0097/2026 - Ageísmo direcionado a pessoas idosas em serviços de saúde: desenvolvimento do conceito
Ageism aimed at elderly people in health services: development of the concept
Autor:
• Pricila Oliveira de Araújo - Araújo, PO - <poaraujos@uefs.br>ORCID: https://orcid.org/0000-0002-7941-9263
Coautor(es):
• Nuno Damácio de Carvalho Félix - Félix, NDC - <nunofelix@ufrb.edu.br>ORCID: https://orcid.org/0000-0002-0102-3023
• Claudia Feio da Maia Lima - Lima, CFM - <cflima@ufrb.edu.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-4718-8683
• Aline Mota de Almeida - Almeida, AM - <alinedamota@uefs.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-3880-6881
• Keylla Talitha Fernandes Barbosa - Barbosa, KTF - <keyllafernandes@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0001-6399-002X
• Elena Casado Aparício - Aparício, EC - <e.casado@cps.ucm.es>
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-2940-9523
• Maria Lúcia Silva Servo - Servo, MLS - <mlsservo@uefs.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-4809-3819
• Evanilda Souza de Santana Carvalho - Carvalho, ESS - <evasscarvalho@uefs.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-4564-0768
Resumo:
Objetivo: Desenvolver o conceito de ageísmo direcionado a pessoas idosas em serviços de saúde. Método: Estudo metodológico, fundamentado no Modelo Híbrido de Desenvolvimento de Conceito, composto por três fases: teórica, em 14 bases de dados; empírica, com 27 participantes; analítica, integração das fases anteriores, fundamentada na análise temática reflexiva. Resultados: O ageísmo direcionado a pessoas idosas em serviços de saúde envolve imagens e atitudes baseadas em estereótipos e preconceitos de idade, rotulação, desrespeito à autonomia, privacidade e dignidade, desvalorização das queixas, habilidades e capacidades, por meio de comunicação inadequada e infantilização. É gerado pela cultura de depreciação das pessoas idosas, insuficiência de conhecimento e evidência científica, sobrecarga de trabalho, falta de empatia e qualidade ruim do convívio, que geram práticas discriminatórias, de descuidado e abreviação da vida, além da violação de direitos, sentimentos negativos, adoecimento mental e desconfiança nos serviços de saúde. Conclusões: O conceito é amplo e complexo, cujos elementos perpassam o cotidiano do trabalho em saúde e as formas de enfrentamento envolvem medidas educativas e implementação de políticas públicas para pessoas idosas, família e sociedade.Palavras-chave:
Etarismo; Estigma Social; Idoso; Envelhecimento; Serviços de Saúde; Formação de Conceito.Abstract:
Objective: Develop the concept of ageism aimed at elderly people in health services. Method: Methodological study, based on the Hybrid Model of Concept Development, composed of three phases: theoretical, in 14 databases; empirical, with 27 participants; analytical, integration of previous phases, based on reflective thematic analysis. Results: Ageism directed at elderly people in health services involves images and attitudes based on age stereotypes and prejudices, labeling, disrespect for autonomy, privacy and dignity, devaluation of complaints, skills and abilities, through inadequate communication and infantilization. It is generated by the culture of depreciation of elderly people, insufficient knowledge and scientific evidence, work overload, lack of empathy and poor quality of life, which generate discriminatory, careless and life-shortening practices, in addition to the violation of rights, negative feelings, mental illness and distrust in health services. Conclusions: The concept is broad and complex, whose elements permeate daily health work and the ways of coping involve educational measures and implementation of public policies for elderly people, family and society.Keywords:
Ageism; Social Stigma; Elderly; Aging; Health Services; Concept Formation.Conteúdo:
O termo ageísmo é um neologismo derivado da língua inglesa (ageism) criado pelo gerontólogo e psiquiatra Robert Butler1 e que na língua portuguesa é tratado como sinônimo dos descritores idadismo e etarismo2. Envolve atitudes preconceituosas para com a velhice e com o processo de envelhecimento, incluindo o auto ageísmo e as práticas discriminatórias de forma geral que, de forma velada ou não, perpetuam crenças estereotipadas sobre os mais velhos, reduzem oportunidades de uma vida satisfatória e afetam a dignidade das pessoas idosas3.
