EN PT

Artigos

0068/2026 - Consumo alimentar de pessoas idosas hipertensas e sua relação com o excesso de peso e diabetes mellitus: Brasil, 2019
Food consumption of hypertensive older adults and its relationship with excess weight and diabetes mellitus: Brazil, 2019

Autor:

• Lidiane Barbosa Santiago - Santiago, LB - <lidisantiagonutri@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-2587-0806

Coautor(es):

• Priscila Maria Stolses Bergamo Francisco - Francisco, PMSB - , SP - <primaria@unicamp.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0001-7361-9961

• Daniela de Assumpção - Assumpção, D - <danideassumpcao@gmail.com>
ORCID: http://orcid.org/0000-0003-1813-996X



Resumo:

Avaliar o consumo alimentar de pessoas idosas brasileiras segundo presença de hipertensão arterial sistêmica (HAS) e, entre aqueles com a doença, investigar o consumo alimentar segundo excesso de peso (EP) e diabetes mellitus (DM). Estudo transversal com dados da Pesquisa Nacional de Saúde, 2019 (n=22.728). Consumo alimentar: avaliado por marcadores de alimentação saudável e não saudável; diagnóstico de HAS e DM: autorreferido; EP: classificado por Índice de Massa Corporal ?27 kg/m2. Estimaram-se prevalências e razões de prevalência utilizando regressão de Poisson. A prevalência de HAS alcançou 56,4% (IC95%:55,3;57,5). As pessoas idosas com HAS apresentaram maior frequência de consumo de frango, leite semidesnatado/desnatado e elevado consumo de sal autorreferido. Aqueles com HAS e EP tiveram menor consumo de feijão e hortaliças, alto consumo de sal e substituição de refeições por lanches. No subgrupo com HAS e DM, maior consumo de frutas, leite desnatado, bebidas dietéticas, e menor de doces, refrescos e consumo de ?5 alimentos ultraprocessados. Em conclusão, as pessoas idosas com HAS apresentaram uma alimentação que não beneficia o controle da doença, inclusive naqueles com EP, no entanto, aqueles com HAS e DM mostraram uma alimentação melhor.

Palavras-chave:

Alimentos Ultraprocessados, Diabetes mellitus, Excesso de peso, Hipertensão arterial, Saúde da Pessoa Idosa.

Abstract:

To evaluate the food consumption of Brazilian older adults according to the presence of systemic arterial hypertension (SAH) and, among the older adults with the disease, to investigate food consumption according to excess weight (EW) and diabetes mellitus (DM). A cross-sectional study using data from the 2019 National Health Survey (n=22,728). Food consumption: assessed using markers of healthy and unhealthy eating; diagnoses of SAH and DM: self-reported; EW: classified as BMI ≥27 kg/m². Prevalence ratios were estimated using Poisson regression. The prevalence of SAH was 56.4% (95%CI: 55.3; 57.5). Older adults with SAH had a higher frequencies of chicken consumption, semi-skimmed/skimmed milk and of self-reported high salt consumption. Those with both SAH and EW had a lower consumption of beans and vegetables, high salt intake and habit to replace meals with snacks. Those with SAH and DM had a greater consumption of fruits, skimmed milk, and diet drinks, along with a lower consumption of sweets, soft drinks, and ≥5 ultra-processed foods. In conclusion, older adults with hypertension had a diet that did not favor disease control, including those with EW. However, older adults with both hypertension and DM exhibited better dietary habits.

Keywords:

Ultra-processed food, Diabetes mellitus, Overweight, Hypertension, Health of the Elderly.

Conteúdo:

Introdução
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma doença crônica não transmissível (DCNT) altamente prevalente em pessoas idosas. Dados do inquérito Vigilância de Fatores de Risco para DCNT (VIGITEL) indicaram que 50,1% dos adultos mais velhos (idade entre 55 e 60 anos) e que 65,1% daqueles com idade ?65 anos referiram diagnóstico médico de HAS, atingindo mais intensamente mulheres e indivíduos com menor escolaridade1.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a HAS é considerada uma “assassina silenciosa” uma vez que, sem tratamento adequado, é um fator de risco para doenças cardiovasculares, insuficiência renal crônica, entre outras2. A HAS representa uma das principais causas de mortalidade prematura no mundo; em 2019, a pressão arterial (PA) sistólica alta foi responsável por 38% (4 milhões) das mortes de adultos com menos de 70 anos, além de 53% dos óbitos por acidente vascular cerebral e 62% por doença renal crônica2.
A coocorrência da HAS com outras DCNT, como diabetes mellitus (DM) e obesidade também é preocupante para a saúde da pessoa idosa. Estudo de base populacional com pessoas idosas brasileiras encontrou uma prevalência de 16,2% de HAS e DM3. Ao avaliar homens hipertensos de uma cidade do Rio Grande do Norte, Cavalcanti et al.4 observaram que a DM foi a comorbidade mais frequente (17,6%) entre o segmento investigado. A simultaneidade dessas doenças pode aumentar o risco de complicações vasculares e mortalidade5. Em relação ao excesso de peso (EP), estudos trazem prevalências elevadas em hipertensos6,7. O EP pode elevar a PA por meio de mecanismos que envolvem o aumento da reabsorção de sódio e da resistência vascular periférica8.
Para evitar complicações e melhorar o controle dos níveis pressóricos, recomenda-se como tratamento da HAS, o uso de medicamentos associado a mudanças no estilo de vida, tais como a adoção de uma alimentação saudável, não fumar, limitar o consumo de álcool, praticar atividade física regularmente, entre outros9. No último posicionamento da Sociedade Internacional de Hipertensão (2024), há a recomendação de que as mudanças de estilo de vida sejam utilizadas como estratégias de primeira linha para a prevenção e o controle da HAS, e que essas mudanças sejam continuadas independentemente do uso de medicamento anti-hipertensivo9.
A alimentação saudável desempenha um papel importante tanto na prevenção quanto no tratamento da HAS, principalmente quando combinada com menor ingestão de sódio2,10-12. A adesão a um padrão alimentar saudável, baseado no consumo de frutas, hortaliças, cereais integrais, laticínios com baixo teor de gordura, feijões, oleaginosas, carnes de aves e peixes, como preconizada na dieta DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension), está associada a diminuição dos níveis pressóricos em pessoas idosas com hipertensão13. Uma revisão sistemática com ensaios clínicos randomizados que investigaram os efeitos da dieta DASH na PA de adultos com e sem HAS, constatou que a dieta DASH, em relação à dieta controle, reduziu a PA sistólica e PA diastólica independentemente dos níveis basais de PA ou da realização de tratamento anti-hipertensivo, e que a diminuição foi maior nos indivíduos com menos de 50 anos e naqueles com ingestão de sódio mais alta13.
No Brasil, poucos estudos investigaram a relação entre consumo alimentar e hipertensão na população idosa7,14-16. No Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil, 2016), entre os indivíduos (idade ?50 anos) que referiram ter HAS e usar medicação anti-hipertensiva, Firmo et al.14 observaram que a contribuição relativa da alimentação para o controle dos níveis pressóricos foi muito baixa, sendo quase nula entre as mulheres. Em Pelotas/RS, Gomes et al.15 não encontraram associação entre hipertensão e padrões alimentares (saudável, composto por alimentos integrais, frutas, verduras/legumes e leite; ocidental, por doces, frituras, alimentos congelados, embutidos e fast food). Em revisão sistemática desenvolvida para analisar a associação entre o consumo de alimentos processados/ultraprocessados e HAS em adultos e pessoas idosas, constatou-se associação positiva entre o consumo de alimentos ultraprocessados e PA/HAS17.
Considerando o impacto da HAS como principal DCNT que atinge a população idosa, suas complicações, bem como o papel de destaque da alimentação no tratamento da HAS, a relevância de estudos que caracterizem os hábitos alimentares de pessoas idosas hipertensas mais detalhadamente, e que considerem o grau de processamento dos alimentos, o objetivo foi avaliar o consumo alimentar de pessoas idosas brasileiras segundo a presença de HAS e, entre aquelas com a doença, investigar o consumo alimentar de acordo com o excesso de peso e DM. O estudo contribui para o conhecimento acerca da alimentação das pessoas idosas portadoras de DCNT - hipertensão, diabetes e excesso de peso - muito frequentes nesta faixa etária, abordando o consumo de alimentos ultraprocessados, assim como para a divulgação científica na área da nutrição e envelhecimento, embasada em inquérito de abrangência e relevância nacional.

Métodos
Este é um estudo transversal de base populacional que analisou dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com o Ministério da Saúde. Os dados foram coletados por meio de questionário dividido em três partes: a primeira referente às características do domicílio, a segunda relativa aos moradores e a terceira destinada ao morador selecionado. A amostra da PNS foi constituída por procedimentos de amostragem aleatória simples, por conglomerados em três estágios: setores censitários ou conjunto de setores; domicílios; morador com 15 anos ou mais18. Mais detalhes metodológicos podem ser lidos em outras publicações18,19.
Para as análises do presente estudo, foram incluídas pessoas idosas selecionadas para a entrevista (idade ?60 anos, n= 22.728).A variável dependente do estudo foi o consumo alimentar avaliado segundo marcadores da alimentação e escore de alimentos ultraprocessados, definidos por meio da classificação NOVA, que agrupa os alimentos em categorias de acordo com a extensão e a finalidade do processamento industrial20 e que constitui a base do Guia Alimentar para a População Brasileira (GAPB)21.
Marcadores de alimentação saudável. Incluem o consumo de feijão, frutas, hortaliças, suco de frutas, leite, frango/galinha (?5 dias por semana), carne vermelha (?3 dias por semana) e peixe (?1 dia por semana). O ponto de corte para carne vermelha foi definido segundo a recomendação do GAPB21.
Marcadores de alimentação não saudável. Compreendem o consumo de refrigerantes, refrescos, tais como suco de caixinha/lata ou em pó, e doces (?3 dias por semana); consumo elevado de sal obtido da pergunta: “Considerando a comida preparada na hora e os alimentos industrializados, o(a) Sr(a) acha que o seu consumo de sal é: muito alto, alto, adequado, baixo, muito baixo”, cujas respostas, muito alto e alto, foram agrupadas; costume de substituir a refeição do almoço por lanches rápidos como sanduíches, salgados, pizzas ou cachorro quente, pelo menos uma vez na semana.
Entre os que consomem os alimentos, investigou-se quantas vezes por dia costumava comer frutas, hortaliças (?2 vezes/dia), assim como o tipo de leite (desnatado/semidesnatado vs. integral/ambos), refresco e refrigerante (dietético vs. normal).
Escore de alimentos ultraprocessados (AUP). Na PNS de 2019 foi utilizado um questionário para verificar o consumo (sim/não) de 10 grupos de AUP no dia anterior à entrevista: refrigerante; suco de fruta em caixinha/lata ou refresco em pó; bebida achocolatada ou iogurte com sabor; salgadinho de pacote ou biscoito/bolacha salgado; biscoito/bolacha doce ou recheado ou bolo de pacote; doces ou sobremesas industrializadas; embutidos; pães de pacote; margarina ou molhos industrializados; e pratos prontos ou semiprontos, como macarrão instantâneo, sopa de pacote e lasanha congelada. Para o cálculo do escore de AUP, realizou-se a soma do número de grupos de alimentos consumidos e, em seguida, a distribuição dos escores foi agrupada em 0 a 2, 3 a 4 e ?5, sendo a última categoria considerada como consumo excessivo22.
As variáveis independentes selecionadas foram: HAS, DM por meio das perguntas: “Algum médico já lhe deu o diagnóstico de hipertensão arterial (pressão alta)?”, “Algum médico já lhe deu o diagnóstico de diabetes?” (sim/não); excesso de peso (sim/não) obtido do índice de massa corporal (IMC), calculado a partir do autorrelato do peso e da estatura. Para a classificação do EP utilizou-se o ponto de corte para pessoas idosas (IMC ?27 kg/m2) adotado pelo Ministério da Saúde23; os indivíduos com baixo peso e eutrofia foram agrupados. As variáveis sexo, idade e escolaridade foram selecionadas para ajuste de confundimento.
Foram estimadas as prevalências dos marcadores de consumo alimentar segundo a presença de HAS, para o total da população estudada. Em seguida, estimaram-se, para aqueles com HAS, as prevalências de consumo alimentar de acordo com o EP e presença de DM. As diferenças entre as prevalências foram verificadas pelas razões de prevalência (RP) brutas e ajustadas e respectivos intervalos de confiança de 95% (IC95%) usando regressão de Poisson. Todos os testes consideraram nível de significância de 5%. A análise estatística foi realizada no software Stata versão 15.1, utilizando o comando "svy" que considera o delineamento amostral complexo da pesquisa.
A PNS foi aprovada pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa - CONEP, do Conselho Nacional de Saúde - CNS, em agosto de 2019 sob o número 3.529.376. Todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre Esclarecido, obedecendo a resolução 196/96 do CNS.

