0023/2026 - “Mercadores da dúvida” e politização vacinal: Brasil em tempos de pandemia
“Merchants of doubt” and vaccine politicization: Brazil in times of pandemic
Autor:
• Vanessa Moreira Sígolo - Sígolo, VM - <vanessa.sigolo@unifesp.br>ORCID: https://orcid.org/0000-0002-0011-1742
Coautor(es):
• Jade Percassi de Carvalho - Carvalho, JP - <jade@alumni.usp.br>ORCID: https://orcid.org/0009-0004-2050-3091
• Pedro Fiori Arantes - Arantes, PF - <pedro.arantes@unifesp.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-6652-294X
• Soraya Soubhi Smaili - Smaili, SS - <ssmaili@unifesp.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5844-1368
• Débora Foguel - Foguel, D - <foguel@bioqmed.ufrj.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0001-7312-7115
• Karinne Marieta - Marieta, K - <karinnemarieta@gmail.com>
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-1611-8498
• Mauricio Moura - Moura, M - <mjmoura@gwmail.gwu.edu>
ORCID: http://orcid.org/0009-0009-6148-7944
• Arthur Chioro - Chioro, A - <arthur.chioro@unifesp.br>
ORCID: https://orcid.org/0000-0001-7184-2342
Resumo:
O artigo analisa os impactos de discursos antivacina na percepção pública brasileira no pós-pandemia. A hesitação vacinal esteve associada a fatores que em grande medida se relacionam à baixa escolaridade e renda, como o acesso à informação. Em pesquisas de opinião pública feitas em 2021 e 2023, pelo Centro SoU_Ciência (Unifesp), com o Instituto Ideia (compondo uma série de levantamentos sobre ciência e universidade pública), analisamos os segmentos mais afetados por discursos antivacina. Observamos que, somado aos fatores citados, o atual crescimento da hesitação vacinal tem características novas, decorrentes de impactos da ação de “mercadores da dúvida”. Relacionamos a análise com exemplos coletados em estudo sobre desinformação na pandemia, também realizado no Centro, com evidências da atuação de um sistema na disseminação de discursos antivacina no país. Como resultado, identificamos significativas polarizações na opinião pública de segmentos com distintas posições políticas, religiosas e níveis educacionais, compondo um quadro de politização vacinal, que põe em risco históricas conquistas do Programa Nacional de Imunização. Todavia, o estudo apresenta convergências importantes, que contribuem para enfrentar negacionismos e fortalecer a democracia e a saúde coletiva na atualidade.Palavras-chave:
vacinas, opinião pública, negação da informação, pandemias, COVID-19Abstract:
The article analyzes the impacts of anti-vaccine discourses on Brazilian public perception in the post-pandemic. Vaccine hesitancy was associated with factors that are largely related to low education and income, such as lack of access to information. In public opinion surveys, conducted in 2021 and 2023 by the SoU_Ciência Center (Unifesp), with Instituto Ideia (comprising a series of surveys on science and public university), we analyzed the segments most affected by anti-vaccine discourses. We observed that, combined with the aforementioned factors, the current rise in vaccine hesitancy has new characteristics, resulting from the impacts of the actions of “merchants of doubt”. We relate the analysis to examples collected in a study on disinformation during the pandemic, also conducted by the Center, with evidence of the role of a system in disseminating anti-vaccine discourses in the country. As a result, we identified significant polarizations in public opinion among segments with different political, religious, and educational backgrounds, creating a framework of vaccine politization that put at risk the historic achievements of the National Immunization Program. However, the study also presents important convergences that contribute to confronting denialisms, and straightening democracy and collective health today.Keywords:
vaccines, public opinion, information avoidance, pandemics, COVID-19Conteúdo:
A conjuntura global, com a somatória de crises e eventos climáticos extremos, indica risco de ocorrências mais frequentes de emergências sanitárias internacionais, que podem se expressar em novas pandemias, como alertam cientistas há anos1. O Brasil enfrentou a crise da covid-19 com o governo federal e vários agentes públicos e privados atuando na disseminação de informações enganosas sobre riscos, formas de prevenção e tratamento. Consensos científicos e orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e a eficácia das vacinas foram desconsiderados na ação do governo federal e de aliados políticos. A má conduta desses agentes, muitas vezes de caráter criminoso, aprofundou a tragédia no país, atingindo especialmente populações mais vulnerabilizadas2,3,4.
