e dos sistemas de saúde25. Em 2022, a mesma comissão revisitou esse panorama, incorporando os efeitos da pandemia de COVID-19 sobre a formação em saúde e reforçando a necessidade de uma educação baseada em competências, incluindo a colaboração interprofissional4
No intuito de seguir produzindo evidências sobre o tema, estudos e revisões sistemáticas conduzidos por pesquisadores como Zwarenstein, Goldman e Reeves26, Reeves et al.27,28 e, mais recentemente, por Erin et al. 29, Wang et al.30, Saragih et al.31 e Bowman et al.32 têm investigado os efeitos da EIP. Esses estudos evidenciam mudanças positivas em conhecimentos, percepções e atitudes dos participantes, destacando o valor da exposição precoce e contínua à EIP e o desenvolvimento de habilidades colaborativas e comunicacionais. A EIP também favorece o respeito entre profissionais, a compreensão dos papéis e a redução de estereótipos, promovendo um cuidado mais ético29-32.
No entanto, apesar de apontarem efeitos relevantes, esses estudos destacam também a falta de estudos longitudinais para avaliar a eficácia de ações de EIP, além da necessidade de estratégias e ferramentas de avaliação e monitoramento das iniciativas. Ademais, discutem os desafios na implementação das iniciativas de EIP, a integração nos currículos educacionais, a heterogeneidade em termos de conteúdo, a duração e os métodos de ensino e as limitações relacionadas ao apoio financeiro e administrativo26-32.
Outrossim, documentos técnicos-políticos têm apoiado a necessidade da implementação da educação interprofissional e da prática colaborativa. Dentre eles, destaca-se a publicação do Marco para Ação em Educação Interprofissional e Prática Colaborativa, pela OMS, em 2010, que demarcou seu compromisso com o desenvolvimento da educação interprofissional e seu potencial para fomentar o desenvolvimento de práticas colaborativas e a reorientação da formação em saúde15.
Mais recentemente, Na América Latina, a criação da Rede Regional de Educação Interprofissional das Américas (REIP), em 2016, fortaleceu a articulação entre instituições educacionais, organizações profissionais e ministérios. A Organização Panamericana de Saúde (OPAS) também aprovou a Estratégia de Recursos Humanos para o Acesso Universal à Saúde e a Cobertura Universal de Saúde 2018-2023, que incentiva a formação de equipes interprofissionais com diversificação de cenários e investimento em pesquisa e cooperação33,34.
Em nível global, destaca-se o documento “Orientação sobre pesquisa global em educação interprofissional e prática colaborativa” (2019), elaborado pelo Interprofessional Research Global em parceria com a Interprofessional.Global. O texto propõe diretrizes teórico-metodológicas e prioridades de pesquisa, além de apresentar um léxico para o campo interprofissional, contribuindo para a construção de uma terminologia comum na área35.
No Brasil, a discussão sobre EIP tem se ampliado nos últimos anos, sendo possível identificar importantes ações e marcos históricos que contribuem para o fortalecimento da interprofissionalidade no Sistema Único de Saúde (Quadro 1).