Com a pandemia da Covid-19, o ageísmo ganhou notoriedade na mídia4,5 uma vez que o discurso público veiculado nos meios de comunicação apresentava a doença como perigosa apenas para as pessoas idosas, o que gerou a dicotomia “nós” e “eles”, a partir de uma possível disputa entre jovens e pessoas idosas por leitos, ventiladores e demais recursos6. Este acirramento pôde ser constatado com a disseminação, na internet, da hashtag #BoomerRemover, expressão popular que destaca atitudes preconceituosas quanto à idade em resposta à pandemia, revelando o baixo valor que suas vidas têm na sociedade contemporânea6,7.
No contexto dos serviços de saúde, o ageísmo expressa-se por meio do cerceamento de pessoas idosas e suas famílias ao acesso a recursos e aos serviços de saúde, redução das oportunidades de diagnóstico, tratamento, reabilitação e cura. Pessoas idosas são vistas e tratadas por atitudes que depreciam, desvalorizam e deslegitimam suas necessidades de saúde, gerando desassistência e descuido1.
Estudos mostram que não há consenso sobre o conceito de ageísmo, nem das causas e das consequências, sendo constante a negação de sua existência e a negligência dos seus efeitos, embora evidências mostrem ocorrência do ageísmo nos locais de trabalho3,8.
Por envolver definições abstratas de outros conceitos subjacentes que não são quantificáveis, este fenômeno torna-se complexo e multifacetado9. Além disso, o ageísmo é menos estudado do que outras formas de discriminação (racismo e sexismo) e poucas pesquisas examinam, de modo preciso, suas manifestações no campo da saúde10. Os profissionais devem traçar estratégias de enfrentamento focadas no problema ou na emoção dentro do contexto único de cada pessoa idosa, o que torna o combate ao ageísmo uma tarefa ampla e contínua11.
Problematizou-se que a definição do ageísmo é abstrata e não revela os elementos constituintes do conceito (causas, consequências e atributos), havendo a necessidade de desenvolvê-lo para clarificar a sua aplicação na prática dos serviços de saúde. Desenvolver conceitos é importante, pois eles evoluem ao longo do tempo e são modificados por fatores contextuais e sociais, tornando o processo dinâmico, inacabado e reativo a novos conhecimentos, experiências e percepções. Portanto, de tempos em tempos, eles precisam ser atualizados12.
Este estudo justifica-se pela necessidade de compreender o fenômeno de maneira mais concreta e objetiva, permitindo que trabalhadores da saúde identifiquem atuações profissionais influenciadas pelo preconceito e discriminação de idade, reflitam sobre a interferência na produção do cuidado à saúde da população idosa e desenvolvam práticas mais inclusivas e humanizadas.
Este estudo contribui para o avanço do conhecimento científico na medida em que evidencia as atitudes e imagens que refletem o preconceito e discriminação de idade existentes nos serviços de saúde e que são perpetrados pelos profissionais, sejam elas intencionais ou não. Ademais, revela a existência do ageísmo direcionado a pessoas idosas nos serviços de saúde, identifica as repercussões para a saúde e confere visibilidade para o tema e para a necessidade de políticas de saúde que garantam a equidade no acesso a recursos que promovam qualidade de vida e saúde.
Para isso, foi utilizado como referencial teórico-metodológico o Modelo de Desenvolvimento do Conceito13, o qual tem, como primeira fase, uma revisão de escopo já publicada6. Nesta, não foram encontrados estudos de análise do conceito sobre ageísmo. A maioria dos trabalhos encontrados eram de natureza quantitativa e com finalidade mensurar o fenômeno por meio de questionários, formulários ou instrumentos validados, tampouco foram encontradas publicações que examinassem o conceito de ageísmo na realidade brasileira, o que reforça a originalidade deste estudo. Além disso, o cenário pandêmico abriu uma lacuna de conhecimento ao trazer novas facetas da discriminação de pessoas idosas, e alterando os elementos constituintes do conceito e a maneira como os profissionais da saúde compreendem e identificam o ageísmo direcionado a pessoas idosas em serviços de saúde.
Assim, o objetivo desta investigação foi desenvolver o conceito de ageísmo direcionado a pessoas idosas em serviços de saúde.
Método
Delineamento do estudo
Estudo metodológico com abordagem qualitativa, fundamentada no referencial teórico metodológico do Modelo Híbrido de Desenvolvimento de Conceito13, que prevê revisão da literatura; fase empírica, coletada em consonância com os achados teóricos e a fase analítica, com integração de ambas as fases, conforme representado na Figura 1.