Resultados
Entre as pessoas idosas, a média de idade foi de 69,8 anos (IC95%: 69,7; 70,0) e a maioria eram mulheres (56,7%) e indivíduos com baixa escolaridade (63,3% sem instrução/com ensino fundamental incompleto). A prevalência de HAS autorreferida foi de 56,4% (IC95%: 55,3; 57,5), de EP 41,8% (IC95%: 40,7; 42,9) e de DM 20,8% (IC95%: 19,9; 21,7). A coocorrência de HAS e DM alcançou prevalência de 15,2% (IC95%: 14,4; 16,0) e a de HAS e EP foi de 27,4% (IC95%: 26,4; 28,4).
As pessoas idosas com HAS apresentaram maiores prevalências de consumo de frango (?5 dias/semana: RP=1,20; IC95%: 1,08; 1,32), de consumo elevado de sal autorreferido (RP=1,20; IC95% 1,02; 1,41) e de leite desnatado/semidesnatado (RP=1,20; IC95%: 1,10; 1,32) após ajuste por sexo, idade e escolaridade, quando comparados àquelas sem HAS (Tabela 1).
Entre as pessoas idosas com HAS e EP, verificou-se menor prevalência de consumo de feijão (RP=0,96; IC95%: 0,92; 0,99) e hortaliças (?2 vezes/dia: RP=0,82; IC95%: 0,75; 0,91), e maior prevalência de consumo de elevado de sal (RP=1,34; IC95%: 1,04; 1,73) e de substituição das refeições por lanches pelo menos uma vez na semana (RP=1,26; IC95%: 1,07; 1,48), quando comparados às pessoas com HAS e sem EP (Tabela 2).
Ao avaliar o consumo alimentar de pessoas idosas com HAS e DM, observou-se maior prevalência de consumo de frutas (RP=1,07; IC95%: 1,01; 1,13) e menor de refrescos (RP=0,84; IC95%: 0,70; 0,99) e doces (RP=0,67; IC95%: 0,58; 0,77), em comparação àqueles com HAS e sem diabetes. Em relação ao tipo dos alimentos consumidos diariamente, apresentaram prevalências mais elevadas de consumo de leite desnatado/semidesnatado (RP=1,50; IC95%: 1,33; 1,70), de refresco (RP=3,27; IC95%: 2,23; 4,80) e refrigerante dietético (RP=3,26; IC95%: 2,44; 4,35). Também foi verificado menor prevalência de consumo de ?5 AUP entre os indivíduos com diabetes (Tabela 3).