Quadro 1

Além dos marcos históricos citados acima, no âmbito das produções brasileiras, se destaca a publicação do Suplemento sobre Educação e Trabalho Interprofissional em Saúde na Revista Interface – Comunicação, Saúde e Educação, em 2018. A publicação buscou ressaltar a relação entre a luta histórica pelo fortalecimento do SUS e o desenvolvimento da educação e do trabalho interprofissional.
O suplemento integrou as atividades previstas no Plano de Ação para o fortalecimento da EIP no Brasil, elaborado em 2017 pelo Departamento de Gestão da Educação em Saúde (DEGES) da SGTES/Ministério da Saúde (MS), em parceria com um conjunto de outros atores estratégicos como o Ministério da Educação (MEC), OPAS/OMS, universidades e a Rede Brasileira de Educação e Trabalho Interprofissional em Saúde (REBETIS). A REBETIS tem se fortalecido enquanto uma rede que envolve pesquisadores, estudantes, docentes e trabalhadores da saúde em defesa do TEIP. A Rede se articula em núcleos regionais, distribuídos pelo Brasil, no intuito de manter a troca e o compartilhamento para a produção de conhecimentos, transformação das práticas e fortalecimento da interprofissionalidade33, 36, 37.
Ainda no contexto brasileiro, os movimentos de revisão das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) dos cursos de graduação em saúde têm apostado no desenvolvimento de currículos que consideram a aprendizagem compartilhada, a comunicação entre os profissionais e a centralidade das necessidades dos usuários. Nesse escopo, o Conselho Nacional de Saúde (CNS) divulgou a Resolução 569/2017 que aprovou o Parecer Técnico nº 300/2017, destinado a apresentar novos princípios gerais a serem incorporados nas DCN de todos os cursos de graduação da área da saúde38.
O documento publicado pelo CNS apresentou uma síntese de pressupostos, princípios e diretrizes comuns para a graduação na área da saúde, construídos na perspectiva da participação social em saúde, dentre os quais o “Trabalho interprofissional”. As orientações apontavam para integração de diferentes campos de conhecimentos e interação entre diferentes núcleos profissionais, além disso reafirmou a prerrogativa constitucional do SUS em ordenar a formação dos trabalhadores da área da saúde, alinhavando mais uma vez a estreita relação entre a interprofissionalidade na educação em saúde e o fortalecimento do SUS38.

Elementos teórico-conceituais e metodológicos para pensar a Educação Interprofissional
Embora o conceito de EIP mais conhecido seja o do CAIPE, onde refere que a EIP ocorre ando duas ou mais profissões da saúde aprendem com, para e sobre a outra, como forma de desenvolver a colaboração. Outro conceito mais recente, elaborado a partir de uma revisão sistemática, refere que a EIP ocorre quando os membros de mais de uma profissão da saúde aprendem em conjunto, com interação e visando melhorar a colaboração interprofissional26,27.
As duas definições trazem a EIP enquanto estratégia para enfrentar os problemas de saúde e melhorar os serviços ofertados. No entanto, a definição mais recente destaca a interação entre os profissionais, de modo que não se trata apenas de juntar profissionais em um espaço, mas garantir que estes profissionais interajam entre si para o desenvolvimento de uma aprendizagem colaborativa. Outra diferença é a centralidade da colaboração, enquanto propósito explícito, que requer o desenvolvimento teórico e de estratégias metodológicas coerentes com tal propósito39.
Reunir estudantes ou profissionais em uma oferta educacional não é suficiente para defini-la como sendo interprofissional, deve-se prezar pelo rigor teórico?conceitual e metodológico com os quais as iniciativas de EIP devem ser planejadas e implementadas40. Assim, a intencionalidade de formar profissionais para o efetivo trabalho em equipe deve estar expressa na proposta pedagógica da oferta educacional, no levantamento das necessidades educacionais, nas competências a serem desenvolvidas, nos conteúdos trabalhados, nos métodos de ensino, nas estratégias avaliativas e na escolha da teoria educacional que sustentará as escolhas pedagógicas 41-44.
Não obstante, associado ao propósito explícito de formar profissionais mais colaborativos, as iniciativas de EIP devem prever o desenvolvimento de três importantes grupos de competências: as específicas ou complementares, as comuns e as colaborativas. Essas competências e sua inter-relação aprimoram a compreensão sobre o trabalho em saúde e, embora estejam didaticamente divididas, devem se articular nos espaços de formação e prática45-47.
As competências específicas ou complementares dizem respeito às identidades profissionais de cada uma das profissões em saúde, subsidiadas pelos marcos regulatórios, teóricos, conceituais e metodológicos que fundamentam as práticas de cada núcleo profissional. As competências comuns marcam o que há de comum entre todas as profissões da saúde e as competências colaborativas são aquelas que melhoram as relações entre as diferentes categorias profissionais na dinâmica do trabalho em saúde45,47.
No intuito de contribuir com a sistematização dessas competências colaborativas e fornecer subsídios para a inserção desses conhecimentos, habilidades, atitudes e valores na formação dos profissionais de saúde, foram produzidos quadros de competências para EIP48. Os mais conhecidos e divulgados são o do Reino Unido, da Austrália, dos Estados Unidos e do Canadá, tendo os últimos dois passado por atualizações nos anos de 2023 e 2024, respectivamente, de acordo com o quadro abaixo (Quadro 2).

