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0118/2026 - School environment, extracurricular activity, and physical activity: Evidence from the 2004 Pelotas Birth Cohort
Ambiente escolar, atividade extracurricular e atividade física: Evidências da Coorte de Nascimentos de Pelotas de 2004

Author:

• Vivian Hernandez Botelho - Botelho, VH - <https://orcid.org/0000-0001-9523-2565>
ORCID: vivianhbotelho@gmail.com

Co-author(s):

• Cauane Blumenberg - Blumenberg, C - <cauane.epi@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-4580-3849
• Alan Goularte Knuth - Knuth, AG - <alan_knuth@yahoo.com.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-2030-5747
• Iná S. Santos - Santos, IS - <inasantos.epi@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-1258-9249
• Alicia Matijasevich - Matijasevich, A - <alicia.matijasevich@usp.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-0060-1589
• Aluísio J D Barros - Barros, AJ - <abarros.epi@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-2022-8729
• Luciana Tovo Rodrigues - Rodrigues, LT - <lucianatovo@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-8732-6059
• Inácio Crochemore-Silva - Crochemore-Silva, I - <inacioufpel@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5390-8360


Abstract:

This study aims to investigate the influence of school environmental characteristics assessed at age 6 on physical activity (PA) levels at age 11 among participants in the 2004 Pelotas Birth Cohort. This is a population-based longitudinal study. To assess the school environment, interviews were conducted with the principal or physical education (PE) teachers, and direct observation of the environment was conducted when the participants were 6 years old. At age 11, school change and participation in extracurricular activities were assessed, with PA measured with accelerometry. Analyses were performed using multilevel models. Among the school environment characteristics, only participation in extracurricular activities was positively associated with the total volume of PA and moderate to vigorous PA at age 11, in a cross-sectional analysis adjusting for family income. The other characteristics, as well as changing schools with better or worse characteristics between ages 6 and 11, were not associated with PA at age 11. Not all characteristics of the school’s environment positively influenced the level of PA, highlighting that school and school PE are complex environments and have broader objectives, not only in terms of PA levels.

Keywords:

Children; Physical Activity; Schools.

Content:

Introdução
Os comportamentos e hábitos que envolvem a saúde, como a atividade física (AF), são multideterminados e geralmente influenciados pelas experiências na infância e adolescência, tendendo a permanecer na vida adulta1. Além dos benefícios biológicos2, há evidências de que a prática de AF melhora o desempenho acadêmico3, contribui para o desenvolvimento humano, como na interação social, socialização, construção de valores e desenvolvimento de atitudes entre os indivíduos, auxiliando na construção cidadã de crianças e adolescentes4,5. Além de desenvolver habilidades motoras e promover bem-estar6. Posto isso, investir na saúde na infância e adolescência pode trazer um triplo benefício, considerando os efeitos momentâneos, na idade adulta e, também, em uma próxima geração7,8, assim como a manutenção da AF ao longo da vida.
As recomendações mundiais e nacionais para prática de AF de crianças e jovens de 6 a 17 anos são de 60 minutos por dia, totalizando 300 minutos semanais, incluindo pelo menos três dias de exercícios de fortalecimento muscular6,9. Porém, dificilmente essa faixa etária atinge essas recomendações. Em estudo realizado com 298 pesquisas transversais com adolescentes entre 11 e 17 anos, 81% da população foi considerada insuficientemente ativa fisicamente, ou seja, não atingia as recomendações de AF10. No Brasil, a recente Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 201911 mostrou que apenas 28,1% dos adolescentes de 13 a 17 anos eram fisicamente ativos, considerando a AF total, a qual envolve deslocamento entre a escola e a casa, aulas de Educação Física e atividades físicas extraclasse.
Cabe destacar que a prática da AF não é determinada exclusivamente por escolhas individuais, havendo fatores socioculturais e ambientais que também interferem em sua ocorrência. Entre os aspectos que influenciam a AF, destacam-se os ambientes social e construído em que o indivíduo está inserido, como o contexto urbano e, em específico na população de crianças e adolescentes, o ambiente escolar8.
As crianças e adolescentes passam grande parte de seu tempo em ambientes escolares e as aulas de Educação Física (EF) são o principal local com um espaço educativo que envolve a prática de AF. Nesse sentido, esses espaços configuram-se como locais importantes para colaborar com o nível de AF da população12, sendo que seus princípios e valores passam, potencialmente, por oportunizar diversas experiências envolvendo as práticas corporais, a partir de ações educativas, mediadas na e pela cultura13,14. Além dos componentes curriculares, escolas que possuem locais para a prática de AF e esportivas extracurricular aumentam as chances de os escolares participarem das aulas de EF, assim como nos níveis de AF no lazer e total15.
As características do ambiente escolar vêm sendo associadas com o aumento da AF em adolescentes, como em um estudo realizado na cidade de São Paulo, por exemplo, que a presença de três ou mais instalações para a prática de AF positivamente associada com a AF total dos adolescentes16. Outras características que podem variar de acordo com a escola e influenciar a AF é o tipo de escola pública ou privada17, duração do período do recreio18,19 e qualidade das estruturas escolares20.
Mostrando uma das importâncias das aulas de EF, em estudo nacional realizado com escolares brasileiros, observou-se que participar de duas ou mais aulas de EF foi positivamente associado a ser fisicamente ativo21. E, em estudo realizado com crianças portuguesas, o ambiente escolar explicou aproximadamente 18% da variância total da atividade física moderada a vigorosa (AFMV) de crianças de cinco a 10 anos22. Entretanto, são necessários ainda mais estudos longitudinais que envolvam associações entre o ambiente escolar no ensino fundamental23 e a AF, especialmente em países de baixa e média renda, visto que a produção sobre a temática ainda é protagonizada por países de renda alta, com contextos escolares distintos. Portanto, este estudo tem como objetivo verificar a influência das características do ambiente escolar avaliado aos 6 anos no nível de AF aos 11 anos de idade entre participantes da Coorte de Nascimentos de Pelotas de 2004.