Discussão
Os resultados mostram que as pessoas idosas com HAS tiveram maiores prevalências de consumo de frango, leite desnatado/semidesnatado e de consumo elevado de sal autorrelatado. Entre os hipertensos com comorbidades, aqueles com EP apresentaram menores prevalências de consumo de feijão e hortaliças, e maiores de substituição de refeições por lanches e de ingestão elevada de sal; nos que tinham DM verificou-se maior prevalência de consumo de frutas, leite com redução do teor de gordura e de bebidas dietéticas, e menor prevalência de consumo de refrescos e doces, e de 5 ou mais AUP no dia prévio à entrevista.
Neste estudo, as pessoas idosas com HAS apresentaram maiores prevalências de consumo de frango (?5 dias/semana), de leite desnatado/semidesnatado, e consumo elevado de sal. Apesar de não termos encontrado estudos que tenham avaliado especificamente a relação entre HAS e o consumo de frango e leite em pessoas idosas, a ingestão desses alimentos com baixo teor de gordura saturada é recomendado pela DASH, padrão alimentar reconhecido por reduzir os níveis pressóricos em indivíduos hipertensos13. O efeito dos laticínios sobre a redução da PA pode decorrer de constituintes, como a proteína do soro do leite, minerais (cálcio, magnésio, potássio), vitaminas (K1 e K) e probióticos10. Ressalta-se a possibilidade de causalidade reversa, uma vez que o consumo de frango e leite com menor teor de gordura pode ter sido alterado após o diagnóstico de HAS e de orientações de profissionais da saúde.
O consumo elevado de sal está associado com a HAS devido ao excesso de sódio, que aumenta o volume sanguíneo e a resistência vascular, gerando sobrecarga cardíaca e o desenvolvimento de doenças cardiovasculares24, denotando que a restrição de sódio é essencial para o controle dos níveis pressóricos10. A recomendação de consumir menos sal é frequente para pessoas com HAS, e de acordo com Malta et al. 25, 87,8% dos adultos brasileiros com HAS relataram receber essa orientação de médico/outro profissional de saúde. Todavia, Villela et al.26, em estudo experimental duplo-cego em que foi realizada análise sensorial com provadores não-treinados de um centro de saúde, constataram que as pessoas idosas hipertensas tiveram maior ingestão de sal e preferência por amostras de pão mais salgadas, em comparação aos normotensos. A preferência por alimentos salgados está ligada a fatores fisiológicos, genéticos, psicológicos e mudanças naturais do desenvolvimento humano, e nas pessoas idosas, alterações no paladar causadas pelo envelhecimento reduzem a sensibilidade ao sabor salgado27.
Dentre as pessoas idosas com HAS e com EP foram observadas menores prevalências de consumo de feijão e hortaliças, e maiores de consumo elevado de sal e da substituição da refeição do almoço por lanches. O controle de peso é uma das recomendações para o tratamento não farmacológico da HAS, tendo em vista que o EP está diretamente relacionado com o aumento dos níveis pressóricos10,28. Destaca-se, porém, que no envelhecimento ocorrem mudanças na composição corporal que podem impactar diretamente a saúde, como o aumento e a redistribuição da gordura corporal29.
Nos últimos anos tem se observado uma redução nas prevalências de consumo de feijão entre as pessoas idosas brasileiras, de 71,7% (2008-2009) para 58,2% (2017-2018)30, essa diminuição pode estar relacionada a alguns fatores, como maior inclusão de AUP na rotina alimentar, falta de tempo para cozinhar, redução das áreas de cultivo, que têm sido destinadas a commodities utilizadas na produção de AUP e rações animais, resultando no aumento do preço do feijão31,32. Estudo realizado no Canadá com pessoas idosas de comunidade, encontrou como principais barreiras para o consumo de feijão, o desconforto abdominal/flatulência, a dificuldade de mastigação dos grãos e a falta de conhecimento sobre o modo de preparo33, reforçando a importância de desenvolver habilidades culinárias para a promoção da alimentação saudável. Cabe ressaltar que algumas estratégias podem ser utilizadas para aumentar a adesão ao consumo de leguminosas, como deixar os grãos de molho antes do cozimento para abreviar a cocção, melhorar a digestibilidade, evitar o desconforto intestinal e otimizar o uso de gás de cozinha, realizar o congelamento em pequenas porções, e diversificar as preparações culinárias à base de feijão11.
O baixo consumo de hortaliças também foi encontrado em estudo que avaliou a influência de hábitos alimentares no controle da PA em pessoas idosas hipertensas de um município brasileiro, obtendo frequência de 5,2%7. Para aumentar a ingestão desse grupo alimentar deve-se estimular o consumo de legumes e verduras da época (melhor custo-benefício), utilizar temperos naturais para produzir preparações culinárias mais saborosas, diversificar as técnicas de preparo, os cortes das hortaliças, utilizar o branqueamento e adequar a consistência de acordo com as necessidades do indivíduo11,34.
O consumo diário de feijão e hortaliças é recomendado pelo Protocolo de Uso do GAPB na orientação alimentar da pessoa idosa para a promoção do envelhecimento saudável, considerando que o feijão é fonte de fibras alimentares, proteínas e vitaminas e minerais, e as hortaliças ricas em vitaminas, minerais, fibras e antioxidantes, portanto, a adoção de um padrão alimentar com estes alimentos tem impacto na redução dos níveis pressóricos, na inflamação crônica de baixo grau e no alcance do peso corporal saudável10-12,35,36. O consumo de fibras alimentares diminui a PA por meio de diversos mecanismos descritos na literatura, como a modulação da sensibilidade à insulina e controle glicêmico resultante do efeito das fibras solúveis, e pela síntese de ácidos graxos de cadeia curta que exercem efeito vasodilatador ou modulador do sistema renina-angiotensina-aldosterona37.
A substituição regular de refeições por lanches faz parte de um perfil de risco para DCNT, identificado na população brasileira38. Essa prática é considerada um marcador de alimentação não saudável, tendo em vista que os lanches geralmente possuem alta densidade energética e baixa densidade nutricional, com maior quantidade de sódio, açúcar, gorduras saturadas e trans aumentando o risco de excesso de peso e surgimento de DCNT, como a HAS39.