Quadro 2

Do ponto de vista metodológico, além da incorporação das competências colaborativas, as barreiras ou facilitadores da adoção e o fortalecimento da EIP podem ser compreendidos a partir de dimensões macro, meso e micro. A dimensão macro diz respeito ao escopo das políticas que orientem a formação profissional em saúde, a exemplo das DCN, a PNEPS, o Programa Nacional de Reorientação da Formação Profissional em Saúde (Pró-Saúde) e o PET-Saúde. Essas políticas e ações estratégicas da dimensão macro darão legitimidade e provocarão mudanças nas outras dimensões, revelando a interdependência entre elas 41, 46, 53.
Na dimensão meso, são considerados os aspectos de ordem institucional e organizacional, ações educativas, projetos pedagógicos, programas e metodologias de ensino aprendizagem. Finalmente, na dimensão micro são considerados os elementos individuais, do âmbito das relações interpessoais e da socialização. Essa dimensão tem um caráter relacional, a partir do qual os profissionais vão interagir entre si, socializar e ter a oportunidade de desenvolver crenças, valores e comportamentos interprofissionais e, assim, constituir sua dupla identidade: a profissional e a interprofissional 46; 53,54. A figura (Figura 1) abaixo sistematiza a interrelação dessas dimensões, sendo orientadas pelos princípios do SUS e tendo as necessidades de saúde das pessoas como centro de tudo.

Fig.1

Diante dos aspectos mencionados, a discussão acerca do desenvolvimento e fortalecimento da EIP – enquanto abordagem para o desenvolvimento da colaboração no trabalho em saúde – impõe uma reflexão sobre os desafios e fatores envolvidos em sua implementação, além da uma maior articulação entre aqueles que planejam as políticas de trabalho e formação, gestores, educadores e usuários que acreditam na EIP para a reconfiguração das práticas interprofissionais21, 39.