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia apontou diversas omissões e crimes cometidos no período, que ainda devem ser julgados5. Há processos em busca de responsabilização, reparação e justiça, como os ajuizados pela Associação de Vítimas e Familiares de Vítimas da Covid-19 (Avico). A denúncia, julgamento e condenação da condução criminosa, envolvendo dirigentes do governo federal e outros agentes públicos e privados, bem como a indenização de vítimas e ações de justiça, reparação e memória são fundamentais para a ainda frágil e limitada democracia brasileira.
A conduta negacionista do governo teve impacto direto, inclusive quando a vacina já estava disponível, mas não foi providenciada à população. Estudos da Oxfam Brasil6, artigo da The Lancet7 e o Relatório da CPI8 apontam que entre 120 e 400 mil mortes poderiam ter sido evitadas se o governo federal tivesse adotado a gestão adequada na emergência sanitária.
Diversas forças políticas se uniram, em outubro de 2022, para derrotar nas urnas o então presidente, declaradamente negacionista, antivacina e defensor de medicamentos sem eficácia comprovada9. O resultado do pleito foi alcançado, ainda que com margem estreita, por grande mobilização em defesa da vida. Estudos avaliam que a derrota de Bolsonaro se deu, sobretudo, pela má condução da pandemia10. Com a queda de confiança da população na presidência, emergiu uma “onda pró-ciência”, retratada em estudo anterior, que mostrou crescimento inédito na confiança em cientistas e no interesse por ciência no país, superando o teto histórico de 60% e atingindo 82% da população11.
A reconstrução do país, após o desmonte de políticas, os ataques a direitos, ciência e universidades, entre outros retrocessos sociais e ambientais, não ocorre da noite para o dia. Como apontam estudos, o bolsonarismo sobrevive àquele que dá nome ao fenômeno, e segue mobilizado, com pautas, narrativas e formas de disputa ideológica. Negacionismos, fake science e o conjunto de matrizes discursivas, gramáticas comuns e condições afetivas e sociais que dão substância à extrema direita ainda encontram plenas condições para seguir disseminando-se na sociedade brasileira. As reeleições de Trump, Putin, Modi, Orban, Erdogan e a eleição de Milei fortalecem a dimensão internacional do fenômeno12,13,14,15.
Em pesquisa sobre negacionismo científico no Brasil, no Centro SoU_Ciência da Unifesp, analisamos mais de 250 declarações com conteúdo falso, disseminadas por agentes públicos e privados, sobre temas relacionados à pandemia. Visando organizar o material para consulta pública, criamos um repositório digital16 com discursos e condutas que evidenciam a existência de um sistema17 no qual um conjunto de instituições e agentes atuou de forma consideravelmente articulada e coordenada, usando a grave crise sanitária e social para impor narrativas e condutas, incidindo de forma desigual e deliberada sobre o risco de morte de segmentos da população, ampliando seu poder político e econômico. Tal rede de interesses, relações e ações determinou que parcelas da população teriam maior probabilidade de morrer, por estarem mais expostas ao vírus, contrapondo orientações científicas, recomendações da OMS, direitos humanos e princípios democráticos, resultando em crimes contra a humanidade, como indica o Relatório da CPI da Pandemia8.
Os dados da pesquisa, publicados no Acervo da Pandemia de Covid-1916, indicam que uma política de morte18, conduzida pelo governo Bolsonaro, praticou e disseminou más condutas, desinformação e discursos enganosos e manipulados à população, em ação orquestrada com o Ministério da Saúde, o chamado ‘gabinete paralelo’ e também militares, pastores, comunicadores, empresários da saúde, governos locais, entidades, conselhos e organizações médicas, com conexões internacionais. A impunidade, com omissões da Procuradoria Geral da República (PGR) e de setores da Justiça, permitiu que a atuação criminosa seguisse incólume por mais de dois anos de pandemia até as eleições de 2022, quando eleitores encerram o mandato do presidente. A propagação de falsas informações sobre riscos de contágio e morte, uso de máscaras, isolamento social, tratamentos ineficazes e sem evidência científica, e a disseminação de supostos perigos das vacinas, teorias conspiratórias e difamatórias sobre a OMS, cientistas, institutos e universidades, são exemplos das evidências catalogadas. Sobre a vacinação, o Acervo traz evidências de que, além das ações e omissões do governo Bolsonaro, atrasando a disponibilização de vacinas, houve a massiva disseminação de desinformação19,20.