Fase teórica
A fase teórica foi composta de dois momentos: uma revisão da literatura científica com a finalidade de aprofundar o tema e mapear os principais estudos, sendo realizado mediante revisão de escopo1, cujo protocolo também foi publicado14.
O segundo momento, foi a análise dos conceitos com o levantamento dos antecedentes, atributos e consequentes dos estudos identificados na revisão de escopo. Para tal, com apoio do software MAXQDA (versão 2020), os artigos foram organizados, lidos minuciosamente e codificados a partir dos antecedentes, atributos e consequentes do conceito. Foram identificados 169 códigos, que gerou um relatório qualitativo com todos os códigos e fragmentos dos textos.
A validação foi realizada mediante uma oficina de análise do conceito, com carga horária de 10 horas, com a participação de docentes mestres e doutores, discentes de pós-graduação e graduação, além de um docente com expertise na metodologia da análise de conceito. Este momento foi primordial para refinar os achados e definir os temas que, posteriormente, comporiam os elementos essenciais do conceito.
Fase empírica
A produção de dados desta fase foi realizada em um município de grande porte, no interior do Estado da Bahia, Região Nordeste do Brasil e que constitui uma cidade de relevância para a atenção à saúde da população baiana.
A escolha dos cenários de estudo ocorreu mediante a identificação dos principais contextos analisados na fase teórica, sendo eles: Três unidades de saúde da família, uma unidade de pronto atendimento, um hospital geral e público (clínicas médica, cirúrgica e unidade de terapia intensiva), uma unidade de alta complexidade em oncologia, central municipal de regulação. As pessoas idosas foram selecionadas na Universidade Aberta à Terceira Idade (UATI), por se tratar de um programa que tem uma diversidade de pessoas cadastradas (cerca de mil pessoas idosas), diversidade de nível social, econômico, de renda, cultura, raça/cor, residentes em zona rural e urbana e que utilizam os diversos serviços de saúde do município. Além disso, optou-se por não selecionar os participantes e realizar as entrevistas nos serviços para atender aos princípios éticos da pesquisa.
A negociação da entrada no campo ocorreu com a solicitação de autorização da pesquisa nos serviços de saúde, aprovação do projeto pelo comitê de ética em pesquisa com seres humanos da Universidade Estadual de Feira de Santana e agendamento do início da coleta.
A seleção dos participantes se deu de forma aleatória dentro das instituições. Como os estudos analisados na fase teórica tiveram como participantes médicos e enfermeiros, na fase empírica, esses profissionais foram priorizados para manter consonância entre as fases teórica e empírica. A pesquisadora buscou os setores definidos previamente, em dias aleatórios, para apresentar os objetivos da pesquisa e convidar para os profissionais para a participação na pesquisa. Foram agendados local, data e horário adequados para os participantes. As pessoas idosas foram informadas sobre a pesquisa pela coordenação da UATI e mediante lista dos frequentadores e dos dias, horários e locais das oficinas, eram convidados a participarem, aleatoriamente, sendo a maioria mulheres, pois elas são predominantes na UATI, em todas as oficinas. As entrevistas aconteciam durante ou após as oficinas, em uma sala reservada na universidade.
Foram incluídos médicos e enfermeiros em atuação há, pelo menos, um ano nas instituições de saúde. Pessoas idosas matriculadas na UATI e que frequentaram os serviços públicos de saúde no ano de 2022. Foram excluídos profissionais de férias ou de licença, pessoas idosas com dor, desconforto físico, instabilidade clínica ou deficiência cognitiva diagnosticada que inviabilizasse a realização da entrevista.
O número pretendido eram 30 participantes, mas ao chegar nos 27, obtivemos saturação teórica e alcance dos objetivos. Ressalta-se que no modelo híbrido de desenvolvimento do conceito é desnecessário e indesejável um grande número de participantes13.
A coleta de dados ocorreu nos meses de outubro e dezembro de 2022. A técnica foi entrevista em profundidade, cujo roteiro constava de questões sobre o que é ageísmo; percepção sobre formas de estereótipos, preconceito e discriminação; descrição de situações de ageísmo e suas possíveis causas; repercussões do ageísmo para as pessoas idosas, profissionais de saúde, serviços de saúde e sociedade como um todo; formas de prevenção e enfrentamento ao ageísmo.