Um galo sozinho não tece uma manhã: notas finais
É oportuno afirmar que a atualização acerca do debate em torno do TEIP se soma a outros movimentos de resistência em favor do SUS. No contexto brasileiro, o movimento de valorização do TEIP precisa estar alinhado à trajetória de lutas e conquistas históricas na direção da consolidação e do fortalecimento do sistema de saúde, da democracia e da saúde enquanto direito do povo brasileiro, especialmente na atual conjuntura política institucional favorável.
Pensar acerca das práticas e da formação em saúde na atual conjuntura exige não apenas a revisita aos elementos teóricos, conceituais e metodológicas do TEIP, mas, sobretudo, a capacidade de, a partir dessa revisita, identificar oportunidades e lançar mão da criatividade estratégica para construir possibilidades no âmbito político, institucional, ético e científico de um cuidado em saúde assentado na indissociabilidade entre trabalho e educação.
É necessária uma análise crítica que considere, do ponto de vista epistêmico e ontológico, a objetividade pragmática e realista capaz de lograr tanto transformações individuais quanto mudanças estruturais na forma como nos relacionamos enquanto sociedade para construção de projetos coletivos.
Pôr em curso a transformação pretendida também exige reconhecer os inúmeros e complexos desafios que se interpõem entre o desejável e o possível. São deslocamentos que requerem compromisso e responsabilidade social para seu enfrentamento. São eles:
- Deslocamento de um modelo com foco nos saberes profissionais para outro centrado nas necessidades de saúde, que são complexas e dinâmicas;
- Deslocamento da fragmentação para a integração das práticas;
- Deslocamento da lógica da competição para a colaboração;
- Deslocamento da rigidez para a integração curricular;
- Deslocamento das relações horizontais para as dialógicas (entre profissionais, entre equipes, entre setores, entre ensino-serviço-comunidade);
- Deslocamento de uma formação baseada em conteúdos para uma formação de excelência técnica e científica que valorize as competências colaborativas, ético-políticas, culturais e humanísticas.
Ademais, não existe um único modelo de mudança. Tanto no âmbito do trabalho quanto da educação são requeridas mudanças em diferentes domínios (educação e saúde) e em diferentes níveis do sistema (indivíduo/equipe, organizacional, sistema/políticas). A aposta a ser feita deve produzir processos de trabalho e educação emancipatórios que constituam sujeitos colaborativos, capazes de resistir aos imperativos dos “modos capitalísticos de viver” 6.
Nesse sentido, é necessário analisar criticamente o modelo de trabalho e educação interprofissional, compreendendo sua potência epistêmica e ontológica para impulsionar transformações que sejam, ao mesmo tempo, situadas, reflexivas, críticas e orientadas à ação. Trata-se de reconhecer que os objetivos da interprofissionalidade não se restringem ao plano ideal, mas precisam ser também pragmáticos e realistas, inseridos em um contexto coletivo, compartilhado, solidário e comum. Esse campo exige não apenas mudanças individuais nos modos de ser e atuar, mas, sobretudo, transformações estruturais nas formas como nos relacionamos socialmente e construímos projetos coletivos de sociedade.
A imagem metafórica evocada pelo poema de João Cabral de Melo Neto nos relembra que resultados coletivos são fruto do esforço combinado de muitas partes. O tecer da manhã remete à tessitura do cuidado em saúde que envolve interligações e entrelaçamento de práticas para produzir um algo maior: um canto que faz nascer a manhã. Uma manhã cujo coletivo tem valor transformador.