Verificou-se que os indivíduos com hipertensão e diabetes apresentaram maior prevalência de consumo de frutas e menor de refrescos e doces. Quanto aos tipos dos alimentos, tiveram prevalências mais altas de consumo diário de leite desnatado/semidesnatado, refresco e refrigerante dietético. Também foi identificada menor prevalência de consumo de 5 ou mais AUP no dia anterior à entrevista. Outros estudos identificaram resultados semelhantes, como uma maior adesão ao consumo alimentar de frutas para hipertensos e/ou diabéticos40-42. Ao contrário deste estudo, Destri et al.40 encontraram maior consumo de doces, mas um baixo consumo de refrigerantes, em 422 indivíduos com HAS e/ou DM (64,7% eram pessoas idosas). No Estudo Saúde, Bem-estar e Envelhecimento, Dourado et al.42 observaram que o consumo de laticínios desnatados e alimentos light, diet ou zero fazia parte de um padrão alimentar definido como “modificado”, composto por alimentos recomendados no tratamento das principais DCNT que acometem as pessoas idosas, e a adesão ao padrão foi mais frequente nos que tinham maior número de doenças crônicas, indicando uma preocupação com a alimentação. Em geral, para alguns alimentos tanto saudáveis quanto não saudáveis não foi verificada associação estatística significativa com as condições investigadas. Particularmente, o mesmo consumo de refrigerante observado entre pessoas idosas com e sem diabetes, indica a necessidade de considerar os diversos fatores que determinam o consumo alimentar. Ainda, os achados observados sobre o consumo de bebidas dietéticas destacam a importância da formulação de políticas públicas e ações alinhadas ao GAPB para limitar o consumo de AUP.
Os AUP são ricos em gorduras, sódio e açúcares, possuem baixo teor de fibras alimentares e nutrientes, sua composição favorece o ganho de peso corporal e a resistência à insulina, condições que também aumentam o risco de hipertensão43. Em pessoas idosas, o consumo de AUP associou-se com obesidade, hipertensão, redução da função renal, fragilidade, dislipidemia, entre outras doenças que geram prejuízos à qualidade de vida17,44-47. O menor consumo de AUP em pessoas idosas com diabetes pode estar associado a maior exposição a orientações médicas e nutricionais que destacam a importância da alimentação saudável para o controle da glicemia e prevenção de complicações. As diretrizes para o controle da hipertensão e da glicemia estimulam o consumo de alimentos saudáveis e uma redução/restrição no consumo dos não saudáveis, como forma de tratamento e/ou prevenção de DCNT, além de favorecer o envelhecimento saudável10,12,48.
Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), para a redução do consumo de AUP é necessária a implementação de políticas fiscais, além da regulamentação da rotulagem, da promoção e publicidade desses produtos, conforme sugerido no Plano de Ação da OPAS49. Algumas ações já são realizadas pelo governo brasileiro por meio da criação e implementação do GAPB, incentivando a adoção de uma alimentação saudável baseada em alimentos in natura ou minimamente processados, a criação da nova rotulagem dos alimentos trazendo maior clareza e compreensão das informações nutricionais presentes nos rótulos dos alimentos, o projeto QualiGuia e os protocolos do Guia que qualificam os profissionais da área da saúde a usar o GAPB, e recentemente a nova composição da cesta básica que incluiu mais alimentos in natura ou minimamente processados e exclui os AUP11,21,50-52.
No Brasil, de acordo com Censo Demográfico de 2022, o contingente da população com 60 anos ou mais totalizou 15,6% (cerca de 32 milhões de indivíduos), representando um aumento de 56,0% em relação ao Censo de 201053. O envelhecimento ocorre em ritmo acelerado e diante de um contexto de pobreza e desigualdades sociais54. Dados oriundos da PNS apontam que a maioria das pessoas idosas (?65 anos) é composta por mulheres, indivíduos com baixos níveis de escolaridade e renda domiciliar55. Na velhice, as desigualdades se tornam ainda mais graves devido a diversos fatores que afetam os hábitos alimentares e o estado de saúde, como condições financeiras para comprar/acessar os alimentos; presença de limitações físicas e/ou psicológicas que impossibilitam escolher e/ou cozinhar o próprio alimento; influências culturais e do nível de escolaridade para escolha de determinados alimentos; interações medicamentosas devido à polifarmácia, entre outros56.
Como pontos fortes do estudo, destaca-se o uso de uma amostra representativa da população idosa brasileira que permite conhecer a alimentação deste segmento, investigar o consumo alimentar a partir da classificação NOVA, contribuindo para uma melhor compreensão dos hábitos alimentares. No que se refere ao processo de revisão do questionário da PNS 2019 e coleta de dados, foram seguidos procedimentos metodológicos, como discussões com o IBGE para aprimorar o fluxo de questões e a semântica do questionário; pré-teste do instrumento; validação das novas questões inseridas - por exemplo, o consumo de alimentos in natura/minimamente processados e ultraprocessados no dia anterior à entrevista - por meio de teste cognitivo, realizado em uma comunidade de baixo nível socioeconômico para avaliar a compreensão de cada questão; e a coleta dos dados, que foi realizada por uma equipe do IBGE, devidamente treinada. Portanto, no que diz respeito a estimativa do consumo alimentar, principal fragilidade do estudo, foram tomadas diversas medidas para qualificar a informação. Estudo que teve por objetivo descrever a distribuição de marcadores de consumo alimentar no Brasil de acordo com características sociodemográficas e sua evolução entre 2013 e 2019, observou que a maioria dos marcadores apresentaram resultados semelhantes aos observados na POF 2017-2018, que obteve informações por meio de recordatório de 24 horas57. Também é importante ressaltar que, embora a hipertensão afete parcela significativa de pessoas idosas, há uma escassez de estudos sobre o consumo alimentar daquelas hipertensas, que pode ter implicações diretas na promoção de hábitos saudáveis nessa população.
Quanto às limitações do estudo, deve-se considerar o viés de memória, que pode afetar a precisão na avaliação da frequência de consumo dos alimentos, e o uso de marcadores de consumo alimentar que, embora sejam bons indicadores dos padrões alimentares, não fornecem estimativas acuradas de ingestão, portanto os resultados não podem ser comparados a outros estudos de padrão alimentar que avaliaram o consumo também quantitativamente. O desenho transversal da pesquisa não permite inferir sobre causalidade, pois a relação temporal entre hipertensão e hábitos alimentares não foi investigada.
Os resultados revelam um panorama preocupante sobre a saúde das pessoas idosas estudadas, mostrando que apesar da elevada prevalência de HAS, o consumo alimentar apresentou características negativas que prejudicam o controle da doença (consumo em excesso de sal, a substituição de refeições por lanches e consumo elevado de AUP), mesmo naqueles com excesso de peso. No entanto, observou-se uma melhora da alimentação para aqueles com HAS e DM.
Os achados indicam que, apesar das orientações nutricionais serem amplamente conhecidas, há barreiras significativas na adesão a hábitos saudáveis e isso pode estar relacionado à baixa escolaridade, como visto na população estudada, além de fatores culturais, econômicos e sociais que limitam o acesso a alimentos adequados ou dificultam a mudança do comportamento alimentar. Os resultados trazem uma contribuição importante ao reforçar que, além de fornecer orientações adaptadas à realidade do indivíduo, a alimentação saudável requer a intensificação das ações de educação e das propostas de regulação e sobretaxação de alimentos ultraprocessados.


