0124/2026 - CONSTRUÇÃO CONCEITUAL NA GROUNDED THEORY: SUBSÍDIOS PARA A ELABORAÇÃO DE UM MODELO TEÓRICO FUNDAMENTADO NOS DADOS
Conceptual Construction in Grounded Theory: foundations for the Development of a Data-Grounded Theoretical Model
Autor:
• Thaiane Almeida Silva Pol - Pol, TAS - <thaiane.pol@hotmail.com>ORCID: https://orcid.org/0000-0002-2971-5937
Coautor(es):
• Karla Crozeta Figueiredo - Figueiredo, KC - <karla.crozetafigueiredo@gmail.com>ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3544-5643
• Jaqueline Dias do Nascimento Selleti - Selleti, JDN - <jaquelineddias1@hotmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-4249-4809
• Maria Manuela Martins - Martins, MM - <mmmartins1956@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-1527-9940
• Elisabete Maria Garcia Teles Nunes - Nunes, EMGT - <enunes@esel.pt>
ORCID: https://orcid.org/0000-0001-7598-0670
• Ana Paula de Morais Maia Barros - Barros, APMM - <anapaula.barros1984@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-2223-4513
Resumo:
Introdução: A cultura de segurança do paciente é um fenômeno relacional e simbólico, cuja compreensão demanda atenção às experiências e sentidos atribuídos pelos indivíduos no contexto hospitalar. Método: Este estudo teve como objetivo apresentar a construção conceitual desenvolvida em uma pesquisa qualitativa fundamentada na Teoria Fundamentada nos Dados (TFD), vertente straussiana, com codificação aberta, axial e seletiva. Resultados: Foram realizadas 17 entrevistas com profissionais da saúde em um hospital universitário público do Sul do Brasil. A análise resultou em nove conceitos teóricos, elaborados por meio da articulação entre códigos, subcategorias e categorias, representados por fluxogramas analíticos que evidenciam o encadeamento interpretativo. Conclusão: Os resultados indicam que a TFD é uma abordagem metodológica eficaz para apreender e interpretar fenômenos organizacionais complexos, permitindo a formulação de conceitos ancorados na realidade empírica e coerentes com a lógica dos dados. A clareza no percurso analítico fortalece a validade dos modelos teóricos e contribui para o avanço do conhecimento em segurança do paciente.Palavras-chave:
segurança do paciente; hospitais; teoria fundamentada.Abstract:
Introduction: The patient safety culture is a relational and symbolic phenomenon that requires understanding the experiences and meanings attributed by individuals in the hospital context. Method: This study aimed to present the conceptual construction developed in qualitative research grounded in the Grounded Theory (GT), using the Straussian approach with open, axial, and selective coding. Results: Seventeen interviews were conducted with healthcare professionals from various sectors of a public university hospital in southern Brazil. Data analysis led to the development of nine theoretical concepts, built through the articulation of axial codes, subcategories, and categories, each with specific properties and dimensions. These concepts were represented by analytical flowcharts that highlight the interpretative process developed during the investigation. Conclusion: The results show GT’s potential as a robust methodological approach to capture and interpret complex organizational phenomena, enabling the creation of concepts anchored in empirical reality and aligned with the internal logic of the data. Clear conceptual construction strengthens the validity of theoretical models and contributes to the advancement of knowledge in patient safety.Keywords:
patient safety; hospitals; grounded theory.Conteúdo:
A Portaria nº 529/20131, marco regulatório importante no Brasil, define que uma cultura de segurança do paciente (CSP) se consolida a partir de características como: a responsabilização coletiva por atitudes seguras; a priorização da segurança em detrimento de metas operacionais; a valorização da notificação de incidentes; o uso das falhas como fonte de aprendizado e a existência de estrutura e recursos para sustentar essas práticas. Essa definição alinha-se com evidências recentes que demonstram que a cultura de segurança é formada não apenas por normas e processos, mas por um ecossistema de valores, atitudes e crenças coletivamente compartilhados2,3.
A Cultura de Segurança do Paciente (CSP) é um fenômeno multifacetado, composto por atitudes, crenças e valores compartilhados que moldam os comportamentos nas organizações de saúde4. A literatura demonstra sua correlação com melhores resultados clínicos quando fatores como colaboração em equipe, comunicação sobre erros, respostas não punitivas e suporte da liderança estão presentes5,6.