Metodologia
Delineamento do estudo e participantes
Este é um estudo longitudinal de coorte. Os participantes fazem parte da Coorte de Nascimentos de Pelotas de 2004, estudo que incluiu 99,2% dos nascidos vivos em 2004 de mães residentes na área urbana no município (total de 4231 crianças foram incluídas no estudo perinatal). No recrutamento inicial, em 2004, equipes de coleta de dados atuavam diariamente nas cinco maternidades da cidade, para entrevistar as mães nas primeiras 24 horas após o parto24. Os participantes foram acompanhados, até o momento, em nove ocasiões: no período perinatal, aos 3, 12, 24 e 48 meses e aos 6, 11, 15 e 18 anos de idade. Após o perinatal, os quatro primeiros acompanhamentos foram realizados nas residências das crianças, sendo a coleta de dados realizada por meio de entrevista estruturada feita por entrevistadores treinados com os pais ou responsáveis. Nos quatro últimos acompanhamentos, as coletas foram realizadas na clínica de pesquisa do Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas. Neste estudo serão utilizados os dados do estudo perinatal e dos acompanhamentos de 6 e 11 anos. Mais informações sobre os acompanhamentos realizados podem ser encontradas em publicações anteriores24–26.
Avaliação do ambiente escolar
No acompanhamento dos 6 anos, foi solicitado aos responsáveis que informassem o nome da escola em que a criança estava matriculada. Na sequência, para informações sobre o ambiente escolar que as crianças estavam frequentando, foi realizado um estudo específico no contexto escolar por Knuth et al., (2015)27. Uma equipe de investigadores treinados avaliou 99 escolas da área urbana do município em relação aos aspectos estruturais, sendo aplicado um questionário com o diretor da escola ou professor de EF e observação direta do ambiente escolar. O instrumento utilizado foi adaptado com base em Tenório et al., (2012)28, o qual apresentou concordância de 83,7%. As variáveis do ambiente escolar coletadas foram as seguintes: existência, frequência e duração das aulas de EF, atividades extracurriculares oferecidas pela escola, existência de quadras poliesportivas cobertas e ao ar livre, espaços externos com equipamentos, áreas verdes externas, espaço interno para aulas de EF, sala multimídia, sala de informática, tipo de escola (pública ou privada) e tipo de escola pública (estadual ou municipal). Embora aspectos como as salas multimídia e de informática não estejam diretamente relacionadas à EF, são indicadores que se relacionam com a qualidade de estrutura geral da escola. Além da análise individual dessas variáveis, foi construído um escore composto, com base no número de itens presentes em cada escola, o qual podia variar de 2 a 10. Em seguida, as escolas foram classificadas em dois grupos, de acordo com a infraestrutura avaliada, sendo o escore dicotomizado com base na mediana (escore <6 e ?6). Para a construção do escore das escolas, na variável sobre existência de aulas de EF, havia uma elevada quantidade de informações faltantes no nível de escola. Nesses casos, evitando uma diminuição robusta da amostra, uma pontuação de zero para esse quesito foi considerada arbitrariamente.
No acompanhamento dos 11 anos, foi verificado se as crianças participavam de atividades físicas extracurriculares além das aulas de EF escolar e se permaneceram na mesma instituição de ensino. Assim, análises de mudança de escolas entre os 6 e 11 anos referente a estrutura física e mudança para escola com menor ou maior escore de infraestrutura foram realizadas. Se aos 11 anos, o participante mudou para escola com menor escore em relação as características do ambiente escolar aos 6 anos, foi atribuído ao grupo pior, já se mudou para escola com maior escore, foi atribuído ao grupo melhor. Se mudou para outra escola com o mesmo escore, foi atribuído ao grupo estabilidade.
Mensuração da prática de atividade física