Na pesquisa ora apresentada, investigamos indícios de que os questionamentos da confiabilidade das vacinas, propagados por agentes da desinformação, geraram impactos na opinião pública mais duradouros que a pandemia, impondo riscos à saúde coletiva e graves retrocessos ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) e sua cobertura vacinal. Para isso, analisamos os dados coletados em pesquisas do SoU_Ciência (2021-2023) sobre a percepção da população sobre vacinação no Brasil, partindo de duas perguntas: A disseminação de discursos antivacina e desinformação na pandemia contribuiu para gerar incertezas, desconfianças e hesitação vacinal na população? Quais segmentos sociais foram mais afetados e expressam menor adesão à vacinação na atualidade e por quais motivos?
A hesitação vacinal, na literatura sobre o tema, está associada a diversos fatores, como a falta de acesso à informação e conhecimento científico, que em grande medida se associa à baixa escolaridade e renda21,22. Investigar a relação da hesitação vacinal com as desigualdades socioeconômicas e educacionais (que marcam historicamente a sociedade brasileira) é extremamente relevante. Todavia, nossa hipótese é que o seu atual crescimento tem características novas e peculiares, relacionadas a impactos da ação de “mercadores da dúvida” na pandemia no país, politizando as vacinas e gerando polarizações políticas na opinião pública no campo da ciência e da saúde. A expressão “mercadores da dúvida” faz referência à pesquisa23 sobre “cientistas” que, contra evidências científicas, por interesses econômicos e políticos, semearam desinformação sobre tabagismo, armamento nuclear e aquecimento global nas últimas décadas.
Ao investigar os impactos de discursos antivacina na percepção da população brasileira, verificamos que a politização vacinal tem afetado consensos alcançados sobre o tema no país, com graves riscos à saúde coletiva. Contudo, o estudo também mostra convergências importantes sobre a valorização da ciência, do Sistema Único de Saúde (SUS) e de políticas públicas, com perspectivas de diálogo para o enfrentamento a negacionismos.
METODOLOGIA DE PESQUISA
Pesquisas bibliográficas e documentais, entrevistas e levantamentos nacionais de opinião pública foram realizados junto ao Centro SoU_Ciência, em conformidade com protocolos aprovados pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Unifesp. A partir da revisão do debate teórico e de pesquisas anteriores sobre desinformação, negacionismo científico e movimentos antivacina, criamos duas frentes de estudos empíricos. A primeira investigou a disseminação de desinformação na pandemia no país, com a realização de entrevistas qualitativas, análise bibliográfica e documental. A segunda visou verificar os impactos da desinformação na percepção pública brasileira.
A pesquisa sobre disseminação de desinformação na pandemia no Brasil resultou em um repositório público, o Acervo da Pandemia de Covid-1916, lançado em março de 2025, contendo publicações textuais e audiovisuais, coletadas em redes digitais e sites, catalogadas por temas, instituições e agentes. Entrevistas em profundidade com profissionais e pesquisadores da saúde, realizadas em 2023, de acordo com os Termos de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), subsidiaram a coleta de evidências de desinformação e as estratégias da pesquisa. Como apresenta o site, com uma equipe interdisciplinar e parceiros, incluindo coletivos de mídia independente, o Centro de Pesquisas em Direito Sanitário da Universidade de São Paulo (Cepedisa/USP) e a Avico, criamos o Acervo para contribuir com memória, justiça e reparação, e subsidiar pesquisas. Os exemplos citados, extraídos dessa pesquisa, evidenciam a ação de “mercadores da dúvida”, com impactos na sociedade brasileira, que buscamos compreender com as pesquisas de opinião pública.
Os levantamentos nacionais de percepção pública fazem parte de uma série de pesquisas sobre ciência e universidades públicas do SoU_Ciência com o Instituto Ideia, que atua na coleta de dados primários via chamadas para linhas móveis, com a aplicação do questionário estruturado à amostra representativa da população brasileira (Parecer CEP Unifesp nº 5.114.892 de 19/11/2021). Os dados analisados neste artigo referem-se às enquetes aplicadas em duas rodadas (08/2021 e 07/2023), com bases de 1.248 e 1.295 respondentes, homens e mulheres de todas as regiões, idade igual ou superior a 16 anos, segmentados por gênero, idade, cor ou raça/etnia, região, escolaridade, classe, renda, religião, tipo de município e posição política: a favor ou contra o governo e como o avaliam (incluindo, em 2023, a declaração de voto no segundo turno das eleições de 2022). Com intervalo de confiança de 95% e margem de erro máxima prevista de 3%, as amostras em duas etapas (probabilística e cotas)24,25 tiveram cotas variáveis, segundo distribuição da população por região e proporções definidas na PNAD 2021 e Censo 2010. As pesquisas abordam vacinação em geral, contra covid-19 e infantil, e temas relacionados26. Esse material empírico sustenta as análises descritivas e de conteúdo desenvolvidas no artigo.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
A primeira seção trata dos discursos antivacina e da percepção pública da vacinação em geral e contra covid-19. A segunda analisa segmentos mais vulneráveis a discursos antivacina, conformando um cenário polarizado da percepção sobre vacinas no país, diante do qual investigamos possíveis convergências para o diálogo. As conclusões trazem análises propositivas e perspectivas.