Contribuição dos autores
CF Amado: concepção do artigo, revisão de literatura, delineamento e redação do artigo. RS Correia: redação do artigo e revisão crítica. L Santos: redação do artigo e revisão crítica. ICM Pinto: redação do artigo e revisão crítica. Todos os autores leram e aprovaram a versão final.
Declaração de Disponibilidade de Dados
Não se aplica.
Referências
1. Bispo Júnior JP, Almeida ER. Equipes multiprofissionais (eMulti): potencialidades e desafios para a ampliação da atenção primária à saúde no Brasil. Cad Saúde Pública. 2023;39(10):e00120123. doi: 10.1590/0102-311XPT120123.
2. Brasil. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 635, de 26 de março de 2021. Estabelece as diretrizes para a organização das Redes de Atenção à Saúde no âmbito do SUS. Diário Oficial da União, Brasília (DF); 2021 mar 29. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-gm/ms-n-635-de-22-de-maio-de-2023-484773799.
3. De Brito GE, Benício de Sá JG, Andrade AJB, Forte FD, Batiston AP, Costa MV. Dimensions of interprofessional collaboration in the dynamics of the expanded family health and primary care centers: A qualitative study. J Interprof Care. 2021;35(1):1-8. doi: 10.1080/13561820.2021.1977618.
4. Frenk J, Chen LC, Chandran L, Groff EOH, King R, Meleis A, Fineberg HV. Challenges and opportunities for educating health professionals after the COVID-19 pandemic. Lancet. 2022 Oct 29;400(10362):1539-56. doi: 10.1016/S0140-6736(22)02092-X.
5. Vásquez MF, Finkler M, Ayala R, Verdi M. Educación Interprofesional en Salud en el contexto neoliberal: incongruencias y desafíos. Interface (Botucatu) [Internet]. 2023;27:e230015. doi: 10.1590/interface.230015.
6. Sampaio J, Clemente A. Educação interprofissional e prática colaborativa em saúde: a produção do comum como dispositivo de resistência ao modo de subjetivação capitalístico. Interface (Botucatu) [Internet]. 2023;27:e230335. doi: 10.1590/interface.230335.
7. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Sobre a secretaria. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/sgtes.
8. Peduzzi M, Agreli HF. Educação interprofissional: formação de profissionais de saúde para o trabalho em equipe com foco nos usuários. Rev Esc Enferm USP. 2013;47(4):977-83. doi: 10.1590/S0080-623420130000400029
9. Peduzzi M, Agreli HLF, Silva JAM, Souza HS. Trabalho em equipe: uma revisita ao conceito e a seus desdobramentos no trabalho interprofissional. Trab Educ Saude. 2020;18(Suppl 1):e0024678. doi: 10.1590/1981-7746-sol00246.
10. Ceccim RB. Conexões e fronteiras da interprofissionalidade: forma e formação. Interface (Botucatu) [Internet]. 2018; 22(Suppl 2):1739-49. doi: 10.1590/1807-57622017.0827.
11. Peduzzi M. Equipe multiprofissional de saúde: conceito e tipologia. Rev Saúde Pública. 2001;35(1):103-9. doi: 10.1590/S0034-89102001000100016
12. Furtado JP. Equipes de referência: arranjo institucional para potencializar a colaboração entre disciplinas e profissões. Interface (Botucatu). 2007;11(22):239-55.
13. Reeves S, Lewin S, Espin S, Zwarenstein M. Interprofessional teamwork for health and social care. Oxford: Wiley-Blackwell; 2010.
14. Reeves S, Xyrichis A, Zwarenstein M. Teamwork, collaboration, coordination, and networking: Why we need to distinguish between different types of interprofessional practice. J Interprof Care. 2018 Jan;32(1):1-3. doi: 10.1080/13561820.2017.1400150.
15. World Health Organization (WHO). Framework for action on interprofessional education & collaborative practice. Geneva: WHO; 2010.
16. Vatn L, Dahl BM. Interprofessional collaboration between nurses and doctors for treating patients in surgical wards. J Interprof Care. 2021;35(2):186-94. doi: 10.1080/13561820.2021.1890703.
17. D’Amour D, Ferrada-Videla M, San Martin Rodriguez L, Beaulieu M. The conceptual basis for interprofessional collaboration: core concepts and theoretical frameworks. J Interprof Care. 2005;19(Suppl 1):116-31. doi: 10.1080/13561820500082529.
18. Schot E, Tummers L, Noordegraaf M. Working on working together. A systematic review on how healthcare professionals contribute to interprofessional collaboration. J Interprof Care. 2020;34(3):332-42. doi: 10.1080/13561820.2019.1636007.
