Atenção Psicossocial em Desastres Socioambientais
Período: De: 01/09/2026 a 01/12/2026
Organizadores: André Vinicius Pires Guerrero - Núcleo de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas /Fiocruz Brasília; Jaqueline Tavares Assis - Núcleo de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas /Fiocruz Brasília; Daniela Palma Araújo – Departamento de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas / Secretaria de Atenção Especializada em Saúde/MS; Michelle Chanchetti Silva – Departamento de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas/Secretaria de Atenção Especializada em Saúde/MS; Ionara Vieira Moura Rabelo – Universidade Federal de Goias; Cristiane Knijnik - Fórum Gaúcho de Saúde Mental
E-mail exclusivo para submissão: psicossocial.desastres@gmail.com
Contextualização
Nos últimos anos, o Brasil e o mundo têm se deparado, de forma cada vez mais intensa, com as consequências adversas do aquecimento global, da poluição e da degradação dos ecossistemas. Desastres socioambientais, como enchentes, deslizamentos, queimadas e tornados, antes considerados excepcionais, tornam-se recorrentes, alterando significativamente a vida de diversas comunidades e o cotidiano dos serviços públicos de saúde, assistência social, educação, defesa civil, habitação, meio ambiente, entre outros.
As crises climáticas e os desastres socioambientais constituem importantes problemas de saúde pública, uma vez que esses eventos extremos acentuam desigualdades já existentes nos territórios e atingem de forma desproporcional populações periféricas, indígenas, tradicionais, negras, do campo, da floresta e das águas.
São muitos os desafios enfrentados pelas equipes responsáveis pela proteção e pelo cuidado, que, muitas vezes, também são diretamente afetadas pelos desastres socioambientais. Esse cenário exige medidas de reparação, cuidado, proteção e prevenção. As redes de cuidado psicossocial precisam se reinventar diante da intensificação do sofrimento psicossocial coletivo e da ampliação das demandas relacionadas às consequências adversas desses eventos. Nesse contexto, estratégias de educação permanente são formuladas, planos de contingência são elaborados e diferentes medidas emergenciais são implementadas.
No entanto, o tema exige o desenvolvimento de ações integradas que considerem as diferentes questões que atravessam os desastres socioambientais, entre elas o racismo estrutural e ambiental, o patriarcado e a sobrecarga de cuidado atribuída às mulheres, as injustiças ambientais e climáticas e as limitações ainda existentes no reconhecimento do direito ao luto e à memória. É necessário recolocar em debate quem tem direito à cidade e ao território e articular, ao cuidado emergencial, estratégias de reparação e reconstrução territorial que considerem os modos de vida, o fortalecimento e a reconstrução de tecnologias sociais, as práticas comunitárias, o desenvolvimento de metodologias sensíveis ao território e experiências capazes de articular saberes acadêmicos, institucionais e populares.
Se, por um lado, ainda existe uma lacuna importante na produção científica desse campo, por outro, circulam iniciativas territoriais inovadoras em saúde mental coletiva, metodologias participativas, processos de sistematização de experiências, avaliações de práticas de cuidado e experiências de gestão, educação e formação permanente que precisam ganhar maior visibilidade.
Dessa forma, o número temático “Atenção Psicossocial em Desastres Socioambientais: desafios atuais, tecnologias de cuidado e inovações” busca reunir produções acadêmicas e estudos avaliativos sobre políticas, práticas e estratégias de cuidado integral em saúde mental coletiva no contexto das crises climáticas e dos desastres socioambientais. A proposta visa fomentar o debate interdisciplinar sobre os desafios contemporâneos da atenção psicossocial, considerando os impactos das emergências climáticas nos territórios, nas populações vulnerabilizadas e na organização das redes de cuidado do SUS e das redes intersetoriais.
Serão aceitas submissões de artigos nacionais e internacionais. Os textos submetidos deverão se organizar em torno de um ou mais dos seis eixos temáticos a seguir:
- Reforma Psiquiátrica e Atenção Psicossocial no contexto das crises climáticas e dos desastres socioambientais
Este eixo acolhe estudos sobre o papel do Sistema Único de Saúde, especialmente da Rede de Atenção Psicossocial, na resposta às crises climáticas e aos desastres socioambientais. Inclui análises sobre a reorganização das redes de cuidado, a territorialização das ações, a intensificação do sofrimento psicossocial, a ampliação das demandas coletivas em saúde mental e as estratégias de promoção, prevenção, cuidado e reconstrução dos modos de habitar. Também contempla produções sobre atenção psicossocial a grupos específicos em contextos de desastre, como pessoas que fazem uso de álcool e outras drogas, crianças, adolescentes, pessoas idosas e outros grupos em situação de maior vulnerabilidade. Inclui, ainda, estudos sobre luto, memória social, direito à memória, reparação simbólica, reconstrução territorial e elaboração singular e coletiva das perdas.