DA VACA AO JACARÉ: VACINA E DESINFORMAÇÃO NA PANDEMIA
Os movimentos antivacina, desde o século XIX, como as ligas antivacinação nos EUA, Canadá e Inglaterra, atuam na disseminação de falsas informações sobre riscos, supostas fraudes na produção, minimização da gravidade de doenças, por vezes, com argumentos teológicos27. Apesar do artigo fraudulento publicado na The Lancet (1998) relacionando autismo à vacina tríplice viral ter sido veementemente contestado, levando o autor a perder sua licença médica após a comprovação da manipulação de pesquisas e de seu interesse em processos contra fabricantes de vacinas28, esses “mercadores da dúvida” seguem atuando em vários países, conquistando espaço com o crescimento da extrema direita.
No Brasil, estudos sobre a Revolta da Vacina (1904), reação à vacinação obrigatória contra varíola e medidas sanitaristas do governo federal, reconhecem motivações políticas e sociais, como a ação de opositores do então presidente e a indignação popular diante das injustiças sociais e da miséria, contribuindo para a disposição social ao movimento antivacina, que se relacionava naquele episódio mais ao método de implementação da política do que à desconfiança da eficácia dos imunizantes29,30. Com a criação do PNI, em 1973, e do SUS, a partir de 1988, com base na luta e mobilização popular, o país alcançou abrangência e efetividade na vacinação da população, com grande adesão e acesso gratuito às vacinas recomendadas pela OMS, constituindo-se referência internacional31.
Todavia, pesquisas apontam significativa queda na vacinação no Brasil a partir de 2016, colocando em risco essas conquistas históricas32. A cobertura infantil, que alcançava mais de 95% da população desde os anos 1990 e nas duas décadas seguintes, sofre gradual declínio a partir de 2016, com queda de 10% a 20%, acompanhado pelo aumento da mortalidade infantil e materna, e o ressurgimento de casos de sarampo após anos de erradicação da doença no país33. Estudos sobre o novo cenário regressivo destacam, entre as causas, o quadro de desfinanciamento e desmonte de políticas públicas, especialmente de saúde, assistência social e educação, aprofundado nos governos Temer e Bolsonaro, e o aumento da desinformação vacinal19.
Ao observar o cenário de mobilização da extrema direita na pandemia no Brasil, nos indagamos nesta pesquisa sobre os desdobramentos desse processo na atualidade. Em levantamento nacional de opinião pública (2023), verificamos que parcela significativa da população brasileira, três em cada dez pessoas, declaram ter alguma hesitação em aderir à vacinação. Em resposta a: “Você adere às campanhas nacionais de vacinas?”, 70,2% indicam que sempre aderiram. O percentual sobe para 77,7% ao incluir os que afirmam que aderiam antes da covid-19, mas que desistiram após a pandemia (Figura 1). Ou seja, entre aqueles que aderiam às campanhas no passado, 7,5% relatam ter desistido. Se somados aos 12,4% que “não aderem” e aos 9,9% que “não sabem”, temos 29,9% da população com hesitação e/ou falta de conhecimento da importância da vacinação.
Figura 1: Adesão a campanhas de vacinação
Os dados revelam aumento da hesitação vacinal após a pandemia e contrastes importantes relacionadas a gênero, classe social, escolaridade e posicionamento político-eleitoral: a adesão (média de 70,2%) é maior entre mulheres (74,9%), pessoas com maior renda e escolaridade (84,8%, classes A e B; 83,6%, ensino superior) e declaradas de esquerda (90,6%). Em contraste, é menor entre os mais pobres (64,3%, classes D e E) e potenciais eleitores de Bolsonaro no segundo turno de 2022 (64,7%). Dos que afirmam não aderir a campanhas (19,8%, somando respondentes do “não” e que desistiram após a pandemia), o percentual aumenta nas classes D e E (24,9%), com menor escolaridade (30,9%), evangélicos (25,1%) e eleitores de Bolsonaro (29,5%). Além de confirmar que a desigualdade social (expressa na baixa renda e escolaridade) influencia na hesitação vacinal, os dados apontam outras dimensões do fenômeno, explicitadas na análise da percepção pública da vacina contra covid-19.