Durante o acompanhamento dos 11 anos, a AF foi avaliada por medida objetiva, por meio da acelerometria, em todos os adolescentes que residiam na zona urbana. Foram utilizados os acelerômetros triaxiais Actigraph wGT3X-BT e o Actigraph wActiSleep-BT. Os adolescentes deveriam utilizar o equipamento por sete dias e, durante a colocação do equipamento, a usá-lo durante as 24 horas por dia, inclusive durante o banho e para dormir29. Para análise, os dados foram considerados válidos se tivessem quatro dias completos. Como desfechos, foram usadas as variáveis volume total de AFMV, sendo considerado o valor bruto de aceleração em mg (Equivalente gravitacional “g”, expresso pelo vetor magnitude com base na Euclidean Norms Minus One – ENMO (?x2 + y2 + z2 – 1g), e AFMV com bout de 5 minutos/dia. Ou seja, na variável de AFMV foram considerados apenas os períodos consecutivos que os participantes estavam pelo menos 80% do tempo com aceleração superior a 100 mg. Como análise suplementar, também foi utilizada como desfecho a AFMV com bout de 10 minutos/dia.
Variáveis complementares e análise estatística
Para fins de descrição da amostra e de ajuste para possíveis fatores de confusão foram contempladas informações oriundas do estudo perinatal, sendo o sexo (feminino e masculino), informações coletadas aos 6 anos, como a cor da pele da criança, conforme a percepção da mãe e/ou responsável (branca, preta, parda, outra) e renda familiar total (em reais).
As análises descritivas foram realizadas por meio de valores absolutos, percentuais, médias, desvios padrão, medianas e intervalos interquartis. Para verificar a diferença entre a amostra da coorte aos 6 anos com a amostra analítica, foi usado o teste qui-quadrado de Pearson. Para as análises de associação, foram utilizados modelos de regressão linear multinível, para levar em consideração a organização hierárquica dos dados. Os modelos foram construídos em dois níveis, sendo o primeiro nível representado pelos indivíduos e o segundo nível representado pelas escolas.
Em virtude da distribuição assimétrica da variável de AFMV, foi utilizada transformação logarítmica. Em seguida, foi necessário realizar o antilog, exponenciando os coeficientes obtidos para estimar a média geométrica como medida de efeito. Além da apresentação dos resultados do modelo bruto, foram realizados ajustes para o fator de confusão da renda familiar total (modelo 1) e uma análise complementar, através de um modelo mutuamente ajustado que incluiu a renda familiar total e todas as características da escola (tipo de escola, tipo de escola pública, aula de educação física, atividades físicas extracurricular, ginásio, quadra poliesportiva, espaço externo para aulas de EF, espaço interno para aulas de EF, área verde externa, sala multimídia e sala de informática). Foi adotado o nível de significância de 5%. O software utilizado para análise de dados foi o Stata versão 18 (StataCorp LLC, College Station, TX, USA).
Aspectos éticos
Todas as etapas da Coorte de Nascimentos de Pelotas de 2004 foram aprovadas pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pelotas, vinculado à Comissão Nacional de Ética em Pesquisa: para o estudo perinatal (parecer nº 40601116), 6 anos (parecer nº 40602124, ofício 35/10) e 11 anos (parecer nº889.753). Também se obteve autorização dos responsáveis em todos os acompanhamentos, por meio do termo de consentimento livre e esclarecido, assentimento dos participantes aos 11 anos e autorização das escolas.
Resultados
No acompanhamento dos 6 anos, 3669 crianças foram acompanhadas (taxa de retenção de 90,2%) e aos 11 anos, 3565 participaram do estudo (86,6%). As perdas ocorreram devido as informações faltantes para as escolas das crianças acompanhadas aos 6 anos e informações de AF por acelerometria aos 11 anos. A Tabela 1 mostra as características dos participantes da Coorte de Nascimentos de Pelotas de 2004 aos 6 anos e na amostra analítica do presente estudo, não observando diferenças entre as amostras.
Tabela 1. Características sociodemográficas dos participantes da Coorte de Nascimentos de Pelotas de 2004.
A Tabela 2 apresenta a descrição das variáveis de AF aos 11 anos. A média diária bruta do volume total de AF foi de 64,6 mg (DP=17,2) e a AFMV utilizando bout de 5 minutos apresentou média de 42,0 minutos por dia. Quando os participantes tinham 6 anos, a maioria (82,1%) estudava em escola pública, de nível municipal (59,4%), tinham aulas de EF (78,5%) e AF extracurricular (68,3%). Referente às características físicas do ambiente escolar, 84,0% dos participantes estudavam em escolas que não tinha ginásio coberto, 70,4% não tinha espaço interno para aulas de EF, 92,7% tinham sala multimídia e 82,7% tinham sala de informática. Dos participantes, 91,1% estudavam em escola que tinha quadra poliesportiva, 90,3% tinha espaço externo para aulas de EF e 77,0% não tinham área verde externa.