O fortalecimento da CSP ocorre por meio de treinamentos, rondas de segurança e programas colaborativos, que fomentam a reflexão crítica e elevam a notificação de incidentes. Isso permite detectar falhas sistêmicas e adotar estratégias preventivas, mitigando eventos adversos.
A consolidação de uma cultura de segurança é, portanto, imprescindível para elevar os padrões da assistência. Ambientes que promovem a transparência e o diálogo entre equipes otimizam a coordenação do cuidado e aprimoram o desempenho global dos sistemas de saúde, resultando em intervenções mais seguras e eficazes7,8.
À luz das considerações expostas, os hospitais se destacam como contextos ímpares para a análise e a intervenção, na busca por compreender de que maneira a cultura de segurança do paciente é concebida e sustentada nas atividades rotineiras. Ao reconhecer a intrincada natureza desse fenômeno, o presente estudo visa expor a formulação conceitual de um modelo teórico, elaborado a partir de uma pesquisa fundamentada nos dados (TFD), sob a perspectiva straussiana. Esta pesquisa teve como foco primordial a interpretação das experiências vivenciadas por profissionais de saúde que atuam no ambiente hospitalar na construção da cultura de segurança do paciente, manifesta em nove conceitos interdependentes. A partir dessas interpretações, o estudo apresenta uma contribuição inédita ao sistematizar uma construção conceitual que, embora não configure a totalidade de um modelo teórico, serviu como base analítica e estruturante para sua formulação. Trata-se, portanto, de um aporte original que evidencia os sentidos compartilhados e os mecanismos simbólicos, relacionais e organizacionais que sustentam a cultura de segurança no cotidiano institucional.
Método
Este estudo fundamenta-se na Teoria Fundamentada nos Dados (TFD), conforme exposto por Corbin e Strauss9, destacando sua abordagem sistemática e interpretativa. A abordagem agrupa procedimentos analíticos que transitam entre as dimensões indutiva, abdutiva e dedutiva, por meio das etapas de codificação aberta, axial e seletiva. A abordagem metodológica em questão enfatiza a interação dinâmica entre teoria e empiria, levando em conta a comparação contínua entre os dados coletados e os conceitos em evolução10.
A investigação foi conduzida em uma instituição hospitalar de ensino, situada na região Sul do Brasil, amplamente reconhecida por sua função formadora e por ser uma referência na prestação de serviços de saúde. A amostra foi composta por 17 profissionais da saúde, que apresentavam vínculo ativo com a instituição por um período mínimo de 12 meses, e que atuavam em setores considerados estratégicos para o fortalecimento da cultura de segurança do paciente. Os participantes foram escolhidos por amostragem teórica, em conformidade com as diretrizes metodológicas, e foram categorizados em três grupos amostrais: GP1) profissionais atuantes nas áreas de Qualidade e Segurança; GP2) profissionais envolvidos na assistência direta; e GP3) responsáveis técnicos pelas diversas unidades. As entrevistas foram conduzidas entre setembro de 2023 e março de 2024, em formato remoto, com a devida gravação de áudio e vídeo, adotando uma abordagem exploratória a partir da questão central: “Quais atividades você desempenha em sua rotina diária que se relacionam, de forma direta ou indireta, com a Segurança do Paciente?”.
O presente artigo propõe-se a elucidar o processo de elaboração dos conceitos teóricos, fundamentando-se na análise axial e seletiva dos dados que se seguiram à etapa de codificação aberta, visando expor de que forma os conceitos emergiram, evoluíram e se interconectaram para a elaboração do modelo teórico do fenômeno “A vivência da construção da cultura de segurança do paciente no contexto hospitalar”.
Os dados brutos foram, em um primeiro momento, organizados em códigos primários, os quais representam unidades de significado associadas às experiências relatadas pelos participantes. Os códigos iniciais foram reestruturados em códigos axiais, a partir da identificação de propriedades que nortearam a elaboração de subcategorias e categorias. A codificação seletiva possibilitou a integração dessas categorias em conceitos teóricos mais abrangentes, os quais representam abstrações do fenômeno em análise. A análise foi realizada à luz do modelo paradigmático proposto por Strauss e Corbin (2015), o qual orienta a sistematização das inter-relações entre categorias por meio dos elementos analíticos: (a) Condições; (b) Ações/Interações (c) Consequências.
Os resultados são apresentados de forma a elucidar a lógica que fundamentou a emergência dos conceitos analíticos elaborados a partir dos dados empíricos, com destaque ao rigor da TFD e sua capacidade inerente na formulação de modelos interpretativos que possam ser aplicados no âmbito da segurança do paciente.