O tratamento e a análise de dados foram guiados pela Análise Temática Reflexiva15, a partir dos seguintes passos:
Familiarização dos dados com a transcrição das entrevistas, organização no software, identificação através da inicial P de participante, seguida de algarismo arábico e das letras I para pessoa idosa (P _ 1 I), M para médico/a (P1_M) e E para enfermeira/o (P1_E). Posteriormente, leitura na íntegra para identificar possíveis padrões nos termos utilizados em seguida, procedeu-se à geração de códigos para os antecedentes, atributos e consequentes do conceito.
Pesquisa de temas: organização dos códigos semelhantes, agrupando-os e geração de temas provisórios.
Revisão dos temas: os temas foram discutidos por grupo de pesquisadores, validados, e passaram a compor os elementos do conceito, o que garantiu a confirmabilidade e confiabilidade dos dados. Portanto, os temas compuseram os elementos empíricos do conceito.
Interpretação dos dados empíricos consistiu nas reflexões, inferências e insights durante o processo de coleta de dados, relacionando-os com os achados da literatura científica.
Todos os aspectos éticos da pesquisa com seres humanos foram observados e o projeto foi aprovado por um Comitê de Ética em Pesquisa (CAAE 59813522.8.0000.0053).
Fase analítica?
A fase analítica compreendeu a comparação dos elementos do conceito resultantes das fases teórica e empírica, por meio de quadros comparativos e reflexões embasadas pelos referenciais teóricos subjacentes aos temas centrais oriundos dos resultados, bem como pelas contribuições dos componentes do grupo de pesquisa e posterior integração dos achados de ambas as fases.
Isto foi feito para atender aos pressupostos teóricos-metodológicos do Modelo Híbrido de Desenvolvimento do Conceito12, o qual determina o momento reservado para o exame dos achados empíricos à luz da teoria, discussão e redação dos resultados que apoiam a reformulação do conceito.
Resultados
Os achados do estudo estão organizados segundo as fases do modelo híbrido de desenvolvimento do conceito.
Fase Teórica
Os artigos que compuseram a fase teórica estão identificados com a letra A de artigo, seguido de sequência numérica e dos respectivos títulos, e estão apresentados no Quadro 1.
Os resultados da análise dos dados proporcionaram o levantamento dos elementos antecedentes, atributos e consequentes teóricos do conceito que estão descritos no Quadro 2.
Fase empírica
A fase empírica foi composta por 14 profissionais da saúde, sendo que dois foram masculinos, maioria com idade entre 30 a 39 anos. Participaram dois médicos, duas médicas, um enfermeiro e oito enfermeiras. O tempo de formação variou entre um e 26 anos. Quanto ao local de trabalho, três profissionais atuavam na Unidade de Saúde da Família, três na Unidade de Alta Complexidade em Oncologia; no Hospital Geral tivemos dois participantes na clínica médica, um na clínica cirúrgica, dois na Unidade de Terapia Intensiva; um na Unidade de Pronto Atendimento e um na Central Municipal de Regulação de Feira de Santana, com tempo de atuação no setor variando entre um e 13 anos. Do total de participantes, apenas dois não tinham pós-graduação.
Participaram 13 pessoas idosas, todas do gênero feminino, maioria de cor parda, aposentadas, com renda de um salário mínimo e com faixa etária entre 60 a 89 anos de idade. O nível de escolaridade foi em sua maioria médio completo, seguido de fundamental incompleto e analfabeto funcional.
Os principais temas identificados nos antecedentes foram cultura, conhecimento científico, trabalho, relações interpessoais. Os atributos, estereótipos, preconceitos, rotulação, desrespeito, descrédito, comunicação. Os consequentes foram discriminação, negligência, desconfiança, direitos, sentimentos, família e profissionais de saúde. Após refinados, os temas compuseram os elementos empíricos do conceito ageísmo direcionado a pessoas idosas em serviços de saúde, cujos fragmentos de falas estão descritos no Quadro 3.
Fase analítica
A integração e comparação dos elementos do conceito de ageísmo tornaram possível identificar os atributos, os antecedentes e os consequentes em suas similaridades ou diferenças, proporcionando o seu desenvolvimento direcionado a pessoas idosas em serviços de saúde, cujo conceito se encontra na Figura 2.