Tabela 2. Descrição das variáveis do ambiente escolar aos 6 anos e da atividade física aos 11 anos dos participantes da Coorte de Nascimentos de Pelotas de 2004. (N=2801)1

A variabilidade de nível dois, ou seja, fruto da diferença entre as escolas, foi em geral baixa. Nos modelos brutos, entre 1,5 e 2,0% da variabilidade total se deu em função da diferença entre as escolas. Já nos modelos ajustados para ambos os desfechos, a variabilidade de nível dois foi de 1,5%.
As Tabelas 3 e 4 mostram as associações brutas e ajustadas do ambiente escolar medido aos 6 anos com o volume total de AF e AFMV com bout de 5 minutos, respectivamente, aos 6 anos e 11 anos. O volume total de AF aos 11 anos teve associação positiva com a participação em atividades extracurriculares aos 11 anos mesmo após ajustes para a renda familiar total (? = 4,0, IC95%: 2,11; 5,89, p<0,001). Na análise bruta, as aulas de EF aos 6 anos tiveram associação negativa com o volume total de AF aos 11 anos, sendo que o aumento de uma aula de EF, diminuiu em média 2,0 mg por dia do volume total de AF (?= -2,0, IC95%= -4,03; -0,02, p=0,048). Quando a análise foi ajustada para a renda familiar total, a associação não permaneceu significativa. Para as demais características ambientais aos 6 anos, não foi encontrada associação significativa com a AF e o volume total de AF aos 11 anos (Tabela 3). Mudar de escola para estrutura melhor ou pior não foi associado com AF (p>0,05).
Todas as associações também foram ajustadas em uma análise complementar para a renda familiar total e todas as variáveis do ambiente escolar (essas informações não estão presentes em tabela). As associações da análise complementar mantiveram-se semelhantes ao modelo bruto e modelo ajustado 1, exceto a participação em atividades extracurriculares, que aos 11 anos aumentou em média, 4,2 mg do volume total de AF (?= 4,2, IC95%: 2,2; 6,3, p<0,001). Para as demais características ambientais, as associações não foram significativas.