O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da instituição proponente sob o parecer de número 6.293.168 e CAAE: 72858723.2.0000.0096. Todas as diretrizes éticas pertinentes à realização de pesquisas envolvendo seres humanos foram rigorosamente observadas.
Resultados
A partir de uma análise sistemática de entrevistas com profissionais de saúde em um hospital, foram definidos nove conceitos centrais sobre a cultura de segurança do paciente. Utilizando a metodologia da Teoria Fundamentada nos Dados (TFD) de abordagem straussiana, a análise evoluiu por meio de codificação axial e seletiva. Os dados foram inicialmente organizados em códigos, depois agrupados em subcategorias por similaridade e, por fim, consolidados em categorias analíticas mais amplas. Este processo de síntese e abstração teórica resultou na formulação das nove unidades conceituais que estruturam o fenômeno estudado.
Os conceitos elaborados elucidaram uma estrutura latente da vivência dos participantes e respaldaram o modelo teórico desenvolvido, em conformidade com as relações paradigmáticas entre condições, ações/interações e consequências. A seguir, será dada especial ênfase nas fases de codificação axial e seletiva e nos processos envolvidos para a abstração conceitual.
Processo iterativo da análise axial e seletiva
O estudo derivou nove conceitos centrais a partir de um processo sistemático de análise de dados empíricos, que progrediu da identificação de códigos axiais para a formação de subcategorias e, subsequentemente, para categorias analíticas mais amplas. A análise das propriedades e dimensões de cada categoria revelou um sistema integrado onde monitoramento, investigação de incidentes e gestão estratégica se interconectam.
Para garantir a transparência metodológica, o percurso interpretativo, da experiência dos sujeitos à teoria, foi documentado em fluxogramas analíticos (disponíveis como material suplementar). O texto exemplifica o modelo paradigmático ao descrever o componente "Condição", detalhando seis subcategorias: 1) Acessando sistemas de monitoramento; 2) Monitorando indicadores de qualidade e protocolos de Segurança do Paciente; 3) Obtendo apoio da gestão nas iniciativas de Segurança do Paciente; 4) Providenciando recursos para a Segurança do Paciente; 5) Utilizando ferramentas para gerir a Segurança do Paciente; e, 6) Agrupando diferentes tecnologias.
A exposição das subcategorias condicionais intencionou evidenciar as inter-relações com as demais, pertencentes aos outros componentes do modelo paradigmático - ações/interações e consequências -, o que contribuiu significativamente para a compreensão do fenômeno em questão. As conexões foram abstraídas a partir do estabelecimento das propriedades de cada categoria, que por sua vez foram induzidas dos dados empíricos.
Para cada relação entre as categorias, um fluxo lógico foi elaborado (Figura 1).
Conforme as propriedades entre as subcategorias eram estabelecidas, as relações existentes foram se tornando evidentes e robustas para sinalizar a evolução para categorias capazes de abarcar as mesmas propriedades. A totalidade da análise, englobando os fluxogramas que ilustram a interconexão entre as subcategorias condicionais, juntamente com suas respectivas descrições, pode ser disponibilizada para consulta integral como material suplementar deste artigo.
Figura 1 - Interconexões da Subcategoria “Acessando sistemas de monitoramento”.
Abstração conceitual
Os conceitos foram extraídos por meio de sínteses interpretativas durante a fase de codificação seletiva, na qual as categorias analíticas, previamente estruturadas pela codificação axial, foram consolidadas. O material empírico foi submetido a um processo iterativo e interativo, utilizando abordagens indutivas, dedutivas e abdutivas, até alcançar um nível de teorização que permitisse a interpretação dos significados coletivamente partilhados. O objetivo da abstração conceitual foi aprofundar a compreensão dos mecanismos simbólicos, relacionais e organizacionais que sustentam a cultura de segurança. Este processo resultou na construção de nove conceitos, onde cada um corresponde a uma categoria (relação 1:1), e cada categoria, por sua vez, foi formada por duas ou três subcategorias (Figura 2).
Figura 2 - Quadro de conceitos, categorias e subcategorias abstraídos dos dados.
Fig.2
A seguir, os conceitos foram expostos de maneira articulada em relação às representações simbólicas evidenciadas pelos participantes, desvelando a complexidade e fluidez do fenômeno investigado: “A vivência da construção da cultura de segurança do paciente no contexto hospitalar”.