No contexto inicial de disponibilização das vacinas contra covid-19 à população brasileira, em pesquisa de opinião pública de agosto de 2021, 94,5% se declara favorável ao imunizante. Nesse grupo, 65,6% indicam ter tomado ao menos uma dose da vacina e 28,9% declaram não ter tomado, mas que tomariam quando disponível (Figura 2). A pesquisa revela ampla adesão ao plano de imunização, indicando que no auge da crise pandêmica a vacina alcançava significativo consenso no país. O estudo também aponta que 5,5% rejeitavam a vacina naquele momento, e que a escolaridade e o posicionamento político interferiam na opinião. A rejeição à vacina entre pessoas com nível fundamental (7,8%) era quatro vezes maior que entre as de ensino superior (1,7%). O mesmo contraste havia entre os que aprovavam o governo Bolsonaro (11,4%) comparados aos que desaprovavam (2,9%)34.
A pesquisa de 2023 aponta queda na adesão às vacinas contra covid-19. Apesar da adesão à primeira dose ter sido superior a 90%, 2/3 da população indicam ter tomado até a terceira dose (66,1%) e apenas 17,9% indica ter completado o esquema vacinal com cinco doses (incluindo a bivalente). Além disso, 4,7% declaram não ter tomado nenhuma dose. Os dados indicam que a adesão inicial à vacina foi alta no país e que a desinformação gerou maior impacto nas doses subsequentes da vacina.
Figura 2: Adesão à vacina contra covid-19 (2021 e 2023)
Dos que declaram não ter recebido nenhuma dose (4,7%), as principais justificativas são: “não confio nas vacinas” e “tenho medo dos efeitos colaterais”. Somados aos que indicam “não sei” (5,1%), a pesquisa aponta que cerca de 10% da população, com base na sua autodeclaração, poderia estar sem a vacina contra covid-19 em 2023. Dados que revelam que discursos antivacinação têm convencido parcelas da população.
Pesquisas sobre desinformação revelam ofensiva negacionista da extrema direita à vacinação contra covid-19, especialmente infantil, com apelos emocionais, alcançando significativa repercussão nas redes, em disputa acirrada de audiência e interação pró e antivacina35. Alvo de discursos negacionistas, as vacinas são o tema mais recorrente nas evidências coletadas na pesquisa sobre disseminação de desinformação na pandemia, como revelam dados do Acervo. Em 46 evidências analisadas, há argumentos falsos sobre: ausência de evidências científicas, insegurança dos imunizantes, falta de eficácia, risco de morte, reações adversas e graves sequelas (infecção por HIV, câncer, mutações no DNA etc.), interesses econômicos (lobby da indústria farmacêutica), controle populacional via chip controlado pelo governo e ataque à liberdade individual. Entre os exemplos, há discursos do então presidente, com o propósito de disseminar insegurança na vacina contra covid-19:
Se você virar um jacaré. (...) Virar super-homem, se nascer barba em alguma mulher aí ou algum homem começar a falar fino, eles não vão ter nada com isso. O que é pior: mexer no sistema imunológico das pessoas. (...) ‘Cadê’ a nossa liberdade?36.
A palavra vacina origina-se do latim vaccinus, ‘da vaca’, relativo à sua descoberta por médico inglês ao notar a imunidade à varíola bovina em trabalhadores que ordenhavam vacas. Como farsa, e tragédia, o suposto poder de transmorfismo animal, ‘virar jacaré’, acrescido de falsos riscos ao sistema imunológico, expõe características recorrentes dos discursos antivacina: a estratégica camuflagem científica de afirmações que contradizem evidências científicas, a fake science, ou falsa ciência37.