Tabela 3. Análises de associação do ambiente escolar aos 6 e 11 anos com o volume total de AF aos 11 anos dos participantes da Coorte de Nascimentos de Pelotas de 2004, Pelotas.

A participação em atividades extracurriculares aos 11 anos foi associada com a AFMV aos 11 anos, sendo que a média geométrica de AFMV foi 23% maior para quem participou de atividades extracurricular (?= 1,23 IC95%= 1,11; 1,35, p<0,001) em comparação a quem não participou, mantendo-se significativa quando ajustado para fatores de confusão. Na análise longitudinal, alunos que estudavam em escolas com ginásio poliesportivo aos 6 anos e aos 11 anos, tiveram média geométrica de AFMV 12% menor (?= 0,88, IC95%=0,79; 1,00, p=0,043) em comparação aos que estudavam em escolas sem ginásio, porém quando ajustado para a renda familiar total, não houve associação (Tabela 4). Mudar para escola, tanto para escolas com piores características ambientais, quanto para escolas com melhores características, não esteve associado com a AFMV (p>0,05).
Todas as associações do ambiente escolar com a AFMV com bout de 5 minutos também foram ajustadas complementarmente para a renda familiar total e todas as variáveis do ambiente escolar (informações não estão presentes em tabela). As associações não foram significativas. Também foi realizada análises com a AFMV com bouts de 10 minutos (Material Suplementar 1). Apenas a participação em atividades físicas extracurriculares aos 11 anos foi associada com a AFMV aos 11 anos, sendo que a média geométrica de AFMV foi 34% maior para quem participou de atividades físicas extracurriculares (?= 1,34, IC95%=1,19; 1,52; p<0,001), em comparação a quem não participou (Material Suplementar 1).
Tabela 4. Análises de associação do ambiente escolar aos 6 e 11 anos com a atividade física moderada a vigorosa com bout de 5 minutos aos 11 anos dos participantes da Coorte de Nascimentos de Pelotas de 2004, Pelotas.
Discussão
Este estudo verificou a influência de algumas características do ambiente escolar avaliadas aos 6 anos no nível de AF aos 11 anos de crianças pertencentes à Coorte de Nascimentos de Pelotas de 2004. Não houve associação prospectiva entre as variáveis do ambiente construído no contexto escolar, analisadas individualmente, com o volume total de AF nem com AFMV, assim como também não foi identificado efeito da mudança de escola para estruturas melhores ou piores entre 6 e 11 anos. Entretanto, a participação em atividades extracurriculares foi associada positivamente com o volume total de AF e AFMV em análises transversais aos 11 anos.
O diferencial deste estudo é utilizar uma amostra representativa de crianças, realizando análises longitudinais, a qual possibilita estabelecer relação temporal entre as características do ambiente escolar e a AF, um dos elementos importantes para causalidade em estudos de associação. Também foi utilizado instrumentos de mensuração objetiva para a AF e para o ambiente escolar, o que reduz o viés de informação, além de incluir todas as escolas públicas, privadas, municipais e estaduais do local de estudo.
Os resultados encontrados não confirmam a hipótese inicial de uma associação positiva entre as características ambientais selecionadas para o estudo e os níveis de AF, visto a importância dessas características e o amplo tempo que as crianças e adolescentes passam na escola. Isso pode ser fruto da limitada variabilidade entre as escolas incluídas na amostra, evidenciado pelo coeficiente de correlação intraclasse que foi sempre menor ou igual a 2%. Entretanto, é necessário salientar que a AF é influenciada por diversos aspectos demográficos, biológicos, ambientais e econômicos e que o ambiente escolar é apenas um dentre esses determinantes. Especificamente na escola, nas aulas de EF, a AFMV pode variar devido aos modelos de aula, objetivos e prática pedagógica do professor e o local em que as aulas acontecem30. Porém, destaca-se que a medida de AF utilizada em nosso estudo engloba a AF total e não apenas aquela realizada na escola, abrangendo também outros ambientes e domínios em que as crianças praticam AF.
Quando se trata de análises em relação ao ambiente, é importante considerar que o ambiente escolar não está desconectado dos demais espaços em que crianças e adolescentes vivem, sejam do ponto de vista físico ou mediado pelas diversas tecnologias. Em tal contexto, a escola segue exercendo uma influência central em suas vidas, mas também há relações dinâmicas com outros ambientes como o de seus lares, vizinhança e demais espaços públicos e privados. Nesse sentido, e com a intensificação do uso de telas e das mídias sociais, os estudos que buscam a compreensão sobre a saúde e os comportamentos de jovens devem encontrar cenários complexos trazendo implicações também aos estudos sobre o ambiente, como no caso da atividade física.
Atualmente, as crianças e adolescentes, de forma geral, estão sendo mais estimuladas a comportamentos que não gerem movimento corporal, seja pela falta de segurança nos locais públicos, reduzindo o tempo exposto ao ambiente urbano que pode estimular atividades físicas ou pelo uso de telas que majoritariamente estimulam o comportamento sedentário31. O contexto em que as crianças estão expostas impacta em seus comportamentos e dependendo do nível socioeconômico, a única atividade física sistematizada e orientada que as crianças têm acesso é no ambiente escolar. É nesse ambiente de formação e convívio social que muitas crianças têm a oportunidade de conhecer atividades físicas e esportivas, desenvolver habilidades físicas e sociais e o interesse pela prática para posteriormente manter-se ativo.