Conceito 1 - Alicerce Informacional
O conceito descreve a base da cultura de segurança do paciente. Este conceito postula que o monitoramento contínuo e o acesso a dados confiáveis são fundamentais para a vigilância, a tomada de decisão e a gestão de riscos.
Na prática, isso se manifesta por meio de indicadores, sistemas de notificação e painéis de gestão, que sustentam o cuidado e o aprendizado organizacional. No entanto, o conceito também reconhece desafios como a fragmentação de sistemas, a falta de interoperabilidade e a comunicação deficiente dos dados, que podem comprometer a eficácia do processo.
Finalmente, o "Alicerce Informacional" não é apenas técnico, mas também simbólico, refletindo a maturidade e o compromisso da instituição em transformar dados em práticas de segurança efetivas.
Conceito 2 - Viabilidade Institucional
O conceito refere-se às condições organizacionais que permitem traduzir as diretrizes de segurança do paciente em práticas hospitalares eficazes e sustentáveis. A sua base assenta em dois pilares: o suporte da alta administração e a disponibilização efetiva de recursos (materiais, tecnológicos e humanos).
O engajamento da gestão é crucial para superar barreiras estruturais, alocar recursos adequadamente e promover a formação profissional. No entanto, o processo pode ser limitado pela escassez de verbas, burocracia e resistência organizacional à mudança.
O conceito vai além da mera disponibilidade de recursos, enfatizando a habilidade da organização em mobilizá-los de forma estratégica, coerente e contínua. Sem um alinhamento eficaz entre planejamento, liderança e suporte operacional, a cultura de segurança permanece vulnerável, independentemente das boas intenções.
Conceito 3 - Integração Sociotécnica
O conceito, que pode também ser denominado "Malha Sociotécnica", descreve a complexa interconexão entre tecnologias, práticas e interações humanas que constitui a base das atividades diárias de segurança do paciente. Trata-se de uma rede integradora e dinâmica que vai além de sistemas informatizados e dispositivos, englobando conhecimentos, fluxos de comunicação e arranjos institucionais.
A segurança do paciente materializa-se como uma prática efetiva a partir da interconexão entre esses elementos técnicos e subjetivos. Ferramentas tecnológicas são necessárias, mas insuficientes se usadas de forma isolada. O fator fundamental é a maneira como essas tecnologias são compreendidas, apropriadas e integradas pelas equipes.
A eficácia desta malha é comprometida por desafios como a falta de interoperabilidade dos sistemas, a baixa qualificação digital dos profissionais e a utilização fragmentada das ferramentas. Portanto, a efetividade do cuidado seguro não reside apenas na qualidade das ferramentas, mas na habilidade institucional de criar conexões significativas entre todos os componentes — humanos, técnicos, simbólicos e materiais — que a integram.
Conceito 4 - Ciclo Investigativo-Responsivo
Este conceito delineia a lógica processual e institucional para transformar riscos e incidentes em aprendizado e ações efetivas. Este ciclo vai desde a notificação e investigação (como a Análise de Causa Raiz) até a implementação de respostas institucionais para corrigir falhas e prevenir a recorrência.
Este processo não é uma série de ações isoladas ou reativas, mas um ciclo contínuo de amadurecimento institucional. No entanto, enfrenta desafios como a sobrecarga de tarefas, a falta de automação e barreiras subjetivas, como o medo de punição e a falta de retorno (devolutiva) aos profissionais.
A natureza responsiva do ciclo reflete uma ética institucional que aborda os erros com seriedade e responsabilidade coletiva, em vez de ocultá-los. Para ser eficaz, o processo exige uma escuta qualificada, articulação entre setores e a legitimação das equipes de análise, concretizando o compromisso da organização com a melhoria contínua.
Conceito 5 - Comprometimento Instituinte
O conceito denota a faceta subjetiva e fundamental na construção da cultura de segurança do paciente. Ele se baseia no envolvimento ético dos profissionais com os valores e práticas do cuidado seguro, transcendendo a mera adesão a protocolos. Trata-se de uma disposição ativa para a participação, o protagonismo e a corresponsabilidade.
Este comprometimento se sustenta em três pilares interdependentes: a responsabilização Individual, que incita a incorporação da segurança como parte intrínseca da identidade profissional de cada um; o engajamento coletivo, que ocorre na promoção de interações e laços colaborativos entre as equipes multiprofissionais; capacitação institucional, que fomenta, por parte da organização, à qualificação técnica e simbólica das práticas.