Difamar vacinas foi uma dimensão importante da estratégia política do governo Bolsonaro e apoiadores. Entre os agentes institucionais propagadores de desinformação, estão: a então Presidência, Ministros da Saúde, membros do ‘gabinete paralelo’, o Conselho Federal de Medicina (CFM), a Associação Médicos pela Vida (MPV) e operadoras de planos de saúde. Como explicita o abaixo-assinado “Carta ao Brasil” da MPV, de abril de 2021, assinado por diversos médicos:
Se alguns dos governantes não estivessem subservientes à narrativa única da mídia e adotassem as medidas que realmente salvaguardassem a vida humana, não flexibilizariam os protocolos da ANVISA para satisfazer o poderoso lobby das indústrias farmacêuticas, promovendo as controversas vacinas experimentais, apresentando-as como solução final para a pandemia, mas cujos efeitos adversos e óbitos decorrentes de sua utilização, vêm crescendo a cada dia38.
Mobilizando informações falsas e teorias conspiratórias, envolvendo mídia, indústria farmacêutica e governantes, com o intuito de abalar a confiança da população nas instituições públicas e científicas, os discursos antivacina têm conquistado espaço nas entidades médicas. Como revela Parecer do Conselho Regional de Medicina do Estado do Amazonas (CREMAM), de dezembro de 2021, com desinformação sobre os riscos das vacinas:
Do ponto de vista da bioética, entendo que o passe da vacinação representa uma forma de dividir a sociedade e segregar um grupo, discriminando pessoas e ofendendo direitos humanos fundamentais. Seria estabelecer: alguém tem mais direito que outro, por ter recebido previamente uma vacina, condição impensável em nosso sistema jurídico. Ademais, as vacinas utilizadas no Brasil, até a presente data, foram aprovadas pela ANVISA em caráter experimental, o que, por si só, representa risco considerável, relativo a possíveis efeitos colaterais, de gravidade variável, já relatados em diversos trabalhos científicos e fartamente divulgados pela mídia39 (p. 4).
Tais afirmações falsas foram desmentidas pela comunidade científica, pois as vacinas foram desenvolvidas com rigorosos protocolos científicos e as responsáveis por frear a mortalidade da covid-1940. Contudo, a politização dos discursos antivacina intensificados na pandemia impactaram na queda da adesão às vacinas, especialmente infantil.
Pesquisa publicada em 2022 na Nature Medicine41 sobre a vacina contra covid-19 em 23 países, com mais de 60% da população mundial, aponta que, no Brasil, entre 2021 e 2022, a hesitação em vacinar os filhos aumentou em 56,3%, contrastando com a tendência mundial de aumento da vacinação infantil. Como causas da redução da cobertura no país, aponta a falta de financiamento às políticas e ao SUS, especialmente nos governos Temer e Bolsonaro, que afetaram a distribuição de vacinas, e o declínio da confiança nas vacinas21,22.
A pesquisa de 2023 sobre vacinação infantil contra covid-19 (Figura 3) expressa que a maioria apoia a vacina (66,3%, incluindo 54,9% que concordam e 11,4% que declaram terem vacinado filhos/as menores de idade). Todavia, parcela significativa declara rejeição à vacinação de crianças: 14,4% (incluindo 3,9% que informam não terem vacinado os filhos).
Figura 3: Adesão à vacinação infantil contra covid-19
A discordância da vacinação infantil contra covid-19 (14,4%) supera a de adultos (4,7%) e cresce entre os que se identificam de direita (33%), declaram voto em Bolsonaro no 2º turno de 2022 (27,2%), avaliam o governo Lula como péssimo (43,9%) e consideram que houve fraude nas últimas eleições (36,9%). Em contraste, o apoio à vacina atinge 92,7% entre declarados de esquerda e 89,6% entre eleitores de Lula em 2022. Alvo mais recorrente dos discursos antivacina na pandemia, a menor adesão à vacinação infantil confirma que a desinformação gerou impacto significativo.
POLARIZAÇÕES NA OPINIÃO PÚBLICA E POLITIZAÇÃO VACINAL: EM BUSCA DO CONSENSO PERDIDO
Estudos apontam o declínio na confiança da população na vacinação após a pandemia42, em quadro crescente de desordem informacional no país, com a multiplicação de perfis antivacina nas redes digitais, disseminando teorias conspiratórias e fake science. Segundo pesquisa do Laboratório de Internet e Ciência de Dados (Labic) da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), aumentou o número de grupos com discursos antivacina no Telegram, de 248 grupos registrados em 2022 para 920 em 202343. O crescimento exponencial indica que a ação de “mercadores da dúvida” segue ampliando-se no país como um dos legados trágicos da pandemia.