19. Peduzzi M, Agreli HF. Trabalho em equipe e prática colaborativa na Atenção Primária à Saúde. Interface (Botucatu) [Internet]. 2018;22:1525–34. doi: 10.1590/1807-57622017.0827
20. Felgoise SH, Minervini J, Oley B, Pulliam J, Romanelli F, Conry J, et al. Interprofessional education: collaboration and learning in action. J Am Osteopath Assoc. 2019;119(9):612-9. doi: 10.7556/jaoa.2019.109.
21. Fraher EP, Brandt B. Toward a system where workforce planning and interprofessional practice and education are designed around patients and populations, not professions. J Interprof Care. 2019;33(4):389-97. doi: 10.1080/13561820.2018.1564252.
22. World Health Organization (WHO). Learning together to work together for health. Geneva: WHO; 1988.
23. Centre for the Advancement of Interprofessional Education (CAIPE). Principles of interprofessional education. London: CAIPE; 2002.
24. Canadian Interprofessional Health Collaborative (CIHC). A national interprofessional competence framework. Vancouver: CIHC; 2010.
25. Frenk J, Chen L, Bhutta ZA, Cohen J, Crisp N, Evans T, et al. Health professionals for a new century: transforming education to strengthen health systems in an independent world. Lancet. 2010;376(9756):1923-57. doi: 10.1016/S0140-6736(10)61854-5.
26. Zwarenstein M, Goldman J, Reeves S. Interprofessional collaboration: effects of practice-based interventions on professional practice and healthcare outcomes. Cochrane Database Syst Rev. 2009;(3):CD000072. doi: 10.1002/14651858.CD000072.pub2.
27. Reeves S, Lewin S, Espin S, Zwarenstein M. Interprofessional education: effects on professional practice and healthcare outcomes (update). Cochrane Database Syst Rev. 2013;(3):CD002213. doi: 10.1002/14651858.CD002213.pub3
28. Reeves S, Fletcher S, Barr H, Birch I, Boet S, Davies N, et al. A BEME systematic review of the effects of interprofessional education: BEME Guide nº 39. Med Teach. 2016;38(7):656-68. doi: 10.3109/0142159X.2016.1173663.
29. Erin M, Spaulding M, Marvel FA, Elsen J, Rahman A, Hansen LA, et al. Interprofessional education and collaboration among healthcare students and professionals: a systematic review and call for action. J Interprof Care. 2021;35(4):612-21. doi: 10.1080/13561820.2019.1697214.
30. Wang Z, Feng F, Gao S, Yang J. A Systematic Meta-Analysis of the Effect of Interprofessional Education on Health Professions Students' Attitudes. J Dent Educ. 2019;83(12):1361-70. doi: 10.21815/JDE.019.147.
31. Saragih ID, Tarihoran DE, Sharma S, Chou FH. A systematic review and meta-analysis of outcomes of interprofessional education for healthcare students from seven countries. Nurse Educ Pract. 2023;71:103683. doi: 10.1016/j.nepr.2023.103683.
32. Bowman C, Paal P, Brandstötter C. Evidence of successful interprofessional education programs—models, barriers, facilitators, and success: A systematic review of European studies. J Health Organ Manag. 2023;37(5):896-918. doi: 10.1108/JHOM-04-2022-0115.
33. Ogata MN, Silva JAM, Peduzzi M, Costa MV, Fortuna CM, Feliciano AB. Interfaces entre a educação permanente e a educação interprofissional em saúde. Rev Esc Enferm USP [Internet]. 2021; 55:e03733. Doi: 10.1590/S1980-220X2020018903733
34. Pan American Health Organization (PAHO). Strategy on human resources for universal access to health and universal health coverage [Internet]. 29th Pan American Sanitary Conference, 25–29 September 2017, Washington, D.C. Washington, D.C.: PAHO; 2017 (document CSP29.R15). Disponível em: http://www.paho.org/hq/index.php?option=com_content&view=article&id=13497&Itemid=2105&lang=en
35. Khalili H, Thistlethwaite J, El-Awaisi A, Pfeifle A, Gilbert J, Lising D, et al. Guidance on global interprofessional education and collaborative practice research: Discussion paper. InterprofessionalResearch.Global; 2019.
36. Câmara AM, Costa MV, Peduzzi M, Costa M. Interprofessional education in Brazil: Building synergic networks of educational and healthcare processes. Interface (Botucatu) [Internet]. 2016;20(56):5-8. doi: 10.1590/1807-57622017.0827
37. Freire JR, Silva CBG, Costa MV, Forster AC. Educação interprofissional nas políticas de reorientação da formação profissional em saúde no Brasil. Saúde Debate [Internet]. 2019;43(Supl 1):86-96. doi: 10.1590/0103-11042019S107