No presente estudo, foi observada uma associação em direção inesperada no modelo bruto das aulas de EF com o volume total de AF, sendo que à medida que uma aula era acrescentada, diminuía o volume total de AF. Outra característica da escola, a presença de ginásio poliesportivo foi associada com a AFMV. Ambas as associações quando ajustadas para a renda familiar total, desapareceram, demonstrando a relevância desse fator de confusão nas análises com a AF. Vale destacar que a informação de AF obtida por meio de acelerômetros, os quais embora avancem em precisão relacionada ao gasto energético, não distinguem os domínios de AF. Estudo realizado nas Coortes de Nascimentos de Pelotas mostrou que a prática de AF é diferente entre as pessoas de diferentes níveis socioeconômicos32, sendo identificada uma média de aceleração mais alta nos participantes dos quintis mais pobres. Esse grupo populacional, por exemplo, tende a acumular um grande volume de AF de forma não estruturada, muitas das quais fora do ambiente educacional33.
Por isso, a discussão sobre os domínios de AF nessa faixa etária e com olhar sobre as desigualdades é relevante. Quando abordado especificamente as AF de lazer e AF estruturadas, como práticas esportivas extracurriculares, as crianças dos grupos socialmente menos privilegiados, como aquelas de menor renda, do sexo feminino, com cor de pele preta ou parda, enfrentam realidades diferentes daquelas pertencentes aos seus grupos de comparação, com menores níveis de AF nesses contextos e dificuldades de acesso a programas e serviços34.
Outros estudos também verificaram a associação das características ambientais na prática de AF, como Pereira et el. (2022)23 com escolares portugueses de cinco a 10 anos, realizando análises longitudinais. Os autores identificaram que 73,6% das escolas analisadas não tinham quadra poliesportiva coberta e entre as crianças que estudavam em escolas que tinham esse componente, não houve associação com a AFMV. Dentre as características analisadas, apenas o parque infantil esteve associado e de forma negativa com a AFMV. Corroborando, em uma ampla revisão sistemática, foi identificado a inconsistência nas relações entre ter acesso a AF ou espaços esportivos com a prática de AF35. Esses estudos realçam que embora as características e estruturas escolares sejam importantes, devido à fatores contextuais, culturais, econômicos e ambientais, nem sempre encontraremos associações significativas e medidas de efeito na direção esperada.
Nosso estudo mostrou associação da prática de AF extracurricular com a AFMV, e muitas vezes, são nesses espaços que atividades com maior intensidade são oferecidas, além de serem atividades muitas vezes direcionadas às modalidades específicas, despertando maior apreciação dos adolescentes. Assim como a importância de outros contextos no ambiente escolar para a prática de AF como o tipo de escola pública ou privada17 e a duração dos recreios18. Corroborando, em estudo realizado com escolares de 9 a 11 anos em uma cidade do estado de São Paulo, as atividades extracurriculares foram associadas com atingir as recomendações de AF, assim como a existência de competições interescolares e escolinhas esportivas36. Quando analisadas crianças entre 9 e 11 anos, com dados de 12 países, em estudo multicêntrico avaliando o ambiente escolar, ter ginásio disponível além do horário escolar foi associado positivamente com a AFMV das crianças37.
Para a maioria das variáveis ambientais, não encontramos associação transversal ou longitudinal. Mudar para escola com quantidade ou qualidade diferente quanto a atributos ambientais não foi associado com os níveis de AF. Entretanto, estudo realizado com dados nacionais de escolares brasileiros, avaliando a associação da AF com o ambiente escolar, evidenciou que as escolas que oferecem aulas extracurriculares, quadras esportivas, disponibilidade de piscina e pista de corrida podem aumentar a probabilidade das crianças atingirem as recomendações de AF15.
O estudo possui algumas limitações, como a avaliação do ambiente escolar em um único momento, sem considerar a qualidade das estruturas. Ao fazer a análise de mudança de escola, assumimos que aos 11 anos as escolas permaneceram com as mesmas características ambientais ou, caso houvesse mudança, as escolas que já possuíam uma estrutura boa melhoraram suas estruturas ou as escolas com estrutura ruim mantiveram-se sem melhorias. Acredita-se, devido ao histórico, que as mudanças de estruturas físicas nas escolas levam muito tempo para ocorrer e, quando ocorrem, são mudanças sutis. Nas análises não foram consideradas a distinção entre as escolas públicas e privadas devido à baixa prevalência de escolas privadas e à baixa variabilidade entre as escolas. Outro ponto a ser ressaltado é a defasagem temporal entre período de coleta dos dados e a análise dos mesmos, entretanto não identificamos razões para que o padrão ou direção da associação se altere. Referente à medida de atividade física, o efeito Hawthorne não pode ser descartado, entretanto, no geral o efeito é pequeno devido ao número de dias de uso dos acelerômetros, além de atingir a amostra de forma não diferencial, reduzindo a potencial inferência nos resultados do estudo.
Neste estudo, somente a participação em atividades extracurriculares aos 11 anos foram associadas com a AF bruta e AFMV. As demais características do ambiente escolar não tiveram associações significativas com a AF no intervalo de cinco anos entre a exposição e o desfecho. Assim, a partir desses achados e das evidências existentes na literatura ressalta-se a importância e recomenda-se investir em espaços e atividades que facilitem a AF de adolescentes, especificamente na estrutura física das escolas e das políticas escolares, como a oferta e o aumento de atividades extracurriculares especificamente nos anos iniciais do ensino fundamental, pois nessa faixa etária o contexto escolar é o principal momento de contato com AF estruturada e sistematizada. Para estudos futuros envolvendo o ambiente escolar e AF, recomenda-se considerar características do contexto que podem influenciar à AF, como o tipo de escola, qualidade das estruturas escolares e também a integração de análises ambientais e individuais.