Discussão
Os elementos que constituem os antecedentes do ageísmo são de abrangência macroestrutural6, dentre eles está a cultura das distintas sociedades, contextos regionais e locais16 que influenciam na forma como se encara a velhice e se trata os mais velhos. Na sociedade oriental, os mais velhos são bem cuidados e respeitados; na ocidental, velhice é sinônimo de sofrimento e negatividade17. Esta cultura depreciativa que considera pessoas idosas como fardo social, desprovidos de autonomia, desvalorizados socialmente9; no âmbito institucional, remete às leis, regras, normas sociais, políticas e protocolos que restringem as oportunidades das pessoas idosas com repercussão importante na atenção prestada à saúde dessa população, além de potencializar desigualdades nos sistemas e serviços de saúde18.
A insuficiência de conhecimento científico dos profissionais da saúde sobre as bases fisiológicas do envelhecimento foi identificada como antecedente do ageísmo, visto que, quanto maior o nível de conhecimento de enfermeiros sobre a velhice, menos atitudes negativas em relação às pessoas idosas e menor preconceito de idade19. Na área oncológica, a falta de conhecimentos leva médicos a utilizarem a idade como um substituto para outras características como comorbidades e fragilidade, embora as evidências mostrem que nem sempre elas estão associadas ao envelhecimento20. Nossos achados evidenciam que o preconceito de idade é interseccionado pelo estigma da doença (câncer), o que potencializa a exclusão das pessoas a recursos de saúde que garantam mais qualidade de vida e saúde.
Pessoas mais velhas são excluídas de ensaios clínicos21, o que limita a geração de evidencias e fragiliza a atualização dos conhecimentos científicos dos profissionais. Uma análise multivariada mostrou que a bagagem de médicos sobre avaliações os influenciou a tomarem decisões importantes em favor da saúde da pessoa idosa22. Assim, a educação sobre o processo de envelhecimento e sobre os cuidados com as pessoas idosas pode contribuir para o desenvolvimento do pensamento crítico24 e para redução do preconceito e de estereótipos negativos23, especialmente para discentes que estão em formação na área da saúde25.
Associa-se a isto, a sobrecarga de trabalho, cuja pressão do tempo, cobranças por produtividade e a necessidade de priorizar a prestação de cuidados para as pessoas com demandas mais urgentes faz com que o ageísmo revele-se de forma constante nos serviços de saúde. Quando os profissionais de saúde têm tempo limitado, aumenta-se a tendência de estereotipar pessoas mais velhas e não prover cuidados necessários9, o que restringe e afeta a qualidade dos serviços oferecidos. Isto foi evidenciado tanto pelos estudos revisados quanto pela fala dos entrevistados que relataram preconceito quanto à prestação de cuidados para pessoas idosas.
Enfermeiras sentem que cuidar de pessoas mais velhas aumenta sua já alta carga de trabalho, fazendo com que, por esse motivo, o cuidado seja avaliado como um ofício de baixa prioridade26. Por conseguinte, a não prioridade das pessoas idosas para os cuidados em saúde significa que a discriminação de idade pode refletir-se na prática clínica e na tomada de decisões dos prestadores de cuidados em saúde18.
Nosso estudo identificou, na fase teórica, que a inexperiência no convívio com pessoas idosas pode anteceder o ageísmo, na medida em que pode levar à falta de empatia nas relações de trabalho, o que precipita atitudes mediadas por estresse, ansiedade, estereótipos, preconceitos, discriminação de idade e comportamentos que desconsideram os componentes afetivos e emocionais das pessoas idosas e familiares. Isto pode ser corroborado por estudos que revelam que o ageísmo cria barreiras para a interação social das pessoas idosas27 e que qualidade das relações intergeracionais pode influenciar as perspectivas dos sujeitos para com o envelhecimento e velhice19.
Os atributos do conceito tiveram um aprofundamento maior na fase teórica do que na empírica e o detalhamento dos estereótipos de idade percebido nos serviços de saúde foi maior nas entrevistas, reforçando a relevância de se debater o ageísmo dentro dos sistemas de saúde e de forma ampla28. Nosso estudo foi corroborado por outros que evidenciaram a presença de estereótipos no cuidado à saúde de pessoas idosas29, a partir da percepção de que possuem habilidades mentais diminuídas, aprendizado e memória limitados, são inúteis, intolerantes e inflexíveis, doentes ou deficientes, que a velhice é sinônimo de doença30 e que os corpos envelhecidos são feios e pouco atraentes31.