Referências

1. Brasil. Ministério da Saúde (MS). Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Análise em Saúde e Vigilância de Doenças não Transmissíveis. Vigitel Brasil 2023: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico: estimativas sobre frequência e distribuição sociodemográfica de fatores de risco e proteção para doenças crônicas nas capitais dos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal em 2023. Brasília: MS; 2023.
2. World Health Organization (WHO). Global report on hypertension: the race against a silent killer. Geneva: WHO; 2023.
3. Francisco PMSB, Segri NJ, Borim FSA, Malta DC. Prevalência simultânea de hipertensão e diabetes em idosos brasileiros: desigualdades individuais e contextuais. Cien Saude Colet 2018; 23(11):3829-3840
4. Cavalcanti MVA, Oliveira LPBA, Medeiros ACQ, Távora RCO. Hábitos de vida de homens idosos hipertensos. Rev Gaúcha Enferm 2019; 40:e20180115.
5. Yildiz M, Esenbo?a K, Oktay AA. Hypertension and diabetes mellitus: highlights of a complex relationship. Curr Opin Cardiol 2020; 35(4):397-404
6. Nascimento LL, Bezerra MS, Barbosa SS, Oliveira GLR, Marchioni DML, Roncalli AG, Lyra CO, Lima SCVC. Associação entre hipertensão arterial sistêmica e indicadores antropométricos em idosos do estudo Brazuca. Rev. Ciênc. Plural 2023; 9(1):1-15.
7. Reis MLC, Costa LL, Costa MCP, Campos FF, Guedes GR, Dias CA. Influência de hábitos alimentares e aspectos sociodemográficos no controle da pressão arterial sistêmica de idosos hipertensos, por gênero. Demetra 2022; 17:e60347.
8. Cunha CLP da. Hipertensão Induzida pela Obesidade. Arq Bras Cardiol 2023; 120(7):e20230391.
9. Charchar FJ, Prestes PR, Mills C, Ching SM, Neupane D, Marques FZ, Sharman JE, Vogt L, Burrell LM, Korostovtseva L, Zec M, Patil M, Schultz MG, Wallen MP, Renna NF, Islam SMS, Hiremath S, Gyeltshen T, Chia YC, Gupta A, Schutte AE, Klein B, Borghi C, Browning CJ, Czesnikiewicz-Guzik M, Lee HY, Itoh H, Miura K, Brunström M, Campbell NRC, Akinnibossun OA, Veerabhadrappa P, Wainford RD, Kruger R, Thomas SA, Komori T, Ralapanawa U, Cornelissen VA, Kapil V, Li Y, Zhang Y, Jafar TH, Khan N, Williams B, Stergiou G, Tomaszewski M. Lifestyle management of hypertension: International Society of Hypertension position paper endorsed by the World Hypertension League and European Society of Hypertension. J Hypertens 2024; 42(1):23-49.
10. Barroso WKS, Rodrigues CIS, Bortolotto LA, Mota-Gomes MA, Brandão AA, Feitosa ADM, Machado CA, Poli-de-Figueiredo CE, Amodeo C, Mion Júnior D, Barbosa ECD, Nobre F, Guimarães ICB, Vilela-Martin JF, Yugar-Toledo JC, Magalhães MEC, Neves MFT, Jardim PCBV, Miranda RD, Póvoa RMS, Fuchs SC, Alessi A, Lucena AJG, Avezum A, Sousa ALL, Pio-Abreu A, Sposito AC, Pierin AMG, Paiva AMG, Spinelli ACS, Nogueira AR, Dinamarco N, Eibel B, Forjaz CLM, Zanini CRO, Souza CB, Souza DSM, Nilson EAF, Costa EFA, Freitas EV, Duarte ER, Muxfeldt ES, Lima Júnior E, Campana EMG, Cesarino EJ, Marques F, Argenta F, Consolim-Colombo FM, Baptista FS, Almeida FA, Borelli FAO, Fuchs FD, Plavnik FL, Salles GF, Feitosa GS, Silva GV, Guerra GM, Moreno Júnior H, Finimundi HC, Back IC, Oliveira Filho JB, Gemelli JR, Mill JG, Ribeiro JM, Lotaif LAD, Costa LS, Magalhães LBNC, Drager LF, Martin LC, Scala LCN, Almeida MQ, Gowdak MMG, Klein MRST, Malachias MVB, Kuschnir MCC, Pinheiro ME, Borba MHE, Moreira Filho O, Passarelli Júnior O, Coelho OR, Vitorino PVO, Ribeiro Junior RM, Esporcatte R, Franco R, Pedrosa R, Mulinari RA, Paula RB, Okawa RTP, Rosa RF, Amaral SL, Ferreira-Filho SR, Kaiser SE, Jardim TSV, Guimarães V, Koch VH, Oigman W, Nadruz W. Diretrizes brasileiras de hipertensão arterial – 2020. Arq. Bras. Cardiol. 2021; 116(3):516-658.
11. Brasil. Ministério da Saúde (MS), Universidade de São Paulo. Fascículo 2 Protocolos de uso do Guia Alimentar para a população brasileira na orientação alimentar da população idosa [recurso eletrônico]. Brasília: MS, 2021.
12. Brasil. Ministério da Saúde (MS), Secretaria de Atenção Primária à Saúde, Universidade de Brasília Orientação alimentar de pessoas adultas com obesidade, hipertensão arterial e diabetes mellitus: bases teóricas e metodológicas]. Brasília: MS, 2022.
13. Filippou CD, Tsioufis CP, Thomopoulos CG, Mihas CC, Dimitriadis KS, Sotiropoulou LI, Chrysochoou CA, Nihoyannopoulos PI, Tousoulis DM. Dietary Approaches to Stop Hypertension (DASH) Diet and Blood Pressure Reduction in Adults with and without Hypertension: A Systematic Review and Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials. Adv Nutr 2020; 11(5):1150-1160.
14. Firmo JOA, Peixoto SV, Loyola Filho AI de, Souza-Júnior PRB de, Andrade FB de, Lima-Costa MF, Mambrini JVde M. Comportamentos em saúde e o controle da hipertensão arterial: resultados do ELSI-BRASIL. Cad Saúde Pública 2019;35(7):e00091018.
15. Gomes AP, Bierhals IO, Vieira LS, Soares ALG, Flores TR, Assunção MCF, Gonçalves, H. Padrões alimentares de idosos e seus determinantes: estudo de base populacional no sul do Brasil. Cien Saude Colet 2020; 25(6):1999–2008.