- Justiça climática, interseccionalidades, direitos fundamentais e proteção social
Este eixo reúne trabalhos que analisem os impactos desiguais das crises climáticas e dos desastres socioambientais sobre populações periféricas, indígenas, tradicionais, negras, do campo, da floresta e das águas, considerando o racismo estrutural e ambiental, as desigualdades territoriais, a injustiça climática, as violências de gênero, as violências contra pessoas LGBTQIA+ e outras formas de opressão. Inclui também estudos sobre direitos fundamentais e políticas públicas de apoio à moradia, mobilidade, trabalho, renda, educação, segurança alimentar, proteção social, reparação, auxílios emergenciais e demais respostas intersetoriais necessárias à garantia da vida, da dignidade e do cuidado em contextos de emergência e reconstrução.
- Gestão, financiamento, intersetorialidade e planejamento das respostas psicossociais sustentáveis
Este eixo contempla análises sobre gestão pública, governança, articulação intersetorial e financiamento das ações de atenção psicossocial em contextos de crises climáticas e desastres socioambientais. Abrange estudos sobre orçamento das políticas públicas, recursos humanos e financeiros, planos de contingência, sustentabilidade das ações, organização dos serviços e coordenação entre saúde, assistência social, educação, defesa civil, direitos humanos, habitação, trabalho e renda. Inclui, ainda, reflexões sobre organização de abrigos, tecnologias de cuidado em emergências socioambientais, fluxos de atenção, estratégias de prevenção, cuidado, recuperação e promoção da saúde mental, bem como desafios institucionais para a construção de respostas integradas, éticas e territorializadas.
- Produção de conhecimento, metodologias, educação permanente e práticas inovadoras de cuidado
Este eixo acolhe estudos teóricos e empíricos, pesquisas avaliativas e análises metodológicas sobre a produção de conhecimento no campo da atenção psicossocial em desastres socioambientais. Contempla iniciativas territoriais inovadoras em saúde mental coletiva, metodologias participativas, processos de sistematização de experiências e avaliação de práticas de cuidado, gestão, educação e formação permanente. Inclui produções sobre cuidado ético, educação em saúde, formação de trabalhadores e trabalhadoras, construção de tecnologias sociais, práticas comunitárias, metodologias sensíveis ao território e experiências que articulem saberes acadêmicos, institucionais e populares.
- Comunicação, informação, participação social e produção compartilhada do cuidado
Este eixo reúne estudos sobre comunicação em saúde e sobre a produção, circulação e democratização de informações relacionadas às crises climáticas, aos eventos extremos, às emergências socioambientais e aos seus impactos psicossociais. Inclui análises sobre enfrentamento da desinformação, comunicação de risco, educação popular em saúde, produção de orientações claras, acessíveis e protetivas para a população, bem como estratégias comunicacionais voltadas à organização dos fluxos de cuidado. Também contempla trabalhos sobre participação social, controle social, democracia, organização comunitária, redes de solidariedade, saberes comunitários e produção compartilhada do cuidado em contextos de desastre e reconstrução.
- Bem-viver, território, meio ambiente, cultura e saúde da trabalhadora e do trabalhador
Este eixo acolhe produções que abordem as relações entre saúde mental, território, modos de vida, meio ambiente, sustentabilidade, cuidado ambiental e bem-viver. Inclui perspectivas decoloniais, saberes tradicionais e práticas culturais, artísticas e comunitárias de cuidado, bem como experiências que reconheçam o território como espaço de memória, pertencimento, vínculo, conflito, reconstrução e produção de vida. Contempla, ainda, estudos sobre os impactos psicossociais dos desastres socioambientais sobre trabalhadores e trabalhadoras, especialmente aqueles que atuam em serviços públicos, emergências, saúde, assistência social, defesa civil, educação e cuidado comunitário. Inclui análises sobre condições de trabalho, sofrimento laboral, sobrecarga, exposição continuada aos desastres e práticas de cuidado voltadas às redes de atenção à saúde do trabalhador e da trabalhadora.
Serão acolhidos artigos baseados em estudos empíricos, análises de dados provenientes de sistemas de informação do SUS e de bases nacionais e internacionais, bem como artigos de revisão.
Normas para Submissão
Os trabalhos enviados para avaliação devem, além de focar em uma ou mais linhas temáticas, seguir as orientações e normas para envio de artigos que constam na página Web da Revista Ciência & Saúde Coletiva https://cienciaesaudecoletiva.com.br/passo-a-passo
E-mail para submissão: psicossocial.desastres@gmail.com. Somente participarão da chamada os manuscritos recebidos até a data limite no e-mail indicado acima (não serão aceitos manuscritos postados na plataforma de submissão da Revista).
Para dar continuidade à avaliação editorial, solicitamos, gentilmente, o envio de dois arquivos separados em Word, conforme as orientações a seguir:
- arquivo completo do manuscrito, com título, resumo, palavras-chave e texto completo, inclusive tabelas e figuras (observação: sem identificação das/os autoras/es);
- um arquivo contendo título do manuscrito, nomes das/os autoras/es, filiação institucional, ORCID e e-mails de contato de cada autora/autor.