Além de mostrar desengajamento às novas doses da vacina contra covid-19 (apenas 17,9% relatam ter completado o esquema vacinal com a quinta dose), a pesquisa revela segmentos populacionais mais impactados por discursos antivacina, com grande disparidade ao observarmos a segmentação política. Em resposta à pergunta: “Você tomou quantas doses da vacina contra covid-19?”, eleitores de Lula no 2º turno de 2022 declaram que receberam 38% de doses a mais do que eleitores bolsonaristas. Em projeção da quantidade total de doses tomadas a partir do total de votos recebidos por Lula e Bolsonaro no segundo turno de 2022, são cerca de 58 milhões de doses a mais. Esse resultado (Figura 4) revela descolamento expressivo da adesão às vacinas entre eleitores de Lula e Bolsonaro, especialmente na quarta e quinta dose. Destaca-se que a quarta dose foi aplicada em 2022, ano eleitoral com forte polarização política no país. Com 23,8% de eleitores de Lula declarando ter tomado a quarta dose e outros 28% que receberam até a quinta dose em 2023, totalizam-se mais de 30 milhões de doses. Em contraste, eleitores de Bolsonaro atingem a metade desse volume na quarta dose da vacina (13,6%) e quase um terço na quinta dose (10,7%), somando apenas 13,1 milhões. Tal diferença é o dado mais evidente da politização das vacinas.
Figura 4: Polarização na vacinação contra covid-19 - posição política
A rejeição à vacina, de 4,7% da população (que afirmam não ter recebido nenhuma dose), é três vezes maior entre eleitores de Bolsonaro (6,6%) do que de Lula (2,2%). Nesse último grupo, as principais justificativas foram: “esqueceram”, “não ficaram sabendo” ou “não conseguiram tomar” (44,5%), expressando contingência e não desconfiança da vacina. A confiança nas vacinas é citada por 38,4% de eleitores de Bolsonaro frente a 75% de Lula.
A dimensão religiosa também revela polaridades, junto com o posicionamento político de evangélicos em favor de Bolsonaro e de católicos em favor de Lula, como evidenciam pesquisas da época44. A adesão às campanhas de vacinação é maior entre católicos (78,6%), comparados a evangélicos (64,2%). A rejeição destes últimos aumenta na vacina contra covid-19: apenas 9,8% de evangélicos completaram o esquema vacinal (até a quinta dose) frente a 24% de católicos, que se vacinaram quase três vezes mais (Figura 5). O movimento é similar entre os que não tomaram nenhuma dose (6,4% de evangélicos, 2,2% de católicos). Dos que se declaram não vacinados, a falta de confiança nas vacinas é citada por 53,2% de evangélicos contra 9,1% de católicos. Como motivo para não ter completado o esquema vacinal, “deixei de confiar nas vacinas” é apontado por 23,1% de evangélicos e 12,2% de católicos. Sem campanhas do governo federal na pandemia, eleitores de Bolsonaro em 2022 e evangélicos foram os que menos se vacinaram contra covid-19.
Figura 5: Polarização na vacinação contra covid-19 - dimensão religiosa e escolaridade
Se a politização vacinal é o dado novo e impactante nos últimos anos, não podemos desconsiderar a dimensão estrutural e histórica relacionada à desigualdade socioeconômica e educacional. A população mais pobre que declara ter tomado a quinta dose da vacina e completado o esquema vacinal é 50% menor: 10,8% nas classes D e E contra 22,3% nas classes A e B. A população com menor escolaridade foi mais impactada. Ao comparar os segmentos com ensino fundamental e com ensino superior: 8,2% e 2,2%, respectivamente, afirmam não ter recebido nenhuma dose; 13,4% e 24,1%, que tomaram até a quinta dose; 27,4% e 47,5% discordam da declaração “as vacinas são experimentais e sem eficácia comprovada”; 24% e 40,8% concordam que prejuízos foram causados pela falta ou atraso na vacinação. A educação também se reflete na percepção das ações necessárias à redução de mortalidade em uma possível próxima pandemia: reconhecem a importância de ampliar campanhas educativas (21,6% e 45,4%); combater fake news sobre vacinas (20,2% e 40,9%); melhorar a formação de profissionais de saúde (24,6% e 42,2%); ampliar investimentos em ciência e pesquisa (28,5% e 58,8%).