O conceito enfatiza que este comprometimento não nasce de normas, mas emerge do cotidiano — das experiências, diálogos e reconhecimentos. Portanto, o "Comprometimento Instituinte" é um processo contínuo de construção e reconstrução da cultura de segurança, que não é uma condição estática, mas o resultado da atuação engajada de indivíduos que são, ao mesmo tempo, componentes da cultura existente e agentes de sua própria reinvenção.
Conceito 6 - Agenciamento da Segurança
O conceito, refere-se à função proativa e estruturante das lideranças na promoção de uma cultura de segurança do paciente. "Agenciar", neste contexto, transcende a mera gestão funcional; é um processo relacional e estratégico que visa interligar setores, harmonizar propósitos e construir a segurança de forma coletiva.
Na prática, o agenciamento envolve ações como escuta ativa, negociação, articulação de fluxos, vigilância sobre os processos e o fomento ao diálogo entre equipes. Um aspecto central é a superação de lógicas hierárquicas verticalizadas, promovendo interações horizontais e ampliando a corresponsabilização para além de papéis predefinidos.
Fundamentalmente, o agenciamento não é um atributo individual de um líder, mas uma função distribuída no coletivo. Ele atua como um catalisador na construção da cultura de segurança, pois facilita as interações entre pessoas, normas e práticas, instituindo significados, dando suporte às rotinas e impulsionando os processos éticos no cuidado ao paciente.
Conceito 7 - Tecitura Ético-Cultural
O conceito, refere-se ao entrelaçamento de valores, crenças, práticas de comunicação e relações que sustentam a cultura de segurança do paciente. Ele une as dimensões simbólica e relacional, que são continuamente reformuladas nas interações diárias entre profissionais, pacientes e a própria instituição.
Esta "tecitura" possui uma natureza dupla: é ao mesmo tempo subjetiva e coletiva, manifestando-se tanto nas práticas visíveis do cotidiano quanto nos acordos silenciosos e invisíveis que as fundamentam.
Seus pilares são: Postura ética ativa, neste contexto a ética não é vista apenas como um princípio, mas como uma atitude ativa diante da vulnerabilidade do outro. Isso se manifesta em práticas como a escuta ativa, o suporte a familiares após incidentes e a forma como a organização lida com o erro; crenças institucionais fundamentais: se refere a dimensão cultural que é sustentada por crenças que direcionam o comportamento coletivo. Princípios como "a segurança é uma responsabilidade de todos", "o erro deve ser enfrentado e não ocultado" e "a comunicação é uma forma de cuidado" são elementos constitutivos que permeiam o imaginário organizacional.
Em essência, a "Tecitura Ético-Cultural" é o processo contínuo de construção de vínculos e significados. É nela que se fundamentam a confiança, a corresponsabilidade e a legitimidade das práticas de segurança, consolidando o compromisso coletivo de que a proteção do ser humano é o objetivo central de todas as ações.
Conceito 8 - Arquitetura coletiva da Segurança
O conceito, refere-se à maneira como os atores de uma instituição constroem, sustentam e ressignificam os arranjos organizacionais para promover a cultura de segurança do paciente.
As características fundamentais desta "arquitetura" são natureza não fixa e descentralizada, ou seja, não é uma estrutura rígida, mas um processo coletivo, dinâmico e inacabado, é influenciada por práticas colaborativas, pelo compromisso das lideranças e por uma disposição contínua para diagnosticar e confrontar fragilidades.
Neste modelo, o papel da gestão é crucial. As lideranças atuam como agentes mobilizadores, e não apenas como figuras de autoridade. Sua função é articular processos, fortalecer fluxos de trabalho, integrar setores e conferir legitimidade às práticas de segurança, fomentando adesão, engajamento e corresponsabilidade.
Um componente essencial para a evolução contínua da cultura é a atenção constante às vulnerabilidades da organização, sejam elas estruturais, relacionais ou operacionais.
Em suma, a arquitetura coletiva da segurança exige um equilíbrio entre a robustez dos processos e a flexibilidade para ouvir, adaptar e mudar. Quando essa arquitetura é fruto de coautoria — ou seja, construída de forma verdadeiramente coletiva —, ela permite o estabelecimento de uma cultura de segurança autêntica, abrangente e resiliente.
Conceito 9 - Reflexividade Organizacional
O conceito refere-se à capacidade de uma instituição de identificar, analisar e gerir suas próprias vulnerabilidades — sejam elas estruturais, operacionais ou relacionais — no contexto da segurança do paciente.