38. Brasil. Conselho Nacional de Educação. Resolução nº 569, de dezembro de 2017. Aprova o Parecer Técnico nº 300/2017 sobre novos princípios gerais nas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para cursos da área da saúde. Brasília (DF): CNE; 2017.
39. Costa MV. A potência da educação interprofissional para o desenvolvimento de competências colaborativas no trabalho em saúde. In: Toassi RFC, organizador. Interprofissionalidade e formação na saúde: onde estamos? Porto Alegre: Rede UNIDA; 2017. p. 14-27.
40. Langlois S, Grahame R, Briden P, Wong K, Baker J, Willson P, et al. The COVID-19 crisis silver lining: interprofessional education to guide future innovation. J Interprof Care. 2020;34(5):587-92. doi: 10.1080/13561820.2020.1800606.
41. Oandasan I, Reeves S. Key elements of interprofessional education. Part 2: Factors, processes and outcomes. J Interprof Care. 2005;19(1):39-48. doi: 10.1080/13561820500081703
42. Costa MV. A educação interprofissional como abordagem para reorientação da formação profissional em saúde [tese]. Natal: Universidade Federal do Rio Grande do Norte; 2014.
43. Costa MV, Azevedo GD, Vilar MP. Aspectos institucionais para a adoção da Educação Interprofissional na formação em enfermagem e medicina. Saúde Debate. 2019;43(120):64-76. doi: 10.1590/0103-11042019S105
44. Thistlethwaite J, Moran M. Learning outcomes for interprofessional education (IPE): literature review and synthesis. J Interprof Care. 2010;24(5):503-13. doi: 10.3109/13561820.2010.483366.
45. Barr H. Competent to collaborate: towards a competency-based model for interprofessional education. J Interprof Care. 1998;12(2):181-7. Doi: 10.3109/13561829809014104
46. Costa MV. A colaboração como fundamento para o trabalho interprofissional em saúde. In: Pereira Júnior GA, Guedes HTV, organizadores. Simulação em saúde para ensino e avaliação: conceitos e práticas. São Paulo: Cubo Editora; 2021. p. 129-39.
47. Barr H. Toward a theoretical framework for interprofessional education. J Interprof Care. 2013;27(1):4-9. doi: 10.3109/13561820.2012.698328.
48. Thistlethwaite J, Moran M. Competencies and frameworks in interprofessional education: a comparative analysis. Acad Med. 2014;89(6):869-75. doi: 10.1097/ACM.0000000000000249.
49. Combined Universities Interprofessional Learning Unit. Interprofessional Capability Framework. Reino Unido: Combined Universities Interprofessional Learning Unit; 2010.
50. Canadian Interprofessional Health Collaborative. A national interprofessional competency framework [Internet]. Vancouver: CIHC; 2024. Disponível em: https://cihc-cpis.com/wp-content/uploads/2024/06/CIHC-Competency-Framework.pdf
51. Interprofessional Education Collaborative Expert Panel. Core competencies for interprofessional collaborative practice: report of an expert panel [Internet]. Washington (DC): IPEC; 2023. Disponível em: https://ipec.memberclicks.net/assets/core-competencies/IPEC_Core_Competencies_Version_3_2023.pdf
52. Curtin University. Interprofessional Capability Framework [Internet]. Bentley (WA): Curtin University; 2011. Disponível em: www.healthsciences.curtin.edu.au
53. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Departamento de Gestão da Educação na Saúde. Construindo caminhos possíveis para a educação interprofissional em saúde nas instituições de ensino superior do Brasil. Brasília (DF): Ministério da Saúde; 2018.
54. Khalili H, Orchard C, Laschinger HK, Farah R. An interprofessional socialization framework for developing an interprofessional identity among health professions students. J Interprof Care. 2013;27(6):448-53. doi: 10.3109/13561820.2013.804042.



Outros idiomas:







Como

Citar

Amado, CF, Santos, RC, Santos, L, Pinto, ICM. “Um galo sozinho não tece uma manhã”: ensaio teórico sobre o trabalho e educação interprofissional em saúde. Cien Saude Colet [periódico na internet] (2026/mar). [Citado em 07/03/2026]. Está disponível em: http://cienciaesaudecoletiva.com.br/artigos/um-galo-sozinho-nao-tece-uma-manha-ensaio-teorico-sobre-o-trabalho-e-educacao-interprofissional-em-saude/19951?id=19951&id=19951

Últimos

Artigos



Realização



Patrocínio