Os atributos do ageísmo direcionado a pessoas idosas, quando presentes nas instituições e serviços de saúde, causam um desequilíbrio nas relações de poder e prejudicam a dignidade, as necessidades e as oportunidades das pessoas idosas32 de recuperação, tratamento e cura33, repercutindo na equidade do acesso e na eficiência dos sistemas de saúde. Isto ocorre porque, de maneira comum, as pessoas idosas são rotuladas de doentes, incapazes, frágeis, traduzindo-se em identidade deteriorada, isolamento social e solidão que se manifesta de várias formas, como, por exemplo, na exclusão social, criando os "seres invisíveis"34 e ausência de perspectivas, levando-as uma experiência negativa na velhice35, com prejuízos para o cuidado recebido nos serviços de saúde2.
Isto pode ser evidenciado através de relatos de desrespeito aos direitos da pessoa idosa, negação do acesso a procedimentos e recursos de saúde devido à idade, baixo investimento em tecnologias de saúde que tenham por finalidade prolongar a vida. As pessoas idosas participantes deste estudo relataram dificuldades e retardos de atendimento cujo agendamentos se dão pelas centrais de regulação, especialmente, exames de média e alta complexidade, consultas especializadas e leitos hospitalares.
Os estereótipos e rótulos da velhice como doença e incapacidade geram atitudes de desrespeito à autonomia, evidenciado quando pessoas idosas são excluídas das discussões sobre seu estado de saúde e das opções de tratamento. Cuidadores e familiares, repetidamente, acreditam que pessoas idosas possuem inabilidade para entender suas circunstâncias de saúde36, bem como para analisar, decidir e assumir as consequências das decisões relativas às situações de doença, o que caracteriza um descrédito37. As incapacidades ligadas à vulnerabilidade, como doença, envelhecimento, deficiências, somam-se às infligidas pelos seres humanos, gerando assimetria de poder que culmina com dominação, intimidação, manipulação38. Mecanismos de comando da sociedade hierarquicamente fundamentada na competição estruturam a privação da potência de agir, aprisionando populações em situações e estados de vulnerabilidade.
Este tipo de conduta por parte do profissional de saúde afeta a comunicação interpessoal, fato este relatado tanto no contexto hospitalar, quanto na Atenção Primária à Saúde (APS) e podem fazê-las pensar que seu estado clínico é pior do que a realidade, levando-as a renunciarem a terapêutica adequada ou a não aderirem ao tratamento recomendado, caracterizando-se como perda do status e assimetria de poder dentro do grupo, o que é próprio de processos de estigmatização37,39,40. Outrossim, quando pessoas idosas sentem que não recebem atenção ou cuidados de saúde suficientes, ou quando desenvolvem atitudes e sentimentos negativos em relação às orientações dos profissionais de saúde, isso concorre para a desconfiança e não adesão aos tratamentos41.
A comunicação inadequada é atributo evidenciado através da infantilização, superproteção e paternalismo41,42. Sabe-se que tais práticas podem ser bem-intencionadas e motivadas por um desejo genuíno de fazer o bem, entretanto, podem privar as pessoas idosas de suas habilidades remanescentes, comprometendo seu senso de dignidade.
O desrespeito à dignidade e à privacidade das pessoas idosas foi identificado como atributos do ageísmo, por relatos de situações que violam direitos: trocar a roupa na frente de outras pessoas; não pedir licença para tocar o seu corpo; levar ao banheiro junto de outras pessoas; hospedar em enfermarias com pacientes de outro sexo43.
Descreditar as queixas, habilidades e capacidades das pessoas idosas foram atributos revelados na fase teórica e empírica. Rótulos lhes são impostos, tais como de impacientes, teimosos, melindrosos, temperamentais, insatisfeitos, solitários, incapazes de ficar sozinhos em casa e não estão abertos a inovações e dão muito trabalho para os profissionais da saúde.
Nesse sentido, o ageísmo configura-se como um tipo de estigma social, pois são atribuídas características depreciativas às pessoas que envelhecem tais como, dependência, exclusão, prejuízo de oportunidades e relação desigual de poder. Por consequente, as pessoas idosas internalizam as imagens negativas que lhes são atribuídas, que também é chamado de auto ageísmo44.