As características centrais desta abordagem se baseiam em uma postura crítica e contínua, que reconhece que a segurança do paciente vai além da simples adoção de boas práticas, exigindo uma atenção constante aos limites, inconsistências e tensões internas da organização, com isso o resultado é o processo de amadurecimento institucional, a identificação de lacunas (como falhas de comunicação, sobrecarga de trabalho ou resistências internas) não é vista como um sinal de fracasso, mas como um componente essencial deste processo. Esse diagnóstico permite a criação de estratégias de fortalecimento baseadas na realidade.
A reflexividade se manifesta por meio de processos formais e informais, nos quais lideranças e equipes analisam a si mesmas. O objetivo é permitir que a instituição se perceba de maneira honesta e realista, escutando a si mesma como um sistema complexo para poder se transformar.
Em suma, a Reflexividade Organizacional não é uma atividade isolada, mas a consequência de uma cultura madura. Ela reflete um compromisso profundo com a aprendizagem contínua, a corresponsabilidade e a construção de um cuidado seguro, que nasce da honestidade de reconhecer e enfrentar as próprias vulnerabilidades.
Discussão
A presente discussão destina-se à análise dos nove conceitos que constituem o modelo teórico. Cada conceito foi analisado em sua individualidade, considerando pesquisas recentes que enriquecem a compreensão dos fatores que influenciam a formação da cultura de segurança do paciente no ambiente hospitalar.
O “Alicerce Informacional” para a Segurança destaca a centralidade da informação organizada, acessível e estrategicamente utilizada como base para a construção da cultura de segurança. A visibilidade dos processos, riscos e aprendizados só se torna possível mediante fluxos informacionais estruturados, apoiados por sistemas que sustentem a gestão do conhecimento.
De acordo com o Global Patient Safety Action Plan 2021–203011, a capacidade de detectar, monitorar e aprender com eventos adversos está diretamente relacionada à maturidade dos sistemas de informação em saúde. Dessa forma, o acesso qualificado à informação e sua integração às rotinas institucionais revelam-se não apenas como suporte técnico, mas como condição fundante para o desenvolvimento de uma cultura de segurança sensível ao risco e orientada pelo aprendizado contínuo.
A “Viabilidade Institucional” refere-se à sustentação concreta das iniciativas de segurança dentro das organizações de saúde, especialmente no que diz respeito à alocação de recursos, apoio da liderança e estabilidade da infraestrutura organizacional. A cultura de segurança não se consolida sem que existam condições materiais e institucionais que viabilizem práticas contínuas, planejadas e integradas.
Estudos recentes demonstram que ambientes hospitalares onde os profissionais percebem carência de recursos humanos, alta rotatividade e fragilidade no suporte da gestão apresentam maior vulnerabilidade a eventos adversos e menor adesão a práticas seguras12. Além disso, a literatura evidencia que o suporte institucional é um dos principais preditores da percepção positiva sobre a cultura de segurança, sendo a liderança comprometida um fator essencial para transformar valores em práticas cotidianas13. Atentar- se à viabilidade institucional emerge como um eixo estruturante da cultura de segurança, pois traduz a intenção organizacional em possibilidades reais de execução e continuidade das ações. A “Integração Sociotécnica” evidencia que a cultura de segurança do paciente não se sustenta apenas por normas, tecnologias ou práticas isoladas, mas por meio da interconexão dinâmica entre pessoas, dispositivos, rotinas, valores e políticas institucionais. Essa malha articula elementos técnicos e sociais que, juntos, moldam a percepção de risco, a capacidade de resposta e o engajamento dos sujeitos com a segurança.
A literatura aponta que ambientes hospitalares marcados por tecnologias fragmentadas, baixa interoperabilidade entre sistemas e pouca integração entre equipes técnicas tendem a apresentar barreiras significativas à consolidação da cultura de segurança14. Além disso, como destaca Reason15, a segurança deve ser entendida como produto emergente de um sistema sociotécnico adaptativo, no qual erros não são apenas falhas individuais, mas sinais de disfunções nos acoplamentos entre humanos e artefatos. Assim, ao reconhecer a complexidade dessa rede sociotécnica, evidencia-se que a cultura de segurança emerge de uma ecologia institucional viva, cujos vínculos sustentam (ou fragilizam) as possibilidades de um cuidado mais seguro.