16. Teixeira JF, Goulart MR, Busnello FM, Pellanda LC Hypertensives' Knowledge About High-Sodium Foods and Their Behavior. Arq. Bras. Cardiol. 2016; 106(5): 404–410.
17. Barbosa SS, Sousa LCM, de Oliveira Silva DF, Pimentel JB, Evangelista KCMS, Lyra CO, Lopes MMGD, Lima SCVC. A Systematic Review on Processed/Ultra-Processed Foods and Arterial Hypertension in Adults and Older People. Nutrients 2022; 14(6):1215.
18. Stopa SR, Szwarcwald CL, Oliveira MM de, Gouvea E de CDP, Vieira MLFP, Freitas MPS de, Sardinha LMV, Macário EM. Pesquisa Nacional de Saúde 2019: histórico, métodos e perspectivas. Epidemiol Serv Saúde 2020; 29(5):e2020315.
19. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Coordenação de Trabalho e Rendimento. Pesquisa nacional de saúde 2019: percepção do estado de saúde, estilos de vida, doenças crônicas e saúde bucal: Brasil e grandes regiões. Rio de Janeiro: IBGE, 2020.
20. Monteiro CA., Levy RB, Claro RM, Castro IRRD, Cannon G. Uma nova classificação de alimentos baseada na extensão e propósito do seu processamento. Cad Saúde Pública 2010; 26:2039-2049.
21. Brasil. Ministério da Saúde (MS). Guia Alimentar para a População Brasileira. 2ªed. Brasília: MS, 2014
22. Costa CDS, Faria FR, Gabe KT, Sattamini IF, Khandpur N, Leite FHM, Steele EM, Louzada MLDC, Levy RB, Monteiro CA. Nova score for the consumption of ultra-processed foods: description and performance evaluation in Brazil. Rev Saude Publica 2021; 55:13.
23. Brasil. Ministério da Saúde (MS). Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Orientações para coleta e análise de dados antropométricos em serviços de saúde: norma técnica do sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional - SISVAN. Brasília: MS, 2011.
24. Aung K, Ream-Winnick S, Lane M, Akinlusi I, Shi T, Htay T. Sodium Homeostasis and Hypertension. Curr. Cardiol. Rep. 2023; 25:1123–1129.
25. Malta DC, Oliveira TP, Santos MAS, Andrade SSC de A, Silva MMA da. Avanços do Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas não Transmissíveis no Brasil, 2011-2015. Epidemiol Serv Saúde 2016; 25(2):373–90.
26. Villela PTM, de-Oliveira EB, Villela PTM, Bonardi JMT, Bertani RF, Moriguti JC, Ferriolli E, Lima NKC. Salt Preference is Linked to Hypertension and not to Aging. Arq. Bras. Cardiol. 2019; 113(3):392–399.
27. Amodeo C. Salt Appetite and Aging. Arq. Bras. Cardiol. 2019; 113(3):400.
28. Zhang W, He K, Zhao H, Hu X, Yin C, Zhao X, Shi S. Association of body mass index and waist circumference with high blood pressure in older adults. BMC Geriatr 2021:21, 260.
29. Ponti F, Santoro A, Mercatelli D, Gasperini C, Conte M, Martucci M, Sangiorgi L, Franceschi C, Bazzocchi A. Aging and Imaging Assessment of Body Composition: From Fat to Facts. Front Endocrinol (Lausanne) 2020; 10:861.
30. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Coordenação de Trabalho e Rendimento. Pesquisa de orçamentos familiares 2017-2018: análise do consumo alimentar pessoal no Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, 2020.
31. Levy RB, Andrade GC, da Cruz GL, Rauber F, Louzada MLC, Claro RM, Monteiro CA. Três décadas da disponibilidade domiciliar de alimentos segundo a NOVA – Brasil, 1987–2018. Rev Saude Publica 2022; 56:75.
32. Granado FS, Maia EG, Mendes LL, Claro RM. Reduction of traditional food consumption in Brazilian diet: trends and forecasting of bean consumption (2007–2030). Public Health Nutr 2020; 24(6):1185-1192.
33. Doma KM, Farrell EL, Leith-Bailey ER, Soucier VD, Duncan AM. Motivators, Barriers and Other Factors Related to Bean Consumption in Older Adults. J Nutr Gerontol Geriatr 2019; 38(4):397-413.
34. Domene, SMA. Técnica dietética: teoria e aplicações. In: Domene, SMA (autora). Técnica dietética: teoria e aplicações. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 2011. p. 249.
35. Pepe RB, Lottenberg AM, Fujiwara CTH, Beyruti M, Cintra DE, Machado RM, Rodrigues A, Jensen NSO, Caldas APS, Fernandes AE, Rossoni C, Mattos F, Motarelli JHF, Bressan J, Saldanha J, Beda LMM, Lavrador MSF, Del Bosco M, Cruz P, Correia PE, Maximino P, Pereira S, Faria SL, Piovacari SMF. Position statement on nutrition therapy for overweight and obesity: nutrition department of the Brazilian association for the study of obesity and metabolic syndrome (ABESO-2022). Diabetol Metab Syndr 2023; 15(1):124.
36. Di Giosia P, Stamerra CA, Giorgini P, Jamialahamdi T, Butler AE, Sahebkar A. The role of nutrition in inflammaging. Ageing Res Rev 2022; 77:101596.
37. Tejani VN, Dhillon SS, Damarlapally N, Usman NUB, Winson T, Roy PB, Panjiyar BK. The relationship between dietary fiber intake and blood pressure worldwide: a systematic review. Cureus 2023; 15(9):e46116.
38. Pereira IF da S, Gonzaga MR, Lyra C de O. Indicador multidimensional de fatores de risco relacionados ao estilo de vida: aplicação do método Grade of Membership. Cad Saude Publica 2019; 35(6):e00124718.