Os consequentes do conceito do ageísmo são amplos e atingem as pessoas idosas, seus familiares, os profissionais da saúde e os sistemas de saúde como um todo. Isto ocorre, pois o principal consequente é a discriminação de idade, manifestada pela negligência no cuidado, limitação no acesso aos serviços e assistência à saúde inadequada45. Estudo mostra que o ageísmo, quando emerge dos serviços e sistemas de saúde, cerceia as pessoas idosas e suas famílias do acesso a cuidados de saúde ou à hospitalização46, minimizam as oportunidades de tratamento, reabilitação e cura, e comprometem a equidade da atenção, a partir de regras e protocolos6 que consideram a idade um marcador de saúde isolado. Uma revisão sistemática mostrou que a negação de acesso a serviços e tratamentos de saúde é o aspecto mais pesquisado do ageísmo estrutural. Em 84,6% dos estudos, a idade ditou quem recebe determinados procedimentos ou tratamentos47.
O acesso limitado é uma forma de discriminação de idade que ocorre com a pessoa idosa, a qual, na maioria das vezes, não é contemplada pelas teorias de justiça distributiva. No entanto, dado o crescimento exponencial dessa população em todo o mundo, a segregação no acesso à assistência tem se acentuado, baseando-se na ideia preconceituosa de que essas pessoas utilizam mais recursos em decorrência de doenças e não contribuem tanto para o sistema de saúde, do ponto de vista socioeconômico, se comparadas aos mais jovens. Do ponto de vista bioético, o ageísmo manifesto no critério exclusivo da idade cronológica transgride o princípio da dignidade humana e o da beneficência, pois limita o acesso a medidas potencialmente benéficas à pessoa6.
Queixas de descuidado nos serviços de saúde, seja no ambiente hospitalar ou na APS, foram relatadas pelas pessoas idosas- falta de atenção e diálogo durante as consultas, ausência de acolhimento e cordialidade, impaciência dos profissionais- e repercutem para a redução da confiança das pessoas idosas nos serviços de saúde48.
Por conseguinte, surgem sentimentos de desesperança que impactam, negativamente, a qualidade de vida49, do atendimento e dos serviços oferecidos no âmbito da saúde50. Na perspectiva da APS, em que se prevê a longitudinalidade do cuidado, vínculo, acolhimento e escuta, o ageísmo resulta em piores condições de saúde e bem estar42, perpetrando iniquidades51 e violação de direitos52,53.
A estigmatização, que é um dos componentes do ageísmo, tem implicações importantes para a saúde mental54 e física das pessoas idosas10 e famílias55. No contexto hospitalar, familiares das pessoas idosas referem vigília constante à beira do leito em uma tentativa de proteger os parentes idosos hospitalizados da negligência e de maus tratos. Para isto, tentam assumir o cuidado para si, que deveria ser realizado pela equipe de enfermagem, em decorrência da perda de confiança nos serviços de saúde53. Portanto, nossos achados revelam que o ageísmo direcionado às pessoas idosas repercute na saúde dos familiares, a partir da geração de sentimentos como medo, humilhação, tristeza e desesperança, especialmente, quando envolvem doenças graves e incuráveis.
No que tange à formação dos profissionais da saúde, identificamos um desinteresse pela geriatria e gerontologia, enquanto área do conhecimento, justificado pela falta de oportunidade de desenvolvimento profissional, insatisfação pessoal, ausência de efeitos terapêuticos visíveis nos corpos de pessoas idosas e necessidade de esforço físico e cognitivo intenso durante o cuidado45, dentre outros. Estas percepções geram desapreço profissional, desinteresse pela formação na área, o que retroalimenta a escassez de conhecimento científico sobre as especificidades do envelhecimento e da velhice e dão margem a outras situações ageistas que enfraquecem os sistemas de saúde.
É basilar resgatar o valor da sociedade pela dignidade e qualidade de vida na velhice. Por outro lado, a escassez de citação da rede de apoio comunitária e de atenção institucional de proteção a esse público evidencia que a velhice frágil permanece pouco visível e sinaliza a necessidade urgente da formulação e implementação de políticas públicas que subsidiem o autocuidado, a manutenção da autonomia, o suporte e o reconhecimento desses atores sociais enquanto sujeitos de direitos e deveres57, bem como o combate às desigualdades econômicas e sociais42. Neste sentido, pensar autonomia como uma característica meramente individual seria equivocado34,58. Ela é essencialmente social, pois vincula a conquista da autonomia pessoal à inserção da pessoa no seu ambiente e pressupõe o reconhecimento mútuo desse direito, sem discriminações58.