O “Ciclo Investigativo-Responsivo” expressa a capacidade institucional de transformar eventos adversos em oportunidades de aprendizado por meio de um processo contínuo que integra notificação, análise e devolutiva crítica. Trata-se de um eixo estruturante da cultura de segurança, pois permite que falhas deixem de ser vistas como rupturas individuais e passem a ser compreendidas como sintomas de vulnerabilidades sistêmicas.
Pesquisadores evidenciaram que ambientes marcados por medo de retaliação e cultura punitiva desencorajam os profissionais a relatar erros, comprometendo a eficácia do ciclo investigativo em hospitais16. A revisão sistemática conduzida pelos autores evidenciou que a disposição dos profissionais para “falar abertamente” depende de fatores como apoio institucional, confiança na liderança e ausência de punição. Nesse sentido, a construção de um ciclo que seja, de fato, responsivo e investigativo exige condições organizacionais que favoreçam a escuta ativa, a transparência e o compromisso com o aprendizado coletivo.
O “Comprometimento Instituinte” articula o envolvimento ativo de profissionais e instituições com os valores fundantes da segurança do paciente, ultrapassando a mera adesão formal a protocolos. Ele representa o movimento pelo qual sujeitos se colocam como atores instituintes, ou seja, comprometem-se de forma consciente e propositiva com práticas seguras, a partir de valores, ética e responsabilidade coletiva. Nesse sentido, compreende-se que o desenvolvimento da cultura de segurança requer espaços de formação contínua, dinâmicas multiprofissionais e o fortalecimento do senso de responsabilidade individual e coletiva17.
A cultura organizacional passa a ser instituída na ação, quando os sujeitos se engajam na transformação cotidiana das práticas, reinterpretam normas e atribuem sentido ao cuidado seguro. Interpreta-se, portanto, que o comprometimento instituinte não é apenas uma resposta às exigências externas, mas um processo de mobilização ativa que contribui para a sustentação ética, técnica e simbólica da cultura de segurança no interior das organizações.
O “Agenciamento da Segurança” propõe uma leitura ampliada da gestão da segurança do paciente, entendendo-a como uma prática de coordenação estratégica que articula pessoas, processos, saberes e estruturas institucionais. Mais do que operacionalizar normas, o agenciamento envolve a mediação ativa entre demandas do cuidado, recursos disponíveis e decisões organizacionais, em contextos marcados por complexidade e limitação. A literatura internacional vem destacando a importância de modelos de governança clínica e organizacional baseados em confiança, inclusão e aprendizagem contínua como mecanismos centrais para sustentar ações seguras e responsivas.
De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a efetividade da governança da segurança do paciente depende da capacidade dos sistemas de saúde de promoverem ambientes que priorizem a responsabilização compartilhada e o aprendizado organizacional, afastando-se de abordagens punitivas18. Nessa mesma direção, Aiken e colaboradores13 evidenciam que a percepção de apoio da gestão e a clareza na tomada de decisão institucional são fatores associados à redução de falhas e à retenção de profissionais, elementos essenciais para consolidar a cultura de segurança efetiva.
A “Tecitura Ético-Cultural” revela que a cultura de segurança do paciente se constrói não apenas por normas formais, mas pela densa malha de significados, vínculos e crenças que atravessam o cotidiano institucional. Essa tecitura manifesta-se simultaneamente no plano visível por meio de práticas como escuta ativa, apoio a familiares de vítimas de incidentes e acolhimento pós-evento - e no plano invisível dos acordos silenciosos que orientam o cuidado e sustentam o comportamento coletivo. A ética, nesse cenário, transcende seu caráter normativo e afirma-se como postura ativa diante da vulnerabilidade alheia.
Dessa forma, a cultura de segurança emerge da convicção compartilhada de que o cuidado pode e deve ser continuamente aperfeiçoado. Crenças institucionais como “o erro deve ser enfrentado, não ocultado” ou “a comunicação é uma forma de cuidado” se consolidam no imaginário organizacional como marcos simbólicos da responsabilidade coletiva. Estudos internacionais têm reforçado que ambientes que cultivam valores éticos compartilhados, confiança e abertura emocional favorecem o engajamento das equipes, fortalecem a resiliência e reduzem o sofrimento moral19.
A “Arquitetura Coletiva” enfatiza que a cultura de segurança se sustenta em estruturas institucionais que promovem a cooperação entre diferentes níveis organizacionais e categorias profissionais. Essa arquitetura é uma configuração relacional baseada na confiança mútua, na liderança proativa e no engajamento intersetorial.