39. Gombi-Vaca MF, Martinez-Steele E, Andrade GC, Louzada MLDC, Levy RB. Association between ultra-processed food and snacking behavior in Brazil. Eur J Nutr 2024;63(4):1177-1186.
40. Destri K, Zanini R de V, Assunção MCF. Prevalência de consumo alimentar entre hipertensos e diabéticos na cidade de Nova Boa Vista, Rio Grande do Sul, Brasil, 2013*. Epidemiol. Serv. Saúde 2017; 26(4):857–868.
41. Torres RC, PHSF Sousa, Silva MML, Mota MM, Jesus AP, Silva MA. Perfil de idosos hipertensos e diabéticos de um municí¬pio de Sergipe. SaudColetiv (Barueri) 2020; 10(59):4376-87.
42. Dourado DAQS, Marucci M de FN, Roediger M de A, Duarte YA de O. Dietary patterns of elderly persons from the city of São Paulo: evidence from the SABE (Health, Wellbeing and Aging) survey. Rev Bras Geriatr Gerontol 2018; 21(6):731–42.
43. Monteiro CA, Cannon G, Moubarac JC, Levy RB, Louzada MLC, Jaime PC. The UN Decade of Nutrition, the NOVA food classification and the trouble with ultra-processing. Public Health Nutr 2018; 21(1):5-17.
44. Sandoval-Insausti H, Jiménez-Onsurbe M, Donat-Vargas C, Rey-García J, Banegas JR, Rodríguez-Artalejo F, Guallar-Castillón P. Ultra-Processed Food Consumption Is Associated with Abdominal Obesity: A Prospective Cohort Study in Older Adults. Nutrients 2020; 12(8):2368.
45. Sandoval-Insausti H, Blanco-Rojo R, Graciani A, López-García E, Moreno-Franco B, Laclaustra M, Donat-Vargas C, Ordovás JM, Rodríguez-Artalejo F, Guallar-Castillón P. Ultra-processed Food Consumption and Incident Frailty: A Prospective Cohort Study of Older Adults. J Gerontol A Biol Sci Med Sci 2020; 75(6):1126-1133.
46. Donat-Vargas C, Sandoval-Insausti H, Rey-García J, Moreno-Franco B, Åkesson A, Banegas JR, Rodríguez-Artalejo F, Guallar-Castillón P. High Consumption of Ultra-Processed Food is Associated with Incident Dyslipidemia: A Prospective Study of Older Adults. J Nutr 2021; 151(8):2390-2398.
47. Rey-García J, Donat-Vargas C, Sandoval-Insausti H, Bayan-Bravo A, Moreno-Franco B, Banegas JR, Rodríguez-Artalejo F, Guallar-Castillón P. Ultra-Processed Food Consumption is Associated with Renal Function Decline in Older Adults: A Prospective Cohort Study. Nutrients 2021; 13(2):428.
48. Ramos S, Campos LF, Baptista DR, Strufaldi M, Gomes DL, Guimarães DB, Souto DL, Marques M, Sousa SSS, Campos TF. Terapia nutricional no pré-diabetes e no diabetes mellitus tipo 2. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes, 2023.
49. Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Alimentos e bebidas ultraprocessados na América Latina: tendências, efeito na obesidade e implicações para políticas públicas. Brasília, DF: OPAS; 2018.
50. Brasil. Ministério da Saúde, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Diretoria Colegiada. Dispõe sobre a rotulagem nutricional dos alimentos embalados. Diário Oficial da União 2020; 9 out.
51. Brasil. Portaria Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome nº 966, de 6 de março de 2024. Define a relação, não exaustiva, de alimentos que podem compor a Cesta Básica de Alimentos de acordo com os grupos alimentares. Diário Oficial da União 2024; 6 mar.
52. Nupens/USP. QualiGuia já está disponível: conheça o curso sobre os protocolos de uso do Guia Alimentar. 2024. [acessado 2024 20 nov]. Disponível em:https://www.fsp.usp.br/nupens/qualiguia-ja-esta-disponivel-conheca-o-curso-sobre-os-protocolos-de-uso-do-guia-alimentar/
53. Agência IBGE Notícias. Censo 2022: número de pessoas com 65 anos ou mais de idade cresceu 57,4% em 12 anos. 2023. [acessado 2025 2 jul]. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/38186-censo-2022-numero-de-pessoas-com-65-anos-ou-mais-de-idade-cresceu-57-4-em-12-anos
54. Barros MBA, Goldbaum M. Desafios do envelhecimento em contexto de desigualdade social. Rev Saude Publica 2018; 52 Supl 2:1s.
55. Oliveira BLCA, Pinheiro AKB. Mudanças nos comportamentos de saúde em idosos brasileiros: dados das Pesquisa Nacional de Saúde 2013 e 2019. Cien Saude Colet 2023; 28(11):3111-3122.
56. Leslie W, Hankey C. Aging, Nutritional Status and Health. Healthcare 2015; 3:648-658.
57. Santin F, Gabe KT, Levy RB, Jaime PC. Food consumption markers and associated factors in Brazil: distribution and evolution, Brazilian National Health Survey, 2013 and 2019. Cad Saúde Pública 2022; 38 Sup 1:e00118821.





Outros idiomas:







Como

Citar

Santiago, LB, Francisco, PMSB, Assumpção, D. Consumo alimentar de pessoas idosas hipertensas e sua relação com o excesso de peso e diabetes mellitus: Brasil, 2019. Cien Saude Colet [periódico na internet] (2026/mar). [Citado em 25/03/2026]. Está disponível em: http://cienciaesaudecoletiva.com.br/artigos/consumo-alimentar-de-pessoas-idosas-hipertensas-e-sua-relacao-com-o-excesso-de-peso-e-diabetes-mellitus-brasil-2019/19966?id=19966&id=19966

Últimos

Artigos



Realização



Patrocínio