Sobre a vacina contra poliomielite e sarampo, com maior adesão (83,4%), há importantes disparidades entre segmentos com diferentes níveis de renda e escolaridade: a adesão de 94,6% de pessoas com mais de 5 salários mínimos (SM) cai para 73,9% entre aqueles com até 1 SM, e de 87% com ensino superior para 73,8% com ensino fundamental. Os dados relativos à desigualdade social e educacional reiteram essa dimensão da hesitação vacinal e reforçam a centralidade da educação e do combate à desigualdade, à pobreza e às barreiras estruturais e organizacionais que afetam o acesso a serviços de saúde e vacinação da população historicamente vulnerabilizada, junto a ações contra a desinformação.
Ressalta-se que as vacinas de poliomielite e sarampo denotam menor polarização política e eleitoral, com maior consenso entre eleitores de Lula e de Bolsonaro (92,1% e 83,6%) e entre esquerda e direita (96,1% e 85,9%). A rejeição à vacinação contra poliomielite e sarampo (3,8%) é quatro vezes menor do que a vacinação infantil contra covid-19 (14,4%), mais uma constatação da politização vacinal e do impacto da desinformação.
No levantamento de 2021, houve aumento da valorização do SUS na pandemia, especialmente por segmentos de maior renda45. Em busca por possíveis convergências entre grupos polarizados, dados de 2023 apontam relevantes consensos em defesa da ciência, da vida e do SUS, e propostas para prevenção de pandemias. Em questão de múltipla escolha, ampliar investimentos no SUS é a principal ação citada (52,4%), com 59% e 50% entre eleitores de Lula e de Bolsonaro, e 55,2% e 52,5% entre católicos e evangélicos. Outros consensos: aumentar investimentos em ciência e pesquisa, melhorar a formação de profissionais de saúde e ampliar ações educativas, nas escolas e comunidades. Tais convergências revelam que há parcelas importantes de eleitores de direita que não são negacionistas, anticiência e anti-SUS. A valorização da ciência e de políticas públicas abre perspectivas de diálogo e de consensos em um país politicamente polarizado.
CONCLUSÃO
A pesquisa revelou impactos de discursos antivacina disseminados na pandemia, gerando queda da adesão da população à vacinação e, mais expressivamente, à vacina contra covid-19, especialmente infantil. Os dados refletem polarizações na sociedade brasileira, principalmente entre segmentos com posicionamentos políticos e religiosos distintos. A análise da percepção da população brasileira sobre vacinas confirma que a hesitação vacinal se relaciona com a histórica e profunda desigualdade social do país, mas foi acrescida de nova dimensão política relevante, expressando o que chamamos de politização vacinal.
Em tempos de riscos de novas pandemias, é crucial enfrentar estruturalmente a questão, com políticas que promovam profundas transformações econômicas e sociais no país, com ações abrangentes e multissetoriais, fortalecendo políticas públicas, com investimentos adequados, combate à concentração de renda e efetiva redistribuição de riquezas. O impacto regressivo antivacina foi significativo, mas pode ser revertido com a reconstrução do PNI, como mostram dados da retomada da vacinação infantil na atualidade46.
O quadro de politização vacinal requer ações de educação, comunicação e campanhas públicas, atentas à população de menor renda e escolaridade, e estratégias diversificadas de enfrentamento à desinformação. Para reconquistar a confiança da população na vacinação é necessário fortalecer a comunicação e educação popular, em parcerias com movimentos sociais, agentes de saúde, de cultura, assistentes sociais e diversos atores públicos e privados, engajados, bem formados e informados, atuantes nos territórios. Em um país polarizado, existem consensos que abrem perspectivas de futuro.
Há muito por fazer na união do país em torno de pautas que podem ser consensuais: a defesa da ciência e do SUS é certamente uma delas. Em março de 2024, o Memorial da Pandemia de Covid-19 começou a ser criado pelo Ministério da Saúde e parceiros, para contribuir com a justiça, a reparação e a conquista de transformações estruturais para que tragédias como essa não se repitam. A batalha da vacina na pandemia foi política e a ação do sistema de pesquisa e das universidades possibilitou iniciar a vacinação no país. A ciência mostrou que as vacinas foram as grandes responsáveis por frear a mortalidade da covid-19. Enfrentar o legado antivacina e anticiência da pandemia no Brasil é fundamental para combater negacionismos e fortalecer a democracia e a saúde coletiva na atualidade.
Declaração de Disponibilidade de Dados
Os dados de pesquisa estão disponíveis mediante solicitação ao autor de correspondência.
As fontes dos dados utilizados na pesquisa estão indicadas no corpo do artigo.
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