Estudos recentes demonstram que lideranças que cultivam ambientes psicologicamente seguros estimulam a participação dos profissionais na identificação e resolução de falhas, fortalecendo a cultura do aprendizado organizacional20. Além disso, a cultura de segurança é mais efetiva quando se conecta à cultura do próprio ambiente de trabalho, favorecendo a coerência entre discurso e prática21.
A análise comparada em países da OCDE também destaca que sistemas de governança colaborativa estão associados ao melhor desempenho nos indicadores de segurança, sobretudo quando os profissionais percebem espaço para atuação conjunta e valorização da sua voz institucional22.
A “Reflexividade Organizacional” traduz a capacidade institucional de analisar criticamente suas próprias práticas, reconhecer fragilidades sistêmicas e adaptar-se de forma contínua às exigências da segurança do paciente. Essa autorreflexão organizacional é fundamental para promover o aprendizado a partir de falhas e garantir que os ajustes necessários não sejam pontuais, mas estruturais e permanentes. Estudos têm demonstrado que organizações que cultivam uma cultura reflexiva tendem a apresentar maior efetividade na implementação de melhorias e maior engajamento dos profissionais com a segurança23.
A construção dessa capacidade crítica está diretamente associada à disposição da liderança em acolher feedbacks, incorporar perspectivas diversas e aprender com as vozes da linha de frente, inclusive diante de tensões institucionais ou contradições entre o discurso e a prática24. Nesse sentido, a reflexividade se posiciona como um dispositivo estratégico para sustentar transformações duradouras, conferindo à cultura de segurança um caráter dinâmico, adaptativo e comprometido com o aperfeiçoamento contínuo das práticas assistenciais e gerenciais.
Considerando que se trata de uma construção teórica contextualizada, torna-se imprescindível reconhecer tanto suas limitações quanto suas potencialidades em um horizonte de interpretação, o qual não é passível de generalizações nos moldes da pesquisa qualitativa. A presente pesquisa fundamenta-se em dados empíricos provenientes de um único hospital público e universitário, o que configura uma delimitação deliberada do escopo investigativo. Embora a profundidade das análises possibilite a apreensão de nuances significativas do fenômeno investigado, é fundamental reconhecer que a singularidade do contexto, caracterizado por particularidades institucionais, educacionais e organizacionais, pode restringir a aplicação direta dos resultados e conclusão a outras realidades.
Os resultados evidenciam, também, as vivências de profissionais de saúde associados a setores tanto assistenciais quanto estratégicos para a segurança do paciente da instituição, sem desconsiderar a possibilidade de que outras dimensões significativas da cultura de segurança possam manifestar-se em contextos variados ou por meio de profissionais com trajetórias distintas que não foram incluídos nos grupos amostrais.
Considerações finais
A construção conceitual apresentada configura-se como uma contribuição significativa para o aprofundamento na compreensão dos alicerces teóricos que embasam a vivência da construção da cultura de segurança do paciente no ambiente hospitalar, ao revelar os mecanismos simbólicos, institucionais e relacionais envolvidos neste processo. O arcabouço conceitual que emerge dos dados apresenta-se como operadores analíticos, que expressam dimensões intrínsecas às experiências vivenciadas por profissionais de saúde que atuam direta ou indiretamente com a segurança dos pacientes.
Os resultados descritos resultaram da articulação entre códigos axiais, subcategorias e categorias, compondo uma estrutura teórica robusta que serviu de base para o desenvolvimento de um modelo teórico interpretativo do fenômeno investigado. Para além de elucidar a realidade que se apresenta, os conceitos, juntos, desvelam significados coletivamente acordados, estratégias de intervenção e consequências tangíveis da cultura de segurança na rotina dos profissionais de saúde. Este processo interpretativo foi viabilizado pela orientação da Grounded Theory permitir explorar os saberes fundamentados na vivência dos indivíduos.
O objetivo deste estudo foi alcançado ao sistematizar um arcabouço conceitual, subsidiando a elaboração de um modelo teórico interpretativo do fenômeno de construção da cultura de segurança do paciente no contexto hospitalar, além de disponibilizar contribuições analíticas significativas para pesquisadores e gestores que buscam aprofundar as discussões acerca da cultura organizacional, segurança e qualidade assistencial. Espera-se que os resultados contribuam para o avanço das discussões no campo da segurança do paciente e da cultura organizacional, oferecendo subsídios para investigações futuras e estratégias institucionais de aprimoramento das práticas de cuidado.
Declaração de Disponibilidade de Dados
As fontes dos dados utilizados na pesquisa estão indicadas no corpo do artigo.
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