O desenvolvimento do conceito leva a refletir sobre a necessidade de equidade na atenção à saúde das pessoas idosas e da adesão de práticas mais inclusivas e respeitosas para com essa população. Isso se refere à adequação das oportunidades de diagnóstico, tratamento, reabilitação e prevenção, e a não uniformidade nas avaliações e tratamentos. As especificidades das pessoas em seus distintos ciclos de vida devem ser levadas em consideração, resultando em mais satisfação e sucesso no alcance dos resultados desejados.
As implicações para a prática envolvem a necessidade de abordar ativamente a temática do preconceito etário dentro dos serviços de saúde, por meio de formação em saúde direcionada ao envelhecimento populacional e seus desdobramentos, ao cuidado centrado na pessoa, o qual ajuda a eliminar as percepções negativas associadas ao processo de envelhecimento e à velhice e ao exercício constante de autovigilância para evitar o ageísmo.
A prevenção e enfrentamento ao ageísmo em uma perspectiva macroestrutural envolve a criação de políticas públicas em quatro aspectos: o primeiro, criação de leis que tornem a prática do ageísmo um ato ilícito, podendo reduzi-lo desde que haja a imposição sistemática de sanções; segundo, criação e disseminação de uma norma social clara, de que o ageísmo é socialmente inadmissível e politicamente incorreto; terceiro, as políticas e leis governamentais podem contribuir para a mudança de atitudes subjacentes das pessoas, na medida em que elas precisarão conciliar as diferenças entre suas atitudes e seus comportamentos; quarto, as leis e as políticas podem aumentar a diversidade na população do entorno; criar políticas que estimulem as pessoas idosas a acessarem e usufruírem de recursos públicos e privados não somente na saúde, mas nas áreas da educação, cultura, esporte, dentre outras28.
Dentre as limitações do estudo destacamos que apenas foram selecionados serviços de saúde vinculados ao Sistema Único de Saúde e que houve um reduzido número de participantes do gênero masculino.
Conclusões
O presente estudo permitiu o desenvolvimento do conceito de ageísmo direcionado a pessoas idosas em serviços de saúde, com base na interação entre os componentes teóricos e empíricos, coletados das vivências de profissionais de saúde, bem como das próprias pessoas idosas.
O conceito revelou-se amplo e complexo, cujos elementos perpassam o cotidiano do trabalho em saúde e, algumas vezes, pode ocorrer de forma implícita. O desenvolvimento do conceito contribui para elucidar como o ageísmo se apresenta nos serviços, suas características, causas e consequência, bem como torna mais concretos os elementos que o compõem e sua manifestação nos serviços de saúde, permitindo o reconhecimento do fenômeno por parte dos profissionais de saúde, pessoas idosas, famílias, gestores e sociedade como um todo, bem como a elaboração de estratégias de enfrentamento.
Novos estudos necessitam ser realizados para analisar conceitos utilizados como sinônimos do ageísmo: idadismo e etarismo, bem como estudos empíricos que aprofundem os elementos do conceito de forma individual e explorem mais as experiências vivenciadas das pessoas idosas.
Ressalta-se que o conceito ageísmo direcionado a pessoas idosas em serviços de saúde se torna aplicável e importante para as práticas de saúde, dado os estigmas que se tem em torno da pessoa idosa.
Isto posto, faz-se necessária a realização de intervenções educativas e permanentes nos serviços de saúde que discutam o ageísmo, de forma que os profissionais de saúde adquiram conhecimentos sobre o tema, reconheçam a existência dele nos serviços de saúde e desenvolvam práticas reflexivas e de autovigilância para evitar atitudes tomadas a partir do viés exclusivo da idade, bem como atividades que melhorem a empatia por meio da encenação, da simulação e da realidade virtual. Ademais, as intervenções de contato intergeracional devem ser incluídas em todo e qualquer esforço integral para reduzir o idadismo, juntamente com as políticas, as leis e as intervenções educacionais relevantes.
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