FINANCIAMENTO
Este artigo é baseado em dados do estudo "Coorte de Nascimentos de Pelotas, 2004", conduzido pelo Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia da Universidade Federal de Pelotas, com a colaboração da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO). De 2009 a 2013, a Wellcome Trust apoiou o estudo da Coorte de Nascimentos de Pelotas, 2004. As fases anteriores do estudo foram apoiadas pela Organização Mundial da Saúde, pelo Programa Nacional de Apoio a Núcleos de Excelência (PRONEX), pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pelo Ministério da Saúde e pela Pastoral da Criança. O acompanhamento de 11 anos contou com o apoio do Departamento de Ciência e Tecnologia (DECIT) do Ministério da Saúde, do CNPq e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Este estudo foi financiado em parte pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código Financeiro 001.
DECLARAÇÃO DE DISPONIBILIDADE DE DADOS
Os dados de pesquisa do artigo não estão disponíveis.
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Botelho, VH, Blumenberg, C, Knuth, AG, Santos, IS, Matijasevich, A, Barros, AJ, Rodrigues, LT, Crochemore-Silva, I. School environment, extracurricular activity, and physical activity: Evidence from the 2004 Pelotas Birth Cohort. Cien Saude Colet [periódico na internet] (2026/May). [Citado em 21/05/2026]. Está disponível em: http://cienciaesaudecoletiva.com.br/en/articles/school-environment-extracurricular-activity-and-physical-activity-evidence-from-the-2004-pelotas-birth-cohort/20016



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